04.28.08

O uso de monogenes em referência a Cristo

Enviado em Teologia de João tagged , , às 9:08 pm por Marcelo Berti

 Talvez o assunto mais controvertido na Teologia Joanina no escopo da cristologia deva ser o uso e aplicação do termo gr. “monogenes” a Jesus Cristo. Em primeira João vemos o termo acontecer em 4.9: “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele[1]. Nesse texto o que podemos perceber é que a manifestação do amor de Deus consiste no envio de seu filho ao mundo com o objetivo de que os que depositam sua fé nEle vivam por meio dEle. A expressão “unigênito” nesse verso é a tradução do termo gr. “monogenes” e tal como foi traduzido pode ser compreendido como único gerado. Tal compreensão tem causado grandes dificuldades na compreensão da Pessoa de Cristo e desafiado teólogos por toda a história a compreenderem seu real significado.

 

A estrutura do termo monogenes

A estrutura do termo tem sido palco de grande discussão:

  • 1. Gennäo: Uma das possibilidades de estrutura desse termo é a junção do substantivo “monós” (único) com o verbo “gennäo” (gerar) traduzindo a idéia de “único gerado”. O Friberg Lexicon oferece entre muitas opções a possibilidade de que João tivesse utilizado o termo com essa construção, traduzindo-o como único gerado (unigênito)[2]. Além disso, existem muitas evidências históricas para afirmar que teólogos acreditavam que o termo em pauta é derivado da junção do termo “monos” com “gennäo”, o que traria exatamente a idéia de “único gerado”. O Holman Bible Dictionary afirma o seguinte sobre o termo: “A expressão ‘unigênito’ deriva diretamente de Jerônimo (340?-420) que substituiu o termo unicius (único), a leitura do latim antigo, com unigenetus (único gerado) enquanto traduzia a Vulgata Latina[3]“. Talvez essa leitura tenha influenciado a construção do Credo de Nicéia (325d.C.), que foi revisado em Constantinopla em 381d.C., que traz a seguinte declaração sobre Cristo: “Em um só Senhor Jesus Cristo, o unigênito Filho de Deus, gerado pelo Pai antes de todos os séculos[4]“. Acredita-se que Jerônimo teria substituido o termo por intencionar combater ensinos arianos sobre Cristo, que ensinava que havia sido feito pelo Pai. Outros teólogos falam desse termo de modo compatível com essa construção do termo. Esse é o caso de Chafer, que diz que quando o termo é utilizado em relação ao Filho no NT traz a idéia de que “Ele é o Filho de Deus como ninguém poderia ser porque o único gerado foi ele, e já existia no estado perfeito que Ele desfruta eternamente[5]“. Essa é a visão mais tradicional do termo e está em conformidade com a expressão histórica referente a Cristo que foi “eternamente gerado da substância do Pai” encontrado no vigésimo nono ponto do credo atribuído a Atanásio[6]. Quem parece compartilhar essa opinião é Jonatas Edwards. Sobre o assunto, ele diz: “O Filho é a Deidade gerada pelo entendimento do Pai, ou tendo uma idéia de si mesmo e subsistindo nessa idéia[7]“. Em outro lugar também diz ele fala da “geração eterna do Filho” e completa dizendo que “gostaria de adicionar que a geração eterna do Filho consiste no Pai ter uma idéia perfeita dele, que é o Filho[8]“.

 

  • 2. Ginomai: Segundo o Strong`s o termo “monogenes” (G3439) é resultado da junção de “monós” (G3441) com “ginomai” (G1096). Segundo esse mesmo léxico, a definição é exatamente único nascido, podendo ser também aplicado como “único filho”[9]. Fato semelhante é encontrado no Liddel-Scott Lexicon que sugere alguma relação de monogenes com o uso Épico “mouno-genés” em Heródoto, Hesíodo e outros, que deriva-se de ginomai. Sendo que ainda é utilizado em Eurípedes em relação a um laço familiar: “monogenes aima” (do mesmo sangue)[10].

 

  • 3. Genós: Por outro lado, é possível que o termo seja resultado da junção de “monós” com “genós”, o que forneceria uma leitura completamente diferente do termo. “Genós” pode significar espécie, tipo, classe. Caso essa seja a construção do termo, veríamos nessa expressão uma indicação da unicidade de Cristo como Filho de Deus. Essa opção é compartilhada por BDAG Lexicon, Thayer`s Greek Lexicon, UBS Lexicon, Louw-Nida Lexicon, Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, Chave Lingüística do Novo Testamento Grego, além de alguns comentaristas e teólogos. Embora não considere que o conceito de “monogenes” seja muito claro no Novo Testamento, Ladd diz: “De qualquer modo, João declara Jesus ser o único, o exclusivo Filho de Deus“. Pouco a frente acrescenta: “João pretende dizer que Jesus é o único de sua classe. Outros podem tornar-se filhos de Deus, mas a filiação de Jesus permanece distinta[11]“. Sttot diz o seguinte: “Aplicado a Jesus, o termo indica sua singularidade; Ele é ‘o Filho’ no sentido absoluto[12]“. Westtcot afirma o seguinte sobre o termo: “Monogenes descreve a absoluta e única relação entre Pai e Filho em sua natureza divina[13]“. Rees acredita que monogenes enfatiza mais “a Sua unicidade que a sua Filiação, embora os dois conceitos estejam presentes[14]“. Marshall afirma: “Jesus refere-se ao Pai como único Deus verdadeiro (Jo.17.3; cf. Jo.5.44). Não existe lugar para nenhum outro ser ocupar uma tal posição em relação ao Pai. O adjetivo ‘monogenes’ (Jo.1.14, 18; 3.16, 18) enfatiza tal restrição e destaca o papel de Jesus como o único Revelador e Salvador[15]

 

Portanto, podemos perceber que o termo tem sido compreendido de modo muito controvertido por léxicos e teólogos. Entretanto, parece-nos mais sensato que a última opção seja a mais razoável, pelos seguintes fatos:

  • 1. A primeira opção pode ser identificada como possibilidade, mas alguns comentaristas têm sugerido que caso fosse a construção do termo uma junção de “monós” com “gennäo” dever-se-ia encontrar um outro “n” no termo: “monogennes”[16].
  • 2. A segunda opção (ginomai) parece de tão pouco respaldo que não verifica-se nenhum uso do termo na LXX ou NT que justifique qualquer ligação entre “monós” e “ginomai”.
  • 3. A terceira opção sagra-se favorita pelo grande número de declarações diretas que recebe. Todos os léxicos mencionados nessa opção declaram que objetivamente que o termo deriva do substantivo “genes” e não do verbo “gennäo”. Essa é a opinião de F.F. Bruce: “Etimologicamente, a palavra significa o único (monós) do seu tipo (genós)”. Entretanto, pouco a frente, o mesmo autor reconhece que é possível que João tivesse realizado um uso diferenciado para o termo quando aplica a Jesus Cristo: “Com referência a Jesus como Filho de Deus, a tradução tradicional ‘unigênito’(do latim unigenetus) é mantida, talvez por que o evangelista tenha associado -genes com o verbo gennäo (usado no v.13), tomando, assim, o composto monogenes no sentido ou de ‘único gerado’ ou ‘gerado Único’[17]“. Isso nos remete à seguinte conclusão: Etimologicamente parece evidente que o termo derive da junção de “monós” com “genós”, mas há ainda a possibilidade de o termo ser utilizado de outro modo.

 

Segue-se que a etimologia não determina necessariamente o tipo de uso do substantivo, pois é possível que alguém faça uso do termo considerando a penas sua aplicação e não sua origem. Até por que, a origem de um termo aponta para nada mais que sua origem.

Por esta razão que é necessário observar usos específicos do termo para tentar compreender como esse termo pode ser utilizado, para então nos aproximarmos do seu uso na literatura joanina e conceituarmos seu uso em referência a Cristo.

 

O uso de Monogenes na LXX

O termo “monogenes” foi utilizado cerca de 4x na LXX[18] em tradução do termo hebraico “Yachiyd” (Jz.11.34; Sl.21.20; 25.16; 35.17). O termo hebraico é utilizado cerca de 12x em todo o Velho Testamento, sendo que em 7x a LXX traz o verbo gr. “agapetós” (Gn.22.2, 12, 16; Pv.4.3; Jr.6.26; Am.8.10; Zc.12.10) como tradução. Existe outro termo gr. que faz alguma correlação com o termo hebraico “yachiyd”, que é utilizado em Sl.67.7 na LXX (Sl.68.5 ARA) que é o termo “monotrópos” que denota o sentido de sozinho, solitário, mas parece não ter direta conexão com “monogenes”. O termo foi utilizado de três modos diferente na LXX:

 

  • 1. Como indicação de um único filho: Nos apócrifos podemos ressaltar alguns usos do termo que podem nos ajudar a compreender seu uso. Em Tobias 3.15, vemos uma declaração interessante: “Sou filha única do meu pai, ele não tem outro filho para herdar, não tem junto a si irmão algum, nem parente a quem eu me deva reservar“. O termo em destaque representa o verbete “monogenes”. O uso do termo nesse contexto parece consoante com o uso de Jz.11.34: “Vindo, pois, Jefté a Mispa, a sua casa, saiu-lhe a filha ao seu encontro, com adufes e com danças; e era ela filha única; não tinha ele outro filho nem filha“. Em ambos os casos vemos que além do emprego do termo, houve um acréscimo de informação para não deixar dúvidas sobre o que se pretende dizer com o emprego do termo (cf. Tobias 6.11; 8.17 – mesmo uso do termo)

 

  • 2. Como definição de um único filho gerado: Outro uso interessante para o termo na nas versões gregas de textos apócrifos encontra-se nos Salmos de Salomão 18.4: “A tua instrução está sobre nós como sobre um filho primogênito e unigênito, para redimir a dócil alma dos pecados cometidos na ignorância“. O uso aproximado e equivalente de “monogenes” e “prototokós” antecedidos pelo termo “huiós” em um texto antigo[19] parece apontar para o fato que o termo poderia ser entendido como “único filho gerado”.

 

  • 3. Como definição de unicidade: Entretanto, outro uso é encontrado em livros apócrifos que nos auxiliam a compreender a diversidade de significados que termo pode englobar: “Nela há um espírito inteligente, santo, único, multiplo, sutil, móvel, penetrante, imaculado, lúcido, invulnerável, amigo do bem, agudo” (Sabedoria de Salomão 7.22). Nesse texto podemos perceber com clareza que o uso intencionado era a idéia de “sem igual”, “incomparável”, uma possibilidade para o termo. Ou seja, na LXX, o que podemos perceber é que o uso é diverso, e pode significar um filho único, um único filho gerado, como alguém que é único.

 

O que se pode perceber aqui é que o uso do temo expressa um pouco mais que sua origem. Os autores da LXX conceituaram de modo diferente o termo, em ocasiões diferentes, isso confirma o que já se havia dito: A etimologia não define necessariamente o modo de uso de um termo.

Contudo, com uma análise mais apurada, podemos traçar um paralelo entre os dois termos mais utilizados na LXX para “yachiyd” para definirmos uma possível relação sinônima entre ele. Aliás, a grande proximidade entre “monogenós” e “agapetós” é tão grande (em referência a Cristo) que Rudolf Bultmann fala que “A designação [de monogenes] deverá ser compreendida como predicado de valor no sentido de ‘amado acima de tudo’ de acordo com o uso lingüístico da LXX[20]“. Para ele a relação não é apenas de proximidade léxica, mas de proximidade de definição, tal como verificada na LXX.

F.F.Bruce apresenta esse conceito quando observa o uso do termo hebraico “yachiyd” em Gn.22.2: “Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei” (cf. v.12; 16). Ele diz: “Isaque não era literalmente o ‘único’ filho de Abraão, mas era seu filho mais amado, ‘especial’, a quem ele dava tudo o que tinha[21]“.

Entretanto, o termo hebraico per si pode oferecer algum suporte para a compreensão do termo grego utilizado por João em referência a Cristo. Essa é a opinião dos editores do DITVT: “Teologicamente, yachiyd é importante pelas marcas que deixa na cristologia do NT[22]“. Para o DITVT, a compreensão o termo hebraico suporta a compreensão do termo neotestamentário. É por essa razão que chega a afirmar que existe alguma ligação entre o fato acontecido com Abraão e o que aconteceu com Cristo. Ao considerar Isaque como “agapetós” Gilchrist lembra-nos que Cristo também teve esse mesmo título (Mt.3.17; 17.5, Mc.1.1; 9.7; Lc.3.22; 2Pe.1.17). Dever ser por isso que o R. Laird Harris chega a concluir: “É, portanto, justificada a idéia de que em João o termo monogenes não se refere ao fato de que o Filho procede do Pai, como nas famílias humanas, mas à singularidade e ao amor do relacionamento trinitário[23]“.

Desse modo, fica evidente que a relação entre o termo hebraico e o grego podem auxiliar a conceituar o uso de “monogenes” em relação a Cristo. Nos falta, então, observar o uso neotestamentário e verificar sua contribuição.

 

O uso de Monogenes no NT

No Novo Testamento não encontramos tantos usos do termo, mas os usos encontrados podem contribuir com o que já foi demonstrado da LXX. Predominantemente no Evangelho de Lucas encontramos o termo “monogenes” em referência a filhos que são únicos: “Como se aproximasse da porta da cidade, eis que saía o enterro do filho único de uma viúva; e grande multidão da cidade ia com ela” (Lc.7.12; cf. 8.42). Talvez, no evangelho de Lucas o uso que traga alguma contribuição encontra-se em Lc.9.38: “E eis que, dentre a multidão, surgiu um homem, dizendo em alta voz: Mestre, suplico-te que vejas meu filho, porque é o único“. Muito embora fique explícito no contexto que o termo é aplicado a um filho que é único, a construção grega nos sugere que Lucas tenha empregado o termo “monogenes” especificamente como “único”. O texto grego diz: “hoti monogenes moi estin“. Como o termo “huiós” está presente na sentença não é de se esperar que Lucas faça uso do termo com esse significa, ainda que incluso. Porém, ainda assim, vemos um uso aplicado a expressão de um único filho.

Talvez o uso mais interessante no Novo Testamento, fora da literatura de João encontra-se em Hebreus 11.17: “Pela fé, Abraão, quando posto à prova, ofereceu Isaque; estava mesmo para sacrificar o seu unigênito aquele que acolheu alegremente as promessas“. Aqui, caso semelhante ao encontrado na LXX (Gn.22.2) é visto no NT. Isaque não era o filho único, no sentido de único filho gerado, mas o filho especial, amado, aquele que herdaria as promessas feitas a Abraão. Nesse caso, vemos que “monogenes” tem uma aproximação muito forte com “agapetós” e confirma-se o que havia sido observado pelo Rudolf Bultmann.

O DITNT afirma que o termo monogenes “é encontrado como título cristológico somente em João. Mateus e Marcos empregam o termo “agapetós’[24]“. Novamente verifica-se a correlação existente entre os dois termos. Pouco à frente, o mesmo dicionário diz: “Monogenes se emprega para destacar Jesus de modo sem igual, acima de todos os seres terrestres e celestiais; no emprego desta palavra, o significado presente, soteriológico se ressalta de modo mais forte que sua origem[25]“. Westcott parece completar o sentido quando diz que “monogenes” “se centraliza na existência Pessoal do Filho, e não na geração do Filho[26]“.

Como é possível perceber, o uso de “monogenes” pode ser aplicado ao Filho em expressão a sua Unicidade com Deus, como único autorizado a expressar: “Eu e o Pai somos um”, como tem sido demonstrado pela estrutura do termo, seu uso na LXX e no Novo Testamento. Resta-nos, então, compreender o uso do termo nos escritos de João.

 

O uso de Monogenes na Teologia de João

Como já foi bem evidenciado, o termo tem diferentes usos em diferentes contextos. Entretanto, pode-se afirmar que existe uma coerência entre o uso da LXX e do NT, visto serem comuns em alguns casos. Isso nos habilita a afirmar que o termo pode ser compreendido dentro da especifidade do seu uso em contextos específicos. Isso nos leva a buscar compreender como esse termo foi utilizado em referência a Cristo na literatura de João.

O termo na literatura joanina pode ter três conotações interessantes:

  • Monogenes auxilia a compreensão da grandiosidade do amor de Deus: O primeiro ponto a ser percebido é que o termo “monogenes” como sinônimo de “agapetós” pode ser compreendido como a expressão do amor de Deus quando observado dentro do escopo soteriológico de João. Observe o que diz 1Jo.4.9: “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele“. O envio de Deus de seu Filho que é “monogenes” ao mundo é manifestação do amor de Deus. Ou seja, esse Filho que é de modo especial amado, que é único em sua classe, que é Filho como ninguém mais é habilitado a ser, que tem relacionamento especial com Deus Pai, é ofertado como pagamento propiciatório para o mundo. Da mesma forma que Abraão oferece seu único filho (amado de modo especial) Cristo é ofertado. Esse Filho (huiós) é agora o modelo de vida para todos os filhos (tékna) de Deus recebidos adotados pela fé no sacrifício vicário de Cristo. Deve ser por isso que Lutero chega a dizer: “Deus tem muitos filhos, mas apenas um ‘monogenes’, por meio de quem são feitas todas as coisas e todos os outros filhos[27]“. O Filho unigênito é a maior prova do amor de Deus, e o termo “monogenes” o ressalta de modo especial, como fica evidente nesse verso: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo.3.16). Esse é o único verso em toda a escritura que apresenta objetivamente, com termos declarados, que Deus amou ao mundo. Vemos afirmações nas escrituras sobre o amor de Deus ao mundo, mas esse é a única vez que encontramos o verbo amar ligado ao substantivo mundo. O elo nessa ligação é certamente o Filho Único, amado de modo especial. F.F. Bruce fala sobre esse verso: “O amor de Deus não tem limites; ele engloba toda a humanidade. Nenhum sacrifício foi grande demais para trazer sua intensidade sem medidas a homens e a mulheres: o melhor que Deus tinha para dar, ele deu – seu único Filho, tão amado[28]” A compreensão da pessoa de Cristo, qualificada nesse verso como “monogenes”, nos habilita a entender o grandiosidade do amor de Deus em sua disposição de ofertar seu Filho Amado de modo especial. É por essa razão que fica evidente que o termo “monogenes” nos auxilia a compreender a grandiosidade do amor de Deus em João.

 

  • Monogenes expressa parte do carater soteriológico de Cristo: Monogenes como caracterização de Cristo é visto em João de modo claramente soteriológico: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo.3.16). Nesse texto fica evidente a conexão entre “pistis”  (fé) e  a “zoen aionion” (vida eterna) como antítese de “apóllumi” (perecer). Pouco a frente na literatura joanina lemos: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (Jo.3.18). Mais uma vez o termo aparece em um contexto de definições soteriológicas para João, e estabelece-se outro termo importante no contexto da fé salvífica, pois quem cre não é “krino” (julgado), outro termo bem soteriológico em João. Ou seja, alvo da fé salvífica deve ser centrada no Filho que é “monogenes”. Deve, portanto, existir uma singularidade especial nesse Filho por sua Obra e caracterização. Como já foi mencionado por Marshall, que Jesus é o “único Revelador e Salvador“. Ou seja, no que se refere a Soteriologia joanina, o termo monogenes enfatiza a singularidade de Cristo, talvez da mesma forma que Paulo o faz em 1Tm.2.5.

 

  • Monogenes expressa a divindade de Cristo: Aqui talvez esteja o ponto mais interessante do uso de “monogenes” em João. Dois textos poderiam ser utilizados como paralelo para essa informação: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo.1.14) e “Ninguém jamais viu a Deus; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou” (Jo.1.18). Rudolf Bultmann diz o seguinte sobre o primeiro verso: “O monogenes absoluto de Jo.1.14 deve provir da mitologia gnóstica[29]“. É provável que essa opinião aconteça pois Bultmann não vê o uso do termo de modo absoluto em nenhum outro lugar na literatura religiosa judaica ou cristã. Entretanto, esse uso absoluto faz uma referência interessante se considerar como a influência de João na compreensão de Cristo, e não na influência gnóstica na visão de João, pois, embora único uso, parece bem respaldado pelo contexto a referência que faz nesse verso. O verbo é chamado de unigênito. Essa relação, reforça o conceito da divindade de Cristo já esboçada nos primeiros versos do capítulo. Essa relação de proximidade entre “logos” e “monogenes” parecem reforçar a divindade do Filho, conclusão antagônica a retirada desse texto pelos arianos modernos (TJ). Em reforço à essa idéia, vemos o debate textual sobre o verso 18. Onde leu-se “Filho unigênito”, é possível que seja lido “Deus unigênito”, o que levaria às últimas conseqüências o conceito da proximidade entre “monogenes” e “logos” no verso 14. Em seu comentário aos dilemas textuais, Bruce Metzger afirma: “Com a aquisição de P66 e P75, onde ambos lêem theos, o suporte externo a essa leitura foi notavelmente fortalecido[30]“. Robertson afirma que a leitura de “monogenes theos é indubitavelmente a leitura verdadeira do texto[31]“. Vincent, mesmo que aponte para a dificuldade de definição do texto, afirma: “Muitos dos principais manuscritos e um grande grupo de evidencias antigas suportam a leitura monogenes theos[32]” F.F. Bruce textifica: “O peso da evidência textual favorece aqui a versão ‘monogenes theos’, Deus unigênito[33]“. Essa leitura foi considerada como “quase certa” pelos editores da quarta edição do texto grego da UBS. Aliás, essa é a opção do Nestle-Aland. Por ser tão bem aceita, é vista na ARA, NVI, NIV, que traduziu a expressão mo o único Deus. Considerando o verso 14 com sua conexão com o logos, o termo monogenes no verso 18 reafirma categoriamente a divindade de Cristo.

 


 

[1] No evangelho de João vemos o termo ser utilizado em mais quatro ocorrências (cf. Jo.1.14, 18; 3.16;18).

[2] FRIBERG, Timothy, FRIBERG, Barbara, MILLER, Neva, Analytical Lexicon of the Greek New Testament.

[3] BUTLER, Trent, Holman Bible Dictionary. Parsons Tecnology, Iowa, 1998.

[4] CREDO DE NICÉIA, In: GRUDEN, Wayne, Teologia Sistemática. Vida Nova:1999, pp.996.

[5] CHAFER, Lewis Sperry, Teologia Sistemática. Hagnos:2008, Vol.VII, pp.272

[6] O Credo de Atanásio, subscrito pelos três principais ramos da Igreja Cristã, é geralmente atribuído a Atanásio, Bispo de Alexandria (século IV), mas estudiosos do assunto conferem a ele data posterior (século V). Sua forma final teria sido alcançada apenas no século VIII. O texto grego mais antigo deste credo provém de um sermão de Cesário, no início do século VI.

[7] EDWARD, Jonathan, Works. IN: CRAMPTON, Gary, A conversation with Jonathan Edwards. Reformation Heritage Books, pp.70

[8] Idem

[9] STRONG, James. Strong`s Hebrew and Greek Dictionaries. Parsons Tecnology, Iowa, 1998.

[10] LIDELL, Henry George; SCOTT, Robert, A Greek-English Lexicon. Bibleworks, 2003

[11] LADD, George Eldon, Teologia do Novo Testamento. Exodus:1997, pp.232.

[12] STOTT, John, I, II, III João – Introdução e Comentário. Mundo Cristão:1988, pp.140

[13] WESTCOTT, Brooke, Commentary on Hebrews, IN: ISBE. Parsons Tecnology, Iowa, 1998.

[14] ISBE. Parsons Tecnology, Iowa, 1998.

[15] MARSHALL, I. Howard, Teologia do Novo Testamento. Vida Nova:2007, pp.446

[16] MCCORD, Hugo, Gospel advocate.

[17] BRUCE, F.F, João – Introdução e Comentário. Mundo Cristão:1998, pp.46 (nota de rodapé 82).

[18] Sem contar as aparições em livros apócrifos: Tobias 3.15; 6.11; 8.17; Tobit 6.15; Odes.14.13; Sabedoria de Salomão 7.22; Salmos de Salomão 18.4

[19] O texto denominado “Salmos de Salomão” é um conjunto de 18 salmos escritos nos moldes do livro de Salmos e atribuídos a Salomão. Entretanto, tem-se chegado a conclusão que esses textos são conjuntos de escritos de cristãos do primeiro ou segundo século.

[20] BULTMANN, Rudolf, Teologia do Novo Testamento. Teológica:2004, pp.465.

[21] BRUCE, F.F, João – Introdução e Comentário. Mundo Cristão:1998, pp.46.

[22] HARRIS, R. Laird; ARCHER, Gleason Jr.; WALTKE, Bruce, Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Vida Nova:1998, pp.608.

[23] Idem, pp.609.

[24] COENEN, Lothar; BROWN, Colin, O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Vida Nova:1983, Vol. IV, pp.672.

[25] Idem.

[26] WESTCOTT, Brooke, The Epistles of St. John, IN: COENEN, Lothar; BROWN, Colin, O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Vida Nova:1983, Vol. IV, pp.673

[27] LUTERO, Martinho IN: CHAMPLIN, Russel Norman, O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Voz Bíblica, Vol. 2, pp.274

[28] BRUCE, F.F, João – Introdução e Comentário. Mundo Cristão:1998, pp.87.

[29] BULTMANN, Rudolf, Teologia do Novo Testamento. Teológica:2004, pp.465.

[30] METZGER, Bruce, Textual Commentary on the Greek New Testament. UBS:1971, pp.198.

[31] ROBERTSON, Archibald Thomas, Word Pictures in the New Testament. Parsons Tecnology, Iowa. Vol.5

[32] VINCENT, Marvin R., Vincent`s Word Studies. Parsons Tecnology, Iowa. Vol.2

[33] BRUCE, F.F, João – Introdução e Comentário. Mundo Cristão:1998, pp.50

04.11.08

Tradução comparada – 1João 1.1-3

Enviado em 1João, Testemunha de Jeová, Tradução tagged , , , , , , , às 4:54 pm por Marcelo Berti

Nesse artigo tenho a intenção de realizar uma comparação dos três primeiros versos da primeira epístola de João, entre o texto grego do novo testamento (WHO), minha tradução pessoal (TMB) e a versão das Testemunhas de Jeová, conhecida com Tradução do Novo Mundo (TNM). O objetivo para esse tipo de avaliação é apresentar a nítida alteração do texto grego para fins teológicos realizada pelos tradutores da TNM.

O texto grego utilizado nesse artigo é o texto de Westtcot e Hort[1], que segundo o prefácio da edição de 1963 das Escrituras Gregas Cristãs é o “famoso texto grego (…), que se harmoniza com os mais antigos manuscritos gregos“. Texto que também foi chamado de “texto autorizado” no mesmo prefácio. Como o objetivo não é uma discussão sobre crítica textual, vamos apenas ficar com a declaração da própria obra.

Sobre o texto da TNM, Ray C. Stedman diz o seguinte:

Um exame detido, que vá além da aparência superficial de exegese, revela uma verdadeira trapalhada de fanatismo, preconceito e predisposição tendenciosa que viola todas as regras de criticismo bíblico e todos os padrões de integridade acadêmica[2]

 Anthony Hoekma atestou:

 ”A Tradução do Novo Mundo da Bíblia não é de modo nenhum uma tradução objetiva do texto sagrado para Inglês moderno, mas é em vez disso uma tradução tendenciosa na qual muitos dos ensinos peculiares da Watchtower Society são introduzidos sorrateiramente no texto da própria Bíblia[3]

 H.H. Rowley parece ser bem incisivo nesse assunto:

 ”A tradução é marcada por um literalismo empedernido que só vai exasperar qualquer leitor inteligente – se é que algum dos seus leitores é inteligente – e em vez de mostrar a reverência que os tradutores dizem ter pela Bíblia, é um insulto à palavra de Deus… este volume é um exemplo brilhante de como a Bíblia não deve ser traduzida[4]

 Vale lembrar que o texto em português da TNM é uma tradução do inglês, e por apenas essa condição não merece tanta credibilidade, como parece apresentar. Entretanto, como é grande o avanço dessa versão e da corrupção que ela promove, vale uma observação detalhada de sua sagacidade e entorpecimento mental que promove por ser explicitamente mal intencionada e malfadada em sua realização.

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1João 1.1

TMB          O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam com respeito ao Verbo da Vida

TNM          Aquilo que era desde [o] princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos olhos, o que temos observado atentamente e as nossas mãos têm apalpado, com respeito à palavra da vida

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Comentário

Nesse pequeno verso das escrituras podemos ver uma primeira distorção que poderia colocar em risco a concepção cristã da pré-existência de Cristo. Entretanto, a tradução é tão infeliz que não podemos ao certo compreender o que intencionavam os responsáveis por essa tradução.

Observe que o texto da TNM inicia com a seguinte declaração: “Aquilo que era desde [o] princípio“. Segundo essa leitura podemos supor que existe “algo” (não alguém) que existe desde o início. Na literatura joanina a expressão “ap`arxes” tanto pode apontar para a criação (Jo8.44; 1Jo.2.13) como para o início do cristianismo (Jo.15.27; 1Jo.2.7, 24). Assim, a versão TNM aponta para aquilo que existia desde o início do mundo (coexistente com Deus), ou do início do cristianismo. De qualquer modo, é preciso inferir que tal opção sugere que João teria ouvido, visto, observado e apalpado (observe o presente contínuo) algo que aponta para a palavra da vida.

Esse “objeto” que pode ser ouvido, visto, observado e apalpado é algo de tamanha importância que precisou ser apresentado como introdução de uma epístola. Que objeto seria esse que em nenhum outro lugar nas escrituras temos conhecimento? Seriam escritos do próprio Cristo?

O que vemos nesse texto é a inabilidade de um tradutor em adaptar um texto às suas convicções e produzir uma aberração. Por que não optou por descaracterizar a expressão “logôu tou zoês” (traduzido por palavra da vida) do fim da frase? Provavelmente por que seria explícito demais mexer com o texto dessa forma.

A verdade sobre a expressão “ho en ap` arxês” é que até poderia (em outro contexto) ter sido traduzida como “aquilo que era desde o princípio” visto que o pronome relativo “ho” pode ser traduzido como: aquilo, aquele, que, o que. Provavelmente, o tradutor mal intencionado, aproveita-se dessa brecha para inserir sua visão sobre o assunto na “tradução” que pretende realizar.

Entretanto, a regra geral do pronome relativo grego é que ele concorda em gênero e número com o substantivo ou pronome a que se refere. Eventualmente, é definido por um verbo, substantivo ou preposição que o governa (Mt.2.9; At.17.3; Rm.2.29). Se isso é verdadeiro, deveríamos esperar algum substantivo que fosse neutro e singular para que pudesse aceitar a opção neutra de “aquilo”. Entretanto, não encontramos no texto nehum substantivo neutro, o que torna infeliz a opção do débil tradutor desse texto. A grande pergunta, então, é: A que se refere o pronome relativo?

A sentença grega é montada com uma seqüência de mais três pronomes relativos acompanhados de verbos (no passado – perfeito e aoristo) que caracterizam o objeto de referência dos pronomes relativos. O que se pode esperar então é que, o pronome relativo que acompanha a expressão “que era desde o principio” faça referência ao “logôu tou zoês”, traduzido por Palavra da Vida pela TNM.

Se isto é verdadeiro, temos que considerar que a tradução TNM está equivocada, pois deveria ter sido traduzida do seguinte modo: “Aquela que era desde o princípio, a que temos ouvido, a que temos visto com os nossos olhos, a que temos observado atentamente e as nossas mãos têm apalpado, com respeito à palavra da vida“.

Desse modo, ao menos, a tradução teria mais coerência. Entretanto, qual é a razão para considerar a expressão “logôu tou zoês” como “Verbo da Vida”, ou em uma referência pessoal a Cristo?

A partir desse momento, temos que nos valer da literatura joanina[5]. No evangelho de João, vemos que o autor emprega uma expressão muito similar a encontrada em 1Jo.1.1 em referência ao Logos: “No princípio era o Verbo” (en arxê en hó lógos). Nessa expressão vemos que o mesmo verbo conjugado da mesma forma, o substantivo “princípio” no dativo no evangelho, e no genitivo na primeira epístola, detalhe que apresenta a única diferença entre as duas citações: a preposição. No evangelho João usa a preposição “en” ao passo que na primeira epístola utiliza a preposição “apó”[6].

Entretanto, nenhuma diferença significativa pode ser retirada dessa distinção, o que fortalece a opinião de que João faz uma referência pessoal ao nomear Cristo de Logos da Vida na introdução de sua carta. Por esta razão traduzi o termo como Verbo com letra maiúscula, pois dado o contexto literário do autor, não pode-se descartar sua terminologia.

Entretanto, essa não é a única razão que nos faz inferir na conceituação do Logos da Vida, como pessoal, pois os verbos, ouvir, ver, contemplar e apalpar parecem ser introdutórios aos problemas que serão abordados na epístola no que se refere a pessoa de Cristo. Um detalhe importe aqui é que o verbo apalpar (pselafáo) é mesmo verbo encontrado na narrativa de Lucas de uma das aparições de Cristo após a ressurreição (Lc.29.34).

A soma dessas observações parecem nos dar respaldo suficiente para compreendermos a expressão Logos da Vida como uma alusão a Cristo, o que tornaria todos os pronomes relativos masculinos e singular, diferente do que nota-se na versão TNM.

Portanto, conclui-se que a TNM é tendenciosa em sua pseudo-tradução nesse verso e suprime as evidências textuais e impõe ao texto suas convicções anti-cristãs.

 

———————————–

1João 1.2

 

TMB          e a vida foi manifestada, nós vimos, testemunhamos e proclamamos a vós, a vida eterna que estava com Deus e foi manifestada a nós

TNM          (sim, a vida foi manifestada, e nós temos visto, e estamos dando testemunho, e relatamos a vós a vida eterna que estava com o Pai e nos foi manifestada,)

———————————–

Comentário

Nesse verso não vemos uma tradução com evidências de alteração coordenadas pela teologia da igreja Testemunha de Jeová. Entretanto, temos uma observação a fazer:

  1. Verbos na sentença:
    1. Ver: O verbo para ver utilizado por João para ver é o verbo “oraö” no perfeito do indicativo ativo na primeira pessoa d plural. Isso significa que a ação relatada pelo autor não refere-se a algo que foi visto no passado e permanece sendo vista no presente, como sugere a expressão “temos visto” da TNM. Mas, refere-se a algo que aconteceu no passado, como a ARC, ACF, NVI e a BJ sugerem. Entretanto, é preciso lembrar que essa é a opção da ARA, também conceituada tradução.
    2. Dar Testemunho: O gerúndio da TNM não é uma opção agradável ao texto, até por que o verbo “marturéo” está no presente do indicativo ativo na primeira pessoa do plural, que traduzido literalmente fica “testemunhamos”.  Não se pode dizer que a opção da TNM é uma afronta ao texto, mas que na sua busca ser idiomática, foi traduzida aos moldes dos atendentes de telemarketing.

 

———————————–

1João 1.3

TMB          o que vimos e ouvimos vos anunciamos, a fim de que vós também tenhais comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo

TNM          aquilo que temos visto e ouvido também vos estamos relatando, para que vós também possais ter parceria conosco. Além disso, esta parceria nossa é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo

———————————–

Comentário

Nesse verso vemos novamente o problema da identificação do pronome relativo. Nesse verso em especial, parece não haver necessidade para tornar novamente neutro o pronome relativo grego. Da mesma forma que não haveria necessidade para a tradução “temos visto” para o verbo “oraö” nem o gerúndio para o verbo anunciar (relatar).

Entretanto, esses mesmos detalhes já foram comentados e não há necessidade de fazê-los novamente. O que nos chama a atenção nesse verso em particular é o uso da palavra “parceria” no contexto relacionado a Deus a Jesus Cristo como tradução da palavra koinonia.

Não existe nada de errado em utilizar o termo “parceria” como tradução de koinonia. Aliás, o conceito de parceria faz parte do campo semântico da palavra em questão, como podemos perceber nesse verso: “fazendo sempre, com alegria, súplicas por todos vós, em todas as minhas orações, pela vossa cooperação no evangelho, desde o primeiro dia até agora” (Fp.1.4-5 – ARA). O termo em destaque é o a tradução do substantivo grego koinonia. Para esse termo a BJ traduziu nesse texto como “participação“, tornando ainda mais próxima a tradução do conceito apresentado pela TNM.

A pergunta que é levantada é: “A palavra ‘parceria’ comporta o significado do relacionamento estabelecido entre Deus e o cristão?” ou “Será que existe equivalência entre o relacionamento de Paulo com os cristãos de Filipos com o relacionamento estabelecido por Deus com seus filhos?“.

A opinião do autor desse artigo é que o termo “parceria” não é suficiente para representar o que João pretende expor sobre o relacionamento entre Deus e o homem. Muito embora o conceito de parceria faça parte do campo semântico de koinonia, ele não comporta o que João intenciona apresentar nesse verso.

Parceria sugere co-agência, co-participação, cooperação, conceitos que não podem ser aplicados ao início do relacionamento entre Deus e os cristãos. Quando Deus propõe-se a relacionar-se com o homens ele o faz por meio de alianças monérgicas, iniciadas, mantidas e dirigidas exclusivamente por Ele.

Nesse sentido, o relacionamento entre Deus e os cristãos nada tem de parceria, mas de recebimento, graça. A partir do momento que somos salvos podemos ser “cooperadores” (sunergós) com Deus (1Co.3.9) a medida que realizamos com Ele nosso ministério.

Se a intenção de João fosse apresentar algum conceito semelhante a esse, teria utilizado um termo semelhante a esse. É por essa razão que existem termos diferentes para situações diferentes. Se João utilizou o termo “koinonia” que quis dizer?

O termo koinonia, de uso raro na literatura de João (3x. 1Jo.13, 6, 7), pode descrever um relacionamento de proximidade, íntimo e pessoal. Esse termo já foi utilizado na LXX em um contexto de casamento como mais íntimo relacionamento entre seres humanos (3Mc.4.6). Mesmo embora, não exista correlação apropriada entre o relacionamento entre Deus e os homens e casamento, é de comum acordo que o casamento não um contrato de parceria, mas de relacionamento de proximidade e comunhão. Nesse sentido, podemos achar alguma equivalência entre ambos relacionamentos.

De alguma forma, os tradutores da TNM tem certa dificuldade com o termo “koinonia”, visto que é comum alterarem o sentido do termo. Observe o caso de At.2.42: “Eles continuavam a devotar-se ao ensino dos apóstolos e a partilhar [uns com os outros], a tomar refeições e orações“. É evidente nesse trecho que os tradutores resolveram retirar o conceito de convívio ou relacionamento que aponta “koinonia” para apontar um auxílio mútuo, que é apresentado no verso 44 com o termo “koinós” (cf. At.4.32).

Talvez o repúdio por um termo que expresse algum tipo de relacionamento de proximidade, intimidade e pessoalidade ligado ao termo grego “koinonia” seja a relação que esse termo tem com o Espírito Santo, que os TJ insistem em afirmar sua impessoalidade. Por duas vezes (ao menos) no NT vemos essa relação apresentada, observe o que Paulo diz: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2Co.13.14 – ARA; cf.  Fl.2.1)


 

[1] Nesse artigo não vamos considerar os problemas textuais da versão de WHO, visto que a intenção é mostrar como a TNM é maliciosa. Não é intenção do autor deste artigo defender a sacralidade do texto de WHO, mas apontar a desgraça da versão TNM.

[2] Stedman, R.C., “The New World Translation of the Christian Greek Scriptures,” Our Hope 50; Julho, 1953.

[3] Hoekema, A., The Four Major Cults (Exeter: Paternoster, 1963)

[4] Rowley, H.H., “Jehovah’s Witnesses’ Translation of the Bible,” The Expository Times, Janeiro 1956.

Todas as citações acima foram encontradas no site: http://corior.blogspot.com/2006/02/traduo-do-novo-mundo-e-os-seus-crticos.html#n22 no dia 27/02/2008

[5] Muitos teólogos tem debatido a questão do termo Logos na literatura joanina, de modo que muitos não atribuem o termo a Cristo. Alguns até acreditam que o primeiro capítulo do evangelho de João (onde a teologia do logos é fundamentada) é um adendo posterior ao livro. Dentre esses há ainda quem diga que tal capítulo é uma espécie de hino cristão antigo que foi introduzido no texto do evangelho. Em grande parte a rejeição de alguns teólogos sobre a Teologia do Logos dá-se pelo fato de que em nenhum outro lugar na literatura joanina, ou neotestamentária Cristo é denominado como Logos. Esse assunto será pormenorizado em um artigo sobre esse assunto na seção de teologia de João. Por ora, fica a opinião do autor deste artigo, de que o primeiro capítulo do evangelho é parte integrante do texto do quarto evangelho e que não há razões objetivas para desacreditar o texto desse modo. É ainda convicção do autor, que 1Jo.1.1 é um reflexo de Jo.1.3.

[6]Diante dessa distinção, alguns comentaristas atestam que o primeiro verso da epístola (assim como toda ela) é obra de um imitador, visto que João não poderia confundir as duas preposições. Tal opinião não passa de uma grande tolice, visto não ter respaldo histórico ou teológico para tal. Essa opção, também será discutida com mais atenção em um artigo sobre a autoria joanina comum entre evangelho e a primeira epístola

Cognocibilidade de Deus em 1João

Enviado em 1João, Teologia Própria tagged , , , , às 2:55 pm por Marcelo Berti

O conhecimento de Deus é sempre visto nas escrituras e por essa razão cativa seus leitores a um envolvimento mais intenso e profundo com esse Deus. O estudo da teologia própria não é só fascinante por apresentar características de Deus, detalhá-las e apresentar efetivamente nas escrituras, mas por abrir portas para uma forma de conhecimento que não se dá em conceitos, mas em experiência pessoal.

Talvez esse seja um ponto alto da concepção joanina sobre Deus exposto em sua primeira epístola: Deus pode ser conhecido pessoalmente, pois é possível existir um relacionamento entre um ser humano regenerado e seu Redentor. Entretanto, mais importante do que essa observação, é que para João essa cognicibilidade em Deus pode ser verifica como certeza. Observe: “Filhinhos, eu vos escrevi, porque conheceis o Pai” (2.14). Nesse texto, João apresenta de modo convicto que seus leitores primários já haviam estabelecido um relacionamento com Deus. O verbo que descreve essa certeza é “gnosko“, que pode contribuir em muito com nossa compreensão dessa afirmação joanina.

De modo geral, o termo em conceituação é visto nas escrituras como sinônimo de saber (oida) e normalmente traduzido como conhecer (Jo.8.32; 14.17; ), ou outros termos que representem o reconhecimento (1Jo.4.12; cf. Gl.4.9), ter conhecimento (Rm.2.18) ou entendimento (Jo.3.10; 8.43). Fora da literatura joanina, já foi utilizado (especialmente na LXX em tradução ao termo hebraico yadá) como um intercurso sexual (Mt.1.25; Lc.1.34), um uso particularmente incomum no novo testamento e estranho à literatura de João.

Na primeira epístola de João temos algumas indicações sobre o significado dessa expressão quando relacionada com Deus: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus” (4.7). Na relação entre o amor de Deus é que podemos notar alguma relação com a certeza do conhecimento de Deus, pois aquele que demonstra o amor que do Pai recebeu evidencia que é Filho Dele e tem um relacionamento pessoal com Deus. De uma forma mais simples, a prática cristã segundo Cristo evidencia (não promove) esse relacionamento com o Pai.

É possível, ainda, que essa expressão de conhecimento do Pai tenha estrita relação com o recebimento do ensino dos apóstolos: “Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve[1]; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve” (4.6). Em sua discussão sobre o problema do surgimento das heresias sobre Cristo que assolavam a comunidade primitiva a quem João endereçara sua carta, ele transparece com intensidade que esses “anticristos” teriam saído de meio da comunidade cristã, mas evidenciam com seu ensino pernicioso que nunca fizeram parte dessa comunidade (2.19). João chega a identificá-los como pessoas que negam o Pai e o Filho (2.22), e ainda são apresentados como pessoas que não tem o Pai por negarem o Filho (2.23). Pouco a frente João ainda incentiva os cristãos a não darem ouvidos para outras pessoas[2] com ensinos contraditórios (4.1) ao que ouviram do próprio João (2.20).

Dessa forma, João afirma que as pessoas que tem inclinação ao ensino dos apóstolos são pessoas que apresentam um relacionamento pessoal com Deus. Assim, esse conhecimento não é mero acúmulo de informações teológicas, mas a prática cristã saudável da busca pela vida com Deus. Por isso que é evidente na visão de João que aquele que não demonstra amor, não pode conhecer a Deus: “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (4.8). Isso não significa que essas pessoas não tem acesso a salvação, mas que por sua imaturidade não tem um relacionamento consistente estabelecido com Deus, ou que por sua falta de relacionamento com Deus permanecem em sua imaturidade.

Portanto, a possibilidade de experimentar com Deus um relacionamento, está aberto a todos os que creem em Cristo, são considerados como filhos, amados de modo especial por Deus, mas apenas os cristãos crescentes em maturidade é que tem desfrutado Dele. Evidência para isso é que a prática cristão é colocada como realce desse conhecimento experiencial (4.6-7). Alías, como João poderia perceber que dentre as pessoas que ele escreve ele teria convicção do seu conhecimento de Deus, se não pudesse observar?

 


[1] A expressão “nos ouve” parece estar ligado ao conceito plural de redação visto na introdução da epístola, que parece não apontar necessariamente a uma autoria coletiva, mas refletir o envolvimento, ensino e influência apostólico na conceituação da teologia cristã.

[2] Eu entendo particularmente que o uso de “pneuma” nos primeiros versos do capítulo 4 refere-se a outras pessoas e não a entidades espirituais, por algumas razões:

  • Confissão: no verso 2 João aponta para um problema similar ao apresentado no capítulo 2: Esses espíritos não confessam que Jesus teria vindo em carne;
  • Nominação: esse espírito é nominado como “espírito do anticristo” em consonância com a nomenclatura do capítulo 2 para os falsos mestres.
  • Identificação: No verso 4 fica explícito que sua intenção é falar sobre “falsos profetas“, que falam da parte do mundo.
  • Procedência: Esses falsos profetas, segundo o verso 5, procedem do mundo. Ora se a origem é natural não há por que esperar que sejam sobrenaturais esses espíritos.
  • Correlação: no verso 6 João associa pessoas que escutam a mensagem dos apóstolos com o espírito da verdade, de modo que fica evidente que o uso do termo espírito pode ser usado para pessoas.

Temas teológicos em 1João

Enviado em 1João, Teologia de João tagged , , , às 2:53 pm por Marcelo Berti

Primeira Epístola de João

 

Vs

TEXTO

TEMA TEOLÓGICO

Capítulo 1

1

O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam – isto proclamamos a respeito da Palavra da vida Cristologia

  • § Eterno (pré-exisitente)
  • § Humano
  • o Audível
  • o Visível
  • o Palpável
  • o Logos

2

A vida se manifestou; nós a vimos e dela testemunhamos, e proclamamos a vocês a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada Cristologia:

  • § Manifestação da vida
  • § Vida eterna
  • § Divino (estava com o Pai)
  • § Revelação de Deus

 

Kerigma apostólico

  • § Cristo visto pessoalmente
  • § Cristo como centro do Kerigma e testemunho

3

Nós lhes proclamamos o que vimos e ouvimos para que vocês também tenham comunhão conosco. Nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo Kerigma apostólico:

  • § Centrado nas obras realizadas por Cristo e no seu ensino
  • § Com objetivo de que outras pessoas tenham comunhão com os apóstolos
  • § A comunhão dos apóstolos é com o Pai e o Filho.

4

Escrevemos estas coisas para que a nossa alegria seja completa Kerigma apostólico:

  • § Objetivo era a alegria completa

5

Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma Kerigma apostólico

  • § Originada em Cristo
  • § Destinada a cristãos
  • § Conteúdo:
  • o Deus é Santo (luz)
  • o Deus é isento de mácula (trevas)

Dualismo Joanino

  • § Referente a Deus: Luz e Trevas= Santidade x Pecado

6

Se afirmarmos que temos comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Dualismo Joanino

  • § Referente a vida cristã: Aplicação do conceito de Luz e Trevas.

 

Vida Cristã:

  • § Mentir = não praticar a verdade
  • § Ter comunhão exige verdade

7

Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. Teologia Própria

  • § Deus está na luz

 

Vida Cristã

  • § Andar em luz gera unidade entre irmãos

 

Cristologia

  • § Sangue como purificação
  • § Resultado do andar na luz e ter comunhão

8

Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Vida Cristã

  • § Não estamos sem pecados
  • § Quem acredita nisso a si mesmo se engana
  • § Aquele que acredita nessa mentira não está na verdade

9

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça. Vida Cristã

  • § Confissão dos pecados pressupões pecado
  • § Deus perdoa o pecado e purifica de toda injustiça o cristão confesso

 

  • o Portanto, sua fidelidade exige seu perdão e sua purificação do crente confesso
  • § Deus é justo no perdão e na purificação
  • o Se é justo é por que seu perdão e purificação é um débito que tem a suprir
  • o Portanto, sua justiça demanda sua intervenção perdoadora e purificadora

10

Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós Vida Cristã

  • § Dizer-se isento de pecado é blasfêmia; não há quem não peque.

 

Vs

TEXTO

TEMA TEOLÓGICO

Capítulo 2

1

Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo Destinatários

  • § Filhinhos: Possivelmente cristãos “gerados” por João

 

Objetivo da Escrita

  • § Para que seus leitores não pequem

 

Cristologia

  • § Intercessor junto ao pai [parákletos]
  • § Justo
  • § Disponível ao cristão que peca

2

Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo Cristologia

  • § Cristo e a propiciação pelos pecados
  • § É possível que o plural sugira ações

3

Sabemos que o conhecemos, se obedecemos aos seus mandamentos Vida Cristã

  • § A obediência é a primeira evidência de conhecer a Cristo.
  • § Ela provê certeza ao cristão

4

Aquele que diz: “Eu o conheço”, mas não obedece aos seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele Vida Cristã

  • § A afirmação não é suficiente
  • § Obediência é exigência
  • § O que contradiz sua afirmação com a conduta [hipócrita] não tem a verdade

5

Mas, se alguém obedece à sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado. Desta forma sabemos que estamos nele Vida Cristã

  • § O amor de Deus é aperfeiçoado na obediênica

6

aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele andou. Vida Cristã

  • § O verdadeiro cristão não é hipócrita: fala o que vive
  • § O verdadeiro cristão conforma seu modo de viver com a forma com que Cristo viveu

7

Amados, não lhes escrevo um mandamento novo, mas um mandamento antigo, que vocês têm desde o princípio: a mensagem que ouviram. Advertência apostólica

  • § A mensagem é a mesma, não trata-se de outra mensagem, por isso não é novo mandamento [mesmo evangelho]

8

No entanto, o que lhes escrevo é um mandamento novo, o qual é verdadeiro nele e em vocês, pois as trevas estão se dissipando e já brilha a verdadeira luz. Advertência apostólica

  • § Mas é nova a mensagem no que diz respeito a santificação

9

Quem afirma estar na luz mas odeia seu irmão, continua nas trevas. Vida Cristã

  • § Ódio a outros cristão é evidência de vida em pecado

10

Quem ama seu irmão permanece na luz, e nele não há causa de tropeço. Vida Cristã

  • § O amor aos irmãos é a segunda evidência de vida em comunhão com Deus
  • § No cristão que ama não encontra-se causa de tropeço para outros cristãos.

11

Mas quem odeia seu irmão está nas trevas e anda nas trevas; não sabe para onde vai, porque as trevas o cegaram Vida Cristã

  • § O cristão odioso está sem comunhão com Deus e anda em pecado.
  • § Está cego e desorientado por causa da convivência com o pecado, ou com um ambiente pecaminoso.

12

Filhinhos, eu lhes escrevo porque os seus pecados foram perdoados, graças ao nome de Jesus. Destinatários

  • § Filhinhos.

 

Objetivo

  • § Escreve a seus “filhos” por que os pecados deles foram perdoados

 

Cristologia

  • § O nome de Cristo é o responsável pelo perdão

13

Pais, eu lhes escrevo porque vocês conhecem aquele que é desde o princípio. Jovens, eu lhes escrevo porque venceram o Maligno Destinatários

  • § Pais: Por que conhecem a Cristo
  • § Jovens: Por que venceram o maligno

 

Cristologia

  • § Pré-existente

 

Satanologia

  • § Satanás,o diabo foi denominado como “o maligno” [aquele cuja essência é o mal]

14

Filhinhos, eu lhes escrevi porque vocês conhecem o Pai. Pais, eu lhes escrevi porque vocês conhecem aquele que é desde o princípio. Jovens, eu lhes escrevi, porque vocês são fortes, e em vocês a Palavra de Deus permanece e vocês venceram o Maligno.  

15

Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele Vida Cristã

  • § O cristão não deve amar ao mundo nem o que está no mundo. Quem ama o mundo não tem o amor de Deus.
  • § O amor ao mundo é antagônico ao amor do Pai.

Dualismo

  • § Mundo x Deus

16

Pois tudo o que há no mundo – a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens – não provém do Pai, mas do mundo Hamartiologia

  • § Cobiça da carne
  • § Cobiça dos olhos
  • § Ostentação de bens [soberba da vida]
  • § Procede do mundo
  • § São antagônicas a Deus

17

O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre Dualismo

  • § Mundo + cobiça x Deus

 

Vida cristã

  • § Aquele que faz a vontade do Pai tem uma vida que permanece para sempre.

18

Filhinhos, esta é a última hora e, assim como vocês ouviram que o anticristo está vindo, já agora muitos anticristos têm surgido. Por isso sabemos que esta é a última hora Escatologia

  • § Estamos na última hora;
  • § Próximos a chegada do anti-cristo

 

Eclesiologia

  • § Falsos mestres na igreja são chamados anti-cristos.

19

Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem saído mostra que nenhum deles era dos nossos Eclesiologia

  • § Falsos mestre saem da própria igreja
  • § Mas, nunca fizeram parte da igreja
  • § O fato de saírem da igreja [pregação de nova doutrina] explicita que nunca foram cristãos [dos nossos]

20

Mas vocês têm uma unção que procede do Santo, e todos vocês têm conhecimento Vida Cristã

  • § Todos os cristãos tem uma unção da parte de Deus [unção pelo Espírito Santo]
  • § Os cristãos a quem destinou-se essa carta, haviam sido instruídos e por isso tinham conhecimento

 

Teologia própria

  • § Deus é Santo

21

Não lhes escrevo porque não conhecem a verdade, mas porque vocês a conhecem e porque nenhuma mentira procede da verdade. Eclesiologia

  • § Nenhuma heresia sai das escrituras. Elas provém da deturpação movida por corações perversos.

22

Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo: aquele que nega o Pai e o Filho Vida Cristã

  • § Qualquer um pode opor-se a Cristo, basta negar que Jesus é o Cristo.
  • § Qualquer um pode ser um anti-cristo, basta negar o Pai e o Filho

23

Todo o que nega o Filho também não tem o Pai; quem confessa publicamente o Filho tem também o Pai. Vida Cristã

  • § Negar o Filho implica em não ser salvo
  • § Confissão pública a confirma

24

Quanto a vocês, cuidem para que aquilo que ouviram desde o princípio permaneça em vocês. Se o que ouviram desde o princípio permanecer em vocês, vocês também permanecerão no Filho e no Pai. Vida Cristã

  • § Demanda-se cuidado por manter a mensagem original intacta e com o cristão
  • § Essa é a garantia de que nós permanecemos no Filho e no Pai

25

E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna Vida Crista

  • § A vida eterna é uma promessa feita pelo Pai.

26

Escrevo-lhes estas coisas a respeito daqueles que os querem enganar Objetivo da Escrita

  • § Alerta a cristãos fiéis para que saibam quem são os que deturpam a fé

27

Quanto a vocês, a unção que receberam dele permanece em vocês, e não precisam que alguém os ensine; mas, como a unção dele recebida, que é verdadeira e não falsa, os ensina acerca de todas as coisas, permaneçam nele como ele os ensinou Vida Cristã

  • § A unção de Deus permanece no Espírito Santo
  • § Esses cristãos não eram carentes de ensino (cf. 2.20).
  • § A unção é verdadeira (não produz a mentira)
  • § Essa unção ensina o cristão a respeito de todas as coisas referentes a salvação
  • § Por isso devemos permanecer em Cristo como ele mesmo havia ensinado

28

Filhinhos, agora permaneçam nele para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos envergonhados diante dele na sua vinda Advertência apostólica

  • § Permanecer em Cristo é garantia de não sermos envergonhados em sua volta.

 

Cristologia – Escatologia

  • § Cristo se manifestará
  • § Cristo voltará

29

Se vocês sabem que ele é justo, saibam também que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele Cristologia

  • § Cristo é justo

 

Vida Cristã

  • § Quem pratica a justiça testifica que é nascido de Cristo.

 

Vs

TEXTO

TEMA TEOLÓGICO

Capítulo 3

1

Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: sermos chamados filhos de Deus, o que de fato somos! Por isso o mundo não nos conhece, porque não o conheceu Teologia Própria

  • § O amor de Deus é grande
  • § Adotou-nos como filhos
  • § Nem Deus nem seu amor é conhecido pelo mundo

 

Vida Cristã

  • § Somos amados pelo grande amor de Deus
  • § Somos chamados de filhos dele.
  • § O mundo não nos conhece como tal

 

Dualismo

  • § Deus x Mundo

2

Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é Vida Cristã

  • § Somos filhos de Deus
  • § Mas não somos como seremos [santificação em processo]
  • § Alvo final: Cristo [apenas com intervenção divina]
  • § Seremos como Cristo apenas quando ele se manifestar
  • § O veremos como ele é

 

Cristologia – Escatologia

  • § Cristo voltará [manifestar]. O objetivo da 2ª. Vinda é sermos como ele é: PUROS.
  • § Transformação final dos pecadores
  • § Manifestação visível e real

3

Todo aquele que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro Vida Cristã

  • § Quem mantém essa esperança purifica-se

 

Cristologia

  • § Cristo é isento de pecado [puro]

4

Todo aquele que pratica o pecado transgride a Lei; de fato, o pecado é a transgressão da Lei Vida Cristã

  • § Quem peca é transgressor da Lei e passível de suas punições

 

Hamartiologia

  • § Pecado = Transgressão da Lei de Deus

5

Vocês sabem que ele se manifestou para tirar os nossos pecados, e nele não há pecado Cristologia

  • § O objetivo da 1ª. vinda de Cristo era para tirar nossos pecados (manifestou)
  • § Cristo foi isento de pecados

6

Todo aquele que nele permanece não está no pecado. Todo aquele que está no pecado não o viu nem o conheceu Vida Cristã

  • § Quem está em Cristo não está no pecado.
  • § Quem está no pecado não conheceu a Cristo

 

Dualismo

  • § Pecado x Permanência com Cristo

7

Filhinhos, não deixem que ninguém os engane. Aquele que pratica a justiça é justo, assim como ele é justo Vida Cristã

  • § Justos praticam justiça e se identificam com Cristo que Justo é.

8

Aquele que pratica o pecado é do Diabo, porque o Diabo vem pecando desde o princípio. Para isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo Vida Cristã

  • § Pecadores provém do Diabo.

 

Dualismo

  • § Pecado x Justiça
  • § Deus x Diabo
  • § Cristo x Diabo [do princípio sem pecado e pecador desde o princípio]

 

Satanologia

  • § O Diabo é a origem do pecador e possuidor do mesmo
  • § Ele é pecador desde o princípio

 

Cristologia

  • § Objetivo da 1ª. vinda: destruir as obras do Diabo

9

Todo aquele que é nascido de Deus não pratica o pecado, porque a semente de Deus permanece nele; ele não pode estar no pecado, porque é nascido de Deus Vida Cristã

  • § Quem é nascido de Deus não pratica o pecado
  • § Tem a semente de Deus
  • § Não pode estar no pecado

10

Desta forma sabemos quem são os filhos de Deus e quem são os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não procede de Deus, tampouco quem não ama seu irmão Vida Cristã

  • § Se praticamos a justiça e amamos os irmãos somos de fato cristãos.

11

Esta é a mensagem que vocês ouviram desde o princípio: que nos amemos uns aos outros Vida Cristã

  • § Devemos amar os cristãos

 

Kerigma Apostólico

  • § Os apóstolos, desde o início da proclamação do evangelho, atestam que os cristãos devem amar uns aos outros

12

Não sejamos como Caim, que pertencia ao Maligno e matou seu irmão. E por que o matou? Porque suas obras eram más e as de seu irmão eram justas Vida Cristã

  • § Obras más são como evidência de pertencer ao Maligno.
  • § Justos podem sofrer injustamente

 

Satanologia

  • § Satanás é o dono daquele que realiza obras más.

13

Meus irmãos, não se admirem se o mundo os odeia Vida Cristã

  • § Não é surpresa que o mundo nos odeia, pelo menos não deveria ser.

14

Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte Vida Cristã

  • § Certeza pessoal da salvação = amar irmãos
  • § Quem não ama não é salvo.

15

Quem odeia seu irmão é assassino, e vocês sabem que nenhum assassino tem a vida eterna em si mesmo Vida Cristã

  • § O ódio é próprio do assassino
  • § Assassinos não tem a vida eterna em si mesmos

16

Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos Cristologia

  • § Jesus é a demonstração final do amor
  • § Cristo sacrificou-se pelos cristãos
  • § É o exemplo final de cristianismo: Amor e doação da vida.

 

Vida Cristã

  • § Devemos seguir o exemplo de Cristo no amor e na auto-doação pelos irmãos.
  • § Essas são características do verdadeiro cristão.

17

Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus? Vida Cristã

  • § A verdadeira vida cristã exige intervenção, ação em direção as necessidades do irmão necessitado
  • § Se alguém se diz cristão e tem condições, mas não ajuda seu irmão, neste o amor de Deus não permanece.

18

Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade Vida Cristã

  • § A vida cristã autêntica deve ser vivida em ação e em verdade.

19

Assim saberemos que somos da verdade; e tranqüilizaremos o nosso coração diante dele Vida Cristã

  • § A demonstração do amor aos irmãos e a auto-doação é evidência suficiente para termos certeza da salvação pessoal.

20

quando o nosso coração nos condenar. Porque Deus é maior do que o nosso coração e sabe todas as coisas Vida Cristã

  • § Cristãos verdadeiros podem ter momentos de culpa e dúvida de sua fé.
  • § Mas pode ser tranqüilizado quando sabe que é da verdade (ama os irmãos, se doa aos irmãos).
  • § Deus nos permite termos convicção sobre nossa posição com ele.

 

Teologia Própria

  • § Deus é maior que todas as situações conflitantes da fé
  • § Deus é maior que todos os dilemas pessoais
  • § Deus é onisciente, sabe todas as coisas.

21

Amados, se o nosso coração não nos condenar, temos confiança diante de Deus Antropologia

  • § Coração como centro intelectual
  • § Visão bem hebraica da humanidade.

22

e recebemos dele tudo o que pedimos, porque obedecemos aos seus mandamentos e fazemos o que lhe agrada Vida Cristã

  • § Oração vista como petição
  • § A garantia do recebimento de uma petição é sua conformidade com a obediência e boas obras.
  • § Realizar boas obras e obediência tem focos diferenciados

23

E este é o seu mandamento: Que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo e que nos amemos uns aos outros, como ele nos ordenou. Vida Cristã

  • § Os mandamentos fundamentais dos quais se exigem do cristão é:
  • o Crer no nome de Cristo
  • o Amar uns aos outros
  • § Isso é uma ordem.

 

Soteriologia

  • § Salvação apenas pelo nome de Cristo.

24

Os que obedecem aos seus mandamentos nele permanecem, e ele neles. Do seguinte modo sabemos que ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu. Vida Cristã

  • § Viver em obediência aos mandamentos é prova de que permanecemos em Deus e Deus em nós.
  • § O Espírito é o modo que sabemos que ele permanece em nós.

 

Vs

TEXTO

TEMA TEOLÓGICO

Capítulo 4

1

Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo Vida Cristã

  • § Não podemos dar crédito a qualquer um
  • § Devemos examiná-los para saber se eles são da parte de Deus.
  • § Devemos tomar cuidado, pois existem muitos falsos profetas.

 

Eclesiologia

  • § Existem falsos profetas que assolam a igreja
  • § Eles devem ser reconhecidos como tal, após exame.

2

Vocês podem reconhecer o Espírito de Deus deste modo: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne procede de Deus Vida Cristã

  • § O exame é simples: basta que ele reconheça que Cristo veio em carne.
  • § Isso é evidência de procedência confirmada

 

Cristologia

  • § Cristo veio em carne, foi humano.

3

mas todo espírito que não confessa Jesus não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo. Kerigma Apostólico

  • § A proclamação apostólica envolveu o aspecto da escatologia que apresenta o anticristo.

 

Escatologia

  • § O espírito do anticristo virá no futuro
  • § O espírito do anticristo já está no mundo
  • § Seu ensino deturpa a pessoa de Cristo
  • § Ele não procede de Deus

4

Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo Vida Cristã

  • § Somos de Deus por que ele está em nós
  • § Por isso somos habilitados a vencer os falsos profetas.

 

Teologia Própria

  • § Deus é maior que o espírito do anticristo.

5

Eles vêm do mundo. Por isso, o que falam procede do mundo, e o mundo os ouve Dualismo

  • § Mundo x Deus

6

Nós viemos de Deus, e todo aquele que conhece a Deus nos ouve; mas quem não vem de Deus não nos ouve. Dessa forma reconhecemos o Espírito da verdade e o espírito do erro Dualismo

  • § O que procede do mundo é ouvido pelo mundo.
  • § Os que procedem de Deus são ouvidos pelos que conhecem a Deus
  • § Quem não conhece a Deus não ouve quem Dele procede.
  • § Espírito da Verdade x Espírito do Erro

7

Amados, amemos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus Dualismo

  • § Amor e Ódio
  • § Deus x Diabo

 

Vida Cristã

  • § Se procedemos de Deus devemos amar, pois o amor procede Dele.
  • § Quem ama procede de Deus e o conhece

 

Teologia Própria

  • § O amor procede de Deus

8

Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor Teologia Própria

  • § Deus é amor; amor é sua essência.

 

Vida Cristã

  • § Quem não ama não conhece a Deus

9

Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele. Teologia Própria

  • § Deus é o emissor do Filho
  • § Deus manifestou seu amor com o envio do Filho
  • o Direção: para o mundo
  • o Objetivo: Para que os cristãos pudessem viver por meio de Cristo.

 

Cristologia

  • § Cristo é a manifestação do amor de Deus
  • § Cristo é o Filho Unigênito

10

Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados Teologia Própria

  • § Deus é a causa primeira do amor
  • § O amor de Deus foi exercido antes que pudéssemos saber de sua existência
  • § Pecadores são foco do amor de Deus.

 

Cristologia

  • § Cristo foi enviado da parte de Deus como propiciação pelos nossos pecados.

11

Amados, visto que Deus assim nos amou, nós também devemos amar uns aos outros Teologia Própria

  • § O amor de Deus é a referência para o amor entre os cristãos.
  • o Incondicional
  • o Proveniente
  • o Previdente
  • o Sacrificial

 

Vida Cristã

  • § Devemos amar os cristãos como Deus nos amou

12

Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor está aperfeiçoado em nós Teologia Própria

  • § Deus não pode ser visto
  • § Deus permanece entre os cristãos que demonstram amor uns para com os outros
  • § Seu amor pode ser aperfeiçoado nos relacionamentos

 

Vida Cristã

  • § Devemos crescer em proximidade com os irmãos para sermos aperfeiçoados no amor de Deus

13

Sabemos que permanecemos nele, e ele em nós, porque ele nos deu do seu Espírito Teologia Própria

  • § Deus é aquele que concede o Seu Espírito

 

Pneumatologia

  • § O Espírito é a garantia da nossa permanência em Deus e de Deus em nós.

14

E vimos e testemunhamos que o Pai enviou seu Filho para ser o Salvador do mundo Kerigma Apostólico

  • § O Filho foi enviado para ser o Salvador do mundo
  • § Ele foi visto e testemunhado assim.

 

Cristologia

  • § O Filho foi enviado para ser o Salvador do mundo

15

Se alguém confessa publicamente que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus Vida Cristã

  • § Confissão pública testifica sobre a permanência de Deus no confesso e do mesmo em Nele.

 

Cristologia

  • § Jesus é o Filho de Deus
  • § Isso atesta sua divindade

16

Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele Teologia Própria

  • § Deus é amor
  • § Seu amor por nós pode ser conhecido e confiado

17

Dessa forma o amor está aperfeiçoado entre nós, para que no dia do juízo tenhamos confiança, porque neste mundo somos como ele. Escatologia

  • § É possível ter confiança no dia do Juízo, se o amor de Deus está aperfeiçoado entre os cristãos.
  • § Viver escatológico: Neste mundo somos como ele.

18

No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor Vida Cristã

  • § Amor e Medo são antagônicos
  • § Medo produz tormento
  • § Quem tem medo não está aperfeiçoado no amor.

19

Nós amamos porque ele nos amou primeiro Vida Cristã

  • § Somos habilitados a demonstrar amor pelo fato que fomos alvo do amor de Deus

 

Teologia Própria

  • § Deus amou primeiro o pecador, não o inverso.

20

Se alguém afirmar: “Eu amo a Deus”, mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Teologia Própria

  • § Deus não pode ser visto

 

Vida Cristã

  • § Afirmação desassociada com prática é mentira
  • § Amar ao irmão é evidência do amor a Deus

21

Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão Vida Cristã

  • § Amar a Deus é um mandamento em igualdade com o amar aos irmãos.
  • § Amar aos irmãos é conseqüência do amor a Deus.

 

Vs

TEXTO

TEMA TEOLÓGICO

Capítulo 5

1

Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus, e todo aquele que ama o Pai ama também o que dele foi gerado Soteriologia

  • § Crer quem Jesus é o Cristo é suficiente para ser nascido de Deus
  • § Todo aquele que ama foi gerado da parte de Deus

2

Assim sabemos que amamos os filhos de Deus: amando a Deus e obedecendo aos seus mandamentos Vida Cristã

  • § O amor a outros cristãos é visto pelo amor a Deus e a obediência aos seus mandamentos

3

Porque nisto consiste o amor a Deus: em obedecer aos seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados Vida Cristã

  • § Definição de amor ao próximo: Obediência aos mandamentos de Deus
  • § Seus mandamentos não são pesados.

4

O que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé Vida Cristã

  • § Aquele que crê que Jesus é o Cristo vence o mundo.
  • § A fé é a nossa vitória

5

Quem é que vence o mundo? Somente aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus Vida Cristã

  • § Só vence o mundo quem crê que Jesus é o Filho de Deus

6

Este é aquele que veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo: não somente por água, mas por água e sangue. E o Espírito é quem dá testemunho, porque o Espírito é a verdade Cristologia

  • § Cristo veio como humano e morreu como tal
  • § Água = Batismo?
  • § Sangue = Sacrifício?

 

Pneumatologia

  • § O Espírito testifica a vinda de Cristo em carne.
  • § O Espírito é a verdade

7

Há três que dão testemunho  

8

o Espírito, a água e o sangue; e os três são unânimes  

9

Nós aceitamos o testemunho dos homens, mas o testemunho de Deus tem maior valor, pois é o testemunho de Deus, que ele dá acerca de seu Filho. Teologia Própria

  • § O testemunho de Deus tem mais valor
  • § Ele testifica sobre seu Filho

 

Pneumatologia

  • § Equiparação funcional com Deus Pai.

10

Quem crê no Filho de Deus tem em si mesmo esse testemunho. Quem não crê em Deus o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá acerca de seu Filho Vida Cristã

  • § O crente tem em si mesmo o testemunho de que o Filho veio em carne
  • § O que não crê, torna Deus é mentiroso, por que Deus dá esse testemunho

11

E este é o testemunho: Deus nos deu a vida eterna, e essa vida está em seu Filho Vida Cristã

  • § Deus é o doador da vida eterna
  • § A vida está em Jesus Cristo

12

Quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho de Deus, não tem a vida Vida Cristã

  • § Só há vida eterna em Cristo

 

Cristologia

  • § Vida eterna apenas por intermédio de Cristo

13

Escrevi-lhes estas coisas, a vocês que crêem no nome do Filho de Deus, para que vocês saibam que têm a vida eterna Objetivo da Escrita

  • § Para que os cristãos saibam que tem a vida eterna

14

Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a vontade de Deus, ele nos ouvirá Vida Cristã

  • § Podemos nos aproximar de Deus com confiança
  • § Deus promete que ouvirá as orações que forem feitas de acordo com sua vontade.

15

E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que temos o que dele pedimos Vida Cristã

  • § Se Deus nos ouve, sabemos que receberemos o que pedimos

16

Se alguém vir seu irmão cometer pecado que não leva à morte, ore, e Deus dará vida ao que pecou. Refiro-me àqueles cujo pecado não leva à morte. Há pecado que leva à morte; não estou dizendo que se deva orar por este Hamartiologia

  • § Existem diferentes tipos de pecados
  • o Para morte: por esse nem devemos orar pelo transgressor
  • o E não para morte: Devemos orar e Deus dará vida ao que pecou
  • § Isso significa em pesos diferentes para pecados (nada de graça barata)

17

Toda injustiça é pecado, mas há pecado que não leva à morte Hamartiologia

  • § Qualquer espécie de injustiça é uma violação da lei de Deus
  • § Mas existem pecados que não levam a morte

18

Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado; aquele que nasceu de Deus o protege, e o Maligno não o atinge Vida Crista

  • § Quem é nascido de Deus não pode não ser salvo
  • § Esse está protegido por Deus
  • § O Diabo não o pode atingir

 

19

Sabemos que somos de Deus e que o mundo todo está sob o poder do Maligno Vida Cristã

  • § Dadas as informações sobre a certeza da vida eterna, estamos certos que somos de Deus
  • § O mundo todo está debaixo do poder do Diabo

 

Dualismo

  • § Deus x Diabo
  • § Cristãos x Mundo todo

20

Sabemos também que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento, para que conheçamos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos naquele que é o Verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna Cristologia

  • § Filho de Deus veio ao mundo
  • § Nos deu entendimento para que conheçamos a Jesus Cristo o Verdadeiro
  • § Jesus Cristo é o Verdadeiro Deus e a Vida Eterna

21

Filhinhos, guardem-se dos ídolos Vida Cristã

  • § Guardar-se dos ídolos.

 

Introdução à Cristologia em 1João

Enviado em 1João, Cristologia tagged , , , às 2:40 pm por Marcelo Berti

Nesse artigo, tenho apenas a intenção de apresentar as categorias do conhecimento teológico que são percebidas na primeira epístola de João no que se refere a Cristo. Posteriormente, cada tópico desse artigo será comentado apropriadamente.

Filho (uiós)

  • 1.3: o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo
  • 1.7: Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado
  • 2.22: Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho
  • 2.23: Todo aquele que nega o Filho, esse não tem o Pai; aquele que confessa o Filho tem igualmente o Pai
  • 2.24: Permaneça em vós o que ouvistes desde o princípio. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também permanecereis vós no Filho e no Pai
  • 3.23: Ora, o seu mandamento é este: que creiamos em o nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou.
  • 4.10: Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados
  • 4.14: E nós temos visto e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo
  • 5.9: Se admitimos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior; ora, este é o testemunho de Deus, que ele dá acerca do seu Filho
  • 5.11: E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho

 Filho de Deus (uiós tou theou)

  • 3.8: Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo
  • 4.15: Aquele que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele, em Deus
  • 5.5: Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?
  • 5.10: Aquele que crê no Filho de Deus tem, em si, o testemunho. Aquele que não dá crédito a Deus o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá acerca do seu Filho
  • 5.12: Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida
  • 5.13: Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus
  • 5.20: Também sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna

 Filho Unigênito (uiós monogene)

  •  4.9: Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele

 Cristo (christós)

  • 1.3: o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo
  • 2.1: Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo
  • 2.22: Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho
  • 3.23: Ora, o seu mandamento é este: que creiamos em o nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou
  • 4.2: Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus
  • 5.1: Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido
  • 5.6: Este é aquele que veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo; não somente com água, mas também com a água e com o sangue. E o Espírito é o que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade
  • 5.20: Também sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna

 Propiciação pelos pecados (hilasmos)

  • 2.2: e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro
  • 4.10: Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados

 Humano

  • 1.1: O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida
  • 4.2: Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus
  • 5.6: Este é aquele que veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo; não somente com água, mas também com a água e com o sangue. E o Espírito é o que dá testemunho, porque o Espírito é  verdade

 Divino

  • 1.1: O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida
  • 1.2: e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada
  • 2.13: Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo, porque tendes vencido o Maligno
  • 4.3: e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo
  • 5.11: E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho
  • 5.20: Também sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna

 Caráter

  • 2.1: Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo
  • 2.29: Se sabeis que ele é justo, reconhecei também que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele
  • 3.5: Sabeis também que ele se manifestou para tirar os pecados, e nele não existe pecado

04.09.08

A relação de similaridade entre Paulo e João

Enviado em Teologia de João tagged , , , às 5:58 pm por Marcelo Berti

Observações ao texto de Rudolf Bultmann (Teologia do Novo Testamento) 

Segundo RB, a visão de que a teologia joanina é o desenrolar áureo da teologia paulina é um erro. Observe o que diz: “A observação de que em João a discussão paulina sobre a lei é de somenos importância, levou muitas vezes, à conclusão errada de que João deveria ser compreendido como o auge do desenvolvimento que vai além de Paulo, no qual as discussões em torno da lei pertencem ao passado (pp.433)“. Para RB a teologia cristã não teve um desenvolvimento monolinear[1].

A similaridade: RB acredita que existe uma similaridade entre os autores em pauta no que diz respeito a atmosfera histórico-religiosa. “Ambos se encontram no espaço helenístico impregnado pela corrente gnóstica, de modo que certa consonância a terminologia não causa admiração (pp.433-4)“.

  1. O uso de “kosmós”: Tanto Paulo quanto João usam o termo no sentido dualista depreciativo. Existe unanimidade quanto ao fato de que kósmos representa o mundo dos humanos.
  2. Redação antitética: João impregna sua redação com afirmações paradoxais e pensamentos essencialmente antitéticos, o que deixa sua obra ainda mais admirável. Entretanto algumas dessas construções antitéticas fazem alguma relação com a teologia paulina:
    • por que não tem a verdade nele, por isso, quando fala a mentira fala do que lhe é próprio] (Jo.8.44); não escrevi a vocês por que vocês não sabem a verdade, mas por que sabem e por que nenhuma mentira provém da verdade (1Jo2.21). Essa característica, forte em João, é perceptível, mesmo em grau menor, na literatura paulina. Em Rm1.25 podemos encontrar a expressão: transformaram a verdade de Deus em mentira. Esse contraste entre o que é da parte de Deus e o que é do mundo, fora de Deus, é perceptível em ambos autores.
    • e a luz brilha nas trevas e as trevas não suportam ela] (Jo.1.5); Eu sou a luz do mundo. Aquele que me segue não andará em trevas] (Jo.8.12). Paralelo parecido é visto também em Paulo: “Das trevas resplandecerá a luz” (2Co.4.6). Ambos exemplos demonstrados aqui tratam apenas de similaridades ocasionais e não recorrentes.
    • e falei de coisas terrenas a vocês e vocês não creram, como crerão se falar a vocês sobre coisas celestiais (Jo.3.12). para que ao nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e debaixo da terra (Fp.2.10).
  3. Cristologia: RB acredita que tanto João quanto Paulo escrevem sobre Cristo influenciados pelo “mito gnóstico da redenção[2]:
    • O Envio do Filho de Deus preexistente em figura humana: Fp.2.6-11 e Jo.1.14
    • O envio do Redentor como evento escatológico: Jo.3.19; 9.39; Gl.4.4. Entretanto, as terminologias empregadas não são correlativas:
      • Paulo não usa expressões escatológicas joaninas como [vir], [ir] (Jo.8.14) e [ser elevado]
      • João também não usa algumas expressões características ca concepção apocalíptica judaica que ocorrem com freqüência em Paulo: [este século] [(Co1.20); [plenitude do tempo] (Gl.4.4); [nova criação] (2Co.5.17; Gl.6.15).
  4. Coincidência na terminologia cristã comum: RB acredita que, devido aos pontos já citados, não é de se admirar que tal coincidência aconteça:
    • Vida Eterna: Ambos autores falam da vida eterna como o bem salvífico. Entretanto, não se fala do reino de Deus (3.3, 5)
    • Caracterização do bem salvífico: Ambos caracterizam o bem salvífico com termos como [alegria] (Jo.17.13; Rm.14.17) e [paz] (Jo.14.27; Rm.14.17). Esses termos são usados por João de maneira singular, “sendo que alegria, paz aparecem como dádivas de despedida de Jesus à comunidade que remanesce no mundo” (pp.434).
  5. Similaridade de vocabulário específico: É consoante entre os autores o uso de termos como [enviar] e [mandar] para o envio de Jesus (Gl.4.4; Rm.8.3), [dar] para sua entrega (Jo.3.6; Rm.8.32) e [glória] (Jo.17.5; Fp.2.9; Jo.3.21) para a concepção da elevação de Jesus a Senhor na glória. Embora seja muito similar o uso desses termos, RB acredita que isso não traça um relacionamento especial entre os autores, apenas reafirma a terminologia cristã comum.

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 Este artigo é resultado da reflexão do autor deste blog sobre parte do artigo do Rudolf Bultmann sobre a Teologia de João

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 [1] Isso é perceptível pelas inúmeras fontes antigas sobre a discussão da teologia e a existência de materiais teológicos não consoantes. O desenvolvimento da teologia sofreu deformidades ao longo do tempo e sua construção estava fadada a especulação humana e preferência pessoal de uma cúpula de pessoas que teriam autoridade para montar a teologia cristã. A diversidade de pensamento no desenvolvimento da teologia cristã é a prova final que foi conturbada sua concepção e polêmica sua definição até os moldes atuais. O que definiu, entretanto, a ortodoxia teológica sempre foi a busca pela defesa das escrituras, e sempre com ela ficamos em todo o processo. Embora, mesmo o desenvolvimento da ortodoxia não tenha sido monolinear, o fundamento básico é o mesmo: Apresso a escritura. Isso é o pressuposto do qual não abro mão.

[2] Quando RB fala do mito gnóstico, acredito que ele tem em mente a terminologia envolvida na proclamação da salvação. Ele afirma: “A terminologia gnóstica serviu sobretudo para expor com clareza o evento salvífico. Segundo ela, o redentor aparece como uma figura cósmica, como o ser divino preexistente, o filho do Pai, que desceu do céu e assumiu figura de ser humano, que de sua atividade terrena, foi elevado à glória celestial e conquistou o domínio sobre os poderes espirituais” (pp.230). Para RB essa construção é vista tanto em Fl.2.6-11 quando em 2Co.8.9. Segundo RB a mensagem do verdadeiro Deus e de Jesus, do Messias-Filho do ser humano, a mensagem escatológica do juízo e salvação que eram propagados com linguagem veterotestamentária deveria necessariamente ser traduzida para uma linguagem que fosse familiar ao mundo helenista. Por essa razão RB acredita que existiu influência na compreenssão da mensagem cristã e no desdobramento no cristianismo helenista por meio da terminologia gnóstica. “Por natureza, um processo desses não acontece sem influência de conteúdo. E assim como o cristianismo helenista foi envolvido no processo sincretista por meio da formação do culto ao ku,rioj, tanto mais isso aconteceu pela formação da doutrina da redenção sob influência gnóstica.” (pp.218).

A relação entre o amor agápe e Deus em 1João

Enviado em 1João, Teologia Própria tagged , , , , , às 4:55 pm por Marcelo Berti

Talvez o mais interessante conceito sobre Deus na Teologia joanina seria o amor de Deus. No quarto capítulo dessa epístola encontramos mais vezes o termo amor que em qualquer outro capítulo nas escrituras. Isso nos leva a concluir que sua visão sobre esse assunto é fundamental para a compreensão correta do cristianismo. Por essa razão vamos nos dedicar a observar esse assunto com atenção nessa epístola.

Deus é amor (agápe)

Talvez a mais importante descrição sobre Deus na Teologia de João seja a que Deus é agápe. Por duas vezes o autor faz isso: “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (4.8); “E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele” (4.16).
Entretanto, mais que identificar a colocação da expressão dentro dos escritos joaninos é compreender o que de fato isso significa. Por isso, precisamos observar alguns fatos sobre o Amor de Deus para tentar compreender seu real significado prático e conceitual.

1. O amor de Deus é completo e independente da criação:

É fundamental compreender esse fato, visto que é comum que pessoas interpretem a criação como uma necessidade de Deus para expressão do Seu amor. Entretanto, a teologia joanina apresenta o fato que o amor de Deus já era ativo antes mesma da criação: “Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo” (Jo.17.24). Dessa forma vemos que o amor de Deus era ativo em direção àquele que é o “Uiós tou Theou”. Outro detalhe é que embora indefinido no tempo, o verbo amou na sentença grega está completo no passado e ativo no presente, o que também sugere que esse amor está além do tempo, e permanece ativo: “Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor” (Jo.15.9); “O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos” (Jo.3.35 cf. 10.17). E mais interessante que isso é que o Filho também tem amor ativo e presente pelo Pai: “contudo, assim procedo para que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço como o Pai me ordenou” (Jo.14.31). Dessa forma, podemos notar que o amor de Deus é independente da criação, completo e ativo.

 

2. O amor de Deus é perfeito:

Uma das declarações que soam interessantes quando falamos em perfeição é que Deus é o modelo último e máximo da perfeição, independente do campo ou ambiente do que se trata. Quando fala em unidade, Cristo pede a Deus que os cristãos sejam aperfeiçoados na unidade (Jo.17.23), e sempre remete ao padrão da perfeição da união da trindade (v.22). No que diz respeito ao amor, na teologia de João podemos encontrar indícios de que o amor de Deus é perfeito, no sentido que nada lhe falta, completo e final. Uma das evidências que temos para isso é que o amor de Deus pode ser aperfeiçoado no cristão, na medida que busca aproximar-se de Deus: “Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus” (2.5); “Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado” (4.12); “E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele. Nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que, no Dia do Juízo, mantenhamos confiança” (4.16-17). Se o amor que procede de Deus pode ser aperfeiçoado na vida do cristão, se ele pode chegar a ser completo em sua vida, deve supor que a fonte de onde ele sai carrega as mesmas características. Se isso é verdadeiro, logo o amor de Deus é completo.

 

3. O amor de Deus é imenso:

Quando falamos que o amor de Deus é imenso, estamos nos referindo ao fato de que Seu amor não tem como ser medido. Deve ser por essa razão que eventualmente João utiliza a idéia de que esse amor é grande: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai” (3.1). A palavra grega para grande (potapós) é sempre utilizada em contexto onde o maravilhar-se está presente, de forma que a expressão em si tem um ar de magnitude. Dessa forma, notamos que o amor que Deus tem é imenso. Outros textos contribuem para essa conclusão: “se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros” (4.11; cf.Jo.3.16). O modo com que Deus amou ao mundo é tão intenso e tão forte, que não foi descrito com uma forma ou quantidade definida, antes, João utiliza um termo que pressupõe a magnitude do mesmo.

 

4. O amor procede de Deus:

Na teologia joanina não existe outra fonte para o amor, se não de Deus: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus” (4.7). A expressão grega deixa bem evidente que o amor vem, procede, sai, emana de Deus (ek tou Theou estin).

 

5. O amor de Deus é manifesto ao mundo:

Uma das verdades sobre o amor de Deus é que, apesar de completo, ativo e independente da criação, Deus decide fazê-lo conhecido ao mundo: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo.3.16). Dessa forma, todos os que são criaturas de Deus podem compreender e conhecer o amor de Deus, até por que o procedimento de Cristo visava testificar esse fato ao mundo (Jo.14.31) e sua história é prova viva desse interesse de Deus.

 

6. O amor de Deus é conhecido em Cristo:

Para João essa verdade é contundentemente clara: “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele” (4.9). Essa mensagem está em consonância com a verdade sobre o Filho e a Obra Redentora realizada por Deus por intermédio de Jesus Cristo. Além do mais: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos”

 

7. O amor de Deus é manifesto aos cristãos:

Uma importante observação à essa altura é que esse amor é apresentado de modo especial para aqueles que o Pai traz a Cristo (Jo.6.37, 44). Em sua oração, Jesus pede ao Pai que seus discípulos sejam unidos e cresçam na unidade com o objetivo que “o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim” (Jo.17.23). A unidade entre os discípulos, o que incluí tanto os onze que estavam com Ele naquele momento e todos os que vieram após eles (Jo.17.20-21) seria o testemunho eficaz de que Cristo havia sido envidado da parte de Deus para esse mundo, e que Deus ama os seguidores de Cristo da mesma forma como ama a Cristo. Essa declaração parece fazer alguma distinção entre o amor que Deus atribui ao mundo e a Seus filhos.

 

8. O amor de Deus é primeiro:

Vale a pena ressaltar que o amor de Deus, que era presente desde a eternidade passada em Jesus Cristo, manifesto Nele e direcionado a Ele, é também direcionado aos que são cristãos: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (4.19). Não pode-se dizer, então, diante da teologia joanina que fomos considerados como filhos por termos sido escolhidos por Deus em função de uma pré-disposição, ou pré-visão de um amor para com Deus, mas sim que, Ele nos amou antes que pudéssemos esboçar qualquer tipo de amor. Aliás, diante da teologia de João fica evidente que não poderíamos esboçar amor a Deus sem que seu amor tivesse sido direcionado e efetivo em nós.

 

9. O amor de Deus é definido em Cristo:

Em alguns lugares na literatura joanina podemos encontrar algumas sentenças que parecem tecer partes da definição desse amor que Deus tem: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (4.10). O amor de Deus consiste em sua ação primeira manifesta completamente em Cristo. Embora não tenhamos uma informação de quando isso aconteceu com certeza, vemos pelo verbo amou que isso aconteceu em algum momento do passado (amou – aoristo). Por outro lado, esse amor é direcionado aos cristãos (nos) de modo que a ação de Cristo foi em favor desses que tem nEle a propiciação dos pecados (Vale o lembrete que essa ação da parte de Deus é estendida ao mundo inteiro -  1Jo.2.2). Outra afirmação que merece nossa observação é que João ainda complementa a idéia do amor de Deus da seguinte forma: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos” (3.16). O amor de Deus é definido pela auto-doação de Cristo pelos cristãos, que deveriam fazer o mesmo. A afirmação final desse verso parece estender em um pouco a concepção de que o amor de Deus é também definido pelo amor que os cristãos devem manifestar.

 

10. O amor de Deus é percebido pela prática cristã:

A literatura joanina apresenta em diversos lugares a preocupação de que aquele que crêem em Cristo como Salvador deveriam esboçar esse amor de Deus nos seus relacionamentos, e que isso seria evidência suficiente do amor de Deus (Jo.17.20-24). Entretanto, parece não ser essa a única preocupação de João, visto que o amor de Deus é que em parte é percebido pelos cristãos: “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele” (4.9). O fato de Deus ter enviado Seu Filho ao mundo é um fato conhecido na teologia joanina, mas a consistência do amor de Deus também está no objetivo a que Ele enviou Seu Filho: Para que os cristãos pudessem viver por meio Dele. Com esse adendo, notamos que o amor de Deus é, por um lado definido por seu envio do Filho, e por outro pelo reflexo deste na comunidade dos que crêem Nele. Contudo, podemos ainda inferir que essa não é toda a concepção que João tem sobre esse assunto: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos” (5.3). Nesse ponto notamos que parte da definição do amor de Deus está na obediência do cristão, sendo isso ainda verificado na segunda epístola de João: “E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este mandamento, como ouvistes desde o princípio, é que andeis nesse amor”. Nesse texto ainda temos a inclusão de que os cristãos deveriam andar nesse amor.

 

11. A questão da posse e da permanência:

Uma das verdades apresentadas com solidez pela teologia joanina é que o não cristão não possui o amor de Deus: “sei, entretanto, que não tendes em vós o amor de Deus” (Jo.5.42). Essa definição apresenta um detalhe sobre o amor de Deus, que mesmo embora seja manifesto ao mundo, não seja efetivo em todos os seres humanos, pois existem aqueles que não tem o amor de Deus. Outro detalhe é que o amor com que Deus amou a Cristo parece ser direcionado de modo específico aos que crêem: “Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja” (Jo.17.26). Essa afirmação é direcionada para aqueles que compreenderam que Deus havia enviado a Cristo (v.25), que foram dados por Deus a Cristo (v.24) e estão nele (v.23), são objetos do amor de Deus (v.23) e que crêem em Cristo por meio da palavra de Deus (v.20). Portanto, confirma-se que o amor de Deus é manifesto de modo especial no cristão. Porém, deve-se ressaltar que esse amor pode não estar no cristão: “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?” (3.17). De algum modo, o cristão pode deixar de ser aperfeiçoado no amor de Deus a ponto de não ter o amor de Deus presente em sua vida. É o que acontece com o cristão que ama ao mundo ou às coisas que estão no mundo: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (2.15). Por essa razão que espera-se que o cristão ame não apenas com palavras, mas “de fato e de verdade” (3.18). Assim, o cristão também deve persistir na permanência no amor de Deus, visto que essa prática é também a garantia da permanência em Deus (4.16).

 

Conclusão

Considerando as informações sobre o amor na literatura joanina, podemos assumir que ao referir-se a Deus como amor, tem todos esses conceitos em mente. Portanto, cremos que de alguma forma a definição de Deus inclui todos esses aspectos, não de forma a limitá-lo, mas na forma de compreendê-lo como Deus. Se isso é verdadeiro, concluímos que Deus é

1. É completo e independente da criação
2. É perfeito
3. É imenso
4. É auto-existente
5. Manifesta-se ao mundo
6. É conhecido por meio de Cristo
7. Manifesta-se de modo especial aos cristãos
8. É ativo e primeiro em sua ação
9. É visto em Cristo
10. É percebido pela prática cristã (madura)
11. Relaciona-se com mais intensidade com o cristão maduro

Dessa forma, podemos compreender um pouco sobre o que João intencionava ensinar ao falar que Deus é agápe.

Análise da Paternidade de Deus em 1João

Enviado em 1João às 4:48 pm por Marcelo Berti

Teologia Própria é a seção do estudo temático da teologia que se ocupa em discorrer sobre a Pessoa do Deus Pai. Na teologia sistemática, teólogos tentam agrupar tantas informações quanto possível sobre esse o conceito de Deus em todas as escrituras e então descrever o que as escrituras ensinam sobre esse Deus. Em nosso estudo, vamos nos deter ao estudo da concepção joanina sobre a teologia cristã.

Um aspecto importante na concepção joanina sobre Deus é a sua paternidade, visto que esse assunto percorre toda a primeira epístola. Sobre esse assunto podemos ver pelo menos 20 declarações apenas na primeira epístola.

Somos nascidos de Deus (Gennaö)

Um dos pontos mais importantes do conceito joanino a respeito da paternidade de Deus sobre os cristãos é que ele a apresenta como uma iniciativa da parte de Deus, sendo isso plenamente verificado por meio da expressão “nascidos de Deus” (usada cerca de 6x): O nascimento não é a realização de um ato de vontade daquele que nasce, mas daquele que o gerou. Esse sem dúvida é um conceito bem apresentado na teologia de João: “os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo.1.13; cf.Jo.3.3; 6, 8 – observe o verbo passivo). Observe que o verso aponta para o fato de que esse nascimento não ocorreu de modo natural (sangue), nem pela vontade da carne ou de um homem qualquer, mas ocorreu de Deus. O que vemos claramente é que esse nascimento veio de Deus e que somos nascidos dele, o que sugere que sua vontade estava ativa muito antes que eu mesmo pudesse crer, e só pude desfrutar dessa filiação a partir do momento em que minha vontade tornou-se compatível com a Vontade de Deus (Jo.6.40).

Para João, todo aquele que “crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus” (5.1), o que sugere que o ato de crer é um resultado da ação de Deus na vida do indivíduo que deposita sua fé em Cristo, visto que o verbo “gennao” é expresso na voz passiva. Ou seja, aquele que crê, sofre a ação de ser nascido da parte de Deus quando passa a crer em Jesus como Cristo. Diante o que sabemos sobre a teologia joanina não podemos atribuir o crer como uma obra natural, mas antes trabalhada por Deus no indivíduo por meio do seu Santo Espírito (Jo.16.8-11).
Outro detalhe que é interessantíssimo na expressão “nascido de Deus” (5.1) é que o verbo “gennao” além de estar na voz passiva, é conjugado na terceira pessoa do perfeito indicativo, o que sugere que a ação além de ser sofrida pelo que crê e realizada ativamente por Deus, sugere que essa ação está completa no passado. Isso está em acordo com o conceito de salvação exposto por Jesus no capítulo 6 do evangelho (Jo.6.37, 44, 65).

Na teologia joanina ainda, a Paternidade de Deus sobre o cristão também é a garantia da sua vitória sobre o mundo (kosmos): “porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo” (5.4; nikeo). Essa expressão de vitória deve ser entendida como uma benção estendida da vitória de Cristo sobre a cruz, e que todos que crêem (5.5) nesse fato são com Cristo habilitados por Deus a vencerem o mundo (cf. Jo.16.33). Como filhos de Deus, os cristãos também são habilitados a vencerem o Maligno (2.13, 14) e os falsos profetas (4.4).

A vitória  (nike) do filho de Deus sobre o mundo é a fé: “e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (5.4). Da perspectiva de João, a vitória do filho de Deus, daquele que Dele é nascido, acontece também contra o Maligno, visto que “aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca” (5.18). Ou seja, através da filiação divina o cristão é guardado por Deus a ponto de inibir a ação maligna na sua vida . Isso implica que, positivamente o cristão vive na prática da justiça (2.29) e negativamente não pode viver na prática do pecado (3.9).

Como é perceptível. a visão de João é radical quanto a filiação a Deus, o que não exclui o que observamos em outros lugares no NT que falam sobre os cristãos que vivem em desacordo com esses valores ensinados por João, e sofrem as conseqüências de não desfrutarem de benefícios da graça como os apresentados por João nesses versos.

Por outro lado, para João aquele que é verdadeiramente nascido de Deus não vive na prática do pecado: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado” (5.18), e de fato, essa é uma impossibilidade para ele: “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (3.9). Por essa razão dedica-se e vive pela prática da justiça: “Se sabeis que ele é justo, reconhecei também que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele”

Esse nascimento da parte de Deus é o que pode garantir que o amor, que é uma expressão da essência de Deus, seja uma expressão real nos relacionamentos entre seus filhos: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus”. Para se demonstrar o amor segundo Deus, devemos desfrutar desse amor como filhos dele, e então sermos habilitados a amar (agápe).

Somos considerados como Filhos de Deus (Tékna tou Theou)

Uma vez que somos nascidos de Deus, passamos a ter o direito de sermos chamados filhos de Deus (Jo.1.12). Esse direito é adquirido pela fé em Jesus Cristo e resultado do amor ativo e primeiro de Deus: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus” (3.1).

Essa é uma importante expressão na teologia joanina, visto que faz uma propositada distinção entre a Paternidade de Deus sobre Cristo e a Paternidade que tem sobre os cristãos. Em nenhum lugar na teologia joanina vemos Cristo ser denominado “tékna tou Theou”, ao passo que os cristãos também não são denominados como “uiós tou Theou”. Essa distinção certamente tem o propósito de dos diferenciar dAquele que é desde o princípio (ap’ arxês) e aqueles que precisam permanecer nele (2.6).

Dessa forma vemos que somos considerados como que “tékna” de Deus. Mas, o que de fato significa ser considerado desse modo? A palavra “tékna” pode ser empregada de vários modos, e em geral, é traduzida para o português como “filho” (cf.Mt.7.11; 10.21; Mc.10.29; Lc.1.7; 1Co.4.14; entre vários outros textos). A palavra “tékna” pode fazer referência a pessoas que tem mesmo ancestral (Mt.2.8; 27.25; At.2.39; 13.33); ou a pessoas que estão próximas a outro ser humano e consideradas como filhos mesmo sem qualquer ligação biológica, mas por uma afeição, como de um mestre por um seguidor, de professor para um aluno (Mk.10.24; 1Co.4.17; 1Tm.1.2; 2Tm.1.2; Fm.10) além de poder denotar um grupo específico de pessoas que são caracterizadas por determinada qualidade (1Pe.1.14; Ef.5.8) ou desventura (2Pe.2.14; Ef.2.3).

Entretanto, nenhuma dessas colocações estão compatíveis com a descrição que João dá aos cristãos ao denominá-los como “filho de Deus”. Na literatura paulina, vemos que ele também emprega essa expressão afim de descrever pessoas que compartilham características com divindade (Fp.2.15; Ef.5.1) e são por isso consideradas como adotadas por Deus (Rm.8.16, 21; 9.7, 8; Ef.1.5). Essa visão sobre a terminologia parece compatível com a descrição joanina da filiação que o cristão tem em Deus. Resta-nos, então, observar como essa expressão pode ser entendida na teologia joanina.

Como é bem observável, esse compartilhar de características com a divindade, também é visto em outras entidades espirituais na teologia joanina: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai” (Jo.8.44). Mesmo que a expressão “tékna” não aconteça nesse texto, vemos que existem pessoas cuja filiação se dá com o diabo, o que na primeira epístola de João fica muito bem estampado: “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo” (3.10). Assim, deve-se considerar que a filiação ao diabo é diametralmente oposta a filiação a Deus e que as características daquele que é pai é visível naquele que lhe é considerado como filho: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo.8.44). Assim, aqueles que são filhos do diabo são vistos por praticarem o que é pertinente ao diabo: ” todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão” (3.10). Se essa oposição conceitual é verdadeira, aquele que é filho de Deus deve ter (desenvolver, buscar) as características daquele que é seu Pai, o que em grande parte é a admoestação de João em sua primeira epístola (1.5ss; 2.3-6; 2.9ss; 2.15-17; 3.7-10; 3.16-18 etc).

Portanto, na concepção joanina, Deus é pai daqueles que realizam sua vontade (Jo.6.40; cf. 5.1) e demonstram em sua vida uma busca por compatibilidade com o caráter Dele (3.10ss). Aquele não apresenta características de Deus em sua vida não pode ser considerado como filho (3.14) e é apresentado com características daquele que é o pai da mentira: “Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si ” (cf. Jo.8.44).

Há ainda uma declaração de esperança para aqueles que são verdadeiramente filhos de Deus, visto que eles não atingiram a estatura de Cristo enquanto filhos de Deus, mas vivem na expectativa do dia em que isso vai acontecer: “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (3.2). Essa esperança e expectativa no futuro é certamente um norte para o proceder saudável do cristão enquanto filho de Deus no mundo.

Somos de Deus e pertencemos a ele (ek tou Theou)

O resultado de ter sido nascido de Deus e considerado como filho Dele é que nós somos considerados como que propriedade de Deus, ou seja, que nós pertencemos pessoalmente a esse Deus que nos demonstra Seu amor em Cristo Jesus.

A convicção joanina sobre o pertencer a Deus é estampada na declaração: “Sabemos que somos de Deus” (5.19). A expressão “somos de Deus” é a tradução para o fraseado grego “ek tou Theou”. O fato de ser identificada como uma expressão no genitivo nos faz considerar duas possibilidades sobre o significado dela. A primeira, que parece consistente com a teologia joanina, é que a declaração expressa o sentido de procedência de Deus. Esse tipo de uso acontece no evangelho de João: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo” (Jo.7.17). Aqui vemos que Jesus apresenta com a expressão “ek tou Theou” a possibilidade da doutrina que Ele apresenta vir da parte de Deus, como Jesus mesmo testifica (v.16).  Tal conceito é visto também na primeira epístola de João, quando diz: “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão” (3.10). A questão da procedência de Deus, ou a não procedência, está em pleno acordo com a teologia joanina (4.1-3, 7; cf. 3Jo.1.11), mas não abrange todas as ocorrências da expressão na primeira epístola.

Por isso, devemos considerar a segunda possibilidade para a expressão “ek tou Theou” em 5.19, a saber, que aqueles que são nascidos de Deus, são seus filhos e pertencem a Ele. A tradução “somos de Deus” da ARA é bem acurada, e representa o sentido apregoado pela expressão grega.

A equiparação entre o pertencer a Deus e Sua paternidade sobre o cristão também pode ser vista pelo resultado que promove: “Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (4.4). Assim como na declaração de Paternidade, o pertencer a Deus significa vencer os falsos profetas, visto que Aquele que nos possui é maior do que aquele que está no mundo.

Por essa razão é que devemos estar atentos com a questão da procedência dos espíritos, pois eles podem não proceder de Deus e, portanto, nunca poderiam ser pertencidos por Ele: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora; Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo” (4.1-3).

Além disso, aqueles que pertencem a Deus tem sua audição inclinada aos ensinos dos apóstolos e pode receber aquilo que dizem: “Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro” (4.6). Deve-se creditar isso à vitória concedida por Deus em função da filiação e pertencimento pessoal a Deus. E como resultado disso, estamos em uma situação oposta a situação desse mundo que está morto no maligno: “Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno” (5.19).

Essa é a grande razão pelo qual não somos amados (Jo.15.18) por esse mundo (Jo.15.19), pois ele pertence ao Maligno, e nós pertencemos a Deus. Estamos nesse mundo (Jo.17.15), mas não somos dele (Jo.17.14, 16); antes, fomos comprados dele por meio de Cristo para estarmos e pertencemos a Deus, pois éramos de Deus (Jo.17.6-8)

A permanência de Deus no cristão (menö)

No relacionamento efetivado com Deus como Pai, por meio da fé em Jesus Cristo, o último ponto a ser observado na teologia joanina é que Deus permanece no cristão: “Aquele que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele, em Deus” (4.15). A confissão que João parece estampar aqui é a mesma reação que foi observada nos samaritanos no período do ministério público de Jesus Cristo: “Já agora não é pelo que disseste que nós cremos; mas porque nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo” (Jo.4.42; soter tou kosmou), visto que no contexto imediato do texto lemos: “E nós temos visto e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo” (4.14; sotera tou kosmou).

Entretanto, além da consciência de que Cristo é o Salvador do Mundo é necessário confessar que Jesus é o Filho de Deus, expressão que será estudada quando falarmos a respeito de Cristo, que apresenta o relacionamento entre o Pai e o Filho (uiós), que atesta para sua divindade. Isso uma vez realizado, pode efetivar a permanência de Deus no cristão.

Essa permanência de Deus no cristão é plenamente verificada pelo Espírito que outorgou aos que crêem em Cristo como Filho de Deus, Messias vindo em carne, como podemos verificar: “Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele, em nós: em que nos deu do seu Espírito” (4.13; cf. 3.24). O ato de Deus doar o Seu Espírito é a garantia da sua permanência no cristão.

Contudo, a permanência do cristão em Deus pode ser condicional ao seu comportamento diante dele, pois observe o que ensina João: “E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus, nele” (3.24a). Nesse trecho percebemos que a reciprocidade de permanência encontra-se na obediência do cristão aos mandamentos de Cristo. Não há permanência em Deus sem obediência, entretanto a garantida da permanência de Deus no cristão é garantida pela presença do Espírito que Deus nos deu, como João atesta na continuação de verso: “E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu” (3.24b).

Esse conceito é também observado com relação a manifestação do amor de Deus pelo cristão: “Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado” (4.12; cf. 4.16).

Portanto, concluímos que Deus permanece no cristão a partir do momento do depósito da fé, mas a permanência do cristão em Deus é condicional ao seu comportamento em relação a sua filiação (cf. Jo.15.1-5 – considere nos prejuízos do mau cristão).

Introdução à Primeira Epístola de João

Enviado em 1João às 4:40 pm por Marcelo Berti

Autor:

João, discípulo amado, irmão de Tiago, filho de Zebedeu.

Destinatários:

Cristãos (2.12-14, 21; 5.13).

É possível que João tenha alguma familiaridade com os cristãos a quem escreve:
2.1: A expressão “Meus filhinhos” parece bem paternal e expressa que existe alguma intimidade entre escritor e destinatário.
2.7,8: “Amados” também parece uma expressão de proximidade pessoal entre autor e destinatários
2.12-14: A definição de categorias de pessoas (Filhinhos, Pais, Jovens) parece sugerir que o autor tem em mente pessoas específicas
2.26: João estava familiarizado com problemas que os seus destinatários estavam sofrendo e escreve os alertando.
5.13: A clara identificação da categoria maior dos seus destinatários parece sugerir proximidade pessoal entre autor e destinatários.

Data:

90-95 d.C.

Situação:

Situação Externa: Os cristãos a quem João escreve estão enfrentando o assédio da heresia e presenciando o aparecimento de “anticristos” que pervertiam a fé e cristãos próximos aos leitores a quem João destina sua carta.

Situação Interna: Pelas advertências que João tece em sua primeira epístola, é possível que esses cristão haviam sofrido com o ataque dos “anticristos” e precisavam ter sua convicção soteriológica reafirmada. Por isso João gastou tanto de sua epístola apresentando de modo simples a possibilidade de ser convicto da própria fé.

Versículo Chave:

“E este é o testemunho: Deus nos deu a vida eterna, e essa vida está em seu Filho. Quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho de Deus, não tem a vida. Escrevi-lhes estas coisas, a vocês que crêem no nome do Filho de Deus, para que vocês saibam que têm a vida eterna” 1João 5.11-13 (cf. 1.3, 4; 2,12-14; 1.9; 2.28)

Tema:

Amor, segurança da salvação, comunhão, heresia, obediência, fé.

Propósito:

Conduzir os crentes ao pleno desfrute da comunhão espiritual e da certeza de salvação pessoal, apresentando os critérios que definem a genuína comunhão cristã com um Deus santo e amoroso.

Mensagem:

A medida da comunhão de um indivíduo com Deus é sua experiência crescente do caráter divino em sua vida (Carlos Osvaldo Pinto, Telogia Bíblica do Novo Testamento. Materila não publicado).

Pontos Notáveis:

1. Em 1 João Deus é apresentado como Luz, Amor e Vida. Seu interesse é que seus leitores tenham comunhão com esse Deus evidenciada por um andar em Luz:

a. Santidade – 1.5-2.2
b. Obediência – 2.3-6
c. Amor – 2.7-11

2. Em sua primeira carta, João deixa três provas chaves para a realidade da minha fé/comunhão com Deus:

a. Vida Justa
b. Obediência
c. Amor

3. João deixa evidente suas razões ao escrever sua epístola:

a. 1.4: “Escrevemos estas coisas para que a nossa alegria seja completa”
b. 2.1: “Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem”
c. 2.26: “Escrevo-lhes estas coisas a respeito daqueles que os querem enganar”
d. 5.13: “Escrevi-lhes estas coisas, a vocês que crêem no nome do Filho de Deus, para que vocês saibam que têm a vida eterna”

4. Observe como João utiliza o contraste de idéias para se expressar:

a. Luz X trevas;
b. Verdade X mentira (falsidade)
c. Amor X ódio
d. Amor pelo Pai X amor pelo mundo
e. Cristo X anticristo
f. Filhos de Deus X filho do Diabo
g. Justiça X pecado
h. O Espírito de Deus X espírito do anticristo
i. Vida X morte

5. Na primeira epístola de João a Cristologia tem grande destaque:

a. Eterno (pré-existente) (1.1,2; 2.13)
b. Cristo veio em carne, foi humano (1.1; 4.2; 5.6)
c. Manifestação da Vida (1.2;)
d. Vida Eterna (1.2; 5.12)
e. Sangue purificador (1.7)
f. Intercessor junto ao Pai (2.1)
g. Justo (2.1, 29)
h. Propiciação pelos pecados (2.2; 4.10)
i. Nome de Cristo como responsável pelo perdão (2.12)
j. Cristo se manifestará no futuro; voltará, de modo visível e real (2.28; 3.2)
k. Objetivo na 1ª. vinda era para retirar os pecados e destruir as obras do Diabo (3.5, 8; 4.14)
l. Isento de pecado (3.5)
m. Exemplo final para o amor (3.16)
n. Manifestação do amor de Deus (4.9)
o. Filho unigênito de Deus (4.9; 15)
p. Verdadeiro Deus (5.20)

6. As heresias combatidas por João nessa epístola estavam relacionadas com a pessoa de Cristo

7. João parece ter deixado evidente as heresias que combate com essa epístola:

a. Docetismo: Idéia que defendeu que Cristo não era ser humano, ele apenas pareceu humano (verbo grego dokeo)
b. Cerintismo*: Acreditavam que o Cristo (messias, logos) desceu sobre o homem Jesus no dia do seu batismo e ficou até antes da crucificação; Jesus era resultado de Maria e José
c. Gnosticismo: Ideologia em desenvolvimento, também chamada de proto-gnosticismo. Segundo essa ideologia a matéria é má por essência e por essa razão Jesus tinha duas naturezas: humana e divina. A salvação para o gnóstico vem a partir do conhecimento.

Curiosidades:

1. 1 João não cita o AT, mas faz uma referência a Caim;
2. Não possui introdução, bênção ou conclusão;
3. É um livro com muita polêmica;
4. Um livro muito focado na vida cristã;
5. 1 João 4 usa mais a palavra amor do que qualquer outro capítulo do NT;
6. Tanto vocabulário quanto estilo são muito simples, mas seu conteúdo é muito profundo;

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* Cerinto, um herege, ensinou que Jesus era humano, mas ao ser batizado, o “Cristo” na forma de pomba, desceu sobre ele. Na cruz, o “Cristo” o deixou, e ele morreu sozinho, como homem.  No texto de  “Atos de João”, apócrifro do segundo ou terceiro século, “Jesus” revela a “João” o que realmente aconteceu com ele na crucificação:
“E assim eu o ví sofrer, e não esperei por seu sofrimento, mas parti para o Monte das Oliveiras e chorei sobre o que veio a se passar. E quando ele estava pendurado sobre a cruz na Sexta-feira, na sexta hora do dia, veio uma escuridão sobre toda a terra. E meu Senhor ficou no meio da caverna, iluminando-a disse: “João, para o povo lá em baixo em Jerusalem, Eu estou sendo crucificado e perspassado com lanças e espinhos, e estão me dando vinagre e bílis para beber. Mas para você Eu estou falando, escutai o que eu digo. Eu coloquei em tua mente para vires a esta montanha para que possais ouvir o que um discípulo deve aprender de seu mestre e homem de Deus”
“Esta cruz então é aquela que unificou todas as coisas pela palavra e que as separou do que é transitório e inferior, e que também compactou coisas dentro de mim. Mas esta não é aquela cruz de madeira que você deverá ver quando descer daqui; nem eu sou o homem que está sobre aquela cruz”

Distância entre João e os sinóticos

Enviado em Teologia de João às 4:30 pm por Marcelo Berti

Observações ao texto de Rudolf Bultmann (Teologia do Novo Testamento)

Para determinar a posição histórica de João é necessário levantar uma comparação entre os evangelhos sinóticos e o evangelho de João. RB em uma nota de roda pé aponta para a possibilidade de que o autor do evangelho não seja necessariamente o autor das epístolas. Também considera a possibilidade de que poderia ter sido fruto da escola de João. Embora não possa demonstrar, RB acredita que João não teria conhecido qualquer dos evangelhos sinóticos. Entretanto, “ele conhece a tradição trabalhada neles” (pp.431). Evidências desse ponto são percebidas em alguns ensinos de Jesus, alguns milagres e especialmente na história da paixão.

a. Redação a partir de fontes em estágio avançado: Em relação a teologia dos sinóticos, o relato dos milagres (em especial) parece ter sofrido um desenvolvimento além do que é relatado nos evangelhos sinóticos. O ponto de partida dessa informação está no estilo da redação: Os milagres que eram narrados nos sinóticos como fatos, em João tomam um sentido simbólico ou alegórico, sendo que, tais fatos servem de ponto de partida para discursos ou discussões. Essa estrutura literária traça um quadro totalmente diferente dos encontrados nos relatos sinóticos.

b. Estrutura do relato das conversas e discursos de Jesus: Nos sinóticos vemos breves diálogos “didáticos ou de controvérsia, nos quais Jesus dá a resposta aos que tem perguntas honestas ou aos adversários com um breve dito categórico” (pp.431). Entretanto, João valoriza os discursos de Jesus com discursos prolongados, que além de serem introduzidos por milagres (em geral), são constituídos por afirmações paradoxais (aqui usei o termo paradoxal em preferência ao termo usado por RB “ambíguos”): nascido do alto (3.3), água vida (4.10) entre outros. Nos sinóticos vemos ditos encadeados. Em João eles são exposições coesas sobre determinados temas. Nesses discursos é possível perceber, entretanto, a influência da tradição sinótica: 2.19; 4.44; 12.25ss; 13.16, 20; 15.20.

c. Temas diferentes dos tratados nos sinóticos: Segundo RB, em João Jesus não se apresenta como Rabi (mestre da lei), interessado nas discussões sobre a lei, nem como profeta que anuncia o Reino de Deus. Ele é, acima de tudo, Aquele que fala de sua pessoa como do revelador que Deus enviou. Não fala sobre assuntos “judaicos” por excelência como pureza, divórcio, contra a justiça própria ou a inverdade, mas aponta para a natureza de sua missão que traz paz ao mundo, e denuncia a falta de fé nele, como Aquele que é o salvador do mundo. Mesmo em situações próximas as testemunhadas nos sinóticos, como na acusação da transgressão do mandamento do sábado (cp. 5 e 9), podemos perceber alguma diferença: O foco. Nos sinóticos a discussão parece centrada na questão da lei e de sua validade para o ser humano (Mc.2.23-3.6), que no evangelho de João é centrada na autoridade de Jesus como Filho de Deus.

d. Ausência de Parábolas: Nos sinóticos a presença das parábolas é parte integrante dos discursos, o que eventualmente constituem os discursos de Jesus. Em João as parábolas faltam totalmente. Em contrapartida em João temos grandes discursos figurados, como o do pastor (cp.10) e o da videira (cp.15). RB acredita que na “imagem simbólica, apresentam Jesus como revelador. Eles pertencem ao grupo de palavras e discursos que recebem seu caráter pelo  ‘evgw, evimi’ do revelador, e que não tem analogias nos sinóticos” (pp.432).

e. Reestrutura do relato da paixão: Fato interessante nesse ponto é que percebemos similares diferenças entre os sinóticos e o 4º. evangelho, pois mesmo onde soam parecidos percebemos diferenças. Nos sinóticos vemos na cena da ceia que antecede a prisão de Jesus, como a oportunidade para instituir a celebração da ceia, mas no 4º. evangelho é o início de grandes discursos de despedida que não tem ponto de comparação nos sinóticos. “Os diálogos perante o sinédrio e Pilatos são totalmente modificados, bem como o relato da crucificação, que termina como o tete,lestai do revelador”.

f. Distinção do papel de João Batista: Nos sinóticos João Batista é o pregador do arrependimento, enquanto em João é a testemunha a favor de Jesus como Filho de Deus.

g. Distinções sobre a comunidade primitiva: Enquanto nos sinóticos percebe-se alguma preocupação com o destino, problemas e a fé da comunidade primitiva, em João não nota-se nada disso. As questões sobre a validade da lei, a vinda do Reino de Deus não estão presentes. Não parece mais atual o problema da missão aos gentios (compare Jo.4.46-54 e Mt.8.5-18 e Lc.7.1-9). A história da mulher samaritana, que poderia ter sido explorada do ponto de vista dos sinóticos (a validade da missão aos gentios como parte legítima da obra de Cristo), foi apresentada como a relação entre fé e milagre.

h. Distinção de ênfase no que se refere às profecias: Segundo RB, o cumprimento das profecias parece insignificante (em comparação com os sinóticos). Esse assunto está presente apenas em 2.17; 12.142, 38, 40; 13.18; 15.25; 19.24, 36s. É possível que esteja presente também em 6.31, 45.

i. Foco geral: Para RB o foco sobre o qual é constituído o evangelho de João é a situação atual da comunidade primitiva, cujo problema está na desavença entre Judaísmo e Cristianismo e seu tema é a fé em Jesus como Filho de Deus. Tal fato é claramente percebido pela própria apresentação de Jesus como alguém já destituído da própria nacionalidade, pois fala da lei dos judeus (“vossa lei”) como um estranho a ela (cf. 8.17; 10.34; 7.19, 22). Não existe em João uma distinção clara entre tipo de judeus (pecadores, publicanos, escriba pescadores) mas são tratados como vIoudaioi diferenciados somente entre ov,cloj e nos líderes, também distintos entre av,rcountej ou av,rciepeij ou Farisaioi, que são identificados como autoridades públicas (7.45, 47s; 11.47, 57). “Além disso, para João os ‘judeus’ são os representantes do ‘mundo’ por excelência, que nega a fé a Jesus” (pp.433)

Evangelho de João – Louis Berkhof

Enviado em Evangelho de João às 4:05 pm por Marcelo Berti

Louis Berkohof
LIVRO: Introdução ao Novo Testamento.

Conteúdo

 1. O advento e encarnação no logos (Jo.1.1-13)
2. O logos encarnado – a única forma de vida no mundo (1.14-6.71)
3. O logos encarnado – a vida e a luz, em conflito com trevas espirituais (7.1-11.54).
4. O logos encarnado – salvando a vida do mundo através da morte sacrificial (11.55- 19.42)
5. O logos encarnado -a ressurreição dos mortos, Salvador e Senhor de todos os crentes (20.1-21.25)

 

Características

 

1. O Evangelho de João enfatiza mais do que os outros a Divindade de Cristo:

O ponto de partida do evangelho não é histórico, como nos sinóticos, mas é enforcado na eternidade. O início do livro já apresenta essa característica, quando diz: “No princípio era o Verbo, e a imensa o Verbo estava com Deus, eu verbo era Deus”. No evangelho de João não encontramos descrição da sua genealogia, do seu batismo ou da sua tentação. Entretanto, no evangelho de João, de João Batista testifica a sua divindade, diferente do que acontece nos evangelhos sinóticos. O ministério de João Batista é enfocado no batismo para o arrependimento e na sua posição anterior ao Messias. Jesus Cristo, como Filho de Deus, entra em cena proclamando desde o início sua divindade 3.13; 5.17; e 6. 32,40 ). os milagres de Jesus, narrados no evangelho de João, em geral enfatizam a proeminência do seu poder divino e 4.46; 5.5; 9.1; 11.17 ).

 

2. No o evangelho de João os ensinos de Cristo são predominantes:

Embora os ensinos de Cristo tem um grande lugar nos evangelhos sinóticos, no evangelho de João eles têm um lugar de destaque na estrutura do livro, mas de maneira um pouco distinta. Ao invés de encontrarmos ensinamentos paradoxais, parábolas ou grande destaque para o ensino sobre o Reino de Deus, em João vemos que os discursos de Cristo são longos e confrontativos. Em contraste com os evangelhos sinóticos, o foco não está sobre o Reino de Deus, mas sim sobre a pessoa do Messias. em conexão com os milagres de Jesus Cristo apresentou-se como fonte da vida,4.46, nourishment of the soul, 6. 22- 65, como água da vida,4.7-16; 7.37-38; como verdadeiro libertador, 8.31-58; como a luz do mundo, 9.5,35 41 e o princípio vivo da ressurreição, 11.25-26. Próximo o fim do livro, além de grandes informações práticas e do seu relacionamento pessoal com um dos cristãos, encontramos  claras referências sobre o advento do Parácleto.

 

3. O cenário de ação no Evangelho de João é um pouco diferente:

os evangelhos sinóticos encontramos grande participação do ministério de Cristo apresentado na galiléia, e seu ministério Jerusalém aparece apenas perto dos últimos dias com os discípulos. já João coloca em evidência, tanto trabalho quanto ensino de Jesus na Judéia e e particularmente em Jerusalém. João apresenta com alguns detalhes das festas judaicas: três festas de páscoa (possivelmente quatro ) 2:13; 5.1; 6.4; 13.1; festa do tabernáculo 7.2; e festa da dedicação 10.22.

 

4. O evangelho de João é mais definindo que os sinóticos na sua pontuação do tempo e locação dos acontecimentos:

De um certo modo, o evangelho de João parece mais cronológico que os outros evangelhos, e distinção com que apresenta a localidade dos acontecimentos do ministério de Jesus, dão a impressão que o autor do evangelho é muito preciso as suas considerações. através do relato de João, podemos descobrir as localidades por onde Jesus passou: Bethânia 1.28; Caná 2.1; Cafarnaun 2:12; Jerusalém 2.13 e assim por diante. outro detalhe interessante é que a designação de tempo é muito acurada, e eventualmente até as horas do dia são citadas. outro detalhe interessantíssimo é o valor que o autor dá a cronologia dos fatos. veja os detalhes entre o primeiro e o segundo capítulo.

 

5. O estilo e no quarto evangelho é muito diferente dos outros evangelhos :

a exceção da introdução e de poucas partos no decorrer do texto encontramos grande influência da língua hebraica no texto de João. LB afirma que João ” se aproximam do estilo dos estertores do antigo testamento mais do que qualquer autor do Novo Testamento tenha feito”. Podemos notar que o termo utilizado por João é de excelente qualidade entretanto não encontramos grande sentenças ou sentenças complexas e também inclui algumas palavras em aramaico: rabi, Messias, amen amen lego soi, rabbatha, khfas, rolyotha.

 

Autor

A voz da Antiguidade parece ser unânime ao atribuir o quarto evangelho a João. LB encontra apenas uma exceção em um de chamado Epiphanius. Entretanto das evidências internas apontam para a autoria de João:

 1. O autor era judeu:

Certamente,  o autor tem íntimo conhecimento do antigo testamento a ponto de não conhecer apenas a tradução da LXX, mais o terço na sua linguagem original, com evidente em algumas das suas citações do antigo testamento. O fato de o autor escreveu em grego, não compromete sua identificação como judeu, pois suas construções literária usam muitos paralelismos, e todos têm influência hebraica. Luthardt afirma o seguinte: “Existe e uma alma hebraica e viva na linguagem do evangelista”.

 

2. O autor era um judeu palestiniano:

O modo de escrever de João mostra claramente que ele está em casa quando estar em um mundo judaico. Ele é claramente habituado com os costumes judeus e com cuidado religioso requerido pela lei, sem contar que parece compreender com facilidades o mundo e pensamento judaico e com a compreensão judaica das especulações da lei.

 

3. O autor é testemunha ocular dos eventos que relata:

O autor afirma explicitamente em João 1.14, mesmo que de maneira plural, entendemos que o autor estava presente essa declaração, mas fica evidente em 19.35 que o autor estava presente quando o testeficou estes fatos. Outro detalhe que corrobora com essas afirmações é a maneira que clara e vívida com que o autor relata os eventos: pelas definições cronológica, pela nomenclatura e dos locais e pessoas que estiveram próximos a Jesus no seu ministério e pela grande proeminência de detalhes nas narrativas maiores e nos discursos feitos por Jesus, podemos entender que o outrora era a testemunha ocular desses fatos.

 

4. O autor foi o apóstolo João :

O autor do evangelho com freqüência menciona um discípulo que ele nunca nem só no nome, às vezes chamado de “Outro discípulo”, ou como “O discípulo de Jesus amava” cf. 13.23; 18.15; 19.26; 20.2; e 21.7. no fim do evangelho o autor diz: “Esse é o discípulo que testifica essas coisas; e nós sabemos que sou testemunha verdadeiro” (21.24).

Outra informação importante na busca da autoria do evangelho, é que o autor deste documento apresenta apenas sete dos doze discípulos. Os os discípulos que não são mencionados são: João, Thiago, Mateus, Simão e Tiago filho de Alfeu. Consideradas essas afirmações, somando as evidências de João 1.35 a 41 e 1.41 a 43 em comparação com Marcos 1.16 a 19 percebemos que apenas João e Tiago são pessoas possíveis a serem autores desse documento. Entretanto, não podemos pensar que o autor deste evangelho tenha sido Thiago, uma vez que ele foi martirizado próximo do ano 44. Dessa forma só podemos concluir que João o tenha escrito.

 

 

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 Este artigo é resultado da reflexão do autor deste blog sobre parte do artigo do Louis Berkhof sobre o evangelho de João

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