04.09.08

A relação de similaridade entre Paulo e João

Enviado em Teologia de João tagged , , , às 5:58 pm por Marcelo Berti

Observações ao texto de Rudolf Bultmann (Teologia do Novo Testamento) 

Segundo RB, a visão de que a teologia joanina é o desenrolar áureo da teologia paulina é um erro. Observe o que diz: “A observação de que em João a discussão paulina sobre a lei é de somenos importância, levou muitas vezes, à conclusão errada de que João deveria ser compreendido como o auge do desenvolvimento que vai além de Paulo, no qual as discussões em torno da lei pertencem ao passado (pp.433)“. Para RB a teologia cristã não teve um desenvolvimento monolinear[1].

A similaridade: RB acredita que existe uma similaridade entre os autores em pauta no que diz respeito a atmosfera histórico-religiosa. “Ambos se encontram no espaço helenístico impregnado pela corrente gnóstica, de modo que certa consonância a terminologia não causa admiração (pp.433-4)“.

  1. O uso de “kosmós”: Tanto Paulo quanto João usam o termo no sentido dualista depreciativo. Existe unanimidade quanto ao fato de que kósmos representa o mundo dos humanos.
  2. Redação antitética: João impregna sua redação com afirmações paradoxais e pensamentos essencialmente antitéticos, o que deixa sua obra ainda mais admirável. Entretanto algumas dessas construções antitéticas fazem alguma relação com a teologia paulina:
    • por que não tem a verdade nele, por isso, quando fala a mentira fala do que lhe é próprio] (Jo.8.44); não escrevi a vocês por que vocês não sabem a verdade, mas por que sabem e por que nenhuma mentira provém da verdade (1Jo2.21). Essa característica, forte em João, é perceptível, mesmo em grau menor, na literatura paulina. Em Rm1.25 podemos encontrar a expressão: transformaram a verdade de Deus em mentira. Esse contraste entre o que é da parte de Deus e o que é do mundo, fora de Deus, é perceptível em ambos autores.
    • e a luz brilha nas trevas e as trevas não suportam ela] (Jo.1.5); Eu sou a luz do mundo. Aquele que me segue não andará em trevas] (Jo.8.12). Paralelo parecido é visto também em Paulo: “Das trevas resplandecerá a luz” (2Co.4.6). Ambos exemplos demonstrados aqui tratam apenas de similaridades ocasionais e não recorrentes.
    • e falei de coisas terrenas a vocês e vocês não creram, como crerão se falar a vocês sobre coisas celestiais (Jo.3.12). para que ao nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e debaixo da terra (Fp.2.10).
  3. Cristologia: RB acredita que tanto João quanto Paulo escrevem sobre Cristo influenciados pelo “mito gnóstico da redenção[2]:
    • O Envio do Filho de Deus preexistente em figura humana: Fp.2.6-11 e Jo.1.14
    • O envio do Redentor como evento escatológico: Jo.3.19; 9.39; Gl.4.4. Entretanto, as terminologias empregadas não são correlativas:
      • Paulo não usa expressões escatológicas joaninas como [vir], [ir] (Jo.8.14) e [ser elevado]
      • João também não usa algumas expressões características ca concepção apocalíptica judaica que ocorrem com freqüência em Paulo: [este século] [(Co1.20); [plenitude do tempo] (Gl.4.4); [nova criação] (2Co.5.17; Gl.6.15).
  4. Coincidência na terminologia cristã comum: RB acredita que, devido aos pontos já citados, não é de se admirar que tal coincidência aconteça:
    • Vida Eterna: Ambos autores falam da vida eterna como o bem salvífico. Entretanto, não se fala do reino de Deus (3.3, 5)
    • Caracterização do bem salvífico: Ambos caracterizam o bem salvífico com termos como [alegria] (Jo.17.13; Rm.14.17) e [paz] (Jo.14.27; Rm.14.17). Esses termos são usados por João de maneira singular, “sendo que alegria, paz aparecem como dádivas de despedida de Jesus à comunidade que remanesce no mundo” (pp.434).
  5. Similaridade de vocabulário específico: É consoante entre os autores o uso de termos como [enviar] e [mandar] para o envio de Jesus (Gl.4.4; Rm.8.3), [dar] para sua entrega (Jo.3.6; Rm.8.32) e [glória] (Jo.17.5; Fp.2.9; Jo.3.21) para a concepção da elevação de Jesus a Senhor na glória. Embora seja muito similar o uso desses termos, RB acredita que isso não traça um relacionamento especial entre os autores, apenas reafirma a terminologia cristã comum.

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 Este artigo é resultado da reflexão do autor deste blog sobre parte do artigo do Rudolf Bultmann sobre a Teologia de João

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 [1] Isso é perceptível pelas inúmeras fontes antigas sobre a discussão da teologia e a existência de materiais teológicos não consoantes. O desenvolvimento da teologia sofreu deformidades ao longo do tempo e sua construção estava fadada a especulação humana e preferência pessoal de uma cúpula de pessoas que teriam autoridade para montar a teologia cristã. A diversidade de pensamento no desenvolvimento da teologia cristã é a prova final que foi conturbada sua concepção e polêmica sua definição até os moldes atuais. O que definiu, entretanto, a ortodoxia teológica sempre foi a busca pela defesa das escrituras, e sempre com ela ficamos em todo o processo. Embora, mesmo o desenvolvimento da ortodoxia não tenha sido monolinear, o fundamento básico é o mesmo: Apresso a escritura. Isso é o pressuposto do qual não abro mão.

[2] Quando RB fala do mito gnóstico, acredito que ele tem em mente a terminologia envolvida na proclamação da salvação. Ele afirma: “A terminologia gnóstica serviu sobretudo para expor com clareza o evento salvífico. Segundo ela, o redentor aparece como uma figura cósmica, como o ser divino preexistente, o filho do Pai, que desceu do céu e assumiu figura de ser humano, que de sua atividade terrena, foi elevado à glória celestial e conquistou o domínio sobre os poderes espirituais” (pp.230). Para RB essa construção é vista tanto em Fl.2.6-11 quando em 2Co.8.9. Segundo RB a mensagem do verdadeiro Deus e de Jesus, do Messias-Filho do ser humano, a mensagem escatológica do juízo e salvação que eram propagados com linguagem veterotestamentária deveria necessariamente ser traduzida para uma linguagem que fosse familiar ao mundo helenista. Por essa razão RB acredita que existiu influência na compreenssão da mensagem cristã e no desdobramento no cristianismo helenista por meio da terminologia gnóstica. “Por natureza, um processo desses não acontece sem influência de conteúdo. E assim como o cristianismo helenista foi envolvido no processo sincretista por meio da formação do culto ao ku,rioj, tanto mais isso aconteceu pela formação da doutrina da redenção sob influência gnóstica.” (pp.218).

A relação entre o amor agápe e Deus em 1João

Enviado em 1João, Teologia Própria tagged , , , , , às 4:55 pm por Marcelo Berti

Talvez o mais interessante conceito sobre Deus na Teologia joanina seria o amor de Deus. No quarto capítulo dessa epístola encontramos mais vezes o termo amor que em qualquer outro capítulo nas escrituras. Isso nos leva a concluir que sua visão sobre esse assunto é fundamental para a compreensão correta do cristianismo. Por essa razão vamos nos dedicar a observar esse assunto com atenção nessa epístola.

Deus é amor (agápe)

Talvez a mais importante descrição sobre Deus na Teologia de João seja a que Deus é agápe. Por duas vezes o autor faz isso: “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (4.8); “E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele” (4.16).
Entretanto, mais que identificar a colocação da expressão dentro dos escritos joaninos é compreender o que de fato isso significa. Por isso, precisamos observar alguns fatos sobre o Amor de Deus para tentar compreender seu real significado prático e conceitual.

1. O amor de Deus é completo e independente da criação:

É fundamental compreender esse fato, visto que é comum que pessoas interpretem a criação como uma necessidade de Deus para expressão do Seu amor. Entretanto, a teologia joanina apresenta o fato que o amor de Deus já era ativo antes mesma da criação: “Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo” (Jo.17.24). Dessa forma vemos que o amor de Deus era ativo em direção àquele que é o “Uiós tou Theou”. Outro detalhe é que embora indefinido no tempo, o verbo amou na sentença grega está completo no passado e ativo no presente, o que também sugere que esse amor está além do tempo, e permanece ativo: “Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor” (Jo.15.9); “O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos” (Jo.3.35 cf. 10.17). E mais interessante que isso é que o Filho também tem amor ativo e presente pelo Pai: “contudo, assim procedo para que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço como o Pai me ordenou” (Jo.14.31). Dessa forma, podemos notar que o amor de Deus é independente da criação, completo e ativo.

 

2. O amor de Deus é perfeito:

Uma das declarações que soam interessantes quando falamos em perfeição é que Deus é o modelo último e máximo da perfeição, independente do campo ou ambiente do que se trata. Quando fala em unidade, Cristo pede a Deus que os cristãos sejam aperfeiçoados na unidade (Jo.17.23), e sempre remete ao padrão da perfeição da união da trindade (v.22). No que diz respeito ao amor, na teologia de João podemos encontrar indícios de que o amor de Deus é perfeito, no sentido que nada lhe falta, completo e final. Uma das evidências que temos para isso é que o amor de Deus pode ser aperfeiçoado no cristão, na medida que busca aproximar-se de Deus: “Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus” (2.5); “Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado” (4.12); “E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele. Nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que, no Dia do Juízo, mantenhamos confiança” (4.16-17). Se o amor que procede de Deus pode ser aperfeiçoado na vida do cristão, se ele pode chegar a ser completo em sua vida, deve supor que a fonte de onde ele sai carrega as mesmas características. Se isso é verdadeiro, logo o amor de Deus é completo.

 

3. O amor de Deus é imenso:

Quando falamos que o amor de Deus é imenso, estamos nos referindo ao fato de que Seu amor não tem como ser medido. Deve ser por essa razão que eventualmente João utiliza a idéia de que esse amor é grande: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai” (3.1). A palavra grega para grande (potapós) é sempre utilizada em contexto onde o maravilhar-se está presente, de forma que a expressão em si tem um ar de magnitude. Dessa forma, notamos que o amor que Deus tem é imenso. Outros textos contribuem para essa conclusão: “se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros” (4.11; cf.Jo.3.16). O modo com que Deus amou ao mundo é tão intenso e tão forte, que não foi descrito com uma forma ou quantidade definida, antes, João utiliza um termo que pressupõe a magnitude do mesmo.

 

4. O amor procede de Deus:

Na teologia joanina não existe outra fonte para o amor, se não de Deus: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus” (4.7). A expressão grega deixa bem evidente que o amor vem, procede, sai, emana de Deus (ek tou Theou estin).

 

5. O amor de Deus é manifesto ao mundo:

Uma das verdades sobre o amor de Deus é que, apesar de completo, ativo e independente da criação, Deus decide fazê-lo conhecido ao mundo: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo.3.16). Dessa forma, todos os que são criaturas de Deus podem compreender e conhecer o amor de Deus, até por que o procedimento de Cristo visava testificar esse fato ao mundo (Jo.14.31) e sua história é prova viva desse interesse de Deus.

 

6. O amor de Deus é conhecido em Cristo:

Para João essa verdade é contundentemente clara: “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele” (4.9). Essa mensagem está em consonância com a verdade sobre o Filho e a Obra Redentora realizada por Deus por intermédio de Jesus Cristo. Além do mais: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos”

 

7. O amor de Deus é manifesto aos cristãos:

Uma importante observação à essa altura é que esse amor é apresentado de modo especial para aqueles que o Pai traz a Cristo (Jo.6.37, 44). Em sua oração, Jesus pede ao Pai que seus discípulos sejam unidos e cresçam na unidade com o objetivo que “o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim” (Jo.17.23). A unidade entre os discípulos, o que incluí tanto os onze que estavam com Ele naquele momento e todos os que vieram após eles (Jo.17.20-21) seria o testemunho eficaz de que Cristo havia sido envidado da parte de Deus para esse mundo, e que Deus ama os seguidores de Cristo da mesma forma como ama a Cristo. Essa declaração parece fazer alguma distinção entre o amor que Deus atribui ao mundo e a Seus filhos.

 

8. O amor de Deus é primeiro:

Vale a pena ressaltar que o amor de Deus, que era presente desde a eternidade passada em Jesus Cristo, manifesto Nele e direcionado a Ele, é também direcionado aos que são cristãos: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (4.19). Não pode-se dizer, então, diante da teologia joanina que fomos considerados como filhos por termos sido escolhidos por Deus em função de uma pré-disposição, ou pré-visão de um amor para com Deus, mas sim que, Ele nos amou antes que pudéssemos esboçar qualquer tipo de amor. Aliás, diante da teologia de João fica evidente que não poderíamos esboçar amor a Deus sem que seu amor tivesse sido direcionado e efetivo em nós.

 

9. O amor de Deus é definido em Cristo:

Em alguns lugares na literatura joanina podemos encontrar algumas sentenças que parecem tecer partes da definição desse amor que Deus tem: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (4.10). O amor de Deus consiste em sua ação primeira manifesta completamente em Cristo. Embora não tenhamos uma informação de quando isso aconteceu com certeza, vemos pelo verbo amou que isso aconteceu em algum momento do passado (amou – aoristo). Por outro lado, esse amor é direcionado aos cristãos (nos) de modo que a ação de Cristo foi em favor desses que tem nEle a propiciação dos pecados (Vale o lembrete que essa ação da parte de Deus é estendida ao mundo inteiro -  1Jo.2.2). Outra afirmação que merece nossa observação é que João ainda complementa a idéia do amor de Deus da seguinte forma: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos” (3.16). O amor de Deus é definido pela auto-doação de Cristo pelos cristãos, que deveriam fazer o mesmo. A afirmação final desse verso parece estender em um pouco a concepção de que o amor de Deus é também definido pelo amor que os cristãos devem manifestar.

 

10. O amor de Deus é percebido pela prática cristã:

A literatura joanina apresenta em diversos lugares a preocupação de que aquele que crêem em Cristo como Salvador deveriam esboçar esse amor de Deus nos seus relacionamentos, e que isso seria evidência suficiente do amor de Deus (Jo.17.20-24). Entretanto, parece não ser essa a única preocupação de João, visto que o amor de Deus é que em parte é percebido pelos cristãos: “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele” (4.9). O fato de Deus ter enviado Seu Filho ao mundo é um fato conhecido na teologia joanina, mas a consistência do amor de Deus também está no objetivo a que Ele enviou Seu Filho: Para que os cristãos pudessem viver por meio Dele. Com esse adendo, notamos que o amor de Deus é, por um lado definido por seu envio do Filho, e por outro pelo reflexo deste na comunidade dos que crêem Nele. Contudo, podemos ainda inferir que essa não é toda a concepção que João tem sobre esse assunto: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos” (5.3). Nesse ponto notamos que parte da definição do amor de Deus está na obediência do cristão, sendo isso ainda verificado na segunda epístola de João: “E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este mandamento, como ouvistes desde o princípio, é que andeis nesse amor”. Nesse texto ainda temos a inclusão de que os cristãos deveriam andar nesse amor.

 

11. A questão da posse e da permanência:

Uma das verdades apresentadas com solidez pela teologia joanina é que o não cristão não possui o amor de Deus: “sei, entretanto, que não tendes em vós o amor de Deus” (Jo.5.42). Essa definição apresenta um detalhe sobre o amor de Deus, que mesmo embora seja manifesto ao mundo, não seja efetivo em todos os seres humanos, pois existem aqueles que não tem o amor de Deus. Outro detalhe é que o amor com que Deus amou a Cristo parece ser direcionado de modo específico aos que crêem: “Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja” (Jo.17.26). Essa afirmação é direcionada para aqueles que compreenderam que Deus havia enviado a Cristo (v.25), que foram dados por Deus a Cristo (v.24) e estão nele (v.23), são objetos do amor de Deus (v.23) e que crêem em Cristo por meio da palavra de Deus (v.20). Portanto, confirma-se que o amor de Deus é manifesto de modo especial no cristão. Porém, deve-se ressaltar que esse amor pode não estar no cristão: “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?” (3.17). De algum modo, o cristão pode deixar de ser aperfeiçoado no amor de Deus a ponto de não ter o amor de Deus presente em sua vida. É o que acontece com o cristão que ama ao mundo ou às coisas que estão no mundo: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (2.15). Por essa razão que espera-se que o cristão ame não apenas com palavras, mas “de fato e de verdade” (3.18). Assim, o cristão também deve persistir na permanência no amor de Deus, visto que essa prática é também a garantia da permanência em Deus (4.16).

 

Conclusão

Considerando as informações sobre o amor na literatura joanina, podemos assumir que ao referir-se a Deus como amor, tem todos esses conceitos em mente. Portanto, cremos que de alguma forma a definição de Deus inclui todos esses aspectos, não de forma a limitá-lo, mas na forma de compreendê-lo como Deus. Se isso é verdadeiro, concluímos que Deus é

1. É completo e independente da criação
2. É perfeito
3. É imenso
4. É auto-existente
5. Manifesta-se ao mundo
6. É conhecido por meio de Cristo
7. Manifesta-se de modo especial aos cristãos
8. É ativo e primeiro em sua ação
9. É visto em Cristo
10. É percebido pela prática cristã (madura)
11. Relaciona-se com mais intensidade com o cristão maduro

Dessa forma, podemos compreender um pouco sobre o que João intencionava ensinar ao falar que Deus é agápe.

Análise da Paternidade de Deus em 1João

Enviado em 1João às 4:48 pm por Marcelo Berti

Teologia Própria é a seção do estudo temático da teologia que se ocupa em discorrer sobre a Pessoa do Deus Pai. Na teologia sistemática, teólogos tentam agrupar tantas informações quanto possível sobre esse o conceito de Deus em todas as escrituras e então descrever o que as escrituras ensinam sobre esse Deus. Em nosso estudo, vamos nos deter ao estudo da concepção joanina sobre a teologia cristã.

Um aspecto importante na concepção joanina sobre Deus é a sua paternidade, visto que esse assunto percorre toda a primeira epístola. Sobre esse assunto podemos ver pelo menos 20 declarações apenas na primeira epístola.

Somos nascidos de Deus (Gennaö)

Um dos pontos mais importantes do conceito joanino a respeito da paternidade de Deus sobre os cristãos é que ele a apresenta como uma iniciativa da parte de Deus, sendo isso plenamente verificado por meio da expressão “nascidos de Deus” (usada cerca de 6x): O nascimento não é a realização de um ato de vontade daquele que nasce, mas daquele que o gerou. Esse sem dúvida é um conceito bem apresentado na teologia de João: “os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo.1.13; cf.Jo.3.3; 6, 8 – observe o verbo passivo). Observe que o verso aponta para o fato de que esse nascimento não ocorreu de modo natural (sangue), nem pela vontade da carne ou de um homem qualquer, mas ocorreu de Deus. O que vemos claramente é que esse nascimento veio de Deus e que somos nascidos dele, o que sugere que sua vontade estava ativa muito antes que eu mesmo pudesse crer, e só pude desfrutar dessa filiação a partir do momento em que minha vontade tornou-se compatível com a Vontade de Deus (Jo.6.40).

Para João, todo aquele que “crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus” (5.1), o que sugere que o ato de crer é um resultado da ação de Deus na vida do indivíduo que deposita sua fé em Cristo, visto que o verbo “gennao” é expresso na voz passiva. Ou seja, aquele que crê, sofre a ação de ser nascido da parte de Deus quando passa a crer em Jesus como Cristo. Diante o que sabemos sobre a teologia joanina não podemos atribuir o crer como uma obra natural, mas antes trabalhada por Deus no indivíduo por meio do seu Santo Espírito (Jo.16.8-11).
Outro detalhe que é interessantíssimo na expressão “nascido de Deus” (5.1) é que o verbo “gennao” além de estar na voz passiva, é conjugado na terceira pessoa do perfeito indicativo, o que sugere que a ação além de ser sofrida pelo que crê e realizada ativamente por Deus, sugere que essa ação está completa no passado. Isso está em acordo com o conceito de salvação exposto por Jesus no capítulo 6 do evangelho (Jo.6.37, 44, 65).

Na teologia joanina ainda, a Paternidade de Deus sobre o cristão também é a garantia da sua vitória sobre o mundo (kosmos): “porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo” (5.4; nikeo). Essa expressão de vitória deve ser entendida como uma benção estendida da vitória de Cristo sobre a cruz, e que todos que crêem (5.5) nesse fato são com Cristo habilitados por Deus a vencerem o mundo (cf. Jo.16.33). Como filhos de Deus, os cristãos também são habilitados a vencerem o Maligno (2.13, 14) e os falsos profetas (4.4).

A vitória  (nike) do filho de Deus sobre o mundo é a fé: “e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (5.4). Da perspectiva de João, a vitória do filho de Deus, daquele que Dele é nascido, acontece também contra o Maligno, visto que “aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca” (5.18). Ou seja, através da filiação divina o cristão é guardado por Deus a ponto de inibir a ação maligna na sua vida . Isso implica que, positivamente o cristão vive na prática da justiça (2.29) e negativamente não pode viver na prática do pecado (3.9).

Como é perceptível. a visão de João é radical quanto a filiação a Deus, o que não exclui o que observamos em outros lugares no NT que falam sobre os cristãos que vivem em desacordo com esses valores ensinados por João, e sofrem as conseqüências de não desfrutarem de benefícios da graça como os apresentados por João nesses versos.

Por outro lado, para João aquele que é verdadeiramente nascido de Deus não vive na prática do pecado: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado” (5.18), e de fato, essa é uma impossibilidade para ele: “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (3.9). Por essa razão dedica-se e vive pela prática da justiça: “Se sabeis que ele é justo, reconhecei também que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele”

Esse nascimento da parte de Deus é o que pode garantir que o amor, que é uma expressão da essência de Deus, seja uma expressão real nos relacionamentos entre seus filhos: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus”. Para se demonstrar o amor segundo Deus, devemos desfrutar desse amor como filhos dele, e então sermos habilitados a amar (agápe).

Somos considerados como Filhos de Deus (Tékna tou Theou)

Uma vez que somos nascidos de Deus, passamos a ter o direito de sermos chamados filhos de Deus (Jo.1.12). Esse direito é adquirido pela fé em Jesus Cristo e resultado do amor ativo e primeiro de Deus: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus” (3.1).

Essa é uma importante expressão na teologia joanina, visto que faz uma propositada distinção entre a Paternidade de Deus sobre Cristo e a Paternidade que tem sobre os cristãos. Em nenhum lugar na teologia joanina vemos Cristo ser denominado “tékna tou Theou”, ao passo que os cristãos também não são denominados como “uiós tou Theou”. Essa distinção certamente tem o propósito de dos diferenciar dAquele que é desde o princípio (ap’ arxês) e aqueles que precisam permanecer nele (2.6).

Dessa forma vemos que somos considerados como que “tékna” de Deus. Mas, o que de fato significa ser considerado desse modo? A palavra “tékna” pode ser empregada de vários modos, e em geral, é traduzida para o português como “filho” (cf.Mt.7.11; 10.21; Mc.10.29; Lc.1.7; 1Co.4.14; entre vários outros textos). A palavra “tékna” pode fazer referência a pessoas que tem mesmo ancestral (Mt.2.8; 27.25; At.2.39; 13.33); ou a pessoas que estão próximas a outro ser humano e consideradas como filhos mesmo sem qualquer ligação biológica, mas por uma afeição, como de um mestre por um seguidor, de professor para um aluno (Mk.10.24; 1Co.4.17; 1Tm.1.2; 2Tm.1.2; Fm.10) além de poder denotar um grupo específico de pessoas que são caracterizadas por determinada qualidade (1Pe.1.14; Ef.5.8) ou desventura (2Pe.2.14; Ef.2.3).

Entretanto, nenhuma dessas colocações estão compatíveis com a descrição que João dá aos cristãos ao denominá-los como “filho de Deus”. Na literatura paulina, vemos que ele também emprega essa expressão afim de descrever pessoas que compartilham características com divindade (Fp.2.15; Ef.5.1) e são por isso consideradas como adotadas por Deus (Rm.8.16, 21; 9.7, 8; Ef.1.5). Essa visão sobre a terminologia parece compatível com a descrição joanina da filiação que o cristão tem em Deus. Resta-nos, então, observar como essa expressão pode ser entendida na teologia joanina.

Como é bem observável, esse compartilhar de características com a divindade, também é visto em outras entidades espirituais na teologia joanina: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai” (Jo.8.44). Mesmo que a expressão “tékna” não aconteça nesse texto, vemos que existem pessoas cuja filiação se dá com o diabo, o que na primeira epístola de João fica muito bem estampado: “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo” (3.10). Assim, deve-se considerar que a filiação ao diabo é diametralmente oposta a filiação a Deus e que as características daquele que é pai é visível naquele que lhe é considerado como filho: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo.8.44). Assim, aqueles que são filhos do diabo são vistos por praticarem o que é pertinente ao diabo: ” todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão” (3.10). Se essa oposição conceitual é verdadeira, aquele que é filho de Deus deve ter (desenvolver, buscar) as características daquele que é seu Pai, o que em grande parte é a admoestação de João em sua primeira epístola (1.5ss; 2.3-6; 2.9ss; 2.15-17; 3.7-10; 3.16-18 etc).

Portanto, na concepção joanina, Deus é pai daqueles que realizam sua vontade (Jo.6.40; cf. 5.1) e demonstram em sua vida uma busca por compatibilidade com o caráter Dele (3.10ss). Aquele não apresenta características de Deus em sua vida não pode ser considerado como filho (3.14) e é apresentado com características daquele que é o pai da mentira: “Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si ” (cf. Jo.8.44).

Há ainda uma declaração de esperança para aqueles que são verdadeiramente filhos de Deus, visto que eles não atingiram a estatura de Cristo enquanto filhos de Deus, mas vivem na expectativa do dia em que isso vai acontecer: “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (3.2). Essa esperança e expectativa no futuro é certamente um norte para o proceder saudável do cristão enquanto filho de Deus no mundo.

Somos de Deus e pertencemos a ele (ek tou Theou)

O resultado de ter sido nascido de Deus e considerado como filho Dele é que nós somos considerados como que propriedade de Deus, ou seja, que nós pertencemos pessoalmente a esse Deus que nos demonstra Seu amor em Cristo Jesus.

A convicção joanina sobre o pertencer a Deus é estampada na declaração: “Sabemos que somos de Deus” (5.19). A expressão “somos de Deus” é a tradução para o fraseado grego “ek tou Theou”. O fato de ser identificada como uma expressão no genitivo nos faz considerar duas possibilidades sobre o significado dela. A primeira, que parece consistente com a teologia joanina, é que a declaração expressa o sentido de procedência de Deus. Esse tipo de uso acontece no evangelho de João: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo” (Jo.7.17). Aqui vemos que Jesus apresenta com a expressão “ek tou Theou” a possibilidade da doutrina que Ele apresenta vir da parte de Deus, como Jesus mesmo testifica (v.16).  Tal conceito é visto também na primeira epístola de João, quando diz: “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão” (3.10). A questão da procedência de Deus, ou a não procedência, está em pleno acordo com a teologia joanina (4.1-3, 7; cf. 3Jo.1.11), mas não abrange todas as ocorrências da expressão na primeira epístola.

Por isso, devemos considerar a segunda possibilidade para a expressão “ek tou Theou” em 5.19, a saber, que aqueles que são nascidos de Deus, são seus filhos e pertencem a Ele. A tradução “somos de Deus” da ARA é bem acurada, e representa o sentido apregoado pela expressão grega.

A equiparação entre o pertencer a Deus e Sua paternidade sobre o cristão também pode ser vista pelo resultado que promove: “Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (4.4). Assim como na declaração de Paternidade, o pertencer a Deus significa vencer os falsos profetas, visto que Aquele que nos possui é maior do que aquele que está no mundo.

Por essa razão é que devemos estar atentos com a questão da procedência dos espíritos, pois eles podem não proceder de Deus e, portanto, nunca poderiam ser pertencidos por Ele: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora; Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo” (4.1-3).

Além disso, aqueles que pertencem a Deus tem sua audição inclinada aos ensinos dos apóstolos e pode receber aquilo que dizem: “Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro” (4.6). Deve-se creditar isso à vitória concedida por Deus em função da filiação e pertencimento pessoal a Deus. E como resultado disso, estamos em uma situação oposta a situação desse mundo que está morto no maligno: “Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno” (5.19).

Essa é a grande razão pelo qual não somos amados (Jo.15.18) por esse mundo (Jo.15.19), pois ele pertence ao Maligno, e nós pertencemos a Deus. Estamos nesse mundo (Jo.17.15), mas não somos dele (Jo.17.14, 16); antes, fomos comprados dele por meio de Cristo para estarmos e pertencemos a Deus, pois éramos de Deus (Jo.17.6-8)

A permanência de Deus no cristão (menö)

No relacionamento efetivado com Deus como Pai, por meio da fé em Jesus Cristo, o último ponto a ser observado na teologia joanina é que Deus permanece no cristão: “Aquele que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele, em Deus” (4.15). A confissão que João parece estampar aqui é a mesma reação que foi observada nos samaritanos no período do ministério público de Jesus Cristo: “Já agora não é pelo que disseste que nós cremos; mas porque nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo” (Jo.4.42; soter tou kosmou), visto que no contexto imediato do texto lemos: “E nós temos visto e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo” (4.14; sotera tou kosmou).

Entretanto, além da consciência de que Cristo é o Salvador do Mundo é necessário confessar que Jesus é o Filho de Deus, expressão que será estudada quando falarmos a respeito de Cristo, que apresenta o relacionamento entre o Pai e o Filho (uiós), que atesta para sua divindade. Isso uma vez realizado, pode efetivar a permanência de Deus no cristão.

Essa permanência de Deus no cristão é plenamente verificada pelo Espírito que outorgou aos que crêem em Cristo como Filho de Deus, Messias vindo em carne, como podemos verificar: “Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele, em nós: em que nos deu do seu Espírito” (4.13; cf. 3.24). O ato de Deus doar o Seu Espírito é a garantia da sua permanência no cristão.

Contudo, a permanência do cristão em Deus pode ser condicional ao seu comportamento diante dele, pois observe o que ensina João: “E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus, nele” (3.24a). Nesse trecho percebemos que a reciprocidade de permanência encontra-se na obediência do cristão aos mandamentos de Cristo. Não há permanência em Deus sem obediência, entretanto a garantida da permanência de Deus no cristão é garantida pela presença do Espírito que Deus nos deu, como João atesta na continuação de verso: “E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu” (3.24b).

Esse conceito é também observado com relação a manifestação do amor de Deus pelo cristão: “Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado” (4.12; cf. 4.16).

Portanto, concluímos que Deus permanece no cristão a partir do momento do depósito da fé, mas a permanência do cristão em Deus é condicional ao seu comportamento em relação a sua filiação (cf. Jo.15.1-5 – considere nos prejuízos do mau cristão).

Introdução à Primeira Epístola de João

Enviado em 1João às 4:40 pm por Marcelo Berti

Autor:

João, discípulo amado, irmão de Tiago, filho de Zebedeu.

Destinatários:

Cristãos (2.12-14, 21; 5.13).

É possível que João tenha alguma familiaridade com os cristãos a quem escreve:
2.1: A expressão “Meus filhinhos” parece bem paternal e expressa que existe alguma intimidade entre escritor e destinatário.
2.7,8: “Amados” também parece uma expressão de proximidade pessoal entre autor e destinatários
2.12-14: A definição de categorias de pessoas (Filhinhos, Pais, Jovens) parece sugerir que o autor tem em mente pessoas específicas
2.26: João estava familiarizado com problemas que os seus destinatários estavam sofrendo e escreve os alertando.
5.13: A clara identificação da categoria maior dos seus destinatários parece sugerir proximidade pessoal entre autor e destinatários.

Data:

90-95 d.C.

Situação:

Situação Externa: Os cristãos a quem João escreve estão enfrentando o assédio da heresia e presenciando o aparecimento de “anticristos” que pervertiam a fé e cristãos próximos aos leitores a quem João destina sua carta.

Situação Interna: Pelas advertências que João tece em sua primeira epístola, é possível que esses cristão haviam sofrido com o ataque dos “anticristos” e precisavam ter sua convicção soteriológica reafirmada. Por isso João gastou tanto de sua epístola apresentando de modo simples a possibilidade de ser convicto da própria fé.

Versículo Chave:

“E este é o testemunho: Deus nos deu a vida eterna, e essa vida está em seu Filho. Quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho de Deus, não tem a vida. Escrevi-lhes estas coisas, a vocês que crêem no nome do Filho de Deus, para que vocês saibam que têm a vida eterna” 1João 5.11-13 (cf. 1.3, 4; 2,12-14; 1.9; 2.28)

Tema:

Amor, segurança da salvação, comunhão, heresia, obediência, fé.

Propósito:

Conduzir os crentes ao pleno desfrute da comunhão espiritual e da certeza de salvação pessoal, apresentando os critérios que definem a genuína comunhão cristã com um Deus santo e amoroso.

Mensagem:

A medida da comunhão de um indivíduo com Deus é sua experiência crescente do caráter divino em sua vida (Carlos Osvaldo Pinto, Telogia Bíblica do Novo Testamento. Materila não publicado).

Pontos Notáveis:

1. Em 1 João Deus é apresentado como Luz, Amor e Vida. Seu interesse é que seus leitores tenham comunhão com esse Deus evidenciada por um andar em Luz:

a. Santidade – 1.5-2.2
b. Obediência – 2.3-6
c. Amor – 2.7-11

2. Em sua primeira carta, João deixa três provas chaves para a realidade da minha fé/comunhão com Deus:

a. Vida Justa
b. Obediência
c. Amor

3. João deixa evidente suas razões ao escrever sua epístola:

a. 1.4: “Escrevemos estas coisas para que a nossa alegria seja completa”
b. 2.1: “Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem”
c. 2.26: “Escrevo-lhes estas coisas a respeito daqueles que os querem enganar”
d. 5.13: “Escrevi-lhes estas coisas, a vocês que crêem no nome do Filho de Deus, para que vocês saibam que têm a vida eterna”

4. Observe como João utiliza o contraste de idéias para se expressar:

a. Luz X trevas;
b. Verdade X mentira (falsidade)
c. Amor X ódio
d. Amor pelo Pai X amor pelo mundo
e. Cristo X anticristo
f. Filhos de Deus X filho do Diabo
g. Justiça X pecado
h. O Espírito de Deus X espírito do anticristo
i. Vida X morte

5. Na primeira epístola de João a Cristologia tem grande destaque:

a. Eterno (pré-existente) (1.1,2; 2.13)
b. Cristo veio em carne, foi humano (1.1; 4.2; 5.6)
c. Manifestação da Vida (1.2;)
d. Vida Eterna (1.2; 5.12)
e. Sangue purificador (1.7)
f. Intercessor junto ao Pai (2.1)
g. Justo (2.1, 29)
h. Propiciação pelos pecados (2.2; 4.10)
i. Nome de Cristo como responsável pelo perdão (2.12)
j. Cristo se manifestará no futuro; voltará, de modo visível e real (2.28; 3.2)
k. Objetivo na 1ª. vinda era para retirar os pecados e destruir as obras do Diabo (3.5, 8; 4.14)
l. Isento de pecado (3.5)
m. Exemplo final para o amor (3.16)
n. Manifestação do amor de Deus (4.9)
o. Filho unigênito de Deus (4.9; 15)
p. Verdadeiro Deus (5.20)

6. As heresias combatidas por João nessa epístola estavam relacionadas com a pessoa de Cristo

7. João parece ter deixado evidente as heresias que combate com essa epístola:

a. Docetismo: Idéia que defendeu que Cristo não era ser humano, ele apenas pareceu humano (verbo grego dokeo)
b. Cerintismo*: Acreditavam que o Cristo (messias, logos) desceu sobre o homem Jesus no dia do seu batismo e ficou até antes da crucificação; Jesus era resultado de Maria e José
c. Gnosticismo: Ideologia em desenvolvimento, também chamada de proto-gnosticismo. Segundo essa ideologia a matéria é má por essência e por essa razão Jesus tinha duas naturezas: humana e divina. A salvação para o gnóstico vem a partir do conhecimento.

Curiosidades:

1. 1 João não cita o AT, mas faz uma referência a Caim;
2. Não possui introdução, bênção ou conclusão;
3. É um livro com muita polêmica;
4. Um livro muito focado na vida cristã;
5. 1 João 4 usa mais a palavra amor do que qualquer outro capítulo do NT;
6. Tanto vocabulário quanto estilo são muito simples, mas seu conteúdo é muito profundo;

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* Cerinto, um herege, ensinou que Jesus era humano, mas ao ser batizado, o “Cristo” na forma de pomba, desceu sobre ele. Na cruz, o “Cristo” o deixou, e ele morreu sozinho, como homem.  No texto de  “Atos de João”, apócrifro do segundo ou terceiro século, “Jesus” revela a “João” o que realmente aconteceu com ele na crucificação:
“E assim eu o ví sofrer, e não esperei por seu sofrimento, mas parti para o Monte das Oliveiras e chorei sobre o que veio a se passar. E quando ele estava pendurado sobre a cruz na Sexta-feira, na sexta hora do dia, veio uma escuridão sobre toda a terra. E meu Senhor ficou no meio da caverna, iluminando-a disse: “João, para o povo lá em baixo em Jerusalem, Eu estou sendo crucificado e perspassado com lanças e espinhos, e estão me dando vinagre e bílis para beber. Mas para você Eu estou falando, escutai o que eu digo. Eu coloquei em tua mente para vires a esta montanha para que possais ouvir o que um discípulo deve aprender de seu mestre e homem de Deus”
“Esta cruz então é aquela que unificou todas as coisas pela palavra e que as separou do que é transitório e inferior, e que também compactou coisas dentro de mim. Mas esta não é aquela cruz de madeira que você deverá ver quando descer daqui; nem eu sou o homem que está sobre aquela cruz”

Distância entre João e os sinóticos

Enviado em Teologia de João às 4:30 pm por Marcelo Berti

Observações ao texto de Rudolf Bultmann (Teologia do Novo Testamento)

Para determinar a posição histórica de João é necessário levantar uma comparação entre os evangelhos sinóticos e o evangelho de João. RB em uma nota de roda pé aponta para a possibilidade de que o autor do evangelho não seja necessariamente o autor das epístolas. Também considera a possibilidade de que poderia ter sido fruto da escola de João. Embora não possa demonstrar, RB acredita que João não teria conhecido qualquer dos evangelhos sinóticos. Entretanto, “ele conhece a tradição trabalhada neles” (pp.431). Evidências desse ponto são percebidas em alguns ensinos de Jesus, alguns milagres e especialmente na história da paixão.

a. Redação a partir de fontes em estágio avançado: Em relação a teologia dos sinóticos, o relato dos milagres (em especial) parece ter sofrido um desenvolvimento além do que é relatado nos evangelhos sinóticos. O ponto de partida dessa informação está no estilo da redação: Os milagres que eram narrados nos sinóticos como fatos, em João tomam um sentido simbólico ou alegórico, sendo que, tais fatos servem de ponto de partida para discursos ou discussões. Essa estrutura literária traça um quadro totalmente diferente dos encontrados nos relatos sinóticos.

b. Estrutura do relato das conversas e discursos de Jesus: Nos sinóticos vemos breves diálogos “didáticos ou de controvérsia, nos quais Jesus dá a resposta aos que tem perguntas honestas ou aos adversários com um breve dito categórico” (pp.431). Entretanto, João valoriza os discursos de Jesus com discursos prolongados, que além de serem introduzidos por milagres (em geral), são constituídos por afirmações paradoxais (aqui usei o termo paradoxal em preferência ao termo usado por RB “ambíguos”): nascido do alto (3.3), água vida (4.10) entre outros. Nos sinóticos vemos ditos encadeados. Em João eles são exposições coesas sobre determinados temas. Nesses discursos é possível perceber, entretanto, a influência da tradição sinótica: 2.19; 4.44; 12.25ss; 13.16, 20; 15.20.

c. Temas diferentes dos tratados nos sinóticos: Segundo RB, em João Jesus não se apresenta como Rabi (mestre da lei), interessado nas discussões sobre a lei, nem como profeta que anuncia o Reino de Deus. Ele é, acima de tudo, Aquele que fala de sua pessoa como do revelador que Deus enviou. Não fala sobre assuntos “judaicos” por excelência como pureza, divórcio, contra a justiça própria ou a inverdade, mas aponta para a natureza de sua missão que traz paz ao mundo, e denuncia a falta de fé nele, como Aquele que é o salvador do mundo. Mesmo em situações próximas as testemunhadas nos sinóticos, como na acusação da transgressão do mandamento do sábado (cp. 5 e 9), podemos perceber alguma diferença: O foco. Nos sinóticos a discussão parece centrada na questão da lei e de sua validade para o ser humano (Mc.2.23-3.6), que no evangelho de João é centrada na autoridade de Jesus como Filho de Deus.

d. Ausência de Parábolas: Nos sinóticos a presença das parábolas é parte integrante dos discursos, o que eventualmente constituem os discursos de Jesus. Em João as parábolas faltam totalmente. Em contrapartida em João temos grandes discursos figurados, como o do pastor (cp.10) e o da videira (cp.15). RB acredita que na “imagem simbólica, apresentam Jesus como revelador. Eles pertencem ao grupo de palavras e discursos que recebem seu caráter pelo  ‘evgw, evimi’ do revelador, e que não tem analogias nos sinóticos” (pp.432).

e. Reestrutura do relato da paixão: Fato interessante nesse ponto é que percebemos similares diferenças entre os sinóticos e o 4º. evangelho, pois mesmo onde soam parecidos percebemos diferenças. Nos sinóticos vemos na cena da ceia que antecede a prisão de Jesus, como a oportunidade para instituir a celebração da ceia, mas no 4º. evangelho é o início de grandes discursos de despedida que não tem ponto de comparação nos sinóticos. “Os diálogos perante o sinédrio e Pilatos são totalmente modificados, bem como o relato da crucificação, que termina como o tete,lestai do revelador”.

f. Distinção do papel de João Batista: Nos sinóticos João Batista é o pregador do arrependimento, enquanto em João é a testemunha a favor de Jesus como Filho de Deus.

g. Distinções sobre a comunidade primitiva: Enquanto nos sinóticos percebe-se alguma preocupação com o destino, problemas e a fé da comunidade primitiva, em João não nota-se nada disso. As questões sobre a validade da lei, a vinda do Reino de Deus não estão presentes. Não parece mais atual o problema da missão aos gentios (compare Jo.4.46-54 e Mt.8.5-18 e Lc.7.1-9). A história da mulher samaritana, que poderia ter sido explorada do ponto de vista dos sinóticos (a validade da missão aos gentios como parte legítima da obra de Cristo), foi apresentada como a relação entre fé e milagre.

h. Distinção de ênfase no que se refere às profecias: Segundo RB, o cumprimento das profecias parece insignificante (em comparação com os sinóticos). Esse assunto está presente apenas em 2.17; 12.142, 38, 40; 13.18; 15.25; 19.24, 36s. É possível que esteja presente também em 6.31, 45.

i. Foco geral: Para RB o foco sobre o qual é constituído o evangelho de João é a situação atual da comunidade primitiva, cujo problema está na desavença entre Judaísmo e Cristianismo e seu tema é a fé em Jesus como Filho de Deus. Tal fato é claramente percebido pela própria apresentação de Jesus como alguém já destituído da própria nacionalidade, pois fala da lei dos judeus (“vossa lei”) como um estranho a ela (cf. 8.17; 10.34; 7.19, 22). Não existe em João uma distinção clara entre tipo de judeus (pecadores, publicanos, escriba pescadores) mas são tratados como vIoudaioi diferenciados somente entre ov,cloj e nos líderes, também distintos entre av,rcountej ou av,rciepeij ou Farisaioi, que são identificados como autoridades públicas (7.45, 47s; 11.47, 57). “Além disso, para João os ‘judeus’ são os representantes do ‘mundo’ por excelência, que nega a fé a Jesus” (pp.433)

Evangelho de João – Louis Berkhof

Enviado em Evangelho de João às 4:05 pm por Marcelo Berti

Louis Berkohof
LIVRO: Introdução ao Novo Testamento.

Conteúdo

 1. O advento e encarnação no logos (Jo.1.1-13)
2. O logos encarnado – a única forma de vida no mundo (1.14-6.71)
3. O logos encarnado – a vida e a luz, em conflito com trevas espirituais (7.1-11.54).
4. O logos encarnado – salvando a vida do mundo através da morte sacrificial (11.55- 19.42)
5. O logos encarnado -a ressurreição dos mortos, Salvador e Senhor de todos os crentes (20.1-21.25)

 

Características

 

1. O Evangelho de João enfatiza mais do que os outros a Divindade de Cristo:

O ponto de partida do evangelho não é histórico, como nos sinóticos, mas é enforcado na eternidade. O início do livro já apresenta essa característica, quando diz: “No princípio era o Verbo, e a imensa o Verbo estava com Deus, eu verbo era Deus”. No evangelho de João não encontramos descrição da sua genealogia, do seu batismo ou da sua tentação. Entretanto, no evangelho de João, de João Batista testifica a sua divindade, diferente do que acontece nos evangelhos sinóticos. O ministério de João Batista é enfocado no batismo para o arrependimento e na sua posição anterior ao Messias. Jesus Cristo, como Filho de Deus, entra em cena proclamando desde o início sua divindade 3.13; 5.17; e 6. 32,40 ). os milagres de Jesus, narrados no evangelho de João, em geral enfatizam a proeminência do seu poder divino e 4.46; 5.5; 9.1; 11.17 ).

 

2. No o evangelho de João os ensinos de Cristo são predominantes:

Embora os ensinos de Cristo tem um grande lugar nos evangelhos sinóticos, no evangelho de João eles têm um lugar de destaque na estrutura do livro, mas de maneira um pouco distinta. Ao invés de encontrarmos ensinamentos paradoxais, parábolas ou grande destaque para o ensino sobre o Reino de Deus, em João vemos que os discursos de Cristo são longos e confrontativos. Em contraste com os evangelhos sinóticos, o foco não está sobre o Reino de Deus, mas sim sobre a pessoa do Messias. em conexão com os milagres de Jesus Cristo apresentou-se como fonte da vida,4.46, nourishment of the soul, 6. 22- 65, como água da vida,4.7-16; 7.37-38; como verdadeiro libertador, 8.31-58; como a luz do mundo, 9.5,35 41 e o princípio vivo da ressurreição, 11.25-26. Próximo o fim do livro, além de grandes informações práticas e do seu relacionamento pessoal com um dos cristãos, encontramos  claras referências sobre o advento do Parácleto.

 

3. O cenário de ação no Evangelho de João é um pouco diferente:

os evangelhos sinóticos encontramos grande participação do ministério de Cristo apresentado na galiléia, e seu ministério Jerusalém aparece apenas perto dos últimos dias com os discípulos. já João coloca em evidência, tanto trabalho quanto ensino de Jesus na Judéia e e particularmente em Jerusalém. João apresenta com alguns detalhes das festas judaicas: três festas de páscoa (possivelmente quatro ) 2:13; 5.1; 6.4; 13.1; festa do tabernáculo 7.2; e festa da dedicação 10.22.

 

4. O evangelho de João é mais definindo que os sinóticos na sua pontuação do tempo e locação dos acontecimentos:

De um certo modo, o evangelho de João parece mais cronológico que os outros evangelhos, e distinção com que apresenta a localidade dos acontecimentos do ministério de Jesus, dão a impressão que o autor do evangelho é muito preciso as suas considerações. através do relato de João, podemos descobrir as localidades por onde Jesus passou: Bethânia 1.28; Caná 2.1; Cafarnaun 2:12; Jerusalém 2.13 e assim por diante. outro detalhe interessante é que a designação de tempo é muito acurada, e eventualmente até as horas do dia são citadas. outro detalhe interessantíssimo é o valor que o autor dá a cronologia dos fatos. veja os detalhes entre o primeiro e o segundo capítulo.

 

5. O estilo e no quarto evangelho é muito diferente dos outros evangelhos :

a exceção da introdução e de poucas partos no decorrer do texto encontramos grande influência da língua hebraica no texto de João. LB afirma que João ” se aproximam do estilo dos estertores do antigo testamento mais do que qualquer autor do Novo Testamento tenha feito”. Podemos notar que o termo utilizado por João é de excelente qualidade entretanto não encontramos grande sentenças ou sentenças complexas e também inclui algumas palavras em aramaico: rabi, Messias, amen amen lego soi, rabbatha, khfas, rolyotha.

 

Autor

A voz da Antiguidade parece ser unânime ao atribuir o quarto evangelho a João. LB encontra apenas uma exceção em um de chamado Epiphanius. Entretanto das evidências internas apontam para a autoria de João:

 1. O autor era judeu:

Certamente,  o autor tem íntimo conhecimento do antigo testamento a ponto de não conhecer apenas a tradução da LXX, mais o terço na sua linguagem original, com evidente em algumas das suas citações do antigo testamento. O fato de o autor escreveu em grego, não compromete sua identificação como judeu, pois suas construções literária usam muitos paralelismos, e todos têm influência hebraica. Luthardt afirma o seguinte: “Existe e uma alma hebraica e viva na linguagem do evangelista”.

 

2. O autor era um judeu palestiniano:

O modo de escrever de João mostra claramente que ele está em casa quando estar em um mundo judaico. Ele é claramente habituado com os costumes judeus e com cuidado religioso requerido pela lei, sem contar que parece compreender com facilidades o mundo e pensamento judaico e com a compreensão judaica das especulações da lei.

 

3. O autor é testemunha ocular dos eventos que relata:

O autor afirma explicitamente em João 1.14, mesmo que de maneira plural, entendemos que o autor estava presente essa declaração, mas fica evidente em 19.35 que o autor estava presente quando o testeficou estes fatos. Outro detalhe que corrobora com essas afirmações é a maneira que clara e vívida com que o autor relata os eventos: pelas definições cronológica, pela nomenclatura e dos locais e pessoas que estiveram próximos a Jesus no seu ministério e pela grande proeminência de detalhes nas narrativas maiores e nos discursos feitos por Jesus, podemos entender que o outrora era a testemunha ocular desses fatos.

 

4. O autor foi o apóstolo João :

O autor do evangelho com freqüência menciona um discípulo que ele nunca nem só no nome, às vezes chamado de “Outro discípulo”, ou como “O discípulo de Jesus amava” cf. 13.23; 18.15; 19.26; 20.2; e 21.7. no fim do evangelho o autor diz: “Esse é o discípulo que testifica essas coisas; e nós sabemos que sou testemunha verdadeiro” (21.24).

Outra informação importante na busca da autoria do evangelho, é que o autor deste documento apresenta apenas sete dos doze discípulos. Os os discípulos que não são mencionados são: João, Thiago, Mateus, Simão e Tiago filho de Alfeu. Consideradas essas afirmações, somando as evidências de João 1.35 a 41 e 1.41 a 43 em comparação com Marcos 1.16 a 19 percebemos que apenas João e Tiago são pessoas possíveis a serem autores desse documento. Entretanto, não podemos pensar que o autor deste evangelho tenha sido Thiago, uma vez que ele foi martirizado próximo do ano 44. Dessa forma só podemos concluir que João o tenha escrito.

 

 

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 Este artigo é resultado da reflexão do autor deste blog sobre parte do artigo do Louis Berkhof sobre o evangelho de João

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