04.11.08
Tradução comparada – 1João 1.1-3
Nesse artigo tenho a intenção de realizar uma comparação dos três primeiros versos da primeira epístola de João, entre o texto grego do novo testamento (WHO), minha tradução pessoal (TMB) e a versão das Testemunhas de Jeová, conhecida com Tradução do Novo Mundo (TNM). O objetivo para esse tipo de avaliação é apresentar a nítida alteração do texto grego para fins teológicos realizada pelos tradutores da TNM.
O texto grego utilizado nesse artigo é o texto de Westtcot e Hort[1], que segundo o prefácio da edição de 1963 das Escrituras Gregas Cristãs é o “famoso texto grego (…), que se harmoniza com os mais antigos manuscritos gregos“. Texto que também foi chamado de “texto autorizado” no mesmo prefácio. Como o objetivo não é uma discussão sobre crítica textual, vamos apenas ficar com a declaração da própria obra.
Sobre o texto da TNM, Ray C. Stedman diz o seguinte:
“Um exame detido, que vá além da aparência superficial de exegese, revela uma verdadeira trapalhada de fanatismo, preconceito e predisposição tendenciosa que viola todas as regras de criticismo bíblico e todos os padrões de integridade acadêmica“[2]
Anthony Hoekma atestou:
”A Tradução do Novo Mundo da Bíblia não é de modo nenhum uma tradução objetiva do texto sagrado para Inglês moderno, mas é em vez disso uma tradução tendenciosa na qual muitos dos ensinos peculiares da Watchtower Society são introduzidos sorrateiramente no texto da própria Bíblia[3]“
H.H. Rowley parece ser bem incisivo nesse assunto:
”A tradução é marcada por um literalismo empedernido que só vai exasperar qualquer leitor inteligente – se é que algum dos seus leitores é inteligente – e em vez de mostrar a reverência que os tradutores dizem ter pela Bíblia, é um insulto à palavra de Deus… este volume é um exemplo brilhante de como a Bíblia não deve ser traduzida[4]“
Vale lembrar que o texto em português da TNM é uma tradução do inglês, e por apenas essa condição não merece tanta credibilidade, como parece apresentar. Entretanto, como é grande o avanço dessa versão e da corrupção que ela promove, vale uma observação detalhada de sua sagacidade e entorpecimento mental que promove por ser explicitamente mal intencionada e malfadada em sua realização.
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1João 1.1

TMB O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam com respeito ao Verbo da Vida
TNM Aquilo que era desde [o] princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos olhos, o que temos observado atentamente e as nossas mãos têm apalpado, com respeito à palavra da vida
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Comentário
Nesse pequeno verso das escrituras podemos ver uma primeira distorção que poderia colocar em risco a concepção cristã da pré-existência de Cristo. Entretanto, a tradução é tão infeliz que não podemos ao certo compreender o que intencionavam os responsáveis por essa tradução.
Observe que o texto da TNM inicia com a seguinte declaração: “Aquilo que era desde [o] princípio“. Segundo essa leitura podemos supor que existe “algo” (não alguém) que existe desde o início. Na literatura joanina a expressão “ap`arxes” tanto pode apontar para a criação (Jo8.44; 1Jo.2.13) como para o início do cristianismo (Jo.15.27; 1Jo.2.7, 24). Assim, a versão TNM aponta para aquilo que existia desde o início do mundo (coexistente com Deus), ou do início do cristianismo. De qualquer modo, é preciso inferir que tal opção sugere que João teria ouvido, visto, observado e apalpado (observe o presente contínuo) algo que aponta para a palavra da vida.
Esse “objeto” que pode ser ouvido, visto, observado e apalpado é algo de tamanha importância que precisou ser apresentado como introdução de uma epístola. Que objeto seria esse que em nenhum outro lugar nas escrituras temos conhecimento? Seriam escritos do próprio Cristo?
O que vemos nesse texto é a inabilidade de um tradutor em adaptar um texto às suas convicções e produzir uma aberração. Por que não optou por descaracterizar a expressão “logôu tou zoês” (traduzido por palavra da vida) do fim da frase? Provavelmente por que seria explícito demais mexer com o texto dessa forma.
A verdade sobre a expressão “ho en ap` arxês” é que até poderia (em outro contexto) ter sido traduzida como “aquilo que era desde o princípio” visto que o pronome relativo “ho” pode ser traduzido como: aquilo, aquele, que, o que. Provavelmente, o tradutor mal intencionado, aproveita-se dessa brecha para inserir sua visão sobre o assunto na “tradução” que pretende realizar.
Entretanto, a regra geral do pronome relativo grego é que ele concorda em gênero e número com o substantivo ou pronome a que se refere. Eventualmente, é definido por um verbo, substantivo ou preposição que o governa (Mt.2.9; At.17.3; Rm.2.29). Se isso é verdadeiro, deveríamos esperar algum substantivo que fosse neutro e singular para que pudesse aceitar a opção neutra de “aquilo”. Entretanto, não encontramos no texto nehum substantivo neutro, o que torna infeliz a opção do débil tradutor desse texto. A grande pergunta, então, é: A que se refere o pronome relativo?
A sentença grega é montada com uma seqüência de mais três pronomes relativos acompanhados de verbos (no passado – perfeito e aoristo) que caracterizam o objeto de referência dos pronomes relativos. O que se pode esperar então é que, o pronome relativo que acompanha a expressão “que era desde o principio” faça referência ao “logôu tou zoês”, traduzido por Palavra da Vida pela TNM.
Se isto é verdadeiro, temos que considerar que a tradução TNM está equivocada, pois deveria ter sido traduzida do seguinte modo: “Aquela que era desde o princípio, a que temos ouvido, a que temos visto com os nossos olhos, a que temos observado atentamente e as nossas mãos têm apalpado, com respeito à palavra da vida“.
Desse modo, ao menos, a tradução teria mais coerência. Entretanto, qual é a razão para considerar a expressão “logôu tou zoês” como “Verbo da Vida”, ou em uma referência pessoal a Cristo?
A partir desse momento, temos que nos valer da literatura joanina[5]. No evangelho de João, vemos que o autor emprega uma expressão muito similar a encontrada em 1Jo.1.1 em referência ao Logos: “No princípio era o Verbo” (en arxê en hó lógos). Nessa expressão vemos que o mesmo verbo conjugado da mesma forma, o substantivo “princípio” no dativo no evangelho, e no genitivo na primeira epístola, detalhe que apresenta a única diferença entre as duas citações: a preposição. No evangelho João usa a preposição “en” ao passo que na primeira epístola utiliza a preposição “apó”[6].
Entretanto, nenhuma diferença significativa pode ser retirada dessa distinção, o que fortalece a opinião de que João faz uma referência pessoal ao nomear Cristo de Logos da Vida na introdução de sua carta. Por esta razão traduzi o termo como Verbo com letra maiúscula, pois dado o contexto literário do autor, não pode-se descartar sua terminologia.
Entretanto, essa não é a única razão que nos faz inferir na conceituação do Logos da Vida, como pessoal, pois os verbos, ouvir, ver, contemplar e apalpar parecem ser introdutórios aos problemas que serão abordados na epístola no que se refere a pessoa de Cristo. Um detalhe importe aqui é que o verbo apalpar (pselafáo) é mesmo verbo encontrado na narrativa de Lucas de uma das aparições de Cristo após a ressurreição (Lc.29.34).
A soma dessas observações parecem nos dar respaldo suficiente para compreendermos a expressão Logos da Vida como uma alusão a Cristo, o que tornaria todos os pronomes relativos masculinos e singular, diferente do que nota-se na versão TNM.
Portanto, conclui-se que a TNM é tendenciosa em sua pseudo-tradução nesse verso e suprime as evidências textuais e impõe ao texto suas convicções anti-cristãs.
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1João 1.2

TMB e a vida foi manifestada, nós vimos, testemunhamos e proclamamos a vós, a vida eterna que estava com Deus e foi manifestada a nós
TNM (sim, a vida foi manifestada, e nós temos visto, e estamos dando testemunho, e relatamos a vós a vida eterna que estava com o Pai e nos foi manifestada,)
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Comentário
Nesse verso não vemos uma tradução com evidências de alteração coordenadas pela teologia da igreja Testemunha de Jeová. Entretanto, temos uma observação a fazer:
- Verbos na sentença:
- Ver: O verbo para ver utilizado por João para ver é o verbo “oraö” no perfeito do indicativo ativo na primeira pessoa d plural. Isso significa que a ação relatada pelo autor não refere-se a algo que foi visto no passado e permanece sendo vista no presente, como sugere a expressão “temos visto” da TNM. Mas, refere-se a algo que aconteceu no passado, como a ARC, ACF, NVI e a BJ sugerem. Entretanto, é preciso lembrar que essa é a opção da ARA, também conceituada tradução.
- Dar Testemunho: O gerúndio da TNM não é uma opção agradável ao texto, até por que o verbo “marturéo” está no presente do indicativo ativo na primeira pessoa do plural, que traduzido literalmente fica “testemunhamos”. Não se pode dizer que a opção da TNM é uma afronta ao texto, mas que na sua busca ser idiomática, foi traduzida aos moldes dos atendentes de telemarketing.
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1João 1.3

TMB o que vimos e ouvimos vos anunciamos, a fim de que vós também tenhais comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo
TNM aquilo que temos visto e ouvido também vos estamos relatando, para que vós também possais ter parceria conosco. Além disso, esta parceria nossa é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo
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Comentário
Nesse verso vemos novamente o problema da identificação do pronome relativo. Nesse verso em especial, parece não haver necessidade para tornar novamente neutro o pronome relativo grego. Da mesma forma que não haveria necessidade para a tradução “temos visto” para o verbo “oraö” nem o gerúndio para o verbo anunciar (relatar).
Entretanto, esses mesmos detalhes já foram comentados e não há necessidade de fazê-los novamente. O que nos chama a atenção nesse verso em particular é o uso da palavra “parceria” no contexto relacionado a Deus a Jesus Cristo como tradução da palavra koinonia.
Não existe nada de errado em utilizar o termo “parceria” como tradução de koinonia. Aliás, o conceito de parceria faz parte do campo semântico da palavra em questão, como podemos perceber nesse verso: “fazendo sempre, com alegria, súplicas por todos vós, em todas as minhas orações, pela vossa cooperação no evangelho, desde o primeiro dia até agora” (Fp.1.4-5 – ARA). O termo em destaque é o a tradução do substantivo grego koinonia. Para esse termo a BJ traduziu nesse texto como “participação“, tornando ainda mais próxima a tradução do conceito apresentado pela TNM.
A pergunta que é levantada é: “A palavra ‘parceria’ comporta o significado do relacionamento estabelecido entre Deus e o cristão?” ou “Será que existe equivalência entre o relacionamento de Paulo com os cristãos de Filipos com o relacionamento estabelecido por Deus com seus filhos?“.
A opinião do autor desse artigo é que o termo “parceria” não é suficiente para representar o que João pretende expor sobre o relacionamento entre Deus e o homem. Muito embora o conceito de parceria faça parte do campo semântico de koinonia, ele não comporta o que João intenciona apresentar nesse verso.
Parceria sugere co-agência, co-participação, cooperação, conceitos que não podem ser aplicados ao início do relacionamento entre Deus e os cristãos. Quando Deus propõe-se a relacionar-se com o homens ele o faz por meio de alianças monérgicas, iniciadas, mantidas e dirigidas exclusivamente por Ele.
Nesse sentido, o relacionamento entre Deus e os cristãos nada tem de parceria, mas de recebimento, graça. A partir do momento que somos salvos podemos ser “cooperadores” (sunergós) com Deus (1Co.3.9) a medida que realizamos com Ele nosso ministério.
Se a intenção de João fosse apresentar algum conceito semelhante a esse, teria utilizado um termo semelhante a esse. É por essa razão que existem termos diferentes para situações diferentes. Se João utilizou o termo “koinonia” que quis dizer?
O termo koinonia, de uso raro na literatura de João (3x. 1Jo.13, 6, 7), pode descrever um relacionamento de proximidade, íntimo e pessoal. Esse termo já foi utilizado na LXX em um contexto de casamento como mais íntimo relacionamento entre seres humanos (3Mc.4.6). Mesmo embora, não exista correlação apropriada entre o relacionamento entre Deus e os homens e casamento, é de comum acordo que o casamento não um contrato de parceria, mas de relacionamento de proximidade e comunhão. Nesse sentido, podemos achar alguma equivalência entre ambos relacionamentos.
De alguma forma, os tradutores da TNM tem certa dificuldade com o termo “koinonia”, visto que é comum alterarem o sentido do termo. Observe o caso de At.2.42: “Eles continuavam a devotar-se ao ensino dos apóstolos e a partilhar [uns com os outros], a tomar refeições e orações“. É evidente nesse trecho que os tradutores resolveram retirar o conceito de convívio ou relacionamento que aponta “koinonia” para apontar um auxílio mútuo, que é apresentado no verso 44 com o termo “koinós” (cf. At.4.32).
Talvez o repúdio por um termo que expresse algum tipo de relacionamento de proximidade, intimidade e pessoalidade ligado ao termo grego “koinonia” seja a relação que esse termo tem com o Espírito Santo, que os TJ insistem em afirmar sua impessoalidade. Por duas vezes (ao menos) no NT vemos essa relação apresentada, observe o que Paulo diz: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2Co.13.14 – ARA; cf. Fl.2.1)
[1] Nesse artigo não vamos considerar os problemas textuais da versão de WHO, visto que a intenção é mostrar como a TNM é maliciosa. Não é intenção do autor deste artigo defender a sacralidade do texto de WHO, mas apontar a desgraça da versão TNM.
[2] Stedman, R.C., “The New World Translation of the Christian Greek Scriptures,” Our Hope 50; Julho, 1953.
[3] Hoekema, A., The Four Major Cults (Exeter: Paternoster, 1963)
[4] Rowley, H.H., “Jehovah’s Witnesses’ Translation of the Bible,” The Expository Times, Janeiro 1956.
Todas as citações acima foram encontradas no site: http://corior.blogspot.com/2006/02/traduo-do-novo-mundo-e-os-seus-crticos.html#n22 no dia 27/02/2008
[5] Muitos teólogos tem debatido a questão do termo Logos na literatura joanina, de modo que muitos não atribuem o termo a Cristo. Alguns até acreditam que o primeiro capítulo do evangelho de João (onde a teologia do logos é fundamentada) é um adendo posterior ao livro. Dentre esses há ainda quem diga que tal capítulo é uma espécie de hino cristão antigo que foi introduzido no texto do evangelho. Em grande parte a rejeição de alguns teólogos sobre a Teologia do Logos dá-se pelo fato de que em nenhum outro lugar na literatura joanina, ou neotestamentária Cristo é denominado como Logos. Esse assunto será pormenorizado em um artigo sobre esse assunto na seção de teologia de João. Por ora, fica a opinião do autor deste artigo, de que o primeiro capítulo do evangelho é parte integrante do texto do quarto evangelho e que não há razões objetivas para desacreditar o texto desse modo. É ainda convicção do autor, que 1Jo.1.1 é um reflexo de Jo.1.3.
[6]Diante dessa distinção, alguns comentaristas atestam que o primeiro verso da epístola (assim como toda ela) é obra de um imitador, visto que João não poderia confundir as duas preposições. Tal opinião não passa de uma grande tolice, visto não ter respaldo histórico ou teológico para tal. Essa opção, também será discutida com mais atenção em um artigo sobre a autoria joanina comum entre evangelho e a primeira epístola
altair disse,
26 Janeiro , 2009 às 2:14 pm
quero saber se as mudanças dos artigos defenidos por artigos indefido pode ser notada na tradução,e refutada com a traduçao grega?pois é latente isso na Traduçao do Novo Mundo.Se possivel mande para meu email esse estudo.
Marcelo Berti disse,
3 Março , 2009 às 5:52 pm
Altair,
Me passe seu e-mail atual, pois o que tive acesso parece não estar funcionando.
Podemos conversar mais sobre o assunto.
Rubens disse,
8 Abril , 2009 às 8:29 pm
“Eu leio nos idomas originais da Biblia o hebraico e o grego koine e posso garantir que é sem dúvida nenhuma a melhor tradução da Biblia.
A Tradução do Novo Mundo é isenta de arcaismos e de inexatidões.Ao passo que a maioria das traduções da biblia são cheias de arcaismos ,inexatidões e até mesmo erros ou falta de tradução de termos que não entenderam depois de escrutinio.
Tornou-se disponível em português, em 1963. Depois disso, as Escrituras Hebraicas foram traduzidas para o inglês, sendo que a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Hebraicas foi publicada progressivamente, em 5 diferentes volumes, a partir de 1953.
O texto hebraico massorético, usado na preparação do texto das Escrituras Hebraicas é o Códice de Leningrado B 19A, conforme apresentado na Bíblia Hebraica de Rudolf Kittel (sigla BHK), na 7ª, na 8ª e na 9ª edição (1951-55). Uma actualização desta obra, conhecida por Bíblia Hebraica Stuttgartensia (sigla BHS), Edição de 1977, foi usada na sua actualização e no sistema de notas da Edição de 1984.
Em 1989, o professor Benjamin Kedar, de Israel, disse:
“Em minha pesquisa linguística relacionada com a Bíblia hebraica e suas traduções, várias vezes eu consulto a edição em inglês do que é conhecido como Tradução do Novo Mundo. Ao fazer assim, confirmo repetidamente meu conceito de que essa obra reflecte um esforço honesto de obter uma compreensão do texto tão precisa quanto é possível. Dando evidência de amplo domínio da língua original, verte inteligivelmente as palavras originais para um segundo idioma sem se desviar desnecessariamente da estrutura específica do hebraico. (…) Toda a declaração linguística permite certa latitude de interpretação ou de tradução. Assim, a solução linguística em qualquer dado caso pode ser discutida. Mas, eu nunca descobri na Tradução do Novo Mundo intento preconceituoso de dar ao texto uma interpretação que este não contenha.”
Também, o erudito e crítico bíblico britânico Alexander Thomson, por ocasião do lançamento do primeiro volume da “Tradução do Novo Mundo das Escrituras Hebraicas”, escreveu:
“São pouquíssimas as traduções das Escrituras Hebraicas vertidas do idioma original para o inglês. Portanto, dá-nos muita satisfação acolher a publicação da primeira parte da Tradução do Novo Mundo, de Génesis a Rute. Esta versão fez evidentemente esforço especial de ser muitíssimo fácil de ler. Ninguém poderia dizer que é deficiente na sua novidade e originalidade. A sua terminologia não se baseia de forma alguma na de versões anteriores.
O periódico Andover Newton Quarterly, de Janeiro de 1963, disse a respeito da tradução das Escrituras Gregas Cristãs:
“A tradução do Novo Testamento é evidência da presença, no movimento, de peritos habilitados a lidar de forma inteligente com os muitos problemas da tradução bíblica.”
Posso citar um exemplo interessante em Deut 10:4 onde a frase hebraica “dez palavras” no hebraico foram vertida de modo afetado por “dez mandamentos” pela maioria dos tradutores mas não a versão da Tradução do Novo Mundo.
Que verteu corretamente a frase hebraica “dez palavras” a saber “asereth ha devarim”.
Outro exemplo é Mat 5:30 onde a palavra grega geena foi vertida erroneamente em muitas traduções por “inferno”.Ao passo que a TNM verteu “geena” corretamente.
Se fosse “inferno” em Portugues , então teriamos em grego a palavra Hades e esta não aparece ali em Mat 5:30 bem como outros versiculos onde ocorre a mesma palavra.
A TNM não deu sua interpretação ao verter esta porção do texto inspirado, antes a traduziu corretamente.
Uma notavel caracteristica é a tradução uniforme da TNM onde alma do hebraico nephesh é vertida “alma” em portugues.Isso em todas as ocorrencias da palavra “alma” nos manuscritos padrões.
Isso faz o entendimento do leitor aumentar e a compreensão de como se usou tal termo ao se escrever se torna claro e inequivoco devido ao principio da uniformidade de tradução.
É uma excelente ferramenta de comparração textual para aqueles que estudam os idiomas originais devido a integridade e literalidade da tradução que é em muitos sentidos a melhor disponivel em Português atualmente.
Sem falar na melhora adicional de não substituir nomes por palavras a bel prazer.
Jeová (IHVH) no original não foi vertida por “SENHOR” visto que os Profetas e servos inspirados de Deus usavem o Nome ao invéz de titulos de uso comum.
Sendo assim , por meio da TNM notamos que não existe a frase “SEnhor dos Exercitos” nos originais.Antes, a frase “Jeová dos Exercitos”.
Não adianta dizer o contrário, o texto hebraico desabona as traduções que substituiram o nome pelo titulo”SENHOR”.
Para se ter o gosto do original qulquer estudioso serio deve ter a TNM e ler com profunda convicção de que possue o que há de melhor em tradução da Biblia.
Até mesmo Manuscritos antigos confirmam que a ‘palavra ” ou o “verbo” era “um Deus” .Isso em Manuscrito antes do 3º século onde o idioma usava o artigo indefinido.(Vide: Ms Copta )
Marcelo Berti disse,
14 Abril , 2009 às 9:32 am
Li tudo o que você escreveu (ou copiou – não me interessou pesquisar tudo o que você postou, pois não tenho tempo para isso agora) e confesso ter gostado da forma como você apresenta seu apreço pela TMN. Não descarto a possibilidade que a TMN tenha boas traduções, apenas tenho a impressão que a TMN é mais influenciada por Teologia que Gramática, erro que os evangélicos também comentem (sobre isso veja a discussão entre ARC e NVI na internet).
Não discordo de você que muitas das traduções da ARA, ARC, ARF e várias outras seja infelizes em vários lugares (aliás, poderia aumentar a sua lista com diversas outras ocasiões). Só não confunda seu apreço irrestríto ao texto da TMN ao meu apreço por qualquer outra tradução ou defesa dos tradutores de bíblias evangélicas.
Entretanto, apelo para sua capacidade investigativa. Nos seus comentários você afirmou (copiou) várias informações sobre João 1.1 e exemplos no VT, mas não falou nada sobre 1Jo.1.1, o texto que comentei no Blog. Por favor, me mostre onde em 1Jo.1.1 eu estou errado.
Mas, permita-me ser um pouco mais ousado nas minhas questões a você: Você que deve ser conhecedor de crítica textual (pois cita versões coptas), acadêmico (pois cita vários eruditos que defendem a TMN) e conhecedor de diversos idiomas (pois cita em vários idiomas Jo1.1), por favor me diga: Quantos manuscritos antigos (seja papiro, uncial, minúsculo, lecionário ou citações patrísticas) que usam o artigo indefinido como aquele exemplar copta que você mencionou? E por favor, por uma questão de princípio acadêmico, cite suas evidências e fontes, senão vou ficar com a impressão de que sua observação é muito tendenciosa.
Obrigado.
Rubens disse,
8 Abril , 2009 às 9:02 pm
Será que a avaliação da TNM aqui neste blog informa de modo imparcial ou desinforma de modo preconceitso ?
Vários Eruditos reconhecem que a TNM verteu João 1:1 dentro das regras da gramática grega e nos Estados Unidos muitos Eruditos tem sido mais cauteloso ao falar contra a suposta “tradução de quem não conhecia hebraico nem grego”.
Há uma infinidade de traduções da Biblia que reconhecem que o verbo ou a palavra ERA UM DEUS.
A TNM não pode ser condenada visto que o grego koine revela que uma construção articular não ocorre em João 1:1 c e a TNM verteu de acordo com o contexto ds Escrituras que revelam que Jesus era o “Filho de Deus” , parte “da criação de Deus” Apoc 3:14 e não o próprio Deus “com quem estava”.João 1:1
João o batizador disse : “E eu o ví e dei testemunho de que este é o Filho de Deus”Joao 1:34 NÃO O PROPRIO DEUS.
Atos 9:20 nos mostra que Paulo “começou a pregar imediatamente,nas sinagogas, a pregar Jesus, que este é o Filho de Deus” O Proprio Jesus afirmou em João 6:38:
“Desci do céu nao para fazer a minha vontade , mas a vontade daquele que me enviou”
Traduções da Biblia que reconhecem que o verbo ou a palavra ERA UM DEUS:
No princípio era a palavra , e a palavra estava com o Deus e um Deus era a apalavra. (Interlineary Word for Word English Translation-Emphatic Diaglott)
Harwood, 1768, “e era ele mesmo uma pessoa divina”
Newcome, 1808, “e a palavra era um Deus”
Thompson, 1829, “e o logos era um deus”
Goodspeed, 1939, “e a palavra era divina”
Moffatt, 1972, “e o logos era divino”
Translator’s NT, 1973, “e a palavra estava com Deus e partilhava sua natureza”
Barclay, 1976, “e a natureza da palavra era a mesma natureza de Deus”
Schneider, 1978, “e de especie divina era o logos”
Schonfield, 1985, “e a palavra era divina
Madsen, 1994, “e a palavra era um ser divino”
Stage, 1907, “Das Wort war selbst gttlichen Wesens” [e a palavra era ela mesma um ser divino].
Bhmer, 1910, “Es war fest mit Gott verbunden, ja selbst gttlichen Wesens” [It was strongly linked to God, sim era um ser divino]
Thimme, 1919, “Gott von Art war das Wort” [um tipo de deus era a palavra]
Baumgarten et al, 1920, “Gott (von Art) war der Logos” [Um tipo de Deus) era o Logos/logos]
Holzmann, 1926, “ein Gott war der Gedanke” [UM DEUS /god was the Thought/thought]
Rittenlmeyer, 1938, “selbst ein Gott war das Wort” [ELA MESMA UM DEUSgod was the Word/word]
Lyder Brun (Norw. professor of NT theology), 1945, “Ordet var av guddomsart” [A PALAVRA ERA DE TIPO DIVINO]
Pffflin, 1949, “war von gttlicher Wucht [ERA DE TIPO DIVINO]
Albrecht, 1957, “gttlichen Wesen hatte das Wort” [SENDO DIVINDADE/being had the Word/word]
Smit, 1960, “verdensordet var et guddommelig vesen” [the word of the world ERA UM SER DIVINO]
Menge, 1961, “Gott (= gttlichen Wesens) war das Wort”[God(=SENDO SEMELHANTE A DEUS) was the Word/word)
Haenchen, 1980, "Gott (von Art) war der Logos" [TIPO DE DEUS) was the Logos/logos]
Die Bibel in heutigem Deutsch, 1982, “r war bei Gott und in allem Gott gleich”[ELE ESTAVA COM DEUS E EM TUDO IGUAL DEUS]
Haenchen (tr. By R. Funk), 1984, “diVINO (DE CATEGORIA DIVINA)ERA O Logos”
Schultz, 1987, “ein Gott (oder: Gott von Art) war das Wort” [UM DEUS/DEUS (DEUS/DEUS OU UM TIPO DE DEUS) ERA A PALAVRA/PALAVRA].
Marcelo Berti disse,
14 Abril , 2009 às 9:23 am
Mais uma vez, obrigado.
Apenas apelo para sua capacidade investigativa: Defenda segundo as escrituas gregas seu entendimento de Filho de Deus: Por que a nomenclatura Filho de Deus não evidencia a divindade de Cristo?
Sobre o assunto, por favor, leia o artigo do blog: O uso de monogenes em referência a Cristo.
Agora sobre a tradução de Jo.1.1, suponho que sua apresentação (do onde quer que você a tenha copiado) evidencia seu apreço pela tradução: “E o logos era um deus”. Suponhamos que essa tradução seja correta, Jesus é uma espécie de deus inferior a Jeová? É isso mesmo que você defende? Se isso é verdadeiro na sua opinião chego a considerá-lo politeísta, estou errado? Por quê?
Espero sua resposta aqui no Blog.
Rubens disse,
8 Abril , 2009 às 9:13 pm
Olhe o que foi postado aqui ::::::
Vale lembrar que o texto em português da TNM é uma tradução do inglês, e por apenas essa condição não merece tanta credibilidade, como parece apresentar (FIM DA CITAÇÃO)
O Motivo para se desacreditar a TNM aqui foi o fato desta ter sido vertida do Inglês ????? Isso é claramente um argumento falacioso que só apanha incautos preconcebidos.Mas não os que se dedicam com esmero a pesquisa investigativa.
O espírito antagonico e preconceituoso destas afirmações são evidentes. Não explica por exemplo que várias versões em outros idiomas traduzem da mesma maneira que a TNM diversos versículos apresentados. Por que ?
Simples, ódio e preconceito contra as Testemunhas de Jeová e divergencias teologicas.Ocorre porém que a Igreja Evangélica que na sua maioria em massa apoiou regimes totalitários como o Nazismo e outros, não tem como esconder a inveja das Testemunhas de Jeová que brilham como VERDADEIROS ILUMINADORES NO MUNDO APARTADO DE DEUS.
Marcelo Berti disse,
14 Abril , 2009 às 9:09 am
Rubens,
Muito obrigado por seu comentário. Comentários críticos também são bem vindos aqui no Teologando. É boa sua observação sobre a frase: “Vale lembrar que o texto em português da TNM é uma tradução do inglês, e por apenas essa condição não merece tanta credibilidade, como parece apresentar“. Infelizmente, não escrevi um artigo para desacreditar a TMN, escrevi fiz uma comparação sobre o texto. O que quis dizer com essa frase é que em uma retradução perde-se muito mais do que em uma tradução. Qualquer lingüista sabe disso. Por isso ressalto que o foco da minha expressão nessa frase está sobre: “por apenas essa condição não merece tanta credibilidade, como parece apresentar“. Se você for honesto irá perceber que não falei que a TMN não tem credibilidade, enfatizei que não tem TANTO quanto dizem os Testemunhas de Jeová.
Mas, por favor, por que meu argumento é falacioso? Sua acusão veio desprovida de evidências. Também peço que me você mostre por que só os Testemunhas de Jeová tem Esmero com a Pesquisa investigativa. Com essa sua observação vou começar a pensar que só vocês tem inteligência e honestidade suficiente para realizar um trabalho de tradução. Por favor, responde-me.
Um grande abraço.
Rubens disse,
14 Abril , 2009 às 12:35 pm
Prezado,
Afirmaste:
“a nomenclatura Filho de Deus não evidencia a divindade de Cristo.”
Porque não? Como entenderiam esta declaração simples, pescadores e pastores ou as pessoas do dia a dia no primeiro século?
Atos 9:20 diz que assim que Paulo foi convertido “saiu imediatamente a pregar que Jesus é o Filho de Deus.”
João o Batizador afirmou e “deu testemunho de que Este (Jesus) é o Filho de Deus ”
Observe o que lemos em João 1:34 onde reza:
“E eu [o] vi e dei testemunho de que este é o Filho de Deus.” O próprio Cristo ao indagar aos Apóstolos sobre quem era ouviu Pedro responder:
Em resposta, Simão Pedro disse: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo.” Mat 16:16.
Jesus, segundo Pedro não era o Próprio Deus Vivo, mas “o Filho Dele”
O Próprio Cristo afirmou:
“porque desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”
A apresentação de várias traduções/tradutores que optam pela versão de João 1:1 “e a palavra era um deus” foi para mostrar que o grego koine não só permite esta tradução, como também é a mais correta a expressar o que João, o Apostolo tinha em mente.
O próprio Apostolo João escreveu que “Estas foram escritas para que creiais que Jesus é o Cristo , o Filho de Deus” (Não o Próprio Deus com quem estava.)
Moisés foi chamado de Deus em Exodo 7:1 ,
Por conseguinte, Jeová disse a Moisés: “Vê, eu te fiz Deus para Faraó, e Arão, teu próprio irmão, se tornará teu profeta
Juizes foram assim chamados no Salmo 82 :6 de forma que a palavra “Deus” (Elohim) assume nas escrituras Sagradas um sentido diferente do que é normalmente usado hoje na mente de Teólogos e líderes religiosos.Elohim é um substantivo comum.
Pode ser aplicado a qualquer coisa (Fil3:19) ou pessoa (2 Cor. 4:4) que tenha poder ou exerça poder sobre outros.
Os Judeus se referem a juizes humanos assim no sal 82 ….eram politeístas ?????
O Salmo 8 usa a palavra Deus com referencia a anjos. Era Davi politeísta ????
Moises foi chamado de Deus. Devido ao poder que recebeu. Jesus citou o salmo 82 e mencionou tais Juizes que foram chamados de “deuses”.São deidades ou “poderosos” devido a posição que possuem de autoridade e certo poder.
Portanto com muito mais propriedade DEVE o filho de Deus Jesus, ser assim chamado e de fato é em João 1:1 Isaias 9:6.
Marcelo Berti disse,
14 Abril , 2009 às 12:38 pm
Rubens,
Sua insistencia em usar os mesmos textos me sugere que isso é tudo o que você tem. Seu desvio da pergunta feita me sugere que você não saiba responder a pergunta. Por isso, respondo suas colocações feitas aqui e espero sua resposta a pergunta que já havia feito no e-mail anterior: Defenda segundo as escrituas gregas seu entendimento de Filho de Deus: Por que a nomenclatura Filho de Deus não evidencia a divindade de Cristo? A pergunta é sobre a razão, motivo, evidenciado no grego do Novo Testamento.
Ainda aguardo sua resposta.
Bom, sobre a nomenclaura vamos por parte (aqui uso apenas a TMN):
Atos 9.20: “começou imediatamente, nas sinagogas, a pregar Jesus, que Este é o Filho de Deus”. Se essa expressão fala apenas sobre filiação no sentido familiar, os pescadores do primeiro século não deveriam se perguntar quem era a mãe? Se Filho expressa apenas relação familiar de procedência, Deus teria gerado a Jesus como um quase Deus? Ele seria uma espécie de Hércules, um semi-deus resultado de uma divindade maior (Zeus-Deus) e um ser humano (Alcmena-Maria)? Será que um judeu como Paulo aceitaria uma afirmação desse tipo? Bom, vamos ao texto grego, senão vamos ficar apenas tagarelando: “καὶ εὐθέως ἐν ταῖς συναγωγαῖς ἐκήρυσσε τὸν ᾿Ιησοῦν ὅτι οὗτός ἐστιν ὁ υἱὸς τοῦ Θεοῦ“. Dois fenômenos devem ser destacados aqui:
(1) O uso do artigo defino. Isso significa que o texto não fala de qualquer um, mas DO FILHO DE DEUS, como ninguém pode ser, o único. Se seu grego for elementar vai entender essa afirmação. Mas essa não é a mais importante;
(2) o termo usado para Filho é huiós. Puxa… você que sabe grego sabe que existem duas palavras para descrever um filho: tékna e huiós. Tékna é usada como descrição de descendência familiar ou discipular (1Timóteo 1.2), mas Jesus é apenas chamado de huiós no NT. Não seria isso no mínino interessante. O termo descreve o filho de direito e não necessariamente o filho de geração. Será que isso não significa nada. Você que sabe grego deveria se informar. Mas, devemos ser honestos, pois a opinião de Paulo sobre Cristo não está exclusivamente nessa expresão, não é verdade?! Observe o que a mesma pessoa diz sobre Jesus: “Todas as [outras] coisas foram criadas por intermédio dele e para ele” (Cl.1.16). Os tradutores da TMN aqui foram bem felizes no seu objetivo de acrescer ao texto o que ele mesmo não diz. Você, que entende grego, sabe muito bem que colchetes significam que o texto entre eles não é parte do original. Para que isso fique evidente, olhe você mesmo: “τὰ πάντα δι᾿ αὐτοῦ καὶ εἰς αὐτὸν ἔκτισται·”. Mas, deixando a inserção teologicamente motivada, o que significaria assumir que Jesus é o criador de todas as coisas? Se você está certo, um semi-deus, meio humano meio deus (seja como você quiser) é antigo o suficiente e poderoso o suficiente para ser criador. Aliás, o próprio Jesus afirma sua antiguidade quando diz: “Jesus disse-lhes: “Digo-vos em toda a verdade: Antes de Abraão vir à existência, eu tenho sido” (Jo.8.58). Puxa vida… mais uma tradução muitíssimo mal feita, veja o texto grego: “ἀμὴν ἀμὴν λέγω ὑμῖν, πρὶν ᾿Αβραὰμ γενέσθαι ἐγώ εἰμι“. O verbo eimi (ser) está no presente do indicativo ativo, e significa que deveria ter sido traduzido por “Eu SOU”, como Jeová se identifica com alguma frequencia (veja Ex.3.14), não é verdade? Nesse texto, Jesus afirma sua igualdade com Deus, e isso foi tão bem entendido pelos judeus do primeiro século que eles “Apanharam assim pedras para lhe atirarem; mas Jesus se escondeu e saiu do templo” (Jo.8.59). Por que razão um judeu atiraria pedra em alguém? Por questão de blasfêmia. Ou seja, eles entendiam muito bem o Jesus estava falando… Mas, por que alguém mudaria a forma verbal de um caso tão claro como esse? Só por motivos teológicos, pois não existe nenhuma exigência gramatical que exija tal alteração. Isso confirma o que já te falei, a TNM é orientada por Teologia não Gramática. Querido, saiba que digo isso não por inveja, nem preconceito, mas por que infelizmente a TMN esconde a verdade em más traduções em questões sobre Cristo e o Espírito Santo, goste você ou não.
Mateus 16.16: “Em resposta, Simão Pedro disse: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente”. Nesse texto, não focarei na idéia do Filho, por que acho que acima já deixei transparecer minha opinião. Vamos considerar a expressão Cristo. O que significa um judeu chamar outro de Cristo? Você que conhece grego e parece conhecer hebraico sabe que a palavra Χριστὸς é a tradução da palavra hebraica
x;yvim; (é provavel que a fonte distorça – perdão) (veja João 1.42). Messias, ou Cristo, era anunciado por todo o Velho Testamento como Felipe mesmo testemunha: “Filipe achou Natanael e disse-lhe: “Achamos aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e os Profetas: Jesus, filho de José, de Nazaré.””. Mas quem era esse? Bom, os profetas quando falam de um Messias usam expressões que declaram claramente que esse seria Deus: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o domínio principesco virá a estar sobre o seu ombro. E será chamado pelo nome de Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz” (Isaías 9.6). Puxa, devo reconhecer que aqui temos uma boa tradução. Mas, como um menino que nasceria seria Deus Poderoso e Pai Eterno? O Messias foi chamado assim… Cristo foi chamado de Messias…. Será que Pedro está pensando em um deus(inho) mesmo?! Pense como quiser, a verdade é que essa compreensão da verdade depende da ação do próprio Deus, como o mesmo texto diz: “Jesus lhe disse, em resposta: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque [isso] não te foi revelado por carne e sangue, mas por meu Pai, que está nos céus”. Infelizmente, a teologia TJ é infeliz em centralizar sua opinião sobre a expressão Filho enquanto rejeita a expressão Cristo. É triste, mas é verdade.
Bom, poderia escrever mais, mas cansei e acho que você tem muito por digerir até aqui. Caso tenha condições para responder, manifeste-se, pois percebo pelo que escreve que sua argumentação é pobre e fraca. Tenho a impressão que seus estudos no grego ou hebraico ou são limitados ou inexistentes, o que permite que você mesmo não possa comprovar a motivação teológica por traz da TMN. Se você me acha preconceituoso, me perdoe… não o sou… Eu não tenho qualquer resistencia ou deferência a um Testemunha de Jeová, mas não concordo com a teologia TJ e muito menos com a aberração que produziram a TMN. Mas, você como TJ tem que abraçar as duas coisas, pois se a TMN cair a teologia TJ deixa de existir, e se você quer manter-se TJ deixe de discutir essas questões com pessoas de outras opiniões e escute apenas seu líder e sua TMN.
Tenho convicção que todas as evidências que pudesse associar para evidenciar que a TMN é tendenciosamente direcionada por teologia e não gramática não seriam suficientes para convencê-lo disso, pois dela depende sua fé, e nada é mais forte que a fé (cega ou não, verdadeira ou não). Por isso, encerro esse e-mail com o genuíno desejo de que você possa ser impactado pela verdade e compreenda que Jesus é o Cristo, Deus Vivo, Eterno e Único caminho para a Salvação.
Um grande abraço
Rubens disse,
7 Maio , 2009 às 10:41 am
Por que a nomenclatura Filho de Deus não evidencia a divindade de Cristo?
Prezado, agradeço por ter reservado tempo e energia a fim de responder.Mas antes de eu postar qualquer coisa eu gostaria de te perguntar de onde tirou a idéia de que Cristo não é uma divindade ? Eu jamais afirmei que Cristo NÃO É DIVINO.
Se Moisés foi chamado de Deus (Ex. 7:1)
Anjos são assim chamados no salmo 8.
Juizes foram chamados de deuses (elohim).Por que então Jesus com muito mais propriedade não deve ser chamado assim também ?
Sim, claro que Jesus é uma divindade.O próprio João disse que o palavra é divina ou um deus. (Ms Copta)
Quanto sua explicação sobre a palavra grego huios. O SR disse que huios é de “uso exclusivo no NT para Jesus “.Achei outros também que são chamdos assim.
Lembra-se dessa frase ? Δαυ?δ υ?ο? ?βραάμ Mateus 1:1 ?
Ζαχαρίου υ?ο? Βαραχίου … … …e quanto a mat 26:37 ?? κα? το?ς δύο υ?ο?ς Ζεβεδαίου Lucas 5:10 exclarece : ?άκωβον κα? ?ωάννην υ?ο?ς Ζεβεδαίου
ou ainda João 4:5 ? ?ακ?β τ? ?ωσ?φ τ? υ?? α?το?· Temos que ser honestos …a expressão filho de Deus indica que Jesus é alguém diferente assim como Jacó é diferente de José e menor em tempo de existencia assim como estes dois eram um em relação ao outro.A Tese de “Deus filho” é inescrituristica.E a repetição que fiz dos mesmos textos onde aparece a expressão oposta só acentuou isso.
Considere a possibilidade dessa doutrina ser falsa. Pense bem, nem a palavra, nem a idéia de Trindade aparecem na Bíblia. Será que esse ensino não pode ser uma armadilha de Satanás, para que as pessoas difamem o santo Nome e a personalidade do Criador, mesmo sem querer?
Em Exodo 3:13 a expressão eu sou não existe na Biblia Hebraica.A frase hebraica que ocorre ali é :
Eh-yeh Asher Eh-yeh.
A tradução da Biblia usada pelas testemunhas de Jeová não é de forma nenhuma a única a verter João 8:58 da maneira que verteu.
E muitas outras versões da Biblia vertem corretamente por “mostrarei o que eu mostrar ser ou ainda torna-me-ei o que eu me tornar.
A expressão em João 8:58 é muito diferente daquela usada em Êxodo 3:14.
Jesus não a usou como nome ou título, mas sim como maneira de explicar a
sua existência pré-humana.
A palavra hebraica “eh-yeh”, deriva do verbo hebraico “há-yah”, “vir a ser; “tornar-se”; “mostrar ser”. E segundo alguns, “Eh-yeh” está no imperfeito na primeira pessoa do singular, significando “virei a ser; tornar-me-ei; mostrarei ser”.
Jesus respondia a várias declarações dos fariseus (vrs 13) até o ponto em que Jesus disse: (vrs 56,57) “Vosso pai Abraão alegrou-se por ver o meu dia, viu-o e regozijo-se. Peguntaram-lhe pois os Judeus: AINDA NÃO TENS CINQUENTA ANOS, e viste a Abraão?”
vr 58 “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU.”(eipen autois tsb=o iêsous amên amên legô umin prin abraam genesthai [ egô eimi ])”
Está claro aqui que ele se referia à sua existência anterior a Abraão, não que ele era Deus.
o Texto não fala sobre QUEM Jesus era , mas a QUANTO TEMPO vivia.
Veja o que dizem historiadores, teólogos e enciclopédias sobre a Trindade:
The New Encyclopædia Britannica diz: “Nem a palavra Trindade, nem a doutrina explícita, como tal, aparecem no Novo Testamento, e nem Jesus ou seus seguidores tencionaram contradizer o Shema do Velho Testamento: ‘Ouve, ó Israel: O Senhor, nosso Deus, é um só Senhor’ (Deut. 6:4). . . . A doutrina desenvolveu-se gradualmente com o decorrer dos séculos, enfrentando muitas controvérsias. . . . Por volta do fim do 4.° século . . . a doutrina da Trindade tomou substancialmente a forma que desde então tem conservado.” — (1976), Micropædia, Vol. X, p. 126.
A New Catholic Encyclopedia diz: “A formulação de ‘um só Deus em três Pessoas’ não foi solidamente estabelecida, de certo não plenamente assimilada na vida cristã e na sua profissão de fé, antes do fim do 4.° século. Mas, é precisamente esta formulação que tem a primeira reivindicação ao título o dogma da Trindade. Entre os Pais Apostólicos, não havia nada, nem mesmo remotamente, que se aproximasse de tal mentalidade ou perspectiva.” — (1967), Vol. XIV, p. 299.
Em The Encyclopedia Americana lemos: “O cristianismo derivou-se do judaísmo, e o judaísmo era estritamente unitário [cria que Deus é uma só pessoa]. O caminho que levou de Jerusalém a Nicéia dificilmente foi em linha reta. O trinitarismo do quarto século de forma alguma refletiu com exatidão o primitivo ensino cristão sobre a natureza de Deus; foi, ao contrário, um desvio deste ensinamento.” — (1956), Vol. XXVII, p. 294L.
Segundo o Nouveau Dictionnaire Universel: “A trindade platônica, que em si é meramente um rearranjo de trindades mais antigas, que remontam aos povos anteriores, parece ser a trindade filosófica racional de atributos que deram origem às três hipóstases ou pessoas divinas ensinadas pelas igrejas cristãs. . . . O conceito deste filósofo grego [Platão, do 4.° século AEC] sobre a trindade divina . . . pode ser encontrado em todas as religiões [pagãs] antigas.” — (Paris, 1865-1870), editado por M. Lachâtre, Vol. 2, p. 1467.
O jesuíta John L. McKenzie, no seu Dictionary of the Bible, diz: “A trindade de pessoas dentro da unidade de natureza é definida em termos de ‘pessoa’ e de ‘natureza’, que são termos filosóficos gr[egos]; na realidade, esses termos não aparecem na Bíblia. As definições trinitárias surgiram em resultado de longas controvérsias, em que estes termos e outros, tais como ‘essência’ e ‘substância’, foram erroneamente aplicados a Deus por alguns teólogos.” — (Nova Iorque, 1965), p. 899.
“Exegetas e teólogos hoje em dia concordam que a Bíblia hebraica não contém uma doutrina da Trindade . . . Embora a Bíblia hebraica retrate a Deus como o pai de Israel e empregue personificações de Deus, tais como Palavra (davar), Espírito (ruah), Sabedoria (hokhmah) e Presença (shekhinah), relacionar estas noções com a posterior doutrina trinitarista seria ir além da intenção e do espírito do Velho Testamento.
“Ademais, exegetas e teólogos concordam que o Novo Testamento tampouco contém uma explícita doutrina da Trindade. Deus, o Pai, é a fonte de tudo o que há (Pantokrator) e também o pai de Jesus Cristo; ‘Pai’ não é um título da primeira pessoa da Trindade, mas um sinônimo de Deus. . . .
“No Novo Testamento não há nenhuma conscientização refletiva da natureza metafísica de Deus (‘trindade imanente’), nem contém o Novo Testamento a linguagem técnica da posterior doutrina (hupostasis, ousia, substantia, subsistentia, prosōpon, persona). . . . É incontestável que a doutrina não pode ser estabelecida apenas à base de evidências bíblicas.” (The Encyclopedia of Religion)
“Há o reconhecimento da parte de exegetas e de teólogos da Bíblia, incluindo um número constantemente crescente de católicos romanos, de que não se deve falar de Trinitarismo no Novo Testamento sem sérias restrições. Há também o reconhecimento intimamente paralelo da parte de historiadores de dogma e de teólogos sistemáticos de que, quando se fala de um Trinitarismo irrestrito, passa-se do período das origens cristãs para, digamos, a última quarta parte do 4.° século. Foi somente então que aquilo que se pode chamar de dogma trinitarista definitivo, ‘um Deus em três Pessoas’, se tornou cabalmente assimilado na vida e no pensamento cristãos. . . . A fórmula em si não reflete a imediata consciência do período das origens; ela foi o produto de 3 séculos de desenvolvimento doutrinal.” (New Catholic Encyclopedia)
“O cristianismo não destruiu o paganismo; ele o adotou. . . . Do Egito vieram as idéias de uma trindade divina.” (Will Durant, historiador)
“A trindade era uma das principais preocupações dos teólogos egípcios . . . Três deuses são combinados e tratados como se fossem um único ser, a quem se dirige no singular. Deste modo, a força espiritual da religião egípcia mostra ter um vínculo direto com a teologia cristã.” (Egyptian Religion)
“Se o paganismo foi conquistado pelo cristianismo, é igualmente verdade que o cristianismo foi corrompido pelo paganismo. O puro deísmo dos primeiros cristãos . . . foi mudado, pela Igreja de Roma, para o incompreensível dogma da trindade. Muitos dos dogmas pagãos, inventados pelos egípcios e idealizados por Platão, foram retidos como sendo dignos de crença.” (History of Christianity)
“[a Trindade] é a corrupção emprestada de religiões pagãs e enxertada na fé cristã”. (Dicionário do Conhecimento Religioso)
“A doutrina da Trindade foi formada de maneira gradual e comparativamente tardia; . . . teve a sua origem numa fonte inteiramente estranha à das Escrituras Judaicas e Cristãs; . . . cresceu, e foi enxertada no cristianismo, pelas mãos de Pais platônicos.” (A Igreja dos Primeiros Três Séculos)
Prezado Cristo significa “Escolhido” ou “Ungido” isso mostra que alguem escolheu a Jesus.Obviamente seu Pai celestial. Por isso João escreveu que Deus “deu’ o seu filho.João 3:16.
Marcelo Berti disse,
7 Maio , 2009 às 10:48 am
Rubens,
Obrigado por escrever novamente. Aliás, gostei do tom do seu e-mail. Sua preocupação de que possivelmente estou enganado por uma armadilha de Satanás me faz pensar que você tem interesse genuíno nessa conversa. Posso garantir, eu tenho, e faço pergunta similar: “Será que essa armadilha não está no seu colo? Será que o não reconhecimento da divindade de Cristo não o está afastando da verdade?”
Deixe-me reforçar que tenho apreço pela forma como você é convicto da sua visão sobre Cristo. Do meu ponto de vista existem alguns problemas na lógica da sua argumentação na defesa dela, mas imagino que você veja o mesmo na minha defesa.
Deixe-me admitir também que me expressei mal quando falei sobre o uso do termo “uiós” para Cristo. Eu disse que esse termo era exclusivo para Cristo. Mas, não era o que gostaria de ter dito. O que queria dizer é que Cristo é chamado exclusivamente de “uiós” e nenhuma vez de “tekna”. Alías, sua pesquisa mesmo demonstrou que minha frase estava errada. Me desculpe. Se você olhar no blog, onde nossa conversa está postada, vai perceber que já corrigi essa informação, mesmo antes mesmo de ler seu e-mail. Alías, uma vez que você parece ter um conhecimento elementar de grego, deixe-me sugerir uma ferramente que vai auxiliá-lo nas pesquisas em grego. Procure na internet o E-Sword (http://www.e-sword.net/), é um software que agrupa módulos de comentários e traduções bíblicas, incluindo grego e hebraico. O software é gratuito e muitos dos módulos também o são. Certamente, vai auxiliá-lo.
Sua defesa da relação entre a frase de Cristo EU SOU com a conexão com o Ex.3.13 parece interessante. Mas, por que os judeus teriam interesse em apedrejar a Jesus se ele era apenas um lunático por dizer que era mais velho que Abraão? Lunáticos não eram apedrejados… blasfemos sim. Que tipo de blasfêmea Jesus poderia ter cometido com essa frase? Mas, qual é a diferença de “viesse a existir” (Abraão) e “Eu SOU” (Jesus)? Será que essa é uma afirmação em contraste entre o “gnomai” de Abraão e o “ego eimi” de Jesus? Você sabe que o verbo gnomai é traduzido como eu venho a ser… ou seja, algo que não era veio a existir (nascer), ao contrário de Cristo que É, desde sempre. Mas, não fuja do fato de que a TMN traduziu mal esse texto. Seja apenas honesto e reconheça isso.
Acho que é válido lembrá-lo da ocasião em que Jesus é chamado de blasfemo por realizar algo que apenas Deus, o único Deus, poderia realizar. Lembra de Marcos 2.3-12? A TMN traz assim:
E [certos] homens vieram trazer-lhe um paralítico, carregado por quatro. 4 Mas, não podendo levá-lo diretamente a [Jesus], por causa da multidão, removeram o telhado por cima do lugar onde ele estava, e, tendo aberto um buraco, abaixaram a maca em que o paralítico estava deitado. 5 E, quando Jesus viu a fé que tinham, disse ao paralítico: “Filho, teus pecados estão perdoados.” 6 Ora, alguns dos escribas estavam ali sentados e raciocinavam nos seus corações: 7 “Por que fala este homem dessa maneira? Ele está blasfemando. Quem pode perdoar pecados senão um só, Deus?” 8 Mas, Jesus, tendo discernido imediatamente pelo seu espírito que estavam raciocinando deste modo no íntimo, disse-lhes: “Por que estais raciocinando essas coisas em vossos corações? 9 O que é mais fácil, dizer ao paralítico: ‘Teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, apanha a tua maca e anda’? 10 Mas, a fim de que saibais que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados” — ele disse ao paralítico: 11 “Eu te digo: Levanta-te, apanha a tua maca e vai para a tua casa.” 12 Com isso, este se levantou e apanhou imediatamente a sua maca, e saiu andando na frente de todos, de modo que todos ficaram simplesmente arrebatados e glorificaram a Deus, dizendo: “Nunca vimos nada igual.”
Parece que Jesus mostrou-se com poder de Deus, do único Deus para PERDOAR PECADOS. Acho que todos os que foram chamados de Elohim não puderam fazer isso. Ou você conhece alguém chamado de Elohim que demonstra ter autoridade para perdoar pecado? O que Jesus tinha de especial? Será que ele apenas um deus[inho] mesmo?
Só gostaria de elucidar uma das suas colocações: “A Tese de “Deus filho” é inescrituristica.E a repetição que fiz dos mesmos textos onde aparece a expressão oposta só acentuou isso“. Tudo bem. Você demonstrou textos que o uso de “uiós” é usado para outras pessoas, o que também acontece com Elohim. Você também transcreveu o que vários teólogos e exegetas disseram, mas isso só apresentam a opinião deles. Eu poderia postar vários outros autores que dizem o contrário. Isso não muda nada na conversa. Isso não é uma questão de quem tem mais comentaristas a favor de suas idéias, é uma questão de onde está a verdade. Se a verdade fosse uma questão de maioria, o Cristianismo histórico estaria perdido ante ao mundo não-cristão, e o Lula o presidente ideal para o Brasil (um pouquinho de sarcasmo político só pra descontrair).
Por isso te faço um desafio: Traduza o verso abaixo, justifique sua tradução e confira se sua afirmação de que a tese do Deus filho é inescriturísitica.
“οἴδαμεν δὲ ὅτι ὁ υἱὸς τοῦ Θεοῦ ἥκει καὶ δέδωκεν ἡμῖν τῷ ἀληθινῷ, ἐν τῷ υἱῷ αὐτοῦ ᾿Ιησοῦ Χριστῷ. οὗτός ἐστιν ὁ ἀληθινὸς Θεὸς καὶ ζωὴ αἰώνιος”
Já posso te adiantar, se você ler esse verso na TMN vai perceber que ela não traduziu, mas interpretou maldosamente o texto e escondeu a verdade de ante os seus olhos.
Mas, antes de encerrar esse e-mail, deixe me falar algo sobre seu manuscrito copta de 1800 anos. Embora suponha que você não saiba nem qual é por que nunca demonstra onde ele está ou como é reconhecido, deixe-me lembrá-lo que isso não significa nada. Mas, por que não significa nada? Por que, cópta era a lingua usada para TRADUZIR os textos gregos para o norte do Egito. A questão não é sobre a antiguidade da tradução, mas sobre a qualidade da tradução. Um conhecimento elementar de crítica textual vai dar-lhe essa noção.
Por exemplo, se a questão é antiguidade, o papiro P66 (aprox. ano 200) é válido nessa questão, e contém o trecho de Jo.1.1 sem qualquer remendo. Se a questão é a idade da tradução, a Vulgata não clementina, é do início do século quarto (300 d.C) e traduz o como os cristãos históricos o conhecem. A Itálica a do quarto século também não faz qualquer diferença aqui. Se o caso é a versão cópta, veja o caso das versões cóptas Sahídico, Fayúmico, Ajmínico e Sub-Ajmínico todas do quarto século não trazem alteração a esse texto.
Qual é o seu ponto com essa versão cópta? Para qualquer um que conhece um pouco de crítica textual sabe que essa informação não tem qualquer peso na defesa da tradução da TMN. Para mim, se essa versão cópta existe mesmo com essa tradução, não passa de uma má tradução apenas. A questão é como traduz-se Jo.1.1 a partir dos manuscritos gregos que dispomos.
Por isso, faço ainda outro pedido: FAÇA SUA DEFESA DA TRADUÇÃO DE JOÃO 1.1. Por favor, não cite outros comentaristas, isso só aumenta o tamanho do e-mail. Apenas faça sua tradução e defenda-se.
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RESUMINDO: No próximo post seu, espero apenas três coisas (o que passar disso nem vou ler):
(1) A tradução do verso grego que deixei acima;
(2) A identificação do manuscrito cópta com a tradução que você fez referência;
(3) A SUA tradução (não do seu professor de grego, ou de outros exegetas e tradutores) com defesa gramatical, não teológica.
Acho que se colocarmos em nossa conversa algumas definições como essa, podemos ser um pouco mais específicos em nossa conversa, o que diminuirá o tamanho dos e-mails e será mais produtivo do que ficar jogando qualquer argumento ao vento. Acho que assim, define-se um debate ideológico, que é o que temos feito.
Um grande abraço e espero que o tempo que você utilize para esse desafio seja produtivo para você como pessoa, significativo para sua fé e confrontativo também, pois essa é a minha intenção: Confrontar seus ideais teológicos, que do meu ponto de vista estão equivocados.