06.22.09

Uma breve exposição das visões históricas do ensino de Cristo

Enviado em Bibliologia, Cristologia, Teologia tagged , às 2:52 pm por Marcelo Berti

Recentemente fui perguntado sobre a credibilidade das escrituras. A pessoa que me fez a pergunta gostaria de saber como as palavras de Jesus foram recebidas e apresentadas em diferentes períodos da história.

Como não tenho condições de responder a essa pergunta satisfatoriamente, resolvi fazer uma breve apresentação em diferentes períodos históricos sobre a credibilidade das palavras de Cristo.

Bom, vamos por partes:

1. No período de Jesus, muitos, apesar de ver os milagres que Ele operava, não acreditavam Nele. Até entre os que criam, Jesus não se confiava a eles (Jo.2.23-25)

2. No período apostólico, a credibilidade de Cristo continou a ser atacada pelos que não criam e defendida pelos apóstolos e pelos seus representantes. A carta de 1 João, úma das últimas cartas católicas (gerais, universais) apresenta uma defesa a opiniões sobre Cristo que não estavam em conformidade com o que Ele mesmo havia dito. Vale a pena ler Paulo, João e Hebreus e notar como a pessoa de Cristo foi defendida de opiniões divergentes.

3. No período pós-apostólico (aquele período após a morte dos apóstolos e anterior à instituição da Igreja Romana como o parâmetro para a verdade – 375 d.C.) a credibilidade dos ensinos de Cristo foi bem debatida. Por não haver um cannon definido, as literaturas que falavam sobre Cristo eram diversas e ainda não havia consenso sobre que escritos deveriam ser considerados. Nesse período alguns problemas surgiram:

a. Escritos pseudoepigráficos: Textos atribuídos a autores que não o redigiram. A intenção era buscar credibilidade para suas idéias com o nome de algum apóstolo ou personagem do passado com reconhecimento apostólico. Esse é o caso de livros como: Evangelho de Judas, Evangelho de Pedro, Apocalipse de Pedro, Atos de Tecla (que conta histórias sobre Paulo).

b. Falsos profetas influentes: Esse é o caso de Marcião que tentou liderar de Roma um novo cristianismo desassociado do judaísmo. Sua postura era tão forte que rejeitou o VT e retirou do NT citacões. Sua afeição por Paulo, fez com que ele apenas considerasse alguns textos de Paulo e alguns trechos de Lucas como textos confiáveis para a teologia. Sua iniciativa não teve sucesso nem entre os cristãos que flertavam com essas possibilidades. Marcião é um caso de adulteração textual motivado por teologia e de criação de uma regra (cannon) de livros aceitos.

c. Novas opções religiosas “cristãs”: Esse é o caso do gnosticismo “cristão”. Sob influência de ideologias pagãs (gregas), cultivaram novas visões sobre quem era Jesus e seus ensinamentos foram reconstruídos e adaptados à essas visões.

4. No período católico: Com a ascensão do cristianismo como religião oficial do império romano, a palavra da Igreja tornou-se (aos poucos) regra (cannon) para a compreensão de Cristo. Nesse período aconteceu o que você mencionou: as pessoas criam pois a igreja dizia. Isso não significa (em si mesmo) um erro. O erro nasceu na perversão da palavra de Cristo para fins teológicos e práticos (que ainda acontece nas igrejas pós-reforma e evangélicas).

5. Na reforma: Quinze séculos de domínio da Igreja Católica (como império e régula fides) os reformadores defenderam cinco pontos vitais para a fé cristã: Só a Graça (para salvação), Só pela fé (sem indulgências), Só as Escrituras (como regra de fé), Só Cristo (como salvador) e Glórias somente a Deus (e não a instituição). Aqui, o retorno às palavras de Jesus e dos ensinamentos apostólicos foi o norte, da prática e da fé. Entretanto, ainda aqui, perversões renasceram e se proliferaram. Pelágio havia introduzido no passado a idéia de que o homem nasce neutro e que o pecado passa a influenciá-lo a medida que vive sua vida. Influenciado por esse raciocínio e por rejeitar os ensinamentos dos reformadores Calvino, Zwinglio e Lutero, Jacob Armínio, afirmou uma teologia baseada na completa liberdade do ser humano em relação a salvação. Essa teologia foi rejeitada em três concílios históricos da igreja, chegou a ser banida da Holanda, mas aos poucos voltou e fixou-se em algumas regiões da Europa como a teologia fundamental. Tal teologia ainda é vista no círculo cristão dos nossos dias.

6. No séc. XIX e XX: O desenvolvimento da teologia natural (sem revelação) proporcionou o nascimento do que chamamos teologia liberal, que por essência, estuda a Teologia (conhecimento de Deus) a partir das escrituras, mas não apenas nelas. O conhecimento de Deus também é expresso e estudado do ponto de vista filosófico. A reunião da filosofia e da teologia permitiu o desenvolvimento de diversas áreas do conhecimento teológico. Entretanto, o desapreço pela Revelação de Deus, produziu grandes teólogos que afirmavam a não credibilidade das escrituras como texto da parte de Deus. Associado a isso, o desenvolvimento da alta-crítica textual permitiu a imposição de diversas dúvidas sobre o texto que temos em mãos. Sua confiabilidade e consequentemente sua utilidade foram abaladas.

7. Atualmente: a teologia é dividida em opinião se o que temos em mãos são de fato palavras de Cristo ou a imposição de terceiros para validarem suas próprias opiniões. Uma vez que Cristo não escreveu nada, e não temos nenhum escrito original em mãos para pesquisa (apenas cópias das cópias, das cópias….) a dúvida tem prevalecido em muito meios acadêmicos. Recentemente um ex-cristão, ex-pastor batista, ex-liberal e atualmente agnóstico com tendências a defender o gnosticísmo histórico escreveu diversos livros para por em cheque a credibilidade das palavras de Cristo. Seu esforço tem tido muito sucesso entre os não cristãos que já desprezavam a fé. Entretanto, os cristãos ortodoxos continuam onde sempre estiveram: Com Cristo e em Sua Palavra. Diversos escritores defensores da fé já saíram em defesa da fé, e também tem tido sucesso em suas empreitadas. Darel Bock, Daniel Wallace, Timothy Paul Jones, Craig Evans, Norman Geisler escreveram grandes livros sobre o assunto e merecem ser lidos.

Em resumo, a igreja tem e teve seu papel na referência ao valor da palavra de Cristo, mas a credibilidade vem de Cristo mesmo. Se Ele é quem diz que é, devemos ouví-lo.

Sugiro a leitura do livro: “Fabriating Jesus“, Craig Evans, pois nesse livro ele apresenta uma base sólida para a compreensão da distoção da pessoa de Cristo pelos academicos dos nossos dias e os refuta de modo lógico e louvável. Caso não possa ler em inglês, recomendo o livro “Eu não tenho fé suficiente para ser ateu” Normam Geisler. Do ponto de vista filosófico, Geisler defende a pessoa de Cristo e sua credibilidade.

Espero ter ajudado.

02.16.09

As Escrituras na Vida dos Filhos de Deus

Enviado em Bibliologia tagged às 5:43 pm por Marcelo Berti

Material extraído da apostila “Autoridade e Suficiência das Escrituras” de Marcelo Berti e Vlademir Hernandes.

Artigo redigido por Vlademir Hernandes.

Bom Proveito!

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1. Boas Práticas a Serem Adotadas

O Salmo 119 traz vários vocábulos para se referir à Palavra de Deus:

  • 1.  towrah – Lei
  • 2.  edah – Prescrições; testemunhos
  • 3.  piqquwd – Mandamentos, preceitos, estatutos
  • 4.  choq – Tarefa; obrigação, decreto
  • 5.  mitsvah – Mandamentos (os 10)
  • 6.  mishpa) – Juízos, julgamentos, justiça, critério de decisão
  • 7. imrah – Palavra, fala

 

Dar o devido valor

“Para mim vale mais a lei (towrah) que procede de tua boca do que milhares de ouro ou de prata.” (Sl 119:72 RA) “A minha alma tem observado os teus testemunhos („edah); eu os amo ardentemente.” (Sl 119:167 RA) “Eis que tenho suspirado pelos teus preceitos (piqquwd); vivifica-me por tua justiça.” (Sl 119:40 RA) “Os teus decretos (choq) são motivo dos meus cânticos, na casa da minha peregrinação.” (Sl 119:54 RA) “Tenho visto que toda perfeição tem seu limite; mas o teu mandamento (mitsvah) é ilimitado.” (Sl 119:96 RA) “Puríssima é a tua palavra („imrah); por isso, o teu servo a estima.” (Sl 119:140 RA) “Consumida está a minha alma (BLH-O meu coração sofre, ansioso) por desejar, incessantemente, os teus juízos (mishpat).” (Sl 119:20 RA) “Amo os teus mandamentos (mitsvah) mais do que o ouro, mais do que o ouro refinado.” (Sl 119:127 RA)

 

Desenvolver hábitos sistemáticos (cotidianos)

“Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!” (Sl 119:97 RA)

  • Esses hábitos devem maximizar nosso aproveitamento das verdades reveladas pelo Senhor na Sua Palavra.
  • Esse processo de “maximização” do aproveitamento pode ser comparado a um sistema de computação: 
    • “Input” – Leitura, audição

“Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino.” (1Tm 4:13 RA)

“Também, quando se assentar no trono do seu reino, escreverá para si um traslado desta lei num livro, do que está diante dos levitas sacerdotes. E o terá consigo e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer o SENHOR, seu Deus, a fim de guardar todas as palavras desta lei e estes estatutos, para os cumprir. Isto fará para que o seu coração não se eleve sobre os seus irmãos e não se aparte do mandamento, nem para a direita nem para a esquerda; de sorte que prolongue os dias no seu reino, ele e seus filhos no meio de Israel.” (Dt 17:18-20 RA) “E, uma vez lida esta epístola perante vós, providenciai por que seja também lida na igreja dos laodicenses; e a dos de Laodicéia, lede-a igualmente perante vós.” (Cl 4:16 RA)

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    • “processamento”
      • Meditação 

“Compreendo mais do que todos os meus mestres, porque medito nos teus testemunhos.” (Sl 119:99 RA) “Os meus olhos antecipam-se às vigílias noturnas, para que eu medite nas tuas palavras.” (Sl 119:148 RA). “Eu fico acordado a noite inteira para meditar na tua palavra.” (BLH)

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    •  
      • Estudo 

“Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino.” (1Tm 5:17 RA) “E logo, durante a noite, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia; ali chegados, dirigiram-se à sinagoga dos judeus. Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando (anakrinw- investigar, fazer perguntas, inquirir) as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim.” (At 17:10-11 RA) “Render-te-ei graças com integridade de coração, quando tiver aprendido os teus retos juízos.” (Sl 119:7 RA) “Pois Esdras tinha decidido dedicar-se a estudar a Lei do Senhor e a praticá-la, e a ensinar os seus decretos e mandamentos aos israelitas.” (Ed 7:10 NVI)

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      • “Armazenamento” – Memorização

 “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.” (Sl 119:11 RA) “Bendito és tu, SENHOR; ensina-me os teus preceitos. Com os lábios tenho narrado todos os juízos da tua boca.” (Sl 119:12-13 RA) “Com os lábios repito todas as leis que promulgaste.” (Sl 119:13 NVI)

  •  
    • “Output”
      • Benefícios para si e para o Reino

 

2. Benefícios que as Escrituras proporcionam

Consideraremos alguns dos benefícios obtidos por alguém que zela pela Palavra de Deus, conforme o Salmo 119.

Temos aqui 10 benefícios selecionados:

 

1. As Escrituras promovem o desenvolvimento de um amor genuíno por seu Autor

  ”Viva a minha alma para louvar-te; ajudem-me os teus juízos.” (Sl 119:175 RA) “De todo o coração te busquei; não me deixes fugir aos teus mandamentos. Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.” (Sl 119:10-11 RA) “O SENHOR é a minha porção (herança, bem); eu disse que guardaria as tuas palavras.” (Sl 119:57 RA) “Profiram louvor os meus lábios, pois me ensinas os teus decretos.” (Sl 119:171 RA) “Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” (Jo 14:15 RA) “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.” (Jo 14:21 RA) Porque nisto consiste o amor a Deus: obedecer aos seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados. (1 Jo 5:3 NVI)

 

2. As Escrituras promovem a coerência com o propósito correto da vida

  • Nosso lar não é aqui. Somos forasteiros à serviço do Senhor.

“Sê generoso para com o teu servo, para que eu viva e observe a tua palavra. Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei. Sou peregrino (estrangeiro, estranho) na terra; não escondas de mim os teus mandamentos.” (Sl 119:17-19 RA)

“Os teus decretos são motivo dos meus cânticos, na casa da minha peregrinação (BLH-Na minha curta vida aqui na terra).” (Sl 119:54 RA)

 

3. As Escrituras proporcionam alegria e prazer

 “Não fosse a tua lei ter sido o meu prazer, há muito já teria eu perecido na minha angústia.” (Sl 119:92 RA) “Folgo (alegro-me) com a tua palavra, como aquele que acha um grande despojo.” (Sl 119:162 RC) “Terei prazer nos teus mandamentos, os quais eu amo.” (Sl 119:47 RA) “Mais me regozijo com o caminho dos teus testemunhos do que com todas as riquezas.” (Sl 119:14 RA) “Com efeito, os teus testemunhos são o meu prazer, são os meus conselheiros.” (Sl 119:24 RA) “Eis que tenho suspirado pelos teus preceitos; vivifica-me por tua justiça.” (Sl 119:40 RA)

 

4.  As Escrituras promovem um aumento de sabedoria

“Os teus mandamentos me fazem mais sábio que os meus inimigos; porque, aqueles, eu os tenho sempre comigo.” (Sl 119:98 RA) “Compreendo mais do que todos os meus mestres, porque medito nos teus testemunhos.” (Sl 119:99 RA) “Eterna é a justiça dos teus testemunhos; dá-me a inteligência deles, e viverei.” (Sl 119:144 RA) “Eu me apresso em obedecer aos teus mandamentos porque assim tu me darás mais entendimento.(RC-quando dilatares o meu coração)” (Sl 119:32 BLH)

 

5. As Escrituras auxiliam na tomada de decisões

 Escolhi o caminho da fidelidade e decidi-me pelos teus juízos.” (Sl 119:30 RA) “Com efeito, os teus testemunhos são o meu prazer, são os meus conselheiros.” (Sl 119:24 RA) “Induzo o coração a guardar os teus decretos, para sempre, até ao fim.” (Sl 119:112 RA) “Arrepia-se-me a carne com temor de ti, e temo os teus juízos.” (Sl 119:120 RA) “A revelação das tuas palavras esclarece e dá entendimento aos simples.” (Sl 119:130 RA)

 

6. As Escrituras orientam a conduta e promovem mudança de vida

 “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos.” (Sl 119:105 RA) “Tu ordenaste os teus mandamentos, para que os cumpramos à risca.” (Sl 119:4 RA) “Firma os meus passos na tua palavra, e não me domine iniqüidade alguma.” (Sl 119:133 RA) “Muita paz têm os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço.” (Sl 119:165 RC) “Inclina-me o coração aos teus testemunhos e não à cobiça. Desvia os meus olhos, para que não vejam a vaidade, e vivifica-me no teu caminho.” (Sl 119:36-37 RA) “Firma os meus passos na tua palavra, e não me domine (exerça poder) iniqüidade alguma.” (Sl 119:133 RA) “Outra razão ainda temos nós para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes.”(1 Ts 2:13)

 

7. As Escrituras ajudam a resistir às tentações

 “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra.” (Sl 119:9 RA) “A seguir, foi Jesus levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. Então, o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. Então, o diabo o levou à Cidade Santa, colocou-o sobre o pináculo do templo e lhe disse: Se és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra. Respondeu-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus. Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto. Com isto, o deixou o diabo, e eis que vieram anjos e o serviram.” (Mt 4:1-11 RA)

 

8. As Escrituras são úteis nas aflições

 “Sobre mim vieram tribulação e angústia; todavia, os teus mandamentos são o meu prazer.” (Sl 119:143 RA) “A minha alma, de tristeza, verte lágrimas; fortalece-me segundo a tua palavra.” (Sl 119:28 RA)

 “Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos.” (Sl 119:71 RA) “Antes de ser afligido, andava errado, mas agora guardo a tua palavra.” (Sl 119:67 RA) “Bem sei, ó SENHOR, que os teus juízos são justos e que com fidelidade me afligiste. Venha, pois, a tua bondade consolar-me, segundo a palavra que deste ao teu servo. Baixem sobre mim as tuas misericórdias, para que eu viva; pois na tua lei está o meu prazer.” (Sl 119:75-77 RA)

 

9. As Escrituras são fundamentais à saúde do Corpo de Cristo

 Companheiro sou de todos os que te temem e dos que guardam os teus preceitos.” (Sl 119:63 RA)

  • Na igreja, essa relação de companheirismo deve necessariamente estar marcada pela ministração mútua da Palavra:

 Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração” (Cl 3:16 RA)

  • A Palavra deve ser a fonte de autoridade dos líderes:

apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem.” (Tt 1:9 RA)

 

10. As Escrituras impulsionam à proclamação

 Quem é apegado à palavra, prega a palavra.

 Não tires jamais de minha boca a palavra da verdade, pois tenho esperado nos teus juízos. Assim, observarei de contínuo a tua lei, para todo o sempre. E andarei com largueza (RC-em liberdade), pois me empenho pelos teus preceitos. Também falarei dos teus testemunhos na presença dos reis e não me envergonharei.” (Sl 119:43-46 RA)

Credibilidade História da Bíblia

Enviado em Bibliologia tagged , às 5:23 pm por Marcelo Berti

Material extraído da apostila “Suficiência e Autoridade das Escrituras” de Marcelo Berti e Vlademir Hernandes.

Artigo redigido por Vlademir Hernandes

Bom Proveito!

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Quanto à sua credibilidade histórica, o critério usado com a Bíblia deve ser o mesmo utilizado para avaliar qualquer outro manuscrito antigo.

Existem 4 critérios básicos de avaliação :

  1. Teste bibliográfico
  2. Teste das evidências internas
  3. Teste das evidências externas
  4. A arqueologia

O teste bibliográfico

É o exame da fidelidade na transmissão do texto através das suas diversas cópias.

Uma vez que não existem mais os documentos originais, avaliar a qualidade das cópias torna-se um aspecto fundamental para se verificar a qualidade do documento.

Evidências manuscritas do Novo Testamento:

O teste bibliográfico responde às suposições de que o Novo Testamento sofreu alterações intencionais para acomodar interesses.

Atualmente existem mais de 5.300 manuscritos gregos do Novo Testamento. Além desses, existem mais de 10.000 manuscritos da Vulgata Latina (versão antiga em latim) e pelo menos mais de 9.300 cópias de antigas versões.

Ao todo tem-se 24.000 cópias antigas de porções do Novo Testamento

Nenhum outro manuscrito antigo chega nem perto desse volume de cópias.

Em segundo lugar vem um documento grego chamado A Ilíada de Homero com 643 manuscritos.

Nenhum outro documento da antiguidade tem um intervalo tão pequeno entre as cópias e os originais (os manuscritos mais antigos são do quarto século -  cerca de 250 anos após terem sido escritos). Alguns pequenos fragmentos remontam a 125 dc – 25 anos após a obra original. Parece muito, mas se comparado com outros escritores clássicos é um intervalo insignificante. Um autor antigo, sobre o qual considera-se que sua obra conhecida atualmente é fiel, só existem cópias datadas de 1400 anos após sua morte. Homero (900 aC) tem fragmentos mais antigos datados de de 400 aC – 500 anos de hiato. A obra completa só foi copiada no século treze – após 1.200 Dc.

Existe alguma corrupção entre as cópias? Sim, existe. Existem algumas variações entre as cópias.

Estudiosos desses manuscritos tem calculado que o texto do novo testamento é 98,33% puro (Hort, Geisler e Nix, conforme Josh McDowell).

Frederik Kenyon (uma das maiores autoridades no campo da crítica textual do Novo Testamento) também é citado por Josh mcDowell como tendo afirmado que nenhuma doutrina fundamental da fé cristã depende de algum texto controvertido.

Além disso tudo, o Novo testamento é uma obra grandemente citada pelos primeiros autores cristãos em suas obras. Josh McDowell cita outro estudioso chamado David Dalrymple. Ele diz que já achou citações de todo o Novo Testamento em obras antigas, exceto 11 versículos.

A conclusão é que a credibilidade do Novo Testamento é maior que qualquer outro documento da antiguidade.

Evidências manuscritas do Antigo Testamento:

Ao contrário do Novo Testamento, o AT não dispõe dessa abundância de cópias.

Antes das descobertas do Mar Morto, o mais completo e antigo manuscrito hebraico do AT datava de 900 Dc – intervalo de mais de 1.300 anos do original.

Em 1947, com a descoberta arqueológica dos rolos do Mar Morto, da comunidade de Qumram, encontraram-se manuscritos anteriores à época de Cristo – diminuindo o hiato para menos de 400 anos.

Para avaliarmos a qualidade do texto do AT devemos avaliar os seus copistas.

Os Talmudistas (100-500 Dc)

Eram extremamente criteriosos no processo de gerar cópias do AT.

Suas regras eram:

1. Usar peles de Animais puros

2. preparado por um judeu para uso em uma Sinagoga.

3. Devem ser presas por um fio de pele de animal puro

4. Cada pele deve ter um número fixo de colunas que será mantido por todo o códice.

5. O comprimento de cada coluna não deve ser inferior a 48 nem superior a 60 linhas e a largura deve ter 30 letras.

6. Deve-se traçar inicialmente as linhas de toda a cópia, e se 3 palavras forem escritas sem linha, a cópia fica inutilizada.

7. A tinta deve ser preta, preparada de acordo com uma fórmula específica.

8. A cópia deve se basear em uma cópia autêntica (que passou por todos os rigores)

9. Não se pode escrever nenhuma palavra ou letra de memória. O escriba tem que tê-la visto diante de si.

10. entre cada consoante deve haver o espaço de um fio de cabelo.

11. Entre cada novo “parashah” ou capítulo deve haver o espaço de 9 consoantes.

12. Entre um livro e outro deve haver um espaço de 3 linhas.

13. O quinto livro de Moisés deve terminar exatamente no final de uma linha.

14. O copista deve estar vestido em trajes judaicos a rigor

15. Lavar o corpo todo antes de iniciar o trabalho.

16. não começar a escrever o nome de Deus com uma pena recém mergulhada na tinta.

17. Caso um rei se dirija a ele enquanto escrevendo o nome de Deus, este não deve dar atenção ao rei.

Ou seja, o processo de cópia era um ritual de extremo rigor e seriedade.

A idade de uma cópia talmudista não era uma vantagem para ela – ao contrário, poderia se tornar ilegível em alguns pontos com o tempo, e era então considerada imprópria, e guardada em um armário, existente em cada sinagoga, chamado Gheniza. Quando a Gheniza se enchia, as cópias defeituosas eram queimadas.

Isso explica a ausência de volumes de cópias do AT.

Após uma cópia ter sido conferida, os talmudistas a consideravam autêntica, tendo igual valor que qualquer outra cópia.

Um manuscrito talmudista mais antigo do livro de Isaías era de 980 DC. Quando esse foi comparado com os manuscritos do Mar Morto  (quase 1000 anos entre as cópias) verificou-se 95% de exatidão absoluta, e os outros 5% eram pequenos erros de ortografia. Nesses 1000 anos a mensagem não havia se corrompido!

Os Massoretas (500 – 900 DC)

Os Massoretas criaram um formato de edição e padronização para o texto hebraico.

Seu principal centro de atividades foi Tiberíades.

O texto produzido por eles é denominado texto Massorético. Esse texto recebeu uma sinalização vocálica, para garantir a correta pronúncia.

Atualmente, é o texto hebraico mais considerado como padrão para estudos.

Eles também eram extremamente zelosos na qualidade dos documentos produzidos.

Os Massoretas desenvolveram uma metodologia para garantir a qualidade das suas cópias:

Eles contavam quantas vezes cada letra do alfabeto aparecia em um livro.

Eles faziam cálculos minuciosos, como por exemplo:

a letra que ficava exatamente no meio do Pentateuco,

a que ficava exatamente no meio de todo o AT,

a palavra e a letra central de cada livro

lista de parágrafos que continham todas as letras do alfabeto

outros critérios de contagem e verificação

Seu objetivo era garantir que nenhuma palavra ou sinal massorético fosse perdido no processo de cópia.

A Septuaginta (285 – 246 AC)

Essa versão também testifica a autenticidade do AT.

Foi preparada durante o reinado de Ptolomeu Filadelfo, do Egito.

Ptolomeu era um grande incentivador da literatura

Em seu reinado foi inaugurada a Biblioteca de Alexandria – que por muito tempo foi uma das grandes maravilhas do mundo.

Seu nome também representado por LXX

Uma carta encontrada, cujo autor era Aristeu da corte de Ptolomeu, conta como a versão foi formada:

O bibliotecário de Ptolomeu, Demétrio, teria convencido Ptolomeu a traduzir para o grego a lei Judaica

Ptolomeu, então enviou uma delegação a Eleazar (Sumo sacerdote em Jerusalém)

Eleazar teria escolhido como tradutores 6 anciãos de cada tribo de Israel (72 anciãos ao todo)

OS 72 anciãos foram levados para a ilha de Faros, e em 72 dias completaram a tarefa de traduzir

A Septuaginta ajuda a confirmar a credibilidade na transmissão.

Os textos utilizados para traduzi-la levaram a uma tradução bem próxima do texto massoretico (hebraico) – as principais divergências da LXX estão no livro de Jeremias.

A Septuaginta junto com outras citações feitas em livros apócrifos de 300 aC comprovam que o texto hebraico que temos hoje é muito semelhante ao existente em 300 AC.

O Texto Samaritano (500 AC)

É um texto que contém o pentateuco – o pentateuco é um subconjunto desse texto

As variações entre o pentateuco samaritano e o massorético é bem insignificante.

Os Targuns

O significado básico de Targun é “interpretação”

São paráfrases e comentários sobre o Antigo Testamento.

Seu valor reside no fato de mostrar que os textos utilizados para os comentários são praticamente os mesmos existentes hoje

Alguns targuns:

Onquelos (60 AC) – contém o pentateuco

Jonatas bem Uzziel (30 AC) – contém livros históricos e os profetas

O Misná (200 DC)

Significado básico é “explicação e ensino”

Contém uma coleção de tradições orais

As citações utilizadas são bem semelhantes ao texto massorético

Os Guemarás (200 DC a 500 DC)

São comentários escritos em aramaico, e que cresceram em torno do misrá

Também contribuem para credibilidade do texto massorético

O Midraxe (100 ac – 300 DC)

São estudos doutrinários do AT.

As citações são também massoréticas.

A Hexapla (ou sêxtupla) (185-254 DC)

Foi uma harmonia do AT preparada por Orígenes em 6 colunas:

A LXX, tradução de Áquila, tradução de Símaco, tradução de Teodócio, o texto hebraico e uma transliteração para o grego.

O texto hebraico é também semelhante ao massorético.

O teste das evidências internas

Esse também averigua se há fraudes, erros ou mentiras deliberadas por parte dos escritores, em relação a fatos conhecidos.

Notar que dificuldades e problemas não solucionados não significam necessariamente erros. Um erro é uma discrepância que se verifica sem sombra de dúvidas.

Argumentos favoráveis ao NT:

Os escritores foram testemunhas oculares dos fatos, ou receberam os mesmos de antemão (Marcos e Lucas):

Lc 1:1  Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, 2  conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra, 3  igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem,

2Pe 1:16 ¶  Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade,

1Jo 1:3  o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo.

At 2:22  Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis;

Jô 19:35  Aquele que isto viu testificou, sendo verdadeiro o seu testemunho; e ele sabe que diz a verdade, para que também vós creiais.

Lc 3:1 No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes, tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe, tetrarca da região da Ituréia e Traconites, e Lisânias, tetrarca de Abilene,2  sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto.

At 26:24   Dizendo ele estas coisas em sua defesa, Festo o interrompeu em alta voz: Estás louco, Paulo! As muitas letras te fazem delirar! 25  Paulo, porém, respondeu: Não estou louco, ó excelentíssimo Festo! Pelo contrário, digo palavras de verdade e de bom senso. 26  Porque tudo isto é do conhecimento do rei, a quem me dirijo com franqueza, pois estou persuadido de que nenhuma destas coisas lhe é oculta; porquanto nada se passou em algum lugar escondido. 27  Acreditas, ó rei Agripa, nos profetas? Bem sei que acreditas. 28  Então, Agripa se dirigiu a Paulo e disse: Por pouco me persuades a me fazer cristão. 29  Paulo respondeu: Assim Deus permitisse que, por pouco ou por muito, não apenas tu, ó rei, porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias.

Não seria fácil inventar fatos e palavras de Jesus, quando tantas outras testemunhas oculares poderiam facilmente contradizê-los

Eles precisavam estar atentos também aos inimigos de Cristo, que poderiam contradizê-los facilmente, se manipulassem a verdade.

Ao contrário de temer, um ponto forte da pregação inicial dos apóstolos é o apelo confiante ao conhecimento dos ouvintes.

Dos 12 apóstolos, excetuando-se Judas, 10 foram assassinados por causa da mensagem que pregavam, e 1 (João) foi barbaramente torturado por ela.

É plausível crer que 11 pessoas estivessem dispostas a sacrificar suas próprias vidas para sustentar uma mentira deliberada?

O teste das evidências externas

Esse teste se propõe a averiguar se existem fontes externas que confirmam sua exatidão

Alguns exemplos:

Eusébio em sua obra História eclesiástica preserva escritos de Pápias, bispo de Hierápoles (130 dc):

“O ancião (apóstolo João) também costumava dizer o seguinte: Marcos, tendo sido intérprete de Pedro, escreveu fielmente tudo o que ele (Pedro) mencionava, fossem palavras ou obras de Cristo; todavia não o fez em ordem cronológica, pois não esteve ouvindo pessoalmente o Senhor nem o esteve acompanhando, mas mais tarde, como eu já disse, ele acompanhou Pedro. Dessa forma, então, Marcos não cometeu qualquer erro, tendo assim escrito algumas coisas à medida que ele , Pedro, mencionava, pois ele prestava toda atenção à isso, a fim de não omitir qualquer coisa que ouvisse, nem incluir qualquer afirmação falsa no que registrava.”

“Mateus registrou os oráculos na língua hebraica (aramaica)”

Irineu, bispo de Lion (180 DC)

Foi discípulo de João

Deixou por escrito sua credibilidade nos evangelhos:

“Tão firme é a base sobre a qual esses evangelhos repousam que os próprios hereges dão testemunho a favor desses livros, e tomando-os por base, cada um deles se esforça para estabelecer sua própria doutrina”

“O Verbo nos deu o evangelho em forma quádrupla, forma que se mantém coesa em um só espírito”

“Mateus divulgou o evangelho entre os hebreus na língua deles, enquanto Pedro e Paulo pregavam o evangelho em Roma”

“Marcos transmitiu por escrito a pregação de Pedro”

“Lucas, o seguidor de Paulo, pôs num livro o evangelho pregado por seu mestre”

“João escreveu seu evangelho quando vivia em Éfeso, na Ásia”

Clemente de Roma (95 DC)

Também usa as escrituras como confiáveis e autênticas

Inácio, bispo de Antioquia (entre 70 e 100 DC)

Foi martirizado por sua fé (jogado às feras no coliseu de Roma)

Conheceu todos os apóstolos, e foi discípulo de Policarpo, discípulo de João

Registrou sua credibilidade nas escrituras, a ponto de morrer pelo que elas continham

Policarpo (70-156 DC)

Discípulo de João

Sofreu martírio aos 86 anos de idade por sua devoção à cristo e às escrituras

Vários membros da sua igreja em Esmirna também foram martirizados por Antonio Pio

Foi queimado em uma fogueira

Flávio Josefo (historiador judeu – nascido em 37 DC)

Em sua obra Antiguidades, livro 18 capítulo 5 ele confirmam a história de João Batista e sua execução por Herodes Antipas.

(embora hajam diferenças apontadas por ele na causa da morte de João Batista)

Além disso tudo, o Novo Testamento é uma obra grandemente citada pelos primeiros autores cristãos em suas obras. Josh McDowell cita outro estudioso chamado David Dalrymple. Ele diz que já achou citações de todo o Novo Testamento em obras antigas, exceto 11 versículos.

A arqueologia

Nelson Glueck – renomado arqueólogo judeu- diz “Pode-se afirmar categoricamente que até hoje nenhuma descoberta arqueológica contradisse qualquer informação dada pela Bíblia”.

William F. Albright – reputado como um dos grandes arqueólogos da atualidade-

“Não pode haver dúvida alguma de que a arqueologia tem confirmado a historicidade substancial da tradição do Antigo Testamento”.

“Progressivamente o exagerado ceticismo para com a Bíblia foi sendo desacreditado”

“Uma descoberta atrás da outra tem confirmado a exatidão de incontáveis detalhes e tem feito com que a Bíblia receba um reconhecimento cada vez maior como fonte histórica”

“À medida que o estudo crítico da Bíblia for cada vez mais influenciado pela abundância de material recém-descoberto, vindo do antigo Oriente Próximo, observaremos um aumento crescente do respeito para com o significado histórico de passagens e detalhes atualmente negligenciados e menosprezados, tanto do antigo quanto do novo testamento”

Millar Burrow – Universidade de Yale

“Em muitos casos a arqueologia tem refutado as opiniões de críticos modernos. Ela tem demonstrado que essas opiniões repousam sobre pressuposições falsas e esquemas irreais e artificiais de desenvolvimento da história”

Exemplos de descobertas arqueológicas que confirmam a Bíblia:

Tabletes de Ebla:

Alguns críticos modernos têm proposto a “hipótese documentária” com base na qual afirmam que à época de Moisés, cerca de 1400 AC, ainda não havia qualquer conhecimento de escrita – portanto, Moisés não poderia ter escrito o Pentateuco.

Esses críticos afirmam também que o conteúdo da legislação do Pentateuco é muito avançado para essa época.

Por conta disso, eles têm refutado a autoria mosaica do Pentateuco, afirmando que esses documentos teriam sido obras fictícias escritas por alguém muito tempo depois.

Também tem sido refutada como histórica a vitória de Abraão sobre Quedorlaomer e os 5 reis mesopotâmeos descrita em Gênesis 14. Também têm sido consideradas lendárias as 5 cidades da planície mesopotâmia (Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Zoar)

Desde 1974 têm sido encontrados 17.000 tabletes de Ebla, no norte da Síria.

Ebla foi uma proeminente cidade antiga. No auge do seu poder em 2300 AC tinha 260.000 habitantes.

Foi destruída em 2250 AC.

Esses tabletes contém o registro de vários acontecimentos, costumes e códigos legais de Ebla.

Como as descobertas dos tabletes auxiliam a confirmar a Bíblia:

Os tabletes foram escritos quase 1000 anos antes de Moisés – o que prova que em uma idade bem anterior à de Moisés, havia escrita na região.

Os tabletes contém um código legal tão complexo quanto o do Pentateuco – o que combate a hipótese de os mesmos serem muito avançados para a época.

Os tabletes de Ebla citam as 5 cidades da planície mesopotâmia – confirmando sua historicidade.

O Túmulo de José

John Elder em seu livro “Profetas, Ídolos e escavadores” faz um interessante comentário:

“Nos últimos versículos de Gênesis lê-se sobre como José conjurou seus parentes a transportarem seus ossos para a terra de Canaã quando Deus viesse a restaurá-los à sua terra de origem. E em Josué 24:32 é narrado como seu corpo foi realmente transportado para a Palestina e sepultado em Siquém. Durante séculos houve um túmulo em Siquém reverenciado como o túmulo de José. Anos atrás, esse túmulo foi aberto. Achava-se ali um corpo mumificado de acordo com os costumes egípcios. E nesse túmulo, entre outras coisas, foi encontrada uma espada do tipo usado por oficiais egípcios.”.

Os Hititas

Os hititas são povos mencionados na Bíblia, mas sobre os quais não havia nenhuma outra fonte.

Por muito tempo, muitos achando que eles nunca existiram, taxavam os textos bíblicos que os citavam como sendo fantasiosos.

Recentes escavações arqueológicas têm confirmado a existência desse povo, confirmando a narrativa bíblica.

OS tabletes de Tell-El-Amarna

Esses tabletes confirmam muitos relatos bíblicos sobre o quadro da palestina à época da conquista de Canaã.

Em um dos tabletes, um governador de Jerusalém escreve ao faraó Akhnaton (1937 – 1366 AC) rogando ajuda egípcia contra os Hebreus que estavam invadindo a região.

Conclusão

Para concluir os 4 critérios de análise, consideremos a declaração de Josh McDowell:

“Depois de tentar refutar a historicidade e a validade das escrituras, cheguei à conclusão que elas são historicamente confiáveis.”

02.11.09

Hábitos Relacionados com as Escrituras

Enviado em Bibliologia tagged , às 4:29 pm por Marcelo Berti

Certamente somos convictos de que a transformação em nossas vidas pelas Escrituras não acontecem instantaneamente. Mas somos também convictos de que sem ela não podemos crescer, ou chegar à Maturidade Cristã. É por esta razão que existem algumas atitudes que devem ser implementadas em sua vida para que a realidade das Escrituras possa ser real na sua vida.

 

A.      Meditar nas Escrituras

O Objetivo da vida cristã é ter uma prática exemplar em meio a esse mundo. Contudo, são os conceitos que vão delinear essa prática. Se os conceitos forem corretos, a prática que dele decorre poderá ser correta, dependendo da motivação que o envolve. Mas, se forem errados, a prática certamente será errada. Se forem inconsistentes, a prática será desastrosa. Se forem equivocados a prática será igualmente equivocada. Isso acontece pelo fato de que o agir é um reflexo do pensar.

Mas, há ainda um outro problema, pois todos os conceitos são traduzidos gráfica ou verbalmente por palavras. Quando nós desintegramos o valor de uma palavra, podemos acabar destruindo a existência de uma prática. C.S. Lewis diz em seu livro “Cartas do Inferno” que parte da estratégia do Demônio é desacreditar uma virtude. Mas segundo o conhecimento do “Murcegão” (o demônio mais experiente), a maneira mais eficiente para desacreditar uma virtude “é enxovalhar o seu nome, ou seja, introduzir associações que sutilmente alterem os sentimentos e percepções das pessoas, de modo que a palavra não signifique aquilo para que foi usada[1]“.

Esse é o fato que aconteceu com a Palavra MEDITAR. Como o Héber bem colocou na semana passada, muitas vezes nossa prática de MEDITAÇÃO é desfeita pelo conceito que temos sobre ela. Assim, gostaria de resgatar com você o sentido que essa palavra tem e então demonstrar a validade de sua prática.

 

1.       O que é meditar?

“Ao contrário, sua satisfação está na lei do SENHOR, e nessa lei medita dia e noite” Sl.1.2

 

Para compreender exatamente o que o salmista está anunciando aqui, é preciso compreender o conceito hebraico por trás da palavra empregada para “meditar”. O verbo é “hägâ”, que é utilizado no VT como suspirar, pensar, falar, considerar, gemer, entre alguns outros usos que trazem a toma tais significados. Ou seja, é um termo que expressa uma ação executada tanto interna como externamente. Observe outros usos do mesmo termo

 

Considerarei em todas as tuas obras e cogitarei em todos os teus feitos” Sl.77.12

 

Neste caso em especial o verbo hebraico “haga” é visto como uma “Consideração“, uma análise apreciativa, uma atenta ponderação.

 

“O justo pensa bem antes de responder…” Pv.15.28

 

Meditar está diretamente ligado ao ato de pensar bem, inquirir, avaliar.

 

“Minha língua celebrará a tua justiça e o teu louvor o dia inteiro”. Sl.35.28

 

Meditar não é apenas o processo mental de reter uma informação mediante estudo ou esforço acadêmico, trata-se de um compreender e proclamar.

 

“A boca do justo profere sabedoria, e a sua língua fala conforme a justiça”. Sl.37.30

 

“Também a minha língua sempre falará dos teus atos de justiça”. Sl.71.25

 

“Porque as nossas transgressões se multiplicam perante ti, e os nossos pecados testificam contra nós; porque as nossas transgressões estão conosco, e conhecemos as nossas iniqüidades, como o prevaricar, o mentir contra o SENHOR, o retirarmo-nos do nosso Deus, o pregar opressão e rebeldia, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade” Is.59.13 (ARA)

proferir as mentiras que os nossos corações conceberam” (NVI)

 

Como já foi anunciado, a ação de MEDITAR implica em movimento interno (avaliar, considerar, pensar bem) acompanhado de um movimento externo (falar, proclamar, celebrar). Logo, a vida do cristão deve ser marcada pela presença diária da palavra de Deus. “…e nela medita de dia e de noite” deve ser compreendido neste sentido: Alguém que busca transbordar-se do conhecimento de Deus, certamente derramará sua verdade aos que estão a sua volta dura dia e noite.

Vale ainda demonstrar que tal prática não é desempenhada por obrigação, mas por SATISFAÇÃO:

 

“sua satisfação está na lei do SENHOR, e nessa lei medita dia e noite” Sl.1.2

 

O termo satisfação tem sentido de afeição, prazer. Logo, as Escrituras são alvo de prazer para o cristão, satisfação. Sua vida pode ser satisfeita no aplicar-se às escrituras. Existe um prazer no uso das escrituras e tal deve ser o motivo de ter uma vida devota à ela. Não, pois, do dia pra noite que noite e dia se proclama a verdade de Deus concebida no Estudo diário.

 

“A minha alma consome-se de perene desejo das tuas ordenanças” Sl.119.20

 

2.       Benefícios da Meditação

Aquele que dispõe-se a executar tal ação certamente será abençoado. Aliás, essa é a verdade exposta no verso seguinte em Salmos:

 

“É como árvore plantada à beira de águas correntes: Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham” Sl.1.3

 

Observe que a linguagem empregada é figurativa. Não trata-se do caso de um cristão tornar-se uma Figueira, mas que sua vida será comparada a de uma árvore bem regada: O Fruto é Certo e sua folhagem é vívida. Observe a mesma verdade exposta em outros termos:

 

“Os justos florescerão como a palmeira, crescerão como o cedro do Líbano; plantados na casa do SENHOR, florescerão nos átrios do nosso Deus. Mesmo na velhice darão fruto, permanecerão viçosos e verdejantes, para proclamar que o SENHOR é justo. Ele é a minha Rocha; nele não há injustiça.” Sl.92.12-15

 

A vitalidade do Cristão como filho de Deus depende de sua vida de Meditação nas Escrituras. A Beleza da vitalidade do Cristão é apenas percebida em uma Vida de Meditação nas Escrituras.

 

“Ele será como uma árvore plantada junto às águas e que estende as suas raízes para o ribeiro. Ela não temerá quando chegar o calor, porque as suas folhas estão sempre verdes; não ficará ansiosa no ano da seca nem deixará de dar fruto”. Jr.17.8

 

Outro benefício é que não existe medo pelos tempos de seca; não existe ansiedade nas dificuldades, pois a confiança está lançada no Senhor que fala por intermédio de sua palavra.

 

B.      Buscar Crescimento

A vida do cristão deve ser marcada pela busca do crescimento, inda que seja difícil ser alcançado em determinadas situações.           Buscamos crescimento nas Escrituras, e não em nenhum outro lugar, pois temos convicção de que as Escrituras são suficientes para nos conduzir nesse processo.

 

1.       A busca da Santidade inicia-se nas Escrituras

A santidade pode ser vista de dois prismas verdadeiros: como um processo que inicia-se na conversão e estende-se por toda a vida do cristão, ou como a posição do cristão em Cristo. Para a segunda declaração, veja o que Paulo fala aos Corintios:

 

“à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus e chamados para serem santos” 1Co.1.2

 

Em Cristo nós somos declarados santos, mas somos convidados para ser santos na vida prática. Ou seja, a santidade posicional serve como alvo para a Santidade a ser conquistada, e sua busca, mas deve iniciar-se nas Escrituras. Observe a opinião de Jesus:

 

“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” Jo.7.17

 

A palavra de Deus é a Verdade que Santifica. Ou o cristão dispõe-se a moldar-se nas Escrituras ou certamente deixará de viver os conceitos ensinados por Deus através dela.

 

“A minha alma está apegada ao pó; vivifica-me segundo a tua palavra“. Sl.119.25

 

Neste trecho o salmista apresenta uma realidade espiritual, a Palavra de Deus vivifica espiritualmente o cristão.

 

“A minha alma, de tristeza, verte lágrimas; fortalece-me segundo a tua palavra” Sl.119.28

 

De modo semelhante vemos que as Escrituras tem poder de Fortalecer o Cristão no processo da santificação. Mas, o fato é que é impossível manter-se debruçado nas Escrituras e ter uma vida marcada pela pecaminosidade.

 

“Afasto os pés de todo caminho mau para obedecer à tua palavra“.

 

 

2.       A busca de uma vida de Oração nasce nas Escrituras

Não podemos excluir o valor da oração na vida de maturidade do cristão, mas é certo que tal atitude nasce nas escrituras. É na Palavra de Deus que encontramos muitas recomendações sobre a prática saudável da oração. Assim, o Cristão que dia-a-dia alimenta-se das escrituras certamente conhecerá as estipulações bíblicas para a oração.

Nas escrituras nós encontramos desde o motivo da oração até mesmo o objeto da oração:

  • Orar por que: Mt.26.41; Mc.14.38
  • Orar por quem: Mt.5.44;
  • Quando Orar: 1Ts.5.17 (cf. At.12.5)
  • Exemplo de Cristo: Jo.17.9; 20

 

É certo que temos muitas outras recomendações sobre essa prática e minha intenção não é ser exaustivo, mas ressaltar valores que facilmente se perdem. A oração já foi definida de diversas maneiras, mas uma em particular me atrai: “A oração é a respiração da fé“. De que vale um cristão consciente de sua posição em Cristo, suas responsabilidades, do cheio de conhecimento e auto-suficiencia. A Oração neste ponto, centra-nos em nossa incapacidade e dependência de Deus.

 

3.       A vida de Testemunho da Verdade é conforme as Escrituras

Muitas são as recomendações das escrituras sobre a vida do Cristão, mas Pedro destaca algumas características interessantes, observe:

 

Amados, insisto em que, como estrangeiros e peregrinos no mundo, vocês se abstenham dos desejos carnais que guerreiam contra a alma. Vivam entre os pagãos de maneira exemplar para que, mesmo que eles os acusem de praticarem o mal, observem as boas obras que vocês praticam e glorifiquem a Deus no dia da sua intervenção. 1Pe.2.11-12

 

Pedro demonstra qual deve ser a visão do cristão: Viver no mundo de maneira exemplar. De nada adianta um bom cristão dentro da igreja, deveríamos ser sal fora das portas da Igreja, “ser sal fora do saleiro[2]“. Ao nos abstermos nas paixões da carne nossa vida será certamente diferente das demais pessoas, que tem os mesmos conflitos sem os mesmos padrões. Entretanto, tal pratica deve ser levada com o objetivo de levar pessoas a GLORIFICAREM a Deus e não ao seu comportamento. O que isto faz por vanglória, condenação disto terá.

 

Pois é da vontade de Deus que, praticando o bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos. 1Pe.2.15

 

Novamente Pedro apresenta um princípio importantíssimo para a Vida do Cristão: Calar a Ignorância dos Insensatos. Neste caso, insensatos não são os desprovidos de raciocínio lógico, mas aqueles que apresentam agressões em qualquer modelo às práticas cristãs. Aquele que insistentemente oferece-se em comentários desrespeitosos contra o cristianismo autêntico. A esses devemos calar, não com a força do argumento, mas com a prática saudável dos ensinos de Cristo.

Este princípio é certamente difícil de se realizar, contudo, o cristão que está sendo alimentado constantemente pelas escrituras, certamente demonstrará sua vida permeada pelos princípios bíblicos, e fará o insensato calar-se pelo brilho ofuscante da Luz de Deus que dele resplandece.

4.       O Exemplo de Esdras

Esdras é o exemplo de uma pessoa moldada pelas escrituras. Alias, as escrituras definem Esdras como alguém que é versado (ARA) nas escrituras. Ou seja, ele é um grande conhecedor, um perito da Lei de Deus (Ed.7.6). Este escriba foi responsável pelo reavivamento espiritual da nação de Israel no período pós-exílico. A razão disto é que:

 

“Pois Esdras tinha decidido dedicar-se a estudar a Lei do SENHOR e a praticá-la, e a ensinar os seus decretos e mandamentos aos israelitas” Ed.7.10

 

Note que a disposição do coração de Esdras não tinha a intenção de estudar a Lei do Senhor como um fim em si, ou como uma atitude desacompanhada da prática, antes as duas ações fazem parte de sua vida. Nisto ele certamente é um exemplo. Contudo, o mais interessante em sua história é que sua vida de devoção às escrituras, demonstraram ao povo os valores apresentados na Lei do Senhor.

 

C.      Prática das Escrituras

Se o conhecimento não for reproduzido é inútil. Crescer no conhecimento das escrituras, como um movimento dissociado da prática é tolice intelectual, academicismo irrelevante, perda de tempo. É a apresentação da vaidade nas práticas cristãs, é correr atrás do vento. Qualquer atitude de vanglória, de vaidade é uma busca inútil e sem frutos. Há crescimento intelectual, mas não vivencial. É como um belo prédio, forte, alto, bonito e sem vida e sem frutos. A vida cristã é análoga à vida: deve crescer, prosseguir à maturidade, reproduzir, instruir, disciplinar, ser disciplinado, buscar aperfeiçoamento, ser aperfeiçoado, contudo, sem orgulho ou vanglória.

 


[1] C.S.Lewis, Screwtapes Letters (New York:Macmillan, 1952), pp. 131ss IN: PETERSON, Eugene, Um pastor Segundo o coração de Deus (Rio de Janeiro:Textus, 2000), pp.13.

[2] Caio Fábio.

02.10.09

Palavras-Chave no Sl.119

Enviado em Bibliologia tagged , , às 11:45 am por Marcelo Berti

Uma análise etimológica dos termos referentes a “Lei”

 

Introdução

 

  • A leitura de Salmos é muito agradável pelo fato de conseguir captar a realidade da experiência humana, quer pelo sofrimento, choro, alegria ou o louvor;
  • Por essa razão o Livro de Salmos merece nossa atenção;
  • Em especial o Sl.119, que é o Louvor expressivamente poético sobre a Excelência da Lei de Deus;
  • Ele merece destaque por várias razões: (1) É o maior dos Salmos; (2) É um acróstico alfabético em que cada estrofe de oito versos é dedicada a uma das letras do alfabeto hebraico; (3) Cada um dos oito versículos de uma estrofe começam com a mesma letra;
  • O que podemos ver é que a Lei de Deus contém tudo que o homem precisa saber;
  • Contudo, temos uma pequena dificuldade com a leitura desse Salmo, pois vemos muitos termos relacionados a Lei de Deus, e não conseguimos entende-las separadamente;
  • O intuito do estudo de hoje é exatamente fazer essa distinção e demonstrar a Grandiosidade da Lei de Deus;
  • Normalmente vemos as diferentes palavras empregadas para Lei sendo aplicadas à Bíblia;
  • Porém o Ideal é observarmos as palavras dentro do seu campo semântico, observando sua raiz e o desenvolvimento dela, a fim de cristalizar o conceito por trás do termo. Para isso, precisaremos observar separadamente cada um dos verbetes para então compreender o seu conceito.

 

Quadro Etimológico

 bla

Estudo Etimológico

 

O estudo etimológico nos leva a compreensão do significado da raiz denominativa de um termo, bem como, nos auxilia a observar o desenvolvimento do seu campo semântico e notar o Significante e o Significado no seu Processo de Significação.

Todo termo é sujeito a um Processo de Significação, sendo influenciado pelo significante que produz, ou origina, um novo significado para o termo.

O Significante refere-se a palavras e aos seus sentidos. Contudo, os sentidos de um termo podem ser estabelecidos tanto socialmente, como individualmente. Portanto, é ao mesmo tempo abstrato e relativo. Segue-se que no processo de significação de um tempo, ele pode assumir diversos significados. Logo, o Significado de um termo depende do contexto sócio-cultural e lingüístico que é empregado. Sendo assim, palavras não têm significado em si, mas contém significado. Por mais que o significado seja comumente associado à definição encontrada em um dicionário, o contexto sócio-cultural e lingüístico, aliado à comunicação, é que vai determinar o significado empregado com o termo em uso[1].

 

Tora:  Lei, ensinar, instrução, decisão.

 

É o termo mais abrangente de todos os que serão estudados, conforme foi demonstrado pelo gráfico etimológico.

 

  • Provém da Raiz yara: Lançar, lançar corretamente (pedras) Lançar Flechas. É metaforicamente utilizado como mau por trás de uma emboscada para o íntegro (Sl.64.4); é utilizado, com sentido semelhante em relação a Deus, que fere o mau em proteção do íntegro (Sl.64.7); é também utilizado como sinal.
  • Tem relação com yoreh: Expressa a idéia de primeira chuva. É utilizado tanto no sentido de bênção natural, mas com Deus no controle (Dt.11.14; Jl.12.2), como no sentido de bênção espiritual (Os.10.12).

 

A idéia básica por trás da raiz do termo “tora” é a idéia de “ensinar”:

 

  • Ensinar: é apresentado no Velho Testamento como o encargo da Sabedoria, principalmente no livro de Provérbios; e do sacerdote;
  •  
    • O sacerdote deve ensinar a Lei dada por Moisés (Lv.10.11; Dt.33.10);
    • Joás agiu retamente enquanto foi ensinado por Joiada (2Re.12.2);
    • Quando a motivação do sacerdote fosse errônea ele era considerado como professor de mentiras (Is.9.15);
    • Os ídolos são apresentados com a mesma nomenclatura.
  • Ato relacionado com a ação do Espírito Santo:
    • Bezalel e Aoliabe (Ex.35.30-35)
  • Deus se descreve como aquele que ensina:
    • Deus ensina o que Moisés deveria falar (Ex.4.15);
    • Deus ensina o caminho certo aos pecadores (Sl.25.8);
    • Deus ensina os que O temem o caminho a seguir (Sl.25.8)
    • Os salmistas constantemente pedem instrução para poder manter os estatutos (Sl.27.11; 86.11; 119.33);

 

 

Escopo da Palavra

 

  • Significa basicamente ensinar:
    • O homem sábio ensina a seu filho: A sabedoria ensina e dá perspicácia em todos os aspectos da vida de forma que o jovem possa saber se administrar e viver um vida santificada (Pv.3);
    • Deus ensina Israel: Da mesma forma, Deus concede ao homem a mesma perspicácia para saber viver bem e saber como chegar-se a Deus.
    • Lei: É pela Lei que Deus evidencia, demonstra, aponta o interesse dele em “todos os aspectos” da vida do homem, que sra vivida debaixo da direção e do cuidado dEle.
  • A Lei de Deus é um paralelo com a Palavra de Deus:
    • Significa que a Lei é a Revelação da Vontade de Deus (Is.1.10): Por isso ela se torna a sabedoria e o entendimento de Israel de forma que as outras nações se maravilhem com sua qualidade do estilo de vida (Dt.4.6);
  • Especificamente refere-se a qualquer grupo de regras:
    • Nesse sentido é considerada como: estatutos, ordenanças, mandamentos e testemunho; (Ex.12; Lv.7.37; 14.57; Nm.5.29 – neste sentido relaciona-se com os outros termos abordados);
  • O sentido ganha perspectiva adicional à luz de Deuteronômio:
    • Em Deuteronômio Moisés inclui o aspecto moral e cerimonial da Lei sob o mesmo título. “O genial em Dt é interpretar a Lei externa à luz dos efeitos dos desejos internos expressos externamente” e “O livro de Dt demonstra que a Lei tem significado amplo para cercar a história, os regulamentos e as interpretações e exortações do povo de Israel” (TWOT);
  • Posteriormente veio a incluir todo o Pentateuco: Aqui nota-se o caráter abrangente do termo.

 

 

‘edah: É utilizada no Sl.119 como: estatutos, testemunhos, palavras, discernimento.

 

  • Mais normalmente traduzida como testemunhos;
  • Segundo o DITAT é utilizado apenas no plural e refere-se às leis outorgadas por Deus com autorização divina. É provavelmente uma grafia diferenciada de ‘edut.

 

Origem Etimológica

  • O termo em pauta provém da raiz de ‘ud;
  • Relaciona-se com ‘ôd, ‘edah no singular e ‘edut;

 

‘ûd: Voltar, Repetir;

  • É a forma verbal de ‘ed, que significa testemunha.
  • Utilizada como Dar testemunho, admoestar, advertir;
  • Aplicação:
  • o Transação comercial: Jr.32.10, 25; 1Re.21.10, 13; Is.8.2; Jó.29.11
  • o Juízos de Deus: Dt.4.26; 30.19; Is.1.2; Dt.31.28
  • o Advertência Enérgica: No sentido de executar ou sofrer
  • § Atividade Humana: Gn.43.3; Ne.13.15; Ex.19.21; 1Sm.8.9; Ex.21.29
  • § Atividade divina: 2Re.17.15; Sl.50.7; 81.8; Jr.11.7
  • § Atividade divina mediada: 2Cr.24.19; Ne.9.26; Jr.42.19; Am.5.13;

 

‘ed: Testemunha

 ”Aparentemente o desenvolvimento semântico é de que uma testemunha é alguém que por reiteração apresenta enfaticamente o seu testemunho” (DITAT).

 

  • É a forma substantiva do verbo denominativo ‘ud;
  • Palavra de cunho jurídico;
  • Aplicação
  • o Testemunha: aquele que tem conhecimento de primeira mão de um fato (Lv.5.1);
  • o É obrigado pela Lei a dar esse testemunho (Pv.29.24);
  • o Era necessário pelo menos duas testemunhas para se confirmar a culpa (Mn.35.30; Dt.17.6);
  • o Pode ser falsa (Ex.20.16; Pv.21.28; 19.28; Dt.5.20) ou fiel (Pv.14.24; Jr.42.5; Pv.14.5; Is.8.2);

 

‘edah: Testemunhos, testemunha

  • Utilizada no plural e refere-se à lei de Deus
  • No singular, demonstra a constância de algo, fatos inequívocos, um acordo, uma Aliança (Gn.21.30; 31.50);

‘edut: Testemunho, Lembrete, sinal de advertência

  • Eventualmente traduzida como Advertência (2Re.17.15);
  • Encontrado com maior freqüência no plural no sentido de “testemunho” de Deus;
  • Aplicação
  • o Relacionado ao Tabernáculo: Exs.38.21; Nm.1.50, 53;
  • o Relacionado à Arca: Ex.25.22, 26, 33, 34; 30.6, 26;
  • o Quando sozinha pode significar Arca: Ex.16.34; 27.21; 30.36; Lv.16.13;
  • o Designa as “Pedras dos Mandamentos”: Ex.24.12; 31.18; 32.15; 34.29;
  • o Utilizada no Sl.119 como sinônimo da Lei: v.2, 22, 36, 79, 88, 146, 157 (entre muitos outros);
  • o Utilizada na cerimônia de coroação de um rei[2] (2Re.11.12);
  • o Advertência: 2Re.17.15; Ne.9.34; cf. Jr.44.23;
  • o A lei foi dada como um sinal de Advertência de Deus para os homens;

 

 

Mitsvah: Mandamentos, promessa

 

Origem Etimológica

  • O termo em pauta provém da raiz de tsavah;
  • Relaciona-se com tsiyun e tsav;

 

Tsavah: ordenar, incumbir

  • Designa instrução:
  • o De um Pai para um Filho: 1Sm.17.20;
  • o De um fazendeiro aos seus lavradores: Rt.2.9;
  • o De um rei aos seus servos: 2Sm.21.14;
  • Instrução por autoridade concedida:
  • o Líder presta contas a Deus: 2Sm.7.7;
  • o Josué nomeado por Deus: Nm.27.18;
  • o Davi nomeado por Deus: 1Sm.13.14;
  • o O profeta tem autoridade porque fala o que Deus ordena: Jr.1.7; Dt.18.18;
  • Relacionado com a Atividade Criativa e Soberana de Deus:
  • o Deus ordenou que o mundo viesse a existir: Sl.33.9; Is.45.12;
  • o Por essa razão todas as criaturas e elementos lhe obedecem as ordens: 1Re.17.4; Jó.37.12; Sl.78.23;
  • o Deus dirige o curso da história, pois ordenas os eventos: Lm.3.37;
  • o Deus providencia meios para que seja realizado o que ele determina: Ex.31.6; 36.1;
  • Relacionado com a Fidelidade e Veracidade de Deus:
  • o Deus ordenou a Aliança: Sl.105.8; 111.9;
  • o Ordenará bênçãos aos fiéis à aliança: Dt.28.8; Sl.133.3;
  • o Deus se lembra do que ordenou e é cuidadoso em cumprir o que disse: 1Cr.16.15;
  • Relacionado a Retribuição de Deus, conforme sua fidelidade:
  • o Desobediência implica em maldição: Gn.3.16-19; Dt.31.29;
  • o Obediência em bênção: Gn.6.22; 7.5; Ex.12.28, 50; Dt.5.33; 6.25;

Mitsvah: Mandamento

  • Em situação de aquisição de terra significa contrato: Jr.32.11;
  • Na escola da sabedoria significa instrução ministrada do professor para o aluno: Pv.2.1;
  • Normalmente como estipulações específicas da Aliança: Ex.24.12;
  • Deus os revela:
  • o O homem não necessita viver em busca deles: Dt.30.11
  • o Deus busca o homem muito antes do homem procura-lo;
  • Características dos mandamentos:
  • o Puros: Sl.19.8;
  • o Verdadeiros: Sl.119.151;
  • o Confiáveis: Sl.119.86;
  • o Retos: Sl.119.172;
  • Quem tem prazer neles é chamado de bem aventurado: Sl.119.47; 112.1;
  • Os mandamentos de Deus proporcionam:
  • o Uma compreensão mais profunda do significado da vida, para que ela seja vivida em seu sentido completo: Sl.19.8, 9; Dt.5.9; 6.2; 8.11;
  • o Sabedoria e respeito dos que estão ao redor: Dt.4.5;
  • Quem os segue em muitos casos é elevado à posição de liderança: Dt.28.13;
  • Guardar mandamentos é uma expressão de amor: Dt.11.1;
  • Deus concede seu amor a quem guarda seus mandamentos: Dt.5.10;
  • Os mandamentos devem ser:
  • o Lembrados: Nm.15.35;
  • o Escritos nos umbrais das portas: Dt.6.9
  • o Ensinados e falados aos filhos com freqüência: Dt.6.6, 7
  • Os mandamentos foram preservados ao serem escritos no livro da lei: Dt.30.10;
  • Não se deve acrescer nem retirar deles alguma coisa: Dt.12.32; 5.32;
  • Viola-los implica em culpa: Lv.4;
  • O que faz pouco caso deles é eliminado do povo de Deus: Nm.15.31; 2Re.11.31-39; 14.8;

 

 

Piqudim: Utilizada no Sl.119 somente como preceitos

  • Pode ser utilizada como preceitos, estatutos, mandamentos;
  • Utilizada somente no plural;
  • Aparece apenas em Salmos (24x onde 21 estão no 119)
  • Termo genérico que indica as responsabilidades que Deus coloca sobre seu povo;

 

Origem Etimológica
  • O termo em pauta provém da raiz de paqad;
  • Relaciona-se com pequdda, pequdim, paquid, peqidut, piqqadon;

 

Paqad: computar, calcular, visitar, castigar, nomear

  • Sentido básico de supervisionar um subordinado, tanto no que tange a inspeção, como para tomar providência para obter mudança considerável na situação do subordinado;
  • Verbo de maior dificuldade de tradução, provavelmente o mais difícil em Hebraico;

Pequdda: Inspeção, cargo, funcionário, relato, acusação, custódia, ordem, supervisão, castigo;

  • Intervenção por um poder superior para proporcionar mudança no subordinado;
  • Mudança normalmente para pior;
  • Intervenção ativa para ajudar ou ferir (Jó.10.12);

 

Pequdim: Total

  • Uma ocorrência no VT (Ex.38.21);

 

Paquid: Superintendente, líder;

  • Designa um subordinado que foi colocado numa posição de supervisão;

 

 

Choq: Utilizada no Sl.119 como decretos e testemunhos.

  • Normalmente utilizada como decretos;
  • Também traduzida como ordenança, dever e obrigação;

 

Origem Etimológica
  • O substantivo masculino (choq) vem de chaqaq (128x);
  • O Substantivo feminino equivale a chuqqa (102x);

 

Chaqaq: entalhar, retratar, determinar, inscrever, decretar, governar;

  • Sentido básico:
  • o Cortar ou entalhar pedra (Is.22.16);
  • o Fazer desenho em Tijolo (Ez.4.1);
  • o Desenhar num muro (Ex.23.14);
  • o Escrever na Palma da Mão – Tatuar (Is.49.16);
  • o Escrever em um livro (Is.30.8; Jó.19.23)
  • Pode referir-se
  • o Ação legislativa (Is.10.1; Pv.8.15);
  • o Provavelmente, essa forma correlacione-se com mehoqeq, governante, legislador (Gn.49.10, Is.33.32) ou com comandante (Jz.8.27, 29). Utilizado em referência ao Messias em Gn.49.10.

 

Chuqqa: Estabelecimento de uma lei, estatuto ou ordenança;

  • Sentido básico de estatuto, decreto dado por Deus;
  • Utilizado com ‘ôlam (eterno) em referência a:
  • o Páscoa (Ex.12.14);
  • o Festa dos Pães Asmos (Ex.12.17, 13.10);
  • o Festa dos Tabernáculos (Lv.23.41);
  • o Dia da Expiação (Lv.16.29, 31, 34)
  • o Sacerdócio Araônico (Ex.29.9);
  • o A Lâmpada (ex.27.21);
  • o Veste de linho do sacerdote (Ex.28.43);
  • o A proibição da gordura e do sangue (Lv.3.17); Sacerdote beber vinho (Lv.10.9) e certas comidas (Lv.23.14); Levitas herdarem a terra (Nm.18.23).
  • Em algumas passagens é paralelo a Juizo (mishpat – 2Sm.22.23; Sl.18.22) e Mandamento (mtswah – Dt.6.2; 28.15, 45; 30.10);
  • Termo legal;

 

Choq: Estatuto, costume, lei, decreto;

  • A Septuaginta utilizou três palavras basicamente para traduzir choq: prostagma (ordem ou injunção), dikaioma (regra ou exigência) e nomimon (mandamento);
  • Choq ocorre juntamente com outras palavras designativas de lei: tora, mishpat, ‘edut e mitsvah.
  • Atualmente tem se procurado mostrar que choq indica aquilo diante do que os homens devem reagir obedientes, embora não se aplique a todos os casos.
  • Pode ser vista como regra ou prescrição:
  • o Imposta por Deus (Ex.18.16) ;
  • o Imposta pelo Homem (Gn.47.26; 2Cr.35.25; Jz.11.39; Ez.20.18; 1Sm.30.25);
  • É utilizada com berit (aliança) significa as exigências que Deus fez ao povo de sua aliança;
  • Implica em direitos e deveres (Sl.2.27);
  • Indica direito legal:
  • o José dá a Faraó um quito do que a terra produz (Gn.47.26);
  • o Isaías fala sobre leis injustas, mediante as quais roubava-se os pobres (Is.10.1);
  • o O mar tem direiro a agitar-se (Pv.8.9; Jr.5.22; Jó.38.10);
  • Pode significar costume (Jz.11.39; Lv.18.3, 30; 20.23);

 

 

Mishpat: Utilizada no Sl.119 como ordenanças, leis, ordens.

  • Representa a idéias mais importante para uma concreta compreensão do que seja governo;

 

Origem Etimológica
  • Provém de shapat;
  • Relaciona-se com shepet, shepot;

 

Shapat: Julgar, governar;

  • Sentido básico é executar processo de governo;
  • Tradução usual é julgar no sentido de “exercer no funções judiciais no governo”;
  • Significa basicamente governar, dominiar, sendo que no particípio pode-se traduzir por líder;
  • A idéia de governo em comunidades antigas estava arraigada na pessoa, e não em um código legislativo;
  • É empregada como “agir como governante” e é aplicada a:
  • o Congregação de Israel (Mn. 18.22-28);
  • o Juízes (Dt.1.16; Jz.16.31; 1Sm.7.16, 17);
  • o Rei (Jz.8.20);
  • o Messias (Sl.72.4);
  • o Deus (Sl.93.13; Gn.18.25);
  • o Autoridade Mediada (Ex.18.13, 15) – Todos;
  • Ação de decidir como juiz na esfera civil, familiar e religiosa (Sl.72.2-4; Dt.25.1);
  • Executar ou providenciar execução de decisões judiciais (livrar, vindicar, condenar, castigar – 1Sm.24.15);

 

Shepet: Julgamento

  • Aparece sempre no plural shepatim;
  • Sentido básico de julgamento penal, castigo (ex.6.6 – da parte de Deus):
  • o Juízo (Ez.14.21);
  • o Castigo divino mediado (Ez.16.41);

 

Shepot: Juízo

  • Usada duas vezes no sentido de juízo;

 

Mishpat: Justiça, ordenança, costume, maneira;

  • Traduzida como justiça:
  • o A clara distinção que temos hoje de governo legislativo, executivo, judiciário não existia no mundo antigo, por isso a tradução do termo para justiça pode ser deficiente;
  • o O termo originário de mishpat, shapat diz respeito a governo totalitário;
  • o Portanto, tanto o verbo como o substantivo abrangem todos os aspectos de um governo;
  • Contudo, a melhor tradução da idéia central do termo mishpat para o português seria “justiça”;
  • Características (ligação estreita com a justiça de Deus):
  • o Decidir uma ação litigiosa (Ex.21.31; Dt.35.1; Js.20.6);
  • o Local onde a decisão ocorre (1Re.7.7);
  • o O processo litigioso (Is.3.14; Jó.22.4; Sl.143.2);
  • o Um caso de litígio levado ao magistrado (1Re.3.11; Jó.13.18; 1Re.8.59);
  • o Sentença ou decisão dada por um magistrado (Juízo – 1Re.20.40; Sentença – Jr.26.11, 16);
  • o Época do julgamento (Sl.1.5; Ec.12.14);

 

Resumo

 

  • Torah: Lei de Deus, Instrução, Ensino;
  • ‘edah: Expressão de Advertência divina contra o Juízo;
  • Mitsvah: Ordem que não pode ser descumprida;
  • Piqud: Indica as responsabilidades que Deus coloca sobre seu povo;
  • Choq: Demonstra Deus como Rei e Legislador e a Lei como decretada e julgada por Deus;
  • Mishpat: Exercício efetivo da justiça divina;

 

 


[1] Exemplos: Vossa Mercê – Vosmicê – Você; Avexado: Vergonha, pressa; Pior: Uso com sentido positivo; Bacana: Origina de Bacanal; Terrível: Sentido positivo: aquele que causa terror; Sentido negativo: Horrível, feio, de aparência desprezível; arteiro; Dizimar: dízima, dízimo, destruir.

[2]O Objetivo desse gesto (…) era lembrar o rei de que a Lei havia de controlar tanto sua vida pessoal quanto seu reinado como monarca (cf. 1Re.2.3; 1Cr.29.19; 2Cr.34.31)” DITAT.

Visão dos autores neotestamentários da Escritura

Enviado em Bibliologia tagged , às 11:07 am por Marcelo Berti

Visão de Paulo 

  • Identificação do Processo da Revelação

Romanos 1.1-2: Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus, o qual foi por Deus, outrora, prometido por intermédio dos seus profetas nas Sagradas Escrituras

 

  • Causa Primária: Deus

 

  • Causa Secundária: Profetas

 

  • Efeito: Sagradas Escrituras

 

 

  • Escrituras Originadas no Próprio Deus

Romanos 3.2: Muita, sob todos os aspectos. Principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus.

 

Romanos 9.15: Pois ele disse a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão.

 

  • Participação Instrumental Humana

Romanos 9.25: Assim como também diz em Oséias: Chamarei povo meu ao que não era meu povo; e amada, à que não era amada;

 

Romanos 9.27-29: Mas, relativamente a Israel, dele clama Isaías: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo. Porque o Senhor cumprirá a sua palavra sobre a terra, cabalmente e em breve; como Isaías já disse: Se o Senhor dos Exércitos não nos tivesse deixado descendência, ter-nos-íamos tornado como Sodoma e semelhantes a Gomorra

 

Romanos 10.5: Ora, Moisés escreveu que o homem que praticar a justiça decorrente da lei viverá por ela.

 

 

  • Credibilidade das Escrituras

Romanos4.3: Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.

 

Gálatas 3.8: Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti

 

Gálatas 3.16: Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo

 

 

  • Abrangência e Aplicação

1Timóteo 5.18: Pois a Escritura declara: Não amordaces o boi, quando pisa o trigo. E ainda: O trabalhador é digno do seu salário.

 

Deuteronômio 25.4: Não atarás a boca ao boi quando debulha

 

Lucas 10.7: Permanecei na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem; porque digno é o trabalhador do seu salário.

 

1Coríntios 15.3-4: Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.

 

Romanos 16.25-27: Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos, e que, agora, se tornou manifesto e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações, o Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém!

 

 

Visão de Pedro

  • Participação do Espírito Santo na Revelação e Humanidade dos Escritores

1Pedro 1.10-12: Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam. A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar.

 

  • Superioridade das Escrituras a Experiência Humana

2Pedro 1.16-19: Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade, pois ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. Ora, esta voz, vinda do céu, nós a ouvimos quando estávamos com ele no monte santo. Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração.

 

  • Abrangência e Valor

2Pedro 3.15-16: E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles.

 

 

Visão do Autor de Hebreus 

  • Apreço Exegético pela Escritura

Hebreus 3.7-8: Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração como foi na provocação, no dia da tentação no deserto. (cf.Hb.3.12-19)

 

Hebreus 4.3: Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso. (cf. Hb.4.4-9)

 

Hebreus 7.17: Porquanto se testifica: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. (cf.Hb.7.1-28)

 

 

  • Identificação do Poder da Escritura Relacionada com o Próprio Deus

Hebreus 4.12-13: Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.

 

  • Revelação Progressiva

Hebreus 1.1-2: Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.

 

 

Visão de Jesus

 

  • Credibilidade do Antigo Testamento

Mateus 10.15: Em verdade vos digo que menos rigor haverá para Sodoma e Gomorra, no Dia do Juízo, do que para aquela cidade.

 

Mateus 12.39-40: Ele, porém, respondeu: Uma geração má e adúltera pede um sinal; mas nenhum sinal lhe será dado, senão o do profeta Jonas. Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra.

 

Mateus 19.4-5: Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne?

 

 

  • Apreço Literal ao Texto

Mateus 22.32: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos.

 

Mateus 22.41-45: Reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam-lhe eles: De Davi. Replicou-lhes Jesus: Como, pois, Davi, pelo Espírito, chama-lhe Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés? Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho?

 

 

  • Fidelidade das Escrituras

Mateus 5.18: Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. (cf.Mt.24.35).

 

Lucas 24.44-45: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras.

 

 

  • Digna de Ser Ensinada

 

Lucas 24.25-27: Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras. (cf. Lc.24.32).

Revelação Moral de Deus

Enviado em Bibliologia tagged , , às 10:53 am por Marcelo Berti

I. CONCEITO DE REVELAÇÃO

 

Revelação: É o ato de manifestar, tornar conhecido, demonstrar algo a alguém;

 

Revelação Moral de Deus: É o ato soberano, consciente e intencional pelo qual Deus torna conhecido seu Caráter Moral aos objetos de Sua Criação. Essa revelação acontece de duas formas: Subjetivamente e Objetivamente. 

Subjetiva: Manifestação de Deus de forma não proposicional, intencional, particular e pessoal de modo que todo ser humano desfrute de um senso de justiça comum.

Objetiva: Auto-desvendamento de Deus de forma proposicional, intencional e completa pelo qual faz conhecido Seu Caráter por meio das Escrituras.

 

A revelação moral de Deus, objetiva ou subjetiva, é completamente verificada pela Palavra LEI. A Lei de Deus é a expressão final (completa, télica) do Caráter Moral de Deus, e nela encontra-se absolutamente todo o TEOR MORAL do Criador.

 

II. CONCEITO DE LEI

 

A. Origem do Termo

 

Grego:

Nomós: Lei. Conjunto de Instruções; Princípio de conduta de um governo; Sistema Legal;

O termo grego nomós é derivado de um outro termo grego interessante: nemo.

 Nemo: Existem dois conceitos interessantes nesse termo: (1) Alimentar animais, fazer pastar o gado; (2) No Grego clássico é comumente utilizado no sentido de atribuição (distribuir, dispensar).

 É possível, então, que a origem do Conceito de Nomos esteja relacionado com algo que é atribuído por alguém.

 Latim:

Lex: O Termo latino deriva do termo grego lego, como algo que foi dito por alguém.

 Segundo essas observações, Augustus Hopinks Strong disse: “Todas estas derivações mostram que a concepção original que o homem tinha sobre a lei é a de algo que procede da volição“.

 

B. Definição do Termo 

  1. Lei implica na existência moral e volitiva do Legislador
  2. Lei é a expressão da vontade do legislador;
  3. Lei é a expressão do caráter do legislador;
  4. Lei é a determinação moral que tem poder para impor limites morais.

 

III. MANIFESTAÇÃO DA LEI MORAL DE DEUS

 A. Consciência

 A Consciência é a demonstração final da Criação divina e da impressão do caráter moral de Deus presente em todos os seres humanos. A humanidade não está livre do conhecimento moral de Deus, pois está gravada no seu coração a norma da lei de Deus.

Rm.2.12-15.

 Como um ser humano caído em um estado destrutivo de pecado pode proceder de acordo com a LEI MORAL DE DEUS? (Ex. Só falta ser crente).

 TEXTO:

Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos“.

  • § Gentios e a Prática Natural das Escrituras: O termo que nos chama a atenção é “natureza”. É possível que um gentio aja em conformidade com a Lei de Deus, sem dela ser conhecedor? Sim. O Termo para natureza não é um termo tão educado para Paulo, como vemos nos seguintes textos: Rm.1.26; Ef.2.3; NATUREZA como aquilo que é inato da humanidade (sinônimo da expressão “na carne” como demonstração da ausência do espírito, da salvação).

 TEXTO

Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se, no dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu evangelho

  • § Norma da Lei: A tradução não parece apropriada aqui. O Termo Grego traduzido como ‘norma’ está ligado com realização, obra. A NVI utilizou o termo “exigências”, o que também parece um pouco exigente demais para o termo. O interessante é que Paulo testemunha um certo senso de justiça presente no homem, mesmo após a queda. Ou seja, a manifestação moral de Deus está presente em todo homem, como demonstração final da criação do homem. Um ponto interessante é que a presença do pecado na humanidade é capaz de fazer calar esse senso de justiça de tal forma que torna-se insensível ao conteúdo moral de sua própria constituição natural. 
  • § Gravada no coração: Literalmente: marcada com letras com coração. A impressão digital de Deus na humanidade é vista pelo carimbo da moralidade impressa em todos os seres humanos tal forma que a própria constituição do homem natural (sem Deus) está fadada à prestar contas dos seus próprios atos diante de Deus, em conformidade com sua própria concepção da verdade moral. O coração como a cede da intelectualidade, da volição e emoção hebraica é também o centro da expressão moral de Deus. 
  • § Testemunhando também a consciência e os pensamentos: A consciência humana não é o ambiente da impressão moral de Deus, antes, a consciência é testemunha, corrobora, ou suporta por testemunho fidedigno essa verdade estampada na criação. Os pensamentos também são testemunhas dessa verdade. Paulo quando refere-se a essa verdade utiliza um termo interessante que reflete o produto do processo cognitivo, a reflexão, a razão. Ou seja, a própria reflexão humana, sensata, é testemunha da verdade da impressão digital na moralidade humana. Entretanto, tal testemunho, ora favorece, ora desfavorece o comportamento. É por isso que o mais depravado (prático) dos pecadores ainda resta ambiente para o remorso e o arrependimento. Quando esse ambiente é completamente deteriorado, consideramos o deficiente moral como insano, onde seu próprio raciocínio lógico, ou sua razão e o produto dela, já não reflete mais a normalidade esperada de sua humanidade. 
  • o Destruição Moral da Consciência: Os fariseus testemunharam a presença da consciência como sinal da moralidade existente na humanidade (Jo.8.3-9). Jó, de modo diferente dos fariseus, atesta, mediante aprovação da sua consciência que manteve sua justiça (Jó.27.6). Paulo identifica a consciência como marcada pela moralidade (Rm.13.5). Paulo também buscar manter o a consciência pura diante de Deus (At.23.1; 24.16; cf. Rm.9.1; 1Tm.1.5; 2Tm.1.3), como sinal de que a mesma poderia ser pervertida (1Co.4.4). Tal boa consciência pode ser abandonada e resultar no naufrágio da fé (1Tm.1.9). De forma interessante o autor de Hebreus aponta para o ato futuro de Deus em purificar a consciência daqueles que foram lavados pelo sangue de Cristo, mais uma demonstração de que o próprio cristão pode estar sujeito a deterioração da própria consciência. Outro sinal interessante relacionado à consciência é que a mesma pode ser completamente calada. Esse é o conceito que Paulo apresenta ao quando usa a expressão “consciência cauterizada” em 1Tm.4.2. Ora se o cristão pode rejeitá-la, fazê-la calar, é possível que pagãos vivam por fazê-lo, dependendo da situação em que vivem. Essa percepção parece ser refletida por Paulo quando diz que os descrentes e impuros tem sua consciência corrompida (Tt.1.15). Por essa razão a revelação moral de Deus atestada pela consciência pode tornar-se tão ineficaz. 
  • o Destruição Moral dos Pensamentos: Paulo apresenta o conceito de da renovação que o cristão deve ter com a própria mente (Rm.12.2) ; do cuidado que deve ter para não ser persuadido pela astúcia de outros e deixar a mente ser corrompida a ponto de abandonar a simplicidade devida a Cristo (2Co.11.3) e da promessa de que a Paz de Deus guardará nossa mente em Cristo Jesus. Isso demonstra a falibilidade que a humanidade, mesmo depois de regenerada, tem em manter íntegra sua mente. Por outro lado, Paulo apresenta um aspecto carnal na disposição mental, mesmo do regenerado (Cl.2.18), de forma que alguns, em nome do Ministério tem promovido enganos pois tem mente pervertida (1Tm.6.5) e reprováveis na fé (2Tm.3.8; cf. Tt.1.15). Coisas piores são vistas na mente dos que ainda não foram regenerados, pois a mente é o terreno fértil para o desenvilvimento da maldade (Lc.1.51; cf. Mt.9.4; Lc.5.22),de modo que mesmo no coração do sábio seja encontrada a frivolidade (1Co.3.20). Outro detalhe sobre a humanidade é que em modelo “defaut” ela está armada e apontada para a maldade, de modo que a vontade dos pensamentos é equiparada com a vontade da carne (Ef.2.3), e ainda são movidos pela soberba da ausência de Deus, por terem suas mentes enegrecidas pela ignorância que vivem do próprio Criador e pela dureza do próprio coração (Ef.4.17). Provavelmente, é na mente que vemos a maior rebeldia ao próprio Deus, de forma que o Ele mesmo é responsável por conduzir o homem a uma disposição mental reprovável para particarem coisas inconvenientes (Rm.1.28).

 

B. Escrituras

As escrituras são a DEMONSTRAÇÃO PROPOSICIONAL da Lei Moral de Deus, de tal forma que seu conteúdo não apresenta ambigüidade conceitual na definição do ambiente prático da moral. As escrituras são o padrão pelo qual o comportamento humano é equiparado. Observe novamente o texto:

Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos

  • § A que Lei Paulo refere-se quando diz ‘de conformidade com a lei‘? É provável que Paulo esteja considerando a TORÁ como revelação proposicional do caráter moral de Deus. Se isto é verdade, para Paulo o padrão a que devem ser comparados os diferentes comportamentos das diferentes pessoas está nas escrituras. Isso não tornaria o padrão pessoal de cada um como modelo de conduta, mas como um princípio pelo qual poderiam ser julgados e ainda encontrados como faltosos (eles servem de lei para si mesmos).
  • § Por isso, na prática, encontramos pessoas que desconhecem as escrituras e vivem à margem da verdade e ainda são pessoas compatíveis com a LEI MORAL de Deus.

Outro detalhe que merece nossa atenção é que tal reconhecimento só seria viável se Deus manifestasse-se final e objetivamente por meio da sua Auto-Revelação de forma proposional. Caso isso nunca houvera acontecido como poderíamos descobrir a verdade sobre o comportamento ou a forma correta pelo qual deveríamos proceder diante desse Deus. Inclusive esse mesmo raciocínio foi encontrado entre aqueles que questionaram sobre esse assunto:

“Não é fácil conhecer [os deveres], a não ser que o próprio Deus, ou alguma pessoa que os tenha recebido dEle, ou obtenha através dos seus recursos, os ensine aos homens” Pitágoras

“Aguardamos com paciência até que tenhamos certeza do conhecimento do como devemos nos portar para com Deus e para com o homem. Aguardemos alguém, seja Deus, ou alguém inspirado, que nos instrua sobre os nossos deveres e que afastemos as trevas dos nossos olhos” Sócrates

A intelectualidade pagã foi capaz de demonstrar que é possível reconhecer a moralidade, mas ainda assim seria necessária mais uma demonstração, da parte de Deus, ou de alguém enviado por ele, para que evidenciasse qual é o modo de vida compatível com sua Pessoa, Caráter e Propósito.

Por isso concluímos:

“A deformidade moral do ser humano após a queda EXIGE uma demonstração proposicional da LEI MORAL DE DEUS”

Talvez seja essa a razão pelo qual o apóstolo Paulo diga:

“Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás” Rm.7.7

 A TORÁ, como demonstração do caráter moral de Deus, permanece como apresentação fidedigna da vontade de Deus, visto que nela obtemos o conhecimento específico do pecado. Paulo nesse texto demonstra a especificidade de tal reconhecimento quando apresenta a cobiça como modelo pelo qual todos nós descobrimos nossos próprios pecados. Essa é também a verdade expressa em Rm.3.20; 5.20.

 Portanto, o Auto-devendamento do CARÁTER MORAL DE DEUS é o padrão absoluto para comparação da humanidade (o canon prático da vida cristã).