10.21.09

Devoção e Vida no Mundo

Enviado em Pregação tagged , , , às 12:06 pm por Marcelo Berti

Introdução

Para mim, é motivo de grande apreensão apresentar este estudo, pois vamos falar sobre devoção e sobre vida com Deus enquanto estamos no mundo. A minha proposta é, num primeiro momento, trabalhar com algumas definições para, em seguida, trazer algumas sugestões de como você pode manter a sua vida conectada com Deus enquanto está neste mundo. Eu irei tratar também de um assunto que trás um pouco de dificuldade, pois se refere às intenções do Maligno, às intenções de Satanás, para nossas vidas. Não parece um assunto muito convidativo, mas se deixarmos de dar atenção para as intenções que Satanás tem para a nossa vida, especialmente para o nosso relacionamento com Deus, teremos grande chances de estarmos despreparados para tratar disso.

O meu desejo é, em primeiro lugar, tornar claras algumas coisas e. em segundo lugar, trazer alguns desafios. Então eu peço a sua atenção. Vamos começar com algumas definições.

 

1. Conceito de “Mundo”

Temos uma palavra muito importante como tema da nossa mensagem que é a palavra mundo. Como vamos entender esta palavra e como vamos nos preocupar com ela, é o início da nossa reflexão. A palavra mundo tem diversos significados. Por exemplo, quando alguém vai dar uma festa, pode dizer: “Todo mundo vai lá em casa”. Você sabe que não se trata de todas as pessoas do planeta, mas de um grupo de pessoas que pertencem ao seu círculo de relacionamento e que vão estar nessa festa. É interessante quando você convida alguém que aparentemente quer ir, mas responde: “Não posso”, e você diz: “Mas todo mundo vai lá!”. Isso não quer dizer que aquela pessoa não faça parte do seu relacionamento ou que você a está excluindo do seu “mundinho”, mas é a forma como a gente usa esta palavra.

Eu me lembro que, quando estava no seminário, um amigo muito caridoso, preocupado com a minha situação de solteiro, resolveu me apresentar uma menina. Ele quis fazer propaganda dela para mim e falou: “Essa menina é muito legal, ela é dedicada, ela é uma pessoa bonita, mas ela vive no ‘mundinho’ dela!” Foi a pior propaganda que eu já ouvi sobre alguém. O que será que ele quis dizer com isso? Até hoje eu não sei, mas o fato é que nós usamos esta palavra (mundo) com diversos significados e com diversos temas.

As Escrituras também usam essa palavra com vários significados. É importante que, ao ler as Escrituras, você preste atenção a que tipo de significado esta palavra vai tomar no contexto em que está, porque  pode fazer muita diferença. A minha intenção não é fazer um estudo léxico desta palavra, mas um estudo temático rápido, para que você possa perceber os diferentes usos dela.

 

A. Local, lugar

Em primeiro lugar, as Escrituras usam a palavra mundo para descrever um lugar. Pode ser o universo, pode ser a Terra ou pode ser um lugar da Terra. Nós vemos uma expressão generalizada: Porque os gentios de todo o mundo é que procuram estas coisas. Mas o vosso Pai Celeste sabe que necessitais dela (Mt 6.32). Aqui neste texto, vemos uma aplicação de lugar: os gentios que estão em todas as partes do mundo, os gentios que são deste mundo todo é que tem buscado essas coisas. É uma referência a um lugar.

 

B. Pessoas

Essa palavra também pode fazer referência a pessoas de um determinado lugar ou pessoas em uma determinada ocasião. Vejamos o seguinte texto como ilustração: Os fariseus assustados com um grupo de pessoas que andavam atrás de Jesus, disseram uns aos outros: Não conseguimos nada, olhem como o mundo todo vai atrás dele (Jo 12.19). Trata-se de uma multidão de pessoas chamadas de “mundo todo”. Certamente, poderíamos incluir neste tipo de uso o texto de Jo 3.16: Porque Deus amou o mundoO amor do Pai não está colocado sobre um lugar, não está colocado sobre a estrutura física deste universo, mas o Pai ama os seres humanos, as pessoas. O amor de Deus, em Jesus Cristo, é manifesto em pessoas.

 

C. Caráter do ser humano

A palavra mundo tem nuances um pouco diferentes dessas, podendo significar ou exemplificar o caráter do ser humano. Pode também significar a aversão que o ser humano tem a Deus. Pode ainda significar aquilo que expressa o ser humano como distante de Deus. Um texto que exemplifica isso é o seguinte: O mundo não pode odiá-los, mas a mim odeia porque dou testemunho do que o que ele faz é mal (Jo 7.7). Este grupo de pessoas está sendo representado também como pessoas que estão distantes de Deus, cujo ódio é orientado contra Jesus Cristo. Nós vamos ver que esse ódio também é estendido a nós, que somos seguidores de Jesus Cristo. As atividades que esse mundo faz são obras más.

Em João 17.25, quando Jesus ora, Ele diz: …este mundo não te conheceu…, falando em relação às pessoas que não conheceram a Deus. Quando se trata do caráter da humanidade, contrário ao caráter de Deus, muitas vezes, nós vamos encontrar a palavra mundo como descrição daquele grupo de pessoas que não conhece a Deus e tem ódio contra Jesus Cristo. Esse ódio não precisa ser agressivo: basta a simples rejeição a Jesus Cristo, pois Jesus dá testemunho de que o que esse mundo faz é mal. E o impressionante é que o amor de Deus é apresentado justamente a essas pessoas cujo caráter é maligno, que rejeitam a Jesus Cristo e fazem aquilo que é mal diante de Deus.

Mundo também é uma descrição daquelas pessoas que são contrárias e distantes de Deus, são antagônicas àquilo que é espiritual e próximo de Deus.Por isso, temos uma escolha a fazer: podemos buscar as coisas mundanas ou as coisas espirituais.

 

D. Sistema

A palavra mundo também traz essa idéia de algo que é contrário a Deus na expressão de um caráter destruído pela presença do pecado. É interessante observar que esse grupo de pessoas descritas como quem tem ódio contra Deus, que não conhece a Deus, também faz parte de um sistema corrompido. Este grupo de pessoas não está isento de praticar pecado em um ambiente neutro, mas em geral ele está inserido num ambiente de antagonismo a Deus.

Em Efésios 2.5, vemos Paulo nos alertando que: Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, nos quais costumavam viver quando seguiam a presente ordem deste mundo. Este mundo tem uma ordem. A palavra que a versão Almeida Revista e Atualizada traz para ordem é “curso, direção” e a palavra grega que foi traduzida por estas duas palavras nos dá a idéia de que existe uma organização, um sistema que é corrompido.

As pessoas que demonstram o seu não-conhecimento de Deus estão inseridas em um sistema de aversão a Deus e de corrupção. Este é o estado, o lugar onde todas as pessoas que não foram salvas por Jesus Cristo se encontram. É nesse sistema que elas estão aprisionadas.

Em II Coríntios 4.4, é dito: O deus desta era cegou o entendimento dos descrentes para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Existe um domínio e existe um dominador por trás deste sistema. Esse sistema corrompido, que está ordenado para ir contra aquilo que Deus espera ou contra o Seu caráter, também tem um príncipe, um responsável por coordenar esse mesmo sistema, que vai coordenar a vida das pessoas. Quando falamos em vida mundana, estamos pressupondo que existe um grupo de pessoas que não conhecem a Deus, que estão debaixo de um sistema expresso pela aversão a Deus e que é dominado por alguém que é muito sagaz e inteligente para conduzir este sistema de forma que as pessoas se voltem contra Deus.

O interessante é que esse dominador não é um dominador qualquer, ele é um dominador ativo e está ativo agora. Naquele texto de Efésios 2.2, lemos: … nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência. Ele está atuando agora, neste momento! Ele está atuando agora, ele está muito ativo! Esse texto diz que ele está atuando naqueles que já vivem na desobediência, para que vivam em desobediência e para que fiquem cegos à verdade do Evangelho, para que mantenham a sua aversão a Deus.

É interessante que, por mais que eu e você já tenhamos essa idéia, essa percepção de realidade, não nos damos à atenção de perceber como esse mundo é conveniente e gostoso para nós. Porque, apesar do quadro tenebroso que traçamos até aqui, esse sistema, cujo dominador é astuto e quer distância de Deus, é atraente. Para falar disso, Jesus Cristo usou uma parábola muito conhecida que é a “Parábola do Semeador”, que diz (Mt 13:22): O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra e ela fica embutida. Esse sistema tem o poder de nos deixar fascinados. Muito embora o texto que lemos antes fale sobre a atuação de Satanás na vida daqueles que estão na desobediência, Jesus Cristo chama a atenção para aqueles que já tiveram contato com a Palavra, mas que se deixaram seduzir pelos cuidados do mundo. Esse mundo não é apenas tenebroso, ele é gostoso e atraente, ele chama a nossa atenção, conquista a nossa mente e tem o poder de transformar quem nós somos, seja sedução das riquezas, seja pela vaidade, seja pelo orgulho ou qualquer outra coisa. Este mundo, que é gostoso e atraente, tem também o poder de moldar a nossa vida.

Paulo estava preocupado com isso. Paulo sabia que isso era muito forte na vida dos cristãos em Roma. Ele sabia que este mundo já estava moldando aquelas pessoas com um tipo de comportamento e diz (Rm 12.2): Não se amoldem ao padrão deste mundo, porque este é o poder que ele tem. Enquanto estamos neste mundo, estamos debaixo de um sistema corrompido, destruído pelo poder do pecado e dominado pela mentalidade e inteligência de Satanás. É por isso que o mundo se apresenta tão atraente, tão gostoso e é por isso que ele é capaz de modelar a nossa vida. Às vezes, achamos que o mundanismo chega à Igreja ou à nossa vida pessoal quando estamos envolvidos nas piores perversões fora da igreja ou quando alguém da igreja está envolvido em um grande erro ou um grande pecado, mas não. Basta uma simples vida centrada na fofoca e na mentira que nós estaremos sendo mundanos, porque essas coisas são contrárias a Deus e fazem parte do sistema corrompido do qual Satanás é o mentor, pois ele é o pai da mentira.

O mundanismo está dentro da Igreja sempre que os cristãos se comportam como se comportavam antes de conhecer a Jesus Cristo. Isso é mundanismo. È isso o que corrompe a fé, é isso o que corrompe o bom ensino das Escrituras, é isso o que corrompe a boa prática das Escrituras, é isso o que corrompe sua vida com Deus.

Satanás sabe o que está fazendo neste mundo, pois deixou o mundo gostoso, atraente e destrutivo! Não é à toa que muitos dos cristãos tem se deixado destruir por se associar às idéias deste mundo. Não é à toa que muitos dos cristãos têm uma vida espiritual fraca, medíocre, seca, porque se deixaram seduzir pelos ensinos deste mundo. Esse mundo é corrompido, gostoso e destrutivo.

Nós temos que atentar para isso, porque não fazemos mais parte deste sistema, mas ainda vivemos em um mundo debaixo do domínio de Satanás. Por isso, quando as Escrituras usam a palavra mundo, não se pensa apenas em lugar, mas também em pessoas. Em pessoas que apresentam aversão a Deus e que estão inseridas em um sistema de corrupção, um sistema que conduz a uma vida de distância de Deus, que estão cegas, para que não vejam o Evangelho da graça de Jesus Cristo. Aqui acontece uma interação muito interessante, porque essas pessoas, cujos corações são corrompidos, moldam o sistema e pelo sistema são moldadas. Elas contribuem para a fluência desse sistema corrompido, da mesma forma que sofrem a influência desse mesmo sistema corrompido. Porque o grande dominador, o grande chefe que está por trás de tudo isso, é isso mesmo o que ele quer: que aqueles que não conhecem Jesus Cristo continuem ser conhecer e aqueles que já O conhecem vivam como se não o conhecessem. Foi por isso que ele fez um sistema tão atraente.

 

E. Cosmovisão Cristã

Por outro lado, a palavra mundo também nos ajuda a entender a cosmovisão cristã. De fato, precisamos entender qual é a nossa relação com esse mundo. Se nós prestarmos atenção naquilo que as Escrituras nos ensinam, vamos perceber que não somos mais parte deste mundo. Veja o que Jesus disse em duas passagens: Se vocês pertencessem ao mundo, ele os amaria como se fosse dele. Todavia vocês não são do mundo, mas eu os escolhi tirando-os do mundo. Por isso o mundo os odeia (Jo 15.19). Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, pois eles não são do mundo, como eu também não sou (Jo 17.14).

Jesus Cristo tinha nos dito que o mundo não nos podia odiar, mas agora que fomos por Ele resgatados deste mundo, agora que não fazemos mais parte deste sistema, agora que não somos mais contados entre as pessoas que vivem em oposição a Deus, nós também somos alvo desse ódio. Porém, mais interessante do que isso é que eu e você não fazemos parte disso, pois Jesus Cristo nos tirou deste mundo para que vivêssemos com Ele, em relacionamento com Deus: O mundo não pode receber o Espírito da verdade porque não o vê, nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois Ele vive com vocês e estará em vocês (Jo 14.17).

Nós fomos chamados para um diferente tipo de relacionamento, fomos habitados pelo Espírito Santo, fomos selados pelo Espírito Santo da promessa, fomos tirados deste mundo para vivermos em comunhão com Deus. É por isso que, às vezes, somos chamados de peregrinos. Estamos aqui, mas não somos daqui! É como se fôssemos forasteiros, estrangeiros. É por isso que esse relacionamento que existe entre nós e o mundo é também um relacionamento de rejeição. Você já percebeu como a literatura anticristã ou um filme anticristão tem “Ibope”? Você já percebeu que o mundo é tolerante com as outras religiões, mas não toleram a sua? Você já percebeu que o ecumenismo é lindo, o budismo é simpático, mas o cristianismo é repulsivo?

Esse sistema é coordenado contra Cristo. Um amigo meu vai se casar e sua sogra tem certa aversão à Igreja e a Jesus Cristo. Havia uma grande disputa sobre quem faria a cerimônia de casamento. Na mentalidade dela, todas as religiões são iguais, não há diferença entre elas. Meu amigo então perguntou: “Se é assim, porque não poderia ser um pastor?”, mas ela respondeu que pastor não poderia ser. Pode qualquer coisa, menos qualquer coisa relacionada a Jesus Cristo.

Esse tipo de hostilidade tem sido manifesta de formas diferentes através dos tempos, mas ele está bem aí! É interessante que, sabendo disso, Jesus Cristo nunca pediu para que nos escondêssemos em algum lugar, que fugíssemos dessa realidade ou que ficássemos escondidos dentro da Igreja. Muito pelo contrário, quando Ele orou disse (Jo 17.15): Não rogo que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Nós não somos daqui, mas devemos ficar aqui! Nós não somos deste mundo, mas devemos viver neste mundo! Nós não fazemos parte deste sistema, mas é neste sistema que nós vivemos! Por isso, somos convidados a ter uma vida santa e a andarmos em proximidade com Deus e Jesus Cristo, porque esse mundo é cruel e vai querer apagar a sua “luz”. Por isso, Jesus Cristo pede por proteção para nós, porque agora somos os Seus representantes neste mundo. Quando Jesus Cristo fala sobre a nossa representação, Ele ora a Deus pedindo: “Da mesma forma como o Senhor me mandou a esse mundo, como manifestação da verdade, como manifestação da glória, como propagador da Palavra de Deus, da mesma forma como o Senhor me enviou, Eu envio os meus filhos, os cristãos, aqueles que o Senhor me deu, Eu os envio ao mundo.” Nós não só devemos viver nesse mundo, mas devemos viver como representantes de Deus e de Jesus Cristo, ainda que isso gere ódio e hostilidade. Deve ser por isso que Pedro fala sobre vivermos de modo exemplar entre os gentios e Paulo nos chama a vivermos de modo digno do nosso chamado.

Nós fomos chamados por Jesus Cristo para sermos representantes dEle. Graças a essa representação, muitos poderão crer em Jesus Cristo por meio da mensagem dos apóstolos. Aqueles que demonstravam ódio contra Deus, que não podiam receber o Espírito Santo, agora são convencidos pelo Espírito de Deus para que sejam aproximados da Sua graça.

Em resumo, mundo refere-se a pessoas dentro de um sistema coordenado por Satanás, ao passo que nós não fazemos parte deste mundo, não nos associamos a ele, não participamos dos seus ideais, não nos deixamos sufocar por seus ideais. Nós somos enviados por Deus para estarmos entre essas pessoas como Seus representantes, como “luz”, como pessoas que vivem de modo digno do chamado que receberam, pessoas que vivem em conformidade com Deus, para que sejam testemunhas da Sua existência e da redenção que há em Jesus Cristo.

As grandes questões a serem consideradas são: “Como iremos viver piedosamente neste ambiente que é hostil? Como é que eu e você vamos ter nosso foco na devoção devida a Deus enquanto estamos neste mundo? Como vivermos conectados com Deus, desfrutando da Sua graça no dia-a-dia, enquanto estamos sendo, a todo tempo, chamados para a corrupção, sendo convidados a nos amoldar à forma deste mundo, que é tão atraente e tão destrutivo?”

 

2. Três Sugestões Para Vivermos Em Sua Presença

Eu gostaria de deixar três sugestões para que possamos estar neste mundo como representantes de Deus, sem nos associarmos à desgraça e à destruição que há nele, e sem participarmos da hostilidade que este mundo tem contra Deus.

 

1ª. Sugestão: Devemos aprender a experimentar solitude com Deus

O mundo em que vivemos é um mundo rápido e agitado. Se você tem tido chance, durante a semana, de pensar em fazer um devocional, talvez seu tempo seja tão escasso que o devocional fica para o fim do dia, quando você já está cansado e cheio de “coisas” na cabeça, sem condições para um tempo digno com Deus.

Esse mundo consome a nossa energia e a nossa disposição de estar diante de Deus. Se nós não aprendermos a gastar um tempo a sós com Deus, estaremos investindo em nosso fracasso espiritual. Talvez a sua vida seja um “tufão”, um “tornado” ou uma “tormenta”. Talvez você já não tenha mais tempo para nada, mas nós precisamos aprender a gastar tempo com Deus.

Charles Swindoll disse uma frase que me marcou muito nesses últimos dias em um livreto chamado “Intimidade com Deus”, que eu recomendo: “A transformação da alma acontece quando a serenidade toma o lugar da ansiedade”. Eu não sei qual é o melhor horário do seu dia para você desenvolver um tempo de intimidade com Deus. Para mim tem sido pela manhã, quando eu tenho todo o meu foco centrado em Deus, quando a mente ainda não está tão preocupada, quando a minha energia ainda está lá e eu posso descansar em Deus enquanto invisto em um tempo com Ele.

Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra (Salmo 46.10). Caia fora da agitação, pois Deus é mais alto do que os povos, mais alto do que a Terra, mais alto que o seu trabalho, mais alto que todas as suas dificuldades. O mais importante: se acalme, fique tranqüilo e reconheça que esse é o Deus que cuida da sua vida.

Tenha um tempo com Deus, quieto. Descanse no Senhor e aguarde por Ele com paciência; não se aborreça com o sucesso dos outros, nem com aqueles que maquinam o mal (Salmo 37.7). Não perca tempo da sua vida triste e chateado porque aquele “incompetente” do seu trabalho foi promovido e você não. Você pode ter sido deixado de lado por causa disso, mas descanse e aguarde por Ele! Não fique chateado, perdendo o seu tempo, porque pessoas de má índole ou mau caráter têm sido melhores do que você. Nós somos representantes desse Deus e devemos viver de modo digno. Devemos aprender a descansar nEle, porque Ele cuida de nós.

Podemos deixar a ansiedade de lado e desfrutar de tempo a sós com Deus. Nós não somos, nem um pouquinho, melhores que Cristo, eu tenho certeza disso, mas Ele mesmo tinha essa prática (Mc 1.35): De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa, foi para um lugar deserto e ficou orando. Se Jesus Cristo era quem era, Ele poderia dizer: “Eu e o Pai somos um, nós temos relacionamento, nós estamos em conexão”. Se Ele era quem era e fazia isso, porque nós achamos que não precisamos? Porque nós achamos que qualquer outra coisa é mais importante do que o tempo com Deus? Se deixamos de dedicar parte do nosso tempo diário para estarmos em intimidade com Deus, corremos o risco de fracassarmos espiritualmente, de mantermos a nossa mediocridade espiritual. Você pode até ter um bom comportamento, mas não tem relacionamento com Deus.

Falando sobre vida agitada, um grande amigo deu um conselho, que eu gostei tanto, para uma pessoa que estava ao meu lado, que quero registrá-lo aqui: “Se não aprendemos a dizer não a coisas boas, vamos deixar de desfrutar de coisas excelentes!”. Tem muita coisa boa acontecendo perto de nós. Se somos seduzidos é porque gostamos e se não aprendemos a dizer “não” para alguma dessas coisas, vamos acabar sem tempo para dedicar a Deus. Por isso, enquanto estamos neste mundo, não podemos deixar de viver um relacionamento com Deus, de intimidade com Ele. Por isso, devemos aprender a separar do nosso tempo para estar diante dEle em oração, em leitura das Escrituras, em leitura de algum material que nos leve à devoção a Deus.

 

2ª. Sugestão: Devemos aprender a depender do Espírito Santo

Isso é uma coisa bem difícil de explicar como se faz! Em um livro muito interessante, de um autor chamado Neil Anderson, encontrei a seguinte ilustração. Ele conta a história de um piloto que tinha saído para fazer um de seus primeiros vôos, quando se formou uma grande tempestade e ele perdeu completamente a visibilidade. Ele se lembrou, então, das aulas que tinha feito e dos instrumentos que tinha à sua frente, que poderia utilizar para chegar em segurança ao aeroporto mais próximo, porque talvez não desse para voar por muito mais tempo. Mas, além do manual e dos instrumentos que tinha, ele precisou fazer contato com a torre mais próxima. Ao fazer contato com a torre, ele se identificou, dizendo que era um piloto novato e que precisava de ajuda para aterrissar em segurança. A torre respondeu para ele ficar tranqüilo que iriam guiá-lo em segurança até o local de destino.

O autor conta que depender de outra pessoa é mais ou menos isso: enquanto estamos em uma vida de turbulência, enquanto estamos no meio da tempestade, enquanto estamos no meio da agitação da nossa vida nesse mundo, nós também temos os nossos instrumentos, nós também temos as nossas instruções. Mas, não precisamos fazer tudo isso sozinhos. Podemos confiar que Deus pode nos ajudar a passar por tudo isso. Nós precisamos aprender a depender do Espírito de Deus, porque Ele pode nos ajudar.

Veja o que as Escrituras nos dizem: Mas quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda verdade (Jo 16.13). Ele pode nos guiar naquilo que é certo, naquilo que é verdadeiro e pode nos guiar para mais próximo de Jesus Cristo. Quando Deus fez a promessa do Espírito Santo, Ele disse: Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne. Porei o meu Espírito em vocês e os levarei a agirem segundo os meus decretos e a obedecerem fielmente às minhas leis (Ez 36.27). Isso significa viver na dependência do Espírito Santo, no cultivo de proximidade com o Espírito Santo. Nós podemos ser conduzidos por Deus a andar de acordo com os decretos dEle, andar de acordo com Sua vontade, de modo fiel e obediente, pois temos que aprender a depender dEle. Pois se vocês viverem de acordo com a carne, morrerão, mas se pelo Espírito fizerem morrer os atos do corpo, viverão (Rm 8.13). Pelo Espírito, aprendemos a modificar os nossos desejos. A idéia de ser cheio do Espírito Santo significa também uma busca de esvaziar os nossos próprios desejos, de deixarmos de lado a nossa carne, porque eles estão em guerra.

Nós devemos fazer isso e aprender a viver pelo Espírito, porque assim de modo nenhum vamos satisfazer os desejos da carne. Se vivermos pelo Espírito, vamos poder desfrutar daquilo que o Espírito pode promover em nossa vida: amor, alegria, paz, tudo isso! Nós precisamos aprender a desenvolver intimidade com Deus na dependência do Espírito Santo.

 

3ª. Sugestão: Devemos aprender a renunciar aos nossos desejos

Se eu dependo do Espírito Santo, Ele não faz isso por mim? Sem dúvida, mas isso não isenta você de ser responsável pelas coisas que diz, nem de ser diligente naquilo que faz. É uma boa obra a “quatro mãos”. Uma música a quatro mãos é bem tocada quando as duas pessoas estão em sintonia. Se não estivermos em sintonia, estaremos tocando uma música completamente diferente daquela que é esperada.

C. S. Lewis escreveu um livro muito interessante chamado “Cartas do Inferno”. A idéia do livro é que um diabo mais experiente iria ensinar um diabo mais novo como trabalhar na vida de pessoas cristãs e não-cristãs.

Nessas cartas, ele deixa algumas sugestões. Vou citar uma delas, em que o diabo mais velho fala sobre o fato de que uma das pessoas que sofriam a sua atuação havia se convertido: “Não é necessário cairmos em desespero: contam-se às centenas esses convertidos em idade adulta que foram reconquistados depois de uma breve estadia nos arraiais do inimigo [entenda-se Deus] e agora se encontram conosco. Todos os hábitos da vítima, tanto os mentais quanto os fisiológicos ainda estão a nosso favor”.

Você sabe: deixados à vontade, os nossos desejos nos levam para longe de Deus. Devemos cultivar tempo com Ele e depender do Espírito Santo, mas também devemos aprender a mudar. Precisamos aprender a dizer “não” para nós mesmos; precisamos aprender a fazer morrer o que pertence à nossa natureza terrena e mundana. Precisamos ser diligentes, responsáveis e determinados. Talvez essa determinação aconteça na sua vida enquanto você esteja determinado a buscar a Deus, mas você também vai ter que determinar a dizer “não” aos maus pensamentos que invadem a sua mente, às oportunidades de pecado que aparecem diariamente em sua vida. Você vai ter que aprender a confiar no Senhor e não no seu próprio entendimento. A verdade é que a vida nesse mundo é complicada, dura, difícil, mas também é atraente e destrutiva. Temos que aprender a viver na presença de Deus todos os dias da nossa vida, em todas as oportunidades que tivermos, porque foi para isso que fomos resgatados e é assim que a eternidade será: todo o tempo com Deus.

02.11.09

Eu me Importo

Enviado em Pregação às 4:39 pm por Marcelo Berti

Texto extraído de parte de uma mensagem ministrada pelo autor deste blog.

Bom Proveito.

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Em uma noite de batismo nós podemos perceber como Deus alcançado pessoas. São pessoas diferentes que encontraram-se com Cristo em algum momento de suas vidas, por que alguém se importou com elas e comunicou-lhes a verdade do evangelho. Em algum lugar da suas histórias, Deus usou pessoas para levar o evangelho a eles. Talvez um alguém achou que precisava aumentar seu Compromisso Pessoal com a Obra do Senhor e Fortalecer  suas Amizades para Levar o Evangelho, mas o importante é que essa pessoa se importou com eles.

Cada um dos que foram batizados tem uma história para contar sobre como conheceram a Cristo. Embora existam muitas diferenças na forma como isso aconteceu, todos reconheceram que Cristo deu-se a morte por eles, e por isso podem re-estabelecer seu relacionamento com Deus.

Nessa noite, gostaria de aproveitar essa oportunidade e contar a história de alguém que teve sua vida transformada por conhecer a Jesus Cristo. Entretanto, não gostaria apenas de contar sua história, mas de retirar dela princípios válidos para nossa vida.

[VÍDEO]

Essa é a mulher de Sicar, a samaritana. Em evento incomum para aquela sociedade um grupo relativamente grande de pessoas daquela cidade conheceu a Jesus Cristo por intermédio daquela mulher. Entretanto, não parece ser a atitude da mulher em si que desperta algumas perguntas. Acredito que a postura de Jesus. A iniciativa de Jesus em conversar com ela foi o ponto onde tudo começou. Da mesma forma que alguém se importou em testemunhar para vocês sobre Jesus Cristo, Ele mesmo demonstrou esse mesmo. Ao que tudo indica, JESUS SE IMPORTOU COM ESSA MULHER. Observe comigo.

 

1 .     Jesus se importou a ponto de quebrar preconceitos

A primeira vista essa colocação parece até estranha, mas vamos lá. Vamos compreender um pouco desse dilema.

 

a.       Jesus falava com uma mulher:

A sociedade judaica sempre foi marcada por uma visão “maxocentrista”. Quando você ouve o Fernando falar sobre o número da comunidade cristã no início do cristianismo segundo o registro de Atos, ele sempre ressalta que eram 5.000 o número de homens, depois esse número cresceu aponto de perder-se a conta. Ele não fala isso por opção dele, mas as evidências apresentadas nas escrituras nos dão a entender que esse era o modo como as coisas funcionavam. É comum nas genealogias bíblicas encontrarmos apenas nomes de homens (1Cr.1.1 – 9). Apenas a genealogia de Jesus narrada em Mateus é que inclui mulheres, mas é algo super incomum naquela cultura.

A verdade é que essa sociedade teria algumas restrições no relacionamento público entre homens e mulheres. Você vai perceber em alguns lugares na escritura que refletem esse tipo de visão naquela sociedade. Isso era, provavelmente, parte de uma percepção equivocada sobre o relacionamento entre homens e mulheres. Por isso nós também encontramos na escritura recomendações para um bom relacionamento entre homens e mulheres.

 

b.       Jesus falava com uma mulher samaritana:

Entretanto, isso era apenas parte de um problema. Se existia um povo que os judeus consideravam como inferior, indigno de participação eram os Samaritanos. Você consegue perceber isso nas parábolas “irônicas” que Cristo propunha, como por exemplo o Bom Samaritano. A expressão bom samaritano era uma antítese, ou um paradoxo. Agora, pense por um momento que Jesus estava diante de uma mulher samaritana. Que tipo de preconceito poderia existir nessa aproximação?

Aliás, parece ser essa a declaração da mulher quando Jesus inicia uma conversa com ela: 

Então, lhe disse a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana -Jo.4.9a

 

A pergunta dela inclui esses dois aspectos da sociedade em que ela e Jesus viviam. Era inadmissível que essa cena pudesse acontecer sem que provocasse escândalo. Da perspectiva daquela mulher isso era extranho. Observe que ela explicita essa idéia quando reconhece a nacionalidade judaica de Jesus, e se apresenta como MULHER SAMARITANA. Isso era um problema. Aliás, o problema é tão claro que João, aquele que relata, deixa uma nota sobre esse relacionamento: 

porque os judeus não se dão com os samaritanos – Jo.4.9b 

A expressão “não se dão” exprime….. Ou seja, o problema era feio e parecia estranho àquela comunidade.

 

c.       Jesus falava com uma mulher samaritana sem boa reputação:

Se não bastassem esses problemas, a mulher a quem Jesus dirigia-se era uma mulher de vida duvidosa. Em uma sociedade hipócrita, onde todos têm seus problemas, mas apenas os dos outros são grandes, uma mulher de vida duvidosa era uma grande ofensa social. Em alguns casos, o preconceito daquela sociedade ultrapassava as prescrições da lei. Por exemplo a história da mulher apanhada em adultério. Observe que aparentemente os fariseus estavam colocando Jesus contra a lei, pedindo para que ele tomasse uma decisão que já era prescrevida pela Lei de Moisés. Entretanto esse fato tem alguns problemas, pois os que fossem apanhados em adultério deveriam ser apedrejados, e não apenas a mulher. Mas por que razão eles trouxeram apenas a mulher? Não podemos definir tudo, mas que o preconceito estava presente, ele estava.

Observe que a mulher a quem dirige a mulher que certamente seria evitada em publico: 

Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e vem cá;  17 ao que lhe respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido;  18 porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade. – Jo.4.16-18

 

Você pode estar pensando: “Ô muleque, para de achar que a mulher era ruim. Ela só era casamenteira“. Para isso vamos precisar olhar com atenção essa declaração. Imagine as possibilidades:

  • Os maridos morreram:
    • Causa Natural: Para isso acontecer ela precisaria de 5 maridos de saúde frágeis que morressem um após o outro de modo rápido. De qualquer forma seria vista como amaldiçoada. Pessoas com essa reputação seriam consideras impuras e não teriam boa reputação. Ela poderia também ser prima antiga do McLaed (Highlander) e não teria milhares anos de vida.
    • Assassinados: Ela poderia te solicitado ou executado a morte dos próprios maridos. Fazendo isso ela seria enquadrada como assassina ou mandante de assassinato. Com isso, ela também não teria uma boa reputação
  • Os maridos ainda eram vivos. Para essa opção é simples. Ele simplesmente não mantinha-se casada. Por qualquer que tenha sido as razões dela, ela não prosseguia com seus relacionamentos, a ponto de ter tido 5 maridos e conviver com um sexto com quem nem havia se casado. 

Como você pode perceber as opções para essa mulher não eram das mais simples. O que dá a entender a situação é que trata-se de uma mulher com uma gama de divórcios muito grande, o que não a deixaria com uma boa reputação. Tudo isso parece indicar que Cristo estava violando uma grande lei daquela sociedade.

Entretanto, o foco de Cristo não está atrelado ao preconceito daquela sociedade. O foco dele nessa interação era outro. Seu interesse não era em parecer politicamente correto, ou agir de acordo com as normas de atividade aceitável diante da sociedade. Ele estava acima disso. Jesus não se importou com a realidade da sua sociedade, mas se importou com a mulher de Sicar a ponto de não dar importância a sua sociedade. 

Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva – Jo.4.10 

O foco de Cristo estava sobre a vida eterna dessa mulher, e do resultado que essa mulher poderia causar naquela sociedade. Cristo não se importava com o que pensavam dele (Mt.9.10-11; Mt.11.19; Lc.15.1-2), ele se importava com pessoas carentes da graça de Deus.

 

2.     Jesus se importou a ponto de colocar em 2º. plano suas próprias necessidades

Nós temos certeza que Cristo é um grande exemplo para nós nesse assunto, mas nesse texto mostra que Ele tem uma disposição para alcançar pessoas de um modo que nós não estamos preparados para acompanhá-lo: Ele se importou com pessoas a ponto de colocar em segundo plano suas próprias necessidades pessoais. Note o texto: 

31 Nesse ínterim, os discípulos lhe rogavam, dizendo: Mestre, come!  32 Mas ele lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis.  33 Diziam, então, os discípulos uns aos outros: Ter-lhe-ia, porventura, alguém trazido o que comer?  34 Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar sua obra. – Jo.4.31-34 

Os seus discípulos que teriam saído para comprar comida voltaram e pediram para que o mestre comesse. Entretanto, Ele afirma que teria outra comida para aquele momento. Essa comida era realizar a vontade de Deus, e para isso, ele preferiu estar com aquela mulher que comer com seus discípulos. Lembre-se que Jesus, em outras ocasiões esteve com publicanos para comer com eles, mas nessa ocasião, ele optou por conversar com aquele povo.

Observe que Jesus dialoga sobre a questão da colheita, que embora demoraria cerca de 4 meses do presente deles, Cristo afirmou que os campos já estavam brancos. Essa era a vontade de Deus naquele momento. Isso era o que importava.

Celebrando a Liberdade

Enviado em Cristologia, Pregação às 4:34 pm por Marcelo Berti

Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanece, pois, firmes e não vos submetais de novo a jugo de escravidão (Gl.5.1) 

Hoje estamos reunidos aqui para celebrar nossa salvação com o memorial de sua morte. Hoje estamos aqui para, em comunhão com nossos irmãos, relembrarmos o sacrifício de Cristo, de reavaliarmos nossas vidas, de nos arrependermos por nossa intensa maldade que não apenas nos assedia como nos seduz a abandonarmos as instruções do nosso Deus. Hoje estamos aqui para celebrar nossa liberdade em Cristo Jesus, nosso acesso direto e pessoal a Deus. Hoje estamos aqui para nos colocarmos em sua presença em gratidão por tudo que ele já fez por nós, pelo que tem feito, e pela esperança que temos de que, conforme sua vontade ele continuará a fazer em nós e por nós.

Por isso, gostaria de convidar a você a celebrar nossa liberdade em Cristo, pois foi para a liberdade que Cristo nos libertou“.

 

A.     Libertos da escravidão

A situação dos gálatas a quem Paulo escreve era bem perigosa, pois estavam se deixando levar (5.7, 8) por algum tipo de teologia (1.9) que acaba por corromper a vida do cristão liberto por Cristo (5.1, 13). Seja o retorno a submissão à lei (5.3) seja pela vida licenciosa (5.13, 16), Cristo nos chamou para liberdade. Não importa onde você estava antes de conhecer a Cristo, você foi convidado para a liberdade.

No primeiro verso do quinto capítulo da sua carta aos gálatas, Paulo diz: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão“. A princípio, o que nos chama a atenção nesse verso é a aparente redundância que existe na frase: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou“. Mas, na verdade a linguagem aqui precisava ser forte, até mesmo repetitiva, pois Paulo intencionava ressaltar quão tolo seria ser liberto e voltar a submeter-se a uma nova espécie de escravidão. Guthrie chega a sugerir que, ser liberto e não desfrutar da liberdade oferecida seria uma ofensa Àquele que o teria liberto[1].

Evidentemente, era vontade de Deus que desfrutássemos de verdadeira liberdade com Ele, visto que teria enviado Seu Filho para oferecer completa liberdade aos que crêem Nele como o Salvador do Mundo (Jo.4.41-42).

É por essa razão que Paulo acresce: “Permanecei, pois firmes e não vos submetais novamente a jugo de escravidão“. A idéia é que os cristãos deveriam apegar-se à decisão de desfrutar dessa liberdade com intensidade, visto que, caso contrário, estariam deixando de continuar a obedecer à verdade (Gl.5.7). Talvez essa ordem fosse uma necessidade visto que falsos mestres estavam a assolar essa comunidade.

Mas, a que poderia o apóstolo referir-se ao “jugo de escravidão“? Pelo contexto, podemos perceber que isso faz referência à instrução deixada pelos judaizantes que procuravam justificar-se na lei (Gl.5.4). Ao que tudo indica, Paulo exorta seus leitores a rejeitar essa idéia e a desfrutarem da liberdade oferecida por Cristo (Gl.2.4), pela imposição da completa obediência do cerimonial judaico, o que de certa feita inclui a Lei.

Isso nos faz pensar que a Lei é má? De modo algum. Paulo mesmo já teria nos ensinado: “Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa” (Rm.7.16). Tiago também nos lembra que a lei é perfeita e que ela concede liberdade (Tg.1.25). O que então Paulo esta a ensinar?

Que aqueles que se justificam diante de Deus pelas obras da lei, decaíram da graça, de Cristo foram desligados (Gl.5.4), transformaram Jesus em algo desnecessário (Gl.5.2) e estão obrigados a cumpri-la por inteiro (Gl.5.3).

Essa conclusão é importante, visto que até mesmo os que são judeus por natureza precisam ser justificados pela fé, visto que ninguém será salvo por obras da lei (Gl.2.14, 15; cf. Rm.3.20, 28)

 

B.     Libertos da licenciosidade

Pouco à frente, Paulo reforça: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor“. A forma como Paulo escreve (verbo no passado – aoristo grego) sugere que os gálatas não apenas conheciam essa tal liberdade, como dela já haviam desfrutado. Isso ainda reforça um pouco da mentalidade de Paulo sobre o posicionamento ilógico que os gálatas tinham tomado diante da situação.

Mas, Paulo relembra que liberdade e licenciosidade não são a mesma coisa: “porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne“. A impressão que alguém poderia ter ao ouvir da não necessidade de salvar-se diante de Deus por meio das obras da lei, ou da obediência irrestrita é que a vida poderia ser lavada de qualquer forma uma vez que o que se requer para ter vida com Deus é fé.

Nada mais longe da verdade! Paulo quer relembrar ao seus leitores que, muito embora a vida eterna não seja conquista por boas obras (Ef.2.8-9), ou por obras da lei (Rm.3.20), isso não significa que o cristão deve desobedecer as instruções morais de Deus. Muito pelo contrário, o desenvolvimento do relacionamento do cristão com Deus, depende do seu desenvolvimento espiritual e moral, sendo que um não vem sem o outro.

Na verdade é válido lembrar que antes de Cristo é que éramos licenciosos: “…entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais“. A licenciosidade na verdade é uma marca daqueles que ainda não conheceram a Cristo (Ef.4.17-19).

Por isso é que Paulo é enfático ao dizer fomos chamados para liberdade, o que inclui a vida moral acertada diante de Deus, pois não temos mais necessidade de vivermos entregues à devassidão.

 

C.     Libertos para servir

Da mesma forma que fomos libertos do jugo da escravidão e da licenciosidade, fomos feitos homens livres para servirmos os nossos irmãos: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor” (Gl.5.13).

Aqui temos um daqueles paradoxos interessantes: Como alguém que é liberto é convidado a agir como servo de alguém? Isso eventualmente não soa como algo aprazível nem desejável. Entretanto, o que percebemos aqui é que a atitude daquele que é salvo, não é mais buscar satisfazer-se, mas que agora, ele está liberto do seu egoísmo e pode de modo espontâneo prestar serviço aos seus irmãos em Cristo.

O cristão deve fazer isso por intermédio do amor de Deus que flui em sua vida. Ou seja, reflexo do seu serviço é o seu amor.

 


[1] GUTHRIE, Donald, Gálatas: Introdução e Comentário, pp.163

Cristo na Vida Cristã

Enviado em Cristologia, Pregação tagged , às 4:32 pm por Marcelo Berti

Bom dia. Essa manhã é especial, não por ser a primeira do ano, ou por você poder lembrar o que aconteceu no último domingo do ano passado, mas por que podemos juntos relembrar o que Cristo fez por nós. Em manhãs como essas, temos a oportunidade de agradecermos a Deus por seu infinito amor, pela Sua Graça manifesta em Cristo e pela Redenção que nos ofereceu. Por essa razão gostaria de ler um texto com vocês que fala sobre esse assunto, não da perspectiva teológica, mas da aplicação dessa verdade em nossa vida e o resultado que isso provoca. Portanto, quero convidá-los a abrir suas bíblias em Gálatas capítulo 2 versículo 20:

 

“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”

Gálatas 2.20

 

Nesse texto existem alguns paradoxos, tais como: “Eu fui crucificado” mas “agora vivo“. Na primeira premissa, vemos uma declaração de morte, a crucificação, e na segunda a explícita declaração de vida. Contudo, sabemos que isso é facilmente resolvido, é uma questão de compreender o assunto cronologicamente. Primeiro fomos crucificados com Cristo, e agora vivemos pela fé nEle. Entretanto, no mesmo verso lemos: “já não sou eu quem vive” e “agora vivo“. Ante a essas declarações não temos uma resposta tão conhecida quanto a anterior. O que Paulo quis dizer com essa expressão? Afinal de contas, eu vivo ou não?

Um paradoxo não é uma contradição, ele apenas soa com tal. Normalmente nesse tipo de paradoxo temos duas informações possívelmente verdadeiras, que, quando unidas para a formação de um conceito tornam-se aparentemente auto-excludentes. Para compreender o que Paulo está ensinando nesse verso precisaremos reunir outras informações importantes. Mas vamos por partes.

 

1.         Fui Crucificado com Cristo

A primeira informação desse texto se refere a declaração de Paulo que fomos crucificados com Cristo. É interessante compreender esse sentido expressão de Paulo sobre a experiência do cristão. Algumas vezes Paulo faz referências sobre a vida cristão com a morte. Observe:

 

“Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?”

Romanos 6.2-3

 

O início da experiência cristã está na morte. Em Cristo nós morremos para o pecado e para tudo o que se depreende dele. Em Cristo nós morremos para o mundo. Em Cristo nós somos feitos novas criaturas:

 

“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”

2Co.5.17

Com essa convicção em mente, podemos compreender um pouco melhor o que Paulo quis apresentar nas expressões seguintes.

 

2.         Cristo Vivem em Mim

A aparente contradição vista nesses versos começa ser melhor compreendida a partir da convicção de que somos novas criaturas em Cristo. Assim, como novas criaturas, temos uma nova forma de viver. A declaração de Paulo para sua vida após ter sido crucificado, é uma vida de Cristo nele. Ou seja, a vida cristã não é mais definida por nossas próprias características, mas pela presença de Cristo em nós.

As aplicações dessa verdade são importantíssimas para nossa vida hoje, pois podemos perceber Cristo em nós, de algumas formas. Observe:

 

“Posso todas as coisas naquele que me fortalece

Fp.4.13

“Para isso eu me esforço, lutando conforme a sua força, que atua poderosamente em mim

Cl.1.29

 

Existe na vida cristão não apenas a presença de Cristo em nós, mas a percepção prática dessa presença em nossa vida. Nas questões ministeriais, Paulo sempre volta-se para a presença ativa de Cristo em sua vida, pois tem convicção que não é sua capacidade ou poder que realiza a Obra de Deus, por isso pode dizer:

 

“Não me atrevo a falar de nada, exceto daquilo que Cristo realizou por meu intermédio em palavra e em ação”

Rm.15.18

 

Ou seja a vida cristã é vista como a morte para o pecado e a vida com Cristo habitando em nós e nos sustentando e fortalecendo para realizar o que Deus espera de nós.

 

3.         Vivo Pela Fé

Aqui vemos o ponto mais alto desse verso sobre a vida cristã, pois a compreensão dos fatos anteriormente anunciados nos levam a uma única forma de vida hoje: “A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim“. Como vimos, o cristão morre para o pecado com Cristo e com Ele vive e na sua dependência prossegue. Contudo, como realizar isso? Aqui vemos a descrição mais clara: “pela fé“. Essa vida, tal como estamos vivendo, só pode ser completa a partir do momento que compreendemos essa verdade: “Cristo sofreu e morreu por mim, no meu lugar, por amor, para me habilitar a viver pela fé com Ele“.

De Deus não temos apenas exigências para uma vida correta que Lhe é agradável, mas toda a condição para isso pela vida de Cristo em mim. Hoje não somos mais escravos do pecado (Rm.6.6), fomos libertos para viver como servos de Cristo (Rm.6.18). O pecado não precisa mais nos dominar pois somos servos da justiça e vivemos debaixo da graça de Deus. Assim, a vida do cristão consciente da Obra de Cristo em seu Favor, é uma vida pela Fé em Cristo que me amou e se entregou voluntariamente por mim.

Quem é Jesus?

Enviado em Cristologia, Pregação tagged às 4:25 pm por Marcelo Berti

Texto extraído de uma mensagem de Páscoa feita pelo autor deste blog.
Bom Proveito
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Introdução

Após uma apresentação como essa certamente você está surpreso. Em primeiro lugar pelo belo programa que assistiu. Em segundo lugar, sobre algumas verdades a respeito de Jesus que provavelmente você não conhecia. Apesar de ser uma figura histórica muito conhecida, o grande foco da mídia sobre Sua pessoa está relacionado a possíveis controvérsias e aparentes contradições.

A figura de Jesus Cristo é conhecida sob diferentes primas, muitas vezes controversos e incompatíveis. Isso o torna pouco conhecido de fato. A verdade sobre sua pessoa e missão são praticamente esquecidas. O pouco que se conhece sobre Ele é suficiente para apresentá-lo como difuso. Mas, talvez isso tenha alguma explicação: Vivemos em um mudo diverso, plural étnica e religiosamente.

 

Pluralismo Étnico e Religioso 

Se pudéssemos definir a realidade do mundo em que vivemos em poucas palavras, diríamos que ele é DIVERSO. A interação e integração de diferentes culturas têm produzido conceitos interessantes na nossa sociedade. O crescimento no conhecimento de outras culturas tem acrescentado a experiência humana. Vemos hoje a redução da discriminação ideológica e religiosa. Tem aberto portas para a identificação das razões por traz das práticas culturais distantes da nossa realidade. Tem nos permitido aceitar as diferentes visões de mundo produzidas pelas diversas culturas. Tem nos tornados aptos a compreender a relatividade de princípios sociais, educacionais, ideológicos, religiosos. Hoje, somos mais tolerantes com as diferentes opiniões que o fomos no passado. Isso nos possibilitou aceitarmos as pessoas com diferenças ideológicas com mais facilidade. Isso nos permitiu conviver com pessoas com menos barreiras. Isso é muito positivo.

Essa realidade abriu portas para que diferentes culturas apresentassem diferentes propostas religiosas (A definição que temos aqui para religião é: a incansável busca humana em retomar seu relacionamento com Deus ou alcançá-lo por esforço próprio ou mérito). Esse fato descortinou propostas infindáveis de busca da paz interior, do bem estar, de estar em paz consigo mesmo, do esteja bem com sua família, do tenha dinheiro no bolso e seja feliz, ame as vacas e adore 279 diferentes deuses e transcenda espiritualmente até Deus.

 

Várias Respostas para poucas perguntas 

O resultado dessa pluralidade religiosa é que hoje nós temos mais respostas que perguntas sobre a realidade da nossa existência e possibilidade de relacionamento com Deus. As questões intrínsecas sobre a realidade da vida humana e da possibilidade de relacionamento com Deus são as mesmas, mas as respostas são mais diversas. Contudo, nossa capacidade de tolerar todas as opções de resposta nos impossibilitou de avaliarmos com profundidade as respostas oferecidas. Pois se o fizéssemos, perceberíamos não apenas as similaridades sociais, morais entre as diferentes religiões, mas as nítidas divergências entre uma e outra.

Ou seja, é impossível que todos estejam corretos ao mesmo tempo. As gritantes divergências nos remetem ao questionamento sincero sobre a verdade tal como ela é. Talvez seja exatamente isso o que te surpreende nesse programa: A verdade sobre Jesus Cristo exposta, sem maquiagem, sem tentativas de esconder a realidade. Mas diante da realidade do nosso mundo, por que Jesus seria diferente das outras opções?

 

Por que Jesus seria diferente? 

Uma vez que somos tolerantes, reconhecemos as diversas respostas, por que aceitaríamos a verdade sobre Jesus Cristo? Por que deveríamos aceitar a verdade a respeito dele? Por que deveríamos conhecê-lo? Por que Ele é, definitivamente, a resposta certa para as questões mais importantes da humanidade e da possibilidade de Relacionamento entre Deus e o homem.

 

Quem é Jesus?

A pergunta a essa altura é pertinente. Como sabemos, existem muitas respostas para essa pergunta. Vamos conhecer algumas delas. 

 

Pela “Voz do Povo”: 

É comum encontramos alguns conceitos sobre Jesus na “Voz do Povo“. Mas, já é consenso que a voz do povo, não é a voz de Deus. Em entrevistas, documentários, vemos muitas afirmações sobre Jesus que auxiliam a construção de um pseudoconceito a seu respeito. E baseando-se nisto, muitas pessoas criam suas próprias visões sobre quem teria sido ele:

  • Um homem sábio – Vox Populi;
  • Fundador de uma grande religião – Vox Populi
  • Um grande mestre moral – Espiritismo;
  • Governador Espiritual da Terra – Espiritismo;
  • Um Rabino Especial – Judeus Messiânicos;
  • Um Profeta – Islâmicos;
  • Um homem espiritualmente evoluído;

O que parece, diante dessas evidências, é que não há dúvidas quanto a sua existência ou sua humanidade. Parece consenso entre muitos que Jesus de fato viveu na Palestina durante as três primeiras décadas do nosso calendário. Que ele morreu em uma cruz, foi um grande professor, profeta, mestre moral.

 

Pelos Apóstolos: 

Contudo, seria sábio começar essa pesquisa orientando-se para aquele que estiveram próximos a Jesus durante seu ministério público.  Vamos observar algumas afirmações sobre Jesus: 

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” Jo.1.1-3 

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poderHb.1.1-4

 Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;  pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste” – Cl.1.15-17 

porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” – Cl.2.9 

“aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” – Tt.2.13 

Aqui as declarações são bem diferentes. A visão daqueles que viveram na mesma época que Jesus o vêem com outro olhos. Ao que se percebe, parece consenso entre eles que Jesus seja considerado como Deus. Cada escritor definiu com seus próprios termos, mas apontaram ao mesmo fato. O que torna Jesus diferente de qualquer outro “líder espiritual” é que Ele mesmo é Deus.

 

Por Ele mesmo: 

Talvez você seja bem crítico e esteja pensado: “Muito bom. Mas todas as afirmações são de terceiro. Jesus nunca fez qualquer declaração sobre esse assunto. Ele jamais quis levar esse título”. A princípio posso concordar com você. Nenhuma das afirmações foram feitas por Ele, mas isso não garante a validade do argumento.Nenhum dos nossos políticos se autodenominam corruptos, embora muitos deles seja. Contudo, esse não é o caso com Jesus, pois Ele mesmo fez essas declarações. Observe: 

a fim de que todos honrem o Filho do modo por que honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou” – Jo.5.23

Onde está teu Pai? Respondeu Jesus: Não me conheceis a mim nem a meu Pai; se conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai” – Jo.8.29 

E quem me vê a mim vê aquele que me enviou” – Jo.12.45 

A identificação de Jesus, entre o Filho (ele mesmo) e o Pai (Deus) é muito clara. É baseado nessa unidade essencial que Ele afirma: “Eu e o Pai somos um” (Jo.10.31). Quem conhece a Jesus, conhece a Deus que o enviou. É muito claro e específico. Mas talvez isso não seja suficiente. Então observe suas Obras:

Alguns foram ter com ele, conduzindo um paralítico, levado por quatro homens. E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o eirado no ponto correspondente ao em que ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o doente. Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados. Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seu coração: Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus? E Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes: Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração? Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda? Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados – disse ao paralítico: Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.. Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim!” – Mc.2.3-12 

Agora, se ainda assim você acredita que Jesus não declarou-se como Deus, observe:

Ele, porém, guardou silêncio e nada respondeu. Tornou a interrogá-lo o sumo sacerdote e lhe disse: És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito?  Jesus respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu” – Mc.14.61-62

 

 Qual sua Missão?

É impossível ler as páginas do NT e não notar a Posição Exaltada de Jesus Cristo, é como andar às margens do mar em uma manhã ensolarada e não notar a existência do sol. É como tampar o sol com a peneira. Jesus Cristo é Senhor (Deus) Exaltado. Mas, qual seria o propósito de sua vida.

A vida de Cristo foi norteada objetivo que traçou para ela. Ele deixara sua Glória, esvaziando-se do exercício pleno de suas perfeições, fez-se homem, viveu as desventuras e falências da humanidade, mas sem nunca ter cometido uma afronta sequer Àquele que o enviou para simplesmente MORRRER. Observe:

 

 ”pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” – Fl.2.6-8 

Estando Jesus para subir a Jerusalém, chamou à parte os doze e, em caminho, lhes disse: Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte.” – Mt.20.18 

porque ensinava os seus discípulos e lhes dizia: O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e o matarão; mas, três dias depois da sua morte, ressuscitará” – Mc.9.31 

E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer” – Jo.12.32-33 

mas Deus, assim, cumpriu o que dantes anunciara por boca de todos os profetas: que o seu Cristo havia de padecer” – At.3.18 

A Missão de Cristo é simples: DEIXAR SUA GLÓRIA PARA VIVER COMO HOMEM E MORRER COMO O PIOR DELES.

 


Qual a Razão de Sua Missão?

Mas, por que razão, Deus deixaria sua Glória para viver como homem e morrer como o mais vil deles? Qual seria a intenção de Deus ao enviar seu filho para morrer em uma cruz? Vamos observar.

 

Remover o Pecado como separação entre Deus e o homem 

Pecado é uma palavra de significado simples, mas que tem sido ignorada por diversas causas, mas todas ligadas a suposta “liberdade” da religiosidade que inibe a vontade dos homens. Contudo, por maiores que sejam as frentes para acabar com o uso do termo “pecado”, isso não isenta sua realidade.

O que é pecado então? É tudo aquilo que você pensa, fala ou faz que esteja em desconformidade com o caráter de Deus. Ou seja, o pecado pode ser completo em um simples pensamento. Você pode estar se perguntando: “Espere aí. Até posso aceitar que um pensamento possa ser um pecado. Mas existe uma diferença entre um pensamento e uma ação, não existe?!?“. Quando pensamos em conseqüência, em uma relação de causa e efeito imediata, podemos dizer que sim. Um assassino é bem mais visível que alguém que tenha pensamentos de morte em relação a outra pessoa. Por esta razão, o assassino tem conseqüências diretas e imediatas a suas ações em relação a convivência com outros seres humanos. O mesmo não acontece socialmente com aquele que simplesmente pensou, ou por um lapso de controle gritou: “Vou te matar“. Contudo, quando pensamos em que ambas atitudes são orientados contra Deus, vemos por outro prisma. Em ambos os casos, o que vemos é um mal orientado contra Deus. Existe um princípio simples para compreender esse fato. Acompanhe comigo: 

  • 1. O grau da gravidade da ofensa depende do nível de dignidade do ofendido;
  • 2. O Pecado é uma ofensa direta a infinitude da dignidade de Deus;
  • 3. Logo, a culpa do homem é infinita, e para supri-la exige uma satisfação infinita; 

Ou seja, não existe um pecado menor do que outros: Todos são dignos de eterna punição.  Esse é o seu quadro em relação a Deus, devedor, passível de eterna punição, pecador separado do Deus eternamente Digno e Santo.  Ou seja, não existe como nós suprirmos a esse débito que temos. Aqui temos o primeiro grande problema da vida humana: 

  • 4. Se isto é verdade, o homem nunca poderá supri-la, pois é finito;
  • 5. Assim, apenas Deus pode sanar essa dívida. Mas a culpa não é de Deus, mas do homem. Logo, Deus não deve pagá-la.
  • 6. Ou seja, o homem deveria pagar, mas não pode. Deus poderia, mas não deve. Segue-se que é necessário um Homem-Deus, pois como homem deve, e como Deus pode. Por que “o que não é assumido não é redimido“. 

Cristo, Deus-Homem, é o único habilitado a remover o problema do pecado como separação entre o homem e Deus. Esta é a razão que torna Cristo tão peculiar, pois não há outra opção, não outro caminho. Observe: 

Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” – 2Co.5.21 

Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também Cristo, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida” – Hb.2.14-15 

 ”Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” – Rm.5.7-8 

E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” – At.4.12