O que significa ser filho de Deus?

Em que sentido nós somos filhos de Deus? O que isso significa? Quais são as implicações dessa afirmação teológica? Nesse post vamos observar essas questões para respondê-las do ponto de vista da Teologia de João. Ou seja, vamos responder a essas perguntas basicamente a partir das declarações do apóstolo João sobre o assunto.
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O que dizer de Jo.1.1?

Se você chegou a esse texto imagino que tenha dúvidas sobre como deve entender o bem conhecido texto do Apóstolo João na abertura do seu evangelho: “No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus” (ARA).

Os leitores do Teologando provavelmente já leram ou ouviram algo a respeito da Tradução do Novo Mundo (TNM) nesse verso, seja aqui ou em qualquer lugar. Segundo a atual tradução, o texto é lido na parte final: “e o Verbo era um deus“. Essa tradução, que certamente causa repulsa no cristão que o lê, enche os olhos de alegria dos TJs que defendem que Jesus Cristo não é Deus, mas um ser divino, um outro deus intermediário entre Deus e os homens. Continuar lendo

O que dizer do problema textual de Jo.1.18?

Marcelo Berti

Um dos problemas textuais mais controvertidos é provavelmente o encontrado em Jo.1.18: Liberais e Ortodoxos tem suas impressões sobre ele, e todos tem seus motivos bem declarados. Aos que têm em mãos várias versões bíblicas já puderam perceber as possíveis leituras desse texto:

“Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou” (ACF)

“Nenhum homem jamais viu a Deus, o deus unigênito, que está [na posição] junto ao seio do Pai, é quem o tem explicado” (TNM) Continuar lendo

O uso de monogenes em referência a Cristo

Talvez o assunto mais controvertido na Teologia Joanina no escopo da cristologia deva ser o uso e aplicação do termo gr. “monogenes” a Jesus Cristo. Em primeira João vemos o termo acontecer em 4.9: “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele[1]. Nesse texto o que podemos perceber é que a manifestação do amor de Deus consiste no envio de seu filho ao mundo com o objetivo de que os que depositam sua fé nEle vivam por meio dEle. A expressão “unigênito” nesse verso é a tradução do termo gr. “monogenes” e tal como foi traduzido pode ser compreendido como único gerado. Tal compreensão tem causado grandes dificuldades na compreensão da Pessoa de Cristo e desafiado teólogos por toda a história a compreenderem seu real significado. Continuar lendo

A relação de similaridade entre Paulo e João

Observações ao texto de Rudolf Bultmann (Teologia do Novo Testamento) 

Segundo RB, a visão de que a teologia joanina é o desenrolar áureo da teologia paulina é um erro. Observe o que diz: “A observação de que em João a discussão paulina sobre a lei é de somenos importância, levou muitas vezes, à conclusão errada de que João deveria ser compreendido como o auge do desenvolvimento que vai além de Paulo, no qual as discussões em torno da lei pertencem ao passado (pp.433)“. Para RB a teologia cristã não teve um desenvolvimento monolinear[1]. Continuar lendo

Distância entre João e os sinóticos

Observações ao texto de Rudolf Bultmann (Teologia do Novo Testamento)

Para determinar a posição histórica de João é necessário levantar uma comparação entre os evangelhos sinóticos e o evangelho de João. RB em uma nota de roda pé aponta para a possibilidade de que o autor do evangelho não seja necessariamente o autor das epístolas. Também considera a possibilidade de que poderia ter sido fruto da escola de João. Embora não possa demonstrar, RB acredita que João não teria conhecido qualquer dos evangelhos sinóticos. Entretanto, “ele conhece a tradição trabalhada neles” (pp.431). Evidências desse ponto são percebidas em alguns ensinos de Jesus, alguns milagres e especialmente na história da paixão. Continuar lendo