Introdução à Primeira Epístola de João


Autor:

João, discípulo amado, irmão de Tiago, filho de Zebedeu.

Veja também: Autoria de 1João e a Relação de Autoria entre o Quarto Evangelho e 1João;

Destinatários:

Cristãos (2.12-14, 21; 5.13).

É possível que João tenha alguma familiaridade com os cristãos a quem escreve:
2.1: A expressão “Meus filhinhos” parece bem paternal e expressa que existe alguma intimidade entre escritor e destinatário.
2.7,8: “Amados” também parece uma expressão de proximidade pessoal entre autor e destinatários
2.12-14: A definição de categorias de pessoas (Filhinhos, Pais, Jovens) parece sugerir que o autor tem em mente pessoas específicas
2.26: João estava familiarizado com problemas que os seus destinatários estavam sofrendo e escreve os alertando.
5.13: A clara identificação da categoria maior dos seus destinatários parece sugerir proximidade pessoal entre autor e destinatários.

Data:

90-95 d.C.

Veja também: Data e ocasião e Caráter da Carta

Situação:

Situação Externa: Os cristãos a quem João escreve estão enfrentando o assédio da heresia e presenciando o aparecimento de “anticristos” que pervertiam a fé e cristãos próximos aos leitores a quem João destina sua carta.

Situação Interna: Pelas advertências que João tece em sua primeira epístola, é possível que esses cristão haviam sofrido com o ataque dos “anticristos” e precisavam ter sua convicção soteriológica reafirmada. Por isso João gastou tanto de sua epístola apresentando de modo simples a possibilidade de ser convicto da própria fé.

Versículo Chave:

“E este é o testemunho: Deus nos deu a vida eterna, e essa vida está em seu Filho. Quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho de Deus, não tem a vida. Escrevi-lhes estas coisas, a vocês que crêem no nome do Filho de Deus, para que vocês saibam que têm a vida eterna” 1João 5.11-13 (cf. 1.3, 4; 2,12-14; 1.9; 2.28)

Tema:

Amor, segurança da salvação, comunhão, heresia, obediência, fé.

Propósito:

Conduzir os crentes ao pleno desfrute da comunhão espiritual e da certeza de salvação pessoal, apresentando os critérios que definem a genuína comunhão cristã com um Deus santo e amoroso.

Mensagem:

A medida da comunhão de um indivíduo com Deus é sua experiência crescente do caráter divino em sua vida (Carlos Osvaldo Pinto, Telogia Bíblica do Novo Testamento. Materila não publicado).

Veja Também: Temas Teológicos em 1João e Exposição Temática de 1João.

Pontos Notáveis:

1. Em 1 João Deus é apresentado como Luz, Amor e Vida. Seu interesse é que seus leitores tenham comunhão com esse Deus evidenciada por um andar em Luz:

a. Santidade – 1.5-2.2
b. Obediência – 2.3-6
c. Amor – 2.7-11

Veja também: Cognocibilidade de Deus, A relação entre o amor agápe e Deus, a Paternidade de Deus e o artigo Deus é luz

2. Em sua primeira carta, João deixa três provas chaves para a realidade da minha fé/comunhão com Deus:

a. Vida Justa
b. Obediência
c. Amor

3. João deixa evidente suas razões ao escrever sua epístola:

a. 1.4: “Escrevemos estas coisas para que a nossa alegria seja completa”
b. 2.1: “Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem”
c. 2.26: “Escrevo-lhes estas coisas a respeito daqueles que os querem enganar”
d. 5.13: “Escrevi-lhes estas coisas, a vocês que crêem no nome do Filho de Deus, para que vocês saibam que têm a vida eterna”

4. Observe como João utiliza o contraste de idéias para se expressar:

a. Luz X trevas;
b. Verdade X mentira (falsidade)
c. Amor X ódio
d. Amor pelo Pai X amor pelo mundo
e. Cristo X anticristo
f. Filhos de Deus X filho do Diabo
g. Justiça X pecado
h. O Espírito de Deus X espírito do anticristo
i. Vida X morte

5. Na primeira epístola de João a Cristologia tem grande destaque:

a. Eterno (pré-existente) (1.1,2; 2.13)
b. Cristo veio em carne, foi humano (1.1; 4.2; 5.6)
c. Manifestação da Vida (1.2;)
d. Vida Eterna (1.2; 5.12)
e. Sangue purificador (1.7)
f. Intercessor junto ao Pai (2.1)
g. Justo (2.1, 29)
h. Propiciação pelos pecados (2.2; 4.10)
i. Nome de Cristo como responsável pelo perdão (2.12)
j. Cristo se manifestará no futuro; voltará, de modo visível e real (2.28; 3.2)
k. Objetivo na 1ª. vinda era para retirar os pecados e destruir as obras do Diabo (3.5, 8; 4.14)
l. Isento de pecado (3.5)
m. Exemplo final para o amor (3.16)
n. Manifestação do amor de Deus (4.9)
o. Filho unigênito de Deus (4.9; 15)
p. Verdadeiro Deus (5.20)

Veja também: A Necessidade da humanidade de Cristo

6. As heresias combatidas por João nessa epístola estavam relacionadas com a pessoa de Cristo

7. João parece ter deixado evidente as heresias que combate com essa epístola:

a. Docetismo: Idéia que defendeu que Cristo não era ser humano, ele apenas pareceu humano (verbo grego dokeo)
b. Cerintismo*: Acreditavam que o Cristo (messias, logos) desceu sobre o homem Jesus no dia do seu batismo e ficou até antes da crucificação; Jesus era resultado de Maria e José
c. Gnosticismo: Ideologia em desenvolvimento, também chamada de proto-gnosticismo. Segundo essa ideologia a matéria é má por essência e por essa razão Jesus tinha duas naturezas: humana e divina. A salvação para o gnóstico vem a partir do conhecimento.

Curiosidades:

1. 1 João não cita o AT, mas faz uma referência a Caim;
2. Não possui introdução, bênção ou conclusão;
3. É um livro com muita polêmica;
4. Um livro muito focado na vida cristã;
5. 1 João 4 usa mais a palavra amor do que qualquer outro capítulo do NT;
6. Tanto vocabulário quanto estilo são muito simples, mas seu conteúdo é muito profundo;

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* Cerinto, um herege, ensinou que Jesus era humano, mas ao ser batizado, o “Cristo” na forma de pomba, desceu sobre ele. Na cruz, o “Cristo” o deixou, e ele morreu sozinho, como homem.  No texto de  “Atos de João”, apócrifro do segundo ou terceiro século, “Jesus” revela a “João” o que realmente aconteceu com ele na crucificação:
“E assim eu o ví sofrer, e não esperei por seu sofrimento, mas parti para o Monte das Oliveiras e chorei sobre o que veio a se passar. E quando ele estava pendurado sobre a cruz na Sexta-feira, na sexta hora do dia, veio uma escuridão sobre toda a terra. E meu Senhor ficou no meio da caverna, iluminando-a disse: “João, para o povo lá em baixo em Jerusalem, Eu estou sendo crucificado e perspassado com lanças e espinhos, e estão me dando vinagre e bílis para beber. Mas para você Eu estou falando, escutai o que eu digo. Eu coloquei em tua mente para vires a esta montanha para que possais ouvir o que um discípulo deve aprender de seu mestre e homem de Deus”
“Esta cruz então é aquela que unificou todas as coisas pela palavra e que as separou do que é transitório e inferior, e que também compactou coisas dentro de mim. Mas esta não é aquela cruz de madeira que você deverá ver quando descer daqui; nem eu sou o homem que está sobre aquela cruz”

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