A Disciplina de Deus na Igreja (At.5.1-11)


“A busca pela glória, o  sórdido amor pela auto-imagem e, a cobiça pelo ouro fundamentadas na mentira e no perjúrio são demonstrações claras da falta de temor. Sua conseqüência não poderia ser menos severa, seu resultado não poderia ser melhor”.

Marcelo Berti

            A disciplina bíblica, conforme apresentada em Mt.18 e 1Co.5, deve ser ministradas pela Igreja. Normalmente aplica-se a disciplina por meio da Igreja quando se refere a questões que podem ser julgadas, ou seja, quando é possível avaliar diante da comunidade aquilo que foi realizado em público. Vemos base para isso em 1Co.5 quando Paulo exige que aquele que pratica o incesto publicamente seja “entregue a Satanás para a destruição da carne” (1Co.5.5). Vale a ressalva, aqui, que esta disciplina aplica-se somente em “casos de pecado obstinado, quando todas as alternativas de recuperar o ofensor foram infrutíferas[1]“.

Por outro lado, não estamos dizendo que a disciplina efetuada pela Igreja exclui a participação e Deus, mas que Deus está disciplinando por meio da Igreja, segundo estipulações dadas por Ele mesmo nas escrituras.

Contudo, disciplina não se restringe a isso, pois ela pode ser ministrada diretamente por Deus. Em 1Co.11.30 podemos observar que alguns (“não poucos”) dos cristãos haviam sido participantes da disciplina eliminatória do Senhor. O que se entende por disciplina eliminatória do Senhor, senão que Ele mesmo deu cabo de cristãos que estavam em desconformidade com seus valores morais e religiosos?

Há, porém um terceiro conceito disciplinar que parecer ser o caso em que se incluem Ananias e Safira, que são pecados cometidos em secreto com objetivo de iludir e enganar a Igreja de Cristo, que eventualmente chegam ao conhecimento da liderança da Igreja. Neste caso vemos a as duras colocações de Pedro o líder da Igreja acompanhadas da severa punição de Deus. Talvez alguém possa questionar tal severidade e notar que se Deus tratasse com mesma intensidade todos os cristãos, boa parte deles já haveria sido dizimada.

  • At.5.11
  • At.5.14:
  • Gl.6.7:

“Em princípio a morte dupla de Ananias e Safira nos mostra que não cabe à igreja procurar saber os pensamentos secretos de seus membros. Deus cuidará do que fica escondido nas mentes dos homens. Nenhuma hipocrisia pode ser encoberta dos santos olhos de Deus (Ef.5.13)”. Shedd

Lições aprendidas com a história de Ananias e Safira:

  • 1. Todo sacrifício pessoal é recomendável, desde que seja proceda de uma intenção genuína e voluntária, e não para a vanglória;
  • 2. A hipocrisia é detestável e odiosa, como Jesus já havia cansado de enfatiza no seu ministério terreno;
  • 3. O amor ao dinheiro é um grande e pernicioso mal. (cf. Judas Iscariotes);
  • 4. Nenhum ato religioso, consagração ou ofertas são aceitáveis se tiverem a hipocrisia como ponto de partida;
  • 5. O ludíbrio é um mal tremendo e deve ser evitado;
  • 6. A generosidade é muito recomendável, como no caso de Barnabé, contudo deve ser livre da hipocrisia.
  • 7. Que a disciplina de Deus é severa tão quanto necessária (cf. Hb.12.4-12);

Os pecados cometidos por qualquer integrante da Igreja são muito sérios por que envolvem de alguma forma toda a comunidade e os resultados são sentidos por todos.


[1]     GRANCONATO, Marcos Mendes. Prática da Igreja de Deus. pp.26