A Igreja de Cristo como Comunidade (At.4.32-35)


A Igreja de Cristo como Comunidade (At.4.32-35):

“Por que a Igreja é importante? Que diferença ela faz? Em primeiro lugar, podemos dizer que a igreja é extremamente importante neste mundo porque fornece o contexto em que ocorre a cura substancial nas relações interpessoais. É na igreja local que pessoas de diferentes idades, origens, etnias, culturas, formações e níveis sociais são convidadas a viver em plena harmonia, formando uma verdadeira família”.

Marcos Mendes Granconato

            Ao observar essa sentença podemos ainda afirmar que neste sentido nenhuma outra instituição pode se comparar a Igreja. A Igreja é única por sua essência e pela práica dela. A vida da Igreja consiste em um organismo organizado que visa cada um dos seus integrantes e por meio deles busca glorificar a Deus em todas as suas atividades. Por essa razão a Igreja mantinha-se unidada e compartilhava seus bens e realizava ação social.

A unidade descrita por Lucas em um possível hebraísmo “era só um o coração e a alma“, significa acordo total (1Cr.12.38). A comunidade Cristã era  exemplo para a sociedade em que estavam inseridos, o cuidado dos mais necessitados era prioritário na igreja, mas não obrigatória. Ao que tudo indica, a Unidade da Igreja Primitiva, o cuidado com o necessitado era voluntário. Note que “ninguém considerava exclusivamente seu nem uma das cousas que possuía“. Apesar de não considerar como sendo seu, ainda estava sob seu domínio. O que o texto sugere senão que o cristão “era ‘dono’ de seus bens, até o momento em que sentisse ser mais apropriado abrir mão deles[1]“. Isso chama-se cuidado social e é parte das ativiades da Igreja Primitiva e deve inspirar a prática da Igreja Contemporânea, no que tange os próprios irmãos em Cristo. Sendo assim, podemos nos lembrar do texto de Tiago que nos instrui da seguinte maneira: “A religião pura e sem mácula, para com nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações” (Tg.1.27a; cf. Dt.14.29; Jó.31.32; Is.58.7;Ez.18.5-9; Mt.25.35-40; Hb.13.2; Tg.2.15).

O sistema adotado pela igreja Primitiva era o seguinte: O cristão que observasse a necessidade de um irmão, venderia algo seu e consederia o valor aos apóstolos para que distribuissem o produto entre os necessitados. Ou seja, a liderança da Igreja era responsável por administrar o produto das ofertas dos cristãos e assim conceder aos irmãos que padeciam necessidades. Dessa forma, os primeiros cristãos conseguiram com que não houvesse nenhum necessitado entre eles (v.34). Portanto podemos concluir que aos cristãos cabe o papel de ofertar em conformidade com aquilo que tem observado, mas tal contribuição deve ser administrada pela liderança da Igreja de forma que ela distribua o produto entre os necessitados.

Os versos 36 e 37 são importantíssimos aqui, pois eles ilustram tudo o que havia sido dito anteriormente sobre a vida da igreja. Ou seja, Em Barnabé Lucas comprova as atividades sociais da Igreja Primitiva. Contudo, em termo de literatura lucana, o exemplo de Barnabé é colocado como um padrão a ser contrastado. A inteção de Lucas com essa colocação de Barnabé é ressaltar a imprudência de Ananias e Safira, que tem sua história relatada pouco a frente.


[1]WILLIAMS, David J. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo: Atos. pp.112

Um comentário sobre “A Igreja de Cristo como Comunidade (At.4.32-35)

  1. Maria de Fátima

    A paz do Senhor
    Estou elaborando minha monografia sobre a atuação do Espírito Santo baseado em Atos 2.42-47, e seu artigo me ajudou bastante. Deus continue te abençoando.

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