Primeira Perseguição


“Os sábios que disseram que só existe um Deus foram perseguidos, os judeus odiados, e os cristãos ainda mais”.

Blaise Pascal

1.      Introdução

No estudo anterior pudemos observar mais uma mensagem evangelística dada por Pedro e comparar com a primeira mensagem dada por ele. Pudemos notar muitas semmelhanças, que acabaram por ressaltar as grandes diferenças existentes entre os dois disursos. Vimos como a mensagem dada em ocasião diferente, voltada para pessoas diferentes, em uma situação diferente para o pregador, utilizando-se textos diferentes manteve a essência clara: A morte e ressurreição de Jesus Cristo. Assim, pudemos concluir que as situações, público, pregador podem influenciar, mas nunca devem diminuir a a essência, nem mesmo influenciá-la, muito menos alterá-la. Não importa que reação o público venha a ter, o nome de Cristo deve ser pregado com clareza.

No estudo de hoje vamos ter a oportunidade de observar a reação das autoridades judaicas diante da pregação “provovante” ministrada por Pedro dentro das dependencias do Templo. Vamos observar a severidade das autoridades com relação ao zelo por sua crença, suas ameaças e o resultado que isso trouxe para a igreja. Diante desses fatos vamos concluir que as dificuldades e perseguições que vieram contra a Igreja auxiliaram no seu crescimento e expansão. Portanto podemos concluir que Deus em sua Soberania conduziu a hisória para benefício da Igreja, mesmo que nesse processo fosse necessário a perseguição da  Igreja.

2.      Primeiro conflito com as autoridades Judaicas

Como pudemos perceb er na semana passada, acabamos a nossa leitura de maneira abrupta. Não pudemos perceber quantos pessoas aderiram a fé, nem mesmo percebemos o que aconteceu com Pedro e João, muito menos com o aleijado que havia sido curado por intermédio dos apóstolos. Na leitura de hoje podemos perceber nitidamente a continuidade da historia: “Falavem eles ainda ao povo quando sobrevieram os sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus, ressentiudos por ensinarem eles o povo e anunciarem em Jesus a ressureição dentre os mortes”.

 

2.1      Autoridades Envolvidas

Algumas palavras nos chamam a atenção neste trecho, tais como sacerdotes, capitão do templo e saduceus. Esses são representantes das autoridades judaicas. Os saduceus são os participantes de uma das duas mais proeminentes seitas judaicas nos dias de Jesus e da Igreja Primitiva. A segunda seria o farisaísmo. Alguns representantes de ambas seitas formavam o Sinédrio, que era uma espécie de tribunal superior civil e religioso que exerciam autoriadde quase absoluta em Israel. Normalmente os saduceus provinham das classes mais abastadas de Israel. Para os saduceus a questão doutrinária não era prioritaria, mas eram conservadores e pragmaticos na política. Contudo, não acreditavam na ressurrieção dos mortos (cf. At.23.8), por isso se inflamaram contra a pregação dos apóstolos. (sobre a relação deles com Jesus ver Jo.11.48 e Lc.19.45-48). É possível que essea opção teológica fosse em função da utilização da torá, pois apenas aderiram uso do Pentateuco.

O termo sacerdote parece comum pois seu uso vem desde os tempos antigos na religião de Israel. Contudo, capitão do templo parece algo novo. Na hierarquia judaica é provável que esse fosse aquele que ocupava a posição logo após o sumo-sacerdote., como seu principal oficial executivo. Na antiga literatura judaica esse homem era conhecido como “o homem do mente da casa” (casa  no sentido de templo) e era responsável por todos os guardas[1]. Assim, podemos perceber que as autoridades judaicas, em peso, estavam descontentes com a atitude dos apóstolos. Também, pudera, imagine que os Apóstolos estão no lugar mais sagrado do judaísmo ensinado sobre o Messias, que para os judeus não tinha vinda e não poderia ser Jesus.

Considerando que a religião judaica era intolerante com relação a suas convicções e ensinamentos não poderia permitir que o ensino, considerado por eles como falso, continuasse a ser exposto no Templo. Por isso “os prenderam, reconlhendo-os ao cárcere até o dia seguinte, pois já era tarde[2]“. Uma questão deve ser considerada aqui: “Por que as autoridades judaicas, que são são tão severas quanto a sua doutrina, esperaram até o dia seguinte para tomar uma providência?“. Note o v.5: “No dia seguinte, reuniram-se em Jerusalém as autoridades“. A resposta para essa pergunta é simples, o sinédrio não poderia reunir-se com legitimidade durante a madrugada, como aconteceu com Jesus. Sendo assim, não importa quem será julgado, o valor deste julgamento está condicionado a observação das leis que regem o sistema.

Aqui podemos perceber mais alguns nomes importantes dentro do judaísmo, sendo que dois deles já nos são conhecidos: Anás e Caifás[3]. Anás é apresentado neste trecho como sumo sacerdote,  que nos deixa um pouco confusos, visto que Caifás é apresentado como sumo sacerdote no evangelhos. Por outo lado, Lc.3.2 nos deixa evidente que ambos exerciam o sumo sacerdócio simultaneamente Observe o que Russel Norman Champlin diz sobre ele: “A princípio Anás for a feito sumo sacerdote; entretanto for a deposto pelos romanos, tendo sido substituido por seu próprio genro Caifás[4]. O que podemos concluir é que, embora o reconhecimento externo de Jerusalém considerasse apenas Caifás como sumo sacerdote, os judeus, que criam que o cargo de sumo sacerdote é vitalício, ainda reconheciam a autoridade inconteste de Anás.

            Os “anciãos”  eram os oficiais do sinédrio que não pertenciam a qualquer dessas duas classificações. Assim pode-se afirmar que o termo ancião é genérico, mas refere-se a uma importante classe no judaísmo. O mesmo diz-se do termo “autoridades” utilizado no mesmo versículo. Contudo, podemos observar a existência de mais uma referência no v.5, os escribas, que faziam parte do partido dos fariseus.

Diante das informações supracitadas podemos perceber que os discípulos estavam em uma situação de risco, pois os mais importantes nomes e autoridades de Jerusalém os levaram a cadeia e procuravam os interrogar. Contudo, existia um trunfo nas mãos dos apóstolos, pois tais autoridades não poderiam negar o milagre que foi feito por intermédio dos apóstolos, sem contar no fato de que estavam ainda perplexos pelo que acontecera. Isso pode ser percebido na pergunta: “Com que poder ou em nome de quem fizeste isso?” (v.7).

2.2      Pregação e Defesa de Pedro

O primeiro ponto que deve ser levado em consideração nesse treco é que Pedro está “cheio do Espírito Santo“. Embora não seja a intenção deste estudo esgotar as informações sobre esse fato, podemos afirmar sem chances de estarmos errados, que isso implica em dizer que a Profecia mencionada por Jesus e registrada por Lucas (Lc.21.14-15) havia cumprido-se. O teor da profecia diz respeito exatamente a essa situação, observe: “Quando vos levarem às sinagogas e perante os governadores e as autoridades, não vos preocupeis quanto ao modo por que respondereis, nem quanto às coisas que tiverdes de falar. Por que o Espírito Santo vos ensinará, naquela mesma hora, as coisas que deveis dizer” (Lc.12.11-12). Ou seja, Pedro estava sendo capacitado pelo Espirito Santo de maneira sobrenatural a responder exatamente o que deveria ser respondido. Isso também nos faz lembrar de At.1.8. Ao ouvir a resposta de Pedro perante as autoridades de Jerusalém não conseguimos esquecer a cena da traição dele, quando intimidou-se com a a voz de uma mulher. Pedro só poderia ter essa atitude diante de tal situação se estivesse revestido do poder de Deus. Isso é exatamente o que consideramos aqui estar “cheios do Espírito Santo“.

A defesa de Pedro nasce de forma jurídica, visto que a argumentação sugere que eles estão sendo acusados por fazrem o bem a um enfermo e ao modo que ele foi curado. Se as autoridades de Jerusalém estivessem imaginando poderiam tecer alguma conspiração contra eles, não passariam pela primeira barreira, a aprovação do povo. Sem contar que ninguém poderia ser julgado por curar um enfermo, como no caso deles (cf. v.14).

O ponto alto dessa mensagem são os vs.10-12. Note novamente que Pedro não perde a oportunidade de anunciar o evangelho. O cerne de seu defesa está intimamente ligado à mensagem sobre Jesus, que morreu e ressuscitou. Podemos ver de novo o dualismo aqui entre “vós o crucificastes, a quem Deus ressiscitou” (Isso será melhor exposto na oração feita pela igreja primitiva relatada em At.4.26-28), bem como o termo “em seu nome” referindo-se a Jesus. Vale ser dito que essa expressão sugere que o milagre foi operado pela autoridade e poder de Jesus.

Contudo um ponto merece nossa atenção visto ser ter sido mencionado anteriormente: “E não há salvaçã em nenhum outro homem; por que abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pel qual importa ser salvo” (v.12). Note que aqui Pedro parece lembrar-se das palavras de Jesus, quando disso que “é o caminho a verdade e a vida” (Jo.14.6). Ou seja, não existe salvação fora da obra redentora de Jesus Cristo, pois Ele é o único mediador entre Deus e os homens (1Tm.2.5). Não importa quanto o mundo nos critique sobre nossa atitude em relação a multideiversidade de idéias sobre a vida, a salvação é dada exclusivamente por meio da Obra Redentora de Jesus, e não há nenhum outro meio, modo oe pessoa. Que nos odeiem os pluralistas. Talvez isso faça parte da vitalidade da Igreja, pois não poderíamos concordar com as milhares de vozes do mundo sem nos contaminarmos com ele. É possível que seja essa a opinião da Igreja Primitiva, exposta por Inácio de Antioquia que dizia: “A grandeza da igreja consiste em sermos odiados pleo mundo“.

2.3      Atitude das Autoridades Judaicas

Em primeiro lugar, podemos dizer que as autoridades judaicas estavam espantadas com a intrepidez de Pedro e João, pois eles eram homens iletrados e incultos. Logo não poderiam esperar tamanha coragem para proclamar acerca  do que criam, como  fizeram. A conclusão deles parece clara: “reconheceram que haviam andado com Jesus” (v.13). Contudo, devemos dizer que iletrados e incultos não significa analfabeto, mas sim que tanto Pedro como João não haviam sido instruídos mas escolas rabínicas, que não eram eruditos profissionais ou professores ordenados.

Como as autoridades não tinham como argumentar contra as colocações de Pedro e não podiam negar o fato ocorrido acabaram os deixando ir. Assim que eles saíram, reuníram-se e questionavam: “Que faremos com estes homens?” Diante do que havia sido feito nada mais poderiam fazer senão os advertir para não mais ensinarem a respeito de Jesus, nem em nome dele. Pedro não deixou barato denovo: “Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus, pois nós não podemos deixar de falar das cousas que vimos e ouvimos” (v.19, 20).

3.      Oração

A oração dos apóstolos, reunidos juntament com os outros irmãos da Igreja Primitiva, é um insentivo para a prática da nossa fé hoje. Note que o reconhecimento que envonve toda essa oração Soberania de Deus: “Soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há“. Dizer que Deus é Soberano significa dizer que ele é supremo no universo bem como seu poder. Ou seja, nada lhje escapa do contole. O Deus anunciado pelos apóstolos é esse que “faz todas as coisas  conforme o conselho de Sua Vontade” (Ef.1.11). Sobre esse o Conselho de Deus Brancroft diz que ele “abrange não só os efeitos, mas também as causas; não apenas os fins que devam ser obtidos, mas igualmente os meios necessários para sua obtenção[5]“.

Isso é o que é expresso por essa oração, pois note que enfatiza aquilo que Deus disse ao profeta (v.25-26) e de fato isso aconteceu (v.27-28). Ou seja, Deus é Soberano para pré-estabelecer o que irá acontecer, Pessoal para comunicar o que irá acontecer, e Fiel para cumprir o que estabeleceu e comunicou. Portanto, se este Deus é tão grande como  temos visto, por certo pode nos ajudar. E essa é a segunda autitude encontrada na oração do apóstolos: “concede aos teus servos que anunciem com toda intrepidez a tua palavra”.E isso é exatamente o que acontece. Deus é Fiel!!


[1]2Macabeus 3.4 fala um pouco sobre esse “homem do monte de casa”, que era escolhido da casa de Benjamin. Mishnah Middot diz o seguinte sobre ele: “…o homem do monte da casa vai atrás de todos os postos, como tochas acesas à sua frente; e todo  o posto em que o guarda não estiver de pé, alí o homem do monte da casa diz: Paz contigo. Porém se observar que está dormindo, bate-lhe com o cajado, e tem  a autoridade para queimar suas vestes (Cap.1.2).

[2]Como o texto diz já era tarde. Isso implica em dizer que os discípulos tiveram um bom tempo de exposição da verdade a respeito de Cristo.

[3]Anás e Caifas são responsáveis pelo julgamento cheio de irregularidades de Jesus (Jo.18.12-23; Mt.26.57-68). Enfase especial deve ser dada a Mt.26.65, outra irregularidade gritante no julgamento.

[4]CHAMPLIN, Russel Norman, Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Vol.3, pp.93

[5]BANCROFT, E.H. Teologia Elementar. pp.81.