Eleição


Nada se pode entender das Obras de Deus se não se toma por princípio que ele quis cegar a uns e esclarecer os outros[1]

A Eleição é doutrina fundamental no pensamento cristão sobre a salvação. Diante desse fato ninguém dentro da ortodoxia teológica desacredita nesta verdade. Contudo, não se tem um conceito sólido sobre o assunto, pois dentro da ortodoxia teológica encontram-se, basicamente, duas formas de Eleição: a Eleição Incondicional (Calvinismo) e a Eleição Prevista (Arminianismo). Entretanto, é ainda possível observar fora da ortodoxia teológica versões sobre a salvação, pois há quem pense que Deus escolheu todos os seres humanos, de todos os lugares do mundo e de todas suas eras para a salvação (Universalismo). Assim, é necessário compreender tais possibilidades para que a verdade bíblica seja ressaltada.

A.           Eleição Universal

O Universalismo prega a Eleição de, absolutamente, toda a humanidade para a Salvação. Ou seja, no plano redentor que Deus propôs, Cristo morre por todos os homens e assim todos eles são salvos, por que Deus é amoroso e misericordioso.

Apresentação da Ideologia

Segundo os universalistas: Sem qualquer sombra de dúvidas as Escrituras nos declaram que a intenção de Deus é salvar todas as suas criaturas. Ou seja, não importa seu caráter moral, sua condição ou suas atitudes diante da verdade, aliás, não é nem necessário crer, pois Deus irá salvar a todos. Isso está de acordo com a revelação de Seu caráter amoroso, gracioso e misericordioso demonstrado em sua Palavra.

Fundamento para isso é encontrado em textos como Rm.11.32 e 5.18 que demonstram claramente essa intenção soteriológica universal de Deus. Observe:

Porque Deus a todos encerrou na desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos. (Rm.11.32) Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida (Rm.5.18)

Deve-se ter em mente que essa proposta não é sem fundamento, pois ainda podem-se assinalar mais dois textos que confirmam sua proposta 1Tm.2.4 somado com Jô.42.2

…o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. (1Tm.2.4) Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. (Jó.42.2)

Seguindo essa interpretação dos textos acima, podemos dizer que a Intenção de Deus é Salvar todos os seres humanos.

Defensor da Ideologia

Diante da proposição universalista feita e de sua réplica, é necessário conhecer quem é o teólogo que propôs tal idéia. É possível que o pai desta ideologia seja Karl Barth. Para ele Deus elegeu a raça humana para a salvação. Ou seja, aquele que é ser humano pode participar das bênçãos dessa salvação.

A identificação dessa idéia encontra-se em textos, como Ef.,1.5, que afirmam que Deus nos escolheu em Cristo. A conclusão retirada deste texto é que “em Cristo” todos os seres humanos podem ser salvos. Observe:

…o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos (1Tm.2.4-6).

Diante de textos como esse, Karl Barth chegou à conclusão de que Deus é quem realiza a escolha dos salvos, que são todos os seres humanos. Isso pode ser demonstrado:

A eterna palavra de Deus escolheu essência e existência humana, santificou-a e assumiu-a até fazer dela uma só realidade consigo mesmo, de maneira a tornar-se, enquanto verdadeiro Deus e verdadeiro homem, a Palavra da reconciliação dita aos homens por Deus.[2]

Embora alguns conceitos soem estranhos, Barth afirma que Deus é o executor, por meio de Cristo, da salvação. Contudo, em Cristo todos, absolutamente todos podem chegar à salvação. Assim, a escolha feita anteriormente por Deus é expandida a todos em Cristo. Para ele Cristo é o “Mediador único entre Deus e os seres humanos[3]“. Assim quem realiza a escolha dos salvos é Deus, mas que o crivo dessa escolha é Jesus, e por meio dele todos, absolutamente todos podem chegar à salvação. Segue-se que a escolha feita anteriormente por Deus é expandida a todos em Cristo, e que “a única distinção básica não é entre eleitos e não-eleitos, e, sim, entre os que têm consciência de sua eleição e os que não tem[4]“.

Essa afirmação é a base do inclusivismo soteriológico, que afirma a salvação a todos os homens, apenas pela conexão indiscriminada com Cristo. Logicamente o pensamento exposto por esse teólogo não tem respaldo bíblico, embora seja encontrado de maneira sutil dentro do pensamento de muitos cristãos.

Réplica da Ideologia

Em primeiro lugar, necessita-se compreender de forma adequada a pessoa de Deus. É ponto pacífico que Ele seja amoroso, gracioso bem como misericordioso. Contudo não podemos encerrar Seus atributos apenas nesses aspectos. Fazer isso é cometer heresia, que por definição é superestimar aspectos da verdade. Precisamos compreender que Deus é, na mesma medida justo, poderoso, reto. Logo, não age apenas em uso do amor ou misericórdia ou graça, mas no exercício pleno de Seus atributos.

Assim percebemos que o raciocínio Auniversalista@ parece fazer menos sentido. Entretanto existem outras falácias no argumento, como a utilização de textos sem o menor estudo de contexto, quer histórico como textual. Por exemplo, o texto de Rm.11.32 é plausível no argumento universalista, mas inconsistente à luz do contexto. O versículo, sozinho, afirma que Deus vai usar misericórdia com todos. Ao ler o contexto nota-se que Paulo discursa com respeito aos Propósitos históricos de Deus, a saber, que outrora os gentios eram desobedientes a Deus, mas alcançaram misericórdia na desobediência de Israel e assim todos, quer gentios como israelitas, foram encerrados na desobediência, afim de usar misericórdia com todos, quer gentios como israelitas. Logo, dentro do contexto o argumento universalista é inconsistente.

O mesmo fato acontece em Rm.5.18, onde o texto enfatiza claramente um contraste em termos de resultado entre Adão e Cristo. Em Adão, temos juízo a todos os homens, em Cristo justificação a todos os homens. Ou seja, todos os morreram em Adão e serão vivificados em Cristo. Mas precisamos entender que, embora seja universal o alcance do pecado, em Adão, ele não é irremediável. Bem como a justificação que, em Cristo é acessível universalmente, mesmo que nem todos serão justificados. A ênfase do texto se dá na superioridade da Obra Redentora em relação a queda, pois em Cristo os resultados da queda podem ser remediados. Isso fica evidente no versículo 19 que diz que muitos se tornaram pecadores em Adão e em Cristo muitos se tornarão justos, e não todos. Logo, dentro do contexto o argumento universalista é inconsistente.

Falácia semelhante acontece no uso de 1 Tm.2.4 em conjunto com Jó 42.2. O primeiro afirma que o desejo de Deus é que todos sejam salvos e o segundo, que os planos de Deus não podem ser frustrados. Logo, Jesus foi uma encenação histórica. No texto de 1 Tm.2.4 vemos que o contexto é apenas um enfeite inútil para o que se quer entender. A expressão Atodos os homens@ aparece antes em 2.1, com respeito a oração do cristão que deve ser em favor de Atodos os homens@. Seguindo vemos uma classificação dentro desse Atodo@, que são os Areis e de todos os que se acham investidos de autoridade@. Logo, a utilização seguinte do mesmo terno, em 2.4, significa, todos, inclusive os reis e as autoridades, dando um sentido classificatório à expressão. Essa distinção era necessária, pois os cristãos dessa época sofriam perseguições pelas autoridades, mas que ainda assim eles deveriam orar por eles, sabendo que era desejo de Deus que eles também sejam salvos, pois Cristo se dera em resgate de todos (2.6), inclusive dos reis e autoridades. Logo, dentro do contexto o argumento universalista é inconsistente.

Em Jó, vemos o mesmo problema. A partir do cap.38 vemos se iniciar um diálogo entre Deus e Jó. Neste Jó é desafiado a responder perguntas feitas por Deus. E isso segue alguns capítulos. Até que é dada uma oportunidade de resposta a Jó que diz ser indigno, pois não saberia o que responder a Deus. E, novamente Deus faz perguntas a Jó, mostrando que é quem manda na História, quem é que tem poder, quem criou o mundo e tudo o que nele há, quem é de fato o Todo-Poderoso. A luz disso vem a famosa frase do 42.2: ABem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos podem ser frustrados@.  Isto expressa o reconhecimento de Jó a pessoa de Deus, revelando sua Onipotência e Imutabilidade, pois tudo pode, e seus planos não podem ser frustrados. Isso até poderia auxiliar a leitura herege universalista, mas é mister compreender que não é plano de Deus salvar todo homem. Se tal premissa fosse consistente fora do sistema universalista, teríamos de rejeitar a Obra Messiânica, bem como todas as profecias em relação a esse acontecimentos, bem como o Caráter de Deus. Logo, dentro da realidade da revelação bíblica o pensamento universalista é inaceitável.

B.            Eleição Prevista

Outra possibilidade para a Eleição é que Deus, por causa do seu conhecimento antecipado de todos os fatos, resolveu escolher todos aqueles que creram no evangelho. Em termos gerais, é a ideologia que afirma a Liberdade de Escolhas do Homem, e que suas opções subjugam as decisões de Deus.

Apresentação da Ideologia

A ideologia é exposta dentro da teologia ortodoxa e defendida por cristãos sinceros. A idéia primeira é de que o homem tem Livre Arbítrio. Ou seja, ele pode optar por ser salvo ou não. Contudo, isso não exclui a Soberania de Deus, onde este escolhe aqueles que o escolheram. Ou seja, na salvação existe co-participação entre Deus e os homens, mas o livre arbítrio do homem precede a decisão de Deus.

A idéia nasce a partir da leitura de Rm.8.29 com uma conexão direta com 1Pe.1.2. Vejamos os textos:

Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas

As palavras destacadas referem-se a dois termos gregos que significam literalmente: pré-conhecer e pré-conhecimento. As duas palavras têm mesma raiz, mesmo sufixo mas a primeira refere-se ao uso verbal e a segunda ao uso substantivo do termo. Assim, Deus pré-conheceu aqueles que irão crer e elege por causa do seu pré-conhecimento.

Dessa forma, o homem tem sua liberdade e Deus sua Soberania. Enquanto o homem pode, pelo poder que lhe é próprio, decidir seu destino e seus atos, Deus em sua Soberania pode escolher aqueles que querem ser escolhidos. Em resumo, essa ideologia afirma: “A eleição é a escolha de Deus de algumas pessoas para a salvação e privilégios, fundamentada na escolha inicial feita por essas mesmas pessoas“. Outros textos: Is.55.1-3; Ez.18.32; Mt.11.28; Lc.9.23; 1Co.1.21; 1Tm.2.6; 2Pe.2.1; Hb.2.9; 1Jo.2.2; Ap.22.17.

Defensores da ideologia

Segundo um dos defensores de tal ideologia, a eleição é o “diploma divino com que é agraciado todo o que recebe a Cristo Jesus como seu Único e Suficiente Salvador (Jo.3.16)[5]“. Ou seja, Eleição de Deus é apenas como um seguro que o homem tem para a salvação, uma vez que ele “aceita a Cristo” não o perde mais. Contudo, esta Eleição é precedida pela Predestinação, que é muito semelhante ao conceito anterior, visto que é oferecida a todos os seres humanos. Observe:

Ora, quanto à eleição, é necessário dizer que ela é precedida pela predestinação. Noutras palavras: toda a humanidade, sem quaisquer exceções, foi predestinada à vida eterna. Mas a eleição está reservada àqueles que acreditam na eficácia do sangue de Jesus[6].

Neste ponto, a Doutrina da Salvação da Convenção da Igreja Batista Brasileira está em acordo com as opções de Claudionor. Veja:

Eleição é a escolha feita por Deus, em Cristo, desde a eternidade, de pessoas para a vida eterna, não por qualquer mérito, mas segundo a riqueza da sua graça. Antes da criação do mundo, Deus, no exercício da sua soberania divina e à luz de sua presciência de todas as coisas, elegeu, chamou, predestinou, justificou e glorificou aqueles que, no correr dos tempos, aceitariam livremente o dom da salvação. Ainda que baseada na soberania de Deus, essa eleição está em perfeita consonância com o livre-arbítrio de cada um e de todos os homens. A salvação do crente é eterna. Os salvos perseveram em Cristo e estão guardados pelo poder de Deus. Nenhuma força ou circunstância tem poder para separar o crente do amor de Deus em Cristo Jesus. O novo nascimento, o perdão, a justificação, a adoção como filhos de Deus, a eleição e o dom do Espírito Santo asseguram aos salvos a permanência na graça da salvação.

Outro escritor cristão que deve ser lembrado é Norman Geisler. Para ele a Soberania de Deus abrange todas as coisas, mesmo a liberdade de escolhas do homem. Contudo Deus, em sua Soberania, autolimita-se na salvação do homem, visto que oferece salvação a todos mas só são aceitos aqueles que crêem. Sua base é o Argumento da Causalidade, que diz que cada evento tem uma causa. Assim, a escolha para salvação é uma ação auto-causada, como ele chama. Ou seja, o homem é a causa da sua própria salvação. Em sua concepção isso não fere a dignidade de Deus, pois ele determinou que o homem seria livre. Observe sua lógica:

Deus determinou que as criaturas façam as coisas livremente. Ele não determinou que sejam forçados a fazer atos livres. O que é forçado não é livre, e o que é livre não é forçado[7].

Entrementes, a opção da Eleição Prevista tem suas divergências, pois segundo alguns defensores esses que escolhem a Deus, podem deixá-lo. Esse pensamento é exposto por Raimundo de Oliveira:

A Bíblia dá a entender que muitos daqueles pelos quais Cristo morreu, aceitarão a sua provisão salvadora, mas depois abandonarão, perdendo com isto o direito à vida eterna. Sobre esses escreveram Paulo e Pedro: “Perece o irmão fraco pelo qual Cristo morreu”. “Negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição”[8].

Porém, este escritor ainda aceita as opções soteriológicas comuns a esse grupo de pensadores. Para ele a salvação é impossível sem cooperação entre Deus e os homens, de forma que a decisão do homem subjuga a decisão de Deus. Observe:

Os defensores do determismo estão equivocados quando salientam demasiadamente a verdade da majestade, da graça e do poder de Deus, em detrimento da insuficiência do homem para fazer  qualquer coisa sem auxílio divino. Ignoram a capacidade de decisão do homem quanto à determinação do seu futuro eterno (…) A salvação (…) só é possível com a cooperação do crente[9].

Assim, a idéia básica é:

(1) O homem tem livre escolha;

(2) Deus sabe quem vai crer;

(3) Logo, Deus escolhe quem irá crer.

Ou, como disse Thiessen:

Por eleição, entendemos aquele ato soberano de Deus em graça, pelo qual Ele escolheu em Jesus Cristo para a salvação todos aqueles que de antemão sabia que O aceitariam[10].

Réplica da Ideologia

A ideologia exposta é sem sombra de dúvidas problemática, pois necessita de superposição temática dentro da terminologia dos termos bíblicos. O primeiro argumento dos defensores dessa idéia é que o homem tem livre arbítrio. O segundo é que Deus sabe quem vai crer e por isso escolhe. Assim, o homem livre escolhe ser salvo e Deus por seu conhecimento antecipado o predestina para salvação.

Se levado a sério a idéia concluir-se-á que as ações dos homens determinam as ações de Deus. Logo, Deus não tem liberdade para agir, antes é dependente do homem. Ou seja, Deus quer salvar mais não pode, precisa que o homem deixe ser salvo.

Dois problemas são claros: (1) Não compreendem corretamente a Deus; (2) Não compreendem quem o homem é. Sem esses dois reconhecimentos é impossível compreender a salvação. Deve-se lembrar que a Eleição nunca ofende a dignidade de Deus ao mesmo tempo que não retira do homem a responsabilidade. Observe o que Walter T. Conner diz:

Lembremos, no entanto, que o propósito de Deus em relação à eleição não vai ao ponto de o homem ser salvo independente de se arrepender e crer. Antes, é parte do propósito de Deus trazer o homem ao arrependimento e à fé. E Deus não obriga o eleito a crer. Ele o guia e persuade, através dos apelos do evangelho e trabalho do seu Espírito Santo, mas é o indivíduo que decide vir a Cristo (…) Lembremo-nos que o propósito de Deus na eleição era o de efetuar a mesma coisa que ele realiza ao salvar esse homem. Portanto, se a salvação de um homem não interfere na sua liberdade, o propósito na mente de Deus, em virtude do qual ele foi salvo, não interferiria tampouco na sua liberdade[11].

Ideologia fundamentada no Mal uso de terminologias bíblicas:

A premissa de Geisler, sobre a determinação de Deus com relação a liberdade humana, não tem fundamento bíblico, apenas lógico e filosófico. A idéia de Claudionor e Thiessen são fundamentadas no mal uso dos termos pré-conhecer e pré-conhecimento. Pois observe onde mais eles são usados:

…Deus não rejeitou o seu povo, a quem de antemão conheceu (Rm.11.2)

conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós (1Pe.1.20)

…sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos (At.2.23)

Nos outros textos em que os termos aparecem é impossível dizer que se referem apenas a um conhecimento antecipado de Deus. Em Rm.11.2 é impossível que o texto diga que Deus apenas sabia que Israel o iria aceitar. Isso não é visto em nenhum texto do Velho Testamento. O que se sabe sobre a origem da Nação de Israel é que Deus escolheu um casal e por meio deles estabeleceu uma nação. Não se pode dizer que Deus sabia que Abraão teria um filho e que desse filho viria uma nação. O que é certo é o que Paulo afirma: “O que Israel busca, isso não conseguiu, mas a eleição o alcançou” (Rm.11.7).

Em 1Pe.1.20 e At.2.23 fica mais difícil fazer a afirmação do pré-conhecimento passivo de Deus, pois é impossível que se diga que Deus sabia que Jesus ia morrer. Ao contrário, Deus estabeleceu assim. Ou seja, talvez o termo usado para defender um conhecimento passivo de Deus na salvação não defende.

Ideologia fundamentada no Mal uso de textos:

Outro pequeno detalhe é que a base estrutural do pensamento da Eleição prevista está lançada sobre Rm.8.29 somado com 1Pe.1.2, que não sustentam tal idéia. Não precisa ser um grande conhecedor de terminologias para perceber isso. Observe:

Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

…eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas.

Observe que essa idéia diz que Deus salva os homens que querem ser salvos. Contudo o primeiro texto diz que o fato de conhecer não antecede nem fundamenta a predestinação, mas diz que os dois fatos acontecem. Ou seja, ele conhece quem predestina, e não predestina por que conhece como insistem os adeptos dessa idéia. Outro detalhe observado no primeiro texto é que o objetivo da salvação é ser conforme Cristo. Logo, ninguém pode ser salvo por ser conforme Cristo como insistem os adeptos dessa idéia, mas para ser conforme Cristo.

No segundo texto nota-se que a presciência não é o fundamento da salvação, como insistem os adeptos dessa ideologia, mas, antes este pré-conhecimento está em conformidade com a eleição. Pedro diz que nós somos eleitos em conformidade com a presciência, e não por causa dela. Sem contar que para ele o objetivo da eleição é a obediência. Logo, ninguém pode ser salvo por obedecer, mas para obedecer.

Assim, diante desses fatos é certo que a idéia da Eleição Prevista não tem fundamento bíblico por três grandes motivos: (1) Não existem textos bíblicos que confirmem a absoluta liberdade do homem em relação ao seu destino eterno; (2) Não existem provas bíblicas para a idéia de que Deus escolhe quem irá crer; (3) Não existe fundamento escriturístico para afirmar a falta de liberdade de Deus na Salvação.


C.           Eleição Incondicional

Eleição Incondicional é a doutrina apresentada pelos calvinistas e é fundamentada na Soberania Absoluta de Deus e na Ausência Absoluta de Mérito do homem para alcançar a salvação. Conseqüentemente, o homem não tem livre arbítrio, no que diz respeito a salvação, e depende exclusivamente da graça de Deus para ser salvo.

Apresentação da Doutrina

É muito complexo definir em poucas linhas a Eleição, visto ser ela parte debate intenso desde a era dos Pais da Igreja. No século 5, Agostinho já discutia com Pelágio sobre o assunto. A respeito de Pelágio, Berkhof diz:

“Pelágio se afastou muito mais do ensino bíblico quanto à aplicação da redenção do que qualquer outro dos primeiros Pais da Igreja. Podemos mesmo afirmar que ele abandonou os fundamentos escriturísticos que eram sagrados, e reafirmou o princípio de auto-suficiência da filosofia pagã[12]

A idéia presente no pensamento de Pelágio inicia-se na concepção errada de pecado, e por isso chega a não necessidade de Cristo para apropriação da redenção. Para ele, é possível mediante as obras da lei uma redenção completa. “Não desprezava ele inteiramente a ‘ajuda da graça’ ou ‘assistência divina’, mas considerava isso desejável ‘a fim de que aquilo que é ordenado por Deus possa ser mais facilmente cumprido’[13]“.

Para ele esta graça não diz respeito à Obra Regeneradora do Espírito Santo, ou Seu convencimento do pecado. Para ele a graça “consiste somente destes fatores: (a) ‘o bem da natureza’, isto é o livre arbítrio de que o homem é dotado, de tal modo que possa fazer o bem ou mal; e (b) a pregação do evangelho e o exemplo de Cristo, fatores esses que são dirigidos à mente do homem e lhe ensinam o caminho da salvação. A graça da natureza é universal e também absolutamente essencial ou necessária, mas a graça do evangelho não era nem universal nem necessária, embora facilitem ao homem a obtenção da salvação[14]“.

Tal idéia ainda prevalece em alguns guetos pseudo-teológicos. Mas, antes de qualquer outra menção que fira a doutrina pelagiana, é válido recordar que foi condenada pelo Sínodo de Cartago, pelo Sínodo de Éfeso e novamente pelo Sínodo de Orange, onde o semi-pelagianismo foi também descartado. Ou seja, diante da História da Igreja tal heresia vem perseguindo a sanidade da doutrina bíblica da salvação.

Ou seja, a idéia da co-participação humana na salvação, no sentido de determinar as atividades de Deus, é claramente descartada pela história da igreja. Isso não significa que o homem é um robô, ou alguém que não é dotado da possibilidade de optar, ou realizar escolhas. O que se afirma é que, em função do pecado, suas escolhas estão fadadas ao fracasso, no que diz respeito à salvação. Ou seja, uma vez que todos os aspectos do homem foram corrompidos pelo pecado, incluindo a vontade, é impossível que essa vontade caída, abarrotada de pecado possa subjugar as decisões de Deus.

O que se pode afirmar sobre a vontade, é que ela é influenciada ou dirigida, pelo intelecto, emoções e desejos e que sua liberdade nada mais é do que a experiência de realizá-la na ausência de controle ou influência. Seguindo essa afirmação, a liberdade da vontade é inconsciente. Entretanto, isso é impossível, pelo fato de que a vontade sempre está à mercê de alguma informação, necessidade ou desejo.

Observe que quando Paulo afirma que os não salvos tem um modo de vida em conformidade o curso deste mundo, o enganador deste mundo, e das inclinações da própria carne (Ef.2.1-3). Neste texto pode-se ler:

“..fazendo a vontade da carne e dos pensamentos”

A vontade relaciona-se com os outros aspectos da constituição do homem, e o conduz segundo as inclinações destes aspectos. Dessa forma, o homem não regenerado tem sua vontade inclinada pelas paixões carnais e intenções malévolas, o que faz com que sua vontade não possa ter arbítrio isenta de influência.

O mesmo acontece com o homem regenerado, embora após a salvação o homem seja conduzido à liberdade, a vontade do homem não é absolutamente livre. Paulo testemunha esse fato quando diz:

“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm.7.18-19)

O que acontece nesse texto demonstra a luta entre a intenção de fazer o bem e não conseguir efetuá-lo. Embora o homem regenerado desfrute de um ambiente de liberdade ainda não possui a liberdade essencial e verdadeira que o próprio Deus tem. De alguma forma até mesmo a vontade do homem é influenciada, ou regida por outro aspecto. Em Fp.2.13 podemos ler:

“Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”

Segue-se que a liberdade da vontade é o desejo de todo homem, porém, impossível à luz de sua própria definição:

Vontade é a capacidade inerente das faculdades do aspecto imaterial do homem,  que o possibilita realizar escolhas morais influenciadas por sua condição moral, com o objetivo de movê-lo para alguma direção dentre as possibilidades desejadas[15].

Assim, não se nega a capacidade de escolas do homem, ao mesmo tempo que não afirma seu liberdade utópica. Assim, para a salvação é necessário que Deus em misericórdia inicie o processo de salvação, sendo que este é iniciado Ele com a eleição. Por isso é necessário compreender o termo teológico que refere-se a esse início: ELEIÇÃO. Sobre ela, Strong diz:

Eleição é o ato eterno de Deus pelo qual, em soberano agrado e não por mérito algum previsto nos homens ele escolhe alguns dos numerosos pecadores para serem os receptores da graça especial do seu Espírito e assim serem participantes voluntários da salvação de Cristo[16].

Eleição: Prova Bíblica

A Eleição Incondicional é fundamentada na Soberania Absoluta de Deus. Assim, podemos ressaltar a Soberania de Deus:

(1) Sobre toda a Vida: 1Sm.2.6-10; 2Rs.9.25; 1Cr.29.11-14; Sl.135.6; i39.1-16; Pr.16.9.33; 20.24; Ec.3.1; Is.14.24, 27; 25.1; 43.7; 45.1-13; 46.10; 48.3; 55.11; 63;16-17; 64.8; Dn.4.17; At.2.23-24; 4.27-28; 17.24-28; Rm.13.1; Ef.1.11; Fp.2.13;

(2) Sobre Seus Planos: 1Rs.22.19-22; Jó.42.2; Sl.115.3; 135.6; Pr.21.1; 16.4; Is. 44.18; 54.16; 55.11; Dn.4.17, 35; Jo.1.6; 2.1; Rm.9.11-24; 11.7; 2Pe.2.9; Jd.4; Ap.13.8; 17.8; 19.16; 20.2, 10;

(3) Sobre a Eleição: Gn.12.1-3; Lv.8; Dt.7.6, 14.2; 1Sm.17.1-12; Sl.33.12; Is.8.14 (cf.1Pe.2.8); 41.8, 9; 42.1; 43.20, 21; 65.9, 22; Mt.22.14; 24.22; 24.24; Mc.3.13-19; 13.27; Lc.18.7; Jo.1.13; 6.37, 44, 65; 10.29; 15.16, 19; 17.2, 6, 9, 12, 24; At.2.39; 13.48; 18.27; Rm.8.28-30; Cap.9; Cap.11; 16.13; 1Co.1.27-30; Gl.1.5-16; Ef.1.3-6, 11; 2.8-10; Cl.3.12; 1Ts.1.4; 2Ts.2.13; 3.2; Tt.1.1; 1Tm.1.9; 2Tm.2.10; Tg.1.18; 1Pe.1.2-5; 5.13; 2Pe.1.10; Ap.17.14.

Diante de tantas evidências, vamos ressaltar apenas alguns textos:

(1) A Eleição é para salvação: “porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts.5.9); “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade” (2Ts.2.13)

(2) A Eleição é restrita: “Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” (Mt.22.14); “e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna” (At.13.48);

(3) A Eleição não depende da vontade humana: “os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo.1.13); “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm.9.16);

(4) A Eleição precede a Obediência, a Santificação, o Exercício de Fé: “assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele” (Ef.1.3); “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm.8.29); “eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo” (1Pe.1.2); “E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama) já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço” (Rm.9.11-12);

(5) A Eleição é realizada em Amor: “em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef.1.5);

(6) A Eleição é fundamentada na Graça de Deus: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto [a salvação] não vem de vós; é dom de Deus” (Ef.2.8); “segundo a riqueza da sua graça” (Ef.1.5-7);

(7) A Eleição Implica em Chamamento Eficaz: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm.8.28); “a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?.” (Rm.9.23-24); “mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo” (1Co.1.24);

(8) A Eleição é Departamento da Soberania de Deus: “Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento, pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.” (1Co.1.26-29); “Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade” (Tg.1.18); “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?” (Rm.9.20, 21);

(9) A Eleição garante a existência de um Povo de Deus: “Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça” (Rm.11.5); “Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados” (Mt.24.22 – Contexto da Grande Tribulação); “Mas, relativamente a Israel, dele clama Isaías: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo” (Rm.9.27);

(10) A Eleição Tem um aspecto Negativo: “Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição” (Rm.9.22); “Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz” (Rm.9.18); “Que diremos, pois? O que Israel busca, isso não conseguiu; mas a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos, como está escrito: Deus lhes deu espírito de entorpecimento, olhos para não ver e ouvidos para não ouvir, até ao dia de hoje.” (Rm.11.7-8); “Por isso, não podiam crer” (Jo.12.39); “Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos” (1Pe.2.8); “O SENHOR fez todas as coisas para determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade” (Pr.16.4); “Esses, todavia, como brutos irracionais, naturalmente feitos para presa e destruição, falando mal daquilo em que são ignorantes, na sua destruição também hão de ser destruídos” (2Pe.2.12); “Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo” (Jd.4); “Qual a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra. Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos” (Jo.8.43-44); “Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra” (Rm.9.17)

Diante desses textos é impossível negar a existência da Eleição Incondicional. Aliás, não existe como ser cristão e negar a Soberania Absoluta de Deus sobre a Vida e a Morte, sobre a Eleição e Preterição.

Defensores da Doutrina

Agostinho, João Calvino, Teodoro Beza, George Whitefield, Charles Hodge, Augustus Hopkins Strong, Louis Berkhof, Charles Ryrie, Abraham Kuyper, John Sttot, Charles Swindow, Charles Spurgeon, A.W. Pink, A.W. Tozer, J.I. Packer, Walter Conner, Blaise Pascal, Roger Willians, Obadiah Holmes, Benjamin Keach, John Bunyan, Isaac Backus, Andrew Fuller, Willian Carey, Luther Rice, Adoniran Judson, J.P. Boice, John A. Broadus, B.H Carroll, Matthew Henry e John Newton, Anthony Hoekma, Jonatas Edwards, R.C. Sproul, Lewis Sperry Chafer, Millard Erickson, H. W. House, Marcos Ribeiro, Bruce Triplehorn, Jonas Cunha, Marcos Mendes Granconato, Carlos Osvaldo Pinto, Darcy Sborowisky, Samuel Falcão, Pedro, Paulo, Jesus e etc.

Como são muitos os defensores citados, neste ponto observaremos apenas o que alguns desses teólogos dizem a respeito da Eleição.

H. Wayne House:

Aquele aspecto do propósito eterno de Deus pelo qual ele determina de maneira certa e eterna, por meio de uma escolha amorosa e incondicional, quem irá crer. Não é simplesmente a intenção de Deus salvar todos os que possam crer, antes ele determina quem irá crer

John Bunyan:

Ora, quanto aos eleitos, mediante esse decreto ele são confinados ao número limitado de pessoas que formarão a plenitude do corpo místico de Cristo; e de tal forma foram confinados, por esse propósito eterno, que nada poderá aumentar ou diminuir esse número.

Matthew Henry:

Aos que de antemão conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho. Para todos os que foram designados para um fim glorioso e feliz, Deus decretou a graça e a santidade como caminho. Deus não predestinou para serem santos aqueles que Ele sabia de antemão que seriam santos. Os conselhos e decretos de Deus não se submetem à frágil e inconstante vontade dos homens.

Willian Carey:

Temos a certeza de que somente aqueles que foram destinados para a vida eterna irão crer, e que somente Deus pode adicionar à igreja aqueles que serão salvos. No entanto, não podemos senão observar, com admiração, que Paulo, o grande campeão das gloriosas doutrinas da graça gratuita e soberana, foi o mais notável em seu zelo pessoal pela obra de persuadir homens a se reconciliarem com Deus

Basil Manly:

A eleição é a eterna escolha, da parte de Deus, de algumas pessoas, para a vida eterna – não por algum mérito que nelas tivesse sido previsto, mas unicamente pela misericórdia de Deus em Cristo – em conseqüência da qual elas são chamadas, justificadas e glorificadas

Walter T. Conner:

Quando Deus elege um homem para a salvação, Deus toma em consideração cada fator que entra na situação. Ele não elegeria um homem para ser salvo em separação de sua fé, mas, sim, através da sua fé. Isso não quer dizer que a fé seja a base da eleição. A fé não é a base da eleição, mas a condição. A fé responde à graça, apreende-a, mas não produz a graça. A Graça suscita a fé, produz fé. Fé é a consciência de que não merecemos salvação. A fé reconhece todo o mérito da salvação. Como pertencente a Deus e à sua graça.

A.W. Pink

Deus não apenas tem o direito de realizar os seus propósitos com as criaturas de suas próprias mãos, mas igualmente exerce esse direito, e em nenhum ponto isso é revelado com maior clareza do que em sua graça predestinadora. Antes da fundação do mundo, Deus fez uma escolha, uma seleção, uma eleição. Diante do seu olhar onisciente estava a totalidade da raça de Adão, e dela ele selecionou um povo, predestinando-o à adoção de filhos, predestinando-o a ser conformado à imagem de Seu Filho, ordenando-o para a vida eterna.

João Calvino

Chamamos predestinação ao eterno decreto de Deus, pelo qual ele determinou em si mesmo o que ele quis que todo indivíduo do gênero humano viesse a ser. Porque eles não são criados todos com o mesmo destino. Mas para alguns é preordenada a vida eterna, e para outros, a condenação eterna. Portanto, sendo criada cada pessoa para um ou para outro destes fins, dizemos que é predestinada para vida ou para morte.


[1] PASCAL, Blaise, Pensamentos. pp.269

[2] BARTH, Karl. Die kirchliche Dogmatik In: MONDIN, Battista. Os grandes teólogos do século vinte. Teológica:São Paulo, 2003. pp.70.

[3] BARTH, Karl. Artigos Selecionados – Eleição de Deus em Graça. Sinodal:Rio Grande do Sul, 1986. pp.243.

[4] BARTH, Karl, Gottes Gnadenwhal, In HENDRISKSEN, William, Comentário do Novo Testamento. Casa Presbiteriana:São Paulo, 1992. pp.96

[5] ANDRADE, Claudionor Corrêa, Dicionário Teológico. pp.133

[6] Idem, Ibid.

[7] GLEISLER, Norman, Eleitos, mas Livres. pp.62

[8] OLIVEIRA, Raimundo, As grandes doutrinas Bíblicas. pp.218

[9] Idem, pp.222

[10] THIESSEN, Henry Clarence, Palestras Introdutórias à Teologia Sistemática. pp.246

[11] CONNER, Walter T. Evangelho da Redenção. pp.71

[12] BERKHOF, Louis, A História das Doutrinas Cristãs. pp.185

[13] Idem, Ibid.

[14] Idem, Ibid.

[15] BERTI, Marcelo Mendes.

[16] STRONG, Augustus Hopkins, Teologia Sistemática. pp.472.

Um comentário sobre “Eleição

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