Eu me Importo


Em uma noite de batismo nós podemos perceber como Deus alcançado pessoas. São pessoas diferentes que encontraram-se com Cristo em algum momento de suas vidas, por que alguém se importou com elas e comunicou-lhes a verdade do evangelho. Em algum lugar da suas histórias, Deus usou pessoas para levar o evangelho a eles. Talvez um alguém achou que precisava aumentar seu Compromisso Pessoal com a Obra do Senhor e Fortalecer  suas Amizades para Levar o Evangelho, mas o importante é que essa pessoa se importou com eles.

Cada um dos que foram batizados tem uma história para contar sobre como conheceram a Cristo. Embora existam muitas diferenças na forma como isso aconteceu, todos reconheceram que Cristo deu-se a morte por eles, e por isso podem re-estabelecer seu relacionamento com Deus.

Nessa noite, gostaria de aproveitar essa oportunidade e contar a história de alguém que teve sua vida transformada por conhecer a Jesus Cristo. Entretanto, não gostaria apenas de contar sua história, mas de retirar dela princípios válidos para nossa vida.

[VÍDEO]

Essa é a mulher de Sicar, a samaritana. Em evento incomum para aquela sociedade um grupo relativamente grande de pessoas daquela cidade conheceu a Jesus Cristo por intermédio daquela mulher. Entretanto, não parece ser a atitude da mulher em si que desperta algumas perguntas. Acredito que a postura de Jesus. A iniciativa de Jesus em conversar com ela foi o ponto onde tudo começou. Da mesma forma que alguém se importou em testemunhar para vocês sobre Jesus Cristo, Ele mesmo demonstrou esse mesmo. Ao que tudo indica, JESUS SE IMPORTOU COM ESSA MULHER. Observe comigo.

1 .     Jesus se importou a ponto de quebrar preconceitos

A primeira vista essa colocação parece até estranha, mas vamos lá. Vamos compreender um pouco desse dilema.

a.       Jesus falava com uma mulher:

A sociedade judaica sempre foi marcada por uma visão “maxocentrista”. Quando você ouve o Fernando falar sobre o número da comunidade cristã no início do cristianismo segundo o registro de Atos, ele sempre ressalta que eram 5.000 o número de homens, depois esse número cresceu aponto de perder-se a conta. Ele não fala isso por opção dele, mas as evidências apresentadas nas escrituras nos dão a entender que esse era o modo como as coisas funcionavam. É comum nas genealogias bíblicas encontrarmos apenas nomes de homens (1Cr.1.1 – 9). Apenas a genealogia de Jesus narrada em Mateus é que inclui mulheres, mas é algo super incomum naquela cultura.

A verdade é que essa sociedade teria algumas restrições no relacionamento público entre homens e mulheres. Você vai perceber em alguns lugares na escritura que refletem esse tipo de visão naquela sociedade. Isso era, provavelmente, parte de uma percepção equivocada sobre o relacionamento entre homens e mulheres. Por isso nós também encontramos na escritura recomendações para um bom relacionamento entre homens e mulheres.

b.       Jesus falava com uma mulher samaritana:

Entretanto, isso era apenas parte de um problema. Se existia um povo que os judeus consideravam como inferior, indigno de participação eram os Samaritanos. Você consegue perceber isso nas parábolas “irônicas” que Cristo propunha, como por exemplo o Bom Samaritano. A expressão bom samaritano era uma antítese, ou um paradoxo. Agora, pense por um momento que Jesus estava diante de uma mulher samaritana. Que tipo de preconceito poderia existir nessa aproximação?

Aliás, parece ser essa a declaração da mulher quando Jesus inicia uma conversa com ela:

Então, lhe disse a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana –Jo.4.9a

 

A pergunta dela inclui esses dois aspectos da sociedade em que ela e Jesus viviam. Era inadmissível que essa cena pudesse acontecer sem que provocasse escândalo. Da perspectiva daquela mulher isso era extranho. Observe que ela explicita essa idéia quando reconhece a nacionalidade judaica de Jesus, e se apresenta como MULHER SAMARITANA. Isso era um problema. Aliás, o problema é tão claro que João, aquele que relata, deixa uma nota sobre esse relacionamento:

porque os judeus não se dão com os samaritanos – Jo.4.9b 

A expressão “não se dão” exprime….. Ou seja, o problema era feio e parecia estranho àquela comunidade.

c.       Jesus falava com uma mulher samaritana sem boa reputação:

Se não bastassem esses problemas, a mulher a quem Jesus dirigia-se era uma mulher de vida duvidosa. Em uma sociedade hipócrita, onde todos têm seus problemas, mas apenas os dos outros são grandes, uma mulher de vida duvidosa era uma grande ofensa social. Em alguns casos, o preconceito daquela sociedade ultrapassava as prescrições da lei. Por exemplo a história da mulher apanhada em adultério. Observe que aparentemente os fariseus estavam colocando Jesus contra a lei, pedindo para que ele tomasse uma decisão que já era prescrevida pela Lei de Moisés. Entretanto esse fato tem alguns problemas, pois os que fossem apanhados em adultério deveriam ser apedrejados, e não apenas a mulher. Mas por que razão eles trouxeram apenas a mulher? Não podemos definir tudo, mas que o preconceito estava presente, ele estava.

Observe que a mulher a quem dirige a mulher que certamente seria evitada em publico:

Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e vem cá;  17 ao que lhe respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido;  18 porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade. – Jo.4.16-18

 

Você pode estar pensando: “Ô muleque, para de achar que a mulher era ruim. Ela só era casamenteira“. Para isso vamos precisar olhar com atenção essa declaração. Imagine as possibilidades:

  • Os maridos morreram:
    • Causa Natural: Para isso acontecer ela precisaria de 5 maridos de saúde frágeis que morressem um após o outro de modo rápido. De qualquer forma seria vista como amaldiçoada. Pessoas com essa reputação seriam consideras impuras e não teriam boa reputação. Ela poderia também ser prima antiga do McLaed (Highlander) e não teria milhares anos de vida.
    • Assassinados: Ela poderia te solicitado ou executado a morte dos próprios maridos. Fazendo isso ela seria enquadrada como assassina ou mandante de assassinato. Com isso, ela também não teria uma boa reputação
  • Os maridos ainda eram vivos. Para essa opção é simples. Ele simplesmente não mantinha-se casada. Por qualquer que tenha sido as razões dela, ela não prosseguia com seus relacionamentos, a ponto de ter tido 5 maridos e conviver com um sexto com quem nem havia se casado.

Como você pode perceber as opções para essa mulher não eram das mais simples. O que dá a entender a situação é que trata-se de uma mulher com uma gama de divórcios muito grande, o que não a deixaria com uma boa reputação. Tudo isso parece indicar que Cristo estava violando uma grande lei daquela sociedade.

Entretanto, o foco de Cristo não está atrelado ao preconceito daquela sociedade. O foco dele nessa interação era outro. Seu interesse não era em parecer politicamente correto, ou agir de acordo com as normas de atividade aceitável diante da sociedade. Ele estava acima disso. Jesus não se importou com a realidade da sua sociedade, mas se importou com a mulher de Sicar a ponto de não dar importância a sua sociedade.

Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva – Jo.4.10 

O foco de Cristo estava sobre a vida eterna dessa mulher, e do resultado que essa mulher poderia causar naquela sociedade. Cristo não se importava com o que pensavam dele (Mt.9.10-11; Mt.11.19; Lc.15.1-2), ele se importava com pessoas carentes da graça de Deus.

2.     Jesus se importou a ponto de colocar em 2º. plano suas próprias necessidades

Nós temos certeza que Cristo é um grande exemplo para nós nesse assunto, mas nesse texto mostra que Ele tem uma disposição para alcançar pessoas de um modo que nós não estamos preparados para acompanhá-lo: Ele se importou com pessoas a ponto de colocar em segundo plano suas próprias necessidades pessoais. Note o texto:

31 Nesse ínterim, os discípulos lhe rogavam, dizendo: Mestre, come!  32 Mas ele lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis.  33 Diziam, então, os discípulos uns aos outros: Ter-lhe-ia, porventura, alguém trazido o que comer?  34 Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar sua obra. – Jo.4.31-34 

Os seus discípulos que teriam saído para comprar comida voltaram e pediram para que o mestre comesse. Entretanto, Ele afirma que teria outra comida para aquele momento. Essa comida era realizar a vontade de Deus, e para isso, ele preferiu estar com aquela mulher que comer com seus discípulos. Lembre-se que Jesus, em outras ocasiões esteve com publicanos para comer com eles, mas nessa ocasião, ele optou por conversar com aquele povo.

Observe que Jesus dialoga sobre a questão da colheita, que embora demoraria cerca de 4 meses do presente deles, Cristo afirmou que os campos já estavam brancos. Essa era a vontade de Deus naquele momento. Isso era o que importava.