Como entender os Descrentes?


Fábio Grigório

As pessoas que são arredios ao evangelho (a Deus) são bem variados, tanto homens quanto mulheres, tanto jovens quanto adultos.

O que pensam estas pessoas, de nada nos adiantaria saber seu perfil sem entender o que se passa em sua cabeça. Baseado no livro “Como alcançar os que evitam a Deus e a Igreja”.

Cientes de que nem todos pensam da mesma forma a respeito de Deus e da Igreja, cada geração tem suas peculiaridades, eis aqui algumas observações gerais que poderão ser úteis na compreensão dos descrentes.

O fato de o não-cristão ter rejeitado a Igreja não significa que também rejeitou a Deus

São vários os motivos pelos quais alguma pessoa pode ter se afastado de uma igreja, pode variar desde decepções a desinteresse. Muitos julgam-na antiquada, ultrapassada, e preferem manter distância. Geralmente estas pessoas estão mais abertas para conversar sobre Deus do que imaginamos.

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos constatou que cerca de 13% das pessoas são atéias ou agnósticas. Porém, apesar de a maior parte das pessoas dizerem que acreditam em Deus, constatou-se também que dentre os que acreditam havia algumas diferenças no que se refere a que espécie de divindade acreditavam. Alguns ao se referirem a um princípio do bem, referiam-se a Deus, e outros viam Deus como aquele que realizou o big-bang, ou aquele que criou o universo e deixou tudo correr livremente, sem intervenções. Penso que no Brasil não é tão diferente.

Muitos afirmam: Acredito em Deus mas não acredito na igreja. Consideram a igreja sem sentido, sem significado, incapaz de ajudá-lo em alguma coisa. Muitos destes são os que tiveram alguma experiência religiosa e se decepcionaram de alguma forma com igreja. Para trazer tais pessoas de volta faz necessário que as igreja superem tais objeções.

Tem sido interessante ver o quanto as pessoas tem demonstrado interesse em estudar a Bíblia, em aprender sobre Deus e o Seu plano, mas quando se fala de igreja muitos se assustam e até mesmo se distanciam, pois há algum tipo de preconceito, barreiras que precisam ser quebradas a todo custo.

O descrente opõe-se a regras, mas é sensível ao raciocínio

Os não-cristãos geralmente não gostam que lhe digam o que devem fazer.

O não-cristão é resistente à idéia de que a Bíblia determina os padrões para se viver. Ele acha que ele mesmo é capaz de determinar o que é bom ou não para ele, e o que deve ou não fazer.

Ao mesmo tempo que não gostam que lhe digam o que devem ou não fazer, estão prontos para ouvir e racionar. Se tentarmos mostrar-lhes o que Deus colocou como limite moral para nós e mostrá-lo os benefícios de sujeitar-se a eles, isto o torna mais pronto a segui-los.

Um exemplo específico disto é se encontrar-se com alguém que vive com a namorada. Certamente você poderia apresentar-lhe vários versículos bíblicos que mostram que sua atitude é reprovada por Deus. Provavelmente ele não lhe daria ouvidos, porém se você lhe explicasse os danos emocionais, psicológicos, e familiares que tal relacionamento pode causar, ele estaria mais pronto para ouvir, e então você apresentaria o que as Escrituras dizem a respeito do assunto, que é uma demonstração do amor de Deus querendo poupar-nos de tais problemas que podem surgir como fruto de um relacionamento íntimo sem a segurança de um casamento.

É importante mostrar-lhes os benefícios de se viver nos caminhos do Senhor. As pessoas afastadas de Deus estão sempre prontas a ouvir quando o assunto é ‘como podem se beneficiar’[1].

A maioria dos não-cristãos não compreendem o cristianismo e nem sabem exatamente em que acreditam

Embora muitos não-cristãos já tenham ouvido falar algo a respeitos dos cristãos, ou da Bíblia, embora muitos até tenham uma Bíblia em casa, eles não compreendem o que é o cristianismo, ou seja eles não sabem o que é ser cristão.

Não podemos partir do pressuposto que eles sabem alguma coisa, para alguns a rejeição ao cristianismo não está fundamentada em conhecimento algum, é simplesmente porque os amigos o fazem, ou a família, mas ele mesmo nem sabe o motivo.

Hoje em dia a sociedade tem sido bombardeada pelo misticismo, esoterismo e uma série de idéias erradas que geram uma confusão ainda maior na cabeça do não-cristão, que não conhece o verdadeiro cristianismo, e acaba colocando tudo no mesmo pacote.

A orientação dada por Lee Strobel é que ao conversarmos com algum não-cristão não devemos pressupor nada. O interessante é ouvir a sua visão do cristianismo e avaliar o nível do seu conhecimento. Neste processo pedir esclarecimento de termos usados, pois nem sempre por ele falar sobre salvação, pecado, graça, significa que para ele tem o mesmo significado que tem para você.

Além de não conhecer o cristianismo, a maioria dos não-cristãos nem sabem o que afirmam crer. São incapazes de enunciar e muito menos de defende suas crenças. Neste casos é interessante levá-los a avaliarem suas crenças e onde estão fundamentadas, se são fontes consideradas verdadeiras, se são fontes nas quais ele pode confiar sua vida. Finalmente ajudá-lo a ver a firme fundação sobre o qual o cristianismo se baseia.

“Temos uma fonte verdadeira que ser sustenta com base na história, na arqueologia, nos relatos de testemunhas oculares, em artigos de pessoas não relacionadas com o cristianismo. Uma fonte cuja sobrenaturalidade foi patenteada pelo cumprimento de profecias e por milhões de vidas transformadas por Jesus”[2].

Provavelmente o não-cristão se tornará mais receptivo para conversar sobre o cristianismo após perceber que suas crenças não tem aquelas bases que ele presumia ter.

O não-cristão não quer ser o projeto de alguém. Ele gostaria, porém, de ser amigo de alguém

É possível que você já teve um amigo interesseiro, ou você já foi um amigo interesseiro. Há aqueles que se aproximam para uma amizade com o interesse de obter informações sobre escola, trabalho, sobre alguém, outros mantêm uma amizade devido a quantidade de dinheiro que o outro possui, ou o carro que lhe serve de carona, e por aí vai. Este é o tipo de amizade que não dura muito.

Muitos não-cristãos sentem que os cristãos aproximam-se deles simplesmente com um interesse, o de convertê-los. Ninguém gosta de saber que está sendo estudado por alguém. Este é um dos principais motivos pelos quais há pouco amizade entre um descrente e um cristão.

O não-cristão está interessado em amizades verdadeiras, e precisamos demonstrar por eles, primeiramente, o amor incondicional de Cristo através de relacionamentos verdadeiros. Infelizmente nossas igrejas estão infestadas de pessoas que vivem sozinhas em uma comunidade. Precisamos aprender o valor de uma amizade profundam, sincera, onde há o interesse em “…levar as cargas uns dos outros” (Gl 6.2). No momento em que o não-cristão notar que seu amigos cristãos têm uma estreita comunhão uns com os outros e que ele também pode ter isso, ele se sentirá atraído pela igreja.

O descrente não segue denominações. É atraído a lugares onde possa satisfazer os anelos de sua alma

Nos dias atuais, o descrente compara preços e produtos até no campo espiritual. O fato de ter pertencido a uma determinada denominação talvez ainda possa exercer alguma influência quanto à escolha da igreja quando estiver disposto a voltar. A grande maioria, entretanto, irá onde encontrar qualidade, criatividade e conveniência.

O não-crente até está disposto a freqüentar diferentes denominações, a fim de tirar partido de programas específicos que o ajudem no seu viver diário.

É melhor não se falar em assuntos denominacionais com um não-cristão, visto que muitos vêem isso como uma divisão das igrejas, ou associam a igreja local com o Congresso, em que a local é controlada por uma sede distante. Não é esta uma associação muito boa.

Eis aqui alguma sugestões dadas por Lee Strobel para as igrejas denominacionais alcançarem os não-cristãos:

  • Para traze-lo de volta à igreja, não tente interessá-lo na sua antiga denominação. Ele reagirá de maneira mais positiva ao convite para um programa específico que vá ao encontro de suas necessidades.
  • As denominações devem evitar os modos tradicionais do ministério. Devem deixar que os seus membros abram um novo caminho que possa atingi-lo.
  • As igrejas tradicionais devem procurar desenvolver laços de amizade nos seus cultos e promover acontecimentos fora da rotina, bem como reuniões especiais, para onde seus membros possam trazer os amigos não-cristãos.
  • Não se devem enfatizar os laços existentes entre ministérios “profissionais” e de leigos, pois, para quem não pertence à igreja, isso pode parecer “elitismo” e manobra de organizações.
  • Valores que atraem um descrente, como excelência, criatividade, autenticidade, conveniência, participação dos leigos e liderança disposta a servir, devem ser traçados e facilitados pela cúpula da estrutura denominacional.
  • A atitude “Sempre fizemos assim” precisa se transformar em “Que podemos fazer para ajudar e alcançar mais pessoas com o evangelho?[3]

O descrente pode não demonstrar interesse espiritual na igreja, mas quer que os seus filhos recebam treinamento moral de alta qualidade

Há não cristãos que quando os filhos chegam a determinada idade concluem que já é hora de eles terem algum tipo de treinamento religioso. A partir de então começam a procurar uma igreja com o intuito de “simplesmente levar os filhos”.

A maioria acredita que a igreja exerce um papel relevante em promover um “código moral” para a sociedade e gostariam que seus filhos tivessem algum tipo de educação religiosa.

Em um estudo realizado, 55% de homens da geração pacifista disseram que não tinham de modo nenhum planos de se unir a uma igreja nos próximos cinco anos. Mas, 73% afirmaram que gostariam que os seus filhos tivessem treinamento religioso[4].

Este tipo de pensamento pode ser fruto de uma vida desregrada que deixaram marcas e agora os pais não querem que os filhos sigam o mesmo caminho, buscando a solução para os filhos em uma instrução religiosa.

Com esta tendência surge então a grande oportunidade de evangelizar as crianças ou jovens que levadas pelos pais, e há também a grande oportunidade de alcançar os pais com a mensagem do evangelho.

Há um casal que tem vindo à igreja, e já expressou que o motivo de virem é que desejam que suas filhas tenham uma instrução religiosa, mas enquanto isso, eles têm sido bombardeados com mensagens a respeito do plano de Deus para homem. A semente têm sido semeada tanto no terreno das crianças quanto no dos pais.

O mundo tem colocado um padrão muito alto de programas atrativos para crianças e jovens, logo, é importante que a igreja tenha um trabalho criativo e atrativo tanto para a criança quanto para o jovem, caso contrário, mesmo os pais queiram oferecer uma educação religiosa, provavelmente eles preferirão o que tem sido oferecido lá fora.

O descrente tem orgulho de ser tolerante com os diversos tipos de fé, mas acha que os cristãos têm mentalidade estreita

O não-cristão intelectualizado quer que os cristãos adoram a seu deus, os muçulmanos adorem Alá e os hindus adorem inúmeros deuses. Mas, quando os cristãos afirmam que o seu caminho é o único caminho para o céu (Jo 14.6), ele chama isso de fanatismo. É corrente o conceito de que todas as religiões levam até Deus. Para os não-cristãos é pura presunção do cristão afirmar que há somente um caminho que leva até Deus e que somente eles estão certos e todos os demais errados.

 

Estas são apenas algumas idéias gerais, com certeza não é regra que todo não tenha tais conceitos. O importante é conhecermos quem de fato queremos evangelização e o que pensam a respeito de Deus. Cada pessoa tem necessidades, personalidade e interesses diferentes umas das outras.


[1] Lee Strobel. Como alcançar os que evitam a Deus e a igreja. P.48

[2] Lee Strobel. Como alca… p. 51

[3] Lee Strobel. Como alcançar os que evitam a Deus e a igreja, p. 66-67.

[4] Lee Strobel cita “Here Come the Baby Boomers”, Emergin Trends, junho de 1991,5.