Exemplos Bíblicos de Comunicadores do Evangelho


Fábio Grigório

A Bíblia está repleta de exemplos de pessoas que alcançaram sucesso na proclamação das Boas Novas aos homens. Observaremos pelo menos três destes exemplos a fim de descobrirmos algumas de suas qualidades e táticas usadas para que fossem ouvidos: e exemplo de Paulo, Filipe e Jesus.

1. O exemplo do de Paulo

Vemos em Paulo o esforço e a dedicação em ganhar almas para Cristo. Em 1Co 9.19-23 ele afirma que fez de tudo para com todos a fim de ganhar alguns, e deixou bem claro que o seu interesse era ganhar o maior número possível. Paulo buscou ser semelhante socialmente, através do contato diário com as pessoas. Ele era diferente em questões éticas, nas quais mantinha-se firme, mas estabeleceu pontes para ser igual, pois havia em si uma consciência flexível em assuntos sem importância moral. Ele foi muito criticado por essas coisas, mas o que era importante para ele é que o nome de Cristo estava sendo anunciado. Quando Paulo afirma: “…ai de mim se não pregar o evangelho!” (1 Co 9.16b), percebemos que ele tinha plena consciência de sua missão. Ganhar almas para Cristo era mais importante que preocupar-se com o que os irmãos pensariam ou falariam. Isso não significa que Paulo não se preocupava com seus irmãos em Cristo, pelo contrário, ele tinha por eles respeito e zelo muito grandes (1Ts 2.7-12).

Jônatas Edwards, um dos grandes evangelistas do passado, ficou muito conhecido por sua eficácia em ganhar almas, escrevia seus sermões por extenso; lia-os em voz monótona, página por página, segurando o manuscrito perto dos olhos porque era míope; mesmo assim algumas vezes as pessoas do auditório agarravam-se aos bancos com medo de cair no inferno dos pecadores, pois seus sermões transmitiam palavra de fogo, verdades tão vívidas, que multidões foram conquistadas para Deus. Não era a personalidade do homem que os atraía, mas sim as verdades divinas que estavam sendo proclamadas[1]. Sua confiança não era em si mesmo, no que poderia ou não realizar, mas sim no que Deus era capaz de realizar através de Sua vida, e Paulo não devia pensar muito diferente deste homem, visto que o grande número de almas que Paulo ganhou para Cristo, não foi atraída por sua personalidade (1 Co 2.4,5) nem por sua presença corporal (2 Co 10.10), mas pela Palavra que pregava, pelo Espírito que nele habitava.

Vivemos em uma sociedade capaz de dar a própria vida na luta pelos seus direitos. Esta é uma mentalidade que tem entrado sorrateira no meio evangélico, onde as pessoas só pensam e si mesmas. O exemplo que temos em 1 Coríntios 9.1-15 é totalmente o oposto, o apóstolo Paulo abriu mão dos “seus direitos” para pregar o evangelho, ou seja, para beneficiar a outros. Havia nele a disposição de passar por necessidades se fosse necessário para que fosse eficiente na pregação do evangelho. Muitas vezes nós precisaremos abrir mão do nosso conforto, das nossas vontades a fim de anunciar o evangelho àqueles a quem ninguém está disposto a anunciar.

Enquanto prisioneiro, a preocupação do apóstolo não estava em como sair daquela prisão, ou em como provar sua inocência, mas ele se alegra com a situação em que se encontra porque como resultado dela muitos vieram a conhecer a Cristo, e ainda muitas pessoas se sentiram motivadas a anunciar com maior intrepidez a mensagem capaz transformar o homem por inteiro (Fp 1.12-14). Tudo uma questão de valores, para Paulo nada teria importância em sua vida se ele não cumprisse o propósito para o qual ele foi liberto da escravidão do pecado.

Notamos por fim que Paulo era um homem que tinha paixão pelas almas. Certa vez fez a seguinte declaração: “Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espírito Santo, a minha própria consciência: que tenho grande tristeza e incessante dor no coração; porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas segundo a carne”( Rm 9.1-3). Disse mais: “Irmãos, os votos do meu coração e a minha oração a Deus são que eles se salvem ( Rm 10.1).

Paulo foi excelente comunicador da mensagem do evangelho, e isso graças a uma vida de compromisso com Deus, uma vida de temor e reverência àquele que tem todas as coisas sob o Seu controle.

2. O exemplo de Filipe

Filipe era um dos sete homens que  foram escolhidos para servir na Igreja de Jerusalém, era um homem de boa reputação, cheio do Espírito e de sabedoria (At 6.1-7). Além de destacar-se em várias áreas de sua vida, encontramos evidências de que ter sido um grande evangelista. Em Atos 8.4-8, o encontramos como um pregador de grandes multidões; com toda coragem pregava a Palavra de Deus por onde quer que passasse. Um pouco mais adiante o encontramos praticando o evangelismo pessoal (At 8.26-36).

Como comunicador da mensagem do evangelho, Filipe tem muito o que nos ensinar com a sua forma de agir e de apresentar a mensagem. Observemos em Atos 8.26-35 algumas das virtudes deste grande evangelista.

No verso 26 diz que um anjo do Senhor disse a Filipe para onde ele deveria ir, e sem questionar nem retrucar ele obedeceu a orientação de Deus. Havia neste homem a sensibilidade para ouvir a voz de Deus, fruto de sua comunhão constante com o Pai, e também a disponibilidade para obedecer e atender ao chamado. Filipe não sabia qual o local exato para onde deveria ir e nem com quem se encontraria, mas uma coisa ele sabia: era Deus quem lhe estava falando e nEle ele poderia confiar e deveria atender ao chamado. Filipe tinha um coração disposto a ouvir e a atender à voz de Deus. O contrário aconteceu com o profeta Jonas, que diante do chamado de Deus para pregar o arrependimento a Nínive colocou-se à disposição, porém, para desobedecer a ordem divina (Jn 1.1-3).

No verso 29, percebemos mais uma vez a sensibilidade de Filipe em ouvir e atender à voz do Espírito de Deus, pois tendo obedecido desde o primeiro momento, encontrou no caminho um oficial, o Eunuco Etíope, que estava lendo o livro de Isaías. Filipe é orientado a aproximar-se da carruagem, mesmo sem conhecer o homem a quem mais adiante abordaria com a mensagem do evangelho.

Como evangelista, Filipe ficou atento ao que o Eunuco lia, e no momento certo fez a abordagem. A forma que usou para iniciar uma conversa foi perguntando ao homem se ele entendia o que estava lendo. O grande evangelista não precisou criar uma situação para falar do evangelho, ele aproveitou a oportunidade e a ocasião, e ficou atento para o momento certo de agir. Podemos deduzir também que Filipe conhecia bem as Escrituras, fator que muito contribuiu para facilitar sua abordagem, pois caso não a conhecesse, como responderia a dúvida do Eunuco?

Por fim, nos versos 34e 35 vemos a objetividade de Filipe, que diante da pergunta do Eunuco, anunciou-lhe as boas novas de Jesus começando pela passagem onde estava aberta as Escrituras. Havia em sua mente um objetivo determinado, falar a respeito do sacrifício de Jesus. Portanto, ele manteve o assunto voltado para as Escrituras, pois aquela poderia ser a única oportunidade para aquele homem ouvir do evangelho. Naquele mesmo dia o Eunuco compreendeu o evangelho e foi batizado (vv. 38-39).

Filipe foi mais um homem que viveu para comunicar a mensagem do evangelho por onde quer que passasse e a quem quer que encontrasse (At 8.40).

3. O exemplo de Jesus

Por último, o exemplo do próprio Cristo, exemplo máximo e perfeito de evangelista. Para chamarmos a atenção dos não-cristãos como Jesus, devemos comunicar a verdade espiritual da mesma forma que Ele comunicou. Jesus não só falava sobre o amor, como também amou. Ele não só pregava sobre o perdão, ele perdoava; as pessoas pecadoras e atormentadas pela culpa caíam a Seus pés, perdoadas e limpas. Eles O consideravam seu amigo. Ele não só proclamava a necessidade de justiça e integridade como também atacou instituições iníquas de Seu tempo. Ele não começou um instituto bíblico nem estabeleceu uma cadeira de teologia em nome de Seu Pai; mas sim convidou homens para morarem com Ele vinte e quatro horas por dia. A Sua estratégia foi tornar-se carne e viver entre eles.[2]

Jesus ia de encontro às necessidades, feridas e interesses das a fim de construir uma ponte para evangelizá-las pessoas (Lc 4.18-19). Quando faltou vinho em um casamento, supriu uma necessidade – transformou água em vinho, e por intermédio deste milagre a glória do Senhor foi revelada a muitos (Jo 2.1-11). Em outra ocasião Jesus aproximou-se de uma mulher samaritana, mesmo sendo um judeu[3] e iniciou um diálogo com ela; note que para falar a respeito de salvação com aquela mulher, Jesus partiu de um ponto em comum, Ele estava com sede e aquela mulher estava buscando água, e lhe falou a respeito da água da vida (Jo 4.1-42). Para muitos, tal atitude seria um absurdo, como poderia Jesus um judeu conversando com uma mulher samaritana, e ainda mais, considerada de má fama na cidade. Entretanto, Ele não estava preocupado com o que as pessoas pensariam a seu respeito, sua preocupação era com a vida daquela mulher.

Os ensinamentos de Jesus eram claros, relevantes e aplicáveis, Ele procurava relacionar a verdade com a vida das pessoas. O Seu alvo era transformar vidas e não apenas informá-las. Não é suficiente simplesmente proclamarmos que “Cristo é a única resposta”, ou que “Jesus é a liberdade”, é necessário mostrar às pessoas que o que elas estão freneticamente buscando, somente em Cristo encontrarão: perdão, liberdade, segurança, alegria, propósito para a vida e amor verdadeiros. Jesus falava e também mostrava que Ele era o “caminho, e a verdade e a vida”.

Na comunicação da mensagem do evangelho Jesus falou às multidões num estilo interessante e prático, as pessoas gostavam de ouvi-lo, pois Ele ensinava verdades profundas de forma simples, sem ser simplista ou superficial e ainda, conseguia ser criativo usando ilustrações que auxiliassem na compreensão da mensagem transmitida(Mc 10.1, 12.37b).

Nos evangelhos nota-se que Jesus gostava mais de estar com o povo que com os líderes religiosos. Ele freqüentava as festas dos pagãos; foi até chamado de “amigo dos pecadores” (Lc 7.34). É importante ressaltarmos que há uma grande diferença entre ser amigo dos pecadores e amigo dos pecados. Jesus andou entre o povo, falou sua língua, observou seus costumes, cantou suas canções, porém, fez tudo isto sem comprometer Sua missão e mensagem, Ele sempre abominou o pecado e nunca deixou de amar os pecadores.

Jesus é o exemplo máximo de evangelista, pois estava disposto a sofrer dores, oposições, injustiças; estava disposto a quebrar preconceitos e paradigmas, a fim de que o homem pudesse ouvir as boas notícias de salvação, e acima de tudo, Ele amou o pecador até a morte.


[1] BOYER, Orlando. Esforça-te para ganhar almas. São Paulo: Vida, 1975. p. 23-24.

[2] ALDRICK, Joseph C. Op. cit. p. 29.

[3] Em João 4.9 diz que os judeus não se davam bem com os samaritanos.

5 comentários sobre “Exemplos Bíblicos de Comunicadores do Evangelho

  1. ROMUALDO DA MARCIA

    ESSAS EXPLICAÇÕES SÃO MUITO BOAS. ESTOU COMEÇANDO UM SEMINÁRIO E COM CERTEZA VOU PRECISAR MUITO DA AJUDA DE VÇS. ESTOU PRECISANDO FAZER UM TRABALHO SOBRE A GENEALOGIA DE ISMAEL, ONDE POSSO ENCONTRAR COM MAIS DETALHES? CASO SEJA POSSIVEL, ME MANDE UM E-MAIL.
    MUITO OBRIGADO E QUE QUE DEUS CONTINUE ABENÇOANDO A VIDA DE TODOS VÇS.

    ABRAÇOS,

    ROMUALDO.

  2. Flavia

    Parabenizo esse seu trabalho de análise, pois estou trabalhando em uma dese de provar que a eficácia comunicação cristã utilizada por alguns santos . Agradeço sua ajuda!
    Abraços

  3. Guilherme

    Onde está escrito: “Um anjo do senhor disse a Filipe”; O que significa? Onde está escrito: “O espirito disse a Filipe”; O que significa? Onde voce escreve, Filipe ouviu a “voz” de deus; O que significa? Jonas, voce sabe, é uma midrash, uma fantasia. É como Elias. A comparação segue esta ideia?

    1. Em primeiro lugar, quero dizer que o artigo que você está lendo é de autoria de Fábio Grigório, como você pode ver no início do artigo.

      Em segundo lugar, Jesus não concorda com sua opinião de Jonas:

      Ele, porém, respondeu: Uma geração má e adúltera pede um sinal; mas nenhum sinal lhe será dado, senão o do profeta Jonas. Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra. Ninivitas se levantarão, no Juízo, com esta geração e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui está quem é maior do que Jonas” (Mt.12.39-41).

      Para Jesus a história de Jonas é verdadeira, e Ele o chama de Profeta, considera sua história, sua pregação e se compara a Ele.

      Sobre Felipe, a frase “Um anjo do Senhor disse a Felipe” é encontrada em At.8.26. O termo grego empregado para Anjo é “angelós” que significa mensageiro, que pode ser entendido naturalmente, embora nem todos os teólogos tenham entendido isso aqui. Já a frase “O espírito disse a Filipe” está em At.8.29, e significa que Deus comunicou-se com o Filipe, como o texto mesmo apresenta.

  4. SILAS GUIHERME DOS SANTOS

    parabêns, sou novo convertido ,se estiver alguns estudo, por favor me mande, pq estou cada dia, com muita corrusidades p/ leitura.. um abraço, fica na paz……….

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