Fatores que Prejudicam a Evangelização


Fábio Grigório

É importante que ao pararmos para analisar o empenho e resultado da ação evangelística dos apóstolos façamos a seguinte pergunta: Temos desempenhado a nossa missão de forma eficiente ou deficiente?

Se comparado ao empenho e resultados obtidos pelos apóstolos, os resultados nos levam a admitir que temos sido ineficientes na proclamação das Boas Novas. O que será que tem nos levado a resultado muitas vezes frustrantes? Joseph Aldrich fala um pouco a respeito de alguns fatores que nos levam a desempenhar um evangelismo deficiente[1], fatores esses que uma vez detectados, cabe a nós nos empenharmos para que sejam sanados.

Relacionamentos superficiais

A necessidade  que temos em nos relacionar com um número de pessoas cada vez maior, o que tem influenciado grandemente para que sejamos ineficientes na proclamação do evangelho, ou seja, as exigências de mantermos relacionamentos excessivos mutilam a nossa capacidade de relacionamentos profundos; o contato diário com várias pessoas não passa de um mero contato superficial. Esta influência cria uma barreira para a apresentação das Boas Novas, visto que vivemos em uma sociedade carente de relacionamentos, e ao mesmo tempo “individualista”.

Disponibilidade

A “falta de tempo” tem nos levado a um ritmo de vida acelerado. Com tantas coisas para realizar durante a semana, agenda sempre lotada, acrescentar evangelização implicaria em mais uma tarefa a ser cumprida. Definitivamente, há pessoas precisando de ajuda, clamando por socorro, mas não temos tempo nem disposição para pararmos e gastarmos tempo com essas pessoas, pois há “coisas mais importantes” a serem feitas. Tais atitudes surgem de uma visão egoísta, onde as pessoas só pensam em si mesmas.

Modelos evangelísticos deficientes

Consideramos também que hoje geralmente somos ineficientes em nossa proclamação do evangelho devido aos nossos contatos com modelos evangelísticos defeituosos. Embora muitas práticas evangelísticas proporcionem o crescimento das igrejas, há também muitas que inibem o crescimento das mesmas. Ao mesmo tempo em que há igrejas que não crescem porque não estão evangelizando, há igrejas que não crescem justamente porque estão evangelizando de maneira errada.

Há muitos que imaginam que evangelização é o que o pastor faz domingo pela manhã ou à noite,  pregando sermões evangelísticos e ao final de cada culto fazendo “o apelo”. A igreja fica dependente e acomodada, simplesmente trazendo os visitantes para ouvirem a mensagem. “Semana após semana, o pastor evangeliza os evangelizados. O seu povo se enfraquece numa dieta de sermões evangelísticos, incapazes de testemunhar com eficiência acerca da realidade do evangelho total em suas próprias vidas”[2]. Sem dúvida alguma há pessoas que se convertem nessas igrejas, porém os membros não se empenham em cumprir o que lhe fora designado por Deus, pregar o evangelho.

A “emboscada” é mais um desses modelos defeituosos. Um programa “evangelístico” é planejado e convidam-se as pessoas para participar, porém não explicam o que acontecerá no programa, e quando o não-cristão chega é surpreendido com a mensagem do evangelho. Isto causa na pessoa um sentimento de traição, sente-se enganada, como se fosse um “animal inocente” que caiu numa emboscada, e muitos sentem-se até envergonhados. A maioria das vezes este tipo de abordagem leva o não-cristão a sentir aversão por igreja, por crentes, e alguns até aversão a Deus.

Muitos cristãos pensam que evangelização é somente o que Billy Graham faz, e acham-se incapazes de realizar o mesmo que ele, pois não têm as aptidões necessárias. O resultado é que preferem então deixar para que Billy Graham, e outros “mais dotados de capacidade” desempenhem a difícil tarefa de falar para as pessoas do amor e obra do Senhor Jesus Cristo. De fato temos muito o que aprender com os grandes evangelistas que têm surgido, mas o problema está em tentarmos ser idênticos a eles.

Má compreensão de espiritualidade

Uma outra razão que nos leva a ser falhos na comunicação do evangelho é que a partir do momento em que uma pessoa se converte, ela adquire um novo estilo de vida e quase que automaticamente ele perde todo o contato que tinha com seus amigos não-cristãos, pois a velha natureza destes torna a separação uma “necessidade” para que o crescimento espiritual ocorra.

A má compreensão da espiritualidade nos leva a ver os não-cristãos como nossos inimigos e não enxergamos que eles, na verdade são como vítimas do “inimigo”. Colocamos na cabeça que é necessário sermos diferentes, mas no esquecemo que não há como ser totalmente diferente dos não-cristãos, pois há coisas que nos são comuns, tais como: o gosto pelo lazer, família, filhos a serem educados, dentre muitas outras coisas que são os meios de mantermos contato com eles. A má compreensão da verdadeira espiritualidade torna-se uma barreira para a propagação do evangelho.

Contradição entre o falar e o viver

Por fim, é necessário considerarmos o desequilíbrio que há entre o que ser fala e o que se vive. É muito fácil falar do evangelho, o difícil é mostrar o evangelho através do dia a dia. As pessoas estão muito mais atentas ao que nós, cristãos, fazemos do que para aquilo que dizemos. Infelizmente, muitos são os que têm pregado mas não têm vivido o evangelho puro e verdadeiro. Normalmente estas pessoas tornam-se pedras de tropeço, prejudicando a eficiência em comunicar o evangelho, e também a eficiência da Igreja como corpo, pois como todo membro é visto como sendo uma parte do corpo, todo cristão é visto como uma parte da Igreja.


[1] ALDRICH, Joseph. Op. cit. p. 14-19.

[2] Idem, p. 15.