Como entender Filipenses 3.11?


“Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo, ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos. Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus”

Paulo de Tarso, Carta aos Filipenses. 3.8-11

O versículo em negrito no texto acima tem sido entendido das mais diversas formas, seja pela exegese aprofundada ou pelo comentário superficial, teólogos tem divido sua opinião sobre esse texto. B.W. Johnson, por exemplo, sobre o texto apenas diz: “This great consummation of a glorious resurrection to a heavenly life is worth attaining by every sacrifice, and by every possible means[1]”. Embora aponte para a ressurreição final como foco do texto nada fala sobre a salvação ou a possibilidade de perder-la. Já B.H. Carrol diz que o significado do texto está sobre a ressurreição dentre os mortos e não meramente no levantamento da morte, pois para ele é nessa ocasião que a salvação é completa e a santificação perfeita[2].

Seja como for, a interpretação desse verso tem levado comentaristas a navegar em duas doutrinas fundamentais da Fé Cristã: A soteriologia e a escatologia. No que refere-se à salvação, alguns comentaristas acreditam que a expressão “de algum modo alcançar a ressurreição” explicita dúvidas da parte do apóstolo sobre sua posição futura. Há quem diga que Paulo aqui põe em cheque sua própria convicção sotereiológica. Já no que tange à escatologia, comentaristas tem interpretado a expressão “ressurreição dentre os mortos” com indicativo de uma certeza futura, entretanto sob diferentes ênfases. No caso da opinião de Carrol já citada, nota-se que sua preocupação está na expressão “dentre” os mortos, ao passo que Jonhson apenas aponta para o estágio final da fé, sem qualquer consideração sobre quando isso poderia acontecer.

O que se sabe com certeza é que Paulo é o campeão das doutrinas da graça. No que se refere à salvação sua convicção é estampada com clarividência em seus escritos (Ef.1). É também verdade que para Paulo a ressurreição dos mortos é uma verdade inegociável, tema que discorre com alguma freqüência em seus escritos (1Co.15). Entretanto, em Romanos capítulo 8 as duas convicções são estampadas lado a lado: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm.8.29-30). Aqui a segurança da salvação é assegurada pela inscrição dos verbos no passado, como se o estado futuro já estivesse entregue ao cristão, embora ainda não desfrutasse dele. Em complementação, o estágio futuro é uma realidade inegociável aqui: Existe um estágio de glorificação que a Teologia de Paulo relaciona com a ressurreição dos mortos: “Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” (1Co.15.51-52).

A relação de interdependência da salvação e o estágio futuro é tão grande que se a primeira for derruba a segunda é desnecessária, e vice-versa. Portanto, uma compreensão sadia do dilema de Filipenses 3.11 é fundamental para a saúde da compreensão soteriológica e escatológica do Novo Testamento. Por isso, passo abaixo a considerar as implicações soteriológicas e escatológicas desse verso, segundo entendo ser saudável.

A.     Implicações Soteriológicas

A interpretação da expressão “para, de algum modo alcançar” tem sido interpretada de três formas diferentes. Alguns comentaristas acreditam que o texto enfatiza o desfrute presente de uma bênção divina, ou seja, a ressurreição efetuada na salvação (Ef.2.4-6). Por outro lado, outros acreditam que Paulo expressa humildade e esperança com essa frase e não dúvida. Há ainda um terceiro grupo que entende a dúvida que Paulo apresenta nesse texto não repousa sobre a ação de Deus mas à sua própria pessoa. É bem verdade que esse grupo pode ser identificado em duas possibilidades, mas sobre isso falaremos mais à frente. Por ora, passo a descrever tais opções e a apresentar os comentaristas que parecem favoráveis a cada uma delas.

Expressão de humildade/esperança/maravilhamento e não dúvida

Em tentativa de compreender a expressão grega “ei pos”, comentaristas tem chegado à conclusão de que o sentido da mesma está relacionado esperança de apóstolo e não a sua dúvida[3]. Lightfoot, por exemplo, diz sobre o “apóstolo atesta não uma promessa positiva, mas uma modesta esperança[4]”. De modo similar Kent diz: “É possível considerar que a clausula expressa mais expectativa que dúvida”. Para esse modo de interpretar, a conclusão é certa: há ressurreição, e a sentença “para de algum modo” expressa sua expectativa nesse fato.

Por outro lado, outros comentaristas têm visto nisso uma manifestação da humildade de Paulo. Champlin parece advogar essa opinião: “Trata-se de uma expressão de humildade; mas é errado vermos aqui qualquer idéia de dúvida no espírito de Paulo[5]”.  MacArthur sobre a expressão de qualquer modo diz que ela “não expressa dúvida da parte de Paulo, mas humildade (…) pois Paulo está confiante que irá alcançar a ressurreição dos mortos e desfrutar da Glória de Cristo[6]”. De modo similar, Lawrence O. Richards diz: “a frase ‘para de algum modo’ expressa não dúvida, mas maravilhamento[7]”. Já Calvino afirma: “A frase ‘para de algum modo’ não indica dúvida, mas expressa dificuldade[8]”. Seja como for, parece evidente que não trata-se de dúvida de Paulo, o que seria contraposto ao conhecimento paulino expresso em outras epístolas e na própria epistola de Filipenses.

Implicações Presentes de uma Benção Futura

Outro modo de interpretar a questão está na aplicação presente de uma bem-aventurança futura. Essa perspectiva é advogada por aqueles que compreendem a aplicação da eternidade já na vida presente: a vida escatológica. Paulo nesse trecho apresenta sua perspectiva de vida presente quando diz: “para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte” (v.10). Essa expectativa não é uma expressão de confiança para o futuro, muito pelo contrário, o conformar-se com Cristo em Sua morte não se trata de passar pela experiência da morte física, mas por meio da morte de Cristo sermos habilitados a morrermos para nosso velho homem, tal como o mesmo autor teria ensinado em Romanos: “Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; porquanto quem morreu está justificado do pecado” (6.4-7). Muito embora a expectativa para o futuro esteja presente, o olhar está sobre o presente, na novidade de vida.

Sobre isso, Robert Gundry menciona que Paulo havia considerado como refugo sua ascendência religiosa para que “pudesse experimentar uma crescente experiência de união com Cristo, nos sofrimentos, na morte e na ressurreição[9]”. Já Howard Marshal, parece acreditar que o texto fala da ressurreição futura quando diz: “Nessa espécie de resumo de Romanos 6, Paulo diz que a fé é uma atitude na qual as pessoas estão de tal modo unidas a Cristo que elas participam em sua morte e ressurreição e podem esperar para experimentar uma ressurreição final dos mortos[10]”. Entretanto, continua por dar a entender que trata-se da vida presente: “A morte é uma experiência complexa de morrer para o pecado, para as razões egoístas e as ações decorrentes. A ressurreição leva a uma nova vida de obediência a Deus pelo poder do Espírito que ressuscitou Jesus dos mortos[11]”.

Essa visão do “já” mas “ainda não” vista na visão de Marshal é compartilhada Rudolf Bultmann. Para ele, tais descrições apresentam “o paradoxo dos cristãos, (…) ou seja, como situação entre um ‘não mais’ e um ‘ainda não’[12]”. Para explicar sua visão desse paradoxo “Não Mais” e um “Ainda não”, ele adiciona: “Não mais: a decisão de fé eliminou o passado; no entanto, como decisão autêntica, é preciso sustentá-la, isto é, tem que ser tomada de novo constantemente. No caráter do superado, o passado está sempre presente, e a lembrança dele como a constate ameaça justamente faz parte da fé. O ‘esquecer’ não é um tirar da cabeça, mas sim um reprimir constante, um não deixar-se prender por ele. ‘Ainda não’: a renúncia ao antigo como uma posse que pretensamente oferece garantia, exclui justamente a troca por nova posse. Com vistas ao ser humano, não se pode falar de um ter obtido; não obstante um ‘já agora’ com vistas ao ser obtido por Cristo Jesus[13]”. E sua conclusão sobre o assunto é que “a morte e ressurreição de Cristo são fenômenos cósmicos e não acontecimentos únicos que pertencem ao passado. Por meio dele, o velho éon e seus poderes foram, em princípio, privados de seu poder; eles já foram desfeitos (1Co.2.6), embora no presente a vida dos crentes ainda não seja visível, e sim oculta sob a máscara da morte (2Co.4.7-12)[14]”.

Desconfiança Pessoal

Willian Hendriksen também parece acreditar nessa possibilidade, mas estende uma nova compreensão quando diz: “Ele escreveu no espírito de profunda humildade e de louvável desconfiança de si mesmo[15]”. Essa idéia apresentada por Hendriksen não lhe é exclusiva e a opinião dos comentaristas nesse assunto varia em dois modos distintos:

  • O primeiro grupo acredita que Paulo tem dúvida sobre sua postura de santidade. Champlim sobre isso diz: “A dúvida girava em torno de si mesmo, embora tivesse plena confiança em Deus”. Kennedy expressa sentimento similar ao dizer que a aparente incerteza de Paulo “não indica que ele desconfiava de Deus, antes, desconfiava de si mesmo. Isso enfatiza a necessidade que sentia de vigiar, de esforçar-se constantemente, a fim de que, tendo pregado a outros, não viesse a ser desqualificado”. Muito embora seja frágil tal posição, ela tem respaldo na experiência do apóstolos. É bem provável (na opinião do autor desse artigo) que tal possibilidade é tão remota que beira a impossibilidade.
  • O segundo grupo tem dúvidas sobre sua compreensão da própria morte. Ralph P. Martin parece advogar essa possibilidade quando diz: “O elemento de dúvida na frase para de algum modo não se refere à realidade da sua ressurreição, como se Paulo ficasse imaginando se ele poderia, um dia, obtê-la, mas refere-se à maneira pela qual a ressurreição lhe pertencerá, isto é, se pelo martírio, ou em época mais distante”. Para esse caso há alguma consistência, veja por exemplo Fp.1.20-26. Essa visão parece bem mais plausível, pois é certo que Paulo em Filipenses expressa seu desejo por partir e estar com Cristo, o que evidencia nenhuma dúvida soteriológica.

Parecer Pessoal

Diante das opções listadas, posso dizer que, à exceção da primeira opção do grupo da desconfiança pessoal, as outras alternativas são plausíveis e não são necessariamente auto-excludentes. Por outro lado, é bem possível que todas as possibilidades não estivessem na mente de Paulo quando escreveu o que escreveu. Muito embora tenha certo apresso pela opinião de Bultmann e Gundry, não entendo que o verso em paute testemunhe exatamente o que eles observaram ali. Na interpretação do verso 10, até posso assimilar com tranqüilidade suas conclusões, mas tenho dificuldades sobre toda a conclusão auferida por eles.

Já à opinião que refere-se à humildade ou esperança, a não ser que uma evidência lingüística esteja submersa na sentença grega de tal modo que não a possa encontrar, acredito que seja uma fuga da realidade da dúvida do apóstolo. Não posso afirmar com propriedade qual a intenção dos seus defensores em apresentarem suas opiniões desse modo, mas a mim me parece que trata-se de um medo de encontrar no apóstolo alguma espécie de dúvida.

Isso me leva a concluir que a dúvida[16], que está estampada no texto no meu modo de ver, fala mais sobre sua condição ante a morte do que sua própria santidade. Parece plausível que Paulo tivesse alguma dúvida sobre o “como” seria sua morte (visto que isso é inerente a humanidade) e por isso apresenta sua dúvida sobre o como passaria por ela.

B.     Implicações Escatológicas

Para analisarmos as implicações escatológicas desse texto, precisaremos passar por duas considerações iniciais: (1) uma do ponto de vista lingüística, para buscar averiguar os termos que Paulo emprega; (2) e outra do ponto de vista da crítica textual, pois detectamos uma variante textual em ponto importante do texto.

Para nossa avaliação lingüística temos que considerar que, quando Paulo fala do arrebatamento ele usa uma palavra não utilizada em nenhum outro lugar na literatura do Novo Testamento[17] (hapax legomena). O verbo mais usado por Paulo para descrever o ressuscitar é o verbo “egeirö” (Rm.4.24;, 25; 6.4, 9; 7.4; 8.11, 34; 10.9; 1Co.6.14; 15.4, 12-17; 20, 29, 32, 35, 42, 43, 44, 52, 2Co.1.9; 4.14, 5.15; Gl.1.1; Ef.1.20; 5.14; 2.12; 1Ts.1.10; 2Tm.2.8), e pode significar ser levantado, despertar, ressuscitar. Já o substantivo mais comum na literatura paulina para ressurreição é “anástesis” (Rm.1.4; 6.5; 1Co.15.12, 13, 21, 42; Fl.3.10; 2Tm.2.18), e é sobre esse termo que Paulo cria o termo que usa em Filipenses 3.11: “exanástesis“. A adição da preposição “ek” no termo tem sido interpretada não apenas como ênfase, mas como a descrição de um evento escatológico distinto. Sobre isso falaremos abaixo.

A segunda observação que devemos fazer sobre esse texto é sobre sua leitura mais provável: quando o texto fala sobre a ressurreição dos mortos duas leituras são possíveis: “para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos” (ARA); “para ver se, de alguma maneira, eu possa chegar à ressurreição dos mortos” (ARC). A distinção entre as duas traduções não é apenas uma questão de opção idiomática, na verdade trata-se da inclusão ou não da preposição “ek” (dentre) antes de “nekron” (mortos). O Textus Receptus traz o texto sem a preposição em pauta, e por isso a ARC não inclui “dentre” na sua tradução. Já o texto crítico traz a inclusão e usa influência é vista nas traduções mais modernas (ARA, NVI). Na edição que Scriviner e Stephanus fizeram do texto, ambos mantiveram a leitura do texto recebido aqui, mas Tischendorf (na oitava edição) já trazia a inclusão da preposição por julgar ser a leitura original[18].  Por considerar que a leitura é verdadeira as edições críticas modernas (Nestlé; UBS) incluem a preposição sem necessitar qualquer discussão sobre sua inclusão. O que parece verdadeiro é que diante das evidências a inclusão da preposição é mais acertada que sua ausência.

Feitas essas duas considerações, podemos apresentar as duas categorias maiores de interpretação desse verso, sendo ambas são referentes ao problema crítico e a observação lingüística.

Ressurreição Futura da Humanidade

A primeira interpretação para esse texto é que Paulo fala sobre a ressurreição dos mortos. Se a preposição “ek” não for encontrada no texto, essa é a tradução literal do texto, e assim é que deve ser entendida. Provavelmente essa deve ter sido a leitura que Marvin Vincent teve acesso, ou considerou como verdadeira, pois sobre o texto ele diz: “A ressurreição dos mortos é uma frase genérica, denotando a ressurreição geral dos mortos, sejam bons ou maus[19]”. Essa expectativa é comum em Paulo e não seria anormal encontrá-la aqui, desde que, essa fosse a leitura original do texto.

Entretanto, tal interpretação não é exclusiva dos que lêem o texto sem a preposição em pauta. Lightfoot, discípulo de Westtcot, em sua edição de revisão do texto crítico com comentários incluía a preposição, mas sobre a interpretação do texto diz: “A ressurreição dentre os mortos é a ressurreição final para uma nova e glorificada vida” Sobre o problema crítico diz: “A leitura oferecida ‘tön nekron‘ para ‘ten ek nekron‘ apesar de ser fragilmente suportada, ignora qualquer distinção[20]”.

Ressureição dos Cristão – Arrebatamento

Para os comentaristas que favorecem a inclusão da preposição “ek” no texto[21], a leitura esperada seria: “dentre os mortos“. A primeira obsevação é que Paulo falaria de uma ressurreição futura, física, de um grupo dentre a totalidade de mortos. Ou seja, após essa ressurreição, ainda haveiram mortos após essa ressurreição. Isso fez comentaristas avaliarem essa descrição de Paulo como a ressurreição dos cristãos. Sobre isso A.T. Roberston diz: “Aparentemente Paulo está pensando aqui apenas na ressurreição dos cristãos dentre os mortos[22]”.

Que é verdadeiro que Paulo expressa essa esperança em suas epístolas, não podemos negar. E por isso, tantos comentaristas tem visto nesse verso a expectativa de Paulo de participar do Arrebatamento do cristãos, seja em vida, seja após sua morte (1Co.15.51). Sobre isso Lawrence O. Richards diz: “Provavelmente Paulo esta usando essa palavra para se referir ao Arrebatamento, por expressar sua esperança de que o Senhor vai voltar durante sua vida[23]”.

Jonh MacArthur parece expressar mesma convicção quando diz: “Os cristãos serão retirados dentre os outros mortos, que não serão ressurretos até o fim do Reino Milenar, e na transformação na imagem de Cristo[24]”. Pouco antes, teria dito: “O cristãos irão alcançar a ressurreição no Arrebatamento, quando ‘nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade’ (1Co.15.51-53)”

Parecer Pessoal

Ao que tudo indica, a preposição “ek” faz parte do texto e por isso, a interpretação do arrebatamento dos cristãos parece mais plausível. É válido dizer que a inclusão da mesma preposição no substantivo “anástasis” favorece tal interpretação, pois por ela entendemos que a expectativa de Paulo é de uma ressurreição para fora dentre os mortos. Essa é a opinião de Carlos Osvaldo Pinto sobre esse verso, e sobre ele comenta: “Esta palavra incomum (hapax legonema) sugere que Paulo tinha em mente um evento especial no qual sua participação não era certa, não por causa de mérito insuficiente, mas devido ao seu tempo de vida insuficiente. A esta altura na vida de sua vida, Paulo ainda esperava estar vivo para segunda vinda de Cristo (1Ts.4.15; 1Co.15.52) embora tenha percebido posteriormente (2Tm.4.6-8) que sua morte chegaria primeiro[25]”


[1] JONHSON, B.W., The People’s New Testament.Pp.218

[2] CARROL, B.H., Una Interpretación de la Biblia. Pp.286.

[3] ROBERTSON, A.T., Words Pictures in the New Testament. Quick Verse.

[4] LIGHTFOOT, J.B., St. Paul’s Epistle to the Philippians. Pp.151.

[5] CHAMPLIM, Russel Norman, Novo Testamente Interpretado Versículo por Versículo. Vol.5 pp. 51.

[6] MACARTHUR, Jonh. Philippians. Libronix.

[7] RICAHRDS, Lawrence O., The Vitctor Bible Background Commentary – New Testament. Quick Verse.

[8] CALVIN, Jonh, Commentary on Philippeans. Calvin College PDF. Pp.68

[9] GUNDRY, Robert, Panorama do Novo Testamento. Pp.356.

[10] MARSHAL, I. Howard, Teologia do Novo Testamento. Pp.303.

[11] Idem.

[12] BULTMANN, Rudolf, Teologia do Novo Testamento. Pp.147.

[13] Idem, pp.393

[14] Idem, pp.365.

[15] HENDRIKSEN, Willian, Comentário do Novo Testamento – Filipenses. Pp.220.

[16] Observe que o uso da expressão grega “ei pös” em outros textos no NT expressa claramente o sentimento de dúvida: At.27.17; Rm.1.10; 11.14.

[17] Esse termo também é encontrado em escassez na literatura extra NT. Sobre o assunto, ver BDAG, Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature.

[18] Em seu aparato crítico, Tischendorf alega ter encontrado a preposição em a01 A02 B03 D06 E06abs1 P025 17.33. 31.104. 71.1912. 73.441. 442. 80.436. 137.263. 213.1952. d e f g vg go syrutr Basspir sa 28 Chr Euthalcod Dam Irint 309 Orint 4,459 Tertres carn 23 Leif198 etc. Praeterea Fgr010 Ggr012. Champlin também apresenta uma lista, veja noVol.5, pp.51.

[19] VINCENT, Marvin, The Epistles of Paul. Quick Verse.

[20] LIGHTFOOT, J.B., St. Paul’s Epistle to the Philippians. Pp.151.

[21] Outros Versículos com a expressão ressurreição ek nekron: Ressurreição Espiritual (Rm.6.4, 13; Cl.2.12; Ef.2.5); Ressurreição Física (Rm.11.15; 1Co.15.12, 20; e Ressurreição de Cristo (Rm.4.24; 6.9; 7.4; 8.11; 8.34; 10.7; 10.9; 1Co.15.12, 20; Gl.1.1; Ef.1.20; 2Tm.2.8)

[22] ROBERTSON, A.T., Words Pictures in the New Testament. Quick Verse.

[23] RICAHRDS, Lawrence O., The Vitctor Bible Background Commentary – New Testament. Quick Verse.

[24] MACARTHUR, Jonh. Philippians. Libronix.

[25] PINTO, Carlos Osvaldo, Foco e Desenvolvimento do Novo Testamento. Pp.365.