Crítica Textual 1Jo.1.4a


Evidências

[ὑμῖν] Alex: Ac (V) 048 (V) 81 (XI) 104 (XI) 181 (XI) 322 (XV) 323 (XI) 326 (XII) 330 (XII) 451 (XI) 1175 (XI) 1241 (XII) 1243 (XI) 1409 (XIV) 1735 (XI/XII) 2298 (IX) 2344 (XI) copsa(ms) (III/IV) copbo(III/IV) Ocid: 614 (XIII) 629 (XIV) 630 (XIV) 1292 (XIII) 1505 (XII) 1611 (XII) 1852 (XIII) 2138 (XI) 2412 (XII) 2495 (XIV/XV) itar (IX) itc (XII/XIII)itdem (XIII) itdiv (XII) itp (VII) itt (XI) vg (IV) Augustine (430) Cæs: arm (V) geo (V) Biz: K (IX) L (IX) 056 (X) 0142 (X) Byz  88 (XII) 436 (XI) 1067 (XIV) 1844 (XV)1877 (XIV) Lect (IX) syrp (V) syrpal (VI) syrh (616) eth (VI) slav (IX) Bede (735) Ps-Oecumenius (VI) Theophylact (1077) Ind: 945 1739 1881 2464 VM: TRStephanus, Scrivener TMRobertson-Pierpont ARA ARC ARF

[ἡμεῖς] Alex: א (IV) A*vid (V) 0042 (IV) C (V) P (IX) Ψ (VIII/IX) 33 (IX) copsa(mss) (III/IV) Ocid: it VM: TIS8 WH UBS4 NA27 NVI

Análise da Evidência Externa

As evidências textuais nessa disputa mostram que ainda que exista uma alteração, nesse caso ela não é significativa. As leituras ficam assim divididas: (1) Essas coisas nós escrevemos para que… (2) Essas coisas vos escrevemos para que… Assim sendo, vamos analisar as evidências que dispomos.

 1.      Data:

A.     A primeira variante tem testemunhos antigos, como a versão Copta Sahídica datada entre o III e IV século.

B.     A segunda variante em geral é posterior, entretanto tem dois testemunhos que atestam sua antiguidade: a versão copta Sahídica e a Bohahírica, ambas do III e IV século.

C.     PARECER: No quesito data, ambas as evidências são atestadas entre o III e IV século, muito embora esse testemunho divide o tipo texto alexandrino na versões.

2.      Qualidade:

A.     A presença da leitura do Sinaíticus (א) em favor da primeira variante reforça sua qualidade.

B.     Já a leitura dividida do Alexandrino (A) atesta a divisão de leitura no tipo Alexandrino. Outro detalhe é que a vasta maioria de manuscritos posteriores acompanha essa leitura.

C.     PARECER: Uma vez mais a leitura Alexandrina mostra-se dividida, e portanto sua credibilidade qualitativa é abalada. Se a alteração de A é uma correção ou corrupção não pode-se afirmar com certeza por ora, entretanto nota-se a maioria favorável à segunda variante.

3.      Distribuição Geográfica:

A.     A primeira variante é limitada aos testemunhos Alexandrinos, com uma leitura considerada Ocidental, entretanto tardia.

B.     A segunda variante é geograficamente atestada em todas as regiões, exceto as escassas evidências no tipo Cesareano que atestam sua antiguidade em outras regiões.

C.     PARECER: A segunda variante em distribuição é favorecida.

4.      Solidariedade Genealógica:

A.     A primeira evidência é vista de modo mais forte no tipo texto alexandrino, mas tal tipo está dividido entre as duas leituras.

B.     A segunda evidência tem solidariedade no tipo texto Bizantino e Ocidental (exceto por uma versão).

C.     PARECER: A segunda variante é largamente favorável.

5.      Parecer Pessoal:

A análise de evidência externa suporta com facilidade a segunda leitura, visto que à exceção da disputa de data, todas as outros análises atestam o favorecimento da segunda. Por ora, a segunda variante parece mais atestada.

 

ANÁLISE DA EVIDÊNCIA INTERNA:

1.      Scripto Contínua:

A.     ΚλIΤλUΤλΓΡλΦΟΜΕΝHΜEIΣIΝλHΧλΡλ

B.     ΚλIΤλUΤλΓΡλΦΟΜΕΝYΜIΝIΝλHΧλΡλ

 

2.      Alterações não-intencionais:

A.     Não se pode atribuir as variantes à scripto contínua.

B.     Não parece ser um erro homoiarkon, homoioteuton, haplografia ou de ditografia.

C.     Não parece ter sido um problema de audição/acústica.

D.     Também não parece um erro de juízo.

E.     Não parece a ocasião em que a memória poderia ser responsável pela variante.

 

3.      Alterações intencionais:

A.     Não parece um erro de gramática, embora é possível que a alteração da primeira para a segunda fosse justificada textualmente, pois seria a leitura esperada do texto.

B.     Não parece um erro de ortografia.

C.     Não parece um caso de geografia, história ou estilo.

D.     Não é uma crase, glosa ou tentativa de harmonia com outra passagem na LXX ou de outro lugar no NT.

E.     Certamente não é o caso de problema teológico.

 

4.      Cânones

A.     Que leitura explica as demais?

i.      A primeira leitura não parece necessária, pois o verbo a quem está associada já faria sua parte.

ii.      A segunda leitura parece um complemento necessário ao verbo, uma vez que o sujeito está implícito.

iii.      PARECER: Uma vez que julga-se normal o procedimento do copista em tornar o texto mais polido e que o tipo Bizantino carrega tal característica, pode-se esperar que a segunda leitura seja uma adaptação ao texto. Entretanto, deve-se perguntar por que razão o autor não poderia ter escrito de modo mais polido que a alteração de um copista descuidado?

 

B.     Qual é a leitura mais difícil?

i.      Como já mencionado a leitura mais difícil é a primeira leitura.

 

C.     Qual é a leitura mais curta? Nesse caso essa regra não se aplica.

 

5.      Evidências Intrínsecas

A.     Qual é a leitura mais coerente com o contexto imediato?
A segunda.

B.     Qual é a leitura mais coerente com o estilo, vocabulário e o propósito do escritor?
No contexto imediato, a segunda.

C.     Qual é a leitura mais coerente com a teologia do autor?
Indiferente

PARECER FINAL:

Ao que tudo indica a leitura ὑμῖν é mais amplamente suportada pela evidência externa ao passo que a análise de evidência interna pareça favorecer ἡμεῖς, ainda que com alguma disputa nas evidências intrínsecas. O comitê do UBS da quarta edição favorece a leitura ἡμεῖς por acreditar que o texto esperado seria γράφομεν ὑμῖν como acontece com outros verbos no contexto (ἐφανερώθη ἡμῖν; ἀπαγγέλλομεν ὑμῖν) (cf. METZGER, Bruce, A Textual Commentary on the Greek New Testament). Entretanto, considerando o contexto imediato, tendo a aceitar ὑμῖν como a leitura mais acertada, ainda que com grande dificuldade de definição.

NOTA CONCEITO: {C}