A Teoria de Westcott e Hort


O texto que segue é resuldado da leitura do autor nos textos de Wilbur Pickering (Qual o texto original do Novo Testemano) publicado em pdf e disponível na internet. Também fez parte da pesquisa o texto do Paulo Anglada (A Teoria de Westcott e Hort e o texto do Novo Testamento) publicado pela revista teológica Fides Reformata. Esse artigo também pode ser encontrado na internet.

O objetetivo primeiro desse material ser disponibilizado no Teologando não é a defesa de uma ou outra opção de Crítica Textual, mas fomentar o conhecimento da teoria e estimular sua análise de modo respeitoso e proveitoso para o reino. Se sua opinião não é compatível com a dos dois autores supracitados, por favor, traga sua contribuição ao Teologando. Deixo evidente aqui que, a opinião do autor deste artigo não está em total acordo com Pickering ou Anglada.

Tendo dito isso, vamos analisar os pontos fundamentais da teoria.

Pressuposição fundamental

1. O texto do NT deve ser tratado como um texto normal:

Os princípios de crítica explanados na seção anterior valem para todos os textos antigos, preservados em uma pluralidade de documentos. Ao lidar com o texto do Novo Testamento, nenhum novo princípio é necessário ou legítimo” (WH, PP.73; IN: Pickering, pp.14)

2. Não houve falsificação maliciosa no texto do NT:

Não será inapropriado adicionar aqui uma distinta expressão de que cremos que, mesmo entre as numerosas leituras inquestionavelmente espúrias do Novo Testamento, não há nenhum sinal de falsificação deliberada do texto em favor de propósitos dogmáticos” (WH, 282; IN: Pickering, pp.14)

Cremos que a ausência [no texto moderno] de fraudes perceptíveis, que deram origem a qualquer das várias leituras agora existentes, também se aplica par ao texto  que antecedeu mesmo as mais antigas variantes existentes…” (WH, pp.283; IN: Anglada, pp.3)

Método das Evidências Internas

1. Probabilidade Intrínseca:

O que o autor parece ter escrito?

Qual das variantes faz maior sentido?

O primeiro impulso ao tratar com uma variante é usualmente seguir a probabilidade intrínseca, isto é, considerar qual das leituras faz o melhor sentido e, de acordo com isso, decidir entre elas. A decisão pode ser feita tanto por um julgamento imediato, e portanto intuitivo, ou pesando cautelosamente vários elementos que irão definir o que é chamado de sentido, de conformidade com a gramática e congruência com o estilo usual do autor e com o assunto em outras passagens” (WH, pp. 20; IN: Anglada, pp.4)

2. Probabilidade de Transcrição

O que os copistas parecem ter feito o autor parecer escrever?

Qual das variantes parece ser responsável pelas outras?

Se uma variante aparenta dar-nos um sentido melhor ou sobrepujar a outra variante, essa aparente superioridade deve ter sido a causa da introdução da referida variante do texto. Disparates [textos difíceis] à parte, nenhum motivo pode ser pensado que viesse a levar um escriba a introduzir conscientemente uma leitura pior no lugar de uma leitura melhor” (WH, pp.22; IN: Anglada, pp.4)

Regras Básicas

1. Brevior lectio potior: a menor leitura deve ser preferida, pois é mais provável que um copista acrescente algo que exclua;

2. Proclivi lectioni praestat ardua: a leitura mais difícil deve ser a preferida, pois é mais provável que um copista simplifique um texto que o complique;

Conflação:

É a característica de misturas e que apenas o texto Sírio as apresenta, o que o torna secundário.

A mais clara evidência para rastrear os fatores antecedentes de mistura em textos é provido por leituras que são elas próprias misturadas ou, como elas são algumas vezes chamadas, ‘confladas’, isto é, não simples substituições da leitura de um documento pela de outro, mas combinações das leituras de ambos documentos, formando uma totalidade complexa, algumas vezes por mera adição com ou sem uma conjunção, outras vezes com maior ou menor [proporção de] fusão” (WH, pp.49; IN: Pickering, pp.15).

Ao melhor da nossa crença, as relações assim provisoriamente traçadas não são jamais invertidas. Não conhecemos nenhum local onde o grupo α [Neutro] de documentos dê apoio a leituras aparentemente confladas das leituras dos grupos β [Ocidental] e δ [Sírio], respectivamen-te, ou onde o grupo β de documentos dê apoio a leituras aparentemente confladas das leituras dos grupos α e δ, respectivamente” (WH, 106; IN: Anglada, pp.4-5).

Em si próprias, as leituras Sírias quase nunca ofendem à primeira vista. Com raras exceções, elas fluem agradável e facilmente quanto à forma e imediatamente oferecem, mesmo a um leitor descuidado, um sentido razoável, livre de surpresas e aparentemente comparadas uma após outra com suas variantes rivais, a pretensão delas a serem consideradas como as leituras originais gradualmente diminui até, finalmente desaparecer” (WH, pp.115-16; IN: Pickering, pp.17).

Genealogia

O acurado método de Genealogia consiste … na recuperação mais ou menos completa dos textos de ancestrais sucessivos, pela análise e comparação dos textos variantes dos seus descendentes respectivos, cada texto ancestral assim recuperado sendo por sua vez usado, em conjunção com outros textos similares, para a recuperação do texto de um ancestral comum e ainda mais antigo” (WH. pp.57; IN: Pickering, pp.14).

Até onde as relações genealógicas forem descobertas com certeza absoluta, os resultados textuais que as seguem também são absolutamente certos, estando diretamente envolvidos nos fatos históricos; e quaisquer suposições aparentes sugeridas contra elas por outros métodos são meras conjecturas contra o que se conhece como fato” (WH, pp63; IN: Pickering, pp.24)

Inexistência de variantes Sírias anteriores a Crisóstomo

Leituras típicas do TR não teriam sido encontradas antes de 350

Antes de Crisóstomo encontra-se apenas leituras Neutras ou Ocidentais.

Vale o lembrete que Hort não presenciou a descoberta dos papiros, e portanto, fala apenas das citações dos Pais da Igreja.

A Recensão de Luciano

Para explicar a harmonia dos manuscritos Bizantinos, Hort explica que houve uma operação de crítica textual que reuniu os testemunhos antigos, executado por editores e não meros escribas.

O texto Sírio tem, de fato, que ser resultado de uma ‘recensão’ no sentido próprio da palavra, uma tentativa de criticismo, deliberadamente realizado por redatores e não meramente escribas“. (WH, pp.133; IN: Pickering, pp.17).

Essa recensão teria sido levada à efeito por Luciano, morto em 311, martirizado pelas perseguições romanas a cristãos.

O objetivo dessa editoração foi providenciar um texto oficial do NT para as Igrejas Gregas, que teria começado em Antioquia por volta de 250d.C. e concluída em 350d.C.

Uma revisão autoritativa em Antioquia… foi ela própria submetida a uma segunda Revisão autoritativa que alcançou mais completamente os propósitos da primeira. Em que data entre 250 e 350d.C. o primeiro processo ocorreu, é impossível se dizer com confiança. O processo final foi aparentemente completado em 350d.C. ou ao redor disto” (WH, pp.137; IN: Pickering, pp.17).

Esse texto teria sido o texto-base do TR, segundo Hort. Por essa razão é eventualmente denominado Texto Antioquino ou Texto Sírio.

 

Conclusão:

É nossa crença (1) que as leituras de אB devem ser aceitas como a verdadeira leitura até que forte evidência interna seja encontrada ao contrário; e (2) que nenhuma leitura de אB pode ser rejeitada de forma absoluta, seguramente” (WH, pp.225; IN: Pickering, pp.18).

A mais completa comparação [de אB] não faz senão aumentar a convicção que a preeminente pureza relativa deles em, da mesma forma, aproximadamente absoluta, uma reprodução verdadeiramente aproximada do texto dos autógrafos” (WH, pp. 276; IN: Pickering, pp.18).