A busca pela Verdade


A busca pela verdade em qualquer aspecto, profundidade, grau ou relação é a busca de todo ser humano cognitvamente consciente. Não conheço nenhum ser humano que no exercício de suas faculdades mentais tenha a intenção de manter-se em obscuro sobre algo que lhe intriga o conhecimento. Tenho sérias razões para duvidar que exista algum ser humano nessa condição (Mesmo os que não concordarem com o que acabei de dizer, evidenciam por fato, que por se preocuparem com a verdade não podem associar-se com informações que não lhe pareçam verdadeiras).

Entretanto, a busca pela verdade é um processo que perdura por toda a existência: Penso, logo existo, tenho dúvidas e quero saber a verdade. A informação disponível nesse processo é importante, mas não é determinante, pois ela é analisada a partir dos pressupostos, que funcionam como guias para o processo.

De fato, a informação, as evidências deveriam sempre ser suficientes para a conclusão. Contudo, não é isso o que sempre acontece. Quão comumente vemos pessoas com as mesmas informações em mãos chegarem a conclusões antagônicas. A questão nesse caso não é a evidência, mas a análise da evidente.

Como toda análise de evidencia é um processo cognitivo, consciente e pessoal, podemos perceber que elas estão sujeitas à interpretação pessoal. Toda interpretação, por sua vez, é regida por um conjunto de regras pressupostas que acabam por orientar, guiar e eventualmente determinar a conclusão auferida pela análise das evidências.

Portanto, é fato que toda busca pela verdade é pressuposicional.

Tipos de pressupostos:

Existem alguns tipos de pressupostos:

  1. Racionais: Fruto do processo cognitivo que, depois de acurada investigação chega a conclusão que torna-se norte nos processos investigativos posteriores. Esse é o caso do acadêmico que após grande investimento de tempo e análise chega a um veredicto que acredita ser verdadeiro. Isso, por outro lado, não garante que sua conclusão seja verdadeira, ou que outras pessoas com opiniões diferentes estão erradas, significa apenas, que sua busca pela verdade percorreu a investigação de tal modo que possa tornar-se convicto de algo.
  2. Lógicos: Fruto do processo cognitivo, entretanto não necessariamente investigativo, mas epistemológico. Trata da conclusão alcançada pelo arbitrar lógico do conhecimento disponível. Esse é o caso do filósofo, que apesar de não ter disponível o acesso à evidências investigativas, consegue auferir sua conclusão de modo que não fira
  3. Naturais: Fruto da convicção pessoal ainda não confrontada pela pesquisa ou desenvolvimento epistemológico. É o caso da pessoa cuja convicção é fundada sobre pouca evidência, ou evidência nenhuma. Não trata-se do resultado de pesquisa ou lógica, mas da simples opinião pessoal. O resultado desse tipo de pressuposição é que ela leva, invariavelmente à convicção cega.

Com isso, não definimos a impossibilidade de um pressuposto ser parte de mais de uma opção. Por exemplo, os pressupostos racionais também podem ser lógicos, e o inverso também é verdadeiro. Entretanto, não é possível que nenhum dos dois seja ao mesmo tempo natural, uma vez que este exclua a investigação e a lógica.

Implicações

O grande risco ao determinar para si mesmo um pressuposto não investigativo ou não verdadeiramente lógico é que esse pressuposto será guia orientador determinante quando seu portador passar à ocasião da investigação ou desenvolvimento verdadeiramente lógico. Por isso, a confrontação pessoal pressuposicional é fundamental no período investigativo, pois se isso não acontecer apropriadamente, é possível que a leitura das evidências disponíveis sofram tendências para as quais elas mesmas não apontam, ao passo que as evidências evidentemente contrárias serão minimizadas, ou até mesmo negligenciadas.

Entretanto, todo processo de estruturação de um pressuposto é antecedido por um ato da vontade, pois, apesar de todo apetite se mover em direção do apetecível, é o fim em fazê-lo que será determinante. Assim, pressuposto e motivo confundem-se no processo investigativo de tal modo, que se não for identificado e devidamente separado, pode comprometer o resultado final da investigação.

A verdade sobre a humanidade é que os pressupostos são naturais à sua constituição cognitiva. E, até que se possa desenvolver suas conclusões pessoais pela investigação e/ou pelo exercício da verdadeira lógica, todo ser humano é dotado de pressupostos naturais motivados pela preferência pessoal. E por isso, se o processo investigativo não for um processo de auto-confrontação, não será um processo de busca pela verdade, mas de busca pela confirmação das opiniões pessoais.

Portanto, a busca pela verdade deveria ser uma busca de auto-identificação com a verdade e auto-confrontação pelas evidências que levam à verdade. Caso isso seja observado, é possível nortear-se em direção à verdade e chegar a conhecê-la.

Bom, ao menos essa é meu pressuposto investigativo fundamental.