O que dizer da versão copta saídica?


Marcelo Berti

Esse artigo foi escrito para aqueles que já ouviram falar do dilema de tradução de Jo.1.1c: “e o verbo era Deus“. Aos que conhecem a Tradução do Novo Mundo (o NT TJ) sabem que eles traduzem com o acréscimo de um artigo indefinido antes de Deus, como tentativa de disfarçar a Real Divindade do Verbo.

Entretanto, o fundamento para essa leitura, segundo os TJ`s,  é suportada pela existência de uma versão copta do quarto século que traduz o texto com o acréscimo do artigo indefinido. Para eles, isso é evidência de que a correta tradução do texto deve trazer o artigo indefinido. Mas, será isso verdadeiro? Essa é a pergunta que tento responder nesse artigo. Para tanto, convido os leitores a uma viagem aos textos cristãos antigos para procurar evidências de como esse texto era lido e interpretado antes do quarto século.

O artigo está assim dividido: (clique nos temas e leia os textos)

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Faça um bom proveito!

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Como nem todos terão tempo disponível para a leitura de todo o artigo, deixo abaixo o resumo (conclusão) do artigo: (caso fique interessado por um tema, use os links)

O que temos a dizer sobre o exemplar copta saídico e sua tradução?

(1)      Em primeiro lugar, a versão copta saídica não é a única evidência que dispomos sobre como deve ser lido e interpretado o texto de Jo.1.1c antes do quarto século; Também encontramos versões latinas e sírias nesse período que merecem atenção.

(2)      Em segundo lugar, a tradição dos pais da igreja (latinos, sírios, gregos) do segundo ao quarto século não ousa supor que a leitura correta teria o acréscimo do artigo indefinido, ou que o texto é uma evidência de que João estava falando em dois deuses. Vale dizer que nem mesmo os hereges conhecidos desse período ousaram traduzir ou interpretar o texto assim, mesmo quando era conveniente para suas heresias.

(3)      Em terceiro lugar, a tradução da versão copta saídica não foi devidamente apresentada pelos defensores da TNM. É bem possível que ela tenha outro sentido, e não defenda a leitura da TNM.

(4)      Em quarto lugar, se a tradução copta saídica fosse, sem sombras de dúvidas, “e o verbo era um deus” ainda teríamos o testemunho dos Pais da Igreja apontando para outra direção, o que faria dessa evidência uma voz solitária na multidão.

(5)      Em quinto lugar, ainda que a tradução copta saídica fosse, sem sombras de dúvidas, “e o verbo era um deus”, teríamos evidências suficientes para demonstrar que tal leitura estava localizada em um período específico, em um região específica, e falaria mais sobre a situação do cristianismo nessa região do que sobre a forma como deveria ter sido traduzido o texto.

(6)      Em sexto lugar, muito embora zelosa seja a iniciativa de buscar uma versão antiga para respaldar uma tradução, ela é sem valor, pois a questão mais importante não é como o texto foi traduzido ou interpretado em outros idiomas, mas como ele deve ser traduzido a partir do texto grego.

Portanto, é seguro afirmar que as investidas dos defensores da TNM sobre esse documento não defende as idéias que pretendem para o texto. É uma opinião erigida na omissão de informações e é bem provável que seja equivocada em todas as suas premissas e conclusões (antiguidade, tradução).