Devoção e Vida no Mundo


Introdução

Para mim, é motivo de grande apreensão apresentar este estudo, pois vamos falar sobre devoção e sobre vida com Deus enquanto estamos no mundo. A minha proposta é, num primeiro momento, trabalhar com algumas definições para, em seguida, trazer algumas sugestões de como você pode manter a sua vida conectada com Deus enquanto está neste mundo. Eu irei tratar também de um assunto que trás um pouco de dificuldade, pois se refere às intenções do Maligno, às intenções de Satanás, para nossas vidas. Não parece um assunto muito convidativo, mas se deixarmos de dar atenção para as intenções que Satanás tem para a nossa vida, especialmente para o nosso relacionamento com Deus, teremos grande chances de estarmos despreparados para tratar disso.

O meu desejo é, em primeiro lugar, tornar claras algumas coisas e. em segundo lugar, trazer alguns desafios. Então eu peço a sua atenção. Vamos começar com algumas definições.

1. Conceito de “Mundo”

Temos uma palavra muito importante como tema da nossa mensagem que é a palavra mundo. Como vamos entender esta palavra e como vamos nos preocupar com ela, é o início da nossa reflexão. A palavra mundo tem diversos significados. Por exemplo, quando alguém vai dar uma festa, pode dizer: “Todo mundo vai lá em casa”. Você sabe que não se trata de todas as pessoas do planeta, mas de um grupo de pessoas que pertencem ao seu círculo de relacionamento e que vão estar nessa festa. É interessante quando você convida alguém que aparentemente quer ir, mas responde: “Não posso”, e você diz: “Mas todo mundo vai lá!”. Isso não quer dizer que aquela pessoa não faça parte do seu relacionamento ou que você a está excluindo do seu “mundinho”, mas é a forma como a gente usa esta palavra.

Eu me lembro que, quando estava no seminário, um amigo muito caridoso, preocupado com a minha situação de solteiro, resolveu me apresentar uma menina. Ele quis fazer propaganda dela para mim e falou: “Essa menina é muito legal, ela é dedicada, ela é uma pessoa bonita, mas ela vive no ‘mundinho’ dela!” Foi a pior propaganda que eu já ouvi sobre alguém. O que será que ele quis dizer com isso? Até hoje eu não sei, mas o fato é que nós usamos esta palavra (mundo) com diversos significados e com diversos temas.

As Escrituras também usam essa palavra com vários significados. É importante que, ao ler as Escrituras, você preste atenção a que tipo de significado esta palavra vai tomar no contexto em que está, porque  pode fazer muita diferença. A minha intenção não é fazer um estudo léxico desta palavra, mas um estudo temático rápido, para que você possa perceber os diferentes usos dela.

A. Local, lugar

Em primeiro lugar, as Escrituras usam a palavra mundo para descrever um lugar. Pode ser o universo, pode ser a Terra ou pode ser um lugar da Terra. Nós vemos uma expressão generalizada: Porque os gentios de todo o mundo é que procuram estas coisas. Mas o vosso Pai Celeste sabe que necessitais dela (Mt 6.32). Aqui neste texto, vemos uma aplicação de lugar: os gentios que estão em todas as partes do mundo, os gentios que são deste mundo todo é que tem buscado essas coisas. É uma referência a um lugar.

B. Pessoas

Essa palavra também pode fazer referência a pessoas de um determinado lugar ou pessoas em uma determinada ocasião. Vejamos o seguinte texto como ilustração: Os fariseus assustados com um grupo de pessoas que andavam atrás de Jesus, disseram uns aos outros: Não conseguimos nada, olhem como o mundo todo vai atrás dele (Jo 12.19). Trata-se de uma multidão de pessoas chamadas de “mundo todo”. Certamente, poderíamos incluir neste tipo de uso o texto de Jo 3.16: Porque Deus amou o mundoO amor do Pai não está colocado sobre um lugar, não está colocado sobre a estrutura física deste universo, mas o Pai ama os seres humanos, as pessoas. O amor de Deus, em Jesus Cristo, é manifesto em pessoas.

C. Caráter do ser humano

A palavra mundo tem nuances um pouco diferentes dessas, podendo significar ou exemplificar o caráter do ser humano. Pode também significar a aversão que o ser humano tem a Deus. Pode ainda significar aquilo que expressa o ser humano como distante de Deus. Um texto que exemplifica isso é o seguinte: O mundo não pode odiá-los, mas a mim odeia porque dou testemunho do que o que ele faz é mal (Jo 7.7). Este grupo de pessoas está sendo representado também como pessoas que estão distantes de Deus, cujo ódio é orientado contra Jesus Cristo. Nós vamos ver que esse ódio também é estendido a nós, que somos seguidores de Jesus Cristo. As atividades que esse mundo faz são obras más.

Em João 17.25, quando Jesus ora, Ele diz: …este mundo não te conheceu…, falando em relação às pessoas que não conheceram a Deus. Quando se trata do caráter da humanidade, contrário ao caráter de Deus, muitas vezes, nós vamos encontrar a palavra mundo como descrição daquele grupo de pessoas que não conhece a Deus e tem ódio contra Jesus Cristo. Esse ódio não precisa ser agressivo: basta a simples rejeição a Jesus Cristo, pois Jesus dá testemunho de que o que esse mundo faz é mal. E o impressionante é que o amor de Deus é apresentado justamente a essas pessoas cujo caráter é maligno, que rejeitam a Jesus Cristo e fazem aquilo que é mal diante de Deus.

Mundo também é uma descrição daquelas pessoas que são contrárias e distantes de Deus, são antagônicas àquilo que é espiritual e próximo de Deus.Por isso, temos uma escolha a fazer: podemos buscar as coisas mundanas ou as coisas espirituais.

D. Sistema

A palavra mundo também traz essa idéia de algo que é contrário a Deus na expressão de um caráter destruído pela presença do pecado. É interessante observar que esse grupo de pessoas descritas como quem tem ódio contra Deus, que não conhece a Deus, também faz parte de um sistema corrompido. Este grupo de pessoas não está isento de praticar pecado em um ambiente neutro, mas em geral ele está inserido num ambiente de antagonismo a Deus.

Em Efésios 2.5, vemos Paulo nos alertando que: Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, nos quais costumavam viver quando seguiam a presente ordem deste mundo. Este mundo tem uma ordem. A palavra que a versão Almeida Revista e Atualizada traz para ordem é “curso, direção” e a palavra grega que foi traduzida por estas duas palavras nos dá a idéia de que existe uma organização, um sistema que é corrompido.

As pessoas que demonstram o seu não-conhecimento de Deus estão inseridas em um sistema de aversão a Deus e de corrupção. Este é o estado, o lugar onde todas as pessoas que não foram salvas por Jesus Cristo se encontram. É nesse sistema que elas estão aprisionadas.

Em II Coríntios 4.4, é dito: O deus desta era cegou o entendimento dos descrentes para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Existe um domínio e existe um dominador por trás deste sistema. Esse sistema corrompido, que está ordenado para ir contra aquilo que Deus espera ou contra o Seu caráter, também tem um príncipe, um responsável por coordenar esse mesmo sistema, que vai coordenar a vida das pessoas. Quando falamos em vida mundana, estamos pressupondo que existe um grupo de pessoas que não conhecem a Deus, que estão debaixo de um sistema expresso pela aversão a Deus e que é dominado por alguém que é muito sagaz e inteligente para conduzir este sistema de forma que as pessoas se voltem contra Deus.

O interessante é que esse dominador não é um dominador qualquer, ele é um dominador ativo e está ativo agora. Naquele texto de Efésios 2.2, lemos: … nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência. Ele está atuando agora, neste momento! Ele está atuando agora, ele está muito ativo! Esse texto diz que ele está atuando naqueles que já vivem na desobediência, para que vivam em desobediência e para que fiquem cegos à verdade do Evangelho, para que mantenham a sua aversão a Deus.

É interessante que, por mais que eu e você já tenhamos essa idéia, essa percepção de realidade, não nos damos à atenção de perceber como esse mundo é conveniente e gostoso para nós. Porque, apesar do quadro tenebroso que traçamos até aqui, esse sistema, cujo dominador é astuto e quer distância de Deus, é atraente. Para falar disso, Jesus Cristo usou uma parábola muito conhecida que é a “Parábola do Semeador”, que diz (Mt 13:22): O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra e ela fica embutida. Esse sistema tem o poder de nos deixar fascinados. Muito embora o texto que lemos antes fale sobre a atuação de Satanás na vida daqueles que estão na desobediência, Jesus Cristo chama a atenção para aqueles que já tiveram contato com a Palavra, mas que se deixaram seduzir pelos cuidados do mundo. Esse mundo não é apenas tenebroso, ele é gostoso e atraente, ele chama a nossa atenção, conquista a nossa mente e tem o poder de transformar quem nós somos, seja sedução das riquezas, seja pela vaidade, seja pelo orgulho ou qualquer outra coisa. Este mundo, que é gostoso e atraente, tem também o poder de moldar a nossa vida.

Paulo estava preocupado com isso. Paulo sabia que isso era muito forte na vida dos cristãos em Roma. Ele sabia que este mundo já estava moldando aquelas pessoas com um tipo de comportamento e diz (Rm 12.2): Não se amoldem ao padrão deste mundo, porque este é o poder que ele tem. Enquanto estamos neste mundo, estamos debaixo de um sistema corrompido, destruído pelo poder do pecado e dominado pela mentalidade e inteligência de Satanás. É por isso que o mundo se apresenta tão atraente, tão gostoso e é por isso que ele é capaz de modelar a nossa vida. Às vezes, achamos que o mundanismo chega à Igreja ou à nossa vida pessoal quando estamos envolvidos nas piores perversões fora da igreja ou quando alguém da igreja está envolvido em um grande erro ou um grande pecado, mas não. Basta uma simples vida centrada na fofoca e na mentira que nós estaremos sendo mundanos, porque essas coisas são contrárias a Deus e fazem parte do sistema corrompido do qual Satanás é o mentor, pois ele é o pai da mentira.

O mundanismo está dentro da Igreja sempre que os cristãos se comportam como se comportavam antes de conhecer a Jesus Cristo. Isso é mundanismo. È isso o que corrompe a fé, é isso o que corrompe o bom ensino das Escrituras, é isso o que corrompe a boa prática das Escrituras, é isso o que corrompe sua vida com Deus.

Satanás sabe o que está fazendo neste mundo, pois deixou o mundo gostoso, atraente e destrutivo! Não é à toa que muitos dos cristãos tem se deixado destruir por se associar às idéias deste mundo. Não é à toa que muitos dos cristãos têm uma vida espiritual fraca, medíocre, seca, porque se deixaram seduzir pelos ensinos deste mundo. Esse mundo é corrompido, gostoso e destrutivo.

Nós temos que atentar para isso, porque não fazemos mais parte deste sistema, mas ainda vivemos em um mundo debaixo do domínio de Satanás. Por isso, quando as Escrituras usam a palavra mundo, não se pensa apenas em lugar, mas também em pessoas. Em pessoas que apresentam aversão a Deus e que estão inseridas em um sistema de corrupção, um sistema que conduz a uma vida de distância de Deus, que estão cegas, para que não vejam o Evangelho da graça de Jesus Cristo. Aqui acontece uma interação muito interessante, porque essas pessoas, cujos corações são corrompidos, moldam o sistema e pelo sistema são moldadas. Elas contribuem para a fluência desse sistema corrompido, da mesma forma que sofrem a influência desse mesmo sistema corrompido. Porque o grande dominador, o grande chefe que está por trás de tudo isso, é isso mesmo o que ele quer: que aqueles que não conhecem Jesus Cristo continuem ser conhecer e aqueles que já O conhecem vivam como se não o conhecessem. Foi por isso que ele fez um sistema tão atraente.

E. Cosmovisão Cristã

Por outro lado, a palavra mundo também nos ajuda a entender a cosmovisão cristã. De fato, precisamos entender qual é a nossa relação com esse mundo. Se nós prestarmos atenção naquilo que as Escrituras nos ensinam, vamos perceber que não somos mais parte deste mundo. Veja o que Jesus disse em duas passagens: Se vocês pertencessem ao mundo, ele os amaria como se fosse dele. Todavia vocês não são do mundo, mas eu os escolhi tirando-os do mundo. Por isso o mundo os odeia (Jo 15.19). Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, pois eles não são do mundo, como eu também não sou (Jo 17.14).

Jesus Cristo tinha nos dito que o mundo não nos podia odiar, mas agora que fomos por Ele resgatados deste mundo, agora que não fazemos mais parte deste sistema, agora que não somos mais contados entre as pessoas que vivem em oposição a Deus, nós também somos alvo desse ódio. Porém, mais interessante do que isso é que eu e você não fazemos parte disso, pois Jesus Cristo nos tirou deste mundo para que vivêssemos com Ele, em relacionamento com Deus: O mundo não pode receber o Espírito da verdade porque não o vê, nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois Ele vive com vocês e estará em vocês (Jo 14.17).

Nós fomos chamados para um diferente tipo de relacionamento, fomos habitados pelo Espírito Santo, fomos selados pelo Espírito Santo da promessa, fomos tirados deste mundo para vivermos em comunhão com Deus. É por isso que, às vezes, somos chamados de peregrinos. Estamos aqui, mas não somos daqui! É como se fôssemos forasteiros, estrangeiros. É por isso que esse relacionamento que existe entre nós e o mundo é também um relacionamento de rejeição. Você já percebeu como a literatura anticristã ou um filme anticristão tem “Ibope”? Você já percebeu que o mundo é tolerante com as outras religiões, mas não toleram a sua? Você já percebeu que o ecumenismo é lindo, o budismo é simpático, mas o cristianismo é repulsivo?

Esse sistema é coordenado contra Cristo. Um amigo meu vai se casar e sua sogra tem certa aversão à Igreja e a Jesus Cristo. Havia uma grande disputa sobre quem faria a cerimônia de casamento. Na mentalidade dela, todas as religiões são iguais, não há diferença entre elas. Meu amigo então perguntou: “Se é assim, porque não poderia ser um pastor?”, mas ela respondeu que pastor não poderia ser. Pode qualquer coisa, menos qualquer coisa relacionada a Jesus Cristo.

Esse tipo de hostilidade tem sido manifesta de formas diferentes através dos tempos, mas ele está bem aí! É interessante que, sabendo disso, Jesus Cristo nunca pediu para que nos escondêssemos em algum lugar, que fugíssemos dessa realidade ou que ficássemos escondidos dentro da Igreja. Muito pelo contrário, quando Ele orou disse (Jo 17.15): Não rogo que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Nós não somos daqui, mas devemos ficar aqui! Nós não somos deste mundo, mas devemos viver neste mundo! Nós não fazemos parte deste sistema, mas é neste sistema que nós vivemos! Por isso, somos convidados a ter uma vida santa e a andarmos em proximidade com Deus e Jesus Cristo, porque esse mundo é cruel e vai querer apagar a sua “luz”. Por isso, Jesus Cristo pede por proteção para nós, porque agora somos os Seus representantes neste mundo. Quando Jesus Cristo fala sobre a nossa representação, Ele ora a Deus pedindo: “Da mesma forma como o Senhor me mandou a esse mundo, como manifestação da verdade, como manifestação da glória, como propagador da Palavra de Deus, da mesma forma como o Senhor me enviou, Eu envio os meus filhos, os cristãos, aqueles que o Senhor me deu, Eu os envio ao mundo.” Nós não só devemos viver nesse mundo, mas devemos viver como representantes de Deus e de Jesus Cristo, ainda que isso gere ódio e hostilidade. Deve ser por isso que Pedro fala sobre vivermos de modo exemplar entre os gentios e Paulo nos chama a vivermos de modo digno do nosso chamado.

Nós fomos chamados por Jesus Cristo para sermos representantes dEle. Graças a essa representação, muitos poderão crer em Jesus Cristo por meio da mensagem dos apóstolos. Aqueles que demonstravam ódio contra Deus, que não podiam receber o Espírito Santo, agora são convencidos pelo Espírito de Deus para que sejam aproximados da Sua graça.

Em resumo, mundo refere-se a pessoas dentro de um sistema coordenado por Satanás, ao passo que nós não fazemos parte deste mundo, não nos associamos a ele, não participamos dos seus ideais, não nos deixamos sufocar por seus ideais. Nós somos enviados por Deus para estarmos entre essas pessoas como Seus representantes, como “luz”, como pessoas que vivem de modo digno do chamado que receberam, pessoas que vivem em conformidade com Deus, para que sejam testemunhas da Sua existência e da redenção que há em Jesus Cristo.

As grandes questões a serem consideradas são: “Como iremos viver piedosamente neste ambiente que é hostil? Como é que eu e você vamos ter nosso foco na devoção devida a Deus enquanto estamos neste mundo? Como vivermos conectados com Deus, desfrutando da Sua graça no dia-a-dia, enquanto estamos sendo, a todo tempo, chamados para a corrupção, sendo convidados a nos amoldar à forma deste mundo, que é tão atraente e tão destrutivo?”

2. Três Sugestões Para Vivermos Em Sua Presença

Eu gostaria de deixar três sugestões para que possamos estar neste mundo como representantes de Deus, sem nos associarmos à desgraça e à destruição que há nele, e sem participarmos da hostilidade que este mundo tem contra Deus.

1ª. Sugestão: Devemos aprender a experimentar solitude com Deus

O mundo em que vivemos é um mundo rápido e agitado. Se você tem tido chance, durante a semana, de pensar em fazer um devocional, talvez seu tempo seja tão escasso que o devocional fica para o fim do dia, quando você já está cansado e cheio de “coisas” na cabeça, sem condições para um tempo digno com Deus.

Esse mundo consome a nossa energia e a nossa disposição de estar diante de Deus. Se nós não aprendermos a gastar um tempo a sós com Deus, estaremos investindo em nosso fracasso espiritual. Talvez a sua vida seja um “tufão”, um “tornado” ou uma “tormenta”. Talvez você já não tenha mais tempo para nada, mas nós precisamos aprender a gastar tempo com Deus.

Charles Swindoll disse uma frase que me marcou muito nesses últimos dias em um livreto chamado “Intimidade com Deus”, que eu recomendo: “A transformação da alma acontece quando a serenidade toma o lugar da ansiedade”. Eu não sei qual é o melhor horário do seu dia para você desenvolver um tempo de intimidade com Deus. Para mim tem sido pela manhã, quando eu tenho todo o meu foco centrado em Deus, quando a mente ainda não está tão preocupada, quando a minha energia ainda está lá e eu posso descansar em Deus enquanto invisto em um tempo com Ele.

Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra (Salmo 46.10). Caia fora da agitação, pois Deus é mais alto do que os povos, mais alto do que a Terra, mais alto que o seu trabalho, mais alto que todas as suas dificuldades. O mais importante: se acalme, fique tranqüilo e reconheça que esse é o Deus que cuida da sua vida.

Tenha um tempo com Deus, quieto. Descanse no Senhor e aguarde por Ele com paciência; não se aborreça com o sucesso dos outros, nem com aqueles que maquinam o mal (Salmo 37.7). Não perca tempo da sua vida triste e chateado porque aquele “incompetente” do seu trabalho foi promovido e você não. Você pode ter sido deixado de lado por causa disso, mas descanse e aguarde por Ele! Não fique chateado, perdendo o seu tempo, porque pessoas de má índole ou mau caráter têm sido melhores do que você. Nós somos representantes desse Deus e devemos viver de modo digno. Devemos aprender a descansar nEle, porque Ele cuida de nós.

Podemos deixar a ansiedade de lado e desfrutar de tempo a sós com Deus. Nós não somos, nem um pouquinho, melhores que Cristo, eu tenho certeza disso, mas Ele mesmo tinha essa prática (Mc 1.35): De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa, foi para um lugar deserto e ficou orando. Se Jesus Cristo era quem era, Ele poderia dizer: “Eu e o Pai somos um, nós temos relacionamento, nós estamos em conexão”. Se Ele era quem era e fazia isso, porque nós achamos que não precisamos? Porque nós achamos que qualquer outra coisa é mais importante do que o tempo com Deus? Se deixamos de dedicar parte do nosso tempo diário para estarmos em intimidade com Deus, corremos o risco de fracassarmos espiritualmente, de mantermos a nossa mediocridade espiritual. Você pode até ter um bom comportamento, mas não tem relacionamento com Deus.

Falando sobre vida agitada, um grande amigo deu um conselho, que eu gostei tanto, para uma pessoa que estava ao meu lado, que quero registrá-lo aqui: “Se não aprendemos a dizer não a coisas boas, vamos deixar de desfrutar de coisas excelentes!”. Tem muita coisa boa acontecendo perto de nós. Se somos seduzidos é porque gostamos e se não aprendemos a dizer “não” para alguma dessas coisas, vamos acabar sem tempo para dedicar a Deus. Por isso, enquanto estamos neste mundo, não podemos deixar de viver um relacionamento com Deus, de intimidade com Ele. Por isso, devemos aprender a separar do nosso tempo para estar diante dEle em oração, em leitura das Escrituras, em leitura de algum material que nos leve à devoção a Deus.

2ª. Sugestão: Devemos aprender a depender do Espírito Santo

Isso é uma coisa bem difícil de explicar como se faz! Em um livro muito interessante, de um autor chamado Neil Anderson, encontrei a seguinte ilustração. Ele conta a história de um piloto que tinha saído para fazer um de seus primeiros vôos, quando se formou uma grande tempestade e ele perdeu completamente a visibilidade. Ele se lembrou, então, das aulas que tinha feito e dos instrumentos que tinha à sua frente, que poderia utilizar para chegar em segurança ao aeroporto mais próximo, porque talvez não desse para voar por muito mais tempo. Mas, além do manual e dos instrumentos que tinha, ele precisou fazer contato com a torre mais próxima. Ao fazer contato com a torre, ele se identificou, dizendo que era um piloto novato e que precisava de ajuda para aterrissar em segurança. A torre respondeu para ele ficar tranqüilo que iriam guiá-lo em segurança até o local de destino.

O autor conta que depender de outra pessoa é mais ou menos isso: enquanto estamos em uma vida de turbulência, enquanto estamos no meio da tempestade, enquanto estamos no meio da agitação da nossa vida nesse mundo, nós também temos os nossos instrumentos, nós também temos as nossas instruções. Mas, não precisamos fazer tudo isso sozinhos. Podemos confiar que Deus pode nos ajudar a passar por tudo isso. Nós precisamos aprender a depender do Espírito de Deus, porque Ele pode nos ajudar.

Veja o que as Escrituras nos dizem: Mas quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda verdade (Jo 16.13). Ele pode nos guiar naquilo que é certo, naquilo que é verdadeiro e pode nos guiar para mais próximo de Jesus Cristo. Quando Deus fez a promessa do Espírito Santo, Ele disse: Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne. Porei o meu Espírito em vocês e os levarei a agirem segundo os meus decretos e a obedecerem fielmente às minhas leis (Ez 36.27). Isso significa viver na dependência do Espírito Santo, no cultivo de proximidade com o Espírito Santo. Nós podemos ser conduzidos por Deus a andar de acordo com os decretos dEle, andar de acordo com Sua vontade, de modo fiel e obediente, pois temos que aprender a depender dEle. Pois se vocês viverem de acordo com a carne, morrerão, mas se pelo Espírito fizerem morrer os atos do corpo, viverão (Rm 8.13). Pelo Espírito, aprendemos a modificar os nossos desejos. A idéia de ser cheio do Espírito Santo significa também uma busca de esvaziar os nossos próprios desejos, de deixarmos de lado a nossa carne, porque eles estão em guerra.

Nós devemos fazer isso e aprender a viver pelo Espírito, porque assim de modo nenhum vamos satisfazer os desejos da carne. Se vivermos pelo Espírito, vamos poder desfrutar daquilo que o Espírito pode promover em nossa vida: amor, alegria, paz, tudo isso! Nós precisamos aprender a desenvolver intimidade com Deus na dependência do Espírito Santo.

3ª. Sugestão: Devemos aprender a renunciar aos nossos desejos

Se eu dependo do Espírito Santo, Ele não faz isso por mim? Sem dúvida, mas isso não isenta você de ser responsável pelas coisas que diz, nem de ser diligente naquilo que faz. É uma boa obra a “quatro mãos”. Uma música a quatro mãos é bem tocada quando as duas pessoas estão em sintonia. Se não estivermos em sintonia, estaremos tocando uma música completamente diferente daquela que é esperada.

C. S. Lewis escreveu um livro muito interessante chamado “Cartas do Inferno”. A idéia do livro é que um diabo mais experiente iria ensinar um diabo mais novo como trabalhar na vida de pessoas cristãs e não-cristãs.

Nessas cartas, ele deixa algumas sugestões. Vou citar uma delas, em que o diabo mais velho fala sobre o fato de que uma das pessoas que sofriam a sua atuação havia se convertido: “Não é necessário cairmos em desespero: contam-se às centenas esses convertidos em idade adulta que foram reconquistados depois de uma breve estadia nos arraiais do inimigo [entenda-se Deus] e agora se encontram conosco. Todos os hábitos da vítima, tanto os mentais quanto os fisiológicos ainda estão a nosso favor”.

Você sabe: deixados à vontade, os nossos desejos nos levam para longe de Deus. Devemos cultivar tempo com Ele e depender do Espírito Santo, mas também devemos aprender a mudar. Precisamos aprender a dizer “não” para nós mesmos; precisamos aprender a fazer morrer o que pertence à nossa natureza terrena e mundana. Precisamos ser diligentes, responsáveis e determinados. Talvez essa determinação aconteça na sua vida enquanto você esteja determinado a buscar a Deus, mas você também vai ter que determinar a dizer “não” aos maus pensamentos que invadem a sua mente, às oportunidades de pecado que aparecem diariamente em sua vida. Você vai ter que aprender a confiar no Senhor e não no seu próprio entendimento. A verdade é que a vida nesse mundo é complicada, dura, difícil, mas também é atraente e destrutiva. Temos que aprender a viver na presença de Deus todos os dias da nossa vida, em todas as oportunidades que tivermos, porque foi para isso que fomos resgatados e é assim que a eternidade será: todo o tempo com Deus.