Como podemos saber que Deus existe?


Desde os tempos mais antigos, os homens se perguntam sobre o seu Criador. Alguns dos mais antigos filósofos não apenas se perguntavam por Ele, como esperavam dele alguma manifestação. Esse é o caso de Sócrates, que perto do fim de sua vida atestou:

Aguardamos com paciência até que tenhamos certeza do conhecimento do como devemos nos portar para com Deus e para com o homem. Aguardemos alguém, seja Deus, ou alguém inspirado, que nos instrua sobre os nossos deveres e que afastemos as trevas dos nossos olhos[1]

De alguma forma esse pensador foi capaz de perceber aquilo que aprendemos com Salomão sobre nossa natureza: Existe nela um defeito que não pode ser reparado sozinho de tal forma que precisamos que alguém nos ensine nossos deveres para com nosso Criador.

A verdade é que de alguma forma sabemos que precisamos de Deus e que apenas Ele pode nos auxiliar a resolver esse defeito básico da nossa existência. Mas, como podemos estar certos de que Deus existe e que Ele se importa conosco?

Para responder essas perguntas, pessoas diferentes têm usado métodos diferentes e diversas respostas para essas perguntas são dadas. Em nossa reflexão vamos buscar a resposta para essa pergunta em evidências lógicas e morais.

1. Evidências Lógicas

Se pudéssemos investir boa parte do nosso tempo em observar o universo, seu funcionamento, diversidade, beleza que conclusões poderíamos auferir? Como essa observação poderia nos auxiliar em nossa busca por Deus? O que essa observação nos ensinaria? Para responder a essas perguntas, vamos observar três pensadores do passado e o que suas observações os ensinaram.

a. Todo relógio tem um relojoeiro

William Paley (1743-1805) nasceu em Peterborough em Julho de 1743 na Inglaterra. Estudou na Giggleswick School e em Cambridge. Graduou-se em 1763 nessa mesma escola e em 1768 iniciou sua carreira nela lecionando sobre Filosofia Moral. Escreveu diversos livros, incluindo uma edição anotada do Novo Testamento, mas é certamente mais conhecido por suas obras Princípios da Moral e Filosofia da Política.

Entretanto, sua mais notável obra certamente foi o livro Teologia Natural no qual apresentou suas observações sobre o mundo em sua funcionalidade e a necessidade de se reconhecer um Criador para o mesmo.

Charles Darwin em sua autobiografia nos conta que para alcançar seu Bacharel na universidade teve que ler alguns dos livros de Paley. Sobre o livro Teologia Natural e Evidências do Cristianismo, Darwin disse o seguinte:

“O estudo cuidadoso destas obras, sem tentar aprender qualquer parte por hábito, foi a única parte do curso acadêmico que, como eu senti e como eu ainda acredito, foi de pouco valor na educação da minha mente. Na ocasião eu não tive problemas com as argumentações de Paley, e posso garantir que fiquei encantado e convencido da longa linha de argumentação.”

É bem sabido que Darwin não era favorável às opiniões de Paley, mas poderia perceber a lógica com que foi escrito e reconhecer seu valor como obra literária. No livro Teologia Natural, Paley defendeu que o universo não poderia ser obra do acaso. Para ilustrar sua opinião ele contou a analogia do relojoeiro, observe:

Ao atravessar um pântano suponha que eu chutasse uma pedra e perguntasse como a pedra chegou até ali; eu poderia responder que ela sempre esteve ali (…) [mas] suponha que eu encontrasse um relógio no chão, e tivesse que explicar como o relógio apareceu ali; dificilmente pensaria em responder que o relógio sempre esteve ali

Paley inicia sua analogia por demonstrar que existem determinados objetos que não podemos imaginar que simplesmente existissem, mas deveriam ter sido criados, como por exemplo um relógio. No exemplo que nos conta, ninguém ousaria dizer que um relógio sempre esteve em um pântano, pois sabemos que um relógio sempre tem um dono.

Mas, ao ampliar sua analogia, ele defendeu algo ainda mais interessante: Ele compara a funcionalidade de um relógio com o universo e conclui o seguinte:

“O mundo intriga-me. Não posso imaginar que este relógio exista e não haja relojoeiro

Segundo Paley, um relógio não pode existir por si mesmo, pois demonstra em sua funcionalidade evidências de que alguém o projetou. Esse era o ponto de Paley: A complexa funcionalidade do universo exige a existência de um Criador.

Nós poderíamos estender a analogia e considerar os efeitos naturais do tempo e das condições climáticas em modelar pedras. Veja por exemplo o caso de pedras em riacho que são extremamente lisas. Ao observá-las alguém poderia dizer que parecem ter sido lapidadas por um hábil artesão com ferramentas adequadas. Contudo, sabe-se que nenhuma delas teria passado por um artesão ou esmeril, apenas que com muito tempo disponível e condições acertadas as pedras poderiam ter chegado àquele estado naturalmente.

Assim, alguém poderia dizer que a natureza é capaz de produzir pedras arredondadas e lisas do mesmo modo que um artesão, tudo o que seria necessário são condições ideais e tempo.

Contudo, ninguém chegaria a essa conclusão ao observar o Monte Rushmore de 2.034 metros de altura em Black Hills, Dakota do Sul. Segundo nos conta a história, Gutzon Borglum teve a brilhante idéia de esculpir essas faces em rochas graníticas em um trabalho que durou cerca de 15 anos. Apesar de ser apenas pedra, não existem condições ideais e tempo suficiente para uma obra como essa ser feita ao acaso. Ou seja, a beleza e complexidade da obra exigem que um autor esteja por trás de sua produção.

Esse é o ponto de Paley: Do mesmo modo que um relógio pressupõe um relojoeiro, o universo pressupõe um Criador.

b. Toda inteligência testemunha outra

Você provavelmente já ouviu falar em Garry Kasparov, considerado o maior jogador de xadrez de todos os tempos. Foi o Campeão Mundial de xadrez mais novo de todos os tempo sem 1985, e o ocupou a vaga de campeão da categoria até 2000, quando foi derrotado por Vladimir Kramnik.

Entretanto, Kasparov é também conhecido por ser o primeiro campeão de xadrez do mundo a perder uma partida para um computador. Em 1996 a IBM lançou um computador com um programa de xadrez conhecido como Deep Blue, que após ajustes no ano seguinte, venceu Kasparov, tornando-se o primeiro computador a vencer um campeão mundial de xadrez sob regras normais de tempo.

Ao ouvir notícias como essas você certamente se pergunta: Como é possível existir um computador tão inteligente? Responder essa pergunta não é nada difícil: Basta montar uma equipe de profissionais altamente capacitados em diversas áreas e eles serão capazes de realizar um computador com um programa como esse.

Isso evidencia um fato muito interessante: Toda inteligência testemunha outra inteligência. Ninguém poderia observar esse computador com programa super inteligente para jogar xadrez e imaginar que ele foi capaz de chegar àquele estágio por acaso. Certamente a inteligência artificial desse programa testemunha a inteligência dos seus criadores. Tomás de Aquino (1225-1274) foi um desses homens que passou a pensar no assunto quando observava a capacidade intelectual dos homens. Aquino nasceu em uma família rica em Roccasecca em Nápolis, Itália. Desde cedo estudou em mosteiros e em função de sua capacidade intelectual, chegou a ser conhecido como o mais sábio dos santos.

Aquino tornou-se reconhecido ao defender que Deus poderia ser percebido a partir daquilo que existe, por considerá-lo como o princípio e o fim de todas as coisas. Essa argumentação faz parte do seu livro Summa Teológica, que é o material referência de Aquino.

Nesse livro Aquino defendeu cinco vias de demonstração da existência de Deus e o mais conhecido desses ficou popularmente conhecido como a Lei da Causalidade, o a relação da causa e efeito[2].

A idéia desse argumento é que nada que existe tem causa (origem) suficiente em si mesmo, pois isso não é possível. Considere, por exemplo, um tijolo. Sabemos que ele existe e tem uma função. Mas, não podemos dizer que ele foi feito por ele mesmo, pois deveria ser anterior e maior do que ele mesmo. Portanto, esse tijolo testemunha ter sido produzido por uma pessoa, por uma razão específica e com objetivo específico.

Entretanto, Aquino percebe que existem coisas que são mais interessantes e complexas do que outras, como no caso o homem e sua inteligência. Quando encontra coisas criadas que tem maior lugar do que sua causa, deve-se recorrer a ele para conhecer sua causa[3].

Para Tomas de Aquino era “necessário que haja uma causa primeira que por ninguém tenha sido causada, pois a todo efeito é atribuída uma causa, do contrário não haveria nenhum efeito pois cada causa pediria uma outra numa seqüência infinita e não se chegaria ao efeito atual. Logo é necessário afirmar uma Causa eficiente Primeira que não tenha sido causada por ninguém. Esta Causa todos chamam Deus[4]”.

c. Há luz suficiente para quem quer ver

O último exemplo de pensador antigo que vamos conhecer é Blaise Pascal (1623-16262), que é largamente reconhecido na área da matemática. Pascal nasceu em Clermont-Ferrand em Junho de 1623 e desde cedo fascinou-se com os estranhos livros de matemática e física. Não à toa, em função dos seus estudos, dois novos ramos da matemática foram criados: a Geometria Projetiva e a Teoria das Probalidades.

Aos 16 anos já havia formulado o conhecido Teorema de Pascal, com 19 a primeira calculadora mecânica do mundo. Graças aos seus investimentos em conhecimento da hidráulica, Pascal ficou conhecido como o autor do Princípio de Pascal, princípio de funcionamento do Macaco Hidraulico. Em função disso, é homenageado na Mecânica com a unidade de tensão mecânica (pressão) Pascal.

De intelecto invejável e frágil saúde, Pascal não teve uma vida muito extensa, mas certamente marcante. Escreveu diversos livros e perto do fim da sua vida dedicou-se a estudar filosofia, mas ficou realmente conhecido mais publicamente em função do seu livro Pensamentos. Nessa obra, Pascal estabelece uns dos princípios fundamentais para o reconhecimento da existência de Deus:

Há luz suficiente para quem quer ver e trevas suficientes para quem não quer ver”

Essa declaração de Pascal nos ensina que, como já observamos, existem evidências disponíveis que testemunham a existência de um criador, mas o que é determinante em primeira causa é a vontade: Se existe rejeição à existência desse Deus, existem trevas suficientes para quem não quer ver. Por outro lado, aqueles que estão realmente interessados em conhecer esse Deus, há luz suficiente para encontrá-lo.

2. Evidências Morais

O que observamos em nossa reflexão sobre o universo e as coisas que existem nos levam a pensar em um Criador, como Salomão havia nos recomendado em sua abordagem sobre a fragilidade da vida. Se essas observações estão corretas existe um Deus que é capaz de produzir o universo e criar o homem.

Se um tijolo testemunha alguém hábil em produzi-lo, um relógio alguém organizado e o Deep Blue alguém inteligente, o que podemos dizer daquele que Criou o Universo e o Homem?

Certamente podemos dizer que ele é maior e mais inteligente que ambos, o Universo e o Homem. Entretanto, essas formas não são as únicas que testemunham sobre a existência de Deus: há também o conceito da moralidade.

Não é interessante que historicamente a humanidade estabeleceu valores para o certo e o errado, e que muitos desses valores são similares e outros comuns a todas as culturas conhecidas. Pense por um momento no seguinte questão: Você conhece alguma cultura que aprova o roubo?

Em uma resposta rápida, você poderia citar algumas sociedades que estimulam o roubo e o vandalismo, como ouvimos falar de algumas organizações criminosas. Entretanto, nenhum de nós se atreveria a roubá-los, pois temos certeza que eles não tolerariam serem roubados.

Pense no caso do adultério por um momento. Você provavelmente já ouviu de pessoas que dão suas “escapadas” no casamento, mas certamente não conhece alguém que aprove que seu cônjuge faça o mesmo. Uma coisa é realizar um ato que se conhece como ruim, outra coisa é sofrer com ele.

Quando olhamos para essa realidade passamos a realizar algumas perguntas: Quem definiu que roubo é uma coisa ruim? Ou que disse que adulterar é algo deve-se fazer às escuras? De onde vem essa idéia de que algumas ações são boas e ruins?

Norman Geisler (1932-), um autor norte-americano, ofereceu seguinte exemplo para ilustrar essa questão, usando outra imagem:

Considere os dois mapas da Escócia na figura [acima]. Qual dos dois é melhor? De que maneira você poderia dizer qual mapa é melhor? A única maneira de dizer é verificando como a Escócia é real. Em outras palavras, você precisaria comparar os dois mapas com um lugar real e imutável chamado Escócia. Se a Escócia não existe, então os mapas não fazem sentido[5].

A idéia de Geisler é que não poderíamos exercer um julgamento para dizer se uma coisa é boa ou ruim sem ter um paralelo para definir o que é bom. Por exemplo, quando fazemos a pergunta: Quem foi melhor ser humano Madre Teresa ou Hitler? A resposta a essa pergunta repousa no padrão que for usado para avaliar. Quem pode dizer que a Madre Teresa foi melhor se não temos critérios para avaliá-los.

Mas, a questão importante é: Quem definiu os critérios de bondade ou Maldade? De onde vem o conceito de que ajudar outras pessoas é um ato nobre? Ou que assassinar é um ato ruim? A resposta a essa pergunta repousa em uma expressão pouco conhecida, chamada Lei Moral. Existe uma lei que nos ensina a moralidade e que tal lei é disponível para todos os seres humanos.

Deixe-me ilustrar esse fato com uma sociedade pouco conhecida: os Yanomamis. Bruce Albert, sobre os Yanomamis diz:

“Os Yanomami formam uma sociedade de caçadores-agricultores da floresta tropical do Norte da Amazônia cujo contato com a sociedade nacional é, na maior parte do seu território, relativamente recente. Seu território cobre, aproximadamente, 192.000 km², situados em ambos os lados da fronteira Brasil-Venezuela na região do interflúvio Orinoco – Amazonas (afluentes da margem direita do rio Branco e esquerda do rio Negro). Constituem um conjunto cultural e lingüístico composto de, pelo menos, quatro subgrupos adjacentes que falam línguas da mesma família (Yanomae, Yanõmami, Sanima e Ninam). A população total dos Yanomami, no Brasil e na Venezuela, era estimada em cerca de 26.000 pessoas no ano de 1999[6]

Os Yanomamis formam pequenas aldeias na mata e vivem em uma sociedade com seus regimentos, práticas sociais e trabalhos coordenado por sua visão de vida. De modo interessante eles estabelecem relacionamentos de modo similar aos que nós realizamos. Aquele ajuntamento que chamamos casamento, acontece nos moldes daquela cultura e de alguma forma são similares ao nosso.

Mas, diferente do que se conhece por casamento, os Yanomamis estabelecem que a mulher tem direitos sexuais dos irmão do seu marido do mesmo modo que o homem tem direitos sexuais sobre as irmãos da esposa. Contudo, esse direito sexual só é levado à efeito na ausência do cônjuge. Ou seja, quando o marido sai para caçar é que a mulher se dá ao privilégio de sair com seu cunhado. O mesmo acontece com a ausência da mulher.

O problema acontece quando aquele que foi “traído” descobre o que aconteceu em sua ausência. Tudo o que ele espera é a próxima festa da comunidade, quando irá beber em grande quantidade uma bebida fermentada à base de banana, e aproveitar para brigar com aquele com quem seu cônjuge o traiu e atribuir a culpa à embriaguês.

Ao observar esse tipo de comportamento, nos perguntamos: Como pode o exercício de um direito social ser considerado digno de retribuição? A resposta é simples: Por mais que possam admitir, tolerar a constituição familiar com essas liberdades relacionais, eles não podem tolerar o fato de que foram traídos. Quem você conhece que gosta de ser traído em qualquer tipo de relacionamento? Ninguém, nem os Yanomamis na mata.

 

a. Conceito de Lei

A idéia de que existe uma Lei Moral que governa a humanidade é testemunhada sem qualquer problema por qualquer ser humano, mesmo aqueles que não acreditam que ela existe. Conta-se a história de um aluno que escreveu um excelente trabalho sobre a inexistência de valores morais e o entregou em uma bela capa azul ao professor. Quando recebeu seu trabalho corrigido encontrou sua nota com o seguinte comentário: “Zero, não gosto de capaz azuis”.

Cheio de raiva foi argumentar com o professor sobre a injustiça de sua nota, pois não havia justificativa para se atribuir a nota de um trabalho baseado na capa. Ao ouvir isso o professor lhe perguntou se o trabalho dele era o que defendia que não existiam valores morais absolutos. O aluno logo respondeu que sim. Então o professor confirmou: Não gosto de capas azuis, sua nota é zero. De repente o aluno percebeu que por mais que pudesse escrever um belo trabalho sobre a moralidade não existir, ele não apenas acreditava em sua existência mas a defendia quando era o interessado[7]. Na prática, todos nós acreditamos na justiça e isso testemunha a favor da existência de uma Lei Moral que nos auxilia a compreender o que é certo e o que é errado.

Aliás, é digno de nota que a própria definição de Lei sugere isso. Em grego o termo que descreve a palavra Lei é Nomós, que significa conjunto de instruções; Princípio de conduta de um governo; Sistema Legal. O termo grego nomós é derivado de um outro termo grego interessante: Nemö.  No Grego clássico é comumente utilizado no sentido de atribuição (distribuir, dispensar) e por isso é possível, então, que a origem do Conceito de Nomos esteja relacionado com algo que é atribuído por alguém.

Em latim, um fenômeno similar acontece, pois a origem da palavra Lei provém da palavra Lex:, que deriva do termo grego Lego, como algo que foi dito por alguém. Ou seja, não importa qual é o paralelo que se use, o conceito de Lei sugere que é algo estabelecido por alguém.

Mas, como sabemos que essa lei se manifesta?

b. Manifestação dessa Lei

Se você é em alguma coisa parecido comigo já deve ter passado por uma situação de conflito entre realizar e não realizar alguma coisa. Quando criança tive a experiência de querer muito um chiclete em uma venda que não poderia comprar. Lembro-me de na ocasião, ficar pensativo se deveria roubá-lo ou não. Minhas mãos suavam, minhas pernas pareciam não conseguir sustentar o meu peso, mas o mais difícil era a argumentação que acontecia em minha mente: Faço ou não faço?

É interessante notar essa luta interna para tomar uma decisão que consideramos equivocada. A essa faculdade intelectual chamamos consciência e entendemos que sua função é nos auxiliar a distinguir o que é certo e o que e errado. Em um livro muito interessante, Paulo de Tarso faz a seguinte declaração sobre o assunto:

De fato, quando os gentios, que não têm a Lei, praticam naturalmente o que ela ordena, tornam-se lei para si mesmos, embora não possuam a Lei; pois mostram que as exigências da Lei estão gravadas em seu coração. Disso dão testemunho também a sua consciência e os pensamentos deles, ora acusando-os, ora defendendo-os[8]

Para mim é impressionante que um homem que viveu a tanto tempo pudesse demonstrar com tanta clareza uma verdade tão forte para mim. Observe que ele fala de pessoas que não conhecem a Lei, mas praticam naturalmente o que ela ordena. Para Paulo isso é uma evidência de que a Lei Moral de Deus está gravada no coração do homem.

Ou seja, essa nossa percepção do que é certo e errado é como uma impressão digital de Deus em nosso coração. Mas, me é interessante que Paulo também diz que essa Lei Gravada no coração é testemunhada por nossa consciência e por nossos pensamentos. Nosso coração, como cede da intelectualidade, vontade e emoção também nos auxilia a compreender o que Deus considera acertado.

3. Então, quem é esse Deus?

Diante do que temos aprendido até aqui, o que essas percepções nos falam sobre Deus?

  • Elas nos falam que em primeiro lugar o esse Deus, como criador, é inteligente e organizado. Entendemos que do mesmo modo que nossas criações testemunham a nosso respeito o Universo testemunha sobre quem Deus é, e certamente Ele é maior e anterior a Ele.
  • Também aprendemos que esse Deus é mais inteligente do que nós mesmos, pois apenas um Ser Supremamente inteligente seria capaz de Criar com tanta diversidade e inteligência seres humanos tão capazes.
  • Com isso percebemos que esse Deus é poderoso, pois pode criar todas as coisas. Também percebemos que Ele é criativo, pois demonstra em sua criação diversas características de sua habilidade artística.
  • Também aprendemos que Deus quer fazer-se conhecido, pois deixou diversas evidências para ser conhecido, mas que tudo isso depende da minha vontade em conhecê-lo, pois sabemos que existem trevas suficientes para aqueles que não o querem conhecer.
  • Também concluímos que esse Criador tem uma moral mais elevada que a nossa, pois a pode definir a Lei Moral que organiza a vida dos seres humanos.

[1] Não é interessante notar que ele considera esse defeito como trevas dos olhos?!

[2] Aquino defendeu esse argumento em diversos pontos de vista diferentes e conhecidos em português como o argumento da Concatenação das Causas, ou Causa Primeira/Eficiente.

[3] AQUINO, Tomás de. Summa Teológica. São Paulo: Loyola, 1998, p.164

[4] Wikipedia, Existência de Deus, em 08 de Janeiro de 2010.

[5] Norman Geisler e Frank Turek, Não tenho fé suficiente para ser ateu. Editora Vida:São Paulo, pp.183

[6] Bruce Albert, Yanomamis.

[7] Exemplo adaptado do livro “Não tenho fé suficiente para ser ateu”, Norman Geisler e Frank Turek.

[8] Romanos 2.14-15