Nossa Igreja Brasileira – Uma Análise (2/4)


A visão do Autor sobre o Estado atual da Igreja

Embora a seção que trate particularmente do assunto seja a menor parte do todo, é a que mais me chama a atenção, em função da sua atualidade e assertividade. Em muitas outras palavras, Ariovaldo Ramos (AR) sugere ao menos três pontos que me intrigam a reflexão, conforme demonstro abaixo:

1. Como se define o “evangelicalismo” brasileiro dos nossos dias?

Na opinião de AR, a igreja atual deve muito a seus fundadores do passado, em função do trabalho realizado para que hoje a igreja pudesse existir:

Devemos muito aos missionários que vieram evangelizar-nos assim como à geração que os sucedeu, constituída de homens e mulheres de oração, cuja semeadura propiciou a colheita que hoje experimentamos. (pp.19)

A visão do autor sobre  a atual situação do evangelicalismo apresenta basicamente três características fundamentais: (1) A ascensão de maus pastores; (2) A deturpação do Evangelho; (3) Deturpação da essência do cristianismo.

i.  A ascensão de maus pastores

Nossa geração está sendo caracterizada pela ascensão de maus pastores que, a partir de uma colheita que de fato, tem a ver com a qualidade de semeadura dos pioneiros, tem praticado o despotismo e o tráfico de influências, entre outras coisas. (pp.19).

AR alerta para as terríveis práticas dos maus pastores, entre elas, a venda das ovelhas a políticos, que ele considera com a venda que, independente do preço é sempre de 30 moedas; a facilitação do evangelho; “a troca da humildade do cordeiro pela glória do lobo”; entre outras acusações completamente pertinentes a verdade.

É fato que o evangelicalismo é marcado pelo exercício do poder irracional sobre pessoas sem condições de combater tal domínio, que está em desacordo com a escritura (1Pe.5.1-3). Esse poder somado ao mau caráter de muitos dos líderes “cristãos” que coordenam o evangelicalismo tornam a fé evangélica um caos digno de rejeição. Não é à toa que muitos rejeitam a Deus e a Sua Igreja (aquela verdadeira) em função das trabalhadas dos Didi`s e Dedés que se colocam com Césares sobre os laicos bobos de suas cortes, sem se dar ao luxo de lembrar que tais trapalhadas escoem diariamente dos malfadados programas televisivos que coordenam. Não é à toa que ter o título de “Pastor” hoje é quase a mesma coisa que ser ladrão ou mau caráter. Não é à toa que muitos dos cristãos verdadeiros tem crises reais de identidade, pois se entendem Evangélicos, como seguidores de Cristo e proclamadores do Evangelho, mas não se conformam em ser associados com o evangelicalismo dos nossos dias. Não é à toa, que muitos líderes buscam novas nomenclatura para suas funções pastorais, pois “Pastor”, como se entende após os “Pedir Maiscedos” da TV, tornam insuportável a associação com essas víboras.

Não raras vezes enfrento a raiva e indignação de pessoas contra minha “profissão”. Certa vez conversando com um casal, que havia conhecido a pouco tempo e com quem estava iniciando uma conversa evangelística (que leva as Boas Novas de Deus em Cristo), fui questionado sobre o que fazia. Lamentavelmente tive que dizer ser Pastor. Transtornado, aquele homem derrubou sobre a mesa que comíamos, um ódio quase-sem-fim contra a minha pessoa e minha péssima contribuição para a sociedade. Infelizmente, tudo o que ele dizia era plenamente compatível com o que se entende por Pastor Evangélico: Víboras hipócritas, usurpadores famintos por poder e glória; falsos profetas, anticristos, no melhor sentido dos dois termos. AR está certo, maus pastores contaminaram o cenário da Igreja de Cristo, e com seu evangelicalismo deturpam a fé e destroem a verdade, sem contar no assassinado da verdadeira função espiritual do pastor, aquele ordenado e vocacionado pelo próprio Deus (Ef.4.10-14).

AR também chama a atenção o fato de que na “Nossa Igreja Brasileira” vemos o surgimento do Baixo clero, que funciona à serviço dos Semideuses do Olimpo. Esses, do Baixo Clero, são considerados por AR como os carregadores de piano que vivem para atender os caprichos de seus líderes. São homens considerados de segunda estirpe,cuja função é ralar enquanto os Semideuses levam os louros e a glória. Tal postura certamente contraria as Escrituras em sua descrição do papel do líder e queima o filme daqueles que as levam a sério.

ii. Deturpação do Evangelho

“Ser evangélico, pelo menos no Brasil, não significa mais ser praticante e pregador do Evangelho (boas-novas) de Jesus Cristo, mas, a condição de membro de um segmento do Cristianismo com cada vez menor relacionamento histórico com a Reforma Protestante – o segmento mais complicado, controverso, dividido e contraditório do Cristianismo” (pp.21).

AR parece educado ao falar sobre o assunto. Pessoalmente acredito que o defeito principal não é falto do relacionamento histórico com a Reforma, mas do relacionamento pessoal com Cristo. Atualmente o evangelicalismo é decadente por rejeitar diversas (se não quase todas) as premissas fundamentais de Cristo. Cristianismo sem vida pessoal com Cristo é pura religiosidade, e é isso o que testemunhamos em nossos dias. Muitos são os que se dizem evangélicos, poucos são aqueles que buscam viver de acordo com ele. Muitos se definem cristãos, mas são poucos os que de fato buscam levar uma vida com Cristo.

A verdade sobre o decadente evangelicalismo é que ele deturpou por completo o sentido das palavras fundamentais do Evangelho. Não existe mais Graça Divina, apenas desgraça de vida. Tudo é para aqui e agora. Tudo é pra já. A Igreja tornou-se um grande Microondas de atividade do deus deles, que basta entrar, dar umas voltinhas por dentro e estar pronto para ser feliz. Não há mais identidade com Cristo, quanto mais autonegação e a aceitação de carregar cada um sua própria cruz. [d]eus é que se vire para resolver meus problemas, eu sou herdeiro do rei e devo ser tratado como tal.

Não existem mais servos de Cristo (Rm.1.1), são todos Senhores de Deus. Eles mandam, ordenam o pobre coitado do “Santa Claus” (o deus deles) que imaginam existir para satisfazer seus mais tolos desejos. Eles se consideram como donos da verdade e cheios de soberba e hipocrisia se entendem como melhores do que os outros que sem fé não obtém privilégios nessa vida.

Não existem mais filhos obedientes, que demonstram sua salvação por meio da obediência (1Jo.2.3). Na verdade, são filhos mimados de um [p]ai sem amor e capacidade de disciplina, que aceita a birra gospel dos seus filhos [que devem ser bastardos], como se fosse uma babá toda-incapaz de realizar sua vontade que está a serviço de donos irracionais.

É tão diverso o modo como os tais evangelicalistas deturpam o evangelho que gosto amargo da ira repousa sobre a língua daqueles que abominam tais práticas. Imagino ainda, ser justa tal ira, pois esses que assim deturpam a fé da Ira de Deus são merecedores.

Não é à toa que AR afirma:

Não quero mais ser Evangélico! Quero voltar para Jesus Cristo, para a Boa Notícia que Ele é, e ensinou. (…) Chega dessa diabose! Voltemos à Graça, à centralidade da cruz, onde tudo foi consumado. (pp.21)

Se ser evangélico significa ser enquadrado nessa degradante cena de destruição da graça e deturpação do Evangelho, também não quero mais ser evangélico. Nesse quesito, partilho do mesmo sentimento que AR, e tenho convicção que, por melhor que o termo Evangélico seja para descrever os Cristãos, nos atuais moldes, é bem provável que nem o próprio Cristo está satisfeito com ele.

iii. Deturpação da Essência

AR também atesta que o evangelicalismo também conseguiu destruir a essência do Cristianismo e acabou por torná-lo uma espécie mal sucedida de religiosidade degradante focada no homem, para glória de alguns homens, com o objetivo final de ter o que não se pode comprar, sem precisar ser o que o Senhor esperar.

AR estabelece várias questões relevantes para se refletir, observe:

Para que os títulos: pastor, reverendo, bispo, apóstolo (…) para  que o clericalismo? (…) para que templos (…)para que pressão para crescimento? (pp.22-23).

Não que os títulos estejam equivocados em si mesmo, pois a própria escritura assim as usa. A questão de AR é que tal nomenclatura tem retirado das pessoas o sentimento de participação no sacerdócio de Cristo. O clericalismo tem usurpado dos cristãos (e há verdadeiros cristãos nesse angu de desgraça) a possibilidade do servir uns aos outros, do louvor e a adoração em espírito e em verdade.

Os locais de reunião não são os problemas em si, na verdade, a igreja sempre precisou de lugar para se reunir. Começou de casa em casa, passou pelas catacumbas e esconderijos durante as perseguições, mas veio a ficar em um local fixo, que AR (como muitos outros) chama de templo. Mas, é interessante como perde-se tempo e dinheiro para se investir no que não é essencial. Com o dinheiro investido em alguns templos, seria possível manter missionários no campo por anos. Mas, a necessidade de se ter um local que supra as necessidades de seus líderes, que ofereça conforto e seja digno de fotografia, enquanto Deus exige de nós o serviço mútuo em favor do corpo para que a Noiva de Cristo, que é sua igreja, possa estar sem ruga ou mácula.

Para que crescer, se, nos moldes atuais, só temos visto o desenvolvimento da mentira, da maldade, do poder centralizado no homem, no descaso com a graça? Compartilho com AR os seguintes sentimentos:

Chega dos Herodianos que vivem a namorar o poder e a vender as ovelhas ao sistema corrupto e ao corruptor! (…) Chega do corporativismo, onde todo mundo sabe o que acontece, mas ninguém faz nada! (…) Não quer mais ser evangélico, como o é entendido hoje nesse país! Quero ser só cristão. Um cristão integral, segundo a Reforma e os Pais da Igreja. Adorando ao Pai, em espírito e em verdade, comungando, em busca da prática da unidade do novo homem, criado por Cristo à Sua Imagem (Ef.2.15) e praticando a missão integral (pp.23)

2. Como ele chegou nessa situação?

A grande pergunta de AR é como o Evangelho se tornou esse evangelicalismo de segunda dos nossos dias. Em sua opinião não existem pessoas em condições de responder a esse questionamento, entretanto ele, ainda assim, tem suas teses.

i. Desenvolvimento da Teologia da Libertação

A Teologia da Libertação é o movimento teológico que defende a primazia do alcance aos pobres como cumprimento da missão da Igreja. Nasceu com influência do Evangelho Social, mas diferente deste, visava a libertação dos desafortunados do seu estado desafortunado. De alguma forma, é uma reação ao capitalismo selvagem, na qual, se ultrapassa o sentido cristão de missão e torna a ação da igreja no envolvimento político-social na construção de uma sociedade mais adequada.

Nesse quesito o Brasil teve grandes pensadores, como Rubens Alves, Leonardo Boff, Frei Beto. O mais interessante desse movimento teológico é que foi iniciado por protestantes mais foi muito bem absorvido pelos Católicos que acabaram por se tornar reconhecidos por tal teologia.

ii. Desenvolvimento da Teologia da Missão Integral

À semelhança com a Teologia da Libertação, a Teologia da Missão integral defende um Deus que se importa com os infortúnios dos pobres e que pode promover libertação. Entretanto, de modo distinto da Teologia da Libertação, a Teologia da Missão Integral defende o evangelho todo para todo homem e o todo do homem, ou seja, “a missão da igreja leva em conta a pessoa na sua totalidade, bem como o contexto na qual a pessoa vive” (pp.25).

O ideal fundamental é que o evangelho deve ser levado como um todo, e com isso se entende, com suporte social adequado. A ênfase não é reforma da sociedade em si ou apenas, mas a reforma da sociedade, por intermédio da ação social e evangelística da Igreja.

iii. Desenvolvimento da Teologia da Prosperidade

Aproximadamente no mesmo período em que as outras Teologias se desenvolviam, a Teologia da Prosperidade era iniciada nos EUA por Kenneth Hagin. A Teologia da Prosperidade prega a felicidade, saúde, riqueza aos cristãos, como um Baú da Felicidade Gospel, só que ao invés de você comprar um carnê e pagá-lo em uma lotérica, você paga o dízimo.

Essa visão extremamente capitalista da religião é completamente antagônica as anteriores. Nas anteriores a ênfase era a necessidade da sociedade, e com algum desvio de propósito primário, elas dirigiam os fiéis na prática das boas ações. Nessa o ego é o centro do universo e cada umbigo um novo deus. Essa religiosidade egoísta é fundamentalmente oposta a Cristo e sua palavra.

Entretanto, essa não é a pior de suas vicissitudes, mas a questão da autoridade. A Teologia da Prosperidade veio impulsionada por líderes “ungidos pelo Senhor com títulos cada vez mais mirabolantes. AR fala que eles se fazem como uma espécie de “remake” dos apóstolos. Aliás, alguns deles assim se intitulam.  Outros, mais humildes, optam por bispos e em breve, por falta de títulos humanos, veremos serafins e arcanjos dominando a Igreja. São homens que sabem vender a prosperidade por que são os únicos que realmente ganham alguma coisa no processo. São poderosos e carismáticos e com isso acabam por dominar suas ovelhas e enredá-las em um sem-fim túnel de fé materialista, centrada no homem, focada na terra e nas coisas do mundo, como um guru espiritual, um “spiritual trainer” da ganância gospel.

Veja as opiniões de AR sobre tal teologia:

De onde foi tirada essa idéia maluca de que todos nós, cristãos, temos de ser prósperos, ricos, milionários, se a própria Bíblia dia que os maus desejos, a vontade de ter o que agrada os olhos e o orgulhos pelas coisas da vida vem do mundo e que se alguém ama o mundo não ama a Deus (1Jo.2.15)? (…) De onde saiu essa idéia de prosperidade? Como é possívela um cristão colocar seu coração em prosperidade em meio a uma sociedade enferma, explorada, que produz miseráveis? Essa prosperidade está mesmo é funcionando para os líderes, eles sim, estão cada vez mais ricos (pp.37)

iv. A chegada dessas Teologias ao Brasil

A chegada dessas Teologias ao Brasil, à primeira vista gerou alguns benefícios, e AR menciona o engajamento dos jovens em movimentos cristãos de ponta, como ABU, Jovens da Verdade, Vencedores por Cristo entre outros. Esses abraçaram em parte a Teologia da Missão integral e estavam prontos para impactar a sociedade brasileira com uma proposta nacional e uma liderança tupiniquim. Muitos dos adeptos da Teologia da Libertação, acabaram por migrar para esse segmento jovem e influente de modo que não se ouviu muitas repercussões de sua influência em solo nacional.

Entretanto, a chegada da Teologia da Prosperidade em meados dos anos 80, e como o cenário mundial era propício para a aceitação dos ideais capitalistas, em rejeição aos comunistas (visto com maior força nos modelos teológicos anteriores), a igreja se viu, aos poucos, tomadas por uma proposta de vida repleta de dinheiro sem culpa e escrúpulos. AR, sobre isso, fala:

Optaram pela tal Teologia da Prosperidade que convertia brasileiros a um deus que lhes propunha a riqueza sem culpa, e que recebia o seu dinheiro sem escrúpulos. A década de 90 viu esse segmento tomar de assalto a mídia, pela aquisição de redes de TV e de rádio, e atropelar os demais segmentos evangélicos como um trator, cujo condutor não reconhece nada em sua frente. (pp.27)

Essa opção foi fortemente recebida em guetos pentecostais do passado, e com a ascensão de líderes despreparados, sem estudo teológico, visão ministerial ou qualquer apreço às escrituras, e acabou por produzir o que tem sido denominado neopentecostalismo. Esse segmento é o que define o conceito de “evangélico” em nossos dias, muito embora eles que não defendam o Evangelho de Cristo em quase nada do que pregam, ensinam ou proclamam.

Como se não bastasse toda essa desgraça, esse segmento associou-se à Teologia da Batalha Espiritual. Nessa teologia, o Diabo é o Arquiinimigo de Deus, de tal modo que qualquer vacilo divino o inimigo poderá subverter a criação em uma rebeldia contra ele.

Os desdobramentos de uma Teologia como essa são interessantes. Eu mesmo participei de uma comunidade que por um tempo chegou a orar pela conversão do Diabo, pois, caso ele se convertesse, não precisaríamos mais pregar o evangelho, nos preocupar com missões, pois o Inferno seria cancelado.

Infelizmente, a adesão dessas idéias tomou grande parte das igrejas, que inafortunadamente vieram a ser conhecidas como evangélicas. AR diz:

Grande parte dos pentecostais clássicos aderiu a muitos dos métodos dos neopentecostais, principalmente do, aparentemente, mais bem sucedidos; boa parte do que chamaríamos de históricos, por seu vínculo mais consistente com a reforma protestante, voltaram a buscar métodos confiáveis de crescimento, pois, independente da configuração, com raríssimas exceções, todos parecem ter se convencido de que a avaliação do ministério se dá pelo crescimento numérico; outra parte dos históricos optou pela radicalização teológica, prenunciando um neofundamentalismo.

A reação dos cristão sérios, de fato evangélicos, foi mista. Uma parte se vendeu à metodologia pragmática de auxílio ao crescimento e abandonou o estudo das escrituras, enquanto outra parte, rejeitou tal metodologia e tudo o que poderia se assemelhar a ela, e voltando a um fundamentalismo desnecessário, se enclausurou em si mesma na tentativa de manter-se incontaminado dos problemas eclesiológicos que pipocavam por toda parte.

Esse é o cenário básico que proveu ao neopentecostalismo tal ascendência como representantes dos evangélicos. É interessante que tal segmento sem compromisso com o Evangelho tenha ficado com a denominação que lhe coube, enquanto verdadeiros evangélicos são “cartunizados” e inseridos no mesmo saco que tais ditos cristãos. Incomoda-me ver tantas pessoas sem qualquer relação com Cristo serem chamados de cristãos. Incomoda-me que seja, eu mesmo, colocado no mesmo balaio onde esses gatunos foram postos de modo a ser considerado como tais. Aos olhos dos desapercebidos, estamos todos nessa mesma babilônia maldita.

3. Onde Erramos?

AR mostra-se também, muito solícito ao que considera ser Igreja Brasileira, e se inclui nos erros realizados por esses cristãos. Eu já não teria o mesmo pudor, mas seu apreço pelo Corpo de Cristo, e o respeito àqueles que, apesar de toda essa desgraça, tem chegado de fato a Cristo e ainda estão entre eles, AR fala dos nossos erros.

Em sua opinião, a Igreja usurpou a Igreja de Cristo em sua ênfase, pois tornou-se imperativo o crescimento, mas o amadurecimento, desnecessário. Tal troca desencadeou na produção, quase ininterrupta, de heresias e exageros para se alcançar mais e mais pessoas. Em outras palavras, a Igreja tornou-se um mercado fantástico, pois não compra nada, não produz nada, não vende oficialmente nada e ainda assim fatura muito dinheiro. Quando ando o desenvolvimento dos cristãos a uma vida semelhante a de Cristo é deixado de lado, e uma vida próspera é anunciada como cerne da fé e a busca por crescimento desenfreado permitiram que o alastramento da heresia se tornasse inevitável.

A igreja também usurpou a Igreja de Cristo na alteração da mensagem. Não existe mais arrependimento, exceto por uma oportunidade financeira perdida. Não existe mais contrição em função da pecaminosidade, das lutas da alma, ou dos perigos da tentação à nossa volta. Há apenas os olhos fitos no lucro, desenvolvimento financeiro, como se o Reino fosse a realização material de pessoas medíocres.

AR também fala na questão do temor. Não há mais temor daquele que faz perecer no Inferno, o Trino Deus. AR fala também da falta de arrependimento e conversão nesses professos cristãos. O relato de Atos 2.43, que afirma categoricamente que todos os cristãos eram marcados pelo temor, após o arrependimento e conversão à Deus (At.2.38-40), mas, o cenário “cristão” dos nossos dias mal sabe o que significa arrependimento. Tudo parece uma grande lamúria, sem fim. Não há mais “em tudo daí graças”, apenas “o santo daí-me” gospel, seguido de murmuração por não receber o que se solicitou.

Por último, AR atesta que a Igreja tem usurpado a Deus em sua função pastoral. Adequadamente ele nos lembra de 1Pe5.1-4 que destaca características daqueles que exercem funções pastorais. Entretanto, tais funções já não importam mais, o que se quer é o poder e o status da posição. A pobreza mental desses é tão grande que precisam exercer domínio entre pessoas mais simples para que exerçam o poder que tanto almejam. Observe algumas declarações de AR:

O pastorado não pode ser uma profissão, tem de ser sempre uma vocação. Ainda que precisemos de sustento, temos de ser eternamente amadores, isto é, movidos só pelo amor, pelo prazer de fazer, pastor tem que gostar de gente. Nem ganância nem domínio, tem de dar exemplo. Para podermos ser os representantes de Cristo, temos de ser imitadores de Cristo (…) Tudo que fizermos, temos de fazê-lo em função Daquele que estamos representando, do jeito Dele.

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