A Evangelização Origina em Deus


Deus tem um propósito que foi expresso por todos os tempos. Em Salmo 57.5,11; 72.19; 102.15, notamos a presença de uma oração, onde a expectativa do salmista é: “que a glória do Senhor encha a terra”. Os salmos são expressões de louvor, de adoração e de exaltação. As orações dos salmistas eram baseadas em revelações. Tendo isso em mente, não podemos cometer o erro de interpretar os Salmos sem o contexto teológico do Antigo Testamento.

Os profetas tinham a certeza de que a Glória do Senhor encheria a terra (Hc2.14; 3.3; Is 2.12-21), e na condição de profetas eles estão falando de algo que com certeza acontecerá. Note que o homem do Pentateuco já ouvira que a glória do Senhor encheria toda a terra, pois em Números 14.20 encontra-se uma afirmação onde Deus diz que tão certo quanto Ele existe a Sua glória encherá a terra. Atentando para o Autor desta afirmação, não nos restam dúvidas de que é algo real, uma promessa que se cumprirá.

A. Criação e Redenção:

Para algumas pessoas a queda do ser humano, a entrada do pecado na Criação de alguma forma frustrou os planos de Deus para sua criação. Depois de todo trabalho exercido em benefício de suas Criaturas, o pecado insurge como uma barreira ao propósito de Deus. É como se essas pessoas dissessem: Deus, como mal planejador que é, não foi capaz de inibir a entrada do pecado. Em uma única colocação ignoram a onisciência e onipotência de Deus.

a. Conceito: De fato, as escrituras não nos ensinam assim. Aliás, é digno de nota que algumas declarações bíblicas nos levam a compreender que quando Deus se propôs a criar ele se propôs a redimir. Uma dessas ocasiões é quando João diz que a morte de Cristo era conhecida desde a fundação do mundo: “E adora-la-ão todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap.13.8). A expressão grega “apó kataboles kosmou” sugere que, desde que há mundo, o Cordeiro está morto. É possível que algumas pessoas tomem isso de modo equivocado, e por isso é necessário que se compreenda aqui que, a morte de Cristo aconteceu como Decreto Divino na fundação do mundo, e não como ato. Àquele que tem o tempo como indivisível em presente contínuo, seus decretos são enunciados antes de serem executados. Essa percepção é claramente observada nas seguintes palavras de Pedro: “mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo, o qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de vós” (1P2.1.19-20). A morte de Cristo, como Decreto, já estava determinada desde a eternidade passada, contudo foi manifesta no tempo em uma ocasião oportuna: plenitude dos tempos.

b. Antigo Testamento: Essa relação entre Criação e Redenção também foi exposta no Antigo Testamento. Em Isaías vemos a convicção de que Deus o Deus Criador era poderoso para Remir Seu povo (Is.51.9-10), sua criação também produz confiança em sua Palavra (40.27). Esse Deus Criador do Universo é também o Deus Criador de Isarael (Is.43.1, 7, 15; 44.2, 21). Do mesmo modo que que Criou a Israel, Ele escolheu e redimiu a Seu Povo (Is.44.1ss). Nos saltério encontramos diversas ocasiões em que o autor fala sobre a redenção do povo com fundamentação no Poder de Deus na Criação (Sl.89; cf. 33, 104, 8, 24, 19, 98). No Salmo 74 vemos Deus como Aquele que opera feitos salvadores (v.2-3, 12) e então apresenta um breve relato da Criação (v.12-17).

c. Novo Testamento: O NT é claro em apresentar a relação entre a Criação e a Redenção de três pontos de vista: a morte de Cristo como um decreto eterno de Deus, a aplicação eficiente da Morte e Cristo e o recebimento de tal bem-aventurança.

i. Morte de Cristo: a morte de Cristo como um decreto eterno de Deus e sobre isso não há qualquer dúvida: “Porque, na verdade, o Filho do homem vai segundo o que esta determinado; mas ai daquele homem por quem é traído!” (Lc.22.22); “Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus, o nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; a este, que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, vós matastes, crucificando-o pelas mãos de iníquos” (At.2.22-23). Ou seja, mesmo antes de existir o Universo, o Plano Redentor já estava estabelecido, por Soberana Graça do Criador.

ii. Eleição: Mas, é importante demonstrar que tal Decreto não inclui apenas a Cristo como Redentor, mas também a aplicação eficiente de Sua Morte para os eleitos de Deus, pois da mesma forma que Cristo é apresentado como morto antes da fundação do mundo, os cristãos são apresentados pelas escrituras como eleitos antes da fundação do mundo: “como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele” (Ef.1.4).

iii. Salvação: Diante do todo das escrituras, temos consciência que a Eleição é para salvação: “porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts.5.9); “Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a santificação do espírito e a fé na verdade, e para isso vos chamou pelo nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo” (2Ts.2.13). Assim, temos por convicção que o Deus Criador é o Deus que oferece o meio pelo qual o homem pode chegar a salvação, e, Ele mesmo é quem garante que esse objetivo seja alcançado por sua Graça Soberana e Monérgica.

d. Conclusão: Assim, diante de tal informação das escrituras, podemos compreender que, quando Deus se propôs a criar Ele se propôs a Redimir. Portanto, Criar e Redimir são duas facetas de uma mesma Obra de Deus e sua auto-revelação assim nos ensina.

B. Queda e Redenção:

Ao sentenciar sua criação pela entrada do pecado no mundo Deus também apresentar a idéia de um Descendente que findaria o exercício malévolo do inimigo, um dos responsáveis pelo pecado. (Gn.3.15), que determina a Encarnação do Verbo, pois este seria o descendente da mulher, que sofreria, mas venceria Satanás. Na morte e ressurreição dO Descendente da mulher, Jesus Cristo, o Diabo é absolutamente vencido, embora o plano de Deus para ele não se tenha encerrado ainda.

C. Dilúvio e Redenção:

Ao condenação a humanidade em função de sua grande maldade, Deus salva a Noé e a garantia da vitalidade da Promessa feita na Queda. A condenação consistia no dilúvio (Gn.6.5.14). A Salvação foi pela graça de Deus por meio da fé na promessa de salvação, para aquele a quem Deus havia Escolhido, Revelado Seu Caráter, Atuado Especialmente e Revelado Seu Plano (Gn.6.9, 14-21). Neste caso, o meio apropriado foi a construção de um Arca. Nesse relato aprendemos que Deus estabeleceu uma aliança com Noé (Gn.6.18), executou o dilúvio (Gn.7.6-8.14) e perfez a salvação proposta, neste caso, por meio da Arca (Gn.8.15-9.1).

D. Abraaão e a Redenção:

Eleição e separação de progenitor da Nação de Israel como povo pactual (Gn.12.1-3) incluiu a expansão da promessa feita na queda: Agora trata-se um povo numeroso, com posse de uma terra extensa. Nesse relacionamento a idéia de substituição na morte é apresentada (Gn.22.1-18). Nesse caso, a Salvação foi pela graça por meio da fé na promessa de Salvação de Deus, para aquele a quem Deus havia escolhido (Gn.12.1-3; 15.7), Revelado seu caráter (Gn.14.18-20; 15.1, 4-5; 17.1-16, 19-21), Atuado Especialmente (Gn.12.1-3, 7; 13.14; 15.7) e Revelado Seu Plano (Gn.12.7; 13.14-17; 15.12-16, 18-21; 22.22.15-18). É importante lembrar que Deus fez de Abraão uma grande nação que, embora tenha nascido escrava no Egito, foi por Deus conduzida à sua terra, por causa de sua promessa feita a Abraão. A história de Abraão demonstra com clareza sua ação Milagrosa em Realizar Seus Propósitos por meio de pessoas a quem Ele escolhe. Também demonstra o interesse de alcance universal de Deus, pois em Abraão serão benditas todas as famílias da terra.

E. Páscoa e a Redenção:

Ao Libertar o povo escolhido por Deus da escravidão do Egito, por meio do sacrifício do cordeiro em substituição ao primogênito da família, Deus apresenta claramente a idéia de substituição é (Ex.12), que prefigura o Sacrifício de Cristo em substituição ao pecador. Mais uma vez nota-se que Deus em Sua Soberania exerceu Seu Plano em consonância com sua Promessa e Palavra e salvou o povo de Deus da Escravidão do Egito, conceito que prefigura a idéia da Salvação em Cristo Jesus, que nos livra do império das trevas e nos conduz para um Relacionamento com Deus.

F. Israel e a Redenção:

Ao Constituir Israel como a Nação Separada para Deus, Ele mesmo a fez centro das atividades salvíficas de Deus. Por isso Deus estabeleceu os rituais, as promessas, as alianças, a legislação para que esse povo pudesse ter acesso ao perdão de seus pecados e relacionamento com Deus. A essa nação o Próprio Deus prometeu e o Messias, que seria um libertador (primeiramente espiritual) que findaria o domínio da serpente na humanidade. Assim, Israel foi separada por Deus para ser um canal das bênçãos e não um depósito e um instrumento no alcance das Nações. Portanto, a Eleição e Separação de Israel como povo pactual implicou na responsabilidade de serviço e missão de testemunho a todas as nações, de modo a apontar para o grande ápice de toda a história da Salvação: Cristo.

G. Igreja e a Redenção:

Através da morte de Cristo, todo homem que o confessa como Senhor (Rm.10.9) é inserido na Igreja que Jesus Cristo está a edificar (Mt.16.18). Esse povo, separado por Deus, por Sua Graça, Misericórdia e Poder, é considerado povo de Deus, embora não o fossem (Rm.9.25-26), filhos de Deus, embora não merecessem (Jo.1.12-13) e instrumentos da Sua Graça, embora incapazes (2Co.5.18-19). Assim, somos co-operadores com Deus (1Co.3.9) exercendo nosso ministério com excelência (1Co.3.10; 9.24-26), persistência (1Co.9.16), serviço (1Co.9.19), contextualização (1Co.9.20-22), auto-disciplina (1Co.9.27) sem cessar (2Tm.4.2) para que, por meio da nossa proclamação, outras pessoas possam se achegar a Deus (Jo.17.20). Esse processo depende: (1) Da Salvação historicamente oferecida por Deus; (2) Do sacrifício de Cristo; (3) Da ação de convencimento do Espírito Santo.

H. Conceito:

Portanto, a Evangelização é uma parceria com o Triuno Deus: Enquanto realizamos nosso trabalho de levar o evangelho, Deus salva aqueles que crêem (1Co.1.21). Contudo, deve-se lembrar que quem mobiliza sua Igreja à pregação do Evangelho é o próprio Deus, através do ministério do Espírito Santo (At.13.1-2). A percepção histórica da manifestação do poder de Deus demonstra claramente que Deus é o originador da Missão Evangelística da Igreja. Ele iniciou esse processo na Criação ao estar disposto a dar-se por Suas Criaturas mesmo antes de tê-las criado, e o mantém hoje por intermédio do exercício do nosso ministério (2Co.5.18-19).

Um comentário sobre “A Evangelização Origina em Deus

  1. Pingback: Melhore sua Evangelização « Scripturae Lectionarium

Os comentários estão desativados.