Entenda sua Missão


Um passo importante na realização ministério é o entendimento da missão que nos foi delegada. A ação ministerial dos seguidores de Cristo é marcada pela presença de quatro atitudes: Pró-Atividade, Fazer Discípulos, Mentorear, Sem Restrições. Todos os termos ressaltados tem suas peculiaridades e vamos observá-las com cautela com o objetivo de ressaltar do texto aplicações para a prática ministerial relevante e em conformidade com a vontade do nosso Soberano Senhor que tem toda a autoridade.

A.    Pró-Atividade:

O termo que descreve essa atitude é o famoso “Ide”. Algumas pessoas entendem que esse versículo pressupõe que esse versículo deveria ser traduzido como “Indo”, em função do particípio grego usado nessa frase. Entretanto, o particípio aoristo é seguido por um infinitivo aoristo e tal construção é chamada Particípio Circunstancial e sua tradução é com o infinitivo em português: Ide. Esse tipo de construção é normal em narrativas (Mt.2:8; 9:13; 11:4; 17:27; 21:6; 22:15; 25:16; 28:7; cf. Mc.16.15; Lc.7.22; 13.32; 17.14; 22.8). Ou seja, o cristão comissionado por Cristo deve tomar a iniciativa para levar o evangelho a quem quer que seja. Portanto, a ordem é de caráter centrífugo, onde os discípulos deveriam iniciar em pró-atividade a abordagem evangelística.

B.    Fazer Discípulos:

Um discípulo é aquela pessoa que está debaixo da supervisão e comando do seu mestre e de forma nenhuma lhe é superior (Mt.10.24; Mt.26.18). É alguém que busca seguir seu mestre, estar onde ele está e a fazer o que ele faz. (Mt.8.23; Mt.9.19; Mt.10.25). É aquele que está debaixo do ensino de seu mestre. (Mt.11.1; Mt.5.1-2; cf. Mt.12.1-2; 13.36; 15.1-2; 16.20-21; 24.3ss; 26.1). Portanto, fazer discípulos implica em conduzir pessoas a estarem debaixo da supervisão e comando de Cristo, para que busquem segui-lo por sua vida, estarem prontos a fazer o que Ele fez e estarem debaixo do Seu ensino por intermédio de outros discípulos. O termo “Fazer Discípulos” implica em fazer novos seguidores de Jesus (At.6.7) o que só é possível por intermédio da evangelização dos Seus seguidores (At.14.21; cf. At.5.42; 8.4, 35, 40). Portanto, para realizar a ordem de Cristo, é necessário ao homem ser seguidor de Cristo (1Co.11.1).

C.    Mentorear:

Mentorear implica em Batizar e Ensinar o novo convertido.

a.    Batismo: O batismo cristão é um sinal de Deus para significar purificação interior e remissão de pecado (At 22.16; 1Co 6.11; Ef 5.25-27), regeneração operada pelo Espírito e uma nova vida (Tt 3.5) e a permanente presença do Espírito Santo, como selo de Deus testificando e garantindo que aquele que o recebe está seguro em Cristo para sempre (1Co 12.13; Ef 1.13-14). Fundamentalmente, o batismo significa união com Cristo na sua morte, sepultamento e ressurreição (Rm 6.3-7; Cl 2.11-12), e essa união com Cristo é a base da vida do discípulo deste ponto em diante. Isso significa que aquele que foi batizado em nome de Jesus deve conformar sua vida à Dele e viver de acordo com o que Cristo espera de sua vida. Deve ser por essa razão que Ele nos adverte: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt.16.24). O Batismo Cristão é feito na autoridade da Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).

b.    Ensino: O ensino esperado por Cristo é o ensino da Obediência: nós temos a missão de ensinar o novo na fé a obedecer tudo o que Jesus tem ordenado. Ou seja, não basta apenas anunciar o evangelho, nosso trabalho deve ser norteado pelo ministério de Cristo, desempenhado em excelência, na proclamação do evangelho e treinamento do novo na fé até que ele possa fazer o mesmo com outras pessoas. Portanto, é necessário viver e conviver com pessoas que precisam ser feitas discípulas de Cristo, e está debaixo da nossa responsabilidade treiná-lo para que venha a ser um discípulo maduro e pronto a realizar o mesmo. Assim, existe uma continuidade na ação, pois uma vez que o neófito é discipulado, nutrido nas escrituras e treinado para uma vida cristã adequada ele fará o mesmo com outras pessoas, pois ele também deve aprender a levar o evangelho. Assim vemos que a ordem que Cristo deixa aqui é fundamento da continuidade e expansão da fé, que deveria ser disponível a todos através do ministério cristão.

D.    Sem Restrições:

No mesmo texto Jesus Cristo nos diz que devemos fazer isso a todas as nações. Normalmente os cristãos têm tomado esse mandamento como uma ordem primeiramente geográfica, quando na verdade ela é essencialmente cultural. Jesus emprega o termo grego que deu origem a nossa palavra “etnia”. Ou seja, o cristão deve estar preparado para levar o evangelho a pessoas de qualquer tribo, seja urbana ou não. Não devemos restringir a ação evangelística, pois Jesus nos ensina a amar todas as pessoas, inclusive nossos inimigos, pois foi assim que Ele mesmo fez conosco (Rm.5.8; Jo.3.16). O que se conclui é que Cristo tem interesse em todas as culturas existentes no planeta, pois não faz acepção de pessoas (Rm.2.11) nem para salvação nem para preterição (Rm.2.5-10). Ou seja, não deveria haver racismo, bairrismo, exclusivismo, sentimento sectarista ou qualquer forma de preconceito entre os discípulos. Eles devem realizar tal tarefa baseados na própria missão de Cristo (Lc.19.10), que é a base e fundamento da ação evangelística.

Toda a atividade ministerial do cristão é Ordenada por Cristo (nosso Senhor) e deve ser desempenhada como Cristo (pois Ele é o nosso modelo). Assim, aprendemos que devemos nortear nossa atividade evangelística pelo exemplo de Cristo, em obediência à sua ordem, podendo ainda contar com sua presença ativa em nosso ministério, pois Ele mesmo garante: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt.28.20).

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