Doutrina da Trindade Antes de Nicéia


Esse post traz a reunião de algumas das citações dos Pais da Igreja antes de Nicéia sobre a Trindade, a Pessoa de Deus, a Pessoa de Cristo e do Espírito Santo. Na mentalidade desses autores, Deus é Trino, o Filho é Deus, e o Espírito Santo também. Será elucidativo para o leitor verificar se esses homens de Deus estão equivocados à luz das escrituras. Ao que tudo indica, tais homens sujeitos a falhas defenderam o que as escrituras ensinam, muito embora possam ter cometido erros no decorrer do caminho.

Por isso, convido o leitor a conhecer as opiniões desses homens, e buscar nas escrituras, resposta a afirmações equivocadas ou suporte para afirmações em conformidade com o ensino dos apóstolos.

Bom Proveito!

1. Deus Triuno

Não temos um só Deus e um Cristo e um Espírito de graça que foi derramado sobre nós?

Clemente de Roma (30-100 d.C.)

“E disse Deus: Tenho aqui o homem é como um de nós sabendo o bem e o mau.” Depois, ao dizer “como um de nós,” indica de certo número dos que entre si conversam, e que pelo menos são dois… Senão que este surto (Cristo), emitido realmente do Pai, estava com Ele antes de todas as criaturas e com esse conversa o Pai.

Justino Mártir (160 d.C.)

Aqui se nos acusa de loucura, dizendo que depois de ter afirmado a Deus imutável, sempiterno e Pai de todos, adjudicamos um segundo posto a um homem que foi crucificado.

Justino Mártir (160 d.C.)

À verdade, o mesmo Espírito Santo, que faz nos que falam profeticamente, dizemos que é uma emanação de Deus, emanando e voltando, como um raio do sol.

Atenágoras (175 d.C.)

E estando o Filho no Pai e o Pai no Filho, em unidade e potência de espírito, o Filho de Deus é inteligência e Verbo do Pai… Realmente uno não pode menos de maravilhar se ao ouvir chamar ateus aos que admitem a um Deus Pai, e a um Deus Filho e a um Espírito Santo, mostrando sua potência na unidade e sua distinção no ordem… nos movemos pelo só desejo de chegar a conhecer ao Deus verdadeiro e ao Verbo que está nele, qual é a comunhão que há entre o Pai e o Filho, que coisa seja o Espírito, qual seja a unidade de tão grandes realidades e a distinção entre os assim unidos, o Espírito, o Filho e o Pai.

Atenágoras (175 d.C.)

Pois sempre lhe estão presentes o Verbo e a Sabedoria, o Filho e o Espírito, por meio dos quais e nos quais livre e espontaneamente faz todas as coisas, aos quais fala dizendo: “Façamos ao homem a nossa imagem e semelhança”; tomada de si mesmo a substância das criaturas, o modelo das coisas feitas e a forma do ornamento do mundo.

Irineu (180 d.C.)

Por isso, como a meninos, aquele que era o pão perfeito do Pai se nos deu a si mesmo como leite, quando vinho a nós como um homem; a fim de que, nutrindo nossa carne como de seu peito, mediante essa nos acostumássemos a comer e beber ao Verbo de Deus, até que fôssemos capazes de receber dentro de nós o Pão da imortalidade, que é o Espírito do Pai.

Irineu (180 d.C.)

Os presbíteros, discípulos dos Apostolos, ensinam que este será o ordem e providência para os que se salvam, bem como quais são os degraus pelos quais se ascende: pelo Espírito subimos ao Filho e por este ao Pai, e o Filho ao final entregará sua obra ao Pai.

Irineu (180 d.C.)

Tenho aqui a regra de nossa fé, o fundamento do edifício e a base de nossa conduta: Deus Pai, no criado , ilimitado, invisível, único Deus, criador do universo. Este é o primeiro e principal artigo. O segundo é: o Verbo de Deus, Filho de Deus, Jesus Cristo nosso Senhor, que se apareceu aos profetas segundo o desígnio de sua profecia e segundo a economia disposta pelo Pai; por meio dele foi criado o universo. Ademais ao fim dos tempos para recapitular todas as coisas se fez homem entre os homens, visível e tangível, para destruir a morte, para manifestar a vida e restabelecer a comunhão entre Deus e o homem. E como terceiro artigo: o Espírito Santo por cujo poder os profetas profetizaram e os pais foram instruídos no que diz respeito a Deus, e os justos foram guiados pelo caminho da justiça, e que ao fim dos tempos foi difundido de um modo novo sobre a humanidade, por toda a terra, renovando ao homem para Deus.

Irineu (180 d.C.)

Nós oramos pelo menos três vezes ao dia, porque somos devedores de três: O Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Tertuliano(195 d.C.)

Enquanto o mistério da dispensação está guardado, que distribui a Unidade na Trindade, colocando em ordem as três Pessoas – o Pai, o Filho e o Espírito Santo: três, entretanto, não em condição, mas em ordem, não em substância, mas em forma, não em poder, mas em aspecto, mas ainda assim um na substância, uma condição, em um poder e acima de tudo Ele é um Deus, e sobre essas formas e aspectos é reconhecido pelo nome de Pai, Filho e Espírito Santo

Tertuliano (195 d.C.)

A igreja mesma é o Espírito mesmo, dentro da qual está a trindade da única divindade: o Pai, o Filho, e o Espírito Santo.

Tertuliano (195 d.C.)

Nós conhecemos ao Pai por meio da Palavra encarnada. Também acreditamos em o Filho e adoramos ao Espírito Santo.

Hipólito (200 d.C.)

O Salvador e o Espírito Santo foram enviados pelo Pai para a salvação dos homens.

Orígenes (245 d.C.)

O Senhor diz: “Eu e o Pai somos um.” E outra vez está escrito referente ao Pai, o Filho e o Espírito Santo: “E estes três são um (1Jo.5.7).”

Cipriano (250 d.C.)

2. Deus Pai: Yahweh

a. Atributos de Deus

Porque Deus, o Senhor e Criador do universo, que fez todas as coisas e as pôs em ordem, demonstrou não só que era propício ao homem, senão também paciente. E assim o foi sempre, e o é, e o será, bondoso e bom e justo e verdadeiro, e O só é bom.

Epístola a Diogneto (125-200 d.C.)

O Pai ultrapassa em sabedoria a toda sabedoria angélica e humana; porque é Senhor, juiz, justo e soberano sobre todas as coisas. Mas também é misericordioso, bom e paciente para salvar a quem convém. Não deixa de ser bom ao exercer a justiça, nem se diminui sua sabedoria. Salva a quem deve salvar, e julga com justo Juizo a quem são dignos. E se mostra misericórdia ao ser justo, porque o previne e precede sua bondade.

Irineu (180 d.C.)

Todas essas passagens nos que se diz que Deus se lamenta, ou se alegra, ou sente ódio ou gozo, há que entender que a Escritura os expressa em sentido metafórico, aplicando a Deus o que é próprio do homem. Porque a natureza divina está longe de todo afeto ou paixão instável, pois permanece sem mutação nem turvação em sua suprema bem-aventurança.

Orígenes (225 d.C.).

b. O amor de Deus

O Pai, que é compassivo em todas as coisas, e disposto a fazer bem, tem compaixão dos que lhe temem, e com bondade e amor concede seus favores àqueles que se acercam a Ele com singeleza de coração.

Clemente de Roma (30-100 d.C.)

Porque nós vemos Quão benigno e misericordioso é o Deus onipotente, que faz sair seu sol sobre ingratos e justos e faz chover sobre santos e malvados, a quem nos ensinou também que ele tinha de julgar.

Justino Mártir (160 d.C.)

O Deus benigno faz sair seu sol sobre todos e chover sobre justos e pecadores. Julgará por igual a quantos receberam sua bondade, mas não se comportaram de maneira semelhante segundo a dignidade do dom recebido, senão que se entregaram a prazeres e paixões carnais na contramão de sua benevolência, muitas vezes até chegar a blasfemar contra aquele que os fez objeto de tantos benefícios.

Irineu (180 d.C.)

Deus… com toda bondade outorga a luz da incorruptibilidade àqueles que a procuram; em mudança aparta de si a quem a desprezam e recusam, fugindo por sua conta e cegando-se.

Irineu (180 d.C.)

É que Deus pode estar irado? Já o crio: está irado contra os que fazem o mau, e é benigno, bondoso e misericordioso com os que lhe amam e lhe temem.

Teófilo (180 d.C.)

Devemos corresponder com o amor a quem amorosamente nos guia para uma vida melhor e viver de acordo com o que sua vontade dispõe, não só limitando-se a cumprir o que manda e evitar o que proíbe, senão também apartando-nos de certos exemplos e imitando outros o melhor do que possamos, a fim de realizar por imitação as obras de (Cristo).

Clemente de Alexandria (195 d.C.)

Deus é amor, e se dá a conhecer aos que amam.

Clemente de Alexandria (195 d.C.)

O que é débil e terno, e, por sua mesma fragilidade, precisado de ajuda, é agradável, doce e encantador; a uma criatura assim Deus não deixa de prestar-lhe seu auxílio. Bem como os pais e as mães olham com mais afeto a seus pequenos: os cavalos, a seus potros; os bois, a seus bezerros; o leão, ao cachorro, assim também o pai de todos acolhe aos que no procuram refúgio e, tendo-lhes regenerado com seu Espírito e adotado como filhos, comprazes-se em sua doçura, os amo a, presta-lhes singular ajuda, luta por eles, e lhes dá o nome de “filhos.”

Clemente de Alexandria (195 d.C.)

Deus mostra seu amor aos homens, fazendo-lhes ver os sofrimentos que lhes esperam se permanecem em seus pecados, mas não atua como a serpente que ataca e morde subitamente a sua presa.

Clemente de Alexandria (195 d.C.)

Vejam como Deus, por sua bondade, procura nosso arrependimento, e como, na mesma ameaça, mostra claramente seu amor ao homem: “Lhes ocultarei meu rosto diz, a ver que será deles.”

Clemente de Alexandria (195 d.C.)

Mas não é contrário ao caráter de Cristo o salvador o reaprender com solicitação. Trata-se, sem dúvida, de uma medicina do amor divino que faz nascer vergonha ante o pecado. A exortação a repreensão são necessárias à hora de ferir ligeiramente ao alma que se tem desviado, não para procurar sua morte, senão sua salvação: uma pequena dor para evitar uma morte eterna.

Clemente de Alexandria (195 d.C.)

A prova maior do amor de Deus para o homem é que, apesar de conhecer perfeitamente a falta de humildade deste povo arredio e rebelde, chama-o ao arrependimento, e exclama por casamento de Ezequiel: “Filho de homem, tu habitas entre escorpiões; fala-lhes, se é que te escutam.”

Clemente de Alexandria (195 d.C.)

A apaixonada ira de Deus, se realmente é correto chamar assim à repreensão de que nos faz, é uma prova de seu amor para o homem.

Clemente de Alexandria (195 d.C.)

Sendo Deus, Ele é justo e bom… Bem como o médico para o enfermo; não porque lhe diga que tem febre, o médico é o que lhe produz a febre, senão só lhe indica a doença que tem; assim também não é mau o que repreende duramente ao que tem enferma o alma, pois não põe nele as faltas, senão que lhe mostra as que tem, para que abandone semelhante forma de atuar.

Clemente de Alexandria (195 d.C.).

c. Providência e Soberania

Sendo assim, pois, que todas as coisas são vistas e ouvidas (por Deus), tenhamos-lhe temor, e abandonemos todos os desejos abomináveis das más obras, para que possamos ser protegidos por sua misericórdia nos Juizos futuros.

Clemente de Roma (30-100 d.C.)

Os acontecimentos que te sucederem os aceitarás como bens, sabendo que sem a disposição de Deus nada sucede.

Barnabé (70-130 d.C.)

Aceita com gratidão as provas que sobrevirem, recordando que nada nos sucede sem a vontade de Deus.

Didaquê (80-140 d.C.)

E tratamos de persuadir aos que nos aborrecem injustamente para que, vivendo conforme aos preclaros conselhos de Cristo, tenham a esperança de atingir, junto conosco, os bens de Deus, soberano de todas as coisas.

Justino Mártir (160 d.C.)

Leste é o Pai de nosso Senhor, por cuja providência tudo sucede, e que administra todas as coisas com seu mandato. Dá gratuitamente a quem convém, distribui os dons segundo os méritos, e castiga com justiça aos ingratos insensíveis a sua bondade.

Irineu (180 d.C.)

Se lhe chamo Providência (a Deus), nomeio sua bondade.

Teófilo (180 d.C.)

Nossa vida estará toda ela de acordo com a razão se dominamos nossos desejos desde seus começos, e não matamos com perversos artifícios o que a providência divina estabeleceu para a linhagem humana.

Clemente de Alexandria (195 d.C.)

Por sua providência Deus administra, dispõe e vigia o que acontece, enquanto por sua vontade determina que algo aconteça ou não… Agora bem, se professamos crer que Deus administra e dispõe todas as coisas, segue-se que ele tem de revelar sua vontade aos homens, mostrando-lhes o que é bom para eles.

Orígenes (225 d.C.)

d. O nome de Deus

Ao Pai de todas as coisas não se lhe pode impor nome algum, pois é (não engendrado). Porque tudo ser ao que se impõe um nome, pressupõe outro mais antigo do que ele que se o imponha. Os nomes de Pai, Deus, Criador, Senhor, Dono, não são propriamente nomes, senão apelações tomadas de seus benefícios e de suas obras.

Justino Mártir (160 d.C.)

Não há ninguém capaz de pôr nome a Deus, que é inefável, e se algum dissesse que Deus tem um nome deliraria do tudo.

Justino Mártir (160 d.C.)

Alejandro no tempo todo que durou o martírio não pronunciou uma palavra nem exalou um gemido, senão que esteve abstraído em Deus… E como os gentis lhe perguntassem pelo nome de Deus, contestou: “Deus não tem um nome como nós os mortais.”

Os Martires de Lyon, França (177 d.C.)

E ainda que as vezes lhe demos nomes, estes não se aplicam em sentido estrito: quando lhe chamemos Um, Bem, Inteligência, Ser em si, Pai, Deus, Criador, Senhor, não lhe damos propriamente um nome, senão que, não podendo outra coisa, temos de usar estas apelações honoríficas a fim de que nossa mente possa fixar-se em algo que não ande errante em qualquer coisa. Cada uma destas denominações não é capaz de designar a Deus, ainda que tomadas todas elas em seu conjunto mostram a potência do Onipotente.

Clemente de Alexandria (195 d.C.)

Não procures um nome para Deus: seu nome é Deus. Só há que ir aos nomes próprios quando entre a multidão é preciso distinguir a cada um mediante signos específicos, mas a Deus, que é único, o termo Deus lhe pertence por completo.

Marco Minucio Félix (200 d.C.)

3. Deus Filho: Jesus Cristo

a. Divindade

Existe um médico, ao mesmo tempo carnal e espiritual, nascido e não-nascido, Deus feito em carne, vida verdadeira na morte, de Maria e de Deus, primeiro submetido ao sofrimento e depois além do sofrimento, Jesus Cristo nosso Senhor.

Inácio (105 d.C.)

Irmãos, teríamos que pensar em Jesus Cristo como Deus e como Juiz dos vivos e os mortos.

Segunda de Clemente (150 d.C.)

Nosso Deus Jesus, o Cristo, foi concebido por Maria de acordo com o plano de Deus, tanto da semente de Davi quanto do Espírito Santo. Nasceu e foi batizado para que, por meio de seu sofrimento, ele pudesse limpar a água”

(Aos Efésios 18.2)

“O reino antigo foi abolido, quando Deus apareceu em forma humana para trazer a novidade da vida eterna; e aquilo que Deus esteve preparando por Deus passou a existir”

(Aos Efésios 19.3)

“Continuem a se reunir, todos vocês, coletiva e individualmente por nome, em graça, em uma fé e em um Jesus Cristo, que fisicamente é descendente de Davi, que é Filho do Homem e Filho de Deus”

(Aos Efésios)

Esta é a maneira, meus queridos amigos, pela qual encontramos nossa salvação, a saber, Jesus Cristo, o sumo sacerdote de nossas ofertas, o guardião e ajudador em nossas fraquezas. Por meio dele, olhamos firmemente para as alturas do céu, por meio dele, vemos como em espelho sua face perfeita e transcendente; por meio dele, os olhos de nosso coração foram aberto; por meio dele nossa mente, o Mestre desejou que provássemos do conhecimento imortal, pois ‘Ele, sendo o resplendor de sua majestade, é muito superior aos anjos, e o nome que herdou é muito mais excelente’ (cf. Hb.1.4)”

(1Clem.36.1-2)

Nós aprendemos que Cristo é o primogênito de Deus, o qual, como já indicamos, é o Logos, do qual todo o gênero humano participou.

Justino Mártir (160 d.C.)

O Pai quis que este se fizesse homem por meio de uma virgem, como antes se tinha feito fogo para falar com Moisés desde a espinheiro… Agora bem, que Cristo é Senhor e Deus, Filho de Deus, que em outros tempos se apareceu por seu poder como homem e como anjo e na glória do fogo na espinheiro e que se manifestou no Juizo contra Sodoma, mostrei-o já longamente.

Justino Mártir (160 d.C.)

Nosso mestre nessas coisas é Jesus Cristo, que também nasceu para esse propósito e foi crucificado debaixo de Pôncio Pilatos, procurador da Judéia, nos tempos de Tibério Césa; nós o adorávamos racionalmente, tendo aprendido que ele mesmo é o Filho do Deus Verdadeiro e considerando-o no segundo lugar, e o Espírito profético no terceiro

Justino Mártir – (1 Apologia 12-13)

Não estamos loucos helenos, nem pregamos tolices, quando anunciamos que Deus apareceu em forma humana. Vocês, que nos falam mal, comparem seus mitos com nossas narrações.

Taciano (160 d.C.)

Nem o Senhor, nem o Espírito Santo (pelos profetas), nem os Apostolos jamais teriam chamado Deus de modo absoluto e definitivo ao que não o fosse verdadeiramente; nem teriam chamado Senhor a nenhuma outra pessoa, senão ao Deus Pai soberano de todas as coisas, e a seu Filho que recebeu de seu Pai o senhorio sobre toda a criação, segundo aquelas palavras: “Disse o Senhor a meu Senhor: Senta-te a minha destra, até que ponha a teus inimigos como estrado de teus pés.” Nesta passagem se apresenta ao Pai conversando com o Filho; ele “lhe deu as nações por herança” e lhe submeteu a todos seus inimigos. E como o Pai é em verdade Senhor, e o Filho é em verdade Senhor, com razão o Espírito Santo os chamou com o título Senhor.

Irineu (180 d.C.)

Mas voltemos ao tema que estávamos tratando. Foi declarado com toda evidência que os predicadores da verdade e Apostolos da liberdade, a nenhum outro chamaram Deus ou Senhor, senão ao único Deus verdadeiro, o Pai, e a seu Verbo que tem a soberania sobre todas as coisas.

Irineu (180 d.C.)

Que nenhum de entre todos os filhos de Adão seja chamado Deus por si mesmo, ou proclamado Senhor, demonstramo-lo pelas Escrituras; e que Ele só entre todos os homens de seu tempo seja proclamado Deus e Senhor, sempre Rei, Unigênito e Verbo encarnado, por todos os profetas e Apostolos e ainda pelo mesmo Espírito, é coisa que podem ver todos aqueles que aceitem um pouco da verdade.

Irineu (180 d.C.)

E, finalmente, o Pai se manifestou em seu Verbo feito visível e palpável: todos viram ao Pai no Filho, ainda que não todos acreditaram em ele. Pois o invisível do Filho é o Pai, e o visível do Pai é o Filho. Por isso, enquanto ele esteve presente, todos o reconheciam como Cristo e o chamavam Deus.

Irineu (180 d.C.)

Depois o mesmo Cristo é, com o Pai, Deus dos viventes, o que falou a Moisés, o que se manifestou aos pais.

Irineu (180 d.C.)

Em mudança, seu Verbo, por meio do qual fez todas as coisas e que é sua própria potência e sabedoria, tomando a figura do Pai e Senhor do universo, foi o que se apresentou no Paraiso em forma de Deus e conversava com Adão. A mesma Escritura divina nos ensina que Adão dizia ter ouvido sua voz.

Teófilo (180 d.C.)

(Cristo), filhos meus, é semelhante a Deus, seu pai, de quem é precisamente Filho, sem pecado nem reproche e sem paixões em sua alma, é o Deus sem mancha em forma de homem, servidor da vontade do Pai, o Logos Deus, que está no Pai, que está à direita do Pai, Deus também por sua figura.

Clemente de Alexandria (195 d.C.)

Perguntemos a esses sábios: O Cristo que hoje foi ressuscitado é já perfeito, ou, o que seria do tudo absurdo, falta-lhe alguma coisa? Neste caso, forçado é que aprenda; mas é impossível que aprenda alguma coisa, porque é Deus.

Clemente de Alexandria (195 d.C.)

Cristo é o Deus superior a todas as coisas.

Hipólito (200 d.C.)

De nenhum modo se observa a Cristo como um anjo: como Gabriel ou Miguel.

(Tertuliano 195 d.C.)

Enquanto o mistério da dispensação está guardado, que distribui a Unidade na Trindade, colocando em ordem as três Pessoas – o Pai, o Filho e o Espírito Santo: três, entretanto, não em condição, mas em ordem, não em substância, mas em forma, não em poder, mas em aspecto, mas ainda assim um na substância, uma condição, em um poder e acima de tudo Ele é um Deus, e sobre essas formas e aspectos é reconhecido pelo nome de Pai, Filho e Espírito Santo

Tertuliano (195 d.C.)

Por causa disso ele veio até nós; por causa disso, embora fosse incorpóreo, ele formou para si mesmo um corpo de acordo com nossa aparência – aparentando ser um cordeiro, embora continuasse a ser o Pastor; considerado um servo, ainda que não tivesse renunciado à sua condição de Filho; sendo carregado no ventre de Maria, embora ainda estivesse dentro da natureza do Pai; caminhando sobre a terra, mais ainda enchendo o céu; aparentando ser uma criança, sem descartar a eternidade de sua natureza; sendo investido de um corpo, sem confinar a genuína simplicidade de sua Trindade; sendo considerado pobre, mas em ter sido destituído de suas riquezas; necesitando de sustento, porquanto era homem, mas sem deixar de alimentar o mundo todo, uma vez que ele é Deus; colocado na forma de servo, sem debilitar a semelhança com seu Pai. Ele sustentou cada traço que lhe pertencia numa natureza imutável: ele estava diante de Pilatos e, ao mesmo tempo, estava sentado com seu Pai, ele foi pregado no madeiro, mas era o Senhor de todas as coisas.

Melito de Sardes (Discurso da Cruz).

b.  A Pré-existência do Filho

Este Verbo, que era desde o princípio, apareceu agora e, com tudo, provou-se que era antigo, e é engendrado sempre de novo nos corações dos santos. Este Verbo, digo, que é eterno, é o que hoje é contado como Filho.

Epístola a Diogneto (125-200 d.C.)

O Filho de Deus é mais antigo que toda sua criação, de maneira que foi o conselheiro do Pai na obra de sua criação. Por tanto, também Ele é antigo.

Hermas (150 d.C.)

Quanto a seu Filho, o único a quem com propriedade se chama Filho, o Logos que está com ele, sendo engendrado antes das criaturas, quando ao princípio criou e ordenou por meio dele todas as coisas, se lhe chama Cristo por causa de sua unção e de que foram ordenadas por meio dele todas as coisas.

Justino Mártir (160 d.C.)

A nós nos revelou ele quanto por sua graça entendemos das Escrituras, reconhecendo que ele é o primogênito de Deus anterior a todas as criaturas.

Justino Mártir (160 d.C.)

Por conseguinte, se alguém nos pergunta: “Como o Pai emitiu ao Filho?,” lhe respondemos que esta produção, ou geração, ou pronunciação, ou parto, ou qualquer outro nome com o que queira chamar-se esta origem, é incompreensível.

Irineu (180 d.C.)

Este Filho sempre existe com o Pai, e desde o princípio revela ao Pai, aos anjos, arcanjos, potestades, poderes, e a todos aqueles a quem Deus quer revelar-se.

Irineu (180 d.C.)

Mas o Verbo de Deus não elevou a Abraão a sua amizade porque lhe fizesse falta, pois é perfeito desde sempre, efetivamente, disse: “Antes que Abraão fosse, EU SOU.”

Irineu (180 d.C.)

Por conseguinte, quando ao princípio Deus criou a Adão, não o fez por necessidade, senão para ter a alguém que fosse objeto de seus benefícios. Em mudança não só antes de Adão, senão antes de toda outra criação, o Verbo glorificava a seu Pai, permanecia em O, e o Pai o glorificava a O, como ele mesmo disse: “Pai, glorifica-me com a glória que tive diante ti antes que o mundo existisse.”

Irineu (180 d.C.)

Que o Verbo, ou seja o Filho, tem estado sempre com o Pai, de múltiplas maneiras o demonstramos. E que também sua Sabedoria, ou seja o Espírito estava com O antes da criação, afirma-o por Salomão: “Deus criou a terra com sabedoria, e com inteligência consolidou os céus; por sua ciência se abriram os abismos e as nuvens destilaram orvalho.” E também: “O Senhor me fez ao início de seus caminhos, antes de suas obras. Desde a eternidade me fundou, desde o princípio, antes que a terra. Antes que existissem os abismos e manassem as fontes das águas, antes que se assentassem os morros, antes de todas as colinas me engendrou.” E também: “Quando assentou os céus, eu estava com O, e quando afirmou as fontes do abismo; quando fortalecia os alicerces da terra, eu estava com O como arquiteto. Eu era em quem O se comprazia, e cada dia me alegrava em todo tempo ante seu rosto, quando O se gozava na perfeição do universo e se regozijava com os filhos dos homens.”

Irineu (180 d.C.)

O Filho de Deus, preexistente com o Pai, engendrado antes da fundação do mundo, e aparecido, como homem, ao mundo inteiro nos últimos tempos; Ele é o Verbo de Deus que recapitula em si todas as coisas, as do céu e as da terra.

Irineu (180 d.C.)

Que Cristo, Filho de Deus, existente antes do mundo, estava com o Pai e junto ao Pai.

Irineu (180 d.C.)

Temos de entender que a luz eterna não é outra que o mesmo Deus Pai. Agora bem, nunca se dá a luz sem que se dê juntamente com ela o resplendor, já que é inconcebível uma luz que não tenha seu próprio resplendor. Se isto é assim, não se pode dizer que tivesse um tempo no que não existisse o Filho…Com tudo, não teve tempo no que (o Filho) não existisse.

Orígenes (225 d.C.).

c. A Relação entre Cristo e o Deus Pai

Pois Jesus Cristo, nossa vida inseparável, é também a mente do Pai, bem como os bispos estabelecidos até os extremos da terra estão na mente de Jesus Cristo.

Inácio (95 d.C.)

Por tanto, tal como o Senhor não fez nada sem o Pai, [estando unido com Ele], seja por si mesmo ou por meio dos Apostolos, não façam nada vocês, também não, sem o bispo e os presbíteros… Apressai-vos a congregar-vos, como num só templo, Deus; como ante um altar, Jesus Cristo, que veio de um Pai e está com um Pai e partiu a um Pai.

Inácio (95 d.C.)

Deus que se manifestou através de Jesus Cristo seu Filho, que é seu Verbo que procede do silêncio, o qual em todas as coisas agradou àquele que lhe tinha enviado.

Inácio (105 d.C.)

Sendo Ele mesmo a porta do Pai, pela qual entraram Abraão, Isaque e Jacó, e os profetas e os Apostolos e toda a igreja; e todas estas coisas se combinam na unidade de Deus.

Inácio (95 d.C.)

“Escuta,” me contestou; “o Filho de Deus não está representado na forma de um servo, senão que está representado em grande poder e senhorio.” “Como, senhor?,” disse eu; “não o compreendo.” “Porque,” disse ele, “Deus plantou a vinha, isto é, criou ao povo e o entregou a seu Filho. E o Filho colocou aos anjos a cargo deles, para que velassem sobre eles; e o Filho mesmo limpou seus pecados, trabalhando muito e suportando muitos labores; porque cavar sem trabalhar ou esforçar-se. Tendo, pois, Ele limpado a seu povo, mostrou-lhes os caminhos de vida, dando-lhes a lei que Ele recebeu de seu Pai.

Hermas (150 d.C.)

“E disse Deus: Tenho aqui o homem é como um de nós sabendo o bem e o mau.” Depois, ao dizer “como um de nós,” indica de certo número dos que entre si conversam, e que pelo menos são dois… Senão que este surto (Cristo), emitido realmente do Pai, estava com Ele antes de todas as criaturas e com esse conversa o Pai.

Justino Mártir (160 d.C.)

Aqui se nos acusa de loucura, dizendo que depois de ter afirmado a Deus imutável, sempiterno e Pai de todos, adjudicamos um segundo posto a um homem que foi crucificado.

Justino Mártir (160 d.C.)

Que ninguém tenha por ridículo isso de que Deus tenha um Filho. Porque não pensamos sobre Deus Pai ou sobre seu Filho à moda de seus poetas que fazem fábulas nas que apresentam a deuses que em nada são melhores que os homens, senão que o Filho de Deus é o Verbo do Pai em idéia e operação, pois com relação a ele e por meio dele foram feitas todas as coisas, sendo o Pai e o Filho uno só. E estando o Filho no Pai e o Pai no Filho, em unidade e potência de espírito, o Filho de Deus é inteligência e Verbo do Pai. E sé se lhes ocorre perguntar com sua extraordinária inteligência que quer dizer “filho,” se o direi brevemente: O Filho é o primeiro surto do Pai, mas não como fato, já que desde o princípio Deus, que é inteligência eterna, tinha em se ao Verbo e era eternamente racional, senão como procedendo de Deus quando todas as coisas materiais eram natureza informe e terra inerte e estavam misturadas as mais pesadas com as mais ligeiras, para ser sobre elas cria e princípio ativo.

Atenágoras (175 d.C.)

O mesmo Senhor, sendo Filho de Deus, declarou não saber nem o dia nem a hora do Juizo, senão só Deus, quando disse: “A respeito daquele dia e hora ninguém os conhece, nem o Filho, senão só o Pai.” Portanto, se o Filho não teve vergonha de atribuir só ao Pai o conhecimento daquele dia, e falou com verdade, também não nós devemos envergonhar-nos de reservar a Deus aquelas questões que não podemos saber.

Irineu (180 d.C.)

Se, por exemplo, alguém procura o motivo pelo qual só o Pai conhece o dia e a hora, ainda que tudo lhe comunica a seu Filho, o mesmo Senhor o disse, e ninguém pode inventar outro sem risco (de equivocar-se), porque só o Senhor é o Maestro da verdade; e ele nos disse que o Pai está sobre todas as coisas, pois disse: “O Pai é maior que eu.” O Senhor, pois, apresentou ao Pai como superior a todos com respeito a seu conhecimento, a fim de que nós, enquanto caminhamos por este mundo, deixemos a Deus o saber até o fundo tais questões; porque se pretendemos pesquisar a profundidade do Pai, corremos o perigo de perguntar inclusive se há outro Deus acima de Deus.

Irineu (180 d.C.)

Mas ninguém pode conhecer ao Pai se não se o revela o Verbo de Deus, isto é o Filho; nem ao Filho, sem o beneplácito do Pai. Porque o Filho realiza o beneplácito do Pai: já que o Pai envia, o Filho é enviado e vem. E ao Pai, que para nós é invisível , conhece-o seu mesmo Verbo; , este nos o dá a conhecer… E o conhecimento do Pai é a mesma manifestação do Filho: pois todas as coisas se nos manifestam mediante o Verbo.

Irineu (180 d.C.)

E, finalmente, o Pai se manifestou em seu Verbo feito visível e palpável: todos viram ao Pai no Filho, ainda que não todos acreditaram em ele. Pois o invisível do Filho é o Pai, e o visível do Pai é o Filho. Por isso, enquanto ele esteve presente, todos o reconheciam como Cristo e o chamavam Deus.

Irineu (180 d.C.)

Por isso O mesmo é “juiz de vivos e mortos,” o qual “tem a chave de David; abrirá e ninguém fechará; fechará e ninguém abrirá”… Eu (o Filho) era em quem O se comprazia, e cada dia me alegrava em todo tempo ante seu rosto, quando O se gozava na perfeição da órbita e se alegrava com os filhos dos homens.”

Irineu (180 d.C.)

Ele é chamado a “imagem do Deus invisível, o primogênito de toda criação.” “Nele todas as coisas foram criadas, visíveis e invisíveis… e Ele é antes de todas as coisas e por meio dele todas as coisas foram feitas.” Por tanto, Ele é a cabeça de todas as coisas e tem só a Deus o Pai como cabeça. Porque está escrito: “A cabeça de Cristo é Deus.”

Orígenes (225 d.C.).

d. A Humanidade de Cristo

Nós sabemos que o Verbo tomou da virgem um corpo mortal, e que transformou ao homem velho na novidade de uma criatura nova. Sabemos que se fez de nossa mesma substância. Efetivamente, se não tivesse nossa mesma natureza, inutilmente nos teria mandado que o imitássemos como maestro.

Hipólito (200 d.C.)

Se Cristo, quanto homem, tivesse uma natureza diferente da nossa, por que me ordena a mim, nascido na debilidade, que me assemelhe a Ele? Como poderia, nesse caso, ser bom e justo? Verdadeiramente, para que não pensássemos que era diferente de nós, tolerou a fadiga, quis passar fome e sede, aceitou a necessidade de dormir e descansar, não se rebelou frente ao sofrimento, sujeitou-se à morte e se nos revelou na ressurreição. De todos estes modos, ofereceu como primeiros frutos tua mesma natureza humana, para que tu não te desanimes nos sofrimentos, senão que, reconhecendo que és homem, esperes também tu o que o Pai realizou nele.

Hipólito (200 d.C.)

4. Espírito Santo

a. A obra do Espírito Santo

Não aflijas ao Espírito Santo que mora em ti, para que não suceda que interceda a Deus [contra ti] e se aparte de ti.

Hermas (150 d.C.)

O Espírito Santo repreende aos homens porque tendo sido criados imortais a semelhança de Deus contanto que guardassem seus mandamentos, e tendo-lhes Deus concedido a honra de chamar-se filhos seus, eles, por querer assemelhar-se a Adão e A Eva, tentam-se a si mesmos a morte.

Justino Mártir (160 d.C.)

Pelos profetas Deus tinha prometido que o derramaria (seu Espírito Santo) nos últimos tempos sobre seus servos e servas, para que profetizem. Por isso também desceu sobre o Filho de Deus feito Filho do Homem, para acostumar-se a habitar com ele no gênero humano, a descansar nos homens e a morar na criatura de Deus, fazendo neles a vontade do Pai e renovando-os de homem velho a novo em Cristo.

Irineu (180 d.C.)

Por meio do Espírito se deixou ver profeticamente; por meio do Filho se deixou ver segundo a adoção; se fará ver segundo sua paternidade no reino dos céus: o Espírito prepara ao homem para o Filho de Deus, o Filho o conduz ao Pai, o Pai concede a incorruptibilidade para a vida eterna.

Irineu (180 d.C.)

Assim se revelava Deus: pois por todas estas coisas o Pai se manifesta, por meio da obra do Espírito, o ministério do Filho e a aprovação do Pai, aperfeiçoando assim ao homem em vista de sua salvação.

Irineu (180 d.C.)

O Espírito de Deus anunciou o futuro mediante os profetas, preparando-nos e moldando-nos para que fôssemos súbditos de Deus; pois tinha de suceder que o homem, por boa vontade do Espírito Santo, contemplasse (a Deus).

Irineu (180 d.C.)

Deus, deu-lhes o dom do Espírito que nos vivifica.

Irineu (180 d.C.)

Agora recebemos alguma parte de seu Espírito, para aperfeiçoar e preparar a incorruptibilidade, acostumando-nos pouco a pouco a compreender e a portar a Deus. O Apostolo o chamou prenda (isto é, parte da glória que Deus nos prometeu), quando disse na epístola aos Efésios: “Nele também vocês, escutada a palavra da verdade, o evangelho de sua salvação, acreditando em ele foram selados com o Espírito Santo da promessa, que é prenda de nossa herança.”

Irineu (180 d.C.)

Espírito que está disposto como um estímulo, com a debilidade da carne, por força e absolutamente o forte superará o débil, de maneira que a fortaleza do Espírito absorverá a debilidade da carne; e assim, o que era carnal, já não seguirá sendo-o, senão que se converterá em espiritual, pela comunicação do Espírito. Deste modo os Martires deram depoimento e desprezaram a morte, não segundo a debilidade da carne, senão segundo o que estava disposto de seu espírito. Pois absorvida a debilidade da carne, manifestou a potência do Espírito: e o Espírito, ao absorver a debilidade, possui a carne como sua herança.

Irineu (180 d.C.)

Também sobre o Espírito Santo, porque foi o mesmo que esteve nos patriarcas e profetas e que depois foi dado aos Apostolos.

Orígenes (225 d.C.)

Devemos entender que o Espírito Santo nos ensina verdades que não se podem expressar com palavras.

Orígenes (248 d.C.)

O Espírito Santo também se chama ‘paracleto’. Nomeia-se assim por sua obra de consolação. Porque a palavra ‘paracleto’ em latim equivale a ‘consolação’, porque qualquer que é digno de participar do Espírito Santo, sem dúvida, atinge consolo e gozo de coração.

Orígenes (248 d.C.).

b. Receber o Espírito Santo

Ademais, tinha caído sobre todos vocês um copioso derramamento do Espírito Santo; e, estando cheios de santo conselho, em zelo excelente e piedosa confiança, estendiam as mãos ao Deus, suplicando-lhe que lhes fosse propício, em caso que, sem querer, cometessem algum pecado.

Clemente de Roma (30-100 d.C.)

Agora bem, sendo a igreja espiritual, foi manifestada na carne de Cristo, com o qual nos mostrou que, se algum de nós a guarda na carne e não a contamina, a receberá de novo no Espírito Santo; porque esta carne é a contrapartida e cópia do espírito. Nenhum homem que tenha contaminado a cópia, pois, receberá o original como porção sua. Isto é, pois, o que Ele quer dizer, irmãos: Guardem a carne para que possam participar do Espírito. Mas se dizemos que a carne é a igreja e o Espírito é Cristo, então o que tenha feito de modo inescusável com a carne fez de modo inescusável com a igreja. Leste, pois, não participará do espírito, que é Cristo. Tão excelente é a vida e a imortalidade que esta carne pode receber como sua porção se o Espírito Santo vai unido a ela.

Segunda de Clemente (150 d.C.)

“Sei paciente e entendido,” disse, “e terás domínio sobretudo o mau, e farás toda justiça. Porque se és sofrido, o Espírito Santo que habita em ti será puro, não sendo escurecido por nenhum espírito mau, senão que residindo num grande aposento se regozijara e alegrará com o copo em que reside, e servirá a Deus com muita alegria, tendo prosperidade. Mas se a raiva te domina , no ponto o Espírito Santo, sendo delicado, é posto em estreiteza, não tendo [o] lugar despejado, e tenta retirar-se do lugar porque é afogado pelo mau espírito, e não tem espaço para ministrar para o Senhor como deseja, já que é contaminado pelo temperamento de raiva. Porque o Senhor moura na longanimidade, mas oo diabo na raiva. Por conseguinte, que os dois espíritos habitem juntos é inconveniente, e mau para o homem no qual residem… Porque quando todos estes espíritos residem num copo em que reside também o Espírito Santo, este copo não pode contê-los, senão que transborda. O espírito delicado, pois, não estando acostumado a residir com um espírito mau, nem com aspereza, aparta-se do homem desta classe, e tenta residir em tranqüilidade e acalma. Então, quando se apartou daquele homem no qual reside, este homem fica esvaziamento do espírito justo, e a partir de então, sendo cheio de maus espíritos, é instável em todas suas ações, sendo arrastado de cá para lá pelos espíritos maus, e se vê do tudo cegado e privado de suas boas intenções. Isto, pois, sucedeu a todas as pessoas de temperamento de raiva.

Hermas (150 d.C.)

“Que crês que te fará o Senhor a ti, O, que te deu o espírito inteiro, e tu o deixaste absolutamente inútil, de maneira que não pode servir para nada a seu Senhor? Porque sua utilidade se voltou inutilidade quando tu o jogaste a perder. Não vai, pois, o Senhor deste espírito a castigar-te [a ti com a morte] por este fato?” “Certamente,” lhe disse, “a todos aqueles a quem Ele acha persistindo na malícia, Ele os castigará.”

Hermas (150 d.C.)

Por outra parte, o Espírito de Deus não está em todos os homens, senão só com alguns que vivem justamente, em cuja alma se faz presente e com a qual se abraça e por cujo meio, com predições, anuncia às demais almas o que está escondido. As que obedecem à sabedoria, atraem a si mesmas o espírito que lhes é congênito; mas as que não obedecem e recusam ao que é servidor do Deus que subiu, longe de mostrar-se piedosas se mostram mais bem como almas que fazem a guerra a Deus.

Taciano (160 d.C.)

Para isso o Senhor prometeu que enviaria ao Paracleto que nos acercasse a Deus. Pois, bem como do trigo seco não pode fazer-se nem uma só massa nem um só pão, sem um pouco de umidade, assim também não nós, sendo muitos, podíamos fazer-nos um em Cristo Jesus, sem o água que prove do céu. E bem como se o água não cai a terra árida não frutifica, assim também não nós, sendo uma lenha seca, nunca daríamos fruto para a vida, se não se nos enviasse dos céus a chuva gratuita. Pois nossos corpos receberam a unidade por meio da purificação (batismal) para a incorruptibilidade; e as almas a receberam pelo Espírito. Por isso uma e outro foram necessários, pois ambos nos levam à vida de Deus.

Irineu (180 d.C.)

Por isso Paulo diz aos Coríntios: “Lhes alimentei com leite, não com pão, pois ainda não o podiam receber.” Quer dizer: conheceram a vinda do Senhor quanto homem, mas ainda não descansou em vocês o Espírito do Pai, dada nossa debilidade. “Pois quando há inveja, discórdia e divisões entre vocês, não se mostram carnais e caminham segundo o homem?. Isto é, o Espírito do Pai ainda não habitava neles, devido a sua imperfeição e a debilidade de sua conduta. O Apostolo podia dar-lhes o alimento, pois todos aqueles a quem os Apostolos impunham as mãos recebiam o Espírito Santo, que é o alimento da vida, mas eles não eram capazes de recebê-lo por sua relação com Deus ainda débil e sem exercício.

Irineu (180 d.C.)

Mas este Espírito se une à criatura ao misturar-se com o alma; e assim pela efusão do Espírito, o homem se faz perfeito e espiritual: e este é o que foi feito segundo a imagem e semelhança de Deus.

Irineu (180 d.C.)

De modo semelhante os homens, se pela fé se voltam melhores e acolhem o Espírito de Deus, germinam como espirituais, como se tivessem sido plantados no Paraiso. Em mudança, se recusam ao Espírito e perseveram no que eram antes, procurando mais a carne do que o Espírito, então justamente se lhes aplica aquilo: “A carne e o sangue não possuirão o reino de Deus.”

Irineu (180 d.C.)

Por isso o batismo, nosso novo nascimento, tem lugar por estes três artigos, e nos concede renascer a Deus Pai por meio de seu Filho no Espírito Santo. Porque os portadores do Espírito de Deus são conduzidos ao Verbo, isto é, ao Filho, que é quem os acolhe e os apresenta ao Pai, e o Pai lhes presenteia a incorruptibilidade. Sem o Espírito Santo é pois impossível ver o Verbo de Deus e sem o Filho ninguém pode acercar-se ao Pai, porque o Filho é o conhecimento do pai e o conhecimento do Filho se obtém por meio do Espírito Santo. Mas o Filho, segundo a bondade do Pai, dispensa como ministro ao Espírito Santo a quem quer e como o Pai quer.

Irineu (180 d.C.)

Os discípulos… ensinando aos homens o caminho da vida para apartá-los dos ídolos, da fornicação e da avareza, purificando suas almas e seus corpos com o batismo de água e de Espírito Santo, distribuindo e fornecendo aos crentes este Espírito Santo que tinham recebido do Senhor. Assim instituíram e fundaram esta igreja.

Irineu (180 d.C.)

Assim também nós, ao receber o batismo, desembaraçamo-nos dos pecados que, qual sombrias nuvens, escureciam ao Espírito de Deus; deixamos livre o olho luminoso do espírito, o único que nos faz capazes de contemplar o divino, já que o Espírito Santo desce desde o céu e se derrama em nós.

Clemente de Alexandria (195 d.C.)

Depois, ao sair do banho (o batismo), somos ungidos com a santa unção, segundo aquela prática antiga pela que os sacerdotes costumavam ungir se com o azeite de um corno, como Aaron foi ungido por Moisés… Depois se nos impõem as mãos em forma de bênção, enquanto se chama e se convida ao Espírito Santo… E aquele Espírito Santo desce do Pai sobre os corpos purificados e abençoados e também sobre as águas do batismo nas que, como reconhecendo sua santa sede, descansa, como quando baixou em forma de pomba até o Senhor. Tertuliano (197 d.C.) Só é verdadeiramente batizado “de acima” no Espírito Santo e no água o que tem “morrido ao pecado,” e foi verdadeiramente “submergido na morte de Cristo,” e foi “sepultado com ele” num batismo de morte.

Orígenes (225 d.C.)

No tempo do dilúvio, quando todos se corromperam adiante de Deus, está escrito quanto aos pecadores: “Não contenderá meu espírito com o homem para sempre, porque certamente ele é carne.” Por isso se vê claramente que o Espírito de Deus se retira dos que não são dignos dele.

Orígenes (248 d.C.)

Um comentário sobre “Doutrina da Trindade Antes de Nicéia

  1. Otoniel Wey Berti

    Querido Lulito. Paz!
    Espero que muitas pessoas possam estar se beneficiando de alguma forma através do Teologando. Porém, Papito sempre o vê como o filhinho do coração e não como Teólogo. Por isso, quero sempre lembrá-lo, cuidado!
    “Porque há muitos teólogos que na profundezas de suas pesquisas acabam chegando a conclusão que Deus não existe”. Ou se tornam muito críticos com os que pensam diferente. Portanto, é necessário muita oração para que a intrepretação bíblica seja iluminada e lubrificada pelo Espírito Santo. Caso contrário fica seca e áspera. Não esqueça: PORQUE TARDA O PLENO AVIVAMENTO?
    Beijos do véio que é seu fã.

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