Outras questões sobre o Dilúvio


Outra questão que tem feito pessoas rejeitarem o relato bíblico do dilúvio é sua relação com as águas. Entre os cristão também encontramos certas dúvidas com relação ao evento descrito nas escrituras em função da quantidade de água que vê-se nesse relato. Nesse tópico tentaremos tratar desse assunto, sem a pretensão de esgotar as perguntas feitas ao texto.

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1.         De onde vieram as águas do dilúvio?

O texto de Gênesis oferece ao menos duas indicações de origem da água: Fontes do Grande Abismo e as Janelas do Céu. Certamente, vemos nessas duas expressões, analogias compreensíveis para a mentalidade do autor e leitor original, de modo que isso não significa literalmente que exista uma janela do céu. Mas, diante da compreensão do Antigo Testamento, como podemos entender essas expressões?

a. Fontes do Grande Abismo:

O texto de Gênesis diz: “No ano seiscentos da vida de Noé, aos dezessete dias do segundo mês, nesse dia romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as comportas dos céus se abriram” (Gn.7.11).  Keil & Delitzsch sustentam que as fontes do grande abismo são reservatórios ocultos dentro da terra que se irromperam e alagaram rios e inundaram oceanos, resultando no dilúvio[1]. Clarke, na tentativa de explicar esse fato afirma:

“Parece que uma imensa quantidade de águas ocupava o centro da Terra antediluviana, e como estes irromperam a superfície, por ordem de Deus, o circumambient strata deveria afundar, a fim de preencher o vazio ocasionado pela elevação das águas. Este é provavelmente o que se entende por romper as fontes do grande abismo. Estas águas, com o mar na superfície da Terra, poderia ser considerada suficiente para submergir  todo o globo[2]”.

Aqueles que defendem um dilúvio universal encontram nessa expressão a possibilidade de que o dilúvio tenha afligido todo o globo. De fato, tem-se comprovado que existe uma quantidade abundante de água abaixo da superfície. Os cálculos hoje variam entre 3x  a 10x a quantidade de água que existe acima da superfície da terra hoje. Certamente, essa larga quantidade de água seria suficiente para cobrir toda a terra e a ruptura das fontes do grande abismo, em se tratando dessas águas, poderia cobrir toda a terra.

A expressão “águas do grande abismo” foi usada no AT em referência aos oceanos, observe: “Não és tu aquele que secou o mar, as águas do grande abismo? o que fez do fundo do mar um caminho, para que por ele passassem os remidos?” (Is.51.10; cf. Am.7.4; Pv.8.28). Há clara equiparação entre as duas idéias, ou seja, Isaías se refere às águas do mar como as águas do grande abismo. Por outro lado, essa expressão também foi usada para descrever as águas subterrâneas, observe: “As águas o fizeram crescer, as fontes das profundezas da terra o exalçaram e fizeram correr as torrentes no lugar em que estava plantado, enviando ribeiros para todas as árvores do campo” (Ez.31.4; cf. Ez.31.15; Sl.36.6). É bem possível que pela dimensão do evento descrito em Gênesis as fontes de grande abismo sejam uma referências às duas idéias.

Aos que defendiam a idéia de que não existiria água suficiente no planeta para submergir todo o globo agora encontram alguma dificuldade em reagir a idéia de que no dilúvio águas subterrâneas teriam sido fonte para o evento. Por outro lado, os defensores do dilúvio universal ainda precisam provar que toda a água foi usada.

b. Janelas dos Céus:

O Texto de Gênesis também afirma: “No ano seiscentos da vida de Noé, aos dezessete dias do segundo mês, nesse dia romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as comportas dos céus se abriram, e houve copiosa chuva sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites” (Gn.7.11, 12). Sobre isso, Barnes atesta: “Parece que o dilúvio foi produzido por uma comoção gradual da natureza em grande escala. As nuvens foram dissolvidas num incessante aguaceiro[3]”.

É bem provável que essa expressão seja um retorno a realidade da Criação tal como apresentada por Moisés, observe: “Fez, pois, Deus o firmamento e separação entre as águas debaixo do firmamento e as águas sobre o firmamento. E assim se fez” (Gn.1.7). Segundo esse verso, havia água acima do firmamento e certamente podemos entendê-la como uma referência a água em forma de vapor. Sobre esse verso, já dissemos:

“Esse verso também nos diz que houve uma separação efetiva das águas: aquelas que ficaram abaixo do firmamento fazem referência aos mares e rios, enquanto aquelas que ficaram acima do firmamento se referem ás nuvens que passavam a povoar a atmosfera. É bem verdade que alguns entendem que as águas que estavam acima do firmamento como o indício de uma grande camada de vapor que poderia manter a terra em melhores condições para a manutenção da vida e por isso, as primeiras personasgens bíblicas vivessem por tanto tempo e a quantidade de água envolvida no dilúvio[4]

2.         Quanto tempo durou o dilúvio?

Vamos observar alguns dados oferecidos pelo texto:

  1. Gn.7.4, 10: Segundo esse texto vemos que Noé e sua família esperaram 7 dias pelo dilúvio;
  2. Gn.7.12, 17: O texto descreve 40 dias e 40 noites de chuva sobre a terra.
  3. Gn.7.24: Durante 150 dias as águas prevaleceram sobre a terra (cf. 8.3).
  4. Gn.8.6: Descreve que as águas escoaram durante 40 dias.
  5. Gn.8.10: Fala sobre mais sete dias de espera para as águas baixarem.
  6. Gn.8.12: Mais sete dias para as águas escorrerem completamente.

Somado todas as informações do dilúvio, podemos perceber que trata-se de 371 dias entre o primeiro dia de espera e finalmente a saída da Arca. Com todo esse tempo, certamente todos os seres humanos teriam sido exterminados.

3.         A Arca era suficientemente grande para abrigar todos os animais?

Outra questão que tem levado pessoas a duvidar do relato bíblico do dilúvio é seu tamanho: Era a arca de Noé suficientemente grande para abrigar todas as espécies de animais existentes? Era possível/necessário assim proceder? O que o texto nos ensina sobre isso? Vamos ao texto:

a. O tamanho da Arca:

Sobre o tamanho da arca, Krell atesta[5]:

Dimensões Arca de Noé Equivalente Contemporâneo
Comprimento 138 metros 1½  Campo de Futebol Americano
Largura 23 metros 7 Vagas de Estacionamento
Altura 14 metros 3 andares de um prédio
Volume 44.436 m3 800 Vagões Ferroviários
Capacidade 14,000 toneladas MV Princesa do Oriente (1998)

Note que há espaço suficiente na Arca para abrigar muitos animais, especialmente se considerarmos a possibilidade de que Noé levasse consigo animais filhotes. A questão que nos resta então é: Apesar de grande, a arca era suficientemente grande para abrigar todos os animais? Para tentar responder a essa pergunta, vamos considerar duas outras: Existem animais que não seriam necessários na Arca?, e, Que animais o texto de Gênesis diz que Noé levou?. Vamos à análise.

b. Animais não necessários na Arca:

Existem animais que não seriam necessários na Arca? Noé deveria levar animais de todas as espécies? Para responder a essa pergunta, John Withecomb e Henry Morris atestam que 25 mil espécies de peixes, 1700 turnicados, 600 tipos de equinodermos, 197 mil moluscos, 10 mil celenterados, 4000 tipos de esponjas e 31 mil tipos de protozoários poderiam sobreviver fora da Arca e por isso, não seriam necessários dentro da arca[6]. Sobre o assunto, Arnold Mendez complementa:

“Noé não teria que se preocupar com os mamíferos aquáticos como os golfinhos, baleias, botos, leões-marinhos e morsas. Há também muitos répteis aquáticos que poderiam sobreviver fora da arca. Estes incluem muitos tipos de cobras, jacarés, crocodilos e tartarugas marinhas. Há quase um milhão de espécies de artrópodes que sobreviveriam ao dilúvio. Animais como as seguintes: camarões, caranguejos, lagostas e muitos outros crustáceos. Todos os insetos poderiam sobreviver fora da arca. Mais de 35.000 espécies de vermes nematóides também sobreviveriam ao dilúvio. Na realidade, apenas uma pequena percentagem dos animais teria de ser colocado a bordo da arca[7]”.

Ou seja, apesar de ser grande o número de animais existentes, nem todos eram necessários na Arca, e por isso, Deus deixou uma ordem específica para Noé pegar apenas alguns dos animais.

c. Animais necessários na Arca:

Que animais o texto de Gênesis diz que Noé levou? O texto de Gênesis assim nos informa: “De tudo o que vive, de toda carne, dois de cada espécie, macho e fêmea, farás entrar na arca, para os conservares vivos contigo. Das aves segundo as suas espécies, do gado segundo as suas espécies, de todo réptil da terra segundo as suas espécies, dois de cada espécie virão a ti, para os conservares em vida” (6.19-20); “De todo animal limpo levarás contigo sete pares: o macho e sua fêmea; mas dos animais imundos, um par: o macho e sua fêmea. Também das aves dos céus, sete pares: macho e fêmea; para se conservar a semente sobre a face da terra” (7.2-3); “De toda carne, em que havia fôlego de vida, entraram de dois em dois para Noé na arca” (7.15). Todas essas expressões destacadas nos versos acima podem nos ajudar a entender que tipos de animais Noé levou à arca, observe:

1.    Toda carne: O primeiro termo que se nos chama a atenção é basar (carne). Esse termo é usado cerca de 273x em todo o AT, e só Moisés o usa 153x no Pentateuco, o que sugere que tal verbete tem grande parte na pena mosaica. Entretanto, tal termo tem diversas conotações interessantes:

a.    Pessoas: Em Gênesis 2 o termo é usado para descrever uma pessoa por completo: “E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada” (Gn.2.23). Essa relação entre “ossos” (hb. ‘etsem) e “carne” é usada outra vezes para descrever uma pessoa (Gn.29.14; 37.27; cf. Ex.12.46; Jz.9.2; 2Sm.19.12; 13).

b.    Corpo físico: Eventualmente o termo é usado em descrição do corpo do ser humano, observe: “dentro ainda de três dias, Faraó levantará a tua cabeça sobre ti e te pendurará num madeiro, e as aves comerão a tua carne de sobre ti” (Gn.40.19). Nesse caso a referência é mais específica que a anterior, embora o mesmo termo seja usado (cf. Nm.8.7’2Re.4.34; Ec.2.3).

c.    Parte do corpo: É interessante notar que eventualmente o mesmo termo é usado para descrever uma parte do corpo, como no caso da Criação da mulher: “Então, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne” (Gn.2.21). Nesse caso não se trata do todo, mas por metonímia, apenas parte do todo. Esse uso acontece outras vezes em Gênesis, especialmente quando fala da circuncisão (Gn.17.11, 13, 14, 23-24).

d.    Seres vivos em geral: O termo pode ser usado de modo mais abrangente, incluindo homens e animais vivos. Um texto interessante para se considerar esse fato é Gn.6.12: “Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra”. A expressão aqui é “kol basar” e foi entendida como todo ser vivente na ARA. Essa observação é interessante, pois explica de modo mais adequado por que os animais deveriam sofrer com o dilúvio, pois eles também havia se corrompido e também manifestavam certa falência e culpabilidade moral. Essa idéia não é ausente no relato do dilúvio, observe: “Porque estou para derramar águas em dilúvio sobre a terra para consumir toda carne em que há fôlego de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra perecerá” (Gn.6.17; cf. 6.13, 19; 7.15-16, 21; 8.17; 9.11, 15-17). A idéia de culpa moral nos animais também não é ausente no AT (cf. Gn.9.5; Ex.21.28-29; Jn.3.7-8).

e.    Corpo dos animais: Um pouco mais raramente o termo é usado para descrever parte dos animais, ou sua carne, como no caso das vacas gordas e magras de carne (Gn.41.2-4, 18, 19).

f.    Conclusão: Ou seja, o termo apesar de extremamente abrangente sofre de falta de especificidade. Portanto, ainda que todos os animais possam estar incluídos, do mesmo modo que todos os seres humanos, não é possível definir a partir da análise desse termo que tipo de animais estão incluídos na busca de Noé. Assim, muitos entendem a universalidade do dilúvio a partir da abrangência desse termo no texto do dilúvio. Entretanto, essas não são as únicas declarações sobre os animais no relato de Gênesis.

2.    Animais: Outro termo interessante usado por Moisés para falar sobre os animais é bem mais específico em seu escopo: “De todo animal [behemah] limpo levarás contigo sete pares: o macho e sua fêmea; mas dos animais [behemah] imundos, um par: o macho e sua fêmea” (Gn.7.2). Note que o termo para animal é o termo hebraico “behemah” e é usado 91x no Pentateuco e seu uso certamente nos ajudará a compreender melhor o seu significado.

a.    Domésticos: Na Criação o termo usado para descrever animais no verso acima é contrastado com “répteis” (hb. remes) e “animais selváticos” (hb. chay) e definido pela ARA como animais domésticos (Gn.1.24-25). A ARC, ACF optam pelo termo gado para descrever animais em Gn.1.24. Em Gn.1.26 o termo “behemah” é contrastado com peixes (hb dagah), aves (hb. owph) e répteis (hb. remes), mantendo o sentido mais específico do termo, diferente do termo encontrado no relato do dilúvio. Essa distinção acompanha todo o relato da Criação e Queda (Gn.1.24-26; 2.20; 3.14). A próxima vez que o termo é usado em Gênesis também percebeu essa mesma distinção, observe: “Disse o SENHOR: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis [remes] e as aves [owph]dos céus; porque me arrependo de os haver feito” (Gn.6.7). Ou seja, Noé deveria ser responsável por levar na Arca, animais domésticos, ou seja, os que não são aves, répteis ou animais selváticos (cf. 6.20).

b.    Limpos e Imundos: É interessante que apesar de o termo já ter sua especificidade, o texto nos diz que existem outras restrições, pois a exigência divina determina certa quantidade para os animais limpos e imundos: “De todo animal limpo levarás contigo sete pares: o macho e sua fêmea; mas dos animais imundos, um par: o macho e sua fêmea” (Gn.7.2).

i.    Limpos: É interessante que à luz do próprio Pentateuco podemos entender que tipo de animais devem ser considerados limpos, observe: “São estes os animais que comereis: o boi, a ovelha, a cabra, o veado, a gazela, a corça, a cabra montês, o antílope, a ovelha montês e o gamo. Todo animal que tem unhas fendidas, e o casco se divide em dois, e rumina, entre os animais, isso comereis” (Dt.14.6). Nesse relato vemos 10 espécies

ii.    Imundos: O mesmo pode ser dito sobre os animais imundos: “Porém estes não comereis, dos que somente ruminam ou que têm a unha fendida: o camelo, a lebre e o arganaz, porque ruminam, mas não têm a unha fendida; imundos vos serão. Nem o porco, porque tem unha fendida, mas não rumina; imundo vos será. Destes não comereis a carne e não tocareis no seu cadáver” (Dt.14.8). Nesse verso vemos apenas 4 espécies.

c.    Aves: Como já demonstramos, Moisés faz distinção entre os animais domésticos (behemah) e as aves (owph) e répteis (remes), entretanto, tais animais também estavam presentes na arca, observe: “De tudo o que vive, de toda carne, dois de cada espécie, macho e fêmea, farás entrar na arca, para os conservares vivos contigo. Das aves segundo as suas espécies, do gado segundo as suas espécies, de todo réptil da terra segundo as suas espécies, dois de cada espécie virão a ti, para os conservares em vida” (Gn.6.19-20). No Pentateuco também encontramos uma descrição mais detalhada do que se entende por aves e podemos notar que Moisés especifica 25 espécies de aves, 4 limpas (Lv.20.25; Dt.14.11; Nm.11.31-33) e 21 imundas (Lv.11.13-19; Dt.14.12.18).

d.    Selváticos: Apesar de a tradução ARA não deixar isso explícito, é importante o fazer aqui. Como já vimos, os animais domésticos foram contrastados no relato da criação dos animais selváticos, mas tal contraste passa desapercebido no relato do dilúvio, observe: “…eles, e todos os animais [hb. chay] segundo as suas espécies, todo gado [hb. behemah] segundo as suas espécies, todos os répteis que rastejam sobre a terra segundo as suas espécies, todas as aves segundo as suas espécies, todos os pássaros e tudo o que tem asa” (Gn.7.14). O termo animais nesse verso é o termo hebraico usado no relato da criação para descrever animais selváticos (cf. Gn.1.24, 25). Portanto essa categoria de animais também fez parte da Arca de Noé.

e.    Répteis: Por outro lado, não há qualquer descrição de répteis em todo o Pentateuco, exceto que sabemos pela íngua hebraica que esse termo (remes) é usado em distinção com grandes animais (Gn.1.21; cf. 148.7 e 10). Em Gn.1.21, vemos o termo diferenciado de “tanniym”, que a ARA traduziu como animais marinhos, embora também seja usado como descrição de répteis de grande porte, observe: “Fala e dize: Assim diz o SENHOR Deus: Eis-me contra ti, ó Faraó, rei do Egito, crocodilo enorme, que te deitas no meio dos seus rios e que dizes: O meu rio é meu, e eu o fiz para mim mesmo” (Ez.29.3; cf. Ez.32.2; Ne.2.13; Jó.7.12; 30.29; Sl.44.19; 74.13). O termo remes também exclui as cobras, uma vez que é descrita pelo termo tanniym (Ex.7.9-10, 12; Sl.91.13), nachash (Gn.3.1,2, 4, 13; 14; 49.17; Ex.4.3; 7.15; Nm.21.7, 9; Dt.8.15) e pethen (Dt.32.33; cf. Jo.20.14, 16; Sl.58.4; 91.13; Is.11.8). Portanto, é seguro dizer que Noé não colocou répteis de grande porte e serpentes na Arca.

3. Conclusão: Podemos perceber que Deus ordenou que Noé levasse à Arca muitos animais, mas a julgar pelos termos envolvidos nessa cena entendemos que não eram necessários todos os animais. Note que serpentes não foram incluídas, do mesmo modo que todos os animais aquáticos, insetos e outras formas de vida. Mesmo espécies maiores de répteis não foram levados para a Arca, o que sugere que a arca era suficientemente grande para abrigar os animais que Deus se propôs a salvaguardar do dilúvio. Considerando a apresentação acima, entendemos que os animais levados à Arca são:

i.    Animais domésticos

1.    Limpos: 10 espécies, 7 casais de cada, 140 animais
2.    Imundos: 4 espécies, 1 casal de cada, 8 animais

ii.    Aves:

1.    Limpas: 4 espécies,  7 casais, 56 pássaros
2.    Imundos: 21 espécies, 1 casal, 42 pássaros

iii.    Animais selváticos: valor indefinido.
iv.    Répteis pequenos: valor indefinido

Tendo considerado isso, podemos não apenas garantir que o espaço da Arca seria suficiente para esses animais como inferir que o Dilúvio não necessitaria ser universal em função de que nem todos os animais foram levados à arca. Considerando que o propósito de se manter os animais na arca está diretamente relacionado a preservação dessas espécies (Gn.7.3; 8.17), é possível inferir que o dilúvio não exterminou todos os animais de todas as regiões do mundo, pois não foram preservados todos.

4.         A Arca era estável?

Sobre esse assunto, Jonathas Sarfati afirmou:

“A Arca foi construída para ser extremamente estável. Deus falou a Noé para fazê-lo 300x50x30 côvados (Gênesis 6:15), o que é de cerca de 140x23x13.5 metros ou 459x75x44 pés, ou seja, seu volume foi de 43.500 m3 (metros cúbicos), ou 1,54 milhões de  pés  cúbicos. Este é suficiente para evitar um naufrágio e garantir um bom passeio (…) Além disso, os arquitetos navais coreanos confirmaram que uma barcaça com as dimensões da Arca teria estabilidade ideal. Eles concluíram que, se a madeira foi de  apenas 30 cm de espessura, poderia ter navegado as condições de mar com ondas superiores a 30 m[8]. Compare isso com um tsunami (‘onda’), que normalmente é apenas cerca de 10 m de altura. Note também que existe um perigo ainda menor de tsunamis, porque eles são perigosos só perto da costa, no mar, eles são quase imperceptíveis[9]


[1] Keil & Delitzsch, Commentary on the Old Testament.

[2] CLARKE, Adam, Adam Clarke`s Commentary on the Bible. (http://www.godrules.net/library/clarke/clarke.htm)

[3] BARNES, Albert, Notes on the Bible.

[4] BERTI, Marcelo, A Criação do Universo. Pp.6-7.

[5] Adaptado de: KRELL, Keith, It’s Raining, It’s Pouring, and the Lord is NOT Snoring! (Genesis 6.9-8.22). (http://bible.org/seriespage/it%E2%80%99s-raining-it%E2%80%99s-pouring-and-lord-not-snoring-genesis-69-822).

[6] WHITCOMB, John C., MORRIS, Henry M.. The Genesis Flood, the Biblical Record and its Scientific Implications.  Presbyterian and reformed Publishing Co. Phillipsburg, NJ, 1998.

[7] MENDEZ, Arnold, Was noah`s Ark BIG ENOUGH to hold ALL the animals. (http://www.biblestudy.org/basicart/sizeark.html).

[8] Hong, S.W. et al., Safety investigation of Noah’s Ark in a seaway, Journal of Creation  8(1):26–36, 1994.

[9] SARFATI, Jonathan, Noah`s Flood and the Gilgamesh Epic (http://creation.com/noahs-flood-and-the-gilgamesh-epic).

2 comentários sobre “Outras questões sobre o Dilúvio

  1. Ronaldo

    Gostaria que postasse algumas passagens da bílbia, onde mostram-nos, provam-nos que o dilúvio é local, no que acredito enfim!

    Grato.

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