Judas Iscariotes foi realmente salvo?


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Dentre os discípulos de Cristo, Judas certamente é o mais enigmático. Sua figura é tão distinta entre os discípulos, que ele é sempre o último discípulo da lista de discípulos de Cristo. Normalmente ele é apresentado em situações negativas de modo que sua figura como um todo é negativa. Ele é chamado de traidor e sua história termina com uma terrível cena de suicídio. Mas, não foi ele escolhido por Cristo para ser seu seguidor? Não esteve ele com Cristo por ‘três anos’ servindo ao seu lado? Não foi ele um discípulo de Cristo? Isso não faz dele um salvo?

Nesse post pretendemos apresentar informações a respeito da pessoa de Judas, bem como argumentos favoráveis e desfavoráveis à sua salvação. A intenção é conhecer um pouco mais a respeito dessa personagem enigmática dos evangelhos.

1. Quem foi Judas Iscariotes?

  • Judas deixou tudo para se tornar discípulo de Cristo (Mt.19.27; Mt.10.1-4; Mc.3.13-19; Lc.6.12-16)
    • Isso implica que ele teve acesso aos mesmos privilégios e aprendizados que todos os outros discípulos:
      • Judas recebeu autoridade da parte de Cristo sobre espíritos imundos, para expulsá-los e para curar toda sorte de doença (Mt.10.1; Mc.3.15);
      • Judas foi chamado para ser enviado a pregar(Mc.3.14)
    • Isso significa que ele foi separado dentre uma multidão que seguia a Cristo para ser considerado seu discípulo/apóstolo:
      • O ato de selecionar Judas da parte de Cristo foi antecedido por uma noite de oração (Lc.6.12)
      • A seleção aconteceu entre vários dos discípulos de Cristo. Judas foi pessoalmente selecionado por Cristo dentre várias possibilidades (Lc.6.13)
      • Judas foi denominado por Cristo como apóstolo. O termo apóstolo po de significar “enviado” e “contém em si um elemento de autoridade concedida e reconhecida por aquele que envia[3]“
    • Isso não significa que essa seleção não tenha em si o pré-conhecimento de Cristo e sua predeterminação para a função a que ele desempenharia
      • Jesus escolheu 12 entre os discípulos, mas reconheceu que um era o diabo (Jo.6.70-71). Essa afirmação não é necessariamente definitiva para a não salvação de Judas, pois Jesus teria feito algo muito semelhante a Pedro (Mt.16.22-23; Mc.8.32-33)
      • Judas traiu sob influencia e domínio do Diabo (Lc.22.3-6; Jo.13.2)
  • Judas andou por três anos lado a lado com Jesus, e teve a oportunidade de ouvir ensinamentos que outros seguidores Dele não puderam ouvir (Mc.4.34; Mt.13.36ss; ).
  • Judas foi testemunha ocular dos sinais e milagres realizado por Cristo (Mt.8.23-27; Mt.9.18-26; Mt.15.32ss; etc.).
  • Judas foi selecionado como administrador dos recursos que sustentavam a Jesus e seus discípulos durante o ministério de Jesus. (Jo.12.1-6). Também foi considerado como ladrão.
  • Judas foi contado entre os apóstolos e parte do ministério deles realizado com Cristo (At.1.16)
  • Judas foi o responsável pela entrega de Cristo à morte
    • A entrega de Cristo envolveu suborno (Mt.26.14-16; Mc.14.10-11; Lc.22.4-6)
    • Judas estava debaixo da influência do Diabo na execução dessa traição (Lc.22.3-6; Jo.13.2)
    • Debaixo do conhecimento do que haveria de sofrer, Jesus recomenda que Judas faça o que tem que fazer depressa (Jo.13.27). Isso assegura que a ação de Judas estava debaixo do conhecimento de Cristo e predeterminação de Deus (At.2.22-23).

2. Argumentos favoráveis a salvação de Judas

1. Judas foi selecionado por Cristo para ser discípulo e apóstolo.

  • a. Mt.10.1, Mc.3.13: parakaleomai – também usado para referir-se a atividade seletiva de Deus (At.2.39 – salvífico; At.13.2; 16.10 – ministerial);
  • b. Lc.6.13: eklegomai – termo também usado para designar os eleitos ou a eleição (Mc.13.20; Lc.9.35; Jo.15.16, 19; At.13.17; 15.7; 1Co.1.27-28; Ef.1.4)

2. Judas exerceu funções ministeriais como os outros discípulos e apóstolos, debaixo da autoridade e autorização de Cristo:

  • a. Mt.10.1: Ele recebeu de Cristo a autoridade sobre espíritos imundos e para curar doenças (Mc.3.15)
  • b. Mc.3.14: Ele foi selecionado para estar com Cristo pessoalmente e foi comissionado por Ele para pregar. (kerusso)
  • c. Mt.10.7: Nas instruções da pequena comissão, Jesus, ele recomendou que pregassem a mensagem do Reino dos Céus.

3. As definições ministeriais de Judas, também são definições do trabalho desempenhado por Cristo:

  • a. Mt.4.23: A proclamação (kerusso) nesse caso é atribuído ao Evangelho do Reino. O texto também fala sobre um ministério de sinais e milagres (Mt.9.35; 11.1; Mc.1.14; 1.39; 1.45)
  • b. Mc.3.14: Quando Cristo selecionou os 12, ele os escolheu para realizar o trabalho que já realizava, e que transmitia a seus seguidores.

4. As funções ministeriais de Judas também são definições do trabalho desempenhado pelos apóstolos após a ressurreição de Cristo:

  • a. Proclamação: Essa ação foi tomada por todos os seguidores que teriam experimentado a verdadeira salvação (At.2; 3; 4; 8.5; 9.20; 10.40-43…)
  • b. Sinais e Milagres: At.2.43; At.3.1-8; At.8.7…

5. A Judas Iscariotes foi prometido que estaria, no Reino, e que se assentaria em um dos doze tronos que julgaria a nação de Israel, no futuro.

  • a. Mt.19.27: Pedro afirma que os que estavam com Jesus naquele momento, tinham largado tudo para seguir a Cristo.
  • b. Mt.19.28: Jesus não confronta esse fato, e complementa que aqueles que o haviam seguido se assentariam em doze tronos para julgar as doze tribos de Jerusalém
  • c. Mt.19.29: Jesus assegura que aqueles que haviam deixado para trás o que os discípulos haviam deixado, herdariam a vida eterna.
  • d. Lc.22.28-30: Jesus teria dito que aqueles que estavam com Cristo naquele momento eram os que teriam permanecido com Ele. A esses ele garantiu a presença no Seu Reino no futuro.

6. Jesus concedeu acesso ao perdão divino a todos os que estavam envolvidos na cena da crucifixão, por que Judas estaria de fora? (Lc.23.34)

7. O suicídio de Judas não autentica sua não salvação. Aliás, parece que Pedro também não o destinou ao inferno (At.1.25):

  • a. No discurso em Atos, Pedro afirma que Judas foi para o “seu lugar”. Não há indicações objetivas que isso represente a ausência eterna de Deus (inferno).
  • b. É possível que a morte terrível que teve Judas, seja esse lugar a que refere-se Pedro. Esse era o lugar esperado para um traidor.
  • c. A expressão “transviou” (parabaino) pode indicar que Judas esteve sinceramente na companhia de Cristo, até que mudou de idéia, deixou, abandonou o posto ou cargo.

Considerações pessoais sobre os argumentos favoráveis a salvação de Judas

1. A seleção de Judas não implica em que tenha sido chamado à salvação. O chamado de Judas pode evidenciar a pretrição salvífica.   Ele poderia ter sido enquadrado como aquele que foi “parakaleomai” (chamado), mas não “eklegomai” (escolhido) (Mt.22.14). É também possível que Judas tenha sido escolhido por Cristo para ser o traidor (Jo.6.70-71; 13.18).

2,3 e 4. Jesus teria ensinado que nem todos que exerceram funções ministeriais são de fato salvos.Funções ministeriais nunca definiram a salvação:

  • Ninguém é salvo por elas (Ef.2.8-9)
  • Realizá-las não é necessariamente evidência da salvação (Mt.7.21-23).

5. Vamos fazer a réplica desse argumento em duas etapas:

  • MATEUS: Em Mateus essa afirmação de Jesus é feita na presença de todos os discípulos e a presença do termo “doze tronos” pressupõe que Jesus incluísse a todos os discípulos que estavam presentes. Entretanto, Pedro quando se refere a ausência de Judas em Atos, diz que era necessário que a vaga dele fosse suprida. De onde vem essa necessidade? É provável que provenha dessa afirmação de Cristo.
  • LUCAS: Em Lucas temos um detalhe interessante, essa cena acontece durante a última noite. Cristo já havia anunciado que havia entre eles um traidor (v.21-22). Após essa declaração os discípulos se perguntam que é o traidor, e posteriormente quem seria o maior entre eles. Comparando esse fato com a narrativa de João, o diálogo que segue Lc.22.28-30 trata-se da negação de Pedro, que em João acontece após o momento em que Judas já teria sido possuído por Satanás e teria saído da presença dos outros discípulos. Assim, Jesus teria se referido apenas aos 11 presentes. A falta do termo “doze” em definição aos tronos, também sugere isso.

6. O fato de o perdão estar acessível, não significa que ele tenha sido aproveitado. Acaso, os romanos envolvidos na crucifixão de Cristo estavam automaticamente salvos por terem ouvido essas palavras? Acaso a fé não lhes foi necessária?

7. O suicídio pode não indicar que Judas era um não salvo, mas também não evidencia sua salvação.A questão de ter-se transviado, não significa que ele fora salvo e caiu em pecado, mas que abandonou o posto de discípulo e apóstolo. De fato, pode significar que ele esteve sincero na presença de Cristo seu seguidor. Mas, desde quando sinceridade no seguir a Cristo é requisito para salvação?

3. Argumentos desfavoráveis a Salvação de Judas

1. Durante o ministério de Cristo, Ele anunciou abertamente que entre seus seguidores havia pessoas que, embora estivessem com Ele, não eram de fato dele:

  • a. Jo.2.23-25: Após alguns dos seguidores de Cristo terem visto os sinais que ele fazia, passaram a crer no nome de Jesus. Entretanto, o próprio não se confiava a eles, pois os conhecia.
  • b. Jo.6.64: Após um sermão pesado, Jesus afirma que entre aqueles ouvintes haviam descrente. A expressão grega para “descrentes” é exatamente o termo grego empregado para crer como requisito para salvação (Jo.6.29; 30; 35; 36; 40; 47; 64). Nesse mesmo verso, João acresce que Jesus teria conhecimento desde o princípio sobre os que não criam e quem o havia de trair. Portanto, Judas não teria crido em Cristo.
  • c. Jo.6.66-71: Na continuação da passagem anterior, Jesus oferece a oportunidade para que seus discípulos o abandonem, assim como muitos dos seus seguidores o fizeram após seu discurso. Pedro, em nome de todos, diz que eles criam em Cristo. Ao ouvir isso, Jesus alerta Pedro em sua inocência, dizendo que um dos doze era um Diabo.
  • d. Portanto, Judas faz parte daquele grupo de pessoas que embora estivessem próximos a Cristo nunca pertenceram a Ele.

2. Judas também é citado por Jesus nos seus últimos momentos e fica evidente nesse momento que Judas nunca fez parte da salvação, muito embora isso não fosse perceptível, mesmo entre os que estavam com Jesus.

  • a. Jo.13.10-11: Após ter argüido Pedro sobre sua postura diante de sua humildade, Jesus afirma que quem já se banhou não necessita de lavar os pés, mas complementa: “Ora, vós estais limpos, mas não todos”. João explica que Jesus havia dito isso, pois sabia quem era o traidor.
  • b. Jo.13.18: Após recomendar a prática da humildade com o lavar dos pés, Jesus afirma que eles serão bem-aventurados se praticarem essas coisas. Entretanto, completa dizendo que não fala com respeito a todos, mas ele sabe a quem escolheu. Isso era para evidenciar o cumprimento profético de Sl.41.9, como uma referência a Judas (Jo.13.26-30).

3. Jesus havia ensinado que aqueles quem o Pai teria dado a Ele, de modo nenhum ele jogaria fora (Jo.6.37):

  • a. Jo.6.39: A segurança da Salvação é assegurada por Cristo, pois não perderia nenhum daqueles que o Pai o teria dado, e esses seriam ressuscitado no último dia.
  • b. Jo.6.40: Todos aqueles que depositassem fé e cressem no Filho, teriam acesso a vida eterna e seriam ressuscitados por Cristo no último dia.
  • c. Jo.6.44: Ninguém pode chegar a Cristo se não for encaminhado pelo Pai. Esse será salvo (Jo.6.65). O inverso é verdadeiro (Jo.14.6).
  • d. A verdade sobre a salvação é exposta no capítulo 6 de João, tanto da perspectiva da Predestinação Divina, quanto da Responsabilidade Humana. Entretanto, a garantia dessa salvação está restrita a Deus, como o que encaminha e garante essa salvação. Esses que são segurados por Cristo, não podem ser perdidos, pois estão garantidos por Deus.
  • e. Jo.17.12: Em sua oração, Jesus atesta que esteve com os discípulos, que os guardava em nome de Deus e os protegia de modo que nenhum deles se perdeu. Isso está em conformidade com o ensino de Jo.6. Entretanto, Jesus também afirma que o Filho da Perdição havia sido perdido e isto estava em conformidade com a revelação das Escrituras.

4. Jesus teria dito que a pessoas que resistiam ao seu ensino que eles pertenciam ao Diabo (Jo.8.44):

  • a. Jo.8.42: Jesus apresenta um princípio simples para a salvação: Se os seus ouvintes tivessem por Pai a Deus, certamente eles iram amar a Cristo, pois ele mesmo teria vindo de Deus.
  • b. Jo.8.43: Nesse verso, Jesus questiona-se por que não compreendem sua linguagem. A resposta é simples, é por que eles são incapazes de ouvir o que ele diz. Tal incapacidade não é uma deficiência intelectual, mas uma resistência pessoal às verdades anunciadas.
  • c. Jo.8.44: Em explicação à essa resistência, Jesus afirma que esse pertencem ao Diabo. Em grego, podemos ler: vocês do Diabo são. Essa fato explica a falta de compreensão e a incapacidade em ouvir o que ele dizia.
  • d. Jo.6.70: Judas foi chamado de Diabo. A construção grega pode ser lida da seguinte maneira: “um de vocês diabo é”. Essa sentença é muito semelhante àquela que garante que eles pertencem ao Diabo. É possível inferir que o mesmo aconteça aqui. Se isso é verdadeiro, Judas sempre pertenceu ao Diabo, nunca foi salvo e foi escolhido para ser instrumento do maligno (Lc.22.3-6; Jo.13.2, 27) debaixo da supervisão e determinação de Deus (At.2.23) para a realização a crucificação de Cristo, executada voluntariamente por homens (At.2.23; cf. Mc.15.13, 14; Lc.23.21; Jo.19.2, 15).

Outras considerações sobre a não salvação de Judas

1. Judas se arrependeu verdadeiramente? A resposta das escrituras é não, por duas razões:

  • O USO DO TERMO: Em Mateus 27.3 vemos a cena que a versão Almeida Revista e Corrigida (1969) lê: “Então, Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos“. Como alguém poderia ler esse texto e ver nele a declaração que Judas não se arrependeu, se o texto diz o oposto?! Na verdade, a questão aqui é o termo usado por Mateus em grego, que não é o termo comumente usado para arrependimento “Μετανοῶ”, mas usa um sinônimo “μεταμέλομαι”. C. Trench no livro Synonims in the New Testament (Sinônimos no Novo Testamento, lxix), faz uma interessante distinção entre os dois termos: “As distinções tão frequentemente estabelecidas entre essas palavras, no sentido de que o primeiro [μεταμέλομαι] expressa uma mudança meramente emocional a uma mudança de última escolha; o primeiro termo [μεταμέλομαι] faz referência a assuntos particulares, a última [Μετανοῶ] para a vida inteira, a primeira [μεταμέλομαι] não significa remorso, mas lamento, remorso, o outro termo [Μετανοῶ] apresenta a mudança de propósito moral conhecido como arrependimento. Ainda assim Μετανοῶ é a mais completa e mais nobre expressão“. Não é à toa que as versões bíblicas mais contemporâneas como a Almeida Revista e Atualizada já utilizam o termo “remorso” ao invés de arrependimento, bem como a NVI. Outro detalhe interessante é que em todas as as ocasiões em que Cristo conclama pessoas ao arrependimento ele usa “Μετανοῶ” e não “μεταμέλομαι”.
  • O CONCEITO BÍBLICO DE ARREPENDIMENTO: Talvez você possa estar pensando que esse é um caso que apenas algumas pessoas com conhecimento de línguas poderiam perceber, mas isso não é verdade, pois o conceito de arrependimento segundo as escrituras não depende de um estudo de vocábulos em grego. Ou seja, ainda que o termo utilizado fosse “Μετανοῶ”, o contexto é evidente em demonstrar a diferença entre o verdadeiro arrependimento e o falso: Judas e Pedro foram expostos a situação similar, enquanto um traiu o outro negou publicamente, ambos foram acusado se serem ou estarem sob influência do Diabo (Judas: Jo.6.70; Pedro: Mt.16.23), e ambos sofreram emocionalmente com suas ações (Judas: Mt.27.3; Pedro: Lc.22.62), mas Judas se matou e Pedro não. Diante do resultado da ação de cada um deles fica evidente que em um houve o verdadeiro arrependimento, ao passo que no outro, houve apenas o remorso de sua traição. É Paulo que nos ensina isso: “A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte” (2Co.7.9). Se o resultado final foi morte, o pesar emocional, a tristeza, não foi segundo Deus, mas segundo o mundo. Portanto, de acordo com o conceito bíblico de arrependimento, Judas não se arrependeu verdadeiramente.

2. Judas devolveu as moedas? A resposta das escrituras é não, observe: “Quando Judas, que o havia traído, viu que Jesus fora condenado, foi tomado de remorso e devolveu aos chefes dos sacerdotes e aos líderes religiosos as trinta moedas de prata. E disse: “Pequei, pois traí sangue inocente”. E eles retrucaram: “Que nos importa? A responsabilidade é sua”. Então Judas jogou o dinheiro dentro do templo, saindo, foi e enforcou-se” (Mt.27.4-5). O texto diz que Judas devolveu, mas que os sacerdotes não aceitaram, então ele jogou o dinheiro. Diante das duas verdades estabelecidas pelas escrituras, Judas quis devolver, mas sua devolução não foi aceita.

3. Apenas Deus pode dar uma sentença justa sobre a salvação de alguém? Isso é extremamente verdadeiro e bíblico, e o que Deus diz sobre a salvação de Judas:

  • PRIMEIRO: Que a salvação é pela Graça e fé e não por Obras (Ef.2.8). Ou seja, da parte de Deus Graça, que é disponível para todos, e fé a resposta de alguns. Então a pergunta é: Judas teve fé? A resposta de Jesus é não: “Contudo, há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair” (Jo.6.64). Judas é descrito como descrente por Cristo, ou seja, alguém que não havia crido embora estivesse entre os discípulos de Cristo.
  • SEGUNDO: Jesus Cristo garante que aqueles que o Pai o entregou esses mesmos Ele guardará até o fim: “E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia” (Jo.6.39). Ou seja, aqueles que são salvos, trazidos pelo Pai a Jesus Cristo (Jo.6.44) serão garantidos como salvos até o dia que o próprio Cristo o ressuscitar. Então a pergunta é: Judas recebeu essa manifestação graciosa de Cristo? A resposta de Jesus é não: “Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura” (Jo.17.12). Judas não recebeu essa manifestação graciosa de Cristo por que não havia sido enviado pelo Pai a Cristo, pelo simples fato de que ele mesmo não teve fé em Cristo, e por isso não foi guardado por Ele. Em outras palavras, o filho da perdição não poderia ser salvo e isso é parte do cumprimento das escrituras.
  • TERCEIRO: Ninguém será salvo por Deus por manifestar arrependimento por suas obras más, nem mesmo por reconhecer que é pecador, como Judas fez. Observe o que defende as escrituras: “Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo” (Rom.10.9)

Portanto, diante das escrituras não estamos sendo arbitrários em dizer que Judas não é salvo, nem almejando fazer o papel de Deus, como você afirma em seu texto, mas estamos apresentando verdades estampadas nas escrituras.

3 comentários sobre “Judas Iscariotes foi realmente salvo?

  1. Professor Alexandre

    Concordo com os argumentos bíblicos apresentados pelo irmão. Creio que pelas pistas dadas pela própria Bíblia, é forçoso dizer que Judas tenha sido salvo. Mesmo assim, tenho consciência que estamos “Teologando”, e como alguém já disse:”Teologia se escreve a lápis”.

  2. Allan

    Opa e ai meu caro, bom texto, vc acredita que Judas teria sido escolhido por Deus para esta missão (trair)????

    Abraço e Pax

    1. Allan,

      Imagino que tenha respondido isso no meu texto. Observe algumas das minhas colocações:

      1. Durante o ministério de Cristo, Ele anunciou abertamente que entre seus seguidores havia pessoas que, embora estivessem com Ele, não eram de fato dele;
      2. Judas também é citado por Jesus nos seus últimos momentos e fica evidente nesse momento que Judas nunca fez parte da salvação, muito embora isso não fosse perceptível, mesmo entre os que estavam com Jesus.
      3. Jesus havia ensinado que aqueles quem o Pai teria dado a Ele, de modo nenhum ele jogaria fora (Jo.6.37), mas ele diz que não guardou a Judas (Jo.17.12);
      4. Jesus teria dito que a pessoas que resistiam ao seu ensino que eles pertenciam ao Diabo (Jo.8.44), e chamou Judas de diabólico, falando de sua natureza maligna e preteria (Jo.6.70).

      Diante dessas quatro declarações acredito que Judas tenha sido preterido soteriologicamente por Deus embora escolhido por Cristo para ser seu discípulo. Entretanto, acredito piamente que Judas o fez tudo voluntariamente. Ou seja, acredito que a determinação soberana e prévia de Deus não isenta o homem de sua responsabilidade pessoal. Soberania não exclui a livre agência.

      Abs,
      Marcelo

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