Marcas da Verdadeira Espiritualidade


Richard Baxter foi um grande pastor na Inglaterra durante o século XVII e suas pregações marcaram não apenas sua geração de modo indelével, como também as próximas gerações. Baxter também é conhecido por sua piedade cristã e sua luta por levar os cristãos a viver uma vida que agrada a Deus.

No seu livro “Ética Cristã”, Baxter apresenta algumas marcas de uma vida espiritual em conformidade com as escrituras, e gostaria de dividir algumas delas com vocês e apresentar alguns comentários:

  • “Vocês terão mais interesse em entender as Escrituras e em saber tanto o que agrada, quanto o que desagrada a Deus”. Um cristão cuja vida é centrada em Deus certamente manifestará interesse genuíno em conhecer sua Palavra verdadeiramente, afinal preza por glorificar a Deus em sua obediência a Sua palavra, seja por fazer o que deve ou evitar o que não deve: “Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem sucedido” (Js.1.8)
  • “Vocês terão mais interesse na realização de todos os seus deveres, com o propósito de agradar a Deus e não aos homens”. Homens verdadeiramente cheios do Espírito Santo jamais terão outros homens como alvo de suas ações, pois sabem que tudo o que fazem, por mais simples que seja, como comer e beber, eles o fazem para a Glória de Deus (1Co.10.31): “Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens” (Cl.3.23) “sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que,[somente] no Senhor, o trabalho de vocês não será inútil” (1Co.15.58)
  • “Vocês olharão para seus corações e não só para suas ações; para seus fins e pensamentos; para o seu homem interior e seu nível de espiritualidade”. O cristianismo verdadeiro não se ocupa apenas com as ações, mas como já disse A.W. Tozer, o grande valor de uma ação está em sua motivação. Ou seja, é possível realizar um ato religioso de acordo com as escrituras, mas pelos motivos errados. Esse era o caso do fariseus que oravam em público (uma prática recomendável pelo nosso Senhor), mas o faziam para serem vistos pelos homens. Entretanto, aqueles que desfrutam da verdadeira espiritualidade sabem que a luta pela santidade nasce no coração e nos pensamentos e por isso, atentam para eles considerando as escrituras: “Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas” (Fp.4.8).
  • “Vocês respeitarão suas consciências e não as desprezarão; quando elas lhe mostrarem o desagrado de Deus, isto os inquietará; quando elas lhe mostrarem Sua aprovação, isto os confortará”. O cristão que da verdadeira espiritualidade está atento para os mais tênues sinais de rebeldia contra Deus e por isso jamais ignora sua própria consciência. Eles sabem que é sua consciência responsável para inquietar em caso de pecado (Rm.2.15) e se permitem serem conduzidos pelo Espírito Santo de tal modo (Rm.8.14) que suas ações a cada dia são mais parecidas com as de Jesus Cristo, como é esperado de todos os cristãos (1Jo.2.6).

Em outras palavras Baxter nos ensina que a Verdadeira Espiritualidade apresenta marcas morais claras na vida do cristão, de modo que sua preocupação não está na vida pública nem na opinião dos outros, mas na vida centrada em Deus nos níveis mais pessoais e secretos da nossa existência: coração, consciência, motivos e pensamentos.

Ou seja, Baxter nos relembra que segundo as escrituras é impossível viver a verdadeira espiritualidade e não desfrutar das consequências morais que ela trará. Ou como Jonh Stott já disse: “Nenhuma experiência religiosa é válida se não tem consequências morais”, afinal não é possível ser cheio do Espírito Santo de Deus e não manifestar o caráter de Deus.

Que o Senhor nos conduza a essa vida espiritual vibrante e prática.

Marcelo Berti