O Papa, Pedro e a Pedra


E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la – Mateus 16:18

Com a recente mudança na direção da igreja católica, novamente as questões relacionadas a interpretação de Mateus 16.18 veem à tona: Quem ou o que é a pedra sobre a qual Jesus pretende construir sua igreja? Seria uma referência ao apóstolo Pedro ou a Jesus Cristo? Se Pedro é a Pedra é ele o Papa? Afinal de contas quem é a pedra mencionada nesse texto? E o que essa expressão significa?

A interpretação desse texto tem sido alvo de avaliações e reavaliações durante a história da igreja, e duas categorias principais insurgem nessa busca pela correta compreensão do texto. A primeira interpretação é conhecida por meio da Igreja Católica, que afirma que Cristo afirma com esse texto que Pedro é a rocha sobre a qual Jesus iria construir sua igreja. Assim esse texto afirmaria a base para o Papado Petrino e como parte da argumentação para sua sucessão papal. A segunda interpretação é conhecida como a interpretação Protestante, que rejeita a ideia de um Papado de Pedro como o cabeça da igreja e portanto a sucessão papal decorrente dela.

A verdade é que o debate tornou-se por demais passional e o texto em si ficou relegado ao segundo plano da discussão. Sobre isso Craig Bloomberg afirma:

Os extensos debates medievais tornaram difícil ler esse texto originalmente como Jesus o planejou. O catolicismo romano no período da Reforma usou a passagem para confirmar o ministério autorizado de  cada sucessivo bispo de Roma (i.e., o papa), numa rede contínua de sucessão apostólica desde os tempos de Pedro. Lutero, por sua vez, argumentou que a pedra era Cristo. Vários estudiosos e teólogos, antes e desde então, tem adotado uma posição intermediária, a de que a “pedra” sobre a qual a igreja seria construída era a confissão de Pedro, de Jesus como o Cristo.

(Craig Blomberg, Jesus e os Evangelhos, pp.362)

Por isso, nesse artigo, pretendemos apresentar resumidamente a interpretação Católica, a interpretação Protestante, a interpretação histórica e uma cuidadosa interpretação do texto. O objetivo desse artigo é apresentar a validade da interpretação do texto diante das divergentes opiniões católicas e protestantes, com a intenção de trazer a avaliação do tema à luz do texto de Mateus 16.18, no seu contexto.

Também pretendemos demonstrar que a história da interpretação desse texto, diferente do que muitos acreditam, não suporta uma ou outra opinião, mas que desde os anos mais primitivos da igreja e da teologia cristã, a diferença de opinião sobre esse texto já existia.

Por fim, pretendemos voltar ao texto para interpretá-lo, não à luz do debate de quem é que tem primazia no texto, mas do que de fato Cristo teria dito, ou intencionado dizer à luz do contexto da passagem.

1. A interpretação Católica

Para a Igreja Católica e seus devotos, a prova de que Cristo constituiu Pedro como o cabeça da igreja é encontrada em dois textos Mat.16.18 e João 21.15-17. No texto de Mateus, o ofício papal é solenemente prometido ao Apóstolo Pedro em resposta a sua profissão de fé da divina natureza de Cristo. Três importantes princípios podem ser observados aqui (do ponto de vista católico):

  1. As prerrogativas prometidas em Mat.16.16-19 são direcionadas pessoal e particularmente a Pedro. O texto de Mateus afirma: “Respondeu Jesus: “Feliz é você, Simão, filho de Jonas!”. A profissão de fé não foi feita por Pedro em nome do grupo dos apóstolos pois o texto diz: “Porque isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus”. Até mesmo a revelação divina foi dada pessoal e particularmente a Pedro.
  2. Jesus direciona sua declaração a Pedro: O texto continua por dizer: “E eu lhe digo que você é Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha igreja“. A palavra usada para descrever o nome do apóstolo e a pedra em aramaico é a mesma palavra. O pressuposto evidente aqui, é que dificilmente judeus conversariam ou expressariam suas ideias em um outro idoma diferente do idioma nativo para eles. Tendo considerado isso, é bem provável que Jesus tenha usado o termo aramaico “Kefas” (Cefas) tanto para descrever a Pedro quanto à pedra, clarificando assim, a referência.
  3. Portanto, as escrituras ensinam que a Igreja será construída sobre Pedro: Pedro é, portanto, a fundação da igreja. Ele é o princípio de unidade, estabilidade e crescimento. Ele é o princípio da unidade por que qualquer coisa que esteja conectada à fundação da igreja não faz parte da Igreja; da estabilidade, por que é em função da estabilidade do fundamento que a igreja permanece, apesar dos ataques que sofre; do crescimento, por que, se a igreja cresce é por que novas pedras foram colocadas sobre o fundamento.

Em síntese, esses três princípios parecem resumir a visão católica sobre o texto de Mateus 16.16-18. Entretanto deve-se notar que o texto em si, nada fala sobre unidade, estabilidade ou crescimento da igreja, nem mesmo sobre a sucessão do apostolado petrino. Em outras palavras, a interpretação e aplicação do texto, são comprometidas pela necessidade de justificar bíblica e historicamente a existência da organização.

2. A interpretação Protestante

Normalmente (não sempre, nem em todos os casos), a interpretação protestante inicia por negar as conclusões apresentadas pela igreja católica. Por isso, três diferentes interpretações são atribuídas aos protestantes, e em todas elas a referência de Cristo não pode ser Pedro.

  1. A rocha é Cristo e não Pedro: A mais comum das interpretações desse texto é que Jesus faz uma referência à si mesmo como a rocha sobre a qual Ele irá edificar a igreja. Paralelos bíblicos para isso não faltam (1Cor.3.11; Ef.2.20-21; 1Pe.2.4-8). Sobre essa visão, Shepard afirma: “Sobre a rocha do caráter messiânico e da divina natureza de Cristo pessoalmente encarnado, na viva fé de Pedro e outros, e publicamente confessa ao mundo é que Jesus iria construir Sua casa para o Israel espiritual” (Shepard, The Christ, pp.304). Louis Barbieri também afirma: “O melhor modo para se entender esse texto é que Jesus estava elogiando Pedro por sua correta declaração a Seu respeito, e então introduzindo o Seu trabalho de edificar a igreja sobre Si mesmo (1Cor.3.11)” (Louis A. Barbieri, “Matthew” IN: John F. Walvoord and Roy Zuck, The Bible Knowledge Commentary New Testament. pp.57)
  2. A rocha é a confissão de Pedro e não Pedro: Outra interpretação comum é que a declaração messiânica de Pedro é o fundamento da igreja. O exercício interpretativo aqui é mais forçoso, visto que no texto, ou mesmo no contexto, não há nada que indique que a confissão esteja no foco da mensagem de Cristo. Edersheim, sobre essa possibilidade afirma: “A grande profissão de Pedro, como o representante dos apóstolos, foi posta como fundamento da Igreja (…) Sem essa confissão, os cristãos seriam apenas uma seita judaica, um partido religioso, uma escola de pensamento e Jesus um Rabbi, um mestre, reformador ou um líder para a humanidade. Mas, a confissão que apresenta Jesus como Cristo, também constituiu Seus seguidores a igreja” (Edersheim, Life and Times of Jesus the Messiah, Vol.2 pp.91). “A pedra sobre a qual Cristo iria construir Sua igreja é provavelmente a confissão de Pedro” (Radmacher, Allen, House, New Illustrated Bible Commentary, pp.1169)
  3. A rocha é a fé de Pedro e não Pedro: A opção menos comum é de que a fé de Pedro é a rocha sobre a qual a igreja será construída. Os paralelos aqui são mais tênues, e tal opção se parece mais com uma implicação que uma interpretação do texto. Calvino parece favorável à essa opção quando diz: “Por isso, é evidente como o nome de Pedro vem a ser aplicado tanto para Simão, individualmente, como para outros crentes. É porque eles estão fundada na fé de Cristo, e juntaram-se, por um consentimento santo, em um edifício espiritual” (John Calvin, The Gospel according to Matthew, Mat.16.18)

Há ainda uma quarta categoria que tenta englobar todas as alternativas anteriores. Dwight Pentecost o faz muito bem quando afirma: “É possível combinar todas essas alternativas, afinal cada uma delas tem sua validade, de modo que Cristo está dizendo que a igreja será construída por meio do ministério de homens que demonstraram fé na Sua pessoa como Filho de Deus. Enquanto a verdade é proclamada, outras pessoas que escutam e creem serão unidas com Ele na igreja que é Seu corpo. [Mas], Cristo vai edificar a igreja, não Pedro” (J. Dwight Pentecost, The words and works of Jesus Christ, pp.251-2).

A verdade é que todas essas opções tem sua validade, mesmo a interpretação católica. Entretanto, é no debate das implicações da interpretação adotada é que o diálogo teológico se esquenta e o texto se esquece.

No caso da interpretação de que a rocha é Cristo, embora exista diversas analogias a serem feitas e textos paralelos, essa interpretação ignora o trocadilho usado por Jesus, entre Pedro e a pedra. Cristo poderia muito bem ter usado seu nome, ou até mesmo um pronome em referência a si mesmo.

As duas outras opções são mais implicações do que interpretações do texto. Nada no texto ou no contexto parece sugerir que ou a fé ou a confissão de Pedro seja de fato a rocha. Entretanto, é válido dizer que as implicações auferidas em ambas podem ser facilmente sustentada pelas escrituras.

Tendo dito isso, observamos que tanto a interpretação católica como protestante tem suas virtudes e defeitos. Nos cabe agora observar como esse texto foi lido historicamente para então perceber como esse texto foi lido historicamente.

3. Interpretação Histórica

No que se refere à tradição da igreja, os Pais da Igreja deixaram três diferentes opiniões: (1) A opinião de que a pedra era Pedro; ou (2) Cristo; ou (3) A confissão de Pedro. De modo interessante, a antiga tradição da igreja já apresentavas as principais categorias interpretativas conhecidas nos nossos dias, sem que qualquer distinção entre protestante e católico existisse.

O que isso nos ensina, é que além das questões organizacionais, existem questões textuais que deixaram os cristãos do passado confortáveis em afirmar uma ou outra interpretação.

A. A pedra é Pedro

Antes de apresentar as evidências relacionadas a esse tema, é importante ressaltar que a terminologia usada pelos antigos pais da igreja é em muitos casos similar àquela que a Igreja Católica usa em nossos dias. Entretanto, o sentido certamente não é o mesmo. Por exemplo, o termo “Papa” foi usado no contexto da Igreja Primitiva, não como o Supremo Bispo de Roma, mas como uma referência a um bispo exemplar, como no caso de Cipriano (cf. The Westminster Dictionary of Christian Theology, pp.424):

“O termo ‘papa’ originou-se no antigo grego coloquial como uma descrição de ‘pai’, e então passou a ser aplicada, a partir do terceiro século, aos patriarcas orientais, bispos, abade e eventualmente ao clérigo (…) No ocidente o termo nunca foi muito comum fora de Roma (originalmente uma igreja que falava grego) e do sexto século em diante, de modo crescente, [o termo] tornou-se reservado ao bispo de Roma, até que no fim do século XI o Papa Gregório VII o tornou oficial”

(J.Van Engen, “Papacy”, IN: Walter A. Elwell, Evangelical Dictionary of Theology, second edition, pp.888)

De acordo com a New Advent Catholic Encyclopedia:

“O título ‘papa’ foi aplicado, como já dito, como mais latitude por um período. No oriente foi usado para descrever meros clérigos. Na igreja do ociedental, ao que tudo indica, desde o início foi de uso restrito para bispos (Tertuliano, On Modesty, 13). Também parece que que a partir do quarto século o termo começou a ser usado de modo distintivo como título para o pontífice de Roma. O Papa Siricius (398) parece ter usado o termo desse modo (Ep. vi in P.L., XIII, 1164) e Enódio de Pávia (473) o emprega de modo mais claro, com esse sentido, na catar ao Papa Símaco (P.L., LXIII, 69). Entretanto, apenas no sétimo século São Gall (640) foi endereçado por Desidério de Caor como ‘papa’ (P.L., LXXXVII, 265). Finalmente, Gregório VII declarou que o termo deveria ser apenas aplicado aos sucessores de Pedro”

(Joyce, G. (1911). The Pope. In The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company. Retrieved March 16, 2013 from New Advent:http://www.newadvent.org/cathen/12260a.htm)

Tendo apresentado o contexto no qual se origina o termo papa, é importante perceber a crescente conexão entre o texto de Mateus 16.18 e o ofício papal. A história da igreja, nesse assunto não é monolítica, e como veremos, antes da consolidação do ofício ao texto, as interpretações da igreja foram mais livres e divergentes, entretanto sem qualquer conflito.

Tertuliano parece ter sido o primeiro a afirmar claramente que Pedro era a pedra afirmada por Cristo. No seu livro Prescription Against Heretics (escrito por volta de 199) ele afirma: “Havia algo retido do conhecimento de Pedro que é chamado de ‘a pedra sobre a quel edificarei minha igreja‘…” (Tertullian of Carthage, Prescription Against Heretics). Em diferentes ocasiões, Tertuliano parece mencionar o fato de que Pedro é a rocha sobre o qual Cristo iria construir sua igreja (On Monogamy 8. ANF 4:65; CIL 2:1239, ANF 4:59;  Prescription Against Heretics 32. ANF 3:258; CIL 1:212-213), mas em nenhum momento afirma que o status de Pedro como a Rocha seria conferido aos seus sucessores. Tertuliano chega a reconhecer o fato de que Pedro instituiu Clemente como seu sucessor em Roma, mas jamais atribuiu a Clemente o mesmo status que identificou em Pedro como a rocha da igreja.

De acordo com o testemunho de Tertuliano, o Papa Calisto I (217-222), chamou para si a autoridade outorgada a Pedro como o fundamento da igreja. Ao que tudo indica, Calisto I foi o primeiro a advogar que a autoridade conferida por Cristo a Pedro poderia ser estendida àqueles que se assentavam na cadeira de Pedro. Em uma de suas exortações ao papa, Tertuliano escreveu: “Que tipo de homem é você, subvertendo e alterando completamente manifesta intenção do Senhor, que conferiu essa graça pessoalmente sobre Pedro? (…) Em Pedro a igreja foi criada; ou seja, por meio do próprio Pedro; Pedro é o portador das chaves” (On Modesty 21. ANF 4:99; CIL 2:1326-27).

Gregório de Nissa (330-395) também foi favorável à essa interpretação: “Nós celebramos a memória de Pedro, o chefe dos apóstolos, e juntamente com ele todos os outros membros da igreja são glorificados; por que sobre ele a igreja de Cristo é estabelecida. De fato, este homem, de acordo com o título que lhe é conferido pleo Senhor, é a própria sólida rocha sobre a qual o salvador tem edificado sua igreja” (Joseph Berington and John Kirk, eds., The Faith of Catholics: Confirmed by Scripture and Attested by the Fathers of the First Five Centuries of the Church, vol. 2 (New York: Fr. Pustet, 1885), 21). Do mesmo modo que Tertuliano, Gregorio também não atribui a mesma posição ou autoridade aos sucessores de Pedro.

O primeiro decreto a ser escrito na história da igreja, afirmando e validando a autoridade de Pedro na sucessão de bispos na cátedra petrina, foi promulgado pelo Papa Dâmaso I (305-384), que sobre o texto de Mateus 16.18 afirmou:

“Apesar de todas as Igrejas católicas espalhadas pelo mundo,  compreendem apenas uma câmara nupcial de Cristo, no entanto, a Santa Igreja de Roma não foi colocado na vanguarda pela decisão conciliar de outras igrejas, mas recebeu a primazia pela voz evangélica do nosso Senhor e Salvador, que diz: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (…) A primeira Sé, portanto, é a de Pedro, o apóstolo, o da igreja romana, que não tem mancha nem mácula, nem nada parecido”

(Decree of Damasus 3. IN:William Jurgens, The Faith of the Early Fathers, vol. 1 (Collegeville: Liturgical Press, 1970), 406-407)

Jerônimo (342-420) também entendeu Mat.16.18 como uma indicação a Pedro como a pedra, e em sua carta ao Papa Damasus, Jerônimo afirmou: “Eu acho que é o meu dever consultar a cátedra de Pedro, e me voltar para a igreja cuja fé foi elogiado por Paulo. Eu apelo para o alimento espiritual para a igreja onde eu recebi o traje de Cristo (…) Minhas palavras são direcionadas para o sucessor do pescador, para o discípulo da cruz. (…) Para isso, eu sei, é a rocha sobre a qual a igreja é construída!” (Letter 15.2. NPNF 2, 6:18.). Como fica clara na citação de Jeronimo, ele não apenas reconhece o status de Pedro como a pedra, como também o papel da cátedra de Pedro como a continuidade da autoridade e do ministério petrino. Para Jeronimo, o “papado” é uma instituição estabelecida por Cristo, de modo que os sucessores de Pedro herdam sua autoridade.

Por fim, precisamos mencionar o Papa Leão I, o Grande (440-461), o primeiro Papa no atual sentido do termo. Até então, Papa era apenas uma designação de reconhecimento de autoridade como um padre líder na igreja. De acordo com Gonzales, o Papa Leão o Grande “estava convicto que Jesus tinha feito Pedro e seus sucessores a rocha sobre a qual ele iria construir a igreja, e que, por conseguinte, o bispo de Roma, o sucessor direto de Pedro, seria o cabeça da igreja. Portanto, nos escritos do Leão I é que encontramos todos os argumentos tradicionais que repetidos e agrupados em favor da autoridade papal” (Justo Gonzales, The Early Church, p.244). É com essa confiança que o mesmo declarou:

“A dispensação de verdade, portanto, permanece o bem-aventurado Pedro perseverante na força da pedra [o ofício], que ele recebeu não abandonou, o comando da igreja que ele empreendeu. Por que ele foi ordenado antes de todos de tal forma que foi ele mesmo chamado de pedra (…) podemos conhecer a natureza de sua associação com Cristo. E ainda hoje ele mais plena e efetivamente executa o que é que lhe foi confiada e realiza toda a parte do seu dever e carga nele e com ele, e por quem ele foi glorificado. E assim, se alguma coisa é justamente feita e é justamente decretada por nós, se nada está ganho da misericórdia de Deus por nossa súplica diária, é o seu trabalho e mérito em cujo poder e autoridade prevalece na Sé”

(Sermon 3. NPNF 2, 12:117. cf. CIL 138:12-13)

Diante desses pais da igreja, é possível perceber que a identidade de Pedro como a pedra historicamente tomou formas diferentes na história até ao ponto de ser identificada com o ofício de Pedro. Em outras palavras, a transição de Pedro para o ofício de Pedro, exigiu algum tempo, e não foi catolicamente (universalmente) aceita até anos mais tarde. Como veremos, durante o mesmo período, outros pais da igreja manifestaram opiniões distintas.

B. A pedra é Cristo

Aparentemente, o primeiro Pai da Igreja a mencionar a possibilidade de que a pedra era de fato Cristo, foi Eusébio de Cesaréia (260-340). Entretanto, é realmente difícil definir qual era a opinião de Eusébio sobre o assunto, pois no livro História Eclesiástica ele afirma foi sobre “que a Igreja de Cristo é construída” (Ecclesiastical History 6.25. NPNF 2, 6:25; SC 41:127). Mas, no seu comentário de Salmos, Eusébio claramente identifica Cristo como a pedra: “Sobre essa pedra edificarei minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela. Sobre essas palavras o apóstolo indica que ‘não há outro fundamento que alguém possa usar, senão o que já esta posto, que é Jesus Cristo’. Portanto, depois do próprio Salvador, você pode atribuir o fundamento da igreja as palavras dos profetas e dos apóstolos” (Commentary on Psalm 17,” in The Church of Rome at the Bar of History, ed. and trans. by William Webster (Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1995), 176).

Cirilo de Jerusalém (313-386) também atribui o mesmo texto a Jesus. Para ele, a igreja é uma entidade espiritual que Deus chamou à existência para substituir os Judeus, que conspiraram contra o Messias. Em função da incredulidade dos judeus, os gentios se tornaram o novo povo de Deus, a Igreja. Segundo Cirilo,quem trabalha pela manutenção da Igreja é o próprio Cristo (Catechetical Lectures 18.25. NPNF 2, 7:140), o que fez com que muitos teólogos atribuíssem a ele tal interpretação, embora nunca a tenha feito explicitamente.

Por fim, precisamos mencionar Agostinho de Hipona (354-430). Como muitos antes dele, Agostinho cria piamente na sucessão apostólica, e até mesmo que o bispo de Roma teria o direito de ser chamado o sucessor de Pedro (Letters of St. Augustine 53.2. NPNF 1, 1:298; CSEL 34:153-154). Ele realmente acreditava que os papas eram legítimos herdeiros de Pedro, mas de modo interessante, não atribuiu a Pedro o título de pedra da Igreja. Para Agostinho, Pedro era o representante de toda a Igreja, mas não o fundamento da mesma: “Por que, ‘tú és Pedro’ e ‘sobre essa pedra’ foram ditos para ele [Pedro]. Mas, a pedra era Cristo” (Retractations 20. FOC 60:90-91. CSEL 36:98).

Em outra ocasião Agostinho também afirmou:

“Petra [gr. para pedra] não é derivado de Pedro, mas Pedro de petra, do mesmo modo que Cristo não é chamado em função dos cristãos, mas os cristãos por causa de Cristo (…) Portanto, a pedra era Cristo, e sobre esse fundamento o próprio Pedro foi edificado. Por que ninguém pode lançar outro fundamento além do que já está posto, que é Jesus Cristo”

(On The Gospel of John Tractate 124.5. NPNF 7:450; CIL 36:684-85).

Como fica evidente, Agostinho também afirmou que a pedra era na verdade Cristo, e o fez no mesmo período que Jerônimo afirmava a Pedro como a Pedra.

C. A pedra é a fé de Pedro

No decorrer do diálogo teológico da igreja primitiva, também encontramos entre os pais da igreja aqueles que afirmaram que a pedra era na verdade a confissão de Pedro. Entre eles, devemos considerar Orígenes de Alexandria (185-254). É fato que Orígenes atribui a Pedro o título de pedra em seu comentários de Êxodo (Homily 5.4. IN:William Jurgens, Faith of the Early Fathers, vol. 1 (Collegeville: Liturgical Press, 1970), 205) e João (Commentary on John 5.3. ANF 10:384. GCS 10:101). Nessas ocasiões, Orígenes de passagem faz essas afirmações, entretanto, quando comenta o texto de Mateus, ele defende que a pedra era de fato a confissão de Pedro, chegando a afirmar que aqueles que professam o mesmo que Pedro confessou, também se tornam pedras (Commentary on Matthew 12:10. ANF 10:456; GCS 40:85-86).

Ambrósio (339-397) afirmou recorrentemente que a pedra em Mateus 16.18 se referia à fé de Pedro: “Fé é portanto, o fundamento da Igreja, por que não foi dito que a respeito de Pedro, mas de sua fé, que ‘as portas do inferno não prevalecerão contra ela’. Mas, sua confissão de fé conquistou o inferno” (The Sacrament of the Incarnation of Our Lord 4.32-5.35. FOC 44:230-1; CSEL 79: 239-240). Para Ambrósio era claro que “a fé é o fundamento da Igreja” (St. Ambrose, “Commentary in Luke 6.98,” in Exposition of the Holy Gospel According to St. Luke with Fragments on the Prophecy of Isaias, ed. and trans. by Theodosia Tomkinson (Etna: Center for Traditionalist Orthodox Studies, 1998), 229).

Epifânio (310-403) como muitos outros teólogos do passado, também vacilou em sua interpretação do texto de Mateus. Em algumas ocasiões afirmou ser Pedro a pedra (Ancoratus 9:6). Entretanto, em sua obra entitulada Panarion, Epifânio afirma que “Pedro, que negou por um período mas ainda assim se tornou nossa sólida rocha em suporte da fé em nosso Senhor, na qual a igreja em todos os sentidos foi fundada. Ou seja, em primeiro lugar, em função da confissão de que Cristo é o Filho do Deus vivo” (Epiphanius, Cathari 59).

Por fim, precisamos mencionar João Crisóstomo (347-407), que consistentemente argumentou que a confissão de Pedro era a pedra sobre a qual a igreja seria edificada (Homily 54.3. NPNF 1, 10:333; PG 58:535). Na sua homilia número 82 ele afirmou: “Por que Ele [Cristo] edificou Sua igreja sobre a confissão de Pedro, e a fortificou, de modo que dez mil perigos e mortes não podem prevalecer sobre ela” (Homily 82.3. NPNF 1, 10:494; PG 58:741).

D. Conclusão

Como observado, durante a história da igreja, diferentes opiniões foram apresentadas para esse texto, de tal modo que é possível encontrar diferença de opinião até mesmo em um mesmo autor. Mais importante do que isso, a história demonstra que a questão de ser Pedro a pedra não é necessariamente ligada à sucessão apostólica, ou à necessidade da instituição romana. Mesmo homens propagadores e defensores da fé católica antiga, não se viram obrigados a assumir a sucessão papal quando afirmaram ser Pedro a pedra. Sem contar naqueles que desafiaram a interpretação petrina, oferecendo opções conhecidas em nossos dias como uma interpretação protestante, a saber, Cristo como a pedra, ou a confissão petrina como a pedra.

Também é importante ser notado que a interpretação apresentada nesse artigo como Católica, passou a ser considerada parte da igreja apenas após Leão I, no quinto século da era Cristã. Sobre isso Petry afirma:

“Por volta do quinto século, as teorias da eminência petrina e sucessão apostólica tinha sido coordenadas numa crescente e insistente declaração da prioridade papal (…) [em Leão I] os clamores da liderança papal sobre todos os bispos atingiu seu ponto máximo (…) De acordo com as afirmações de Leão, Cristo teria comissionado o ofício de promulgar Sua verdade a todos os apóstolos. Mas Pedro teria sido constituído como o cabeça deles. Separado dele, ninguém pode ter qualquer participação nas bênçãos divinas (…) Leão I se atribuiu a designação de cabeça da igreja universal. Ele teria sido investido com a dignidade de Pedro que era o fundamento da igreja, a pedra da fé, e o porteiro do céu. De sua mesa em Roma, Leão I exerceu o cuidado e liderança de todas as igrejas, com direta responsabilidade a Cristo, que teria conferido esse posto a Pedro”

(Ray C. Petry, A history of Christianity, pp.178)

Entretanto, a questão a ser avaliada não é que interpretação surgiu primeiro na história, como se prioridade fosse algum indicativo de veracidade. A questão é qual dessas diferentes opiniões apresentadas na história da igreja melhor representam o texto das escrituras. A questão não é qual opinião veio primeiro, mas o que primeiro disse o nosso Senhor. Por isso, não podemos deixar de analisar o texto com a devida atenção.

4. A interpretação do texto

Depois de apresentar as duas maiores opiniões sobre o texto e de apresentar a história da interpretação do texto, agora nos é necessário olhar para o texto à parte das discussões históricas. É momento de analisar o texto no seu contexto e retirar do texto o que ele pode nos ensinar.

Nessa seção pretendemos observar a interpretação do texto Mateus 16.18 no seu idioma original, com a devida atenção a detalhes com a intenção de facilitar a compreensão do mesmo. Ao fazer isso, iremos oferecer paráfrases para facilitar o entendimento das expressões mantidas para nós em grego.

A. Petrós

“κἀγὼ δέ σοι λέγω ὅτι σὺ εἶ Πέτρος” Mateus 16.18a

κἀγὼ (conjunção aditiva καὶ [e] + o pronome pessoal ἐγὼ [eu]) δέ (conjunção de conexão lógica): O termo que introduz a sentença que nos interessa estudar é também muito interessante. Usado como uma simplificação linguística, o termo denota diferente conceitos. O sentido mais natural da expressão seria a tradução literal “e eu” como acontece em diferentes lugares no Novo Testamento (Lc.2.48; Mt.11.28; Jo.6.57; 7.28; 8.26; 10.28; 17.22). Em alguns contextos o sentido expresso pode ser adversativo (Jo.12.32; At.22.19; 10.28), ou complementar (Mt.2.8; Lc.1.3; At.8.19; Jo.5.17; 2 Co.11.21; Jo.15.9; 17.18; 20.21). Entretanto, em algumas ocasiões, o sentido é um pouco diferente, como por exemplo em Lc.11.9: “Κἀγὼ ὑμῖν λέγω” (eu, da minha parte, te digo). Nesse caso existe uma ênfase atribuída ao autor e ao referente da frase (William Bauer, A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 3rd ed., rev. and ed. by Frederick Danker (Chicago: University of Chicago Press, 2000), 487. See 3b).

Ao que tudo indica, esse parece ser o sentindo nesse texto: “Meu pai acabou de revelar algo para você, mas, da minha parte, eu revelo a verdade para você“. A continuidade e contraste entre a sentença pregressa e a atual é fundamental para a compreensão do texto, pois aquilo que Jesus passa a afirmar é parte da revelação divina a Pedro em resposta à afirmação que fizera a Cristo.

ὅτι (conjunção substantiva de conteúdo) σὺ (pronome pessoal, segunda pessoal do singular tú) εἶ (verbo de ligação ser, segunda pessoa do singular: és) Πέτρος (substantivo masculino nominativo singular, funcionando como predicativo do sujeito, Pedro): Nessa simples sentença encontramos precisamente a declaração de Cristo a Pedro, pessoalmente. ὅτι introduz o conteúdo da mensagem, na qual Cristo afirma que Simão, o filho de Jonas (Simão Barjonas, Mat.16.17) é chamado de Pedro.

No evangelho de Mateus esse nome é atribuído a Pedro 23x (incluindo essa ocasião), mas é apenas endereçado por Simão 9x. Por que razão Cristo iria usaria o nome mais incomum atribuído a Pedro para abençoá-lo em um verso, e então voltar-se para o título mais comum na sentença seguinte? É provável que o jogo de palavras entre Pedro e Pedra já era antecipado por Cristo, e portanto, na declaração de sua benção a Pedro, Cristo o chama Simão, para então voltar-se a ele e o chamar Pedro (Πέτρος).

O termo Πέτρος é usado 156x em todo o Novo Testamento e com apenas uma exceção (Jo.1.42), todas as vezes é atribuído a Simão. O significado comum do termo Πέτρος é “pedra”, que nos ajuda a compreender melhor o ambiente no qual o trocadilho foi originalmente proposto. Mais interessante é que o termo grego Πέτρος é a tradução do termo Aramaico usado por Cristo em referência a Pedro em Jo.1.42: “σὺ εἶ Σίμων ὁ υἱὸς Ἰωάννου, σὺ κληθήσῃ Κηφᾶς, ὃ ἑρμηνεύεται Πέτρος” (Tú és Simão, filho de João, mas serás chamado Cefas, que interpretado quer dizer Pedro). Κηφᾶς é a transliteração em grego do termo aramaico כֵּיפָא, cujo significado básico é também pedra. Nesse verso, podemos notar a relação entre os termos grego, aramaico e português.

Para evidenciar ainda mais a intenção do nosso Senhor em fazer um jogo de palavras nessa sentença é o fato de que a expressão σὺ εἶ Πέτρος dirigida a Pedro espelha a sentença proferida por Pedro a Cristo, Σὺ εἶ ὁ Χριστὸς (Tú és o Cristo). Toda a sentença parece ter sido projetada como um jogo do palavras, na qual o trocadilho entre Pedro e pedra parece não apenas ser bem vindo, mas esperado.

B. Petra

“καὶ ἐπὶ ταύτῃ τῇ πέτρᾳ” – Mateus 16.18b

καὶ (conjunção aditiva e) ἐπὶ (preposição) ταύτῃ (pronome demonstrativo, dativo, feminino e singular, esta) τῇ (artigo definido feminino singular, associado como o substantivo seguinte, a) πέτρᾳ (substantivo, feminino singular, usado como objeto da preposição ἐπὶ, pedra): Nessa sentença καὶ é usada como uma simples conjunção para ligar duas palavras em uma estreita relação de lógica (BDF §442-443; Wallace p. 657, 671; Smyth §2163A.) e deve ser traduzida simplesmente com a conjunção coordenada aditiva ‘e’ em português (Albert L. Lukaszewski, The Lexham Syntactic Greek New Testament Glossary).

A preposição ἐπὶ é seguida por um pronome demonstrativo no caso dativo, e portanto, funciona como a introdução de uma frase preposicional e por conseguinte, estabelece a força da mesma a partir de sua função sintática (BDF §203-240; Wallace p. 355-389; Smyth §1636-1702; Albert L. Lukaszewski, The Lexham Syntactic Greek New Testament Glossary). Portanto, toda essa sentença funciona como o objeto indireto do verbo principal da frase, sendo idiomaticamente traduzido como: “Eu [sujeito oculto no verbo grego] edificarei [verbo bitransitivo] minha igreja [objeto direto] sobre esta pedra [objeto indireto]”.

Nossa atenção então se volta para o pronome demonstrativo ταύτῃ, que nessa sentença não tem um antecedente que esteja no feminino, que levanta a pergunta: A que esse pronome se refere sintaticamente? Tentando responder a essa pergunta, a divergência teológica aparece. Nolland explica o dilema:

“A mudança de palavras encoraja a conexão entre ταύτῃ (esta) não com o o substantitivo imediatamente precedente Πέτρος (Pedro), mas por meio do v.17 à confissão do v.16. Essa confissão será, entretanto, ‘esta rocha’ precisamente como a confissão de Pedro, desde que é o que dá substancia ao trocadilho. Ou, pode ser que devamos expressar que Pedro é ‘esta pedra’ não em geral, mas precisamente no ato de confessar a Jesus Cristo. Como o destinatário de que foi revelado pelo Pai, e como aquele que aqui assume a liderança na profissão da fé, e mais tarde na propagação da fé, Pedro torna-se a primeira pedra para a igreja”

(Nolland, J. (2005). The Gospel of Matthew: A commentary on the Greek text. New International Greek Testament Commentary (667–676))

Como fica evidente, a questão da interpretação da referência nessa sentença de Jesus, subjaz no uso do pronome  demonstrativo. Caso a relação lógica seja preferida, em detrimento da relação sintática, a referência faria sentido se direcionada à confissão de Pedro. Por outro lado, se a relação sintática seja preferida, em detrimento de uma possível relação lógica, a referência seria à Pedra como uma referência a Pedro.

Entretanto, o pronome demonstrativo ταύτῃ é colocado na sentença acompanhado pelo artigo definido, feminino no caso dativo seguido do substantivo modificado por tal artigo. Em outras palavras, o pronome ταύτῃ está na posição predicativa, indicando função atributiva do mesmo, em relação à τῇ πέτρᾳ. Ou seja, a relação lógica não é feita com a confissão, por ser a conexão sintática definida com o artigo e substantivo posterior. Em outras palavras, o pronome demonstrativo não poderia ser masculino em referência à Pedro, mas deveria ser feminino em referência à pedra, do mesmo modo que a referência a Pedro deveria ser masculina (Πέτρος) e não feminina (πέτρᾳ). Ou seja, a mudança de gênero, ainda que possa incluir uma alteração conceitual, era necessária para a construção do jogo de palavras apresentado por Cristo.

O equívoco da interpretação protestante é supor que existe a necessidade de um antecedente sintático para ταύτῃ, e que por falta do mesmo nessa sentença, o atribuem a um antecedente lógico, invalidando a relação sintática de ταύτῃ τῇ πέτρᾳ. Por isso, o lembrete de Wallace é importante:

 O artigo [definido] é usado com pronomes demonstrativos na posição predicativa para indicar função atributiva. O pronome demonstrativo não pode ser colocado em posição atributiva (isto é, entre o artigo e o substantivo). (…) Apenas quando eles são usados na posição predicativa com um substantivo articulado é quem um pronome demonstrativo pode ser considerado dependente e atributivo”

(Daniel Wallace, Greek Grammar Beyond the Basics, pp.241)

Ou seja, seria gramaticalmente incorreto subscrever a sentença “τῇ ταύτῃ πέτρᾳ”, para clarificar a relação entre πέτρᾳ e ταύτῃ. Portanto, a tradução esperada para essa sentença é “sobre essa esta pedra“, em um claro trocadilho com o termo Πέτρος, em uma referência inequívoca a Pedro, como a pedra. Ridderbos parece concordar com isso quando diz:

“Não existe qualquer razão para pensar que a troca de petros para petra feita por Jesus era para mostrar que Ele não estava falando do homem Pedro, mas da confissão como a fundação da igreja. As palavras ‘sobre essa pedra’ de fato se referem a Pedro”

(H. N. Ridderbos, Matthew, trans. by Ray Togtman (Grand Rapids: Regency Reference Library, 1987), 303)

Vala pena ser ressaltado ainda, que o texto diz: “Tú és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha igreja”. A conjunção coordenada aditiva ‘e’, traduz o termo grego καὶ, que conecta ambas frases em uma única sentença. O termo utilizado não foi ἀλλὰ (mas, porém), como se um contraste fosse esperado nessa sentença, nem mesmo μᾶλλον como se um contraste associado a uma nova alternativa fosse esperada, mas nosso Senhor usou o termo καὶ, conectando e continuando a sentença anterior, clarificando que Pedro é de fato a pedra.

Também é importante lembrar que Cristo não disse: “Tú és Pedro e sobre tuas palavras edificarei minha igreja”. Cristo poderia ter usado “ἐπὶ τῷ λόγῳ” [sobre sua palavra, como uma referência geral à confissão petrina], ou até mesmo “ἐπὶ τοῖς λόγοις” [sobre suas palavras, como uma referência específica a cada uma das palavras proferidas por Pedro], e caso tivesse feito, o referente teria sido inequivocamente dirigido à confissão de petrina. Entretanto, Cristo optou pelo tracadilho Πέτρος e πέτρᾳ, e afirmou ser Pedro a pedra sobre a qual irá edificar a Igreja.

C. A relação entre Petrós e petra

Alguns comentaristas descartam que a ideia de que Pedro é a referida pedra aqui, em função da distinção entre os dois termos em grego. Caragounis que acredita nessa possibilidade afirma: “Que Mateus escolheu usar Πέτρος e πέτρᾳ, duas palavras diferentes, cuja precisa colocação marca uma consciente justaposição, indica claramente que sua intenção era distinguir os dois termos” (Chrys C. Caragounis, Peter and the Rock (Berlin: Walter de Gruyter, 1990), 89). Em outras palavras, Pedro não pode ser a pedra em função de termos diferentes terem sido usados. Para Caragounis, a ênfase do texto recai sobre Cristo, como o Messias, o fundamento da igreja.

Arthur Carr, como um posicionamento distinto de Caragounis, afirma que “o preciso significado de πέτρα em relação a Πέτρος tem sido alvo de  sutil disputa. Assumir que não existe qualquer relação entre Πέτρος e πέτρα é se opor à crítica sincera. Por outro lado, entender πέτρα como um simples equivalente para Πέτρος, e assumir que a pessoa de Pedro é a pedra sobre a qual a igreja é edificada, minimiza o sentido [da expressão]. Πέτρα é a doutrina central do cristianismo” (Arthur Carr, Cambridge Greek Testament Matthew, Mat.16.18 ). Ou seja, para Carr afirmam tanto a existência como a inexistência de relação entre os termos reflete em uma má exesege, entretanto, insere no termo πέτρα o significado que lhe convém. A implicação dessa opção é interessante, mas de modo nenhum se encontra no texto de Mateus 16.18.

O que essas duas diferentes opiniões tem em comum é que a relação entre Πέτρος e πέτρᾳ não pode ser assumida como mencionamos acima. Por isso, devemos nos perguntar: Existe uma diferença semântica entre os dois termos?

De certo modo sim. πέτρα é usado 15x no Novo Testamento, e em diversas ocasiões é usado em referência à um rochedo (Mc.15.44), a grandes rochas (Mt.22.60; Mt.27.51) ou até mesmo como a descrição de um fundamento para uma casa (Mt.7.24). Nesses casos, o termo é usado em contraste com λίθος, normalmente usado para descrever uma pedra, normalmente pequena. Contudo, dentre as 59 vezes que o Novo Testamento usa λίθος, em diversas ocasiões o termo significa mais que apenas uma pedaço de pedra, ou uma pedra de tamanho pequeno. Por exemplo, Mateus usa esse termo para descrever as pedras que serviam de fundamento para o templo (Mt.24.2) ou a pedra colocada na entrada da túmulo de Cristo (Mt.27.60, 66; 28.2). Do mesmo modo, o termo πέτρα é usado no NT para descrever a pedra de tropeço (Rm.9.33; 1Pe.2.8; cf. Is.8.14), que certamente não é usada com a intenção de apresentar um rochedo.

Por outro lado, o termo Πέτρος com o a inicial maiúscula sempre é usada para descrever um nome próprio, seja no NT ou no grego clássico. Eventualmente a grafia desse termo foi encontrado como Πετρων (William Bauer, A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 3rd ed., rev. and ed. by Frederick Danker (Chicago: University of Chicago Press, 2000), 809), mas admite-se que ambos tenha tido sua origem no aramaico כאפא (Kephas, Cefas). Quando o termo não foi usado com referência a um nome próprio, o termo πέτρος normalmente foi usado como ‘pedra’. Na LXX é usado cerca de 13x, e em algumas ocasiões o termo denota apenas uma pequena pedra (2Ma.1.16; 4.41), ou até mesmo grandes rochas (Jo.30.6; Ob.1.3; Isa.2.21; Jr.51.25).

Em outras palavras, embora exista uma certa diferença conceitual entre os dois termos, o contexto é quem infere o conceito no qual o termo é usado. Tanto πέτρα quanto πέτρος e λίθος podem denotar pedras grandes e pequenas, o que faz a busca por um significado diferenciado entre elas desesperanço, uma vez que é o contexto quem infere como o termo é usado. E, de acordo como o que temos apresentado até aqui, o contexto favorece a íntima relação entre os termos, diferente do que alguns afirmam, baseado exclusivamente nos termos envolvidos.

A.T. Robertson nos lembra que “não se deve enfatizar excessivamente esse ponto, pois é provável que Jesus tenha falado em aramaico com Pedro, o que não oferece tal distinção” (Robertson, A.T. Word Pictures in the New Testament. Nashville, TN: Broadman Press, 1933). A probabilidade de Jesus ter falado em aramaico é realmente grande,e nesse idioma a referencia teria sido mais clara, como a versão Siriaca do texto de Mateus pode confirmar. Nela o termo כאפא (kephas, Cefas) é utilizado tanto para Pedro como para a pedra.

Contudo, devemos reforçar, que ainda que Cristo tenha falado em aramaico, o Espírito Santo por sua divina intenção nos salvaguardou o texto em grego, no qual o jogo de palavras não se perde ou esconde seu sentido, mas pode ser percebido mediante o estudo perseverante. Portanto, mantemos que diante do contexto de Mateus 16.18, a conexão entre Pedro e a pedra foi intencionado por Cristo de tal modo que entendemos que Pedro é a pedra, como já afirmamos anteriormente.

D. Metáfora e contradição

Entretanto, ainda que a conexão entre Pedro e a pedra possam ser inferidas pelo texto de Mateus 16.18, isso não invalida outras passagens das escrituras que afirmam que Cristo é o fundamento da Igreja? Essa é uma pergunta fundamental para nosso estudo e não pode ser evitada

Uma objeção que poderia ser levantada a interpretação que temos oferecido nesse artigo, é que de acordo como 1Cor.3.11, Cristo é o fundamento da igreja: “Porque ninguém pode colocar outro alicerce além do que já está posto, que é Jesus Cristo“. Para muitos, identificar Pedro como o fundamento da igreja contradiz a afirmação de Paulo de que não existe outro fundamento para a igreja senão Cristo.

Contudo, pelo contexto de 1Cor.3.11, percebemos que não apenas nesse texto Paulo apresenta uma diferente metáfora, como também a interpretação sugerida para 1Cor.3.11 invalida o que Paulo acabara de anunciar: “Conforme a graça de Deus que me foi concedida, eu, como sábio construtor, lancei o alicerce, e outro está construindo sobre ele“. Teria alguém a audácia em afirmar que Paulo é quem definiu Cristo como o fundamento da Igreja? É evidente que não. O que se conclui então? Se conclui que, por meio de linguagem similar, Cristo e Paulo estão usando metáforas diferentes, que se lidas em seus contextos elas não se contradizem.

Uma segunda objeção que poderia se levantar, é que o próprio Pedro entendeu que Cristo é o fundamento da igreja, e não ele mesmo: “À medida que se aproximam dele, a pedra viva — rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus e preciosa para ele vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo” (1Pe.2.4-5). A primeira observação que fazemos à essa objeção é que Cristo aqui é apresentado como λίθον ζῶντα, ou seja, uma pedra viva, e que nós somos λίθοι ζῶντες, pedras que vivem. Embora a analogia seja de uma edificação, Pedro enfatiza muito mais o conceito orgânico da igreja que sua construção histórica. Apenas essa distinção já nos apresenta a diferença de assuntos na qual a metáfora é usada. Em segundo lugar, o contexto de 1Pe.2 fala sobre o desenvolvimento rumo a maturidade de cristãos que ainda estão se alimentando do leite espiritual (outra metáfora). Ou seja, em nenhum momento existe nesse texto a intenção de clarificar aquilo que o Senhor teria dito a Pedro em Mat.16.18. Sobre isso D.A. Carson completa:

 “A objeção de que Pedro considera Jesus como a pedra é sem substância, por que metáforas são comumente utilizadas em diferentes sentidos (…) Aqui [Mat.16.18] Jesus é quem edifica a igreja; em 1Cor.3.10 Paulo é o astuto construtor. Em 1Cor.3.11, Jesus é o fundamento da igreja, em Efésios 2.19-20, os apóstolos e profetas o são (cf.ap.21.14), e Jesus a pedra angular. Aqui Pedro tem as chaves, em Ap.1.18, 3,7, Jesus tem as chaves . Em João 9.5 Jesus é a luz do mundo, em Mateus 5.14 os seus discípulos a são. Nenhuma dessas analogias ameaçam a singularidade de Cristo [em relação à Sua igreja]. Elas apenas apresenta como metáforas devem ser interpretadas primeiramente em referência ao seu contexto imediato

(D. A. Carson, “Matthew,” in Expositor’s Bible Commentary, ed. Frank E. Gaebelein, J. D. Douglas, and Walter Kaiser, vol. 8 [Grand Rapids: Zondervan, 1984], 368)

Considerando então a linguagem de Mateus 16.18, mantemos que Pedro é a pedra, entretanto, precisamos reforçar que na metáfora usada por Cristo, Ele não se exclui da mesma, e Vincent esclarece:

“A referência de petra a Cristo é forçada e não natural. A óbvia referência da palavra é Pedro (…) Além do mais, a metáfora é enfraquecida [com essa interpretação], pois nesse texto Cristo aparece não como fundamento, mas como arquiteto”

(Marvin Richardson Vincent, Word Studies in the New TestamentNew York: Charles Scribner’s Sons, 1887, Mat.16.18).

Em outras palavras, assumir que Cristo é a pedra e o arquiteto parece realmente forçado. Por outro lado, compreender que Pedro é o fundamento e que Cristo é o arquiteto, respeita tanto o texto, sua construção gramatical e o valor da metáfora apresentada por Cristo. Portanto, assumimos e reafirmamos que Pedro é a pedra sobre a qual Cristo construiu sua igreja.

5. Conclusão

Então, o que podemos concluir diante das evidências apresentadas e da conclusão assumida? De fato, o autor desse texto acredita que três implicações são auferidas dessa conclusão: (1) A preeminência inicial e histórica de Pedro na comunidade primitiva; (2) a singularidade de Pedro a quem a promessa foi conferida, em contraste com os outros apóstolos que com ele estavam. E, por fim, acredito que isso afirma (3) a falibilidade petrina, que como um ser humano normal não era infalível, nem se apresentava desse modo, nem mesmo se considerava assim.

A. Preeminência Petrina

É inegável que diante da evidência das escrituras Pedro teve proeminência no grupo de discípulos, na expansão do evangelho e na liderança da igreja nos seus anos iniciais. Pedro é apresentado pelos evangelistas como o portavoz do grupo (Mt.18.21; 19.27; Mc.8.27; Lc.12.41; 18.28) e dentre os três discípulos mais próximos de Cristo, Pedro também é apresentado com certa prioridade (Mc.9.5). Ele foi considerado como líder do grupo mesmo por aqueles que não faziam parte do grupo de discípulos de Cristo (Mt.17.24). Não à toa, foi o discípulos dentre os quais o Pai revelou quem Cristo de fato é (Mt.16.17).

Pedro também foi o proeminente discípulo de Cristo na propagação inicial do evangelho. Observe que em At.1.15ss Pedro é quem coordena a reunião dos discípulos para tratar do assunto da substituição de Judas Iscariotes. Em At.2.14ss é Pedro quem se levanta e anuncia o evangelho publicamente pela primeira vez. Com João no capítulo 3 tem a oportunidade de anunciar o evangelho depois de uma intervenção miraculosa de Deus. Note, entretanto, que o discípulo à frente do discurso novamente é Pedro (At.3.4, 6, 12). No capítulo quatro testemunha diante das autoridades judaicas (4.8) e no capítulo seguinte exerce a disciplina na comunidade (5.3, 8, 10). É Pedro quem é reconhecido pela comunidade judaica como líder na igreja, por meio de quem sinais miraculosos eram realizados (5.12, 15). No mesmo capítulo é ele quem tem proeminência diante da resposta a ser dada as autoridades judaicas (At.5.29ss). Não existe qualquer dúvida que a figura mais importante nos primeiros momentos da igreja primitiva tenha sido de fato Pedro.

B. Singularidade Petrina

Outro detalhe que não pode ser esquecido, é que a promessa de Cristo foi feita para Pedro e mais ninguém. Vale a pena notar a alteração de pessoa usada nesse contexto, para perceber a singularidade na qual a promessa é oferecida a Pedro. No verso 13, Jesus pergunta aos seus discípulos, e os mesmos respondem (v.14; εἶπαν, terceira pessoa do plural, os discípulos). Depois de ouvir as respostas oferecidas pelos discípulos, ele pergunta quem eles (v.15; Ὑμεῖς, terceira pessoa do plural, vocês) acreditam ser o messias. Mas, no verso seguinte nós encontramos a expressão: Simão Pedro respondeu (v.16; ἀποκριθεὶς δὲ Σίμων Πέτρος εἶπεν, terceira pessoa do singular). É Pedro quem responde a pergunta de Cristo, e para ele que nosso Senhor se dirige no verso 17: Μακάριος εἶ, Σίμων Βαριωνᾶ, ὅτι σὰρξ καὶ αἷμα οὐκ ἀπεκάλυψέν σοι ἀλλʼ ὁ πατήρ μου ὁ ἐν τοῖς οὐρανοῖς (Bem aventurado és , Simão filho de Jonas, por que não foi carne e sangue que te revelou, mas meu Pai que está nos céus). No verso 18, o mesmo fenômeno acontece: κἀγὼ δέ σοι λέγω ὅτι σὺ εἶ Πέτρος (Também eu te digo, que és Pedro).

Pedro não recebeu essa promessa pelos outros apóstolos, nem por seus supostos sucessores, Jesus foi claro em se direcionar a Pedro e não aos apóstolos, como o fez no início do diálogo. É a Pedro quem Jesus abençoa, e não aos apóstolos em geral. E observe que o mesmo vale para os benefícios decorrentes da bênção proferida por Cristo: “δώσω σοι τὰς κλεῖδας τῆς βασιλείας τῶν οὐρανῶν” (Eu te darei as chaves do Reino dos céus). “καὶ ὃ ἐὰν δήσῃς ἐπὶ τῆς γῆς ἔσται δεδεμένον ἐν τοῖς οὐρανοῖς, καὶ ὃ ἐὰν λύσῃς ἐπὶ τῆς γῆς ἔσται λελυμένον ἐν τοῖς οὐρανοῖς” (e o que tu ligares sobre a terra terá sido ligado nos céus, e o que tu soltares sobre a terra, terá sido solto nos céus). Não há qualquer indício de que os outros apóstolos estejam em vista nesse texto: Jesus dirige-se a Pedro, e a ninguém mais. Não há qualquer evidência de que os supostos sucessores petrinos teriam acesso ao mesmo privilégio desfrutado por Pedro.

C. Falibilidade Petrina

Por fim, afirmar que Pedro é a pedra implica em reconhecer que não existe nas escrituras qualquer indício nas escrituras de que ele seria infalível, ou que poderia de algum modo se pronunciar ex-cathedra de modo inequívoco. Ao assumir que Pedro é a pedra, nós precisamos também assumir a falibilidade de Pedro, que no mesmo contexto apresenta-se condenável diante do Nosso Senhor: “ὁ δὲ στραφεὶς εἶπεν τῷ Πέτρῳ, Ὕπαγε ὀπίσω μου, Σατανᾶ· σκάνδαλον εἶ ἐμοῦ” (Voltando-se para Pedro ele [Jesus] disse: Para trás de mim, Satanás! Tu és uma pedra de tropeço para mim – Mateus 16:23). Para reforçar o trocadilho, aqui Pedro também é a pedra, mas nesse caso de tropeço.

Pedro também é o apóstolo nega publicamente nosso Senhor (Mat.26.58-75) e se nega a obedecer a ordem de Cristo de levar o evangelho para além das fronteiras de Jerusalém (At.1.8; 8.1, 4) e precisa de insistente intervenção divina (At.10.9-16) para compreender aquilo que o Senhor o ensinara durante todo seu ministério e que o ordenara fazer após sua ascensão (Mat.28.19-20). Como se não bastasse isso, ao cumprir a exigência divina de levar o evangelho a Cornélio, inicia seu discurso evanglístico de modo ofensivo (At.10.24-28). Isso revela que, embora disposto a obedecer a Cristo (v.29), Pedro ainda não havia superado o preconceito comum do judeu para com o gentio. E não obstante, essa é a razão pela qual ele é repreendido por Paulo (Gl.2.11-13).

Embora Cristo atribua a Pedro a mais alta honraria em sua promessa em Mat.16.18, as escrituras nos dizem que isso não o fez um servo sem erros, ou que pudesse se pronunciar de modo inequívoco. Muito pelo contrário, foi um homem como cada um de nós, com seus erros e equívocos.

Por fim, vale também ressaltar que a promessa feita por Cristo não era vitalícia, mas se aplicou perfeita e completamente nos momentos iniciais da igreja. É nesse sentido que Pedro tem as chaves, pois foi ele que abriu as portas para a expansão da igreja e não para tornar-se porteiro nos céus. As escrituras são claras em demonstrar que mesmo a autoridade de Pedro da igreja primitiva foi se diminuindo a ponto que em At.15 é Tiago quem lidera o primeiro concílio da igreja primitiva. O testemunho de Pedro é fundamental (v.7ss), e nele o apóstolo se apresenta como aquele que abriu as portas para a evangelização gentílica: “Irmãos, vocês sabem que há muito tempo Deus me escolheu dentre vocês para que os gentios ouvissem de meus lábios a mensagem do evangelho e cressem“. Mas, é Tiago quem lidera a igreja e quem profere a declaração final do concílio (v.14-21 – “Pelo que julgo eu“, v.19).

4 comentários sobre “O Papa, Pedro e a Pedra

  1. Javã

    Excelente artigo, Berti!
    Um apanhado das interpretações ao longo da história da igreja sobre esse texto. Quanto à exegese, não tenho conhecimento do grego (ainda! rsrs) pra avaliar. Mas, olhando a relação dessa interpretação com o todo das Escrituras, vejo harmonia. Além dos textos que você citou, realmente o próprio Jesus fez um chamado específico para Paulo na estrada pra Damasco (apóstolo dos gentios) e fez aquela declaração enigmática sobre João (Jo. 21:22). Obrigado pelo esforço em enriquecer nosso conhecimento da Palavra de Deus! Deus te abençõe!
    Abraço!

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