Eu preciso me arrepender para ser salvo?


Por Thiago Zambelli

No início do século passado, nas igrejas americanas, havia muitos bancos colocados próximos do púlpito para pessoas lamentar por seus pecados e ali, entregarem suas vidas a Cristo. Hoje, muitos cristãos semelhantemente a estes que usavam os mourners’ bench (banco dos pranteadores), consideram que o lamento ou tristeza são expressões essenciais de um genuíno arrependimento. Entretanto, o conceito bíblico de arrependimento não se refere às emoções como parte do significado básico, ou fundamental, mas a uma mudança de paradigma, de mentalidade, direção, de ideia. Lamentar-se ou entristecer-se pode ou não incorporar um genuíno arrependimento, mas o fato é que nem lamentar, nem entristecer fazem parte do verdadeiro significado de arrependimento.

Quando falamos sobre arrependimento no contexto soteriológico (de salvação) não faltam perguntas, tais como: “qual a relação de arrependimento e salvação?” “O arrependimento deve proceder a salvação?” “O arrependimento é sinônimo de fé?” “Alguém pode ser salvo sem se arrepender?” “O que significa arrepender-se?” Que essas e outras parecidas perguntas não sejam problemas para você depois de lido este artigo, praticamente um resumo do capítulo “Repent! About What?” do livro So Great Salvation, de Charles Ryrie.

Significado Genérico

Em primeiro lugar é muito importante que entendamos que várias palavras ou expressões na Bíblia possuem um significado genérico ou básico, uma ideia primária. Por exemplo a palavra “salvação”, que significa resgatar ou salvar. Se você quer entender o texto onde a palavra salvação está inserida, então você deve se perguntar: “salvar ou resgatar do quê?” Em Filipenses 1.19 Paulo usa esta palavra não para se referir à salvação da condenação eterna, mas do encarceramento que ele ali participava: Porque sei que isto me resultará em salvação, pela vossa súplica e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo. Claro, em outras passagens Paulo usa esta mesma palavra para falar da exclusiva salvação eterna em Cristo, por exemplo:E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos (Atos 4.12). É necessário perceber que nem todas as aparições da palavra salvação no texto bíblico refere-se à salvação da condenação eterna.

O mesmo princípio se aplica à palavra “resgate”, que significa basicamente comprar alguma coisa. Leia o texto de Mt 13.44 e se pergunte: “resgatar o que ou de quê?” O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo, que um homem, ao descobrí-lo, esconde; então, movido de gozo, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo (Mt 13.44)Neste texto o resgate, a compra, é de um campo. Mas no texto de Pedro signfica o pagamento que o Salvador Jesus Cristo fez quando morreu: estes [falsos profetas e mestres] introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição (2Pe 2.1) .

Da mesma forma, a palavra “arrependimento” possui um significado básico: mudar de ideia (paradigma, atitude, mentalidade). E para compreender a que tipo de arrependimento o texto bíblico se refere, precisamos perguntar: “sobre o que devemos mudar de ideia?” Vejamos alguns usos da palavra “arrependimento” para melhor compreensão.

1. Arrependimento não salvífico

Imagine que um homem de classe média foi preso por dirigir embriagado. Ele terá de ficar 10 dias encarcerado e não faltará tempo para refletir sobre sua atitude. Ele genuinamente se arrepende do que fez e toma a decisão de nunca mais beber. Seu arrependimento pode ou não vir seguido de lágrimas ou choro, mas isso não muda a sinceridade de seu arrependimento, tampouco o fortifica.

Plutarco, citado por R. C. Trench em seu trabalho Synonyms of the New Testament, disse que, certa vez, tendo dois criminosos poupado a vida de uma criança, arrependeram-se de não tê-la matado. Tais criminosos também se arrependeram (metameleia – palavra grega também usada no NT), porém, para fazer algo ruim. Eles mudaram de ideia para uma atitude reprovável.

Além destes dois exemplos extra-bíblicos, podemos citar a história que o Senhor Jesus contou sobre dois filhos. “O que acham? Havia um homem que tinha dois filhos. Chegando ao primeiro, disse: ‘Filho, vá trabalhar hoje na vinha’. “E este respondeu: ‘Não quero! ’ Mas depois mudou de ideia (μεταμέλομαι) e foi. “O pai chegou ao outro filho e disse a mesma coisa. Ele respondeu: ‘Sim, senhor! ’ Mas não foi. “Qual dos dois fez a vontade do pai?” “O primeiro”, responderam eles. Jesus lhes disse: “Digo-lhes a verdade: Os publicanos e as prostitutas estão entrando antes de vocês no Reino de Deus. Porque João veio para lhes mostrar o caminho da justiça, e vocês não creram nele, mas os publicanos e as prostitutas creram. E, mesmo depois de verem isso, vocês não se arrependeram nem creram nele” (Mateus 21.28-32). O arrependimento de um dos filhos não tem nada a ver com a salvação eterna neste texto.

Judas Iscariotes também é outro exemplo de alguém que se arrependeu e por isso devolveu as trinta moedas de prata (Mt 27.3-4). Tal arrependimento (aparentemente) não gerou vida eterna ao apóstolo, mesmo tendo sido ele verdadeiro.

“A presença e a experiência do arrependimento não resultam, necessariamente, na vida eterna, tampouco significa uma mudança para melhor.” (Charles Ryrie)

2. Arrependimento para a salvação eterna

Existe sim um arrependimento que aponta para a salvação eterna. Este arrependimento, ou seja, esta mudança de mentalidade (significado de arrepender-se no texto original) refere-se ao que antes pensávamos sobre Cristo e o que devemos pensar agora. Um arrependimento que gera mudança de paradigma sobre o Salvador, um paradigma correto sobre Ele. Não adianta simplesmente lamentar, chorar pela antiga vida de pecados, ou simplesmente refletir sobre suas atitudes e decidir por abondonar alguns comportamentos, se não houver um arrependimento de quem você pensava ser Cristo.

Se não houver uma mudança de ideia sobre quem é Cristo, não há salvação!

O mais claro uso da palavra arrependimento que gera salvação está no sermão de Pedro, no Pentecoste (Atos 2). Neste sermão o apóstolo apresenta dois quadros: (1) o Messias do Antigo Testamento, destacando sua ressurreição e ascenção e (2) Jesus de Nazaré, que verdadeiramente ressuscitou e subiu ao céu. No final, a única conclusão que o público de Pedro poderia ter é que Jesus de Nazaré era Deus e Messias (v.36).

Então, quando ouviram isso, os seus corações ficaram aflitos, e eles perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Irmãos, que faremos?” (v.37) Pedro então responde: arrependam-se… (v.38) E agora nós é quem devemos perguntar: “arrepender-se do quê?” Todo o contexto é claro em mostrar a respeito do que sua audiência deveria se arrepender, isto é, mudar sua mente sobre a pessoa de Jesus de Nazaré. Qualquer que tenha sido o que eles pensavam sobre Jesus, aquela era a hora deles mudarem seus paradigmas e acreditarem, crerem que Ele é Deus e o Messias que morreu e ressuscitou dos mortos. ESTE ARREPENDIMENTO SALVA!

Todos nós que fomos salvos por Jesus tínhamos uma concepção sobre Ele. Todos nós tivemos de nos arrepender desta antiga concepção e crer, virar-se para à verdade, que Ele é o salvador, solução para nossa merecida condenação por causa de nossos pecados.

Algo interessante e importante é perceber nas Escrituras que o arrependimento é uma ordem em Atos 2.38. Nós devemos nos arrepender! Ainda assim, as Escrituras nos mostra que Deus nos dá arrependimento: Então, Deus concedeu arrependimento para a vida até mesmo aos gentios!(Atos 11.18) Note que isto é análogo a ter fé em Jesus Cristo, pois ao mesmo tempo que é uma ordem (Atos 16.31), é também um dom de Deus (Ef 2.8-9).

A compreensão equivocada de que arrependimento significa sentir tristeza por uma atitude tomada; lamentar-se (Dicionário da Bíblia de Almeida) corroborou para que cristãos não percebessem a veracidade bíblica sobre o assunto. Mas ainda hoje há grupos cristãos que, à semelhança destes, pregam o arrependimento como algo distinto da fé e ambos necessários à salvação. Veja um exemplo:

“A exigência é para o arrependimento, bem como a fé. Não é suficiente acreditar que só através de Cristo e sua morte os pecadores são justificados e aceitos …. conhecimento do evangelho e a crença ortodoxa sobre isso não são substitutos para o arrependimento …. Onde há o não reconhecimento das reivindicações reais que Cristo faz, não pode haver o arrependimento e, portanto, não há salvação.” — J. I. Packer, Evangelism and the Sovereignty of God, Downers Grove, Ill: InterVarsity, 1961, 72–73.

No entanto, note como o evangelista Lucas usa arrependimento no mesmo sentido que crer em Cristo na grande comissão: E lhes disse: “Está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia, e que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém (Lc 24.46-47). Claramente arrependimento para perdão dos pecados está ligado a morte e ressurreição de Cristo. Veja também estas outras passagens:

  • Atos 5:31 – Deus o exaltou, colocando-o à sua direita como Príncipe e Salvador, para dar a Israel arrependimento e perdão de pecados.
  • Atos 11.18 – Ouvindo isso, não apresentaram mais objeções e louvaram a Deus, dizendo: “Então, Deus concedeu arrependimento para a vida até mesmo aos gentios!
  • 2Pedro 3.9 –  O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Pelo contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.

Paulo disse que Deus chama a todas as pessoas em todos os lugares para se arrependeremporque o julgamento é próximo e a pessoa que Deus ressuscitou dentre os mortos será o juiz(Atos 17:30-31). Pedro disse a mesma coisa. Deus é longânimo, não querendo que ninguém pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento. (1)Isso significa apenas estararrependido dos pecados cometidos? (2)Será que isso significa que o arrependimento é uma condição prévia para a fé? NÃO para ambas as perguntas. Se o arrependimento não é sinônimo de fé nestes versos, então estes versos não falam do Evangelho. Se o arrependimento é apenas uma parte da conversão (sendo a fé a outra parte), então estes versículos declararamsomente a metade do Evangelho.

É notório que o Evangelho de João, o Evangelho do crer, nunca usa a palavra arrepender-se. João escreveu e aproveitou várias cicunstâncias da vida de Jesus para mostrar a base da salvação. Será que não teria sido oportuno a utilização da palavra “arrepender-se” ou “arrependimento” pelo evangelista? Ao invés disso, João usa a palavra “crer”, como na conversa com Nicodemus (Jo 3): Eu lhes falei de coisas terrenas e vocês não creram; comocrerão se lhes falar de coisas celestiais? (v.12); para que todo o que nele crer tenha a vida eterna. (v.15) Crer seguramente incorpora o significado do arrependimento para salvação, da mudança de paradigma que a pessoa deve ter sobre Jesus. Caso contrário, a melhor conclusão que deveríamos ter da conversa de Jesus com Nicodemus é que o Mestre falhou. À mulher samaritana, Jesus disse para ela “pedir” e quando ela testemunhou sobre Jesus para os outros, João escreveu que eles creram, mas não que se arrependeram. O uso de crer e fé em João é grande, possivelmente cerca de 50 vezes, mas não há um uso sequer de arrependimento. O clímax do evangelho é este: Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, tenham vida em seu nome (Jo 20.31 grifo meu).

Mas e Atos 20.21?

Testifiquei, tanto a judeus como a gregos, que eles precisam converter-se a Deus com arrependimento e fé em nosso Senhor Jesus. (διαμαρτυρόμενος Ἰουδαίοις τε καὶ Ἕλλησιν τὴν εἰς θεὸν μετάνοιαν καὶ πίστιν εἰς τὸν κύριον ἡμῶν Ἰησοῦν.)

Algumas pessoas, baseadas neste texto, perguntam: “isso não mostra que arrependimento e fé são coisas distintas?” Ou “isso não mostra, pelo menos, que arrependimento precede a fé?” O texto grego deixa claro que a resposta é não, visto que ambas as palavras estão conectadas por apenas um artigo, que as torna inseparáveis, cada uma focando numa faceta da salvação.

  • Arrependimento: mudança de mentalidade sobre a pessoa de Jesus Cristo. A mudança de antes desacreditar em Jesus e Deus e agora, crer quem Ele é.
  • : aceitar a verdade de Deus em Jesus Cristo e tê-lO como Salvador.

O texto também sugere que Paulo, no uso destas duas palavras, mostrava a peculiar distinção que gentios e judeus tinham. Os gentios eram politeístas e precisavam mudar sua concepção e perceber que havia somente um Deus verdadeiro, Cristo Jesus, enquanto os judeus precisavam perceber e crer que Ele era o verdadeiro messias.

3. Arrependimento de dos pecados cometidos contra Deus na vida cristã.

O pecado é sempre uma possibilidade, mesmo na vida do mais piedoso homem ou piedosa mulher. Todo cristão deve reconhecer e pedir perdão a Deus pelos seus pecados.

Nas cartas para as sete igrejas da Ásia Menor, não falta exortações para que cristãos se arrependam:

  • Igreja de Éfeso – arrependam-se por deixarem o primeiro amor:  Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do seu lugar (Ap 2.5).
  • Igreja de Tiatira – arrependam-se de sua imoralidade: Dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua imoralidade sexual, mas ela não quer se arrepender. Por isso, vou fazê-la adoecer e trarei grande sofrimento aos que cometem adultério com ela, a não ser que se arrependam das obras que ela pratica (Ap 2.21-22).
  • Igreja de Sardes – arrependa-se de se moribundez: Lembre-se, portanto, do que você recebeu e ouviu; obedeça e arrependa-se (Ap 3.3a).
  • Igreja de  Laodiceia – arrependa-se por sua indiferença: Repreendo e disciplino aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e arrependa-se (Ap 3.19).

Conclusão

1. Arrependimento é uma condição para recebermos vida eterna?
Sim, se isto significa uma mudança de mentalidade, de ideia, de paradigma sobre o Senhor Jesus Cristo. Não, se isso simplesmente significa um lamento pelos erros cometidos, ou mesmo um afastamento de atitudes reprovadas.

2. O arrependimento é um pré-requisito para a fé?
Não, apesar disso poder ser usado pelo Espírito Santo para conduzir alguém ao Salvador e à sua salvação. O arrependimento pod preparar alguém para o caminho da fé, mas não é o arrependimento que traz salvação, mas a fé. (A menos que alguém entenda que arrependimento é um sinônimo da fé que muda a mentalidade de alguém sobre Jesus Cristo.)

3. Devemos pregar sobre arrependimento?
Logicamente que sim! Mas tenha claro as distinções de significado sobre a palavra para que o público não entenda equivocadamente. Uma pregação evangelística deve envolver o significado sobre a mudança de paradigma a respeito de Jesus Cristo. Pessoalmente, eu prefiro, numa pregação evangelística, usar a palavra “crer” ou “fé” como o evangelista João. Uma pregação sobre santidade, para cristãos, deve levá-los a entender a necessidade de pedir perdão a Deus por suas atitudes reprovadas por Ele mesmo. Infelizmente esta é uma área pouco pregada na dimensão que a Palavra de Deus ensina. Israel precisava ser restaurada a Deus, bem como todos nós quando pecamos.

Pregue arrependimento, mas deixe sempre claro seu significado.

5 comentários sobre “Eu preciso me arrepender para ser salvo?

  1. Erwin

    Muito bom! Eu tenho esse livro aqui. Eu estava até fazendo uma tradução (caseira mesmo) de alguns tópicos pra deixar na biblioteca da igreja que congrego.
    Uma pena que muita gente abraça a “Salvação pelo Senhorio” por ter uma visão errada dos verdadeiros pré-requisitos para salvação.

  2. Edcarlos Pitanga

    Entendi o assunto referido, muito esclarecedor. Todavia imagino: Como pode alguém arrepender-se(dos pecados cometidos), submeter-se a uma vida com Cristo e não crer no que ele de fato é, ou seja, mudar suas convicções errôneas acerca de sua pessoa? Não sugiro com isso que, o arrependimento seja um requisito para a fé, mas aquele que se arrepende visando uma nova vida com Cristo consequentemente entenderá o valor de sua pessoa e, mudará sua concepção sobre ele. Para que João Batista batizava? Para arrependimento dos pecados de modo a conduzir à fé em Cristo, aquele que viria após ele. O batismo de João não salvava, mas sim, a fé em Jesus.

    1. Edcarlos,

      Sua questão é importantíssima e precisa ser endereçada biblicamente.

      Em primeiro lugar, a salvação é por fé somente (Ef.2.8). Não existe outro meio, modo ou modelo para a salvação salvação, nem mesmo outro pré-requisito para a salvação. Não podemos perder isso de vista.

      Em segundo lugar, a salvação é em Cristo somente (At.4.12). Não existe outro meio, modo ou mediador para nossa salvação. Não é a igreja, o pastor ou o auto-proclamado “ungido”, “profeta” ou “apóstolo” que é o meio da salvação.

      Tendo em vista esses dois princípios fundamentais da escritura a respeito da salvação, precisamos entender o papel do arrependimento nesse cenário. Considere Judas e Pedro por um momento: Ambos foram seguidores de Cristo, selecionados por Ele (Lc.6.12, 13) para ministrar (Mt.10.1; Mc.3.14, 15). Tanto Judas quanto Pedro deixaram tudo para se tornarem discípulos de Cristo (Mt.19.27; Mt.10.1-4; Mc.3.13-19; Lc.6.12-16) e ambos foram chamados apóstolos (At.1.16). Ambos andaram com Cristo por três anos (Mc.4.34; Mt.13.36ss) e foram testemunhas oculares de tudo que Cristo fez e ensinou (Mt.8.23-27; Mt.9.18-26; Mt.15.32ss).

      Judas foi chamado de Diabo (Jo.6.70), Pedro também (Mt.16.13). Judas O traiu (Mt.26.14-16; Mc.14.10-11; Lc.22.4-6), Pedro O negou (Mt.26:33-35, Mc.14:29-31, Lc.22:33-34 e Jo.13:36-38.). Judas arrependido se matou (Mt.27.3-5; At.1.18-19). Pedro arrependido chorou amargamente (Lc.22.61.62). O arrependimento de Judas foi meramente um mudança emocional (cf. Mt.27.3 – μεταμέλομαι, não μετανοῶ) e não resultou na sua salvação. Pedro teve a chance de ser restaurado por Cristo (Jo.21.15-20) e de ver a declaração de Cristo sobre sua conversão futura (Lc.22.32) se cumprir em sua vida (1Pe.1.3-5).

      Portanto, de acordo com as escrituras é possível alguém se arrepender e não mudar sua perspectiva (mente) a respeito de de Cristo. E não é à toa que encontramos tantos “ex-cristãos” soltos pelo mundo. Homens e mulheres que se arrependeram de suas vidas de pecado num determinado momento de suas vidas, mas nunca depositaram sua fé em Cristo somente.

      Espero que esse comentário o ajuda a refletir biblicamente.

      Grande abraço,
      Marcelo Berti

      1. Edcarlos Pitanga

        Primeiramente quero agradecer-lhe pela atenção.
        Em relação à salvação somente, unicamente e exclusivamente através de Jesus pela fé, não tenho dúvida alguma (AT.16:31);(EF.2:8-9). Eu concordo com você a respeito da diferença de “arrependimento” entre Judas e Pedro, pois o primeiro arrependeu-se emocionalmente (μεταμέλομαι), ou seja, segundo o mundo (2CO.7:10) e suicidou-se.
        O que caracterizou o tipo de arrependimento de Judas foi o suicídio. Se o mesmo não houvesse suicidado-se, morresse digamos…de causas naturais, talvez pensássemos diferente; enxergaríamos o ato de “devolver” as moedas (MT.27:5) e “confessar” a traição (MT.27:4) como μετανοῶ. (São apenas suposições).
        As boas obras feitas em Cristo provém do verdadeiro arrependimento (MT.3:8), o que não temos nenhuma garantia que houve em Judas, pelo contrário: (JO.12:6); (JO.13:10-11,18) Jesus conhecia Judas e já sabia o seu fim.
        Acredito que uma das maneiras do salvo evidenciar sua fé e através das suas obras (EF.2:10);(TG.2:22,26). Não que as obras seja um sacramento (Meio de alcançar graça divina), mas sim, para patentear, credibilizar a fé. Existem inúmeras pessoas na condição descrita por Paulo em sua carta a Tito no capítulo 1, verso 16.
        E quantos aos “ex-cristãos” talvez eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem saído mostra que nenhum deles era dos nossos. (1JO.2:19).
        O que eu quis dizer no comentário anterior foi que o salvo (Aquele que crê) consequentemente mudará sua mente (Arrepender-se-a) acerca do seu pensamento sobre a Pessoa de Jesus e também dos seus maus caminhos.
        Portanto, fé e arrependimento (como sinônimo de fé) são necessários para a salvação. Um abraço, foi um prazer aprender contigo.

  3. Edcarlos, você tem razão: fé e arrependimento são ambos necessários à genuína salvação. Nas palavras de Roy B. Zuck: “Arrependimento está incluído no crer. Fé e arrependimento são como dois lados de uma mesma moeda. Fé genuína inclui arrependimenyo e genuíno arrependimento inclui fé.” (Veja em http://bit.ly/13HvF8J)

    De fato, a pergunta crucial é: arrepender-se do quê? Note que sabemos com muito clareza a pergunta do outro lado: ter fé em quê/quem? Como o texto demonstra, a mudança de ideia (metanoia) para que haja salvação é relacionada a Jesus Cristo. As palavras de Ryrie são claras e bíblicas: “O único tipo de arrependimento que salva é uma mudança de mente quanto a Jesus Cristo. Pessoas podem chorar, pessoas podem se arrepender de seus pecados passados, mas estas coisas em si mesmo não podem salvar. O único tipo de arrependimento que salva qualquer um, em qualquer lugar, em qualquer tempo, é uma mudança de mente quanto a pessoa de Jesus Cristo. O sentimento do pecado e a tristeza por causa do pecado podem agitar a mente ou a consciência que ele ou ela precisa de um salvador, mas se não houver mudança de paradigma sobre Jesus Cristo, não haverá salvação.” (So Great Salvation.)

    Sobre evidenciar a fé, precisamos ter cuidado para olhar de uma forma meramente horizontal, bem como não tomar de Deus o que é de Deus (fruto do Espírito). Mas esta é uma outra história.

    Minha motivação ao compartilhar as palavras que de fato são de Charles Ryrie, foi deixar meus irmãos e irmãs cientes sobre o foco que devem ter na evangelização. Na minha experiência como obreiro numa missão também evangelista, já vi muitos irmãos focarem o convite à conversão numa lista de moralidades: deixem de fazer isso e agora façam isso.

    Que Deus ajude a nós todos. Sejamos fiéis à verdade (2Tm 2:15).

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