Caim, o assassino de seu irmão


É interessante que a despeito de todos os alertas divinos Caim manteve-se obstinado eu seu furor contra seu irmão. Sua completa rejeição do conselho de Deus demonstra também que Caim dava pouco valor às palavras de Deus. A ira já tinha tomado conta de sua vida e capacidade de reflexão. Caim havia entrado naquele estágio de ignorância provocada pelo aguçar do pecado em nossa vida. Trata-se daquele ponto em que, tomado por ódio, tudo o que se pensa é em como descarregar a raiva e o ódio.

Disse, porém, Caim a seu irmão Abel: “Vamos para o campo”. Quando estavam lá, Caim atacou seu irmão Abel e o matou. – Gênesis 4:8

Vamos ao Campo: Por que razão ir ao campo? Uma vez que sabemos que o pecado de Caim é premeditado, temos por certo que ele não está a oferecer um passeio ao campo. Alguns comentaristas tem visto nisso uma declaração de cuidado preventivo de Caim que não queria que o crime tivesse testemunhas. De fato, quanto mais longe das pessoas, mais liberdade para apregoar sua ira Caim teria.

…atacou seu irmão Abel: Merck vê no texto uma demonstração do tamanho da ira de Caim quando o texto demonstra por 7x que Abel era “seu irmão” (Gn.4.2, 8x2; 9x2, 10, 11)[50]. Essa descrição de relação entre Caim e Abel, como acontece no texto sugere que a atitude de Caim era absurdamente desprezível.

..e o matou: “Caim não agiu segundo o conselho divino. Ele não mudou a sua oferta a Deus, tanto do ponto de vista dos sentimentos internos como da forma exterior. Apesar de se falar-lhe do céu, ele não vai ouvir (…) Quando eles estavam no campo e, portanto, fora da vista, ele se levantou contra o seu irmão e o matou. A ação foi realizada e não pode desfeita. Os motivos para isso eram diversos. O egoísmo, o orgulho ferido, ciúmes, e uma consciência culpada estavam todos em funcionamento (1Jo.3.12). Aqui, então, é pecado após pecado, o que comprova a veracidade do alerta dado na paciência misericordiosa de Deus[51]”.

A completa rejeição do conselho de Deus por Caim o apresenta como um pecador irado (v.5), teimosos (v.6-7) e assassino cruel (v.8). Não é à toa que a reputação neotestamentária de Caim é tão ruim. É importante notar que todos os acontecimentos narrados no capítulo 4 são conseqüências anunciadas já na queda. A dissolução da família, a queda do amor e a entrada do ódio eram esperadas. A queda levou  o ser humano a frustração do conhecimento do bem e da maldição do desejo do mal. Agora, aquele homem que havia chegado como esperança e salvador, que pisaria na cabeça da serpente, é agora aquele que matara seu irmão. Ao invés de terminar com o domínio do inimigo, como parecia ser o esperado, ele agora é um aliado do mesmo, plenamente dominado pelo pecado e pronto a levá-lo às ultimas conseqüências.

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Outros artigos da série:

  1. A religiosidade de Caim:
    Em poucas palavras, o livro de Gênesis nos apresenta Caim, com sua profissão e religião. Talvez o interesse do autor não fosse uma descrição detalhada sobre a vida dos irmãos, fato que podemos perceber na exclamação de Eva que chamou um infante de homem, varão. Os detalhes da biografia não são claros, e temos por certo que o texto apresenta apenas pedaços de cenas da vida de Caim. Entretanto, a partir das poucas palavras das escrituras, podemos aprender muito sobre a insuficiência de religiosidade no que se refere ao relacionamento com Deus.
  2. A rebeldia de Caim:
    A adoração vazia de Caim não foi suficiente para comprar o favor e a benevolência de Deus. Embora Caim tenha realizado um ato de adoração a Yahweh, ele não o fez corretamente. Provavelmente sua atitude o desqualificou como adorador, o que fez com que sua oferta fosse rejeitada. No estudo de hoje, vamos verificar os resultados dessa rejeição da vida de Caim e como ele resolveu reagir a ela.
  3. A inesperada graça Divina:
    Note que, embora Caim tenha sido rejeitado do mesmo modo que sua oferta, Deus não havia o abandonado. O texto continua a descrever uma interação de Deus com Caim que reflete cuidado e graça.
  4. O assassinato de Abel:
    É interessante que a despeito de todos os alertas divinos Caim manteve-se obstinado eu seu furor contra seu irmão. Sua completa rejeição do conselho de Deus demonstra também que Caim dava pouco valor às palavras de Deus. A ira já tinha tomado conta de sua vida e capacidade de reflexão. Caim havia entrado naquele estágio de ignorância provocada pelo aguçar do pecado em nossa vida. Trata-se daquele ponto em que, tomado por ódio, tudo o que se pensa é em como descarregar a raiva e o ódio.
  5. Graciosa ira divina:
    É interessante que a despeito de todos os alertas divinos Caim manteve-se obstinado eu seu furor contra seu irmão. Caim estava tão irado, que nem mesmo Deus o conseguiu convencer de sua obstinação. Sua completa rejeição do conselho de Deus demonstra também que Caim dava pouco valor às palavras de Deus. Entretanto, Deus não o deixa sem punição, e por ter graciosamente avisado a Caim do perigo do pecado, Deus aproxima-se a agora como inquisidor.
  6. Abel, o irmão:
    O outro filho de Adão e Eva apresentados nessa narrativa parece não ter tido especial atenção, como o seu próprio nome parece sugerir. O termo hebraico que origina o nome Abel é “hebel”, que no texto não é definido, mas é entendido como sopro, vaidade e alguns pensam que isso se refere à sua vida de poucos anos sobre a terra. Tenho a impressão que Abel é assim denominado em função de uma expectativa já suprida por Caim, como o descendente da mulher que findaria o domínio da serpente.
  7. Sete, o outro irmão:
    Um dos detalhes que não se vê em Gênesis 4 é a reação dos pais, Adão e Eva, ao perderem em um curto período de tempo, dois filhos. Ao matar Abel, Caim é feito vaguear pela terra como errante e distante de seus familiares. É bem verdade que Adão e Eva tiveram filhos e filhas, contudo Moisés lança luz apenas sobre mais um dos seus filhos: Sete.