SÉRIE: Vinho, as Escrituras e o Cristão


Não é fácil falar sobre bebidas alcoólicas no contexto da responsabilidade cristã. Poucos temas são tão polêmicos e controvertidos como esse, e infelizmente, ainda existe muita desinformação sobre o assunto. Beber é pecado ou não? Qualquer bebida alcoólica é proibida ao cristão? Pode o cristão beber socialmente? É prudente para o cristão ingerir bebidas destiladas? Essas e tantas outras perguntas precisam ser respondidas. Entretanto, nessa série pretendo responder a essas perguntas do ponto de vista de como entendo as Escrituras. Não tenho qualquer pretensão de escrever uma resposta definitiva para o assunto. Minha intenção é apresentar a coerência bíblica sobre um assunto extremamente controvertido.

Talvez a primeira pergunta a ser respondida aqui é: Por que fazer uma série sobre a relação do cristão, Escritura e bebidas alcoólicas? Bom, esta é uma excelente pergunta. Como sabe-se, este é um assunto polêmico e poucos são os que se aventuram a falar sobre o assunto. A bem da verdade, falar sobre o assunto já é arriscado o suficiente. Talvez por isso mesmo é que muitos outros líderes cristãos evitam um pronunciamento sobre o assunto. Entretanto, apesar de saber que existem certos riscos associados a esta iniciativa, ainda considero prudente escrever uma série sobre o assunto por algumas razões:

Em primeiro lugar, eu acredito que o assunto é pouco ventilado em comunidades cristãs. Com tantos assuntos mais importantes e nobres, poucos pastores e líderes na igreja investem tempo em tratar desse assunto de modo um pouco mais abrangente. Entretanto, eu considero que esse tema é ao mesmo tempo oportuno e importante para ser discutido de modo bíblico.

Em segundo lugar, eu acredito que o assunto é em geral polarizado de modo negativo nas comunidades cristãs. Em grande parte das nossas igrejas a bebida alcoólica é apresentada como pecaminosa, o que faz do diálogo a respeito da mesma fadada ao fracasso ante a clara proibição pastoral do consumo de qualquer bebida. Entretanto, eu realmente questiono se tal prática é saudável para a igreja ou se é realmente útil para o desenvolvimento da maturidade cristã.

Em terceiro lugar, porque acredito que a desinformação bíblica sobre o assunto tende a criar dois monstros, ambos igualmente nocivos para o desenvolvimento cristão: o legalismo e a libertinagem. A falta de reflexão sobre o que as Escrituras realmente afirmam sobre determinado aspecto da moralidade cristã tende a levar o religioso ao legalismo e o imaturo à libertinagem. Esses dois polos são nocivos e devem ser evitados pelo cristão a todo custo.

Por fim, acredito que é fundamental se apresentar evidências bíblicas de que a opinião das Escrituras nem sempre acompanha a opinião da maioria evangélica do nosso país. Acredito que é necessário combater a falta de informação bíblica sobre esse assunto, pois como já mencionei, a desinformação tende tanto ao legalismo como a libertinagem.

1. Minha história com a bebida alcoólica

Antes de iniciarmos nossa jornada é importante que o leitor conheça um pouco mais a meu respeito. Eu fui criado em um ambiente que em geral era contrário ao consumo de bebidas alcoólicas. Durante o período de treinamento teológico do meu pai, nós morávamos no seminário em que ele estudava, que por sua vez exigia abstinência dos seus alunos e familiares. Anos mais tarde, meus pais passaram a servir a uma instituição missionária que, embora não tinha como política interna a exigência da abstinência à bebidas alcoólicas era formada por pessoas que na sua maioria eram abstêmias. Em outras palavras, a bebida alcoólica nunca fez parte da vida da nossa família. A bem da verdade, durante muitos anos eu só via pessoas tomando cerveja, vinho ou qualquer outra coisa em reuniões familiares.

Muito embora por alguns anos eu considerasse o consumo de bebidas alcoólicas condenável para o cristão, não me lembro de ter ouvido dos meus pais tal informação. Na verdade, não me recordo de conversarmos sobre o assunto até que comecei a questionar a proibição do consumo de bebidas alcoólicas quando eu já estava no seminário. Também não me recordo dos meus pais incentivarem ou proibirem o consumo de bebidas alcoólicas em casa. Entretanto, me lembro muito bem de como meu pai me ensinou a moderação e a sobriedade. Ele sempre nos alertou sobre o perigo da embriaguez pelo simples fato de ter chegado a Cristo quando mais velho. Na sua vida antes de Cristo sobriedade era facultativa. Entretanto, quando ele foi alcançado pela graça divina, ele não tomou a proibição como regra para sua vida. Muito menos para a vida dos seus filhos. Ele entendeu que a sobriedade era normativa para o cristão. Embora o tenha presenciado bebendo em alguns encontros familiares nunca o vi embriagado. Moderação e sobriedade faziam parte do ensino e prática do meu pai.

Evidentemente, ter sido criado nesse ambiente foi extremamente importante para a formação da minha opinião pessoal sobre o assunto. Entretanto, nunca quis defender algo simplesmente pelo fato de ter recebido tal informação. Eu sempre fui um pouco cético no que se refere a opinião de outras pessoas. É por isso que durante um período da minha vida eu considerei condenável o consumo de bebida alcoólicas por cristãos. Entretanto, com o tempo fui estudando o assunto com olhos mais atentos e aos poucos cheguei à conclusão de que meu pai estava correto: Sobriedade é normativa, não a proibição.

Como muitos dos cristãos que conheço, eu também poderia contar histórias de como a bebida destruiu vidas de pessoas muito próximas a mim. Como muitos outros, também poderia contar histórias de como perdi amigos em acidentes automotivos causado por pessoas intoxicadas pelo álcool. Também poderia contar sobre inúmeras matérias jornalísticas sobre os riscos do álcool, ou das palestras que eu mesmo ofereci quando voluntário em escolas públicas. Também poderia apresentar dados estatísticos do problema do álcool no Brasil. Mas, não gostaria de construir minha visão sobre o assunto a partir dos defeitos da minha sociedade. Seria como ensinar abstinência sexual para os cristãos baseado no problema da doenças sexualmente transmissíveis, como se o problema da imoralidade fosse apenas um problema de saúde. Na verdade, o fundamento da prática cristã não são os problemas da nossa sociedade, mas os princípios da Escrituras. Por isso, nessa série gostaria de apresentar os princípios bíblicos relacionados ao vinho ao invés de investir na divulgação do óbvio: O consumo excessivo de bebidas alcoólicas é nocivo para a saúde, sociedade e especialmente para o corpo de Cristo.

2. Princípios desta série

Como você já percebeu, eu não acredito que as Escrituras ensinam que a proibição do consumo de bebidas alcoólicas é normativa para todos os cristãos. Entretanto, é importante mencionar que também não acredito que o consumo de bebidas alcoólicas é mandatório para os cristãos. Na verdade, eu acredito que a sobriedade é mandatória para o cristão, da mesma forma que a embriaguez é condenada pela Escritura. Mas, de onde vem esse princípio e o que ele significa?

a. Sobriedade e Moderação

Em 1Tess 5.6 nós lemos: “Portanto, não durmamos como os demais, mas estejamos atentos e sejamos sóbrios“. A palavra usada por Paulo aqui (νήφω) descreve a pessoa cuja mente está alerta, que é apta a exercer raciocínio crítico. Essa mesma palavra é usada em outros lugares no NT para descrever o cristão que não está sob qualquer influência externa, mas apto a exercer julgamento adequado diante das complexas situações que enfrenta (1Ts 5.8; 2Tim 4.5; 1Pe 1.13; 1Pe 4.7; 1Pe. 5.18). A palavra usada por Paulo nesse verso é frequentemente usado fora do NT para descrever uma pessoa isenta dos efeitos do álcool (cf. Hesíodo, Theogonia, 478; Epicteus, Dissertation, V.27) ou até mesmo uma pessoa que não bebeu vinho (Platão, Symposium, 213e). É por isso que no NT a palavra sempre descreve alguém apto a exercer julgamentos morais e críticos como alguém que não está intoxicado pelo vinho. O princípio ensinado pelas Escrituras é que o cristão deve valorizar e manter suas faculdades e capacidades mentais. Não é adequado ao cristão, portanto, permitir que uma substância tire dele essa capacidade.

Quando Paulo descreve o líder  cristão ele afirma que tal homem precisar ser sóbrio (νηφάλιος1Tim 3.2) tal qual as mulheres (v.11) e os homens mais velhos da comunidade (Tit.2.2). Contudo, Paulo não está sugerindo que os líderes da comunidade cristã se abstenham por completo do vinho, pois no próximo verso ele descreve que tal homem não pode ser apegado a muito vinho (πάροινος1 Tim.3.3cf. Tit.1.7). O termo que Paulo usa aqui é descreve homens dominados pela bebida, ou pessoas que bebem excessivamente. Em outras palavras, a sobriedade exigida do líder da igreja não deve vir necessariamente da abstinência do vinho, mas da prudência ao tomá-lo moderadamente. Por isso que Paulo aconselha Timóteo a beber vinho (1Tim 5.23), sem que isso viole o princípio da sobriedade cristã. Sobriedade não é apenas parceira da abstinência, mas também da moderação.

b. Repúdio à Embriaguez

Em Efésios 5:18 nós lemos: “Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito”. A palavra que Paulo usa aqui para descrever a embriaguez (μεθύσκω) sempre carrega o sentido de estar bêbado ou ausente de plena capacidade mental. Ela descreve a pessoa que, por beber muito vinho, chega ao estado de alteração da normalidade da consciência e capacidade das faculdades mentais (Luc. 12.45; Jo.2.10). Também descreve a atividade daqueles que não conhecem a Cristo e vivem desapercebidos da realidade  (1Tess. 5.7). Em outras palavras, a embriaguez não condiz com o caráter e a atitude esperada do cristão, como ficará evidente nos exemplos que usaremos nessa série. O cristão deve ser sóbrio, não dominado pelo vinho, por que o resultado da embriaguez é sempre alguma forma de libertinagem.

Portanto, nós entendemos que a sobriedade ensinada pelas Escrituras não exige a abstinência do vinho. Isso não significa que a abstinência seria inadequada. Muito pelo contrário, a abstinência voluntária e pessoal é a melhor forma de evitar a embriaguez do vinho. Contudo, estamos afirmando que a abstinência não é mandatória para todos os cristãos, assim como não é para o líder da comunidade cristã. Também estamos afirmando que a postura pastoral de proibição do consumo do vinho para todo cristão não está em conformidade com o ensino das Escrituras. Essa atitude assemelha-se a atitude do dominador (1Pe 5.3), que proíbe aquilo que Deus não proibiu (1Tim 4.3) e mantém o cristão sob mandamentos humanos o impedindo de desfrutar da possibilidade de desenvolvimento e maturidade (Col 2.20-22).

c. Maturidade

Em Rom.14.17 nós lemos: “Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo”. A vida cristã não se resume a questões do “pode ou não pode“. O cristianismo é produtivo, não reativo. O cristianismo consiste na prática da justiça, paz e alegria no Espírito Santo. O que se pode ou não pode comer ou beber são assuntos secundários para a natureza do Cristianismo. Entretanto, quando aquilo que se come ou bebe interfere a possibilidade de paz e comunhão entre os cristãos, deve-se parar para refletir sobre o assunto a partir da nossa posição em Cristo e do mais importante elemento moral do cristianismo: o amor. Em primeiro lugar, Paulo nos ensina que todos nós pertencemos ao nosso Senhor (Rom.14.7-8) e que por isso, devemos viver não para nós mesmos, mas devemos viver para Ele. Como filhos de Deus resgatados por Cristo, somos convidados a viver juntos e em paz com nossos irmãos. Em segundo lugar, Paulo nos ensina a amar nossos irmãos (Rom 14.15) de tal modo que nossa prática pessoal de consciência livre diante de Deus para comer ou beber não ofenda nossos irmãos. Como todos nós pertencemos a Cristo, independentemente da nossa posição sobre assuntos controvertidos, devemos manifestar o amor de Cristo para nossos irmãos.

Sendo assim, Paulo sugere que aqueles que entendem que existem determinados alimentos ou bebidas que não devem ser consumidos pelo cristão devem refrear o julgamento daqueles que deles discordam (Rom 14.10-13). Em outras palavras, se você entende que vinho não deve ser consumido por cristãos, Paulo diz que você não deve exercer julgamentos daqueles a quem Jesus Cristo morreu e que são seus irmãos. Por outro lado, Paulo sugere que aqueles que entendem que tais bebidas e alimentos podem ser consumidos pelos cristãos devem zelar pela integridade daqueles que deles discordam (Rom.14.13-15). O princípio aqui é que por amor, aquele que entende que o vinho pode ser consumido por cristãos devem ser prudentes no consumo do mesmo para evitar que aquilo que é bom para eles se torne motivo de maledicência (Rom.14.16). Observe como Paulo inicia esse capítulo (Rom.13.2-3) e como o princípio ali apresentado pode ser muito bem aplicado a postura cristã diante da diferença de opinião sobre o consumo do vinho:

Porque um crê que de tudo se pode beber, e outro, que é fraco, não bebe vinho. O que bebe vinho não despreze o que não bebe; e o que não bebe vinho, não julgue o que bebe; porque Deus o recebeu por seu.

É por isso que Paulo encerra o assunto por dizer que devemos nos esforçar para promover a paz e a edificação mútua (Rom.14.19). Esse conselho vale tanto para aqueles que aprovam o vinho como aqueles que o condenam. Ele jamais convida os cristãos a debaterem o assunto (Rom.14.1), mas a receberem aqueles que tem opiniões diferentes sobre o mesmo. A discussão e o debate não produzem a edificação mútua, e por isso devemos evitar destruir [o oposto de edificar] a obra de Deus na edificação mútua do corpo de Cristo (Rom 14.20). Sendo assim, é melhor não comer carne ou beber vinho nem fazer qualquer outra coisa que faça seu irmão cair (Rom.14.21). Por fim, Paulo diz:

“Assim, seja qual for o seu modo de crer a respeito destas coisas, que isso permaneça entre você e Deus. Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova“. (Rom.14.22)

Paulo não proíbe o cristão de beber vinho, mas ele sugere que é melhor não beber do que fazer um irmão cair. É interessante que Paulo não cria uma nova legislação para administrar a situação da igreja, mas ele apresenta a maturidade cristã como resposta ao dilema a um assunto controvertido. Ele sugere a promoção da paz e da edificação mútua. Ele sugere a abstinência por amor. Mas, ele nunca condena o consumo do vinho. Ele nunca proíbe seu consumo. Ele também afirma que o cristão, na sua individualidade pode manter sua liberdade entre ele e Deus. Por isso, penso que seria prudente que pastores prudentes fizessem o mesmo: ao invés de legislar o comportamento de suas igrejas, que promovessem a edificação e paz sem interferir na liberdade individual que o cristão tem diante de Deus.

3. Proposta desta série

Nesta série pretendemos apresentar a partir das Escrituras de modo sistêmico e sistemático o que as Escrituras falam sobre o consumo/abstinência de bebidas alcoólicas. Pretendemos demonstrar os diferentes termos usados tanto no AT como no NT para se referir a bebidas alcoólicas. Também pretendemos apresentar fontes extra-bíblicas como pano de fundo social e cultural, tanto do NT como do AT, que ajudem a elucidar a prática dos hebreus, judeus e cristãos relacionados ao consumo/abstinência de bebidas fermentadas. Também pretendemos demonstrar que as Escrituras não apontam a existência de dois tipos de vinho, um fermentado e alcoólico e outro não alcoólico. Também pretendo interagir com argumentos prós/contra o consumo de bebidas alcoólicas nos nossos dias com objetivo de ajudar nosso leitor a refletir sobre o assunto de maneira respeitosa e responsável sobre um assunto relevante para a prática cristã dos nossos dias. De modo nenhum o autor desta série está a incentivar o consumo de bebidas alcoólicas, nem de sugerir que os cristãos devam consumi-las. Para que fique evidente, esta série é uma tentativa de contribuir com a reflexão teológica a respeito do ensino das Escrituras sobre o assunto.

4. Conclusão

De fato o assunto é polêmico, mais ainda quando o assunto é tratado do ponto de vista que proponho a fazer aqui. Assumir que o consumo moderado de vinho é abençoado por Deus é um absurdo para muitos. Entretanto, acredito que existe suficiente evidência nas Escrituras para apresentar essa visão. Também acredito ser saudável para os cristãos pensarem sobre o assunto do ponto de vista da maturidade, não para discutir nem para aceitar, mas para aprendermos a dialogar sobre nossas diferenças de maneira saudável, madura e prudente. Durante essa série, perguntas serão muito bem vindas e o diálogo será aberto. Porém, vamos manter o mesmo critério que temos mantido no que se refere a comentários: Críticas são bem-vindas, discussões e ataques não.

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Vinho

14 comentários sobre “SÉRIE: Vinho, as Escrituras e o Cristão

  1. Yuri Alves

    Marcelo, certa vez, ao ensinar sobre esse assunto, um irmão fez uma reflexão que achei interessante. Ele disse o seguinte: A indústria da cerveja, no Brasil, tem promovido a imoralidade por meio de suas propagandas. Assim, quando compramos essas cervejas estamos apoiando esse mercado. O mesmo não se aplica a todo tipo de bebida alcoólica.
    A conclusão, portanto, é que o cristão brasileiro não deveria comprar cerveja. O que você acha?

    1. Yuri,

      A impressão que eu tenho é que essa é uma opinião zelosa, que apresenta uma preocupação honesta e sincera. Mas, essa ‘objeção’ está bem desinformada a respeito do mercado de bebidas no Brasil, pois as companhias que vende cervejas também vendem refrigerantes e tantas outras bebidas. A AMBEV (Companhia de Bebidas das Américas), que é detentora de aproximadamente 30 diferentes marcas de cerveja, além do direito de vender e distribuir os produtos da PepsiCo na América Latina é dona da antiga Antártica, que fabrica o nosso Guaraná Antártica, o Baré, a Sukita e tantos outros refrigerantes. Vale lembrar que a Femsa, que é a segunda maior engarrafadora de Coca-Cola no mundo, é quem detém o direito de venda da Kaiser, Sol, Bavária, Xingu, Santa Cerva, Summer Draft e Heineken. O mesmo pode-se dizer da Schincariol, que embora venda refrigerantes, é também detentora de uma série de diferentes marcas de cerveja.

      Em outras palavras, todas as vezes que você comprar Pepsi, Guaraná Antarctica, Guarah, Soda Limonada Antarctica, Água Tônica Antarctica, Sukita, Lipton Ice Tea, Água Fonte da ilha, Teem, H2OH!, Gatorade, Frutzzz, Propel – Hydractive, Os Caçulinhas, Fusion, Monster Energy, Baré, Citrus Antarctica, Coca-Cola, Fanta, Sprite, Kuat, Aquarius Fresh, Schweepes, Sucos Del Valle, Powerade, I2, Burn, Chá Matte Leão, Água Cristal, Suco Fruthos, Tubaína, Refrigerantes Schin, Skinka, Mini Schin [acho q já deu pra entender, né!?], você estará apoiando o mercado e fortalecendo empresas que vendem cervejas e promovem a imoralidade.

      A única pergunta que falta responder, e essa eu deixo pra você, é se o argumento está correto. O que você me diz?

      Grande abraço,
      Marcelo Berti

  2. Aldo

    Creio que….. Com base nas escrituras…. Quem achar que não tem problemas beber ou quem achar que tem problemas… Ambos vão achar respaldos para fazerem exatamente o que quiserem fazer…

    1. joca

      se eu posso beber tbm acho que posso cair na gandaia, mas o corpo deve ser santo, em 1º corintios 6;10,11- tem uma lista de pecados e diz que não entrarão no reino de Deus, mas diz tbm que alguns tem sido, mas foram lavados ou seja se libertaram dessas coisas, em tessalonicenses 5;23 diz aque o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo espírito, alma e corpo estejam conservados para vindo de jesus.

      1. João,

        Obrigado por manifestar sua opinião, acredito que ela representa a grande maioria evangélica. Você disse: “se eu posso beber tbm acho que posso cair na gandaia“. Em outras palavras beber é equivalente a cair na gandaia [seja qual for o significado desse termo]. Entretanto, existe uma abismal diferença entre a licenciosidade e a moderação. Por exemplo, nas escrituras aprendemos que Deus nos deu o vinho para alegrar o coração (Sal. 104:14-15) e para tornar a vida mais alegre (Ec.10:19). Em nenhum desses casos fala-se em gandaia, mas fala-se no consumo do vinho como algo positivo. Em outras palavras, a equiparação entre beber e “gandaiar” é apenas verdadeira na mente daqueles que querem proibir o que Deus não proíbe.

        Vale ainda dizer que o modo como você apresentou sua visão contém uma falácia interessante que aproveito para tratar aqui. O argumento é simples:

        (1) A bebida alcoólica sempre leva à embriaguez
        (2) Se Deus permite o consumo de bebidas alcoólicas, então ele também permite a gandaia.
        (3) Entretanto, Deus não permite nem a embriaguez nem a gandaia.
        (4) Portanto, Deus proíbe o consumo de bebidas alcoólicas

        O problema fundamental desse argumento é a palavra sempre na primeira linha do argumento. A bebida alcoólica apenas leva à embriaguez aqueles que exageram no seu consumo. Esse princípio é claro tanto nas escrituras como na experiência contemporânea. Se a primeira linha do argumento está incorreta, segue-se que a conclusão dela derivada estará invariavelmente incorreta.

        Para uma visão mais abrangente da visão que Deus tem o vinho no AT, por favor, ler o artigo O Vinho de acordo com o AT.

        Grande abraço,
        Marcelo Berti

  3. Caro Marcelo,

    Primeiramente, parabenizo pela iniciativa de abordar um tema que desperta curiosidades e, muitas vezes, as mais variadas reações, tanto pelos adeptos ou não da abstemia. Já perdi a conta de quantas vezes me fizeram essa pergunta. A abordagem bíblica que você propõe, apartando a análise do texto das nossas convenções como igreja, pode ajudar a trazer luz a essa questão (não que haja uma doutrina perfeita, mas sim, um convite ao que você corretamente chama da sobriedade).

    Um complemento meu à sua análise sintética do texto em Efésios 5:18 seria o seguinte: embora o apóstolo Paulo aborde textualmente a questão do “se embriagar com vinho”, creio que o texto, dentro contexto mais amplo do capítulo, quer indicar algo muito mais amplo. Ao lidar com a questão da vida em comunidade, parece que Paulo usa a figura do embriagar-se com vinho como símbolo do velho homem que pratica libertinagem e tenta saciar, de maneira desenfreada, suas paixões. Sob essa ótica, o “bêbado” é o exemplo mais pictórico daquele que não vive uma vida plena no Espírito. Assim, o fato do “embriagar-se com vinho”, seria um diagnóstico de uma realidade maior: de uma pessoa que ainda vive presa à “carne”. Creio que muitos usam esse texto apenas e tão somente para condenar peremptoriamente o consumo de álcool.

    Falar sobre álcool dentro de nosso contexto “evangélico” é cutucar uma colmeia de abelhas. Pode-se extrair mel ou despertar a fúria das abelhas. Espero que os próximos textos dessa série possam ajudar os cristãos comuns a entenderem, ou pelo menos, fazer com que nossos irmãos reflitam, de maneira “sóbria”, sobre o tema, sem extremismos, achismos, etc. Um brinde! Paulo Won

    1. Paulo,

      Seu adendo sobre Ef.5.18 foi muito oportuno. Muito obrigado por sua contribuição. Continue contribundo para essa série, pelo benefício da Igreja de Cristo.

      Grande abraço,
      Marcelo Berti

  4. Eu concordo com a conclusão, porém acredito que existem muitos mais textos que possam nos levar a um maior entendimento do assunto.
    Um que lembro agora e que é chave, e não foi citado por exemplo é o de 1 Cr 6.12-13 Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada domine. Os alimentos foram feitos para o estômago e o estômago para os alimentos, mas Deus destruirá ambos. O corpo, porém, não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor para o corpo.

    Sabemos que o álcool nos tira do nível e condições mínimas de domínio próprio, alterando vários dos nossos sentidos e raciocínio mental, fundamental para a compreensão, discernimento e submissão ao Espírito Santo. Não temos controle sobre seus efeitos, considero uma droga tanto quanto outras mas não em mesmo nível.

    Com esse texto eu faço uma leitura de que a abstinência ainda é o mais adequado, ao menos quanto a aspectos culturais de cada local, no Brasil, a cerveja leva ao excesso sempre, mesmo em convívio familiar, tenho parentes TJ que não veem problemas e são claramente influenciados pelo álcool em festas familiares. Aqui, o vinho tem seu consumo mais adequado e condizente, por meros costumes culturais também, o que o livra do problema, porém em outros lugares poderá ser relevante.

    Como citei acima, eu fico ainda mais com o entendimento de ser uma droga que leva a efeitos alucinógenos, ainda que não seja considerada desta substância pelos profissionais dessas áreas. Se compararmos os efeitos destas com os do álcool não veremos nenhuma diferença senão apenas no grau.

    1. Marcos,

      Muito obrigado por manifestar sua opinião. De fato, a abstinência é a melhor alternativa para a sobriedade e para se evitar a embriaguez.

      Infelizmente não sou habilitado como teólogo a definir a classificação de substâncias químicas. Entretanto, até onde sei, o álcool é classificado como uma droga de efeito psicodisléptico (depressor do sistema nervoso central), mas não psicodistroptico (alucinógeno). Também vale lembrar que de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), essa droga é apenas nociva quando usada excessivamente. O uso nocivo do alcool é definido pela OMS como o uso “equivalente a 60 gramas ou mais (cerca de 6 doses* ou mais) de álcool puro em uma única ocasião” (Global Status Report on Alcohol and Health, p.4). Em outras palavras, uma pessoa teria que beber muita bebida alcoólica para chegar ao nível nocivo do álcool.

      Porém, note que essa definição extrapola o princípio bíblico da sobriedade. A quantidade estipulada acima pela OMS é apenas uma definição de prejuízo de saúde e não de consciência. Os valores bíblicos apresentados no artigo acima sugerem que o uso moderado do vinho é deveras inferior ao sugerido para a saúde física.

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  7. Ricardino Lacerda

    Prezado Marcelo,

    Parabéns pelo site. Sempre venho aqui e gosto muito dos seus artigos e da forma como você aborda os temas apresentados, tenho procurado sempre que possível “reter o bem” de tudo que aqui é compartilhado.
    Sobre o assunto em referencia, o consumo de bebida alcoólica por cristãos, penso primeiramente na definição de embriagues.
    Para o Departamento Nacional de Trânsito, a definição de embriagues é bem severa, um ou dois copos de cerveja torna o condutor inapto a conduzir o seu veículo, mesmo sendo habilitado, por causar riscos a ele próprio e para os outros.
    Se para conduzir um simples veículo, uma quantidade minima de álcool me torna embriagado, pelo menos para o Detran, então onde começa a embriagues para fazer uso da Palavra de Deus e da liberdade a mim concedida pela graça?
    Penso também como você, quando fala no artigo que não há uma proibição sobre o consumo de álcool nas Escrituras. Aliás a questão não é nem o beber ou não beber, ou o ser proibido ou não, mas os princípios envolvidos em tal prática.
    A Bíblia não é só um livro de mandamentos, mas, principalmente um livro de princípios, e sou da opinião que o consumo de bebida alcoólica, em qualquer quantidade ou ocasião coloca em risco a nossa integridade espiritual, e como ao consumir álcool a nossa capacidade de reflexos e raciocínios são comprometidos, alterados, é claro que nos colocamos em risco quanto às nossas ações, palavras e pensamentos, nos colocando em uma situação de vulnerabilidade espiritual, propositalmente, porque bebemos voluntariamente, batendo de frente com o princípio bíblico “não tentarás ao Senhor teu Deus”.
    Esta é apenas uma opinião particular, de modo algum quero que seja interpretada como a ultima palavra sobre o assunto.
    É apenas o que penso.

    Mais uma vez parabéns pelo site e pelo ótimo conteúdo, aliás tem me servido de fonte de pesquisa sobre diversos assuntos.

    No amor de Cristo,

    Ricardino Lacerda.

  8. Paulo Brasil

    Parabéns, de verdade.
    O consumo é possível, mas a moderação é imperativa.
    Não faço uso, tive pai alcoolatra. Contudo minhas percepções e experiências não podem nortear a questão.
    Nosso Senhor utilizou-se de vinho, há promessa de sorve-lo na eternidade.
    A despeito de não utiliza-lo, creio que As Escrituras recomendam moderação e não abstinência.
    Mais uma vez parabéns.

    Paulo Brasil

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