Era o Vinho do AT não alcoólico?


[Parte 1] [Parte 2]

Em nossa série de artigos sobre o vinho nas escrituras nós já apresentamos (1) os princípios que governam nossa visão sobre o assunto e (2) a visão geral do AT a respeito do vinho. De acordo com nossa pesquisa no artigo anterior, o vinho é apresentado como bênção na maioria das vezes em que é mencionado no AT. Também vimos que o vinho é apresentado nas escrituras não apenas bênção, mas como maldição; não apenas maldição, mas também como bênção. Diante das evidências apresentadas nós concluímos que afirmar apenas um dos pontos é ignorar a evidência das escrituras.

Essa é exatamente a razão pela qual muitos acreditam que o AT apresenta dois tipos de vinho: um vinho não fermentado, similar ao suco de uva e um vinho fermentado e alcoólico. Alguns dos artigos encontrados na internet já partem do pressuposto de que tal é o caso, e, na apresentação das evidências já listam os versículos demonstrando quando o vinho contém e quando não contém álcool [1]. Aliás, grande parte dos proibicionistas encontra nessa distinção o argumento para defender sua opinião.

Carl Cooper, por exemplo, após apresentar algumas evidências de que o vinho parece ser apresentado de modo positivo (Jo.2.10; 1Cor.11.17-22) juntamente com alguns versos que apresentam o vinho de modo negativo (Pr.20.1; 1Tim.3.3, 8; Pv.23.31-32), afirma que a maioria dos cristãos parece confusa com o assunto por que as escrituras favorecem ambas as opções. Então ele conclui: “Qual é a resposta? Nós sabemos que a Bíblia é a verdadeira palavra de Deus e que Deus não é autor de confusão. Deve existir alguma lógica na opinião de Deus sobre o assunto. Ele não pode estar nos dois lados de um assunto moral ao mesmo tempo. Ele não pode definir um ato como pecaminoso e ao mesmo tempo permitir o cristão a realizá-lo sem medo. Ou não é um pecado, ou nós não entendemos a posição de Deus sobre o assunto.”

Evidentemente Cooper defende que consumir bebidas alcoólicas é pecado, portanto acredita que nós não compreendemos a opinião de Deus sobre o assunto, e por isso ele completa: “Vinho é uma palavra em português e nós sabemos exatamente o que ela significa (…) Entretanto, nos tempos bíblicos as pessoas não bebiam vinho, elas bebiam oinós e yayin. (…) Oinós e yayin no idioma original se referem ao produto da vinha, e este vinha em diferentes formas. Elas poderiam se referir a uva, ou até mesmo ao suco de uva (…) Quando se refere ao suco da uva, ele pode ser fermentado ou não fermentado. (Carl Cooper, Does God Drink Wine? The Truth About Bible Wine, p.10-11)

Em outras palavras, a Bíblia não pode apresentar o mesmo produto como bênção e maldição ao mesmo tempo, portanto, as Escrituras devem estar falando de dois tipos de fruto da vide. Em outras palavras, yayin quando apresentado como maldição refere-se ao vinho, quando apresentado como bênção, refere-se ao suco de uva. Esse tipo de conclusão é evidente em diversos artigos proibicionistas [2].

Entretanto, uma questão imediatamente me vem a mente quando ouço esse tipo de argumento:

Se o mesmo termo é usado para descrever ambas as bebidas, como o tradutor sabe quando yayin descreve a bebida alcoólica e quando descreve a bebida não alcoólica?

Se a mesma palavra tem os dois sentidos, ou melhor, se a mesma palavra descreve dois tipos de produtos, como podemos saber quando o autor bíblico usa em referência ao vinho ou quando usa em referência ao suco de uva? Em outras palavras, qual é o critério que devemos usar para identificar quando o termo descreve vinho e quando descreve suco de uva?

Para responder a essa pergunta, pretendo em primeiro lugar (1) verificar se é possível encontrar a distinção entre o vinho e o suco de uva no Antigo Testamento, (2) analisar o método e critério usado pelos proibicionistas para identificar a distinção entre o vinho e o suco de uva, e, por fim, (3) verificar se a teoria é suficiente para avaliar as evidências textuais do  AT.

A. Observações Léxicas

Que uma palavra pode denotar vários sentidos nós não temos dúvidas. Em diferentes contextos, uma palavra qualquer pode desempenhar diferentes sentidos [3], mas dificilmente uma palavra tenha apenas dois sentidos estáticos consolidados através do tempo e inalteráveis durante séculos. Mas, é exatamente esse o ponto dos proibicionistas: yayin descreve tanto vinho quanto suco de uva por todo o AT.

Entretanto, para verificarmos a validade de tal afirmação nós devemos primeiramente considerar se a evidência lexicográfica permite tal conclusão. Por isso, Para procedermos como nosso estudo, vamos analisar três diferentes palavras hebraicas, yayin, tirosh shekar para verificar se esses termos podem ser usados ao mesmo tempo para designar um produto alcoólico e outro não alcoólico. A intenção aqui é oferecer uma visão mais abrangente do uso das palavras de acordo com Dicionários Hebraicos (Léxicos).

1. Yayin

Dentre as palavras mais importantes no estudo do vinho no AT, yayin destaca-se tanto pela quantidade de usos (141x) como pelas informações que oferece ao objeto do nosso estudo, a saber o vinho. Das 141x que yayin  é usado nas escrituras, em 31x é apresentada como parte da alimentação em Israel sem qualquer condenação ou recomendação. É como se yayin fizesse parte do dia-a-dia de Israel. Em outras 12x o termo não tem qualquer conotação positiva ou negativa. Em 45x o termo é apresentado de modo extremamente positivo, seja como bênção divina (5x), parte da adoração a YHWH (7x), exemplos positivos (9x), comparações positivas (9x) e sua falta é descrita como maldição divina (10x). O termo é também apresentado de modo negativo 34x e seu uso aparece 19x em listas de abstinência voluntárias no AT. Ainda assim, seu uso é recomendado em no AT (4x) (para referências, ver o artigo Vinho de acordo com o ATnota final n.3).

Normalmente, yayin é traduzido como “vinho” na maioria das traduções em português. De acordo com James Swanson, yayin é usado no AT para descrever o “vinho, i.e., o suco de uva naturalmente fermentado que em excesso pode causar a embriaguez“. Swanson não apresenta nenhum texto que permita que tal termo seja utilizado em referência a um produto não fermentado da uva, nem sequer menciona tal possibilidade.

No léxico Brown-Driver-Briggs, yayin é apresentado como vinho, uma bebida comum no mundo antigo, usada para celebração a Deus, que tem capacidade inebriate além de ser usada de modo metafórico e em combinação com outros termos.  Entretanto, o que é claro no BDB é que não existe qualquer menção de yayin como suco de uva. De igual modo, o BDB sequer menciona tal possibilidade.

Wilhelm Gesenius, um dos mais importantes estudiosos do idioma hebraico e seus cognatos, define yayin como vinho, uma palavra provavelmente derivada de yavan que denota o processo de fermentação, evidenciando que yayin descreve uma bebida fermentada. Novamente, Gesenius não apresenta nenhuma ocasião na qual o termo seja usado para descrever suco de uva.

O HALOT apresenta yayin consistentemente em referência ao vinho, mesmo quando demonstra os mais diversos usos do termo no AT. HALOT descreve yayin como inebriante (Gen.9.24; 1Sam25.37), capaz de alegrar o coração do homem ( Sal 78.65; 104.15; Ec 10.19) e além de ser considerado apropriado para alegrar os  deuses (Jz.9.13). Em nenhum momento, entretanto, o HALOT apresenta a possibilidade desse termo ser usado em referência ao suco de uva.

Harris-Archer-Waltke definem yayin como vinho sem qualquer menção ou possibilidade do termo fazer referência ao suco de uva: “O termo é usado no AT cerca de 140 vezes e em 12 ocasiões é usado em combinação com shekar (…) Suas propriedades inebriantes são apresentadas pelo menos 20 vezes. É usada como uma bebida ordinária, um elemento de banquetes e como material usado para libação“. Apensar dos múltiplos usos, HAW não apresenta o termo como bebida não fermentada.

Como podemos observar acima, a evidência léxica parece não suportar a teoria de que yayin se refere ao mesmo tempo ao suco de uva e ao vinho. Tal distinção não é clara no AT tal como demonstrada pela evidência léxica.

Quando a evidência léxica de modo unânime não oferece suporte a determinada conclusão linguística, parece razoável aceitar que tal conclusão esteja equivocada.

É importante também notar que as recomendações de abstinência a yayin no AT nunca são descritivas para todo Israel: Yayin era proibido ao sacerdote e sua família durante o serviço sagrado (Lv. 10.8-9; Ez. 44.21), para os hebreus tanto homem como mulher que fizessem um voto especial de consagração (Nm 6.2-3), para a mãe de Sansão (Jz 13.3-5, 7), para Sansão (Jz 13.14), para Israel no deserto (Dt 29.6), para Samuel (1Sam 1.15) e Daniel (Dan 1.8, 16; 10.3). É evidente que o voto de abstinência de yayin é apenas possível, se yayin fosse primeiramente permitido para o hebreu comum. Caso contrário, nada diferente do normal seria realizado.

2. Tirosh

A segunda palavra que merece nossa atenção aqui é tirosh. Normalmente traduzida como “vinho novo” é usada em 38x, sendo que em 26x é apresentado de modo positivo, 10x de modo neutro e apenas 2 vezes de modo negativo. Essa é uma palavra interessante pelo fato de que ela não é diretamente mencionada nas recomendações de abstinência ao vinho no AT.

James Swanson define o termo como novo vinho ou mosto, ou seja o suco de uva antes ou durante do estado de fermentação. Ao definir mosto, Swanson afirma que o mesmo é como “o vinho em estágio inicial de fermentação, mal se distingue do suco de uva em sua capacidade de levar alguém à embriaguez“. Ele também entende que em alguns casos o sentido de suco de uva deve ser esperado (Isa 65:8).

No Brown-Driver-Briggs, tirosh é definido como mosto, vinho novo ou fresco que é descrito como contido nas uvas (Isa 65:8) e capaz de produzir vinho (Mi 6:15). Entretanto, BDB também aponta para o fato de que tirosh também contém capacidade inebriante (Os 4:11). É interessante que nesse verso, tirosh é usado em conjunto com yayin, o que denota que o termo pode ser usado em referência a uma bebida alcoólica também.

Gesenius afirma que a raiz do termo tirosh é iarash cuja definição é “tomar conta ocupar” (notar próximo parágrafo) e então sugere que tirosh tem capacidade de ocupar a mente. Em outras palavras, Gesenius reconhece que o termo também denota capacidades inebriantes pela conexão etimológica do termo. Entretanto, é fundamental notar que tirosh para Gesenius também descreve o suco de uva.

Já o HALOT apresenta três diferentes teorias para a origem do termo e conclue por dizer que a teoria apresentada por Gesenius tem sido abandonada em tempos mais recentes. A bem da verdade, no HALOT nós encontramos uma discussão sobre não apenas sobre a origem etimológica mas sobre o sentido do termo. De um lado há quem defina o termo como vinho novo não fermentado (Dalman Wörterbuch 442a; esp. Levy Wb. 4: 641a), ao passo que há quem defenda o termo se refere ao vinho novo fermentado (Kuhn Konkordanz 233; Johann Maier Die Tempelrolle vom Toten Meer; Uni-Taschenbücher 829; 1978) col. 19: 14 [p. 32]; col. 22: 7,10 [p. 34]). O que fica evidente, entretanto, é que no que se refere a tirosh, é evidente que o mesmo termo pode se referir ao mesmo tempo ao vinho como ao suco de uva.

De modo similar, Harris-Archer-Waltke entendem que o termo descreve o vinho novo que é na maioria das vezes associado a fertilidade, prosperidade e bênção nas escrituras. De modo indireto o HAW sugere que tirosh refere-se ao produto não fermentado da vinho quando diz que “a palavra nunca é associada com embriaguez, exceto talvez em Os. 4.11, onde yayin também é mencionado“. Em outras palavras, embora tirosh descreva na maioria dos casos o vinho novo, num processo inicial de fermentação, isso não significa que o mesmo não pudesse levar alguém à embriaguez. Afinal, na literatura rabínica, yayin é usado para descrever o vinho novo (Mish. Tebul Yom 1:1; Bab. Git. 67b*2; Bab. Kid. 20a; Bab. Nazir 38b), e tal classificação seria adequada para descrever um vinho de até um ano de idade. (Broshi, Magen. Bread, Wine, Walls and Scrolls (Library of Second Temple Studies), p.151).

Entretanto, um fato fica evidente no estudo léxico de tirosh: embora as distinções entre fermentado e não fermentado não sejam demarcadas de modo inequívoco, o mesmo termo poderia ser usado para descrever o vinho em estado inicial de fermentação de modo indistinguível do suco de uva, ou até mesmo uma bebida com capacidade inebriante.

3. Shekar

Por fim, precisamos considerar outro termo interessante em nosso estudo: Shekar é usado 23x em todo o AT, das quais 11x é descrito de modo negativo e em 7x é explicito em recomendações de abstinência. Apenas em quatro ocasiões é apresentado de modo positivo. O termo é normalmente traduzido como “bebida fermentada” em português. Dificilmente alguém iria argumentar que esse termo descrevesse uma bebida não fermentada.

Aliás, James Swanson define o termo como “bebida fermentada” e completa: “cerveja, i.e., qualquer bebida feita de grãos ou frutas que seja potencialmente inebriante se bebida em excesso” (cf. Lv 10:9; 1Sam 1:15; Pr 20:1; Isa 5:11, Mq 2:11). Swanson também nota que o termo também deveria ser usado como oferta ao Senhor, o que sugere que o próprio Deus nada tinha contra essa bebida.

No Brown-Driver-Briggsshekar descreve uma bebida inebriante normalmente descrita como bebida forte. O BDB também aponta o fato de que tal bebida é normalmente condenada  (Isa 5:11Mq 2:11 1Sam 1:15 Pr 20:1), proibida para sacerdotes durante ministração (Lv 10:9), ao príncipe (Pr 31:4) ou ao Nazireu (Nm 6:3). Por outro lado, era uma bebida comum (Dt 29:6) e permitida na refeição sacrificial (Dt 14:26).

Em consonânica com outros léxicos, Gesenius afirma que o shekar descreve uma bebida inebriante traduzida como bebida forte. De acordo com Gesenius o termo é eventualmente usado de modo sinônimo a yayin (Isa 5:11;  Pr 20:1; Pr 31:4; Mq 2:11Isa. 5:22), mas normalmente distinguido do mesmo (Lv 10:9; Nm 6:3). Em outras palavras, shekar embora tenha sua particular significância, o termo também pode ser usado como sinônimo a yayin.

No HALOT vemos o mesmo conceito sendo apresentado, de modo que shekar é traduzido como bebida forte, bebida inebriante ou até mesmo como cerveja. Também encontramos o princípio apresentado por Gesenius, de que eventualmente shekar yayin são usados como sinônimos. Apesar disso, o HALOT também afirma que tal bebida fermentada era aceita como oferta a YHWH (Nm 28:7). Harris-Archer-Waltke seguem a mesma apresentação e descrevem shekar como bebida forte, não apenas cerveja, mas qualquer bebida inebriante preparada de grão ou fruta.

Como fica evidente, a evidência léxica aponta para o fato de que shekar é uma bebida inebriante, traduzida como bebida forte. Entretanto, tal tradução não deveria ser associada com bebidas destiladas (cachaça, whisky, vodca), dado ao simples fato que o processo de destilação de bebidas é historicamente recente, e, portanto, anacrônico associar esses dois conceitos. Shekar descreve uma bebida com alto grau de fermentação, que embora constantemente condenada na escritura, é aceita como parte oferta a YHWH (Nm 6.3) e recomendada por Ele para se desfrutar em sua presença (Dt.16.14). Em outras palavras, shekar não era uma bebida proibida em Israel, muito embora perigosa.

4. Resumo e Conceito

Como vimos acima, tirosh, uma das palavras que eventualmente são traduzidas como vinho nas escrituras pode descrever o suco não fermentado de uva. Entretanto, parece que a evidência léxica não oferece qualquer suporte para a sugestão de que yayin se refere ao mesmo tempo como suco de uva e vinho. O mesmo pode ser dito de shekarEmbora yayinshekar sejam usados de modo sinônimo ou paralelo em livros poéticos, em nenhum momento encontramos na literatura léxica qualquer indicação de que ambos os termos possam ser usados para descrever o suco não fermentado da uva. Ou seja, existe na literatura um consenso de que que yayin não é usado no AT em referência ao produto não fermentado da vide.

B. Crítica, Método e Critério

Entretanto, Robert Teachout  entende que tal consenso é equivocado, presuposto e não corresponde a evidência. É por isso que Teachout reclama de dicionários e léxicos dizendo que:

 Se o autor do léxico pressupõe que o vinho, por exemplo, é beneficial quando bebido moderadamente, e que se torna mal apenas quando bebido excessivamente, então é óbvio que tal pessoa assuma rapidamente que todos os usos de yayin nas escrituras se referem ao vinho. Entretanto, se alguém abordar o assunto no AT sem qualquer prejuízo inicial em relação ao vinho, mas simplesmente desejando descobrir o que a escritura diz a respeito desse assunto (presumindo que a revelação Divina é capaz de oferecer harmonia se propriamente entendida), é bem possível que sua conclusão será diferente (Robert P. Teachout, The use of ‘Wine’ in the Old Testament, Dissertação de doutorado apresentada ao Dallas Theological Seminary)

Em outras palavras, yayin é apenas apresentado como vinho em função da pré-disposição do lexicógrafo em definir o termo em conformidade com suas preferências. E mais, Teachout se entende como alguém desprovido de opinião pré-definida a respeito do vinho, alguém imparcial e que pode apresentar uma imagem adequada do mesmo nas escrituras. Mas, a questão então é como Teachout pretende realizar essa pesquisa.

Teachout apresenta seu modus operandi ao dizer que pretende confrontar o consenso léxico e atribuir a yayin o sentido de suco de uva apenas quando o contexto assim permitir. Após extensiva pesquisa, Teachout sugere que alguns versos no AT de fato sugerem que yayin se refere a suco de uva (Isa 16:10; Jer 40:10, 12; Neh 13:15; Lam 2:12; Gen 49:11). Observe, por exemplo que em Ne.13:15, a pisa da uva e o carregamento do produto da vinha descrito como acontecendo no mesmo dia. Nesse caso, Teachout sugere que o contexto sugere que embora yayin seja usado aqui, é bem provável que o produto não teve tempo para ser fermentado. Note também que em Lam 2:12, as crianças e bebês estão perguntando “onde está o pão e o vinho” para suas mães, o que também sugere que yayin nesse contexto indica o produto não fermentado da vinha.

Apesar de alguns dos versos sugeridos por Teachout não receberem o mesmo tipo de apoio contextual para a definição, uma coisa fica evidente em sua proposta: De fato, é possível que em algumas ocasiões yayin descreva o produto ainda não fermentado da vinha. Entretanto, Teachout assumiu que esses casos não eram a exceção ao padrão léxico apresentado acima, mas de fato o modo correto de se compreender o termo no AT. Então, assumindo que yayin denota ao mesmo tempo o suco de uva e o vinho, Teachout re-avaliou toda a evidência e definiu que das 141x que yayin é usado no AT, em 71x o termo descreve o suco de uva ao passo que 70x se refere ao vinho (The use of ‘Wine’ in the Old Testamentpp.248; cf. pp.349-58).

Yayin no AT

Em outras palavras, Teachout sugeriu que não apenas a evidência léxica está equivocada, mas que deve ser completamente ignorada. Mas, para que tal conclusão possa ser recebida, uma pergunta deve ser respondida adequadamente: Uma vez que apenas um pequeno grupo de versos sugeria que yayin fizesse referência ao suco de uva, como Teachout chegou à conclusão de que mais da metade dos usos de yayin na verdade se refere ao suco não fermentado de uva? Qual foi o critério usado por ele? De acordo com Teachout, “a ideia geral que a palavra [yayin] denota é a bebida derivada da uva (cujo implícito grau de fermentação ou ausência de fermentação a ser determinado objetivamente apenas pela aprovação ou reprovação divina de uma bebida indicada pelo contexto)” (The use of ‘Wine’ in the Old Testamentpp. 312). Em outras palavras, o único critério objetivo para se definir o significado de yayin é a aprovação ou reprovação divina.

Caso ainda não tenha ficado óbvio, Teachout argumenta que quando yayin é apresentado de modo positivo nas escrituras, então nesses textos as Escrituras falam sobre suco de uva. Em outros contextos, quando yayin é apresentado de modo negativo, então esse é fermentado e alcoólico.  Essa conclusão é ainda mais clara nas palavras de Samuele Bachiochi, que assume o método, critério e conclusão de Teachout como válidos: “Todas as referências positivas ao ‘vinho’ são relacionadas ao suco de uva, não fermentado e não inebriante. Em contra partida, todas as acusações contra o ‘vinho’ são direcionadas ao vinho alcoólico e inebriante. O último é condenável, independente da quantidade usada” (Samuele Bacchiocchi, Wine in the Bible – A Biblical Study on the Use of Alcoholic Beverages. Michigan: Biblical Perspectives, p.101).

Em outras palavras, uma vez que yayin denotam dois diferentes produtos, um fermentado e outro não fermentado, a aprovação divina é usada como critério usado para definir quando as Escrituras falam sobre o vinho ou o suco de uva. A lógica é simples: Se Deus aprova, então é suco. Se Deus condena, então é vinho.

C. Avaliando a Crítica

É interessante notar que Teachout que reclamou a respeito dos léxicos por sua definição pré-definida do termo, oferece sua definição com o mesmo tipo de critério: “Parece claro para esse escritor que há ampla evidência para a conclusão de que quando yayin é especificamente aprovado por Deus, então ele se refere a bebida que não tem capacidade inebriantes” (The use of ‘Wine’ in the Old Testamentpp. 262-3). Contrariando seu modus operandis, Teachout não definiu yayin pelo contexto, mas a partir de argumentos moralistas[4] baseado em sua preferência pessoal[5]. Sobre o consistente uso de yayin de modo positivo no livro de Cantares, Teachout conclui: “O livro de Cantares uniformemente apresenta yayin como algo bom, portanto como suco de uva” (The use of ‘Wine’ in the Old Testamentp.274). Aquele que se julgava imparcial em relação ao vinho, demonstrou seu método e critério a partir da preferência pessoal. Nós acreditamos que a teoria apresentada por Teachout sofre de cinco problemas sérios que pretendemos analisar com atenção

1. Pressuposto Equivocado

Qual é o pressuposto fundamental da teoria de Teachout, e tantos outros proibicionistas? O pressuposto fundamental da teoria é a proibição divina do consumo de yayin. A distinção entre dois produtos da vide, um fermentado e outro não fermentado, é apenas um resultado de tal pressuposição. O argumento exige o reconhecimento de que Deus supostamente condena e aprova o mesmo produto ao mesmo tempo, o que criaria uma tensão ou contradição na mensagem das escrituras. [No que se refere a condenação divina do ‘vinho’ no AT, mais será dito no próximo artigo]

Ou seja, Teachout pressupõe que em função de que em alguns textos Deus parece aprovar o uso de yayin e em outros textos Deus parece reprovar o uso de yayin, as Escrituras devem estar falando de dois produtos diferentes: Um aprovado e não alcoólico e outro condenado e alcoólico. Nas palavras de Teachout: “Se em alguns contextos como Sal 104:15 e Dt 14:26, Yahveh especificamente aprova yayin  para o consumo dos homens, enquanto em outros (…) Ele veementemente o condena, então a óbvia conclusão lógica é que devem existir duas bebidas diferentes em sua natureza e efeito: suco de uva e vinho. Como o suco de uva pode ser tanto fermentado como não fermentado, essa simples solução a aparente paradoxal atitude de Deus em relação ao vinho não deveria ser difícil de aceitar” (The use of ‘Wine’ in the Old Testamentpp.269-70).

Samuele Bachiochi parte do pressuposto que afirmar que o vinho é bênção e maldição ao mesmo tempo é uma contradição e portanto um problema para a inspiração e autoridade das escrituras. Sendo assim, ele conclui: “A solução para essa aparente contradição (…) não é encontrada na quantidade de vinho ingerido (…), por que as Escrituras condenam tanto o vinho como seu consumo, independente da quantidade usada (…) Nossa tese é que a solução deve ser encontrada no duplo sentido do termo hebraico yayin e grego oinós, termos que são uniformemente traduzidos como ‘vinho’, mas que podem se referir tanto ao suco não fermentado de uva como ao vinho. O reconhecimento desse sentido duplo fornece a chave para a idéia de que a Bíblia aprova o suco não fermentado de uva e condena o inebriante vinho” (Samuele Bacchiocchi, Wine in the Bible – A Biblical Study on the Use of Alcoholic Beverages. Michigan: Biblical Perspectives, p. 78).

No argumento apresentado por Teachout e Bachiochi, Deus não pode aprovar algo em determinado contexto e condenar em outro. Entretanto, Ele o faz em outros lugares com outros ‘produtos‘. O dinheiro é veementemente condenado nas escrituras como a raiz de todos os males (1Tim 6:10cf Ex.23.8Dt.16:19Lc.12.15), mas também deve ser usado para fazer amizades (Lc 16.9-10). Será então que temos dois tipos de dinheiro na escritura: um aprovado por Deus e outro condenado?

Ainda que as escrituras apontassem apenas para o perigo do dinheiro, seria a completa e absoluta abstinência ao dinheiro a única resposta? Tal ideia não é apenas equivocada é ingênua:

(1) Sabe-se que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (1Tim 6:10)

(2) Sabe-se que não se pode servir a Deus e ao dinheiro (Lc. 16:13)

(3) Portanto, o cristão que quiser manter puro sua vida, deve abster-se completamente do dinheiro ( ? )

A necessidade de se distinguir em yayin dois produtos da vide é apenas plausível para aqueles que precisam proibí-lo. Mas, como veremos, ainda que tal distinção fosse possível, ela não resolveria o problema que os proibicionistas enxergam nas escrituras à custo da evidência.

2. Falácia do Círculo Vicioso

Um dos maiores problemas do argumento apresentado por Teachout, e tantos outros proibicionistas, é que o argumento é circular. Note:

(1) Sabe-se que Deus não aprova o consumo de bebidas alcoólicas;

(2) Sabe-se que yayin quando se refere ao vinho não é aprovado por Deus;

(3) Portanto, yayin  quando se refere ao vinho não é aprovado por Deus, por que Deus não aprova o consumo de bebidas alcoólicas;

Em última análise, o argumento é estruturado sobre a pressuposta condenação divina ao consumo de bebidas alcoólicas, que torna-se tanto a fonte como efeito da pesquisa, formando o famoso argumento falacioso de círculo vicioso. Em outras palavras, Teachout toma como prova, ou evidência o que esta tentando demonstrar ou comprovar.

3. Critério Moral como Critério Léxico

Outro problema no argumento de Teachout é que ele atribui como critério léxico um valor moral. Como um autor pode saber a diferença entre o suposto yayin alcoólico e o não alcoólico? A aprovação divina define o suco, enquanto a condenação o vinho. Em outras palavras, Teachout usou teologia e preferência para atribuir valor léxico a yayin, uma metodologia reprovável. Comentando sobre esse defeito praticado por Samuele BachiochiEverett Ferguson afirmou:

Eu tenho considerável simpatia pela posição do autor, especialmente no que se refere ao mal do álcool e na necessidade de se apresentar uma resposta bíblica ética. Por outro lado, da mesma forma que alguém não pode provar que vinho na Bíblia é sempre alcoólico, o autor também não pode provar que não é alcoólico nos lugares que ele gostaria que o fosse, por que as passagens podem ser lidas com os dois sentidos de acordo com os pressupostos do autor. Mas, decidir questões filológicas, exegéticas e históricas baseadas em moral e teologia é perturbador (Ferguson, Everett. 1993. “Wine in the Bible: A Biblical Study on the Use of Alcoholic Beverages.” Restoration Quarterly 35, no. 1: 57-58).

4. Problema da Evidência

Outro problema que parece ser insuperável para a teoria de Teachout são os casos de abstinência. Observe que o único critério objetivo para se definir se yayin se refere a suco ou vinho é a aprovação divina, o que, por implicação, sugere que nos textos que falam sobre abstinência Deus fala sobre o vinho. Agora, se yayin alcoólico era proibido para todo Israel, por que alguém deveria se abster dele para se dedicar a Deus? A teoria de Teachout torna sem valor os textos que falam sobre a abstinência de yayin se o mesmo já era universalmente proibidos para Israel.

Para piorar, o critério apresentado por Teachout não se aplica em 43 dos usos de yayin no AT, pelo fato de serem desacompanhados por qualquer julgamento de aprovação ou rejeição divina. Mas, é interessante notar que Teachout assumiu todos esses como descrevendo suco de uva. Como Teachout sabe que nesses textos o sentido é de suco de uva? Na verdade, não só não sabe, como o critério que ele desenvolveu para resolver esse problema é insuficiente, mas esse princípio mal aplicado lhe rendeu o direito de dizer que em mais de 50% dos usos de yayin no AT se referem a suco de uva, uma conclusão largamente equivocada.

5. Imposição Léxica

A teoria de Teachout entra em colapso quando yayin é usado juntamente com outros termos, em especial shekar. Sabe-se que shekar descreve uma bebida fermentada, e não encontra-se no AT (ou fora) qualquer indicação de que tal termo possa descrever uma bebida não fermentada. Agora, se utilizarmos o critério sugerido por Teachout (a saber, yayin não é alcoólico quando aprovado por Deus) em textos nos quais yayin aparece associado com shekar, então teríamos que concluir que nesses versos shekar também não é alcoólico, observe: “Com prata comprem o que quiserem: bois, ovelhas, vinho [yayin] ou outra bebida fermentada [shekar], ou qualquer outra coisa que desejarem. Então juntamente com suas famílias comam e alegrem-se ali, na presença do Senhor, do seu Deus” (Dt 14:26cf. Isa 5:11;  Pr 20:1Pr 31:4Mq 2:11Isa. 5:22). Uma vez que Deus aprova o consumo de shekar aqui, Teachout teria que afirmar que nesse texto, shekar não é alcoólico. Entretanto, tal conclusão é absolutamente desprovida de respaldo léxico. Esse seria o primeiro caso de bebida forte fermentada sem fermentação.

D. Conclusão

Como vimos, a teoria léxica apresentada por Teachout é largamente equivocada. Existe grande suporte léxico e lógico para reconhecer que tal abordagem não corresponde à evidência. Entretanto, nem tudo o que Teachout apresentou em sua dissertação está equivocado. É mérito do mesmo a demonstração de que yayin também pode, em alguns casos, ser usado para descrever o suco não fermentado de uva. Sua argumentação a partir do contexto em alguns casos é plausível e digna de nota.

Por outro lado, a teoria de que yayin se refere ao mesmo tempo a dois produtos distintos parece fadada ao fracasso. É altamente improvável, do ponto de vista da linguagem, que durante séculos um termo fosse usado para descrever dois produtos distintos ao mesmo tempo sem qualquer alteração. Por isso, nós entendemos que os termos analisados nesse post apresentam não diferentes produtos, mas diferentes estágios na fermentação do produto da vide, sem que qualquer distinção de graduação alcoólica fosse intencionada pelo termo. Tirosh, por exemplo, era normalmente usada para descrever o suco ainda não fermentado de uva, mas eventualmente poderia levar alguém a embriaguez (Os 4:11). Yayin era normalmente usado para descrever o suco fermentado de uva, mas eventualmente poderia indicar a bebida não fermentada (Ne.13:15), ou ainda uma bebida de alta fermentação (Pv.20.1). Shekar era normalmente usado para descrever bebidas de alta fermentação, mas eventualmente era usado para descrever uma bebida fermentada como o vinho (Isa 5:11). Em outras palavras, estamos sugerindo que os termos, apesar de terem certa sobreposição semântica, tinha seu próprio significado e representavam o ‘vinho‘ em diferentes estágios de fermentação, como demonstra o gráfico abaixo:

Vinho no AT

Em outras palavras, nós estamos afirmando que quando Deus aprova o o vinho [yayin] juntamente com a bebida fermentada [shekar] ele não está dizendo que ambos não são fermentados, mas que ambos os produtos são aceitos por Ele, seja para a celebração familiar, seja para a adoração. A necessidade de tornar pecaminoso aquilo que Deus não definiu como tal é um erro que devemos aprender a evitar.

Como vimos, o argumento proibicionista é dependente de três pressupostos fundamentais: (1) Deus proíbe qualquer tipo de bebida fermentada; (2) Deus não se opõe a bebida não fermentada e, portanto, (3) Portanto, existem dois tipos bebidas representadas pelo termo hebraico yayin, um fermentado e proibido e outro não fermentado e permitido. Em outras palavras, a validade do argumento é em última análise dependente da afirmação de que Deus proíbe o consumo de qualquer bebida fermentada alcoólica. Afinal, se Deus não proíbe o consumo de bebidas fermentadas, então a suposta contradição da opinião divina apresentada pelos proibicionistas, a saber de que Deus proíbe e aprova o mesmo produto ao mesmo, não existe. A necessidade de identificar um segundo produto não alcoólico para explicar a opinião divina sobre o assunto torna-se desnecessária.

É por isso que no próximo artigo iremos analisar a acusação dos proibicionistas de que o consumo de bebidas fermentadas é veementemente condenado no Antigo Testamento. Será que Des proíbe o vinho? Como podemos saber? Essa pergunta será analisada no próximo artigo.

Leia o proximo: Era o Vinho Proibido no AT?


Notas

[1] Por exemplo, no artigo O cristão e o álcool – Vinho no Antigo Testamento, o autor do artigo após apresentar uma série de versos no AT que supostamente descrevem a distinção entre vinho e o suco de uva, conclue que: “É interessante perceber que, sempre que o vinho alcoólico e embriagante é citado no Antigo Testamento, é citado pra demonstrar alguma tragédia familiar ou alguma maldição terrível.” Note que a distinção entre suco de uva e vinho foi feita à priori sem qualquer análise da evidência. O autor apenas assume que tal distinção é correta e apresenta textos que são organizados de acordo com a preferência pessoal do mesmo. Para ele, as declarações negativas a respeito do vinho denotam o produto fermentado, mas ele não apresenta qualquer evidência de como ele chegou a essa conclusão.

[2] Walter Campelo no artigo O Cristão e o Vinho afirma: “Não há dúvida que com grande freqüência a palavra yayin é utilizada referindo-se ao vinho fermentado no Velho Testamento. Mas invariavelmente, quando ocorre com este significado, diz respeito aos efeitos maléficos resultantes do uso do vinho e à sua conseqüente condenação divina“. Artigos com esse tipo de argumento não faltam na interne.

De modo similar, no artigo O Vinho da Bíblia tinha álcool?, Demóstenes Neves afirma: “Os odres (recipientes de couro costurado), vasos de barro, madeira ou metal não impediam a ação das bactérias, tendo os antigos que conviver com as condições que dispunham nesta parte. Bebiam, pois, vinho sem fermentar quando ainda novo, recém espremido das uvas, chamado no Antigo Testamento de TIROSH ou vinho novo, esta palavra aparece 38 vezes no AT. A bebida consumida tempos depois e já fermentada naturalmente, ou que foi fabricada em processo de fermentação era denominada normalmente de SHEKAR (usada 23 vezes no AT). Para bebidas em geral, fermentadas ou não, era usado o termo YAIM indistintamente, e que aparece 140 vezes no AT.“.

[3] Por exemplo, a palavra bonito no contexto do elogio denota beleza (Ele é bonito). Entretanto, o termo em si não descreve um grau específico de beleza, afinal alguém pode ser descrito como bonitinho, quando na verdade é apenas um feio bem arrumado. A palavra “bonito” pode descrever o mais belo dos homens (Ah!!! Ele é bonito!!!), bem como aquele que por pouco não foi incluído entre os “feios” (Ah… ele é bonito…). É mais interessante ainda que a palavra bonito quando usada pelo seu chefe em reação ao seu atraso, não inclui qualquer sentido estético (Bonito, hein!?).

[4] A respeito de Pv. 9.4-5, Teachout reclama: “Aquele a quem a mensagem foi dirigida é a pessoa totalmente ingênua que seria menos capaz de entender a sutil distinção entre o vinho como uma bebida perigosa (20.1) e do vinho como uma metáfora para o alimento espiritual. Além do mais, se isso é mantido como a interpretação adequada da passagem, seria benéfica a imagem de Deus usar uma bebida prejudicial e apresentá-la como um símbolo de uma verdade espiritual? Uma vez que Deus não considera proveitoso utilizar este procedimento dúbio em nenhum outro lugar nas Escrituras, é teologicamente questionável (na melhor das hipóteses) defender tal entendimento aqui. Em vez disso, a solução para esse problema é facilmente resolvido simplesmente traduzindo yayin como “suco de uva“, que é um símbolo da bondade benéfica de Deus ” – The use of ‘Wine’ in the Old Testamentpp.272-4. Nenhum argumento contextual é apresentado aqui. Teachout argumenta exclusivamente moralista e desvaloriza tanto o contexto, como a linguagem do texto para apresentar sua preferência pessoal baseada em um argumentação equivocada.

[5] Em relação a Pv 20:1 e Cantares 1:4, Teachout afirma: “Por um lado, Salomão escreveu em Provérbios 20: 1 que o embriagado pelo vinho não era prudente; por outro lado, de acordo com a interpretação usual, nesses versos do Cântico dos Cânticos exalta a embriaguez de vinho a um nível quase tão alto quanto o do amor. Certamente essa seria a correta interpretação se yayin deve ser traduzido como “vinho”. No entanto, parece óbvio que, mais uma vez uma abordagem  harmônica a hermenêutica iria demonstrar que yayin ser traduzido como “suco de uva” aqui (…) Portanto, comparar o vinho que é um estímulo artificial prejudicial (…) com natural e benéfico estímulo do amor genuíno entre o casal de noivos e amantes, um estímulo e aprovado e ordenado por Deus seria uma difamação completa e biblicamente impossível. Longe de exaltar o amor com tal comparação, a simples menção do amor e do vinho fermentado em conjunto em uma luz favorável seria desacreditar os dois.” – The use of ‘Wine’ in the Old Testamentpp.275-6. Mais uma vez, preferência, teologia e aversão ao vinho. Em outras palavras, Teachout é vítima de suas acusações: Seu preconceito inato contra o vinho tornou reprovável sua exegese e análise léxica.

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