Sempre Cheque Suas Fontes!


Um autor que definitivamente me impactou largamente e me desafiou a aprimorar meu conhecimento teológico e minha habilidade de defender a fé foi Norman Geisler. Sua capacidade de pesquisa e síntese sempre me deixaram impressionado. Eu li quase todos os livros que ele publicou em português e garanto que ele estava presente em diversas das aulas que ministrei. Sua Enciclopédia de Apologética ilustra claramente o calibre desse homem: Ele é por excelência um Defensor da Fé Cristã.

Geisler
Não Tenho Fé Suficiente para ser Ateu – Norman Geisler & Frank Turek

Um dos seus livros mais conhecidos chama-se Não tenho fé suficiente para ser um ateu, e não sei quantas vezes eu o li, comprei para presentear amigos e quantas vezes usei conceitos que aprendi com esse livro em oportunidades evangelisticas com pessoas céticas em relação a fé cristã. O livro é claro, bem dividido e progressivamente aponta para Jesus Cristo. De fato o livro não resolve todos os dilemas relacionados ao ateísmo ou cetismo que se opõe a fé cristã, mas oferece um caso cumulativo em favor da fé cristã que vale a pena ser lido.

Entretanto, nem tudo o que o livro apresenta merece o mesmo aplauso. Aliás, existem alguns equívocos relacionados à Crítica Textual do Novo Testamento presentes no livro que se tornaram persistentes no ministério apologético online dentro e fora do Brasil que merecem ser reavaliados. Como o estudo da crítica textual do NT é fundamental para uma boa defesa da fé cristã, especialmente quando relacionada a confiabilidade do texto do NT, é necessário que o cristão que se propõe a defender este texto tenham em suas mãos informações acertadas e atualizadas.

Durante meu estágio no Center for the Studies of the New Testament Manuscripts (CSNTM) eu tive a oportunidade de participar de uma interação virtual entre Norman Geisler e Daniel Wallace, que além de crítico textual é o diretor do CSNTM. Na ocasião Wallace apontou alguns dos argumentos que Geisler usa no livro que estão ou incorretos ou desatualizados. Geisler por sua vez, não apenas recebeu a crítica como também escreveu o artigo Updating the Manuscript Evidence for the New Testament em Setembro de 2013, no qual atualizou e corrigiu as informações apresentadas no capítulo 9 do livro Não tenho fé suficiente para ser um ateu.

Como a maioria dos leitores brasileiros do material produzido pelo Norman Geisler não terão acesso as atualizações e correções necessárias, nesse post apresento tanto as sugestões e críticas de Wallace, bem como as correções realizadas por Geisler. Também aproveito para fazer algumas considerações que não estão presentes nem nas críticas de Wallace e portanto, não presentes na resposta do Geisler. Também deixo uma série de referências bibliográficas instituições de referência no texto que servem como um guia para a pesquisa da crítica textual do NT (o leitor fará bem em clicar nos links para conhecer um pouco mais sobre os livros citados nesse artigo). Por fim, pretendo oferecer algumas sugestões para o estudante de teologia e apologética com a intenção de melhorar a qualidade do ministério apologético online no Brasil, especialmente no que se refere à confiabilidade do Novo Testamento.

1. Atualizações Necessárias

a. Quantidade de Manuscritos Neo-Testamentários:

De acordo com a última contagem, existem cerca de 5.700 manuscritos gregos do NT escritos à mão. Além disso, existem mais de 9 mil manuscritos em outras línguas (e.g. siríaco, copta, latim, árabe). Alguns desses quase 15 mil manuscritos são bíblicas completas, outros são livros ou páginas, e somente alguns são apenas fragmentos. (p.230)

Os números apresentados aqui são significativamente menores do que a última contagem. De fato, de acordo com o Institut für Neutestamenttlche Testforshung (INTF) em Münster na Alemanhã, o instituto responsável pela produção da texto crítico Nestlè-Aland, hoje existem 5.824 manuscritos gregos catalogados. Desses, nós temos a nossa disposição 1.299 páginas de papiros, 25.576 páginas de manuscritos maiúsculos, 1.295.568 páginas de manuscritos minúsculos, 784.152 páginas de lectionários que nos oferecem um total de 2.110.595 páginas de documentos gregos datados a partir do segundo século até o século 18. Mas, não pense você que essa é toda a evidência conhecida para os documentos gregos do NT, pois nos últimos anos o CSNTM tem descoberto novos manuscritos gregos que ainda não foram catalogados pelo INTF. Hoje o Centro possui 17 manuscritos gregos publicados no site que ainda não fazem parte da contagem oficial do INTF.

No que se refere aos manuscritos do NT em outros idiomas o número é assustadoramente maior. No que se refere aos manuscritos latinos apenas, existem mais de 10 mil manuscritos conhecidos. Não é de se espantar que tenham sobrevivido tantos mss latinos, afinal o latim foi o idioma oficial da Igreja até meados do século XV, quando o texto grego voltou a ter preeminência no estudo teológico. Também estima-se que existam entre 5-10 mil manuscritos em outros idiomas, mas ninguém sabe ao certo. Embora fundamentalmente importantes para a história da transmissão e manutenção do texto do NT, as versões não tem o mesmo apoio acadêmico que o latim e o grego, e portanto, não dispomos de dados mais precisos.

É por isso que no artigo Updating the Manuscript Evidence for the New Testament Geisler explica que a primeira vez que escreveu sobre o assunto, em 1968, ele afirmou que existiam cerca de 5 mil manuscritos gregos disponíveis (Norman L. Geisler and William E. Nix, General Introduction to the Bible. Moody Press, 1968). Entretanto, quando revisou o mesmo livro em 1986 ele alterou o dado para 5.366 mss gregos, de acordo com o segundo apêndice do livro Manuscripts of the Greek Bible (Bruce Metzger) publicado em 1981. Em 1998, quando participou da revisão do livro Evidências que Exigem um Veredito com Josh MacDowell, Kurt Aland (o Aland do Nestlè-Aland) os tinha informado que o número de manuscritos era de 5.686 mss gregos, o mesmo número que encontramos na versão em português do livro Não tenho fé suficiente para ser um ateu (p.232).

Como você pode perceber, o campo da crítica textual é um campo em desenvolvimento. A mudança numérica não foi assustadoramente ascendente, até por que não é todo dia que se descobre um novo manuscrito grego do NT. Entretanto, essas descobertas tem crescido nos últimos anos e em breve teremos ainda mais informações a nossa disposição sobre a transmissão e manutenção do texto do NT.

b. Quantidade de Manuscritos de Homero:

A obra mais próxima é a Ilíada de Homero, com 643 manuscritos. (p.230).

Essa é uma informação recorrente em muitos livros apologéticos. Na tentativa de demonstrar a superioridade da manutenção histórica do NT, apologetas citam que a obra antiga que recebe maior apoio numérico de evidências seria a Ilíada de Homero. De acordo com Geisler esse número foi retirado do livro Chapters In The History Of New Testament Textual Criticism (Bruce Metzger) publicado em 1963. De modo interessante, o mesmo dado apresentado no livro The Text of the New Testament tanto na primeira edição, como nas duas revisões subsequentes. Apenas na quarta edição do livro The Text of the New Testament: Its Transmission, Corruption, and Restoration (Metzger-Ehrman), publicado em 2005, que o número é  atualizado para 647 manuscritos da Ilíada.

Entretanto, Wallace aponta para o livro Homeri Ilias, volvmen privs: Rhapsodias I-XII Continens, Bibliotheca Scriptorvm Graecorvm et Romanorvm Tevbneriana no qual o especialista em Homero Martin West aponta a existência de aproximadamente 2.400 manuscritos conhecidos dos livros de Homero.

Geisler também retrata o número apresentado e aponta para o livro Studies in the Text and Transmission of the Iliad, publicado em 2001 também escrito por  Martin West que aponta para a existência de 1758 manuscritos da Ilíada apenas. Apesar de ainda não fazer frente à quantidade de manuscritos gregos conhecidos do NT, o número é significativamente maior.

c. Datação do P52:

O mais antigo e incontestável manuscrito é um segmentode João 18.31-33, 37, 38, conhecido como o fragmento John Rylands (por que está na Biblioteca John Rylands, em Machester, Inglaterra). Os estudiosos datam esse documento como tendo sido escrito entre 117 e 138 d.C., mas alguns dizem que ele é ainda mais antigo. (p.231)

P52 - Foto do Wikipedia
P52 – Foto do Wikipedia

As duas observações necessárias aqui são mais técnicas do que numéricas. Em primeiro lugar, a datação de documentos antigos dificilmente pode ser cientificamente precisa. No livro Manuscripts of the Greek BibleBruce Metzger demonstra a importância da paleografia na datação de uma manuscrito, e considerando o importante papel que a paleografia tem na análise de um manuscrito, é importante notar que tal análise, embora tenha critérios objetivos, também inclui grande parte de subjetividade. É por isso que antes da publicação de uma manuscrito, o mesmo é analisado por três diferentes paleógrafos de modo independente.

Em segundo lugar, a datação de P52 é eventualmente alvo de controvérsias. Na edição de 1981 do livro The Text of the New Testament (Kurt & Barbara Aland), Aland aponta par ao fato de que quando Colin Henderson Roberts publicou o manuscrito na década de 30, ele o datou  aproximadamente em 125 d.C. (p.84). Posteriormente, Aland afirma que essa data de aproximadamente 125 d.C. inclui uma margem de erro de 25 anos para mais ou para menos, muito embora, na ocasião consenso acadêmico sugeria que a data limite do manuscrito fosse 125 d.C. e que P52 poderia ter sido copiado logo após o evangelho de João ter sido escrito no início da década de 90 d.C. (p.85).

No livro Studies in the Theory and Method of New Testament Textual Criticism (Eldon Epp, Gordon Fee), Epp reafirma a sugestão de Aland e defende que P52 foi escrito entre 100-125 d.C., mas defende que provavelmente mais próximo de 100 do que de 125 (pp.278-79). Na terceira edição do The Text of the New Testament, publicada em 1992, Metzger afirma que embora P52 tenha sido datado na primeira metade do segundo século, tal datação não é unanime. Ele também completa por dizer que os paleógrafos Frederic Genyon, W. Shubart, Harold I. Bell, Adolf Deissmann, Ulrich Wilcken e W.H.P. Hatch parecem concordar com a datação mais antiga (pp.38-9). A mesma datação foi mantida na quarta edição atualizada por Bart Ehrman (pp.55-6).

Em 2005, Philip Comfort publicou seu livro Encountering the Manuscripts no qual datou o manuscrito entre 110-125 d.C., enquanto no mesmo ano Brent Nongbri publicou o artigo “The Use and Abuse of P52” no Harvard Theological Review 98, no qual defendeu que a “janela de oportunidade” para o P52 pode muito bem incluir a segunda metade do segundo século. Tal datação está de acordo com as estimativas  do INTF, que data o P52 entre 125-175 d.C.

Como fica evidente, a datação do P52 é debatida, e o provável intervalo de publicação desse documento é atualmente apontado como sendo em algum momento do segundo século. É interessante notar que no passado o pêndulo da academia tendia para datas mais antigas, ao passo que atualmente o pêndulo aponta para datas mais tardias. No apêndice da NA27 (Nestlè-Aland), publicado em 2000 a datação do P52 é colocada em algum lugar no segundo século, data mantida na 28a. edição publicada em 2012. Bart Ehrman, no livro The Textual Reliability of the New Testament, data o manuscrito em algum lugar entre 95-155 d.C. Daniel Wallace data o manuscrito entre 100-150 d.C no livro Reinventing Jesus (p,77) e agora, Norman Geisler também adotou essa data como representativa da atual situação do consenso acadêmico sobre P52.

O manuscrito P52 continua entre os mais antigos manuscritos do NT e seu valor e antiguidade continua indisputável, mesmo entre os críticos do NT. Entretanto, avanços no estudo paleográfico e da crítica textual nos tem oferecido dados e princípios mais acertados para a datação de manuscritos. Nesse caso, o intervalo de 50 anos serve adequadamente a idéia da “janela de oportunidade” apresentado por Nongbri.

2. Correções Necessárias

a. Evidência Neo-Testamentária em Qumran:

Existem nove fragmentos discutíveis, ainda mais antigos que o fragmento John Rylands, que datam do período que vai de 50 a 70 d.C., encontrados com os Manuscritos do Mar Morto. Alguns estudiosos acreditam que esses fragmentos são parte de seis livros do NT, incluindo Marcos, Atos, Romanos, 1Timóteo, 2 Pedro e Tiago. (p.231).

Essa é uma afirmação vaga e perigosa. Em primeiro lugar, a própria cronologia do NT colocaria em risco a conclusão reafirmada na página seguinte de que esses manuscritos poderiam ser datados entre 50 a.C a 50 d.C. Se essa estimativa estivesse correta, seriamos obrigados a assumir que  Paulo terminou sua carreira missionária antes de 50 d.C, e que Atos, Romanos e 1Timóteo já teriam sido escritos. Essa afirmação também contradiz os dados apresentados na Enciclopédia de Apologética (p.645), no qual Geisler data os documentos referente a esses livros como posteriores a 70 d.C. Tal data não apenas está incorreta, como também é impossível, uma vez que a comunidade foi desmanchada em aproximadamente 68 d.C.

Em segundo lugar, diferente do que nos faz pensar Geisler nessa citação, nenhum acadêmico responsável nos nossos dias afirma que esses documentos não identificados pertencem a livros do NT. Geisler cita David Estrada & William White, The First New Testment (1978), como se fossem autoridades inquestionáveis sobre o assunto, mas se esquece de apresentar que a evidência contrária à essa conclusão é intransponível, como veremos abaixo.

7q5
7Q5 – Foto do Wikipedia

De todos os documentos não identificados apontados por Geisler em sua Enciclopédia de Apologética (p.645), o que mais contundente chama-se 7Q5. Nesse pequeno pedaço de manuscrito descoberto pelo papirólogo e paleógrafo jesuíta Pe. José O’Callaghan (1972), encontra-se uma pequena porção de texto em grego que foi identificado por Callaghan como sendo de Marcos 6.52-53. De modo interessante, até meados da década de 80, Callaghan tinha defendido sua teoria contra todos os contra-argumentos, mas sem conquistar outros acadêmicos do NT. Entretanto, em 1982 Carsten Peter Thiede publicou a primeira defesa acadêmica da teoria de Callaghan, que em pouco tempo conseguiu encontrar na academia da Alemanha algumas respostas positivas. Na década de 90, seu livro The Earliest Gospel Manuscript? foi publicado em inglês e então encontrou apoio especialmente entre os conservadores norte-americanos.

Se Thiede e Callaghan estão corretos, (1) 7Q5 seria o mais antigo manuscrito do NT; (2) ele colocaria a data do evangelho de Marcos na década de 40 d.C., no máximo; (3) se essa datação estiver correta, seria virtualmente impossível afirmar a prioridade de Mateus;  e (4) finalmente, sugeriria que os manuscritos do NT foram rapidamente copiados e distribuídos. Não é à toa que o papiro 7Q5 é tão controverso e aclamado.

Mas, o que é realmente preocupante no argumento do Geisler é que ele afirma que a rejeição de datas mas antigas para esses livros do NT seria uma forma de reação do liberalismo teológico contra a evidência da confiabilidade neo-testamentária (p.231). Entretanto, o fato é que a possibilidade de que esse documento realmente faça referência ao livro de Marcos é tão baixa, que mesmo autores conservadores e evangélicos tem reagido em oposição a teoria de O’Callaghan e Thiede.

Por exemplo, Daniel Wallace, no artigo 7Q5: The Earliest NT Papyri?, apresenta três importantes observações sobre o assunto: Em primeiro lugar, apenas seis letras são indisputáveis no manuscrito. Em segundo lugar, apenas uma palavra do manuscrito é indisputável, και, que infelizmente é extremamente comum. Em terceiro lugar, para identificar o manuscrito com Marcos 6.52, 53 seriam necessárias duas emendas textuais, substituindo um τ por δ (que seria relativamente incomum) e assumir a exclusão da expressão ἐπὶ τὴν γῆν do texto, contra virtualmente todos os manuscritos do evangelho de Marcos. Graham Stanton, no livro Gospel Truth? (1997), apresenta claramente que a possibilidade de um desses documentos realmente fazer parte de documentos do NT é significativamente tão remota que deve ser tida como altamente improvável. O mesmo parecer é oferecido por Stanley Porter (The Scrolls and the Scriptures, 302), D.A. Carson (The King James Version Debate: A Plea for Realism, 121-23),  Craig Evans (Holman QuickSource Guide to the Dead Sea Scrolls, 369-972) e Gordon Fee, o que sugere que Norman Geisler está largamente equivocado ao dizer que a reação contrária a identificação do texto de Marcos em 7Q5 é resultado do liberalismo teológico. Na verdade, a evidência parece ser consistentemente contrária à tese de O’Callaghan e Thiede.

Em outras palavras, ainda que fosse interessante para a academia teológica encontrar em 7Q5 um texto neo-testamentário, a evidência não parece favorável a tal conclusão. É por isso que Gordon Fee afirma que a “descoberta” de O’Callaghan não pode ser sustentada após cuidadosa análise (Studies in the Theory and Method of New Testament Textual Criticism, p.4). Portanto, é importante que o apologeta evite usar esse documento como se a identificação de Marcos aqui fosse indisputável. Infelizmente Geisler não corrige essa informação em lugar nenhum em seu artigo Updating the Manuscript Evidence for the New TestamentCaso o leitor queira mais informações sobre o atual estado da pesquisa relacionada ao papiro 7Q5, Thomas J. Kraus recentemente (2007) publicou um livro chamado Ad fontes (Texts and Editions for New Testament Study), no qual dedica um capítulo apenas para apresentar a pesquisa acadêmica relacionada ao 7Q5.

b. Data do Primeiro Manuscrito Completo do NT:

Qual é a idade do mais antigo manuscrito de um livro completo do NT? Manuscritos que formam livros inteiros do NT sobreviveram a partir do ano 200 d.C. E quanto aos mais antigos manuscritos do NT completo? A maioria dos manuscritos do NT, incluindo os quatro evangelhos, sobrevive desde o ano 250, e um manuscrito do NT (incluindo um Antigo Testamento em grego), chamado Códice Vaticano, sobrevive desde o ano 325. Esses manuscritos possuem ortografia e pontuação características que sugerem ser parte de uma família de manuscritos que pode ter sua origem entre 100 e 150 d.C.

A respeito desse comentário, três observações são importantes: (1) As informações de Geisler aqui poderiam ser melhores e precisam ser mais específicas. Infelizmente, as informações apresentadas por Geisler aqui não correspondem a realidade. P66, por exemplo, é um mss do Evangelho de João normalmente datado “cerca de 200 d.C.” (cf. Ehrman-Metzger, p.57; Aland-Aland, p.87), mas infelizmente o mesmo é incompleto. P75, que foi datado entre 175-225 d.C. por Victor Martin e Rodolphe Kasser quando publicado pela primeira vez, contém apenas parte do evangelho de Lucas e o evangelho de João. Novamente, o documento é incompleto. O mesmo pode ser dito do P46, que foi datado por Bruce W. Griffin entre 175-200 d.C, contém grande parte das cartas paulinas, mas o mesmo também é incompleto. Para piorar, não existem livros completos do NT em 250 d.C., exceto talvez por P72, que contém o livro de Judas e sua datação pode ser ainda mais tardia. Outro problema grave é que o Códice Vaticano, que é datado no quarto século, contém vários dos livros do NT não é um códico do NT completo. Talvez, o Geisler tivesse em mente o Códice Sinaítico, que é o mais antigo manuscrito com o NT completo, também datado no quarto século. Mas, vale notar que o Sinaítico, além do NT, contém a LXX com os livros apócrifos do AT e alguns dos livros apócrifos como O Pastor de Hermas e a Epístola de Barnabé. Ou seja, apesar de conter todo o NT, o Códice Sinaítico não é apenas um códice do NT.

(2) A datação do Códice Vaticano está equivocada: A data sugerida por Geisler para o Códice Vaticano em 325 d.C. é provavelmente resultado do mito de que o Códice Vaticano e Sinaítico são exemplares sobreviventes das 50 bíblias que Constantino teria requerido de Eusébio de Cesaréia (Vita Constantini, IV,3637). Constantin von Tischendorf (1844) foi o primeiro a sugerir tal hipótese em função da proximidade da datação entre o evento e a possível data do Códice Sinaítico. Frederick Henry Ambrose Scrivener (1877), por outro lado rejeitou tal possibilidade baseado nas diferenças entres os dois manuscritos. Westcott e Hort (1881) também rejeitaram a conclusão de Tischendorf baseado nas diferenças entre o Canon de Eusébio e os livros incluídos nos dois documentos. Desde então, a hipótese levantada por Tischendorf não tem encontrado defensores entre os Críticos Textuais (cf.  Metzger-Ehrman, The Text of the New Testament. pp. 15–16), embora eventualmente apareça em livros apologéticos populares.

(3) O critério usado por Geisler para autenticar uma datação mais antiga está equivocado. Nem ortografia nem pontuação fazem parte do critério de datação desses manuscritos. Em primeiro lugar, durante os primeiros séculos de cópias dos manuscritos do NT, não existia qualquer acordo ortográfico. Não é à toa que é possível encontrar nesses manuscritos ocasiões que na mesma página nomes são escritos de forma diferentes. Em segundo lugar, os manuscritos desse período não eram possuíam sinais diacríticos ou pontuação. Em outras palavras, nem pontuação nem ortografia são critérios para definir a antiguidade de um mss. Eles podem atestar um período mais antigo exatamente pela falta de acordo ortográfico ou pela ausência de pontuação. Mas, é incorreto afirmar que a análise dessas características ausentes nos mss são critérios válidos para datar os documentos entre 100-150 d.C.

Em outras palavras, existem entre 10-12 manuscritos gregos do NT datados no segundo século, e considerando apenas o testemunho dessa evidência, nós podemos reconstruir cerca de 43% do texto do NT.  Considerando os manuscritos datados até o terceiro século, existem pouco mais de 100 manuscritos incluindo o primeiro manuscrito completo do NT. Ou seja, a evidência em prol da confiabilidade do NT é absurdamente sólida, mas as afirmações de Geisler podem levar o estudante a um nível de convicção que não é suportado pelas evidências. E infelizmente, esse tipo de convicção infundada pode torna-se terreno fértil para levar o estudante despreparado à desconfiança da preservação do texto do NT.

c. Quantidade de leituras variantes no NT:

Com o objetivo de abordar a questão da precisão, temos de esclarecer alguns mal-entendidos de muitos críticos em relação a “erros” nos manuscritos bíblicos. Alguns já chegaram a estimar que existem cerca de 200 mil erros nos manuscritos do NT. Primeiro de tudo, eles não são “erros”, mas leituras variantes, a maioria das quais de natureza estritamente gramatical (i.e., pontuação e ortografia). Segundo, essas leituras estão espalhadas por cerca de 5.700 manuscritos, de modo que a variação na ortografia de uma letra de uma palavra em um versículo em 2mil manuscritos é considerada 2 mil “erros”. (pp.234-5)

Geisler está correto quando diz que uma variante textual não é necessariamente um erro, mas está completamente equivocado sobre como essas variantes são quantificadas. Em primeiro lugar, diferença de pontuação não faz parte da contagem de variantes textuais. Uma vez que os manuscritos passaram consistentemente a ter algum tipo de pontuação após o século IX, essas diferenças não fazem parte do critério para se definir uma variante textual. Na verdade, edições críticas contemporâneas (como a UBS4 2001, UBS5, 2014) usam notas de rodapé para indicar diferentes pontuações em relação a diferentes traduções contemporâneas.

Em segundo lugar, é necessário dizer que a estimativa de 200 mil erros está provavelmente equivocada. A verdade é que ninguém sabe ao certo quantas variantes textuais existem, por dois motivos: (1) A quantidade de material existente não foi analisada exaustivamente e (2) O critério que define variante textual não foi homogeneamente definido. Por exemplo, Eldon Jay Epp no artigo Clarification of the term “Textual Variant” (1975), sugere que o termo variante textual deve ser usado para descrever apenas variações textuais “importantes” ou “significantivas” (significant or meaningful), mas que tal definição logo levanta a questão da definição de importante e significativa (Studies in the Theory and Method of New Testament Textual Criticism, p.48). O que pode-se ter por certo, por outro lado, é que uma estimativa conservadora diria que existem entre 300-400 mil leituras variantes na tradição manuscrita do NT (Daniel Wallace, Reinventing Jesusp.54).

Em terceiro lugar, o modo como Geisler conta as variantes textuais aqui é absurdamente equivocado. Dizer que uma letra, de uma palavra em 2mil mss significa 2mil erros é um absurdo. Uma variante textual não é quantificada pelo número de manuscrito que contém determinada variação textual, mas pela existência de variações textuais conhecidas na tradição manuscrita. Por exemplo, no artigo O que dizer do problema textual de João 1.18? (ebook) nós tratamos da forma textual de Jo.1.18, identificamos 5 variantes textuais conhecidas na tradição manuscritas e então apresentamos a evidência de acordo com a tabela abaixo:

Leituras Possíveis

Documentos

μονογενὴς θεὸς

Deus Unigênito

p66 א* B C* L pc syrp syrh(mg) geo2 Diatessarona Valentiniansaccording to Irenaeus Valentiniansaccording to Clement Ptolemy Heracleon Origengr(2/4) Ariusaccording to Epiphanius Apostolic Constitutions Didymus Ps-Ignatius Synesiusaccording to Epiphanius Cyril1/4

ὁ μονογενὴς θεὸς

O Deus Unigênito

p75 א2 33 pc copbo Theodotusaccording to Clement(1/2) Clement2/3 Origengr(2/4) Eusebius3/7 Serapion1/2 Basil1/2 Gregory-Nyssa Epiphanius Cyril3/4

ὁ μονογενὴς υἱὸς

O Filho Unigênito

A C E F G H K Wsupp X Δ Θ Π Ψ 063 0141 f1 f13 28 157 180 205 565 579 597 700 892 1006 1009 1010 1071 1079 1195 1216 1230 1241 1242 1243 1253 1292 1342 1344 1365 1424 1505 1546 1646 2148 Byz Lect ita itaur itb itc ite itf itff2 itl vg syrc syrh syrpal arm eth geo1 slav Theodotusaccording to Clement(1/2) Theodotus Irenaeuslat(1/3) Clement1/3 Tertullian Hippolytus Origenlat(1/2) Letter of Hymenaeus Alexander Eustathius Eusebius4/7 Hegemonius Ambrosiaster Faustinus Serapion1/2 Victorinus-Rome Hilary5/7 Athanasius Titus-Bostra Basil1/2 Gregory-Nazianzus Gregory-Elvira Phoebadius Ambrose10/11 Chrysostom Synesius Jerome Theodore Augustine Nonnus Cyril1/4 Proclus Varimadum Theodoret Fulgentius Caesarius John-Damascus Ps-Priscillian ς

μονογενὴς υἱὸς θεοῦ

Filho Unigênito de Deus

itq (copsa? θεὸς) Irenaeuslat(1/3) Ambrose1/11(vid)

ὁ μονογενὴς

O Unigênito

vgms Diatessaron Jacob-Nisibis Ephraem Cyril-Jerusalem Ps-Ignatius Ps-Vigilius1/2 Nonnus Nestorius

De acordo com a proposta feita por Geisler, nós teríamos em Jo.1.18 mais de 100 variantes textuais! Mas observe que apenas 5 leituras são conhecidas e a quantidade de vezes que tal leitura é repetida na tradição manuscrita não afeta o modo como se quantifica as variantes textuais. Vale notar ainda que apesar de serem cinco as variantes textuais possíveis, a diferença entre 1 e 2, e 3 e 4 é nada mais nada menos que a presença/ausência de artigo.

Em outras palavras, se o método de quantificação de variantes textuais apresentado por Geisler fosse de fato o método usado para quantificar as variantes textuais, nós teríamos milhões de variantes textuais. Apenas a título de comparação, no texto crítico The Greek New Testament according to the Majority Text  editado por Hodges e Farstad, nós encontramos 6.577 variantes textuais analisadas, enquanto no UBS4 nós encontramos pouco mais de 1.400, ao passo que no Nestlè-Aland 28 pouco mais de 10.000. Em outras palavras, das variantes textuais conhecidas (300-400 mil), apenas uma pequena fração é considerada importante e significante para ser considerada nos textos críticos.

Por fim, é importante dizer que Geisler reconhece o equívoco no artigo Updating the Manuscript Evidence for the New Testamente afirma que a origem do equívoco é encontrada no livro de Neil R. Lightfoot, How We Got Our Bible (1963), que foi usado na primeira edição General Introduction to the Bible, e repetida diversas vezes nos livros que escreveu.

d. Variantes Textuais e a doutrina cristã

Nenhum livro antigo é tão bem autenticado. O grande estudioso do NT e professor da Universidade de Princeton, Bruce Metzger, estimou que o Mahabharata, do hinduísmo, foi copiado com apenas 90% de precisão e que a Ilíada de Homero, com cerca de 95%. Por comparação, ele estimou que o NT é cerca de 99,5% preciso. Mais uma vez, o 0,5% em questão não afeta uma única doutrina da fé cristã (p.235).

De fato, nenhum livro antigo é tão bem autenticado como o NT. Entretanto, a afirmação destacada acima é realmente perigosa. Do modo como está ela sugere que nenhuma doutrina é afetada por uma variante textual, mas essa conclusão está largamente equivocada. Nós sabemos que o texto conhecido como Comma Iohanneum (1Jo.5.7-8: Porque três são os que testificam [no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra:] o Espírito, e a água e o sangue; e estes três concordam num), um texto que claramente afirma a doutrina da trindade é na verdade um texto tardio e consequentemente espúrio. Também sabemos que o texto de 1Tim.3.16 (E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: [Deus] Aquele que se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória) que parece afirmar a divina encarnação de Cristo, na verdade apresenta a encarnação de Cristo, mas não testemunha sua divindade. Ou seja, essas variantes textuais afetam textos que testemunha doutrinas fundamentais do cristianismo.

Por outro lado, nem a doutrina da trindade nem da divindade de Cristo é afetada em função da existência dessas variantes textuais. É evidente que nós temos variantes textuais em textos doutrinarimente importantes, mas nós não temos variantes textuais em todos os textos doutrinariamente importantes. Nós não temos variantes em Jo.1.1, 20.28 que claramente atestam a divindade de Cristo. Também não temos variantes textuais significantes em Mat.28.20 que afirma a doutrina da trindade. Nesse sentido, é possível afirmar que as variantes textuais conhecidas não afetam as doutrinas cristãs como um todo, embora afetem textos que compõe o corpo de evidências de determinada doutrina.

Essa pequena distinção, que aparentemente é técnica, é fundamentalmente importante para o estudo do NT. Uma fé fundada no conhecimento equivocado da evidência pode levar o estudante despreparado para o agnosticismo. Foi o que aconteceu com o livro O que Jesus Disse? O que Jesus não Disse? de Bart Ehrman, que embora não tenha apresentado nenhuma informação nova nem assustadora, influenciou negativamente uma legião de cristãos despreparados para lidar com as informações apresentadas no livro. Uma resposta a esse livro pode ser encontrado no post O que Ehrman disse? O que Ehrman não disse? aqui mesmo no Teologando.

3. Sugestões para Apologetas

Como vimos acima, o conhecimento adequado e atualizado da crítica textual é fundamental para uma defesa apropriada da fé cristã. Não se pode defender a confiabilidade das escrituras a partir de dados não confiáveis.  Por isso, gostaria de deixar algumas sugestões para apologetas online, que embora seja específicas para o estudo da confiabilidade do NT, podem ser usadas para outras áreas da apologética:

(1) Cheque sempre suas Fontes: Na pesquisa teológica é fundamental que o apologeta conheça suas fontes. É impressionante o quanto da apologética online é feita a partir de um recorte de frases de teólogos ‘famosos’. Em algumas ocasiões é possível perceber que o autor nunca leu os livros que cita. Esse tipo de pesquisa é vergonhosa! Nós temos que modelar a excelência na metodologia de pesquisa por que nosso objetivo é mais do que apenas apresentar um bom argumento, mas é apresentar evidências que auxiliem cristãos duvidosos a firmarem sua fé, ou a críticos a repensarem sua oposição ao cristianismo. Honestidade acadêmica é fundamental, bem como a excelência.

(2) Conheça as evidências primárias da sua pesquisa: Um dos equívocos recorrentes entre apologetas é o uso exclusivo de literatura apologética como base para suas pesquisas. Observe que no livro Não Tenho Fé Suficiente para ser Ateu, Geisler basicamente cita seus próprios livros no capítulo 9 e outros livros igualmente apologéticos. O problema desse tipo de prática é que o apologeta é um especialista em defesa da fé e não um especialista em todas as áreas do conhecimento necessárias para se fazer a defesa da fé. Ao fazer isso, ele passa longe da evidência primária de sua pesquisa e apresenta apenas a evidência digerida por outros apologetas. Foi esse tipo de método de pesquisa que levou Geisler a publicar repetidas vezes dados equivocados sobre a quantidade de variantes textuais conhecidas no NT.

Um excelente modelo para a apologética é dada por Lee Strobel no livro Em Defesa de Cristo, no qual entrevista especialistas de diferentes áreas do conhecimento para apresentar a defesa da doutrina de Cristo. Por isso, é importante que o apologeta tenha conhecimento das evidências primárias de sua pesquisa, mesmo que seja pela instrumentação da teólogos e pesquisadores nas áreas do conhecimento nas quais são especialistas. É fundamental que o apologeta saiba onde buscar tais referências para sua pesquisa.

(3) Conheça bem os argumentos em oposição: Outro problema recorrente é que muitos apologetas não profissionais, não conhecem exatamente o que pensam aqueles que discordam de nós. Não há como fazer uma boa defesa da fé sem saber onde estão os ataques a nossa fé. É por isso que a tarefa da defesa da fé não pode ser entregue a cristão imaturos e despreparados. É necessário que o apologeta seja um cristão consciente, capaz de pesquisar em nível acadêmico com excelência e habilitado a compreender os argumentos da oposição. A intenção do apologeta não é publicar muitos artigos, mas publicar bons artigos. No submundo da internet o que menos se precisa são artigos mal escritos e mal pesquisados. É hora dos apologetas cristãos implementarem um padrão exemplar na pesquisa acadêmica para que possam ser considerados como dignos no tratamento da evidência, mesmo por aqueles que discordam do cristianismo. Que não seja nossa inabilidade de pesquisa a razão da rejeição de Cristo, mas a exclusiva volição daqueles que a Cristo se opõem.

(4) O Apologeta deve ser propagador do melhor da academia cristã: Infelizmente, nem tudo que se publica em defesa da fé é digno dessa tarefa. Existem na academia cristã excelentes livros de referência para a pesquisa teológica e o apologeta deve ser capaz de tornar público o melhor desse material. Para fazer isso, o apologeta deve desenvolver o hábito de se expor ao conhecimento teológico para aprender a diferenciar um livro ruim de um livro bom. É fundamental que a igreja brasileira tenha acesso a materiais bem escritos, bem pesquisados e que tenham contato com a produção cristã de nível acadêmico. Como defensores da fé, nós precisamos tornar público e acessível aquilo que a academia tem produzido de melhor.

(5) Reconheça e corrija seus erros: Ninguém é infalível! Nem mesmo Norman Geisler. Apesar da qualidade dos materiais apologéticos que escreveu, Geisler reconheceu vários dos erros que cometeu no livro e prontamente os corrigiu. Na defesa da fé cristã, esse tipo de humildade é fundamental. É necessário que os homens e mulheres de Deus que estão defendendo a fé cristã tenham esse tipo de atitude. Mais do conhecer as evidências, mais do que excelência e honestidade na pesquisa, humildade para lidar com as diferentes opiniões e disposição para reconhecimento e correção dos equívocos.

A tarefa da apologética é necessária no Brasil, e por isso, aqueles que se dedicam a ela devem realizar tal tarefa com excelência acadêmica. Nós precisamos que homens e mulheres que levem o cristianismo a sério se dediquem a pesquisa em nível acadêmico para defender aquilo que consideramos fundamental: A nossa fé em Cristo.

Soli Deo Gloria!

5 comentários sobre “Sempre Cheque Suas Fontes!

  1. Tchelo, como você, também usei deste livro com propósitos evangelísticos. No entanto, os leitores para quem eu dei o livro nada sabiam sobre tais divergências, essas que você excelentemente apresentou. As divergências eram na área biológica.

    Você conhece as primeiras pesquisas procurando um fator que justificasse a causa da homossexualidade? Hoje, tais pesquisas são extremamente obsoletas. No máximo sugerem que, com a tecnologia que tinham, era isso ou aquilo que compreenderam da pesquisa – o que, de fato, não representa a verdade.

    Foco nEle, bro, sempre. Bom trabalho!

  2. Marcelo gostei muito do artigo, por esse motivo gotaria de saber o que vc pensa sobre o livro: “Origem e Transmissão do Texto do Novo Testamento” de autoria do Wilson Paroschi, publicado pela SBB, ainda vale a pena compra-lo!?

    1. David,

      Eu ainda não li esse livro, mas tenho grande respeito pela capacidade crítica do Wilson Paroschi. Eu li o antigo livro “Crítica Textual” e acredito ser o melhor livro sobre o assunto publicado em português. Como sei que esse livro é a expansão e atualização do anterior, acredito ser de grande valia. Por conhecer os materiais do autor, conhecer a visão que tem sobre a crítica textual, eu diria que vale a pena comprar esse livro sim. Agora, só poderei manifestar minha opinião “oficial” após ler o livro de fato.

      Grande abraço,
      Marcelo Berti

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