Teologando Sobre o Jesus Histórico


No início do desse ano, tive o privilégio de fazer parte do BTCast com o Alexandre Milhoranza e Rodrigo Bibo de Aquino, integrantes do Bibotalk. Nesse episódio nós conversamos sobre o Jesus Histórico, como disciplina, método e muito mais. Junte-se a nos nessa interessante conversa sobre o Jesus Histórico.

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3 comentários sobre “Teologando Sobre o Jesus Histórico

  1. Pingback: Teologando Sobre o Jesus Histórico – Parte 2 – Teologando

  2. wrochadel

    Obrigado, Marcelo
    Todas essas informações foram incríveis que levará tempo para deixar de pensar.
    Sensacional!
    E academia é isso: diz e mostra de onde tirou. Grato pelas referências ;)

    Uma dúvida que ficou foi: Ao dizer que os discípulos se utilizaram de termos já existentes, então a fala: Mt 16:18 “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”, pode ter sido uma interpretação?

    1. Wilian,

      Valeu pelo encorajamento!

      Sobre a questão, se me lembro bem, no podcast falamos sobre o uso que os apóstolos fizeram do termo “εὐαγγελίζω” (evangelitzo), que era um termo existente e recorrente do mundo antigo, mas que foi utilizado pela igreja primitiva em referência a mensagem do Evangelho. Já sua pergunta parece estar direcionada aos materiais (fontes) utilizados pelos autores dos evangelhos, em especial o texto de Mat.16.18.

      Se o entendi corretamente, a história recente da interpretação desse texto foi diretamente influenciada pelo estudo histórico da pessoa de Cristo. Alguns, como Rudolf Bultmann, entendem que nada há nesse texto de histórico; na verdade, o que encontramos aqui, segundo ele, seria apenas a reflexão da igreja sobre o ensino de Cristo que acabou por atribuir a Pedro certa primazia sobre os demais apóstolos. De modo similar, James Dunn, vai dizer que o evento faz parte da memória dos apóstolos sobre os eventos que aconteceram de fato, mas agora são aplicados ao contexto “presente” (daquele momento) da comunidade da fé. Outros dirão que esse texto descreve exatamente o que aconteceu, mas tem certa dificuldade de conciliar essa narrativa com as outras apresentadas em Marcos 8.27-30 e Lucas 9.18-21 (cf. Mat 16.13-20).

      Além das dificuldades apresentadas pelos textos paralelos, o que é realmente difícil para a reflexão teológica acadêmica é a expressão “minha igreja.” De acordo com a pesquisa do Jesus Histórico, Jesus jamais teria defendido uma “nova religião,” o que demonstra que esse texto faz parte da reflexão da igreja e não das próprias palavras de Cristo. Por outro lado, se essas palavras são de fato de Cristo, tal teoria não pode ser defendida de modo absoluto.

      Deu pra entender, ou compliquei?!

      Grande abraço,
      Marcelo Berti

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