Conhecimento na Prática


Eu comecei minha carreira com Deus aos 23 anos de idade quando estava na faculdade. Apesar de ter crescido em um lar cristão, foi com essa idade que fui tocado por Deus. Resolvi firmemente dedicar minha vida para o Senhor. Estava no terceiro ano de Medicina Veterinária e, com a mudança de vida, junto com outros amigos, começamos a estudar a Bíblia. Acabamos morando em uma casa de estudantes ou republica só de irmãos. Tínhamos a prática de acordar às 6 horas da manhã para orarmos juntos e depois saiamos para a faculdade. Começamos nesse período a nos reunir todas as terças, quintas, sábados e domingos em um barracão que ficava aos fundos da nova casa que alugamos, onde também foi o meu casamento anos depois.

Não perdi uma reunião durante o tempo que morei ali antes de me formar e ir trabalhar em outra cidade. Esse grupo, recebeu também pessoas da cidade e entre nós havia uma comunhão intensa, com estudos bíblicos consistentes, que recebíamos de outros irmãos de Ribeirão Preto e São Paulo dos quais tivemos grande ligação. Várias vezes por ano eram realizadas conferências entre as comunidades debaixo de uma corrente teológica específica.

Durante alguns anos, recebemos muito conhecimento bíblico e foi uma delícia poder compreender melhor a Palavra de Deus com ênfase na edificação, unidade, negar a si mesmo e amar os irmãos.

Anos depois, deixei de me reunir com esses irmãos, fui para uma Escola Bíblica de tempo integral, após pedir demissão de uma multinacional, sempre com o desejo de conhecer mais o Senhor por meio da Sua Palavra. Foi também uma experiência maravilhosa entender que o Reino de Deus é muito maior do que qualquer grupo cristão. Porém, ainda era forte o desejo de mais conhecimento.

Felizmente, tive a oportunidade naquela escola de ler livros sobre trabalhos missionários na história da igreja, conhecer missionários, participar de evangelismo ao ar livre e de porta em porta, fazer estágios em favelas, com ribeirinhos e por fim em aldeias indígenas. Posteriormente acabei passando 23 anos em uma Missão Evangélica Indígena junto com minha família.

Como já foi dito, muitos anos de minha vida passei estudando a Palavra de Deus e uma dificuldade que sempre passava em minha mente era a seguinte. Porque comunidades que se dedicam tanto ao conhecimento bíblico não têm a mesma disposição para a pregação dessa mensagem? Penso que é porque crêem que se as pessoas conhecerem muito a Bíblia elas serão conseqüentemente grandes evangelistas. Creio que ai surge pensamentos como: O importante é qualidade e não quantidade. As riquezas de Deus são insondáveis e é preciso conhecer mais e mais. Etc.

Nada errado com isso, porém, alguns grupos ficam tão convictos que passam a defender uma corrente teológica, e, com medo de heresias, se tornam muito restritos. Promovem conferências, seminários, debates teológicos e o trabalho de evangelização, que deveria ser a conseqüência desse conhecimento torna-se comprometido.

Mas, como tenho experimentado, evangelizar traz um grande refrigério, prazer, alegria e paz, acompanhados de uma grande batalha. Sinto-me mais completo e útil no Reino de Deus. Compartilho o que ganho do Senhor em uma escola de futebol de crianças, Fundação Casa, Casa de recuperação para dependentes químicos e de porta em porta. Creio que voltar ao primeiro amor que muitos desejam, está na prática evangelística do conhecimento.

Quero contar o testemunho de um grande amigo:

Este amigo é um americano formado em teologia, com PhD no Seminário Teológico de Dallas. Ele havia dado aulas em Escolas Bíblicas em outras cidades do Brasil e também em Boa Vista-RR onde eu morava. Um dia em minha casa ele disse que iria plantar uma igreja em Boa Vista. Depois que decidiu qual seria o bairro, foi até lá, parou sua Kombi em frente de uma casa e pensou; “é aqui que vou começar”. Nesse momento disse ele: Deu um branco! O que vou dizer nesta casa? Sou um americano e quero estudar a bíblia com vocês! Ficou por algum momento ali parado e depois tomou fôlego e foi. Pela misericórdia de Deus, uma igreja surgiu naquele bairro e hoje tem outras duas afiliadas em outros bairros.

Apesar de seu grande conhecimento bíblico, inclusive em línguas originais, o trabalho de evangelização era uma batalha espiritual que precisava ser vencida. Porém, outra dificuldade era deixar o alto pedestal do conhecimento e proclamar a mensagem de uma forma simples, para as pessoas entenderem. Isso só pode ser realizado com humildade, quebrantamento e disposição. O tempo em que ficou com aqueles irmãos havia uma ênfase no conhecimento bíblico, mas também um fervor evangelístico.

Certamente que a qualidade é muito importante, porém, a quantidade da mesma forma. Qualidade sem reprodução significa esterilidade!

Perguntas: O seu conhecimento tem como conseqüência o ânimo evangelístico? O seu prazer e disposição para ler livros, participar de estudos bíblicos, conferências teológicas e ministrar palestras, são o mesmo para pregar o evangelho e ver pessoas reconciliadas com Deus?

A grande comissão é para todos! Não há desculpas como, não tenho dom para isso ou esse não é o meu ministério etc.

Recebemos uma ordem e devemos obedecer!