Sobre Servos e Remadores


“Portanto, que todos nos considerem como servos de Cristo e encarregados dos mistérios de Deus.” 1 Coríntios 4:1

Para a igreja em Corinto, Paulo parece fazer um grande esforço parar demonstrar que como apóstolo de Cristo, ele não passa de um servo dos seus irmãos. São várias as metáforas e analogias que Paulo usa para demonstrar que a liderança cristã é mais uma oportunidade de serviço do que de senhorio.

1. Liderança e Serviço

Por exemplo, Paulo usa o termo grego διακονός para descrever sua posição como fundador da igreja de Corinto (1Cor 3:5; cf. 2Cor 3:6; 6:4; 11:15, 23): “Afinal de contas, quem é Apolo? Quem é Paulo? Apenas servos por meio dos quais vocês vieram a crer.” O próprio ministério é descrito em termos de serviço, i.e. διακονία (1Cor 16:15; cf. 2Cor 3:7-9; 4:1; 5:18; 6:3; 8:4; 9:1, 13; 11:8). Como ministro, Paulo reconhece que seu papel é de participação na obra de Deus e não de realização do ministério. Ele é apenas um instrumento (1Cor 3:5) e cooperador, i.e. συνεργὀς, que pertence/procede de Deus (θεοῦ γάρ ἐσμεν συνεργοί; 1Cor 3:9). Não é a toa que eventualmente ele descreve a si mesmo com um escravo dos Coríntios por amor de Jesus (δούλους ὑμῶν διὰ Ἰησοῦν; 2Cor 4:5). Em outras palavras, a posição de Paulo entre os Coríntios não era uma posição exaltada, nem mesmo em sua linguagem. Inteligente como sabemos que era, ele poderia usar da retórica para impressionar (ὑπεροχὴν λόγου; 1Cor 2:1), mas preferiu nada fazer conhecido entre os Coríntios senão a Jesus Cristo e a esse crucificado (1Cor 2:2).

Mas, no capítulo 4 que Paulo faz uma afirmação interessantíssima sobre seu ministério: “Portanto, que todos nos considerem como servos de Cristo e encarregados dos mistérios de Deus.” (1 Cor 4:1). O termo que aqui foi traduzido por servo é ὑπηρέτης (hyperetes), um substantivo de sentido relativamente controvertido. O conceito mais comumente atribuído a esse termo é a imagem de um remador. Não infrequentemente, comentaristas, teólogos, pastores e professores usam esse termo para descrever um tipo de remador que realizava sua função na parte inferior de um navio. Mas, será que essa imagem representa o sentido que Paulo intentava atribuir a esse termo nesse texto?

2. Sobre Servos e Remadores

A popularização da ideia de que ὑπηρέτης (hyperetes) deveria ser entendido como um remador deve-se em parte a um livro chamado Synonyms of the New Testament escrito por Richard TrenchNesse livro, Trench afirma que ὑπηρέτης “é uma palavra derivada de assuntos militares; era originalmente uma referência a um remador (de ἐρέσσω, ‘remigo’), como distinto do soldado, a bordo de um navio de guerra” (p.34) [1]. Ainda que originalmente o ὑπηρέτης pudesse fazer referencia a um remador (fato que questionaremos abaixo), o uso do termo demonstra sentidos mais abrangentes e sem qualquer relação com a figura náutica expressa pelo suposto “sentido original” do mesmo (como veremos abaixo). Entretanto, a imagem derivada da associação de ὑπηρέτης e ἐρέσσω era tão forte e tão aparentemente adequada para o contexto de 1 Coríntios, que comentaristas, pastores e professores seguiram afirmado a relação desses termos para demonstrar o tipo do serviço esperado do servo de Cristo. De onde então se convencionou dizer que ὑπηρέτης descreve um remador do porão de um navio em 1Cor 4:1?

A. A Contribuição dos Léxicos

A popularização desse conceito deve-se agora em parte a James Strong, o responsável pelo mais acessível léxico do NT jamais escrito. De acordo com Strong’s Lexicon, ὑπηρέτης é derivado da preposição grega ύπο (hypó; debaixo, inferior) e do verbo ἐρέσσω (remar) e consequentemente poderia ser entendido como um sub-remador. A.T. Robertson, o grande gramático da língua grega do século passado, defendeu no seu seu livro de estudo de vocábulos, afirmou que o termo descrevia “sub-remadores, ou remadores subordinados a Cristo” (Word Pictures in the New Testament). Nesse caso, embora não o tenha feito de modo explícito, Robertson sugere que ὑπηρέτης é derivado da união da preposição grega ύπο (sob, debaixo) e do substantivo έρετης (remador; cf. Hdt.6.12, Th.1.31). Já o Joseph Henry Thayer, antes mesmo de apresentar o significado do termo, afirma que o termo é formado pela junção de ύπο e έρετης, e afirma que o sentido original do termo é um sub-remador ou um remador subordinado (Thayer’s Greek-English Lexicon of the New Testament; Ver também Bloomfiled, p. 452). J. B. Hofmann, no léxico Etymologisches Wörterbuch des Griechischen, faz exatamente a mesma afirmação e demonstra esse sentido como possível através de uma análise etimológica. [2]  Em outras palavras, desde o fim do século XIX o termo ὑπηρέτης vem sendo definido desse por meio de vários dos mais importantes e disponíveis dicionários de língua grega.

E por isso, não é de se surpreender que alguns dicionários e léxicos mais recentes continuem a manter tal afirmação.  G. Schneider, usando a análise de Hofmann como fundamento, apenas afirma que ὑπηρέτης é derivado de ύπο e έρετης , sem qualquer intenção de demonstrar sua validade (Exegetical Dictionary of the New Testament, Vol.3, p.400).  O próprio William Mounce mantém o sentido de ὑπηρέτης como de um remador (Mounce Concise Greek-English Dictionary of the New Testament), bem como o atualizado KJV New Testament Greek Lexicon. Mais importante ainda, seria a contribuição de Ceslas Spicq, que descreveu ὑπηρέτης como “aquele que estava em um convés inferior de um trirreme e, portanto, em uma posição inferior” (Theological Lexicon of the New Testament). Ou seja, uma vez que o conceito chegou a léxicos e gramáticos de respeito, era uma questão de tempo que tal interpretação povoasse os comentários escritos em 1Coríntios.

B. A Contribuição dos Comentários

Leon Morris, por exemplo, afirma explicitamente que ὑπηρέτης “significava originalmente um ‘sub-remador’, isto é, um remador na parte inferior de um grande navio” (1 Corinthians: An Introduction and Commentary, p.75). Warren Wiersby afirma que ὑπηρέτης é “literalmente um escravo que rema na parte mais inferior de um barco” (Wiersbe’s Expository Outlines on the New Testament, p 428). Raymond Collins afirma que ὑπηρέτης significa literalmente “sub-remador”  e que “descreve propriamente aqueles posicionados no deck inferior de um trirreme,” e usa G. Schneider (EDNT) como evidência (First Corinthians, p.167; 173). Algo similar a essas afirmações foi também dito por Prior David (The Message of 1 Corinthians, 61),  R.C.H. Lenski (First Epistle to the Corinthians, p.161), Thiselton (First Epistle to the Corinthians, p.335), A.T. Robertson (A Critical and Exegetical Commentary on the First Epistle of St Paul to the Corinthians, p.74) e tantos outros. William Barclay transforma o sentido do termo em uma cena típica de um drama cinematográfico:

Originalmente significava um remador na parte inferior de um trirreme, um dos escravos que puxavam os grandes remos que moviam os grandes navios de guerra pelo mar. Alguns comentaristas enfatizam isso e transformam-na em uma imagem de Cristo como o piloto que dirige o curso do navio e Paulo como o servo que aceita as ordens e os trabalhos do piloto apenas quando seu Mestre assim o dirige (The Letters to the Corinthians, p.42)

Em outras palavras, ao se atribuir a ὑπηρέτης o sentido de um sub-remador, ou um remador do porão de um navio em função de um possível sentido original, esses autores atribuíram a etimologia o critério fundamental para se atribuir sentido ao termo, a despeito do uso diacrônico do mesmo[3], ou até mesmo do seu uso contextual.  Ainda que o termo ὑπηρέτης possa ter sido derivado de ὐπό e έρετης (o que é altamente questionável), alguém deveria demonstrar que o termo é utilizado com o sentido de sub-remador em algum lugar da literatura grega do passado. Caso contrário, essa “hipótese” não pode ser demonstrada como possível identificação do sentido de ὑπηρέτης em 1Cor 4:1.

C. O Problema das Evidências

O grande problema nesse caso é que não existem evidências que no período do grego koine de que ὑπηρέτης tenha sido usado para descrever um remador. Digno de nota é que não encontra-se uma única evidência se quer em toda a literatura grega clássica sobrevivente que ὑπηρέτης tenha sido usado para descrever um remador (!). Uma rápida pesquisa no Perseus Digital Library demonstrará isso claramente: Das 773 vezes que o termo é usado em toda a coleção, em nenhuma delas o sentido de remador ou sub-remador é encontrado. A única possível referência que se tem notícia de que ὑπηρέτης poderia ter sido usado para descrever um remador é proveniente de uma inscrição publicada no Sylloge Inscriptionum Graecarum (SIG). Na inscrição SIG 1000, linha 31, encontrada ilha grega de Cos, no vilarejo de Platani e datada entre o segundo e primeiro século antes de Cristo, lê-se: τοὶ ὑπηρέται τᾶν μακρᾶν ναῶν (os remadores/assistentes no grande barco). A pressuposição de que ὑπηρέτης aqui tenha o sentido de remador se deve claramente pelo uso do termo na mesma descrição de um navio. Entretanto, de acordo com o léxico de literatura grega clássica, Liddell-Sccot-Jones, o sentido de ὑπηρέτης como remador é dúbio. O texto poderiam muito bem fazer uma referência a um funcionário/servo/assistente do navio, sem que esse fosse necessariamente um remador.

No Grego Clássico o termo é normalmente usado para descrever um assistente, seja em funções oficiais do estado e/ou do exército, seja em funções associadas a religião. Heródoto usa o termo para descrever um arauto dos deuses (Hdt. 3.63; 5.111). Platão, por outro lado, eventualmente usa ὑπηρέτης associado com δοῦλός, dando a entender que o termo deveria ter conotações mais serviçais que oficiais. Mais interessante é que nas tragédias gregas e no dialeto Ático usava-se ὑπηρέτης para descrever diferentes tipos de subordinação. Ésquilo, por exemplo, descreve Hermes como ὑπηρέτης θεῶν (lit. mensageiro/arauto dos deuses; Aesch., PB 950–954), ao passo que Sófocles descreve os homens de Delfi como mensageiros de Apolo (Soph., OT 710–714). O termo foi usado para descrever diferentes funções em Atenas, como a do servo responsável pela assistência dos ὁπλίται (soldados; cf. Thucydides, Hist. 3.17; Aristophanes, Birds 1186), ou o homem responsável pela execução de criminosos (Plato, .116b, cf. Xenophon, HG2.3.54, 2.4.8), ou até mesmo um oficial do estado a serviço de um general (Xen., Cyrop. 2.4.4; Dem., 50 31, et al). De modo geral, o termo descrevia uma função de assistência ou serviço do ὑπηρέτης a alguém que lhe fosse superior com o claro reconhecimento de  sua submissão.

Na Literatura Judaica do período intertestamental ὑπηρέτης era utilizado de modo similar àquele encontrado na literatura grega clássica. Um exemplo interessante encontra-se na tradução grega (LXX) de Pro 14:35, no qual ὑπηρέτης traduz o termo hebraico עֶבֶד (servo): “O favor do rei é concedido ao servo que procede sabiamente.” No livro Sabedoria de Salomão, os reis da terra são chamados de servos do reino de Deus, no sentido de que tem funções executivas na adminastração do reinado divino (Sab.Sal 6:4). Na famosa carta de Aristea, o autor se refere aos χρηματισταὶ καὶ οἱ τούτων ὑπηρέται (lit. juizes distritais e seus sub-oficiais), usando ὑπηρέτης para descrever uma função oficial de assistência e serviço. No livro o Testamento dos Doze, Beliar é descrito como tendo a sua disposição assistentes (ὑπηρέται) em forma de anjos malignos para trazer destruição (Test. B. 3:8).Em Siraque o termo também foi usado para descrever a função de um escriba (Sir 39:1-4) Em outras palavras, o sentido do termo nesse corpo literário é deveras simiar àquele encontrado na literatura grega, o que sugere que ainda que o termo tenha sido diacronicamente usado para descrever diferentes funções e atribuições, o sentido mais latente do termo é serviço com claras nuances de subordinação. Digno de atenção que o termo denota esse sentido em relação a funções oficiais do estado ou da religião.

No período do NT ὑπηρέτης era usado para descrever diferentes funções, normalmente atribuídas a pessoas debaixo da autoridade de alguém. No papiro P.Oxy II.259, na décima terceira linha lê-se: διὰ Βίλλου διοικητικ[οῦ] ὑπηρέτ[ου. (lit. por meio de Billus, assistente do diocetes). Nesse papiro de 23 A.D, o autor usa ὑπηρέτης para descrever um assistente de um administrador financeiro de Roma. No papiro P.Teb 1.45 (113 A.D.), na quinta linha lê-se: ὑπηρέτου γεωργῶν τῶν ἐκ τῆς αὐτῆς (Κερκεοσίρεως) (lit. assistente dos cultivadores da referida [Kerkeosiris]). No papiro P.Fay26 (150 A.D.), na vigésima linha usa-se ὑπηρέτης para descrever um assistente, um escriturário. Em outras palavras, o termo descrevia diferentes em diferentes posições e ambientes um tipo de assistência (serviço).

No Novo Testamento o sentido de ὑπηρέτης é mais genérico e normalmente descreve um assistente ou um servo subordinado a alguém que lhe seja superior (cf. BDAG, 1035; EDNT, 3:400; TDNT 8:539). Das 20x que o termo é usado no NT (Mt 5:25; 26:58; Mc 14:54, 65; Lc 1:2; 4:20; Jo 7:32, 45-46; 18:3, 12, 18, 22, 36; 19:6; At 5:22, 26; 13:5; 26:16; 1 Cor 4:1), o termo é usado para descrever guardas romanos (Mt 5:25; 26:58; Mc 14:54, 65; Jo 18:18, 22), o assistente da sinagoga (Lc 4:20), guardas a serviço dos fariseus (Jo 7:32, 45, 46; 18:3, 12; 19:6; cf. At 5:22, 26). Esses usam a abrangencia de funções que o termo poderia descreve, e ao mesmo tempo demonstra que em todos os casos ὑπηρέτης denota o tipo de serviço/assistência de alguém subordinado a outro que lhe é superior. Digno de nota que o termo também é usado por Cristo, duas vezes para descrever seus servos (Jo 18:36; At 26:16). Lucas usa uma vez para descrever os mensageiros/ministros da palavra (Lc 1:2), enquanto Paulo usa para descrever sua posição e função como servo/ministro/mensageiro de Cristo (1Cor 4:1).

No período posterior ao NT, ὑπηρέτης foi usado para descrever os cristãos de maneira geral (θεοῦ ὑπηρέται; In.Pol. 6:1), ou mais especificamente os servos da igreja de Deus (ἐκκλησίας θεοῦ ὑπηρέται; In.Traj 2:3). Posteriormente, o termo recebeu conotações mais técnicas e passou a descrever sub-diáconos (Concilium Neocaesariense [314 AD], 10; Concilium Laodicenum [347AD], 20; Basil. IV, 400 C. 801) ou até mesmo diáconos (Concilium Nicaenum. I, 18; Const. Apost. 2, 28). Ainda aqui o sentido do termo inclui ao mesmo conceitos de serviço/assistência e subordinação/obediência.

Em outras palavras, em toda a literatura sobrevivente não encontra-se uma se quer evidência de que ὑπηρέτης tenha sido usado em referência a um remador, quanto mais a um remador do porão de um navio. Ou seja, a única evidência que alguém teria para sugerir que ὑπηρέτης poderia significar um remador, é afirmação de que ὑπηρέτης é derivado da união da preposição grega ύπο (sob, debaixo) e do substantivo έρετης (remador). Mas, existe alguma validade nesse argumento?

D. O Problema Etimológico

Em primeiro lugar, deve-se notar que existe a possibilidade (ainda que remota) de que ὑπηρέτης tenha sido derivada de ύπο e έρετης. Do ponto de vista da fonética, essa sugestão tem sua validade, afinal a união desses termos resultaria no alongamento da vogal ε o que causaria a mudança da acentuação. Desse modo, ὑπηρέτης tornar-se-ia uma palavra paroxítona, apesar de έρετης ser proparoxítona. Entretanto, como explica-se a completa ausência desse sentido na literatura grega sobrevivente? Se esse era o “sentido original” do termo, como tal sentido não pode ser originalmente encontrado?

O primeiro problema dessa análise etimológica é que a evidência material para essa teoria não parece sustentar sua validade. No livro Hellenistic Military and Naval Developments o autor William Woodthorpe Tarn apresenta evidências das diferentes funções existentes em um navio de guerra e demonstra que os remadores de um trirreme, por exemplo, não eram chamados de ὑπηρέτης, mas έρετης (p.162-4). Ele também demonstra que mesmo em trirremes (ou barcos ainda maiores), a organização dos remadores era horizontal, e não vertical como se supunha (pp.125-6). Com detalhamento impressionante, Tarn demonstra através das sobreviventes evidências dos navios gregos que a suposta origem de ὑπηρέτης não é compatível com os fatos. O segundo problema da suposta origem de ὑπηρέτης é que embora o termo tenha sido usada em contextos náuticos (cf. Hom.Od., 12, 444), não existe qualquer evidência de que o termo tenha sido originado nesse contexto. O terceiro problema, é que tal sentido nasce da pressuposição de que o sentido de um termo é determinado pelo sentido mais básico (ou original, literal) das partes do mesmo. D.A. Carson, no livro Exegetical Fallaciesusa esse exemplo como um tipo falácia de raiz, que sugere que sentido de um termo é derivado ou dependente de seu sentido original ou dos possíveis partes que a constitui (p.28-30).[4]

Em outras palavras, a completa independência de έρετης e ὑπηρέτης parece ser a melhor explicação para as evidências que temos disponíveis. Sendo assim, é altamente improvável que o sentido de ὑπηρέτης em 1Cor 4:1 seja de remador (de qualquer espécie), pelas seguintes razões:

(1) por que o termo não era usado desse modo nem nas mais antigas evidências sobreviventes da literatura grega clássica, e por conseguinte parece não ter sido originada da imagem de um remador;

(2) por que o termo não era usado desse modo na literatura grega sobrevivente do período anterior e posterior do NT;

(3) por que o termo não foi usado desse modo em nenhum lugar do NT;

(4) por que a evidência material para a teoria de ὑπηρέτης como uma referência original a um sub-remador é desprovida de factualidade.

Portanto, a pergunta que nos resta aqui é: qual seria o sentido do termo usado por Paulo em 1Cor 4:1?

3. Sobre Mensageiros/Servos/Ministros e Mordomos

A bem da verdade, o sentido de ὑπηρέτης em 1Cor 4:1 é de difícil definição por duas razões: (1) a primeira é claramente observada pelo estudo do vocábulo, mas a principal razão é que (2) essa é a única vez que Paulo usa esse termo em suas cartas. A dificuldade nesse caso é que um hapax legomena (uma palavra usada uma única vez) não nos oferece a possibilidade de comparar como o próprio autor a usa em outras ocasiões. Dessa forma, os principais elementos para se considerar são o uso diacrônico do termo, seu sentido mais comumente empregado no período em questão e mais importante que os anteriores, o contexto literário.

A. Um mensageiro de Cristo?

A primeira possibilidade seria entender ὑπηρέτης em referência a um arauto/mensageiro (cf. Hdt. 3.63; 5.111). Como demonstramos acima, alguém poderia funcionar a serviço de alguém como um arauto. Quando Ésquilo descreve o diálogo entre Hermes e Prometeus, por exemplo, ele apresenta a Hermes como  (lit. mensageiro/arauto dos deuses): “Você fala corajosa e bravamente, e sua mensagem é desprovida de orgulho, como convém a um ὑπηρέτης θεῶν [arauto/mensageiro dos deuses].” Nesse caso, Prometeus descreve a Hermes como alguém a serviço dos deuses, cujo serviço é proclamar a mensagem deles. Quando Herbert Weir Smyth, o grande gramático do grego clássico, traduz essa expressão, ele usa a interessante expressão: “as befits a minion of the gods” (como convém a um servo dos deuses; Aeschylus, with an English Translation, PB, 954). De modo similar, Sófocles quando descreve a Odysseus apresentando os decretos de Zeus a Philoctetes, ele se descreve como ὑπηρετῶ δʼ ἐγώ (lit. eu sou seu [de Zeus] servo; The Philoctetes of Sophocles, 990). Nesse caso Odysseus presta sua assistência/serviço por meio de sua proclamação dos decretos de Zeus (cf. TDNT, 8:530-31).

Essa possibilidade é favorecida se alguém tomar o contexto em que Paulo usa o termo ὑπηρέτης. A conexão desse termo com a subsequente expressão οἰκονόμους μυστηρίων θεοῦ (lit. mordomos/administradores/despenseiros dos mistérios de Deus) poderia reforçar a ideia de que Paulo se descreve aqui como um mensageiro. Evidentemente, o termo que descreve o despenseiro, ie. οἰκονόμος,  não descreve primeiramente alguém que funciona como um arauto. Entretanto, a expressão genitiva anexa ao substantivo em questão, ie. μυστηρίων θεοῦ (lit. mistérios de Deus), poderia sugerir que Paulo é um despenseiro de uma mensagem aqui descrita como mistérios de Deus. Reforça essa possibilidade, que o uso de μυστήριον nas cartas paulinas está intimamente ligado à mensagem de Cristo. Um exemplo interessante dessa conexão encontra-se em Col 2:2: “para que os seus corações sejam animados, estando unidos em amor, e enriquecidos da plenitude do entendimento para o pleno conhecimento do mistério de Deus – Cristo” (cf. 1Cor 2:7; Ef 1:9; 3:3, 9; 5:32; 6:19; Col 1:26-27; 4:3; 1Tim 3:9; 3:16). Se  οἰκονόμους μυστηρίων θεοῦ é aquele que proclama o mistério de Deus, ie. Jesus Cristo e a este crucificado (1Cor 1:23; 2:2, 8; cf. 1Cor 15:1-3), é possível que o sentido da ὑπηρέτας Χριστοῦ em 1Cor 4:1 fosse mensageiro de Cristo. Ainda que desconhecida nos comentários, essa opção me parece plausível. Schneider sugere que o termo poderia ser entendido aqui como “testemunha de Cristo,” como aquele que proclama sua mensagem (EDNT, 3:400).

B. Um servo de Cristo?

Mas, essa não é a única opção viável para explicar essa expressão. A bem da verdade, a mais conhecida opção entre os comentaristas é que ὑπηρέτης seja de fato um servo de Cristo. A evidência externa ao NT parece favorecer essa opção largamente como já demonstramos acima. Mouton-Milligan demonstram que o uso mais comum de ὑπηρέτης nos papiros do primeir0-segundo século AD descreve diferentes tipos de serviços, dos mais comuns serviços domésticos a auxiliares de pessoas em posições oficiais do governo (M-M, 654; ver também BDAG, 1035; TDNT 8:539). Não infrequentemente essa pano de fundo conceitual é usado para demonstrar que o sentido mais plausível de ὑπηρέτης em 1Cor 4:1 é servo, como descrição de alguém subordinado a Cristo (cf. Thiselton, p.335; Ciampa/Rosner, p.169; C.K. Barrett, p.98; Verlyn Verbrugge, p. 290; Alan Johnson, 77; Roy Harrisville, p.65). Digno de nota que esse sentido se adequa claramente ao contexto de 1Coríntios, como já demonstramos na introdução desse post. Esse é o sentido aparentemente mais evidente e frequente nos comentários de 1Coríntios.

C. Um ministro de Cristo?

Outra opção para se compreender ὑπηρέτης em 1Cor 4:1 é a identificação do termo em relação com a possível autoridade derivada da mesma. Normalmente o argumento que usa-se para reforçar esse sentido é a frase seguinte: οἰκονόμους μυστηρίων θεοῦ. De acordo com Gordon Fee, por exemplo, o sentido de ὑπηρέτης é especificado pelo uso de οἰκονόμος, e portanto descreve o sentido não apenas de humildade e submissão, mas de autoridade delegada:

“Portanto, os apóstolos deveriam ser considerados com ‘servos de Cristo’, enfatizando novamente sua posição humilde e ao fato que pertencem exclusivamente a Cristo; ao mesmo tempo eles são ‘despenseiros dos ministério de Deus,’ enfatizando ao mesmo tempo tanto a posição que lhes foi confiada, bem como sua prestação de contas a Deus. O aspecto de ‘autoridade’ da metáfora é aqui demonstrado pelo objeto da sentença ‘as coisas secretas de Deus'” (The First Epistle to the Corinthians, p. 158).

A.T. Robertson descreve o sentido de οἰκονόμος em 1Cor 4:1  de modo brilhante:

O mordomo ou administrador da casa (οἰκος [oikos], casa, νεμω [nemō], gerenciar, uma palavra antiga) era um escravo (δουλος [doulos]) sob seu senhor (κυριος [kurios], Lucas 12:42), mas um senhor sobre os outros escravos da casa (servos παιδας [paidas], servas παιδισκας [paidiskas] Lucas 12:45), um supervisor (ἐπιτροπος [epitropos]) sobre todo o resto (Mateus 20:8) – Word Pictures in the New Testament

A relação do οἰκονομός como seu senhor era uma relação clara de submissão, mas isso não lhe retirava a posição de autoridade que tinha diante dos servos que tinha debaixo do seu controle. Em outras palavras, a posição servil de Paulo não lhe retirava a autoridade que tinha diante da comunidade de Corinto. É interessante notar que o conceito de autoridade não é necessariamente ausente em ὑπηρέτης pelo fato de expressar o conceito de servo assistente de alguém. Do mesmo modo que o despenseiro tinha autoridade sobre os outros servos da casa, um assistente de um oficial teria autoridade sobre aqueles a quem seu mestre tem autoridade, por que no exercício de sua assistência a seu senhor, o assistente representava a autoridade do mesmo diante dos outros (cf. Mt 5:25; 26:58; Mc 14:54, 65; Jo 18:18, 22; ver também: Thucydides, Hist. 3.17; Aristophanes, Birds 1186; Xen., Cyrop. 2.4.4; Dem., 50 31, et al). Sendo assim, é também possível que ὑπηρέτης em 1Cor 4:1 represente um servo de Cristo, no sentido de ser esse um ministro do mesmo; um assistente que está debaixo das ordens oficiais do Senhor, mas funciona como seu representante e manifesta sua autoridade na comunidade da fé (cf. Jean Héring. The First Epistle of Saint Paul to the Corinthians; William F. Orr, James Arthur Walther. 1 Corinthians).

Conclusão

Como demonstramos acima, o sentido de ὑπηρέτης em 1Cor 4:1 é controvertido. Entretanto, ficou claro que as associações do termo com um remador de qualquer espécie é de fato equivocada. Em outras palavras, as evidências que temos disponíveis nos permitem montar um claro caso contra a opinião popular, mas não nos confere a mesma confiança a afirmar a mais plausível das opções possíveis supracitadas.

Diante da breve análise que fizemos, três considerações merecem nossa consideração aqui:

(1) O contexto literário deveria ser o fator determinante na definição do sentido de ὑπηρέτης em 1Cor 4:1; como vimos, ὑπηρέτης é um hapax legomena em Paulo, e como tal não nos oferece indícios alternativos para considerarmos o possível sentido intentado por Paulo em 1Cor.4:1. Sendo assim, o sentido do termo deveria ser favorecido pelo contexto;

(2) Contextualmente, comentaristas em lexicógrafos tem considerado a relação de ὑπηρέτης com a subsequente sentença como um modo de especificar o seu sentido em 1Cor 4:1. Essa análise, entretanto, demonstra que os três sentidos supracitados, a saber, mensageiro, servo ou ministro, são possíveis. Evidentemente, essas três opções não são igualmente possíveis. A questão que nos resta então é: qual dessas três opções é a mais plausível em 1Cor 4:1?

(3) Conceitualmente, a opção que sofre de menor possibilidade é a primeira, ie. que ὑπηρέτης seja usado aqui no sentido de um arauto/mensageiro. A evidência desse uso é deveras antiga e ausente na literatura grega do período mais próximo ao NT. Não temos qualquer evidência do período concomitante ao NT de que ὑπηρέτης tenha sido usado desse modo, ainda que tal uso seja teologicamente possível para Paulo. Favorece esse parecer o fato de que o sentido de mensageiro/arauto exigiria um entendimento deveras incomum de οἰκονόμος. Somadas essas duas observações, considera-se que ainda que possível, o sentido de mensageiro aqui é improvável.  As duas opções restantes, ie. servos ou ministros, representam a grande maioria das traduções e ambas gozam de bom suporte conceitual do período do grego Koine. A minha preferência pessoal seria entender ὑπηρέτης como servo, no sentido de alguém submisso a Cristo. O contexto de 1Cor 4 parece favorecer a humildade e subordinação de Paulo, e não tanto sua autoridade na comunidade da fé (cf. vv. 9-14). Entretanto, estou ciente de que o conceito de ministro não é impossível para ὑπηρέτης aqui, mas a mesma me parece menos provável que o conceito de servo.

Como fica evidente nessa análise, nem sempre o consenso e popularidade de uma idéia é garantia de que a mesma esteja correta. Também vimos o quão importante é o estudo da lexicografia, afinal até mesmo lexicógrafos de respeito do passado estavam equivocados em algumas de suas definições [5]. Também vimos que uma boa análise diacrônica de um termo nos auxilia a compreender melhor os diferentes sentidos que um termo carrega através do tempo e como um desses sentidos é mais possível que outros. Tudo isso tem grande influência no nosso entendimento do texto das escrituras e da nossa teologia. Portanto, fica claro aqui que o estudo aprofundado não afasta o aluno/estudante/pastor/professor do conhecimento de Deus e de Cristo. Ao contrário, tal estudo nos coloca ainda mais perto do entendimento das escrituras e da nossa posição diante do nosso Senhor. Se Paulo e Apolo eram meros serviçais do nosso Senhor, quem somos nós!?

Soli Deo Gloria

=====

Notas

[1] Contudo, é digno de nota que Trench jamais descreveu o local de trabalho desse remador, ou sugeriu que esse era o sentido esperado em 1Cor 4:1.

[2] De acordo com a análise de J. B. Hofmann, esse é o sentido de ὑπηρέτης (Etymologisches Wörterbuch des Griechischen, p. 2,969-970):

ὑπηρέτης,
{hupērétēs}
Forms : dor. (seit IVa) -τας
Grammar : m.
Meaning : ‘Diener, Gehilfe, Genosse, Adjutant’ (att., Hdt. usw.);
Composita : ἀρχ(ι)-υπηρέτης m. ‘oberster Minister’ (sp. Inschr. u. Pap.).
Derivative: Davon 1. ὑπηρ-έτις f. ‘Dienerin’ (E., Pl. u.a.). 2. -ετικός ‘zum Diener gehörig dienend, behilflich, untergeordnet’; -όν (sc. πλοι̃ον), -ὸς κέλης ‘kleines Schiffsboot, Eilboot’ (att. usw.). 3. -εσία, oft pl. -εσίαι f. ‘Schiffsmannschaft, Dienerschaft, Dienstleistung’ (att. hell. u. sp.). 4. -έσιον n. = -ετικὸν πλοι̃ον (Eratosth. ap. Str.). 5. -ετέω, auch m. συν-, ἐξ- u.a., ’ὑπηρέτης sein, (be)dienen, beistehen, willfahren’ (ion. att.) mit -έτημα n. ‘Dienstleistung’ (att.), -έτησις (ἐξ-) f. ‘Bedienung’ (Arist., Pap. u.a.). 6. -ετεύω ‘ds.’ (Messen., Kos) mit -ετεία f. (App. Anth.).
Etymology : Für sich steht ὑπηρέσιον im Sinn von ‘Ruderkissen’, übertr. ‘Reitkissen’ (att. hell. u. sp.), wohl Hypostase (“was unter dem ἐρέτης liegt”). Urspr. Ausdruck der Seemannsprache. Die wörtliche Bed. ‘Unterruderer’ läßt sich sachlich nicht begründen, s. Richardson Class Quart. 37, 55ff., der in ὑπ- mit Recht ein hypercharakterisierendes Präfix sieht, zunächst um den Gegensatz zum übergeordneten κελευστής hervorzuheben; vgl. ὑπο-δμώς = δμώς und Schw.-Debrunner 524 A. 1. Zur Bed. und Verbreitung von ὑπηρέτης u. Verw. noch E. Kretschmer Glotta 18, 77f. und Fraenkel Nom. ag. 1, 190 (im Einzelnen etw. abweichend). — Weiteres s. ἐρέτης.

[3] Por exemplo, no passado a palavra terror já teve conotações positivas. Um homem que causa terror é um homem a digno de respeito. É por isso que o Adhemar de Campos poderia cantar: “Eu tenho um Deus terrível em louvores,” sem que ninguém pensasse que Deus era um péssimo musicista. Aliás, as antigas traduções em português (ARC) incluíam diversas ocasiões nas quais Deus era descrito como terrível: “E se falará da força dos teus feitos terríveis; e contarei a tua grandeza” (Sl 145:6); “Não te espantes diante deles, porque o Senhor teu Deus está no meio de ti, Deus grande e terrível” (Deut 7:21); “Pois o Senhor vosso Deus, é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível (Dt.10:1), et al. Seria um equívoco sugerir que todas as vezes que a palavra terrível fosse usada hoje fosse uma referência positiva a uma pessoa (ou situação) digna de respeito considerando o sentido “original” do termo. A verdade é que as palavras não tem significado, elas carregam significado em diferentes lugares, contextos e épocas. A palavra pior é usada de modo positivo em Belém, mas seria um equívoco usar uma regra rígida e fixa para definir que todas as vezes que a palavra pior fosse usada o sentido é positivo. A palavra desgraça é usada conotações sem religiosas ou profanas em São Paulo, mas em alguns lugares no interior de Minas essa palavra tem conotação quasi- herética.

[4] O problema aqui é similar a outros que conhecemos: ekklesia, parakaleo, paristemi, etc.

[5] Em defesa deles, entretanto, é fundamentalmente importante lembrar que antes da descoberta dos manuscritos de Oxirrinco no Egito no final do século XIX e início do século XX, não se tinha a disposição para pesquisa e consideração diversos manuscritos do período Koine. Com isso, muito do conhecimento que temos do grego Koine nos nossos dias era completamente desconhecido quando esses léxicos foram escritos.

Anúncios

8 comentários em “Sobre Servos e Remadores”

  1. Já há algum tempo venho questionando a validade de mensagens que tentam expor um significado “mais profundo” por meio da análise de algumas palavras isoladas do grego ou do hebraico. Confesso que até há algum tempo atrás achava fascinante isso e até procurei entender os textos desta maneira, achando que fazendo assim, conseguiria um conhecimento “a mais”. Ficava “catando” nos léxicos algum sentido obscuro da palavra-chave do texto.
    Vejo agora, por meio deste seu texto, tão claramente, que até mesmo os que têm um conhecimento mais privilegiado estão propensos a erros neste sentido. Imagine nós, leigos.
    Outro caso similar que me lembro é o da palavra “dunamis”.
    Mais uma vez obrigado por compartilhar o conhecimento.

  2. Muito Legal Marcelo… Pelo q entendi o problema todo gira em torno de um mal uso da etimologia da palavra, de uma má compreensão de seu campo semântico e dá desconsideração do contexto literário, certo?

    Que outros materiais vc tem (artigos, livros ou áudios) sobre esses quesitos e que vc possa indicar?

    O exegetical fallacies é um deles né? (q existe em português já… Perigos dá interpretação Bíblica)

    Ouvi falar bastante em uma aula sobre esse livro aqui: “biblical words and their meaning” – Moisés Silva, vc conhece?

    1. Grande Pedro,

      No passado eu já escrevi sobre esse tipo de situação, mas acho que o melhorzinho é esse aqui: “Adorar Jesus é Idolatria

      O livro do Carson é muito bom e vale a pena comprar e ler. O mais importante livro dessa natureza é o “The Semantics of Biblical Language” escrito por James Barr. Outro similar, mas escrito por diversos autores com uma linguagem bem mais técnica, seria o Greek Language and Lexicography. O livro do Moisés Silva é muito bom e serve como introdução a esses outros dois.

      Grande abraço,
      Marcelo Berti

  3. Graça e paz Marcelo!

    Parabéns pelos argumentos desenvolvidos no texto. Excelente! Também prefiro o “servo” embora algumas traduções tragam “ministro”, e ainda que a essência da palavra ministro seja servir e não ser servido, isso mostra como usamos a palavra de forma errada e aquele que é investido de autoridade, como os ministros do governo por exemplo, todos eles são servidos, como se reis fossem. Mas deveria servir, pois é isso o que um bom ministro faz. Sejamos todos servos, não no sentido de escravos mas de alguém que já entregou toda a vida para o Senhor dela.

  4. MUITA BOA COLOCAÇÃO DE PALAVRAS , POIS VIVEMOS DIAS DIFÍCEIS ,ONDE PASTORES QUEREM SEREM SERVIDOS , DEUS ABENÇOE ,TEMOS QUE VOLTAR PARA UM EVANGELHO GENUÍNO

Os comentários estão encerrados.