Entre o Machismo e o Feminismo


Existem muitas maneiras pelas quais as mulheres podem proclamar adequadamente a palavra do Senhor e, em algumas delas, podem proclamá-Lo com mais eficiência do que os homens. Existem pessoas que serão atraídas pela maneira tenra, emotiva e vitoriosa pela qual a irmã em Cristo se expressa. Uma mãe cristã! Que ministro ela é para sua família! Uma mulher cristã solteira – no círculo familiar, ou mesmo no serviço doméstico – o que ela não pode realizar se seu coração se aquecer de amor pelo Salvador! Não podemos dizer às mulheres: “Vá para casa [go home], não há nada para você fazer no serviço do Senhor.” Longe disso, pedimos a Marta e Maria, Lídia e Dorcas, e toda a irmandade eleita, jovens e idosos, ricos e pobres, para instruir os outros como Deus os instrui.

C. H. Spurgeon, “All at It,” in The Metropolitan Tabernacle Pulpit Sermons, vol. 34 (London: Passmore & Alabaster, 1888), 520.

Não faz muito tempo que ouvimos John MacArthur, um ícone do complementarismo conservador, sugerir que Beth Moore deveria ir pra casa (“Go home!” – veja vídeo em inglês aqui). Num ambiente de perguntas e respostas, MacArthur foi convidado a dizer a primeira palavra que viesse à sua mente quando o entrevistador lhe apresentasse uma palavra. Para surpresa da audiência, que ri de modo audível, a primeira palavra oferecida a MacArthur foi: “Beth Moore“. Mesmo reconhecendo o perigo da situação em que foi publicamente colocado, MacArthur que não tem problema em falar o que pensa, sugere que o lugar de Moore era em casa.

O comentário de MacArthur gerou grande desconforto em todos os lados da questão: entre teólogos igualitários, o comentário de Macarthur foi descrito como patriarcal; entre complementaristas, como desrespeitoso; entre mulheres que pregam, a resposta veio à altura: nós não vamos pra casa! Beth Moore manifestou-se pelo Twitter em um tom que ganhou tanto o respeito como o desprezo de muitas pessoas (basta visitar sua conta no Twitter). E claro, depois de todo o alvoroço sobre o evento, o debate sobre o lugar da mulher na igreja voltou a fazer parte das mídias sociais, e dessa vez em peso. Durante alguns dias, minha timeline no Facebook foi invadida por posts e mais posts de todos os possíveis lados.

Nesse contexto, o texto de 1Timóteo 2:9-15 tornou-se [novamente] central no debate do Lugar da Mulher na Igreja. Como era esperado, calorosos debates foram travados e muitas certezas distribuídas sem o devido critério: os defensores do ministério pastoral feminino pareciam convencidos que esse texto foi escrito para um problema exclusivamente cultural na cidade de Éfeso; para os defensores da exclusividade masculina no ministério pastoral, esse texto é a prova de que mulheres não podem ensinar na igreja. Infelizmente, essa polarização percebida em particular nas mídias sociais causou a falsa impressão de que existem duas opiniões sobre o assunto, uma machista e outra feminista.

Entretanto, a literatura acadêmica parece nos apontar em outra direção. Muito embora os termos feminismo e machismo tenham sido usados como rótulos para descrever perspectivas distintas sobre o lugar da mulher na igreja, acredito que é importante notar que ambos os termos descrevem extremos no debate e que existem posições melhor definidas e qualificadas que precisam ser melhor conhecidas. É por isso que iniciamos essa série propondo uma melhor percepção do assunto, demonstrando que existem outras perspectivas sobre o assunto entre o Feminismo e o Machismo.[1]

Uma Taxonomia

Nessa série, proponho a seguinte classificação:

Uma proposta de classificação do debate sobre o lugar da mulher na igreja

Observando o debate acadêmico sobre o assunto, acredito que essa classificação melhor sintetiza e explica as diferentes posições sobre o assunto:[2] Nos extremos apresento o machismo e o feminismo, e entre eles encontro opções mediadoras, o complementarismo e o igualitarismo.[3] Eu acredito que, para iniciar um diálogo cristão saudável sobre o lugar da mulher na igreja, é fundamental que a taxonomia acima proposta seja entendida e respeitada. Desse modo, evitaríamos rotular de maneira pejorativa aqueles que discordam da nossa opinião, e nos permitiria encontrar entre aqueles de quem discordamos, pessoas com quem partilhamos convicções em comum.

Por isso, preciso fazer cinco observações preliminares sobre como o assunto será tratado nessa série em particular:

1. Distinção entre Machismo e Complementarismo

Infelizmente, o debate, especialmente como conhecido nas mídias sociais, parece confundir com frequência o machismo com o complementarismo. Aliás, mesmo na literatura acadêmica, tal confusão é persistente. Por isso, é fundamental usar diferentes terminologias para tratar de modo adequado cada uma das posições. Nessa série, faremos uma distinção conceitual entre machismo e complementarismo sugerindo que enquanto a primeira opção sugere a superioridade masculina (em modelos normalmente tóxicos) o complementarismo defende a complementariedade dos gêneros, de tal forma que o homem não é superior a mulher. Para complementaristas, homem e mulher foram criados distintos um do outro estrutural e funcionalmente, mas ambos igualmente marcados pela mesma diginidade da Imago Dei e da mesma posição diante de Deus. Em outras palavras, homem e mulher são iguais diante de Deus e distintos um do outro.[4]

Para complementaristas, homem e mulher foram criados distintos um do outro estrutural e funcionalmente, mas ambos igualmente marcados pela mesma diginidade da Imago Dei e da mesma posição diante de Deus. Em outras palavras, homem e mulher são iguais diante de Deus e distintos um do outro

2. Distinção entre Feminismo e Igualitarismo

No contexto brasileiro evangélico e conservador, essa distinção é especialmente importante, afinal, nesse ambiente o termo feminismo é sobretaxado de conotações negativas.[5] Nessa série vamos diferenciar o feminismo do igualitarismo do sugerindo que primeiro defende a superioridade da mulher (em modelos normalmente tóxicos), enquanto o segundo defende que a distinção e complementariedade dos gêneros masculino e feminino não são ontologicamente hierárquicos. Ou seja, para igualitaristas, homem e mulher foram criados distintos um do outro estruturalmente, mas não funcional nem ontologicamente, sendo também igualmente marcados pela dignidade da Imago Dei e de mesma posição diante de Deus. Em outras palavras, homem e mulher são iguais diante de Deus e um do outro.[6]

Para igualitaristas, homem e mulher foram criados distintos um do outro estruturalmente, mas não funcional nem ontologicamente, sendo também igualmente marcados pela dignidade da Imago Dei e de mesma posição diante de Deus. Em outras palavras, homem e mulher são iguais diante de Deus e um do outro

3. Distinção entre Igualitarismo e Liberalismo

Além disso, acredito que não se deva equiparar igualitarismo com liberalismo teológico. Essa é outra confusão conceitual que acaba por distorcer a visão igualitatista. Esse fato é percebido corretamente por Wayne Grudem, que sugere:

“Eu sei que muitos de vocês [igualitaristas] pessoalmente nunca se moveram em direção ao liberalismo que eu descrevo nesse livro (…) Eu tenho um grande número de amigos igualitaristas que não se moveram nem um centímetro em direção ao liberalismo no resto de suas convicções doutrinárias, e que acreditam fortemente e defendem a inerrância da Bíblia (…) Esses homens são respeitados acadêmicos e líderes no mundo evangélico”

Wayne Grudem, Evangelical Feminism – A New Path to Liberalism? (Wheaton: Crossway, 2006), 19-20

Embora Grudem devote todo o resto do seu livro para demonstrar que os argumentos usados por igualitaristas (que ele também chama de feministas evangélicos) se parecem em muito aos usados por pessoas que desvalorizam as escrituras (que ele também chama de liberal), ele reconhece a existência de pessoas que se denominam igualitaristas que não podem ser classificados como liberais. Entre eles, Grudem menciona dois heróis do conservadorismo teológico, Walter Kaiser e Grant Osborne, mas eu acredito que a lista poderia ser bem maior. Mas seja como for, é importante notar que igualitarismo e liberalismo não são a mesma coisa. Em outras palavras, muito embora todos os liberais sejam igualitaristas, nem todos os igualitaristas são liberais.[7]

Muito embora todos os liberais sejam igualitaristas, nem todos os igualitaristas são liberais

4. Distinção entre Complementarismo e Fundamentalismo

Do mesmo modo, é importante notar que nem todos os complementaristas são identificados como fundamentalistas. Do mesmo modo que igualitarismo e liberalismo são categorias irmãs mas não idênticas, complementarismo e fundamentalismo também não o são. De fato, embora todo fundamentalistas seja complementarista, é importante reconhecer que nem todo complementarista é fundamentalista. Essa nuance não é sempre percebida nos acalorados debates, mas é real. Por exemplo, dificilmente alguém chamaria Craig Bloomberg, Harold Hoehner ou Buist Fanning de fundamentalistas. São evangelicais, sem sombra de dúvidas. O mesmo poderia ser dito por teólogos reformados, como Douglas Moo ou Thomas Schreiner, que embora sejam conservadores, não podem ser rotulados de fundamentalistas.

Muito embora todos os fundamentalistas sejam complementaristas, nem todos os complementaristas são fundamentalistas.

5. Insuficiencia das Categorias

Por fim, devemos notar que as categorias apresentadas acima não podem ser suficientes para descrever todas as opiniões sobre o assunto. De fato, as categorias acima mencionadas são insuficientes para serem exaustiva. Entretanto, acredito que tais categorias ofereçam em algum nível clareza entre as principais perspectivas nesse debate teológico dos nossos dias.

Vale mencionar que cada uma das categorias apresentadas na taxonomia acima (machismo – complementarismo – igualitarismo – feminismo) não são pontos em uma reta, mas um espectro de diferentes opiniões sobre o assunto. Em outras palavras, nem o complementarismo nem o igualitarismo são perspectivas monolíticas sobre o assunto: existe diversidade de opiniões dentro de cada uma das categorias apresentadas.

Portanto, a grande pergunta que fica depois de observar tal taxonomia é: Qual é o critério que permite a construção dessa taxonomia? Para mim a resposta é simples: hermenêutica. A diferença entre um igualitarista e um feminista, ou entre um complementarista e um igualitarista se encontra no método teológico utilizado, em particular a hermenêutica empregada para se analisar as escrituras.

É por isso que no próximo artigo pretendo demonstrar como o método teológico, em particular a hermenêutica, influencia a produção das diferentes alternativas e propostas sobre o lugar da mulher na igreja e como importantes representantes de cada uma dessas alternativas a desenvolvem nos seus artigos. Ficará, então, evidente que existe uma hermenêutica feminista, que é distinta da hermenêutica igualitarista que é distinta da hermenêutica complementarista. Muito embora existam convicções semelhantes entre igualitaristas e feministas o modo como chegam às suas convicções é deveras distinto (o que lhes garante, na minha opinião, uma categoria distinta).[8]

Até o próximo artigo!


Notas

[1] Antes de mais nada, é necessário dizer que classificar diferentes opiniões é sempre um desafio subjetivo. A perspectiva de quem classifica é sempre marcada por pressuposições que governam a análise das informações disponíveis, e por isso, em assuntos controvertidos, dificilmente se encontrará consenso no modo de se organizar as diferentes opiniões sobre o assunto. Por isso, é importante que o leitor saiba que a taxonomia aqui proposta não é definitiva nem recebida sem dificuldades. Sobre o assunto, o leitor fará bem em explorar a vasta literatura sobre o assunto para verificar se a proposta aqui oferecida faz jus à produção teológica sobre o assunto.

Para uma apresentação a respeito da prática da taxonomia teológica, recomendo o livro The Survivor’s Guide to Theology (M. James Sawyer). Nesse livro, Sawyer não apenas apresenta uma proposta para uma taxonomia teológica compreensiva, como também demonstra como diferentes sistemas teológicos organizam suas convicções. Um excelente livro para que inicia o estudo teológico e gostaria de identificar onde estão as diferenças essenciais entre diferentes sistemas teológicos.

Para uma visão ilustrada da taxonomia proposta por Sawyer, vale a pena ver o livro Taxonomic Charts of Theology and Biblical Studies. Longe de ser exaustivo ou definitivo, o livro apresenta de modo visual as diferentes visões teológicas a partir da perspectiva do autor. Para uma introdução ao assunto, ver o artigo Establishing a Doctrinal Taxonomy: A Hierarchy of Doctrinal Commitments, pelo mesmo autor.

[2] A síntese apresentada aqui, não seria recebida na literatura acadêmica sem suas críticas. A bem da verdade, entre os diferentes proponentes do igualitarismo e complementarismo, existe uma clara diferença de opinião sobre como um grupo entende o outro. Longe de propor uma visão mediadora, central ou isenta de preferências, aquilo que apresento aqui reflete o modo como eu entendo o dilema.

[3] As devidas definições do complementarismo e igualitarismo serão propriamente oferecidas nos posts subsequentes. Por ora, demonstraremos apenas a existência de tais perspectivas menos extremadas em relação ao machismo e ao feminismo.

[4] Isso não significa, por outro lado, que não existam manifestações machistas entre aqueles que se descrevem como complementaristas (como veremos à frente), ou até mesmo pessoas machistas entre os complementaristas. Infelizmente, o modo como alguns complementaristas manifestam sua opinião é marcada por modelos culturais que não correspondem ao conceito extraídos das escrituras que os mesmos defendem. Estou plenamente convencido que existem machistas travestidos de argumentos teológicos complementaristas, e acredito que muitas das páginas e perfis nas diferentes mídias sociais sobre masculinidade cristã não me deixam mentir aqui.

Sendo assim, quando o termo complementarismo for usado pelo autor, ele o será feito excluindo-se manifestações machistas que eventualmente são associadas a ele, ou a expressões igualmente tóxicas feitas por pessoas que se descrevem como complementaristas. Dessa forma, usa-se o termo como definição e não como rótulo.

[5] Nem todo uso do termo feminismo é necessariamente negativo. Por exemplo, no livro How I Change my Mind about Women in Leadership os editores definem e usam o termo feminismo da seguinte forma: “Nesse livro, entretanto, o termo é usado de modo positivo, referindo-se a igualdade de valor, justiça, privilégio, posição, oportunidade, serviço e liderança de mulheres como mulheres no programa do Reino de Deus, seja no lar, no casamento, na igreja ou nas estruturas sociais” (p.18). Definido desse modo, o termo se quer evoca as imagens que nós brasileiros temos quando usamos o mesmo termo. Entretanto, como é impossível eliminar do imaginário tupiniquim contemporâneo os conceitos e imagens associadas ao feminismo extremado e tóxico das redes sociais e da muitas vezes da mídia, especialmente entre os leitores mais conservadores, nessa série usaremos o termo com cautela, e via de regra em distinção de igualitarismo.

[6] Isso não significa que não existam manifestações feministas entre aqueles que se descrevem como igualitaristas (como veremos a frente), ou até mesmo feministas entre aqueles que se definem como igualitaristas. Infelizmente, o modo como alguns igualitaristas manifestam sua opinião é marcada por modelos culturais que não correspondem ao conceito extraídos das escrituras que os mesmos estudam. Também estou plenamente convencido que existe muita argumentação feminista travestida de igualitarismo.

Sendo assim, quando o termo igualitarismo for usado pelo autor, ele o será feito considerando pessoas que pertencem ao ambiente da reflexão teológica e que poderiam ser descritos como conservadores em outros assuntos. Dessa forma, nessa série pretendo usar o termo como definição e não como rótulo.

[7] Wayne Grudem faz outras observações interessantes sobre o assunto, considere:

Eu não estou defendendo que todos os igualitaristas sejam liberais (…) Mas é inquestionável que o liberalismo teológico caminhe na direção da ordenação de mulheres [ao ministério pastoral]. Embora nem todos os igualitaristas sejam liberais, todos os liberais são igualitaristas. Não existe nos nossos dias nenhuma denominação ou seminário teologicamente liberal nos Estados Unidos que se oponha a ordenação de mulheres. O liberalismo e a aprovação da ordenação de mulheres andam de mãos dadas” (p.29).

Como já expliquei no início desse livro, eu não estou dizendo que todos os igualitaristas são liberais, o que estão caminhado em direção ao liberalismo. Mas eu estou afirmando que os argumentos usados por igualitaristas minam a autoridade das escrituras vez após vez, e ao fazer isso estão levando a igreja passo a passo em direção ao liberalismo. Hoje alguns igualitaristas deram apenas um passo nessa direção e não foram mais longe. Mas um grande número de de líderes igualitaristas mais jovens foram mais longe (a ponto de chamar Deus de nossa Mãe), e a proxima geração irá ainda mais longe, porque essa é a direção para a qual o feminismo evangélico inevitavelmente leva” (p.262).

Apesar de discordar veementemente com Grudem em muitos assuntos (incluindo o modo como ele organizou seu argumento aqui), acredito que sua opinião reflete sabedoria. Aliás, já vimos esse filme em outros assunto. Entretanto, também precisamos nos perguntar: Será que Grudem não corre o mesmo risco? Não seria igualmente prudente sugerir que uma visão defendida de modo tão veemente leve seus leitores a uma visão mais conservadora que a própria Bíblia? Eu acredito que sim, e ele mesmo parece ter percebido esse perigo, e por isso alerta seus leitores:

Eu quero que você seja cuidadoso ao ler esse livro para não reagir além do necessário e se tornar mais conservador que a Bíblia! Isso o levaria a um legalismo equivocado que restringiria mulheres maduras, devotas e capacitadas pelo Espírito dos certos ministérios, como já aconteceu muitas vezes no passado” (p.22).

Grudem sabe que suas opiniões podem levar seus leitores a uma posição mais conservadora que a dele. A grande pergunta que fica então: Seria ele culpado pelo descuido dos seus seguidores, da mesma forma que ele culpabiliza os igualitaristas de abrirem o caminho para o liberalismo? Eu acredito que não! Grudem não deveria ser culpado pelo possível chauvinismo extremado de alguns dos seus leitores, do mesmo modo que Fee não poderia ser culpado pelo possível feminismo extremado de alguns dos seus seguidores. Por outro lado, eu realmente acredito que a hipocrisia legalista (que complementaristas incorrem o risco de defender) é tão perigosa quanto o orgulho liberal (que igualitaristas incorrem o risco de defender). Ambos devem ser evitados a todo custo!

[8] Como ficará evidente no nosso próximo post, diferente da categoria feminista no gráfico apresentado, não existe uma categoria hermenêutica chamada machista. Existe opiniões chauvinistas em obras teológicas (sem sombra de dúvidas), mas não existe um método teológico ou uma proposta hermenêutica criada para defender o machismo, como vemos acontecer com o feminismo. No vasto campo da teologia, existe tanto um método teológico como uma hermenêutica feminista.

Publicado por Marcelo Berti

Bacharel em Missões pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida e Mestre em Teologia pelo Dallas Theological Seminary, Marcelo Berti é editor do Teologando e atualmente está iniciando um processo de plantação da Igreja Batista Fonte SP na cidade de São Paulo. É casado com a Gabriela Sachi e pai do Nathan e da Melissa.

2 comentários em “Entre o Machismo e o Feminismo

  1. Olá Marcelo Berti,

    Tem um erro grave de definição nesse artigo: o feminismo não defende a superioridade da mulher. Essa visão equivocada e preconceituosa do feminismo (tentando equipara-la ao machismo) é comum no meio conservador e demonstra bastante a ignorância sobre o movimento. Feminismo é a busca pela igualdade, não o oposto do machismo.

    1. Daniel,

      Muito obrigado por seu comentário. Eu entendo sua colocação, mas não acredito que o feminismo seja um movimento monolítico, nem em sua origem, nem em sua manifestação. Dificilmente sua definição seria suficiente para descrever o atual estado do feminismo no nosso país. Sim, existe quem acredite e defenda a igualdade entre homens e mulheres sob o título de feminista, mas esse não é nem de longe onde o movimento se encontra nos nossos dias. Esse feminismo mais leve (e mais antigo) já deu espaço para movimentos muito mais radicais, que você conhece muito bem. Eu diria que a primeira (que lutou por desigualdades legais) e a segunda onda (que lutou por desigualdades sociais, culturais) do movimento eram mais preocupada com igualdade. A terceira onda (desconstrução de gênero, liberação sexual, aborto) já deixou evidente que igualdade social e cultural já não são os alvos do movimento.

      Por outro lado, volto sua atenção ao artigo e ao contexto do mesmo. Nessa série não estou falando sobre o feminismo como movimento social, mas hermenêutico. Existem diferentes visões sobre o lugar da mulher na igreja, com especial atenção à interpretação do texto de 1Timóteo 2:9-15, e é sobre isso que estou falando nessa série. Por isso, a definição dada no artigo (insuficiente para descrever o movimento hermenêutico), será melhor qualificada no próximo artigo. Fique ligado!

      Grande abraço,
      Marcelo Berti

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