Para o cristão Obediência é Exigência (1Jo.2.3-11)

Um dos fenômenos lingüísticos que acontece nesse trecho e se repete na carta é o uso dos verbos sabemos e conhecemos. Nesse texto vemos o uso do verbo grego “ginosko“, que significa algo similar a “vir a saber” ou “perceber“. Entretanto, eventualmente vemos o emprego do verbo grego “oida“, que pode ser traduzido como “sabemos como fato“. Entretanto o que nos chama a atenção é o uso da expressão “nisto sabemos” no verso 5. A expressão grega nessa sentença é “en toutö ginöskomen” e é usada cerca de 7x (2.5; 3.16, 19, 24; 4.2, 13; 5.2) nessa carta. Essa expressão é interessante, pois revela o conceito de convicção que marca essa epístola. Continue lendo “Para o cristão Obediência é Exigência (1Jo.2.3-11)”

Crítica Textual 1Jo.1.7

Evidências

[Iησοῦ τοῦ υἱοῦ αὐτοῦ] Alex: א (IV) B (V) C (V) P(XI) Ψ (VIII/IX) 323 (XI) 1241 (XII) copsa (III/IV) copbo(ms) (III/IV) Ocid: 630 1505 itl vgst Biz: pc syrInd: 945 1739 Clement  VM: WH TIS8 ARA NVI

[Ἰησοῦ Χριστοῦ τοῦ υἱοῦ αὐτοῦ] Alex: A (V) 33 (IX) copbo (III/IV) Ocid: itt (XI) itw (XI) itz (VIII) vgcl (IV) vgww(IV) Biz: Byz syrh* (616)VM: TR Scrivener, Stephanus  TMRobertson-Pierpont ARC ARF

[Ἰησοῦ Χριστοῦ] Biz: pc Cassiodorus (580) Continue lendo “Crítica Textual 1Jo.1.7”

Crítica Textual 1Jo.1.5

Evidências

[ἀγγελία] Alex: (א*) (IV)  א2 (VII) A (V) B (IV) Biz: Byz VM: WH TIS8 TR Scrivener TMRobertson-Pierpont ARA ARC ARF NVI

[ἐπαγγελία] Alex: C (V) P (XI )33 (IX) 81 (1044) 323 (XI) 1241 (XII) copsa(ms) (III/IV) copbo (III/IV) Ocid: 614 (XIII) 630 (XIV) 1505 (XII) Biz: mss Ind: 69 945 1739 VM: TR Stephanus

[ἀγάπη τῆς ἐπαγγελίας] Alex: א1 (VI/V)Ψ (VIII/IX) Continue lendo “Crítica Textual 1Jo.1.5”

Crítica Textual 1Jo.1.4b

Evidências

[ἡμῶν] Alex: א (IV) B (IV) Ψ (VIII/IX) 181 (XI) 322 (XV) 326 (XII) 1175 (XI) 1241 (XII) 1409 (XIV) copsa (III/IV) Ocid: itar (XI) itp (VII) itt(pt) (XI) itz (VIII) vgww (IV) vgst (IV) Cæs: geo (V) Biz: L (IX) 049 (IX) 88 (XII) 436 (XI) 1067 (XIV) pm (V) Lect (IX) Ps-Oecumeniuscomm (VI) Theophylactcomm(1077) Ind: 69 VM: TRStephanus  TMRobertson-Pierpont TIS8 WH UBS4 NA27 ARA NVI

[ὑμῶν] Alex: A (V) C (V) P (IX) 6 (XIII) 33 (IX) 81 (1044) 104 (1087) 323 (XI) 330 (XII) 442 (XIII) 451 (XI) 1241 (XII) 1735 (XI/XII) 2298 (XI) 2344 (XI) copbo (III/IV) Ocid: 614 (XIII) 629 (XIV) 630 (XIV) 1292 (XIII) 1505 (XII) 1611 (XII) 1852 (XIII) 2138 (1072) 2412 (XII) 2495 (XIV/XV) itar (XI) itc (XII/XIII) itdem (XIII) itdiv (XII) itt(pt) (XI) vgcl (IV) Augustine (430) Cæs: arm (V) Biz: K (IX) 056 (X) 0142 (X) Byz 5 (XIV) 468 (XIII) 1844 (XV) 1877 (XIV) l422 (XIV) l598 (XI) l938 (XIII) l1021(XII) syrpal (VI) syrh (616) eth (VI) slav (IX) Bede (735) Ps-Oecumeniustext (VI) Theophylacttext (1077) Ind: 945 1739 1881 2464  VM: TRScrivener ARC ARF

[ἡμῶν ἐν ὑμῖν] Biz: syrp (V) Continue lendo “Crítica Textual 1Jo.1.4b”

Crítica Textual 1Jo.1.4a

Evidências

[ὑμῖν] Alex: Ac (V) 048 (V) 81 (XI) 104 (XI) 181 (XI) 322 (XV) 323 (XI) 326 (XII) 330 (XII) 451 (XI) 1175 (XI) 1241 (XII) 1243 (XI) 1409 (XIV) 1735 (XI/XII) 2298 (IX) 2344 (XI) copsa(ms) (III/IV) copbo(III/IV) Ocid: 614 (XIII) 629 (XIV) 630 (XIV) 1292 (XIII) 1505 (XII) 1611 (XII) 1852 (XIII) 2138 (XI) 2412 (XII) 2495 (XIV/XV) itar (IX) itc (XII/XIII)itdem (XIII) itdiv (XII) itp (VII) itt (XI) vg (IV) Augustine (430) Cæs: arm (V) geo (V) Biz: K (IX) L (IX) 056 (X) 0142 (X) Byz  88 (XII) 436 (XI) 1067 (XIV) 1844 (XV)1877 (XIV) Lect (IX) syrp (V) syrpal (VI) syrh (616) eth (VI) slav (IX) Bede (735) Ps-Oecumenius (VI) Theophylact (1077) Ind: 945 1739 1881 2464 VM: TRStephanus, Scrivener TMRobertson-Pierpont ARA ARC ARF

[ἡμεῖς] Alex: א (IV) A*vid (V) 0042 (IV) C (V) P (IX) Ψ (VIII/IX) 33 (IX) copsa(mss) (III/IV) Ocid: it VM: TIS8 WH UBS4 NA27 NVI Continue lendo “Crítica Textual 1Jo.1.4a”

1João 1.5-2.2 – Tradução e Crítica Textual

Certeza Obtida pelo Caminhar na Luz

5 Καὶ αὕτη ἐστὶν ἡ ἀγγελία[a] ἣν ἀκηκόαμεν ἀπ᾿ αὐτοῦ καὶ ἀναγγέλλομεν ὑμῖν, ὅτι ὁ Θεὸς φῶς ἐστι καὶ σκοτία ἐν αὐτῷ οὐκ ἔστιν οὐδεμία.

5 Esta é a mensagem que da parte dele ouvimos e anunciamos a vocês: Deus é luz e nele não existe escuridão nenhuma.

6 ἐὰν εἴπωμεν ὅτι κοινωνίαν ἔχομεν μετ᾿ αὐτοῦ καὶ ἐν τῷ σκότει περιπατῶμεν, ψευδόμεθα καὶ οὐ ποιοῦμεν τὴν ἀλήθείαν· Continue lendo “1João 1.5-2.2 – Tradução e Crítica Textual”

1João 1.1-4 – Tradução e Crítica Textual

Prólogo

1 ῝Ο ἦν ἀπ᾿ ἀρχῆς, ὃ ἀκηκόαμεν, ὃ ἑωράκαμεν τοῖς ὀφθαλμοῖς ἡμῶν, ὃ ἐθεασάμεθα καὶ αἱ χεῖρες ἡμῶν ἐψηλάφησαν, περὶ τοῦ λόγου τῆς ζωῆς·

1 O que era desde o princípio, o que nós ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos e nossas mãos apalparam, com respeito ao verbo da vida

2 – καὶ ἡ ζωὴ ἐφανερώθη, καὶ ἑωράκαμεν καὶ μαρτυροῦμεν καὶ ἀπαγγέλλομεν ὑμῖν τὴν ζωὴν τὴν αἰώνιον, ἥτις ἦν πρὸς τὸν πατέρα καὶ ἐφανερώθη ἡμῖν· –  Continue lendo “1João 1.1-4 – Tradução e Crítica Textual”

A Mensagem dos Apóstolos

Mensagem dos Apostolos

O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam – isto proclamamos a respeito da Palavra da vida. A vida se manifestou; nós a vimos e dela testemunhamos, e proclamamos a vocês a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada. Nós lhes proclamamos o que vimos e ouvimos para que vocês também tenham comunhão conosco. Nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. Escrevemos estas coisas para que a nossa alegria seja completa – 1João 1.1-4

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Data e Ocasião

Material Extraído da Apostila de Teologia Bíblica do Novo Testamento de autoria de Carlos Osvaldo Pinto.

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1 João é um dos livros de mais difícil datação no Novo Testamento. A maioria dos comentaristas sugere uma data posterior à destruição de Jerusalém, aí por volta de A.D. 85, algum tempo depois do quarto evangelho, cuja linguagem e temas a epístola parece presumir.

     Com base em 2.19, Hodges sugere que o livro foi escrito de Jerusalém, pouco antes da destruição da cidade, antes de João se estabelecer em Éfeso[1].  A evidência interna sugere, mais provavelmente, que a frase “saíram de nosso meio” em 2.19, se refere não a deixar o círculo apostólico de influência em Jerusalém, mas a igreja cristã estabelecida em Éfeso.

     A carta foi escrita a uma igreja (ou a igrejas) em que falsos profetas e falsos ensinos haviam aparecido e feito progresso (4.1; 2.19). Esses indivíduos se inclinavam a uma forma antinomiana de docetismo incipiente, negando a encarnação de Cristo (2.22; 4.1), ao passo que reivindicavam íntima comunhão com o Pai (2.23). Tais heréticos também advogavam um estilo de vida moralmente frouxa (2.15-17), aparentemente alegando que seus atos não afetavam sua relação com Deus (1.5-10). A característica final de sua heresia era uma atitude de superioridade com base num conhecimento mais elevado (ou profundo), que os levava a uma atitude de desprezo para com os não-iniciados na confraria esotérica (4.7-21).

     Os leitores eram antigos pagãos (5.21), já com algum tempo de experiência cristã (2.7, 18, 20; 3.11). À vista do ministério tradicionalmente aceito de João na província da Ásia, parece ser lógico localizar seus leitores na mesma região, que mais tarde receberia Apocalipse. Como resultado do ensino falso, os leitores estavam em condição espiritual sofrível. Demonstravam uma tendência ao pecado e ao mundanismo (1.5–2.6), falta de amor fraternal (2.7-11; 3.13-24), e perda da certeza da salvação (5.13).

     Evidentemente os leitores ainda não estavam sob perseguição, o que leva a crer que a carta foi escrita no começo do reinado de Domiciano. Uma vez que Apocalipse refletia um Sitz im Leben de perseguição e é tradicionalmente datada da parte final do reinado de Domiciano, a data mais provável para 1 João é o meio da década de 80 no primeiro século.

 


 

[1] Zane C. Hodges, “1 John” em Bible Knowledge Commentary: New Testament Edition. pp.882

Caráter da Carta

Uma das características dessa epístola é que, embora seja considerada como tal, ela não é emoldurada em um formato específico de uma epístola. Carson, Moo e Moris afirmam: “À semelhança de Hebreus, 1 João não exibe nenhuma das características formais que normalmente acompanham as introduções de cartas em grego no século I[1]“. Como nota-se nos primeiros versos de 1 João, não encontramos a identificação do autor ou dos destinatários, como é esperado encontrar em uma carta. O término abrupto sem saudações também não parecem com o caráter esperado de uma epístola. Talvez seja por essa razão que alguns comentaristas chegam a considerar a possibilidade de que 1 João teria sido um sermão, ou quem sabe, até uma espécie de folheto dedicado às Igrejas do primeiro século. Entretanto, Robert Gundry nos lembra que o tom altamente pessoal do documento (Filinhos meus, Amados) não pode ser compatível com um material de distribuição, ou que as premissas “vos escrevo” e “Isto que vos acabo de escrever” (1.4; 2.1, 7, 8, 12-14, 21, 26) também não podem ser compatíveis com uma homilia[2].

O que se sabe com certeza é que o livro de 1 João é um livro peculiarmente difícil de se compreender a estrutura. À exceção da introdução, é difícil encontrar uma estrutura para o corpo do documento, e existem sérias divergências entre pesquisadores sobre como deveria ser sua estrutura. Segundo Carson, Moo e Morris, quem melhor identificou a estrutura do livro fora I. Howard Marshall no livro The Epistles of Jonh. Hale, que também sugere o mesmo autor como boa fonte para a compreensão da estrutura do livro, chega a afirmar: “A estrutura, naturalmente, é determinada pelo propósito do escritor, que parece ser para ajudar o cristão a permanecer firme em face de uma heresia insidiosa. O autor escreve uma carta pensando nestas coisas, e a forma não estruturada como se desejaria[3]“.

A estrutura adotada nesse estudo provém, não da exegese do texto, mas da perspectiva de que João escreve um documento para prover convicção soteriológica nos seus leitores. Merryl C. Tenney, que adota essa perspectiva, afirma: “O Evangelho foi escrito para despertar a fé. A primeira epístola joanina foi escrita para estabelecer a certeza[4]“. A forma como João escreve essa epístola parece confirmar a idéia de Tenney; em treze ocasiões podemos encontrar o uso dos verbos gregos[5] “saber” (oida) e “conhecer” (gnosko) para “indicar a certeza obtida através da experiência, o que faz parte da consciência espiritual normal (2.3, 5, 29; 3.14, 16, 19, 24; 4.13, 16; 5.15, 19, 20)[6]“.

Entretanto, é válido mencionar que Merryl encontra apenas três grandes divisões entre a introdução e a conclusão (1.5-2.29; 3.1-4.21 e 5.1-12), enquanto usamos neste estudo nove seções menores como claramente evidenciado na proposta de esboço[7]. Optou-se nesse estudo a divisão em pequenas seções em função da constante alteração de temas (eventualmente repetidos) no decorrer da carta. Com isso, nota-se claramente as tônicas exortativas e instrutivas de João, bem como os assuntos que careciam de mais atenção do apóstolo, observado pela repetição.

 


[1] CARSON, D.A., MOO, Douglas J., MORRIS, Leon, Introdução ao Novo Testamento, pp.493. Ver também: HALE, Broadus David, Introdução ao Estudo do Novo Testamento, pp. 413

[2] GUNDRY, Robert H. Panorama do Novo Testamento, pp.401

[3] HALE, Broadus David, Introdução ao Estudo do Novo Testamento, pp. 415

[4] TENNEY, Merryl C., O Novo Testamento – Sua origem e análise. pp.398.

[5] Em semelhança a Tenney, Stott também apresenta sua percepção ao uso dos verbos “saber” e “conhecer”, mas acrescenta ainda um substantivo: “parresia”, que ele mesmo traduz como “atitude confiante” ou “ousadia no falar”, o que reforça a idéia de que o propósito de João era estabelecer a convicção soteriológica em seus leitores

[6] Idem, pp.402

[7] Sobre a estrutura do livro, ver PINTO, Carlos Osvaldo, Sinopse da Primeira Epístola de João. Em sua observação COP observa a existência de uma dupla seqüências de quiasmos entre a introdução e a conclusão da carta.